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 Primeiros socorros

 Corpos Estranhos em Vias Areas e Sufocamento

 18/08/2003

 Cerca de 75 % dos casos de aspirao de corpos estranhos ocorrem em crianas

 entre 1-3 anos de idade .
 Em infantes com menos de 1 ano de idade , a sufocao

 por aspirao de corpo estranho  a principal causa de morte acidental , numa

 proporo de 1,4 meninos para cada menina .

 A lista de corpos estranhos encontrados nos vrios orifcios corporais das

 crianas  quase infinita .
 Moedas e outras peas de metal pequenas ( p.ex. :

 baterias de relgio , porcas , parafusos , pilhas , etc ) , peas de plstico ( p.ex. :

 botes , tampas de caneta , brinquedos , etc ) , sementes variadas ( p.ex. : arroz ,

 feijo , amendoim , milho , etc ) , papel e pedaos de borracha aparecem com

 freqncia em vrios relatos .
 Recomenda-se evitar o contato de crianas entre

 0-4 anos de idade com estes objetos .

 As baterias utilizadas em brinquedos podem ser de 3 tipos ( sistemas de xido de

 prata , xido de mercrio ou dixido de mangans ) e todos podem causar leses

 corrosivas em vsceras ocas , ainda que a maior parte dos casos evolua para

 resoluo benigna .
 At o momento no foram relatados casos graves de

 toxicidade , mesmo nos espordicos pacientes exibindo sinais de absoro

 sistmica .
 As verdadeiras emergncias so os casos com impactao , devido ao

 risco de eroso rpida atravs do esfago e mediastinite ou perfurao artica .

 Em geral , a suspeita de corpos estranhos nasais em crianas  precoce , mas

 podem ocorrer atrasos .
 A apresentao tardia clssica  a criana com fluxo

 nasal unilateral de odor ftido , purulento e / ou sanguinolento .
 Os sintomas

 variam de acordo com o tamanho , composio , localizao e tempo de evoluo do

 corpo estranho .
 Substncias inorgnicas em geral produzem menos reaes locais

 que as orgnicas .
 Frequentemente , nos casos de evoluo mais prolongada , o

 quadro acompanha-se de otite mdia ipsilateral .
 A ausncia de uma histria

 positiva de insero de um corpo estranho em crianas tem pouco significado ,

 uma vez que a maioria delas no ir admitir o ato .

 Objetos nasais no-diagnosticados e pouco sintomticos podem sofrer deposio

 de sais minerais com o tempo , produzindo um Rinolito .
 Devido ao formato

 extremamente moldado  cavidade nasal , a remoo de rinolitos pode ser bastante

 trabalhosa .
 Recentemente , brinquedos plsticos tornaram-se um problema  parte ,

 pois causam pouco odor ( a reao corpo estranho  pequena ) e o tecido de

 granulao que se forma em torno lhes confere a aparncia grosseira de um

 tumor .
 Os diagnsticos diferenciais incluem epistaxe , sinusite , plipos ,

 tumores , infeces do trato respiratrio superior .

 No existe um protocolo especfico a ser seguido no primeiro atendimento de um

 paciente peditrico com suspeita de corpo estranho nasal .
 Raios X ou outras

 tcnicas de imageamento podem ser teis para excluir a possibilidade de tumores

 ou sinusite - alguns objetos podem ser radio-opacos .
 No so necessrias

 anlises sanguneas .
 A maioria dos casos pode ser fcil e seguramente resolvida

 em servios de emergncia , algumas vezes at mesmo no consultrio ,

 utilizando-se um espculo nasal e um frceps nasal de Hartmann .
 Via de regra ,

 h tempo suficiente para obter o material apropriado ao procedimento e

 anestesia / sedao .
 No devem ser realizadas tentativas de retirada sem que

 estas duas condies ( instrumental e controle do paciente adequados ) estejam

 satisfeitas .
 Insucessos apenas tornaro tentativas subsequentes mais difceis .

 Quadro 6 - Passos para remoo de corpos estranhos nasais em crianas

 o Pea-lhe que assoe o nariz .

 o Sem sucesso na manobra de assoar : explicar a situao aos pais e / ou paciente .

 o Crianas menores devem ser sedadas ( meperidina + barbitrico so suficientes )

 e controladas adequadamente .
 Crianas maiores e adultos : pode-se tentar a

 retirada sob anestesia local ( spray de lidocana ) em pacientes altamente

 cooperantes , mas convm saber reconhecer os limites da abordagem sob anestesia

 local para no piorar a situao .

 o Aps sedao / anestesia + controle do paciente , limpar o vestbulo nasal com

 soro fisiolgico e aspirao cuidadosa .

 o Aplicao de Fenilefrina a 0,5 % : embeba uma pequena bucha de algodo e

 aplique delicadamente dentro da narina obstruda por cerca de 5 minutos .
 A

 vasoconstrico resultante ir reduzir o edema da mucosa , facilitando o

 procedimento .

 o Rinoscopia com espculo nasal para identificao do corpo estranho .

 o A hemostasia pode ser obtida em qualquer momento com tampes embebidos em

 Fenilefrina 0,5 % .

 o Remoo do corpo estranho segundo a tcnica mais adequada ( descritas mais

 adiante ) .

 o Aps remoo do corpo estranho , inspecione mais uma vez a cavidade nasal ,

 procurando por outros objetos .
 Recomenda-se em todos os casos de CEN realizar

 uma otoscopia para avaliar a presena concomitante de objetos no canal auditivo

 externo .

 No canal auditivo , objetos menores podem ser apreendidos com um frceps de

 Hartman .
 Para objetos maiores utiliza-se um gancho ou ala .
 Ocasionalmente ,

 objetos inorgnicos podem ser retirados com jatos de guia direcionados

 superiormente dentro do canal .
 Corpos estranhos vegetais , como sementes , no

 devem ser irrigados pois tendem a inchar e impactar .
 Tambm contra-indica-se a

 aplicao de jatos de gua quando existe qualquer possibilidade de perfurao

 timpnica .
 Objetos animados , como insetos , devem ser mortos antes .
 Isto pode

 ser obtido preenchendo o canal auditivo com lcool ou leo mineral .
 A remoo

 ento pode ser efetuada atravs de frceps ou irrigao .
 Objetos metlicos

 podem ser removidos com magnetos .

 Os casos em que o objeto se encontra aderido  membrana timpncia so situaes

 especiais , uma vez que a remoo quase sempre resulta em perfurao .
 

 importante administrar inicialmente um antibitico sistmico e no utilizar

 qualquer tipo de medicao tpica no ouvido .
 Aps a remoo , em geral a

 membrana cicatriza sem problemas , desde que no exista infeco local .

 Leses do canal auditivo e do tmpano com cotonetes so comuns e geralmente

 ocorrem quando a criana tenta imitar os pais .
 Nestes casos , deve-se

 inicialmente limpar o ouvido e proceder ao exame local .
 Irrigaes so

 contra-indicadas .
 Recomenda-se o uso de antibiticos sistmicos .
 Muitos

 otorrinolaringologistas tratam estas perfuraes como emergncias cirrgicas

 sob anestesia geral .

 Corpos estranhos faringeanos produzem sinais e sintomas que variam de acordo

 com a regio envolvida e muitas vezes so confundidos com Crupe .
 Na orofaringe

 e hipofaringe , os corpos estranhos produzem sintomas respiratrios e disfagia

 ( esta  uma queixa importante em crianas ) .
 Todo infante que se recusa a comer

 ou apresenta problemas em deglutir sua saliva deve ser avaliado quanto 

 presena de um corpo estranho .

 O corpo estranho faringeano em geral pode ser identificado  inspeo .
 Crianas

 muito pequenas normalmente necessitam laringoscopia .
 Deve-se evitar palpaes

 pois isto pode fazer com que o objeto desa ainda mais , impactando , com

 resultados catastrficos .
 Espinhas de peixe passam sem muita dificuldade ou so

 retidas pelo palato mole ou amgdalas .
 Raramente fixam-se na hipofaringe ou

 esfago .
 Nos casos de impactao amigdaliana , o paciente queixa " fisgada " na

 rea em torno do corno maior do osso hiide .
 Com os equipamentos adequados , a

 retirada no oferece grandes dificuldades .
 A remoo de outros corpos estranhos

 faringeanos requer habilidade mas em geral no  tecnicamente muito difcil .

 Entretanto , deve-se certificar de ter sempre  mo o instrumental para uma

 traqueostomia de urgncia , se necessrio .

 O tratamento mais adequado para um corpo estranho no trato respiratrio

 superior  a remoo endoscpica imediata .
 Os princpios fundamentais de

 extrao mudaram pouco desde que foram formulados por Chevalier Jackson no

 incio do sculo XX. Antibiticos e corticosterides ps-remoo raramente so

 necessrios .

 Quadro 7 - Evitando Corpos Estranhos em Vias Areas e Sufocao

 o Crianas abaixo de 1 ano de idade no devem utilizar travesseiros e / ou

 edredons

 o No utilize cordas , cordes e laos nas roupas de crianas muito pequenas

 o Cordes utilizados em brinquedos devem ter menos de 20 cm de comprimento

 o Nunca amarre brinquedos em torno da cama ou qualquer outro mvel

 o Supervisione as crianas enquanto elas estiverem comendo ou bebendo e faa-as

 ficar sentadas enquanto isso

 o No oferea balas , amendoins ou similares a crianas com menos de 6 anos de

 idade

 o Mantenha objetos pequenos , tais como moedas e pequenas partes de brinquedos ,

 longe das crianas menores

 o No deixe sacos plsticos ao alcance das crianas

 o Siga as recomendaes de idade nos brinquedos

 Uma diversidade notvel de objetos estranhos pode ser encontrada nos ouvidos e

 no trato respiratrio alto de crianas e adultos .
 A aspirao acidental de

 corpos estranhos  a principal causa de morte entre crianas abaixo de 5 anos

 de idade .
  importante ter em mente sempre a possibilidade de um enigma

 diagnstico tratar-se na verdade de um corpo estranho .

 Qualquer tentativa mal-sucedida de retirar um corpo estranho torna a situao

 ainda pior .
 Na maioria dos casos , tratam-se de crianas , e insucessos adicionam

 tenso desnecessria ao paciente e seus familiares .
 Deve-se estar atento para

 no cair na armadilha de tentar uma remoo sem os instrumentos adequados ou um

 bom controle do paciente .
 Raramente a remoo precisa ser realizada com

 urgncia .
 A menos que haja obstruo das vias areas , existe tempo suficiente

 para sedar e / ou anestesiar o paciente .
 A ateno inicial ao paciente com

 suspeita de corpo estranho em nariz-garganta-ouvidos requer do mdico atendente

 bom senso e um conhecimento tcnico adequado .
 Precipitaes so invariavelmente

 danosas .

 Bibliomed

 Publicado por : Dra. Shirley de Campos

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  Copyright 2003 Dra. Shirley de Campos

