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 Clnica Mdica

 EPILEPSIA : Procedimentos Clnicos

 Dr. Luiz Felipe Castro Graeff Vianna

 Professor Titular de Clnica Mdica Veterinria , UFRRJ , PhD

 Introduo

 O paciente convulsivo  sempre um desafio na Clnica de Pequenos Animais , no

 s diante da dificuldade no estabelecimento de um diagnstico etiolgico , mas

 tambm , pela ocorrncia elevada de casos clnicos .
 Goste ou no da Neurologia ,

 o veterinrio dever ter conhecimentos bsicos para encaminhar corretamente

 estes casos que encontra com elevada freqncia em seu consultrio .

 O diagnstico

 Quase sempre o animal  atendido no interstcio entre uma crise e outra .
 Neste

 perodo , a despeito do leigo pensar que o quadro clnico do animal no tem

 valor diagnstico ,  de fundamental importncia o exame clnico e neurolgico

 do paciente .
  nesta ocasio que se deve investigar a ocorrncia de outros

 sintomas neurolgicos ou extra-nervosos .
 Se entre as crises no se verificam

 outras anomalias e isto deve ser constatado em mais de um exame , provavelmente ,

 estamos diante de um caso de Epilepsia Verdadeira .
 Deste modo , o diagnstico

 clnico passa a ser por excluso .
 Deve-se tambm , considerar as raas

 envolvidas e a idade do animal na ocasio do surgimento das crises .
 Em nosso

 meio , as raas mais acometidas so : o Pastor Alemo , o Poodle , o Husky

 Siberiano e o Dachshund , todos com predisposio gentica .
 Decerto , estes

 animais no deveriam mais se reproduzir , entretanto , na realidade no  isto

 que ocorre .
 Quando o animal no apresenta crises convulsivas em razo da

 eficincia na medicao , o proprietrio " esquece " que seu animal  epilptico .

 Temos visto em nossa prtica clnica que estes animais quase sempre esto

 prximos aos 2 anos de idade .
 Acontecem casos em idade um pouco mais avanada ,

 bem como , antes dos 2 anos , entretanto , no so os mais freqentes .
 A histria

 revela que nestes casos de Epilepsia Verdadeira , a crise convulsiva , com

 freqncia , ocorre quando o animal est dormindo ou em repouso , ou seja , sem um

 fator desencadeante aparente .

 Diagnstico diferencial

 Uma das maiores causas de fracasso na teraputica da epilepsia  o diagnstico

 equivocado .
 H outras causas de convulses que mimetizam o quadro clnico da

 Epilepsia Verdadeira .
 As principais so as alteraes estruturais do crebro :

 as neoplasias sempre devem ser consideradas , especialmente , quando alm da

 refratariedade ao tratamento convencional , o quadro neurolgico for

 progressivo .
 O exame do paciente entre as crises convulsivas dever revelar

 outras alteraes nervosas .
 Nestes casos , a tomografia computadorizada , apesar

 de ainda ser um exame custoso , poder realmente ser de valor .
 Ainda em nosso

 meio , as seqelas do vrus da cinomose dos ces ( VCC ) tambm devem ser

 consideradas , entretanto , depois da doena ativa , o quadro clnico dever ser

 estvel , no progressivo , a despeito de outras alteraes nervosas : a leso

 pelo VCC  multifocal na grande maioria dos casos .
 A histria clnica aliada

 aos exames sorolgicos devero esclarecer o diagnstico .

 Outras causas de epilepsia sintomtica de menor importncia clnica devero ser

 consideradas , tais como : insuficincia cardaca , hipoglicemia e outros

 distrbios metablicos , especialmente , a hipocalcemia puerperal , to freqente

 na cadela e inconfundvel .
 Os envenenamentos , principalmente , pelo fluoracetato

 de sdio ( chumbinho ) tambm devem fazer parte do diagnstico diferencial , desde

 que , exigem procedimentos clnicos diferentes .

 Tratamento

 Nos casos de epilepsia sintomtica o tratamento dever ser dirigido para a

 doena primria , a despeito de que , em alguns casos , como os tumores cerebrais ,

 o tratamento clnico paliativo com anti-convulsivantes poder ser necessrio .

 Nos casos de Epilepsia Verdadeira h duas situaes a considerar :

 1 caso : O animal  atendido em crises convulsivas ( Estado epilptico ) - nestes

 casos urge sedar logo o animal .
 O primeiro medicamento a ser empregado , em

 razo de seu custo , facilidade de aquisio e , principalmente , por sua

 segurana ,  o diazepam ( Valium  ) .
 Ns o utilizamos na dose de 0,5 mg / Kg de

 peso vivo , sem ultrapassar a 10 mg em cada aplicao , sempre por via

 endovenosa , em at trs vezes , com intervalos aproximados de 30 minutos .
 Se

 isto no for suficiente para cessar as crises convulsivas , utilizamos ento o

 Pentobarbital Sdico na dose de 5 a 10 mg / Kg de peso vivo , tambm por via

 endovenosa .
 Vale lembrar , que nesta altura dos acontecimentos , o paciente j

 dever estar anestesiado , sendo importante a intubao e o fornecimento de

 oxignio , a fim de garantir sua ventilao .
 Na maioria das vezes , isto dever

 ser suficiente para afastar o risco de novas crises convulsivas , entretanto , em

 alguns poucos casos , poder ser necessrio a utilizao de anestsicos

 volteis .
 Em razo da depresso cardiovascular e respiratria que causa , alm

 da dificuldade na sua aquisio , na prtica clnica ns no temos utilizado o

 fenobarbital injetvel .
 A fim de se evitarem as seqelas , para os animais com

 convulses contnuas e que persistiram por mais de 30 minutos , ser preciso

 tratar tambm do edema cerebral secundrio .

 2 caso : O animal  atendido sem crises convulsivas - para estes casos , bem

 como , para queles que saram do estado epilptico ,  preciso implantar uma

 teraputica anti-convulsivante profiltica , lembrando que a mesma no poder

 ser suspensa na Epilepsia Verdadeira , sob o risco de novas crises convulsivas

 intratveis .
 Neste momento , devemos recordar que alguns pontos so de mxima

 importncia e alguns deles , devero ser esclarecidos com o cliente , que dentro

 do possvel , dever conhecer bem o problema , a fim de tomar as providncias

 necessrias para o sucesso do tratamento .

 a ) O arsenal farmacutico para o tratamento da epilepsia do co  pobre .

 Contamos apenas com duas ou trs drogas comprovadamente eficientes .
 Desta

 forma , antes de se pensar em mudar um medicamento , este dever ser

 completamente esgotado no que diz respeito a dose e posologia , bem como , em

 associao com outras drogas que possam potencializar seus efeitos .

 b ) O fenobarbital  a droga de eleio para o tratamento da epilepsia

 verdadeira do co .
 A dose varia grandemente , segundo a literatura , mas ns o

 utilizamos de 2 a 6 mg / kg por via oral .
 A princpio , a posologia ideal dever

 ser a cada 12 horas .

 c ) Os brometos de sdio ou de potssio podero ser empregados isoladamente ou

 em associao com o fenobarbital , para potencializ-lo .
 A dose  de 25 mg / kg

 por via oral e a posologia tambm  a cada 12 horas .

 Causas de falhas no tratamento

 So muitas , mas as principais so :

 1 ) Suspenso da medicao pelo profissional ou pelo proprietrio em casos de

 Epilepsia Verdadeira ;

 2 ) Posologia errada : com freqncia se utiliza o fenobarbital a cada 24 horas ;

 3 ) Utilizao de outros medicamentos de uso humano , ineficazes para prevenir

 as convulses no co : os mais comuns so : difenilhidantona ; Tegretol  ;

 Rivotril  e Depakene  .

 4 ) Diagnstico equivocado : principalmente nas epilepsias sintomticas , com o

 quadro clnico progressivo ;

 5 ) A despeito do sucesso em muitos pacientes , em ces da raa Pastor Alemo h

 casos de Epilepsia Verdadeira refratrios aos tratamentos clnicos conhecidos

 e , quase sempre , terminam em eutansia  pedido do proprietrio .

 Observaes finais :

 o O paciente que recebe fenobarbital h mais de um ano , dever ser

 acompanhado para o possvel desenvolvimento de leso heptica .

 o Muita pesquisa est sendo desenvolvida em busca de novas drogas , mais

 eficazes e menos txicas , para o tratamento preventivo da Epilepsia Verdadeira

 no co .
 Recentemente , foi liberado nos EUA e j se encontra disponvel no

 Brasil , a gabapentina , contudo , ainda no temos experincia suficiente para

 comentar seus efeitos , exceto que ,  um produto bem mais caro que o

 fenobarbital .

 Literatura recomendada :

 BOOTHE , D.M .
 1994 .
 El tratamiento anticonvulsivo en los pequenos animales .

 Waltham Focus , 4 ( 4 ) : 25-31 .

 FREY , H.H .
 1989 .
 Anticonvulsant drugs used in the treatment of epilepsy. Probl .

 Vet .
 Med. , 1 ( 4 ) : 558-577 .

 PODELL , M .
 & FENNER , W.R. 1993 .
 Bromide therapy in refractory canine idiopathic

 epilepsy. J. vet. Intern .
 Med. , 7 ( 5 ) : 318-327 .

 SCHWARTZ-PORSCHE , D. 1999 .
 Un enfoque sobre el diagnstico de las convulsiones .

 Parte 2 : Procedimientos diagnsticos .
 Waltham Focus , 9 ( 1 ) : 9-15 .

 Dr. Luiz Felipe Castro Graeff Vianna

 Professor Titular de Clnica Mdica Veterinria , UFRRJ , PhD

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