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 revista de cultura # 25 - fortaleza , so paulo - junho de 2002

 aglogo ( tarja ).jpg ( 41350 bytes )

 Em defesa da literatura

 Claudio Willer

 Claudio Willer  um assunto que j foi mencionado algumas vezes em editoriais

 nesta revista Agulha , e que j foi objeto de um ensaio de Ottaviano de Fiore

 publicado no jornal O Escritor da UBE - Unio Brasileira de Escritores .
 Mas ,

 aparentemente , nem todos concordam que naes com maior desenvolvimento

 econmico e social tambm exibem ndices elevados de leitura de livros per

 capita .
 E mais : que o hbito de leitura precede , historicamente , o

 desenvolvimento em outros campos .
 Estimular o apreo pelo livro e literatura 

 despertar o interesse pela informao , formando cidados conscientes .
 A

 quantidade e qualidade do investimento pblico nesse campo  , por isso , um tema

 poltico , em favor do qual a sociedade deve ser sensibilizada e mobilizada ,

 pois definir o futuro do Pas .

 Parece que autoridades educacionais brasileiras ainda no entenderam isso .
 A

 cada ano , resultados de exames como o ENEM , do Ensino Mdio , e o " Provo " , do

 ensino superior , mostram que leitura , interpretao de textos e expresso pela

 escrita so reas crticas .
 Para corrobora-los , a recente colocao do Brasil

 em ltimo lugar na classificao de diversos pases pela qualidade do ensino .
 E

 as estatsticas apontando nveis elevados de analfabetismo funcional , a ponto

 de apenas 30 % da populao chegar ao grau 3 de alfabetizao , que corresponde 

 capacidade de interpretar textos mais complexos .
 Em resumo , nossos estudantes ,

 faltando-lhes o hbito da leitura , escrevem e se expressam mal .
 Por

 conseguinte , apresentam dificuldades de raciocnio , compreenso e interpretao

 da realidade .

 A propsito , em um artigo recente ( A crise da crtica , revista Cult , n  49 ) ,

 chamei de apocalpticas afirmaes da ensasta Leyla Perrone-Moiss em Altas

 Literaturas ( Companhia das Letras , 1998 ) , reiteradas em textos subseqentes ,

 referindo-se  crise da literatura na ps-modernidade , como estas : a literatura

 fundamentada em valores , tal como concebida pelos modernos , ainda existe ?
 ( ...
 )

 A literatura , que durante sculos ocupara um papel relevante na vida social ,

 tornou-se cada vez menos importante. ( ...
 ) A literatura no desapareceu , mas

 recolheu-se a um canto .

 Sou obrigado a retratar-me .
 Reconheo que essa autora tem razo .
 Minha

 perspectiva era aquela do administrador cultural , incluindo situaes como

 iniciar uma oficina de poesia com vinte vagas para , no dia da abertura

 aparecerem setenta interessados em participar dela .
 Ou ento , lotar um

 auditrio grande como o da Biblioteca Mrio de Andrade com temas nada fceis ;

 por exemplo , palestra sobre Hlderlin , seguida por leituras e dramatizaes do

 poeta em uma sesso de duas horas e meia , com o pblico aplaudindo em p ao

 final .
 Enfim , cenas que justificam a confiana no futuro da espcie humana .

 Ainda no havia examinado os Parmetros Curriculares Nacionais do Ministrio da

 Educao , PCNs , documentos que orientam o ensino brasileiro , mostrando como

 devem ser postas em prtica suas diretrizes .
 Aberraes como a difuso de

 coletneas de " literatura para o vestibular " e a utilizao de " fichas de

 leitura " , instrumentos para desestimular o estudante , so anteriores a esses

 Parmetros Curriculares .
 No entanto , estes demonstram que sempre  possvel

 piorar .
 Na sua verso mais recente , no captulo sobre Linguagens , Cdigos e

 suas Tecnologias no Ensino Mdio , a literatura deixa de existir , no apenas

 como disciplina , mas como campo autnomo do conhecimento , a pretexto de

 corrigir o modo como , citando esse documento , a disciplina na LDB n  5.692/71

 vinha dicotomizada em Lngua e Literatura ( com nfase na literatura

 brasileira ) .
 O abandono dessa dicotomia e a crtica  identificao do

 conhecimento de literatura  sua histria so justificados por argumentos

 estranhos :

 O conceito de texto literrio  discutvel .
 Machado de Assis  literatura ,

 Paulo Coelho no .
 Por qu ?
 As explicaes no fazem sentido para o aluno .
 Outra

 situao de sala de aula pode ser mencionada .
 Solicitamos que alunos separassem

 de um bloco de textos , que iam desde poemas de Pessoa e Drummond at contas de

 telefone e cartas de banco , textos literrios e no-literrios , de acordo como

 so definidos .
 Um dos grupos no fez qualquer separao .
 Questionados , os

 alunos responderam :  Todos so no-literrios , porque servem apenas para fazer

 exerccios na escola. ` E Drummond ?
 Responderam :  Drummond  literatura , porque

 vocs afirmam que  , eu no concordo .
 Acho ele um chato .
 Por que Z Ramalho no

  literatura ?
 Ambos so poetas , no  verdade ?
 `

 Luis Caballero Quem escreveu isso sequer leu entrevistas de Paulo

 Coelho , nas quais ele faz observaes sobre as diferenas entre sua

 obra e a de Machado .
 Se consultado antes , Z Ramalho certamente tambm

 teria algo a declarar em favor da literariedade de Machado e Drummond ,

 e contra o nivelamento de todos a contas de telefone e cartas de

 banco .
 E quem j deu palestras , coordenou oficinas ou rodas de leitura

 para jovens demonstrando vivo interesse por Machado , Drummond e outros

 autores de envergadura , percebe a insensatez dessa argumentao .

 Retrata uma situao tpica de ensino de m qualidade , em uma classe

 do ensino mdio s voltas com dificuldades que deviam ter sido

 solucionadas no ensino fundamental , alada a referncia , com a crtica

  noo de valor literrio a cargo de alunos desmotivados que no

 esto nem a , e professores incapazes de despertar seu interesse .
 Pelo

 visto , diante das dificuldades para ensinar literatura e resolver

 problemas metodolgicos associados a esse campo ( por exemplo : deve-se

 ensin-la como srie histrica ou adotar algum paradigma , e , nesse

 caso , qual ?
 ) , escolheram a soluo mais cmoda : elimin-la .

 Outro trecho dos PCNs tambm se refere  literatura , agora de modo

 positivo , mas com uma interpretao rasa de um de nossos autores :

 A literatura  um bom exemplo do simblico verbalizado .
 Guimares Rosa

 procurou no interior de Minas Gerais a matria-prima de sua obra :

 cenrios , modos de pensar , sentir , agir , de ver o mundo , de falar

 sobre o mundo , uma bagagem brasileira que resgata a brasilidade .
 Indo

 s razes , devastando imagens pr-conceituosas , legitimou acordos e

 condutas sociais , por meio da criao esttica .

 E as fontes literrias , o intertexto , a relao de Guimares Rosa com

 a literatura universal e simbologias tradicionais ?
 Nada disso existe ,

 no interessa ?
 No foi um leitor do Fausto de Goethe em alemo ?
 Quer

 dizer que o sertanejo do Urucuia fala igualzinho aos personagens de

 Grande Serto - Veredas , e domina astrologia e alquimia to bem quanto

 os protagonistas de O Recado do Morro ?
 J foram l para conferir ?
 Ao

 menos , conversaram com o Manuelzo ?
 Enfim , Guimares Rosa s vale como

 regionalista ?
 Sim , pois os PCNs operam apenas com o eixo horizontal ,

 descartando o vertical , ao advogarem uma concepo que destaca a

 natureza social e interativa da linguagem , em contraposio s

 concepes tradicionais , deslocadas do uso social .
 Por isso , no

 existe uma competncia lingstica abstrata , mas sim , uma delimitada

 pelas condies de produo / interpretao dos enunciados , determinados

 pelos contextos de uso da lngua .
 Para cumprir a misso atribuda ao

 ensino da lngua , a preservao da identidade social de grupos menos

 institucionalizados ,  permitido mutilar e distorcer Guimares Rosa .

 Evidentemente , por esse caminho deixa de haver fala " correta " , norma

 culta , na mesma medida que no h mais valor literrio , e atribu-lo ,

 digamos , a Shakespeare , Cames , Machado , Rimbaud , Mrio de Andrade ,

 no passaria de imposio autoritria , violncia contra os tais

 contextos de uso .
 Duvidam ?
 Ento vejam s : Aprende-se a valorizar

 determinadas manifestaes , porque socialmente ela representa o poder

 econmico e simblico de certos grupos sociais que autorizam sua

 legitimidade ( sic ) .
 Da que o desenvolvimento da competncia

 lingstica do aluno no Ensino Mdio , dentro dessa perspectiva , no

 est pautado na exclusividade do domnio tcnico de uso da lngua

 legitimada pela norma padro ( ...
 ) .

 As reiteradas afirmaes de abandono dos " aprioris " , ao longo desses

 PCNs , no impedem que se identifique uma orientao , um " apriori " no

 declarado .
 Ao que parece , no planejamento do ensino de lngua e

 literatura , depois da balana por muitos anos haver-se inclinado em

 favor dos formalistas ( que tambm deram sua contribuio 

 burocratizao do conhecimento , ao transformarem alunos em aprendizes

 de frmulas e diagramas aplicados a obras que nem mesmo haviam sido

 lidas antes , e isso , pelo suposto carter cientfico desses

 procedimentos ) , agora pende em favor do relativismo scio-cultural .

 Luis Caballero

 Essa orientao , assim como outras , tem sua contribuio a dar .
 No

 entanto , um documento pblico no pode adot-la exclusivamente , de

 modo dogmtico .
 Precedentes da oficializao de paradigmas como

 poltica de Estado so tenebrosos , bastando lembrar a adoo da

 biologia de Lisenko pelo estalinismo .

  hora de professores , autoridades e tcnicos do ensino pararem de

 brincar de antroplogos , fazendo de conta que , ao chegarem ao Itaim

 Paulista , estariam entrando em contato com tribos ou grupos cujos

 valores e conhecimentos arcaicos devem ser respeitados .
 Ao

 reproduzirem posturas que seriam corretas em pesquisas de campo ,

 prejudicam os alunos .
 Estes , algum dia , tero que sair de onde esto ,

 procurar emprego , relacionar-se com outros " contextos " .
 A

 informatizao aumentou a exigncia de domnio da escrita .

 Empregadores ainda no aderiram ao relativismo ps-moderno .
 Por isso ,

 esperaro que candidatos exibam domnio da norma padro , e no da

 expresso de seja qual for o seu " grupo social " .
 Para comear , que

 saibam os 5.000 vocbulos de Os Lusadas que ( segundo Antenor

 Nascentes e Afrnio Peixoto , em um anurio da ABL ) at 1943 no haviam

 cado em desuso ,  exceo de 15 , permanecendo assim como linguagem

 corrente .
 Erudio , algo bem diferente da decoreba desenfreada outrora

 em vigor , no mata .
 Conhecimento no destri ; adiciona algo a quem o

 assimila , e pode ajud-lo a melhorar de vida .

 Vamos deixar claro : nada contra turmas de bairro , tribos urbanas e

 demais " contextos " e " grupos sociais " subentendidos ou imaginados

 pelos autores dos PCNs , a afirmarem sua particularidade atravs de

 expresses verbais , roupagens e preferncias musicais .
 Tudo isso pode

 servir  criatividade , e acrescenta algo culturalmente .
 Mas , perdendo

 de vista a necessidade de haver qualquer coisa em comum a essa gente ,

 teremos uma sociedade fragmentada , um amontoado de grupos

 expressando-se atravs de idioletos , jarges , grias , modismos , sem

 chance de se entenderem com outros grupos e sub-culturas atravs da

 lngua , cuja dimenso nacional at ontem foi garantida pela

 transmisso de conhecimentos literrios .
 E com mais um detalhe : de

 universal , com jeito de repertrio partilhado por mais pessoas , sobram

 as lnguas estrangeiras , j que , nos mesmos PCNs , Ingls  Ingls , e

 no aquele ingls do jovem californiano ou do morador de Brighton .
 E ,

 fora da escola , h um repertrio comum , efusivamente partilhado : o da

 mdia .
 O mesmo tchan ressoa em Maring e Caruaru .
 E , nesses programas

 de " leitura " por escolares , crianas , ao apresentarem em pblico o que

 leram , exibiro os mesmos cacoetes da Xuxa , de Petrolina a Dourados .

 Uma fonte bem mais consistente que os PCNs  Ernst Robert Curtius ,

 que , em Literatura Europia e Idade Mdia Latina ( Editora Hucitec -

 EDUSP , 1996 ) , diz o seguinte :

 A literatura faz parte da " educao " .
 Por qu , e desde quando ?
 Porque

 os gregos encontraram num poeta o reflexo ideal do seu passado , de sua

 existncia , do mundo dos deuses .
 No possuam livros sacros nem castas

 sacerdotais .
 Sua tradio era Homero .
 J no sculo VI era um clssico .

 Desde ento a literatura  disciplina escolar , e a continuidade da

 literatura europia est ligada  escola .

 Luis Caballero Est mesmo , como pretendia Curtius ?
 Ou estava , j era ,

 no interessa mais , a no ser como aproximao a algum " contexto "

 particular , conforme os autores dos PCNs , para os quais a linguagem

 verbal se caracteriza como construo humana e histrica de um sistema

 lingstico e comunicativo em determinados contextos .
 Alis , at a

 tm toda razo , e Paulo Freire j sabia disso , ao desenvolver seu

 mtodo , mas para a alfabetizao , notem bem , e no para a etapa

 seguinte , o ensino da literatura .
 Admitindo-se que haja mesmo uma

 " civilizao ocidental " que foi mudando ao longo do tempo , para melhor

 e para pior , e que a literatura seja constitutiva dessa civilizao ,

 como pretendem Curtius e outros ( por exemplo , Octavio Paz , com sua

 argumentao , em El Arco y la Lira , de que a poesia , sendo histrica ,

 tambm produz histria ) , ento os PCNs anunciam seu fim ou , ao menos ,

 a ruptura com ela .
 Muito bem .
 Mudanas e rupturas fazem parte da

 histria .
 Mas , rompendo desse modo com o devir da civilizao , zerando

 sua herana , teramos algo para pr em seu lugar ?
 O qu ?
 Para isso ,

 no encontramos respostas nos PCNs .
 Ou no ?
 Por trs da crtica

 relativista ao valor ,  norma culta ,  erudio , de seu aparente

 pluralismo , no haveria um espesso conformismo ?
 Como se sabe , ao longo

 do sculo XX houve um deslocamento do prestgio do livro e da

 literatura , com a entrada em cena de veculos , novos suportes que

 privilegiaram outros sistemas de signos .
 Uma orientao como esta , ao

 rebaixar a importncia da literatura em instituies de ensino ,

 sanciona semelhante estado de coisas , em lugar de oferecer

 alternativas  sociedade miditica .

 Voltemos a Curtius : Para a literatura , todo o passado  presente ou

 pode vir a ser. ( ...
 ) O " presente intemporal " , essencialmente peculiar

 s Letras , mostra que a literatura do passado pode continuar atuante

 na do presente .
 Leitores sabem do que ele est falando , pois j

 fizeram essas viagens no tempo e no espao atravs de obras

 literrias .
 E sabem o que est sendo subtrado a estudantes , ao se

 insistir que no , chega de histria da literatura , nada de passadismos

 e anacronismos , basta-nos o aqui e agora ( alis , dinmico , em

 permanente mudana , fazendo com que algum pedagogo neo-populista

 sempre tenha que correr atrs ) , assim fechando janelas da cognio , da

 imaginao e da emoo .

 PCNs so mesmo um texto instigante , surpreendente .
 Merecem laudas e

 laudas de comentrios .
 Por ora , s mais duas questes .
 Uma , suscitada

 pela revelao de que toda linguagem  dialgica .
 No sabia , juro .

 Pensava que Mikhail Bakhtin , que foi quem cunhou esse termo , operasse

 com as categorias do discurso monolgico e dialgico , este ltimo

 associado a qualidades de grandes autores .
 Toda fala ser polissmica ,

 ter muitos nveis de significado , ainda v .
 Mas expor essa polissemia ,

 os significados embutidos em cada particularidade , conforme os PCNs , 

 muito ,  querer promover sesses de psicanlise coletiva nas salas de

 aula .

 A outra questo  o documento postular uma linguagem verbal , a fala ,

 sendo possvel delimitar a linguagem verbal e no-verbal e seus

 cruzamentos verbo-visuais , audio-visuais , audio-verbo-visuais etc .

 Outros autores entendem que o termo linguagem se aplica exclusivamente

 ao repertrio verbal , no devendo , por sua complexidade e

 especificidade como mediao entre o ser humano e o mundo , ser

 confundida com os demais sistemas de signos .
 Ainda bem .
 Se no ,

 imaginem a cena : " Moada , vamos curtir um som , balanar o esqueleto ,

 tem que desenvolver a linguagem corporal ...
 Os livros , isso a gente v

 depois ...
 " E , ao final da festa , mais uma catstrofe em resultados de

 ENEM , do Provo , nas classificaes do Brasil em pesquisas sobre

 qualidade de ensino e ndices de analfabetismo funcional .
 Ou ento , o

 que me foi relatado por uma amiga , realizadora de uma adaptao

 teatral de Memrias Pstumas de Brs Cubas , que ouviu , consternada ,

 uma professora recomend-la nestes termos : " Vo ver a pea , assim no

 precisam ler o livro. " Claro .
 Se so muitas as " linguagens " , ento

 vale tudo .

 Finalmente ,  pergunta sobre o que , afinal , deve compor o ensino de

 literatura , qual a orientao a privilegiar - estudos scio-culturais ?

 formalismo ?
 histria ?
 algum enfoque marxista ?
 - , gostaria de responder

 com uma parbola baseada em um fato real .
 Dcadas atrs , um amigo meu

 tomava sol  beira da piscina do seu clube .
 Aproximou-se outro rapaz ,

 e perguntou-lhe : " Escute , voc no  o cara que leu toda a obra de

 Freud ?
 " Meu amigo no resistiu a responder : " Sou , sim .
 E agora estou

 estudando o restante ...
 "  isso : tem que ler bastante literatura ,

 estudar as teorias , e no esquecer do restante , por mais que

 acumulao de conhecimento tome tempo e d trabalho , e por isso seja

 mais fcil descarta-la , a pretexto de crtica ao enciclopedismo .
 No

 ensino de literatura , e em outros campos , a questo no  mais optar

 entre esse ou aquele modelo , enfoque ou paradigma , mas entre

 civilizao e barbrie .

 Claudio Willer ( So Paulo , 1940 ) .
 Poeta , ensasta e tradutor .
 Um dos editores

 da Agulha .
 Presidente da UBE - Unio Brasileira de Escritores .
 Tradutor de

 Allen Ginsberg , Antonin Artaud e Lautramont .
 Contato : cjwiller@uol.com.br .

 Pgina ilustrada com obras do artista Luis Caballero ( Colmbia ) .

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