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 Economia

 28/7/2004

 Falta de contineres prejudica exportaes

 Por Martiane Welter

 A falta de contineres nos portos brasileiros , incluindo o de Rio

 Grande , est prejudicando os exportadores gachos .
 " Estamos com

 dificuldades para conseguir embarcar nossas mercadorias " , explica

 Paulo Tigre , coordenador do Conselho de Comrcio Exterior da Fiergs .

 O bom momento que vive a economia mundial est fazendo com que os

 contineres no cheguem no Brasil , uma vez que as importaes so

 muito menores do que as exportaes , o que faz com que os equipamentos

 tenham que vir vazios at o Pas para ento serem carregados .
 " Eles

 preferem ir para a China , pois vo cheios at l , j que eles importam

 muito , e voltam cheios , porque eles tambm so grandes exportadores " ,

 relata Tigre .

 O problema j afeta diversas empresas e setores da indstria gacha .

 " Poderamos estar exportando de 8 % a 10 % a mais se tivssemos

 contineres para embarcar os produtos " , revela Ivanor Scotton ,

 presidente da Associao das Indstrias de Mveis do Rio Grande do Sul

 ( Movergs ) .

 No primeiro semestre , as vendas de mveis gachos para o exterior

 aumentaram 56,7 % , totalizando US$ 123 milhes .
 " Nosso crescimento

 poderia ter sido de mais de 60 % " , informa o dirigente .
 Ele conta que

 embarcar mveis para locais que compram volumes menores , como Amrica

 Central e frica , est sendo uma tarefa muito difcil .
 " A demora  de

 at sessenta dias para conseguir um continer " , salienta Scotton .

 Outra reclamao dos moveleiros  em relao ao canal vermelho da

 Receita Federal , onde as cargas so examinadas minuciosamente .
 " Hoje

 eles esto parando 40 % das cargas no canal vermelho , sendo que esta

 parcela poderia ser reduzida para algo entre 10 % e 20 % , o que

 descongestionaria os portos " , argumenta Scotton .

 Ele conta que a demora na liberao de cargas aconteceu com a empresa

 dele , a Politorno , de Bento Gonalves .
 " Se o navio est pronto para

 sair e o continer no  liberado ,  preciso esperar o prximo navio ,

 que demora em torno de um ms no mnimo " , explica Scotton .
 Se os

 problemas de logstica fossem equacionados , destaca , o Rio Grande do

 Sul poderia encerrar o ano com exportaes de mveis 60 % maiores dos

 que as do ano passado , que foram de US$ 182 milhes .

 Outra empresa que relata problemas na questo dos contineres  a

 Kepler Weber , fabricante de equipamentos para armazenagem .
 A Kepler

 est com dificuldades de enviar para a Venezuela os produtos que

 vendeu para montar l uma instalao de armazenagem de gros , um

 contrato de US$ 18,2 milhes .
 Segundo Othon dEa Cals de Abreu ,

 diretor presidente da Kepler Weber , para a planta , de 260 mil

 toneladas , so necessrios 360 contineres , e a empresa conseguiu

 cerca de 90 .
 " No h continer mesmo para quem est disposto a pagar

 mais por eles " , explica Abreu .

 Indstria de componentes reclama

 por ampliao de estrutura

 O setor de componentes para calados est mobilizado para reduzir

 dificuldades que emperram exportaes .
 Para isso , foi criado um Comit

 de Logstica pela Assintecal ( Associao Brasileira de Empresas de

 Componentes para Couro , Calados e Artefatos ) , que discute solues

 com o Ministrio do Desenvolvimento , Indstria e Comrcio Exterior

 ( MDIC ) .

 A situao gera prejuzos para as indstrias .
 Para no perder o

 cliente , uma empresa associada da Assintecal absorveu uma dvida de

 US$ 4 mil para o transporte areo de um pedido avaliado em US$ 6,5

 mil , depois de quase dois meses de atraso da mercadoria no porto .

 " Outra associada constatou que  mais barato , proporcionalmente ,

 despachar produtos da Itlia para a Colmbia do que envi-los do

 vizinho Brasil " , diz a superintendente da Assintecal , Ilse Biason

 Guimares .

 Alm disso , o movimento dos auditores fiscais da Receita Federal at

 junho , contribuiu para a demora no fluxo das cargas .
 " Estimamos

 prejuzos de US$ 15 a 20 milhes por ms , tanto pela demora no

 embarque de mercadorias quanto pelo longo prazo para recebimento de

 matrias-primas importadas , o que tambm atrasa a produo e ,

 conseqentemente , as entregas , inclusive no mercado interno " , destaca

 a superintendente .

 O objetivo da entidade  encontrar solues que atendam a todo o setor

 coureiro-caladista , uma vez que o embarque de calados para o

 exterior tambm interfere no desempenho dos componentes .
 O segmento

 rene cerca de 1,4 mil empresas no Brasil , gerando mais de 100 mil

 empregos .
 Dados do Syndarma e da Fiesp apontam que o dficit de

 conteiners  de 60 % , no Brasil , e seriam necessrios ao menos mais 60

 navios para atender  demanda nacional .

 Empresas comemoram crescimento

 As micro , pequenas e mdias empresas , responsveis por apenas 10,5 % de

 tudo que o Brasil exporta , esto comemorando os resultados obtidos no

 primeiro semestre deste ano com suas vendas ao mercado externo .
 Mas

 no so s os volumes a mais que esto deixando animado esse universo

 de empresas , que somam mais de 15 mil no territrio nacional .
 Aos

 poucos , o mistrio de exportar , principalmente para o microempresrio ,

 vai ficando para atrs e , com isso , a descoberta de novos mercados 

 cada vez maior .

 No ano passado , o embarque das micro e pequenas empresas mostrou

 crescimento de 30,1 % , passando de US$ 1,33 bilho , em 2002 , para US$

 1,74 bilho um ano depois .
 J as vendas externas das mdias empresas

 aumentaram 25,5 % , de US$ 4,6 bilhes , para US$ 5,8 bilhes , de acordo

 com dados da Secretaria de Comrcio Exterior ( Secex ) .

 Para este ano a expectativa  ainda melhor .
 Mais ainda se forem

 levados em conta alguns exemplos , como o da pouco conhecida indstria

 de madeiras Butzke , de Timb , em Santa Catarina .
 As exportaes dessa

 empresa no primeiro semestre somaram US$ 4 milhes , montante 55 %

 superior ao do mesmo perodo de 2003 , quando vendeu US$ 2,6 milhes

 para o mercado externo .

 Alm dos mercados tradicionais , como Alemanha , Estados Unidos , Canad

 e Espanha , cujas exigncias sociais e ambientais so extremamente

 rigorosas , a Butzke no s conquistou mercado na Irlanda e no Haiti

 como ampliou as suas vendas para a Argentina , Mxico e Colmbia .
 Para

 isso , teve de fazer lanamentos e inovaes de mveis para jardins .

 Este ms , as suas exportaes j superaram em quase trs vezes a

 previso inicial .

 Mas as surpresas no param por a .
 O grupo Kepler Weber fez , em meados

 deste ms , o seu primeiro embarque de torres metlicas para o Mxico ,

 num montante de US$ 4,8 milhes .
 O negcio de 460 torres para

 distribuio de energia foi fechado com a Techint , que vai utiliz-las

 num trecho de 180 quilmetros entre Tepic e Mazatln .

 Esse primeiro grande negcio da Kepler Weber deve , de acordo com a

 empresa , potencializar a sua unidade industrial em Panambi , no Rio

 Grande do Sul .
 A empresa , que atua nesse mercado desde 2000 , tem

 capacidade para produzir 1,2 mil toneladas por ms .

 economia@jornaldocomercio.com.br

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