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 Justia do Trabalho recebe 6300 novos processos por dia

 Braslia , 01/08/2004 - Por dia , 6.300 novos processos com reclamaes

 trabalhistas chegam  Justia brasileira .
 So quatro processos por minuto .
 Essa

 quantidade de aes , de acordo com membros da prpria Justia e do Ministrio

 Pblico , revela o alto ndice de desrespeito ao direito trabalhista no pas .

 Como grande parte das irregularidades sequer se aproxima dos fruns e permanece

 annima , a preocupao aumenta : o que fazer para assegurar direitos ?
 As apostas

 dos especialistas so a conscientizao da populao e a coletivizao das

 demandas .

 O secretrio-geral do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil , Cezar

 Britto , advogado trabalhista , chama a ateno para outro problema : " A Justia

 est perdendo aquela funo de proteo do trabalhador , que precisa ser tratado

 como a parte mais fraca " , ressalta em entrevista concedida  Folha de S.Paulo

 na ltima sexta-feira .

 Na opinio dos especialistas , a Justia do Trabalho  ainda a mais gil , mas as

 diferenas so grandes , dependendo da regio .

 Se , em Sergipe , um processo pode ser aberto e decidido em primeira e em segunda

 instncias em cinco meses , na grande So Paulo , pode demorar de dois a quatro

 anos .
 Se chegar ao TST ( Tribunal Superior do Trabalho ) , o prazo pode passar de

 cinco anos .

 A demora muitas vezes leva o trabalhador a aceitar acordos desfavorveis para

 receber mais rapidamente o dinheiro que faz falta no sustento da famlia .
 Desde

 1981 , porm , a porcentagem de acordos apresenta tendncia de queda ( veja quadro

 ao lado ) .

 Para Vantuil Abdala , presidente do Tribunal Superior do Trabalho , a recesso

 econmica  a principal explicao para o fenmeno .
 Apesar de deixar o

 trabalhador mais propenso a ceder , a crise tambm limitaria o poder das firmas

 de propor acordos .

 Dispensada de uma instituio de ensino privada em agosto do ano passado , a

 professora universitria Teresa Teixeira Santoro , 35 , conta que deixou de

 receber valores a que tinha direito .
 Na Justia , recusou as propostas de acordo

 feitas pela faculdade .

 O motivo ?
 Simples : " Chegaram a me oferecer 15 % do que eu tinha a receber .
 Na

 segunda audincia , 30 % .
 Depois , o juiz props um acordo de 70 % , e a empresa

 quis pagar esses 70 % sem correo e em 36 meses " , revela a professora .

 Por poder dizer " no " , Santoro se diz privilegiada .
 " Muitas vezes o trabalhador

 tem de aceitar acordos aviltantes porque no tem outra forma de subsistir .

 Tenho outros empregos e uma empresa de comunicao .
 Posso esperar .
 E quem no

 pode faz o qu ?
 "

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