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 JOELMIR BETING

 Piormetro religado

 [ 31 02h53min 2004 ]

 Na economia , o otimismo nada melhora.Mas , cuidado !
 O pessimismo tudo piora

 James Tobin ( 1918-2003 ) , Prmio Nobel de Economia

 Quando o Banco Central desenha um cenrio otimista , a economia no d bola e a

 sociedade nem se toca .
 No se leva o otimismo a srio .
 Bem ao contrrio , quando

 o Banco Central rabisca uma projeo pessimista , a a economia entra em pnico

 e a sociedade permanece no brejo .

 Ou na sbia lio de Tobin : o otimismo no funciona , mas o pessimismo tem poder

 de induo ou de persuaso .
 Faz parte da natureza humana : toda expectativa de

 crise provoca a prpria crise , que sanciona a dita expectativa .

 Vai piorar

 Ocorre que o Banco Central no confia no mercado , treme de medo do Brasil e ,

 pessimista , adverte que se melhorar , estraga .
 Quer dizer : s a recesso

 controla a inflao .
 Bastaram alguns indcios de reaquecimento econmico , ainda

 que sazonais , para recolocar na retranca a poltica monetria do crdito curto

 e caro .

 Para o Banco Central , na tal de Ata do Copom , a inflao emite sinais de refugo

 crescente da meta estabelecida para 2004 ( de 5 , % ) .
 Enquanto o mercado

 financeiro ainda aposta em declnio do IPCA ( de 9,3 % , em 2003 , para 5,9 % , em

 2004 ) , o Copom deixa escapar que a inflao estaria acomodando-se no patamar de

 9 % .

 Logo , fogo de napalm no crdito , no consumo , na produo e no emprego .
 Somos o

 nico mercado imbecil do mundo - no sabemos vender mais sem remarcar tudo .

 Digno , portanto , de permanecer na jaula do arrocho monetrio .

 Ser mesmo ?

 Ocorre que a inflao do Real est sendo usinada e reciclada pelos preos e

 tarifas controlados pelo governo austero e no pelos preos e contratos

 praticados pelo mercado selvagem .
 O arrocho monetrio ignora os culpados e

 castiga os inocentes .

 Ano passado , para um IGP-DI de 8,9 % , a alta dos preos controlados foi de

 16,5 % , contra 7,2 % dos preos livres .
 Para este ano , o prprio Banco Central

 projeta variao acumulada de 7,8 % para os preos controlados e de 4,5 % para os

 preos livres .

 Jogam o jogo

 Os coroados do Copom assustaram-se com a sondagem da FGV , divulgada na semana

 passada : 43 % das 410 empresas consultadas esto a fim de remarcar preos neste

 primeiro trimestre .
 Viva !
 As outras 57 % , no !
 E 7 % destas programam reduo de

 preos .

 Com o lembrete : faz parte do jogo do mercado ameaar a demanda com reajuste de

 tabela .
 Esse aviso prvio , que pode no passar de blefe de boca , desde os

 fencios , costuma antecipar negcios e desovar estoques .
 Sem desconto nem

 promoo .

 Quem segura

 Quem segura a inflao  o trip armado nos anos 90 , no mundo inteiro , Brasil

 no meio : 1 ) competio nos mercados ( travando preos e rompendo repasses ) ; 2 )

 modernizao nas empresas ( enxugando custos e protegendo margens ) ; 3 )

 informao dos clientes ( cada vez mais exigentes , seletivos e infiis ) .

 Nada a ver com crdito bancrio abaixo de 25 % do PIB no Brasil ou acima de 110 %

 do PIB na tigrada .
 L , com crescimento econmico sustentado de 7 % e inflao

 abaixo de 5 % .

 O Copom deles foi afogado no Oceano Pacfico .
 Na mesma fossa abissal onde

 repousam , desde os anos 70 , os despojos acadmicos dos monetaristas e dos

 estruturalistas .

 Com o epitfio assinado por Bismarck : '' O pessimismo jamais ganhou uma nica

 batalha. '

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