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 Parques Tecnolgicos - A experincia brasileira

 Ada Gonalves *

 A definio de parques cientficos revisada recentemente pela IASP -

 International Association of Science Parks caracteriza estes empreendimentos

 como " uma organizao administrada por profissionais especializados que tm por

 objetivo proporcionar para a sua comunidade a promoo da cultura da inovao e

 competitividade de suas empresas e instituies de pesquisa .
 Para alcanar

 estes objetivos um parque deve estimular e gerenciar o fluxo de conhecimento e

 tecnologia entre as universidades , centros de P & D , empresas e seus mercados ,

 facilitando a criao e consolidao de EBTS atravs da incubao e processo

 de " spin-off " , alm de prover outros valores agregados com espao de qualidade

 e infra-estrutura " .

 A definio  longa e tambm ampla o suficiente para contemplar parques

 tecnolgicos , tecnpolis , que podem ser consideradas variaes do conceito

 adotado .
 Nota-se uma evoluo e ampliao na conceituao que era utilizada h

 anos atrs , caracterizando os parques principalmente como " empreendimento

 imobilirio " .
 Alm deste fator , hoje  preciso considerar cada vez mais a

 preocupao com a gerao de sinergia entre os diversos atores , identificao

 das vocaes locais e regionais buscando a viabilidade econmica e tecnolgica .

 Analisando experincias internacionais pode-se considerar que a disponibilidade

 de um local fsico no  suficiente para o sucesso do empreendimento .
 A

 identificao de pessoal capacitado , a existncia de investimentos pblicos e

 privados , a produtividade cientfica e tecnolgica , estabelecimento de

 parcerias estratgicas regionais e nacionais so alguns dos fatores que devem

 ser observados , considerando o alto potencial de gerao de empregos .

 A experincia brasileira , se no  recente ,  ainda pouco consolidada .
 Os

 esforos de vrios grupos em diferentes regies do pas , iniciados em 1984 com

 a criao do Programa de Implantao de Parques Tecnolgicos , deram origem aos

 primeiros projetos .
 A partir de 1987 , com a realizao do 1 workshop

 internacional , o assunto passou a ser tratado de forma mais estruturada ; as

 propostas vm sendo aprimoradas , mas ainda demandam articulaes institucionais

 mais consistentes e duradouras e instrumentos financeiros mais adequados .

 Empreendimentos dessa natureza so atividades de longo prazo e demandam

 investimentos altos .
 Recentemente , em funo da constituio dos fundos

 setoriais , especialmente do Fundo Verde-Amarelo , apresentou-se uma

 oportunidade de lanar um Edital no valor de R$ 12 milhes para o apoio a

 estudos de implementao e planos de investimento para parques tecnolgicos

 associados a instituies de pesquisa , aprovado no mbito do Programa Nacional

 de Incubadoras - PNI , exigindo contrapartida financeira dos outros

 participantes .

 A idia  incentivar a participao de investidores privados de forma a

 permitir a sustentabilidade desses empreendimentos , estimulando a criao de

 mecanismos de articulao efetivos de cooperao entre universidades e

 empresas .

 Resultado do Edital - Para o 1 perodo do edital candidataram-se 28 ( vinte e

 oito ) propostas que somavam cerca de R$ 30 milhes , sendo 17 propostas ( R$ 18 ,

 6 milhes ) para estudos e 11 propostas para implantao ( cerca de R$ 11,3

 milhes ) .
 Aps um rigoroso processo de seleo , que contou com especialistas e

 representantes de agncias de governo , foram aprovadas 06 ( seis ) propostas , das

 quais 04 ( quatro ) para elaborao de planos de investimento e 02 ( dois ) para

 implantao de parques tecnolgicos .

 Temos conscincia de que esta iniciativa no atender as necessidades de todos

 os grupos no pas , nem ser suficiente para cobrir a instalao completa destes

 projetos .
 No entanto , a partir dessas experincias esperamos poder identificar

 com mais propriedade novos arranjos institucionais , novas formas de crdito e

 instrumentos financeiros , principalmente para as empresas , alm de novas

 formas de organizao e cooperao entre os diversos agentes ( governos locais ,

 centros de P & D ) e mecanismos mais geis de transferncia de conhecimento e

 tecnologia .

 No caso dos projetos aprovados no Edital , podemos dizer que as propostas

 apresentaram abordagens bastante variadas .
 Para caracterizar esta afirmao

 podemos citar dois exemplos : um projeto que apresenta um empreedimento com

 conceito e dimenses inovadoras , onde devero ser instalados um museu , um

 parque temtico , show room para as empresas , com referncias tecnolgicas nas

 reas de software , biotecnologia e servios , agregando atividades culturais , em

 funo da vocao regional da cidade que vem se destacado como uma das cidades

 que oferece uma tima qualidade de vida para sua populao .

 J outro projeto enfatiza a tendncia de intensificar a vocao local do seu

 Estado nos setores de petrleo e gs , tecnologia da informao e meio ambiente

 em funo da grande atratividade para novos negcios ou expanso dos j

 existentes e da proximidade de grupos e centros de pesquisas consolidados

 nessas reas do conhecimento .

 Na nossa opinio , para a consolidao da experincia brasileira sero

 necessrios o estabelecimento de polticas de desenvolvimento tecnolgico cada

 vez mais integradas , investimentos em capacitao em inovao e tecnologia ,

 paralelamente  existncia de parceiros financeiros estratgicos , ao

 fortalecimento da indstria de capital de risco , criao de fundos de capital

 semente e outras formas de apoio s empresas .

 O processo de aprendizado poder ser intensificado com a troca de experincias

 dos projetos em execuo e implantao atravs da realizao de workshops ,

 tendo como contraponto experincias desenvolvidas em outros pases , pensando em

 estabelecer , em um futuro prximo , a consolidao de benchmarking para o

 contexto brasileiro .

 Ada Gonalves  gerente do Departamento de Desenvolvimento de Polticas para

 Empresas Emergentes da FINEP

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