 Transplantes

 Os transplantes de rgos , inicialmente tidos como magias da fico cientfica ,

 esto superando a ltima barreira : a imunossupresso .
 Resolvido isso , a

 sobrevida ser maior .
 Mas h uma questo moral que ainda atormenta a medicina e

 a sociedade : o custo e o acesso a esse procedimento .

 A discusso sobre onde se fazer os transplantes de rgaos , se em hospitais

 pblicos ou privados ,  , no mnimo , infrtil .
 A resposta bvia  : precisamos de

 todos os hospitais que possuam equipes e condies para realizar transplantes ,

 para atingir a meta de aumentar , a curto prazo , o nmero de transplantes de

 rgaos que hoje realizamos .

 Esta discusso restringe-se , ento , a uma caracterstica do nosso pas , onde

 poucos possuem renda suficiente para garantir um seguro / convnio de sade que

 lhes custeie os procedimentos em todos os hospitais , enquanto a grande maioria

 possui apenas um seguro de sade pblico que  aceito somente em poucos

 hospitais , em geral pblicos ou universitrios .

 Se assim no fosse , todos os hospitais - pblicos , universitrios ,

 filantrpicos e privados - estariam lutando para atender pacientes segurados

 pelo SUS , como o fazem com os demais seguros e convnios que ( X : ( > rre. de fato .

  o contrario .
 Hospi tais pblicos estao lutando para atrair o paciente

 convnio ou privado .

 A utilizaao de todas as estruturas disp < ~ nveis , pl ) licas e privadas.  a

 nica forma de garantir o aumento do nmero de transplantes de rgaos ~ urto

 prazo .

 Assegurada a distribuio de rgaos. com transparncia e equida de social .

 aumentar o nimero de transplantes em nosso pas toma-se apenas e tao somente um

 problema adninistrativo que nada tem a ver com a qualificaio mantenedora dos

 diferentes tipos de hospitais .

 Se a solucao para o atendimento de qualquer paciente. em qualquer hospital

 transplantador.  de custeio. nasce entao o primeiro ponto : quan to custam os

 transplantes feitos na rede pblica ?
 O govern ~ > gasta com eles menos do que

 gastaria se con

 tratasse a rede privada para aludar a suprir a demanda ?
  possvel gastar o

 mesmo dinheiro que se gasta com os transplantes na rede pblica e realizar

 transplantes ( pelo SUS ) na rede privada. garantindo atendimen to universal ?

 O segundo ponto em questio trata do aumento no nmero de transplantes que

 podemos promover imediatamente .
 Isto . aquele nme ro possvel de se realizar

 com o potencial de doadores ( que os estu dos apontam existir ) bem como com a

 infra-estrutura ( equilees e hospitais ) ia existente .

 O terceiro ponto trata de prover a equidade social e transparncia na

 distribuiao dos tgaos , satisfeitas as duas primeiras condies .

 Portanto. a discu. ~ sio envolve uni nico tema : como fazer para que todas as

 pessoas possam ser transplantadas , com a mesma efi cincia. na estrutura

 pblica e priva - da existentes ?

 Tr ' ~ ta-se de um exerccio de admi nistraao das verlias que ia vm sendo gastas

 com estes procedimen tos. e um exercicio de administraao da sade

 organizand < > se equipes e hospitais pblicos e privados que ia realizam

 transplantes .

 Podemos ampliar o nmero de transplantes a curto prazo ?
 Temos estrutura para

 Isso ?

 Com a nova

 lei de doaao presu mida de rgaos muitos insistiram na tecla de que nao

 haveria estrutura mdicohospitalar para uma sbita disponibilidade de doadores .

 Esta disponibilidade de doadores ia existe .
 A estruwra para promover um gran de

 aument dos transplantes de todos ( X5 rgaos. a curto prazo. tam bm existe .

 Ela vem sendo criada por mdicos transplantadores lia muitos anos e agora cabe

 administr-la .

 O nmero de transplantes de cada rgao que se necessita realizar por ano 

 calculado de acordo con~a prevalncia anual de uma doena na

 mesma populao e indexado por milhao de populao ( pmp ) , para que se po & sam

 comparar pases com populaes distintas .

 Por exemplo , o nmero de novos casos de pessoas que vao  dialise por ano , no

 Brasil , esta em torno de 100 pacientes pmp / ano .
 Estimand~se que aproximadamente

 60 % destes tm condies clnicas de serem transplantados , a necessi dade ideal

 de transplantes renais seria de 60 transplantes pmp / ano .
 Quais seriam. entio ,

 as metas de curto prazo a serem alcanadas ?

 Observando os menores ndices de eficincia internacional e conside rando a

 populao brasileira em 160 milhes de habitantes , necessitaria mos fazer 3.200

 transplantes de rins ( fazemos 1.600 ) , 1.600 transplantes de figado ( fazemos

 250 ) e 960 de corao ( fazemos 60 ) todos os anos .
 Mesmo cortando  metade o

 nme ro de transplantes de fgado e cora o , uma ~ ez que no existem tantas

 equipes especializadas , chegaramos aos nmeros de 800 transplantes de fgado /

 ano e 450 de corao / ano , trs e nove vezes mais do que faze mos ,

 respectivamente .

 Estes dados servem para mostrar flo s o montante de aumento ime diato no

 nmero de transplantes , mas , sobretudo , para comprovar que se estes nmeros tm

 que ser atingidos a curto prazo eles devero ser atingidos por um conjunto de

 hospitais e no somente por alguns poucos .

 A maioria dos hospitais pblicos que realizam transplantes de rgos j operam

 no limite de sua capacida de , e alguns anos sero necessrios para a criao de

 novas equipes em novos centros , de tal forma que a uti lizao da rede privada

  fundamen tal para qualquer ampliao de curto prazo .
 A prova mais cabal da

 super - lotao dos hospitais pblicos  a existncia , em todos eles , das filas

 para a realizao de transplantes renais com doadores vivos .

 Existem 115 equipes de trans ~ plantes renais no pas , sendo que destas , 13 no

 realizaram nenhum transplante no ltimo ano !
 Mesmo com as 102 restantes ,

 precisaramos que estas realizassem somente 32 transplantes lano .
 Se somente 50

 equipes existissem , realizando 64 transplantes por ano alcanar-se-ia esta meta

 de curto prazo .

 Do mesmo modo , existem 19 equipes realizando transplantes de figado no Brasil ,

 oito delas em So Paulo .
 Se cada uma realizasse 42

 transplantes por ano , ou seja , 3.5 por ms ou ainda cerca de um por sema na ,

 atingiramos facilmente a marca proposta de 900/ano .
 Se , no entanto , optarmos

 pela sobrevivncia somen te das cinco equipes existentes nos hospitais

 pblicos , cada urna delas teria a misso impossvel de realizar 160

 transplantes anuais .

 No caso do corao , para atingir - se a metade da meta de curto prazo , cada uma

 das 20 equipes cadastradas no Registro Brasileiro de Transplantes da Associao

 Brasileira de Tran ~ plantes de tgos ( ABTO ) poderia realizar 25 transplantes

 ao ano , cerca de dois por ms , e atingiramos 500 transplantes anuais .
 Nenhuma

 destas cifras acima  considerada elevada para equipes dedicadas aos trans -

 plantes de rgos .

 Desse modo , parece bvio que , com a utilizao de toda a rede hos pitalar

 existente nesta rea realizando uma quantidade de transplantes em nveis

 moderados , poclese chegar as metas de curto prazo sem que se au mente a

 estrutura mdicobospitalar .

 No  verdade que nao existem infra-estrutura hospitalar e equipes preparadas

 para aumento da deman da de rgos e transplantes .
 Existem , sim , equipes e

 estrutura , mas tam bm h um desinteresse mdico hospitalar pelo enorme nmero

 de cobranas que lhes so feitas nesta rea com a contrapartida da baixissi ma

 remunerao .

 Assim , a unio de esforos de to dos os hospitais , sem segregao , po der

 oferecer imediatamente um grande incremento no nmero de transplantes .

 Quantos doadores cadavri cos poderiamos obter imediata - mente ?

 Para atingir as metas acima pro postas , lia necessidade da disponibi

 lidade de rgos e , portanto , de urna estrutura de procura e captao

 mais adequada .

 Discute-se que , para aumentar a disponibilidade de rgos , seria ne

 ceSsrio investir grandes quantias de dinheiro na procura e na

 captao de doadores cadveres .
 Concordamos parcialmente com esta

 idia para me tas de mdio e longo prazo , mas , para as de curto prazo ,

  necessrio unica mente acirnistrar a estrutura de pro cura e

 captao onde ela j existe .

 Uma pesquisa realizada pela E ~ cola Paulista de Medicina mostrou que ,

 na cidade de So Paulo , exis tem , diariamente , cerca de cinco

 mortes / dia poderiam ter sido notifi cadas como potenciais doadores .

 Com metade desta cifra , teramos 2,5 notificaes de potenciais doado

 residia .
 Isto significaria 57 notifica es de doadores pmp / ano , uma

 figura nada absurda .

 A Central de Transplantes da Grande So Paulo recebeu , em 1995 , 621

 notificaes ( 44 pmp / ano ) e conseguiu viabilizar somente 28 % delas , ou

 seja , 174 doadores .
 De fato , de acordo com os dados do Registro

 Nacional de Transplantes de rgos da ABTO , entre agosto e novembro de

 1997 houve um decrscimo de 50 % no nmero de transplantes renais

 realizados com doadores cadveres na Grande So Paulo , em relao aos

 mesmos meses de 1995 e 1996 .
 Os transplan tes renais prestam-se mais

 para men surar o nmero de doadores cadve res porque raramente os

 rins de um doador deixam de ser utlizados por ms condies , o que

 no ocorre com corao e fgado .

 Os dados internacionais mostram ser possvel viabilizar , como efetivos

 doadores de rgos , at 27 doadores pmp / ano .
 A mdia europia em 1995

 foi de 15 , nos EUA 21 , Canad 14 e no Brasil cinco pmp / ano .

 Uma cifra de 1000 a 1200 doado res viveis / ano em todo o territrio

 nacional , a curto prazo , no  nada imaginria se induirmos a

 atividade de captao de outras capitais e

 alguns estados inteiros como paran , Rio de Janeiro , Pernambuco , Rio

 Grande do Sul , Minas Gerais e Espnto Santo onde j existe estrutura

 de captao ativa .

 Portanto , a polmi ca de que as metas acima descritas ~ o mente seriam

 atingidas quando do desenvol vimento de uma estru tura de procura e

 ca ~ tao em todos os Estados do territrio nacional no passa de um

 mito .
 No momen to , somente a organi zao de reas que j possuem esta

 estrutura em funcionamento po deria facilmente suprir a meta estipu

 lada para todo o pais .

 A regionalizao da procura dos doadores e dos transplantes  a unica

 forma razovel de controlar a logsti ca da procura / captao e da

 tran ~ plantao em um pas com estados de dimenses equivalentes a

 pases europeus .

 A adoo da regionalizao  uma medida corajosa que precisa ser

 apresentada e discutida com a socie dade para que esta , compreendend ~

 a em todos os seus detalhes e bene fcios , possa torn-la hem-vnda e

 prestigiada como em todas as partes do mundo desenvolvido .

 Como manter a transparticia e eqilidade social nas listas de espera ?

 Existe grande

 garantia de que os rgos so dstribuitlos com justia e eqidade

 social .
 As listas nicas con troladas pelas Secretarias de Estado da

 Sade ganintem isso .
 Um rgo so mente  destinado a um receptor por

 determinao das Centais de Trans plantes controladas pela Secretaria .

 pacientes. daquele hospi tal que estejam nos pri melros lugares da

 fila em benefcio de outros com lugares menos pfivilegia dos , estejam

 estes tanto em outros hospitas pbli cos como em privados .
 Pacientes

 So pacientes , homens so homens , no h como diferenci-los , na forma

 da lei .

 Alm disso , o Consenso Estadual de Transplantes sugeriu a criao de um

 Conselho Estadual de Transplan tes constitudo por transplantadores ,

 representantes do CRM , OAB , Minis trio Pblico e pacientes etc. ,

 subor dinado somente ao governador de Estado , para garantir a justia

 na di ~ tribuio de rgos .

 Por que subordinar este Conselho somente aos governadores ?
  preciso

 controlar igualmente todos os hospi tais para garantir a justia na

 distri buio .
 Um hospital no  menos culpado se comete um erro ,

 somente porque ele  pblico .
 Hospitais So hospitas , no h como

 diferenci-los na forma da lei .

 O que existe no  uma injustia deliberada , mas desigualdade de

 oportunidades .
 Reclama-se que r gos seriam " desvados ~ , pela Central

 de Transplantes de instituies pbli cas para instituies ' privadas .

 No  verdade .
 Pacientes inscritos em um hospital pblico lotado podem

 ser penalizados quando um rgo lhes  oferecido e seu hospital no

 pode receb-los .
 H prejuzo de todos os

 ltima Atualizao : 23/Set/99

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