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 gua comum ou gua benta ?
 Um pouco da histria da percepo social das guas no

 Brasil

 Evaristo Eduardo de Miranda ^ 1

 O homem  o nico animal capaz de distinguir a gua comum da gua benta .
 Esta

 colocao remete s realidades simblicas e culturais da percepo social e

 individual da gua .
 Debates sobre recursos hdricos terminam com generosas e

 urgentes recomendaes sobre como educar a populao para um uso responsvel da

 gua , como mudar conscincias , atitudes etc .
 Mas como a gua  realmente

 percebida pela populao brasileira ?

 A percepo das guas vem de longe no imaginrio popular .
 Algo das vises

 indgenas chegou  cultura brasileira nas lendas da iara , da me d'gua , do

 boto encantado , das carrancas etc .
 Elementos religiosos das culturas africanas

 esto presentes nos banhos de cheiro , nas oferendas em cachoeiras , procisses

 martimas etc .
 Contudo , o universo cultural e o imaginrio interior do homem e

 do povo brasileiro sobre a gua so herdeiros das melhores tradies

 mediterrnicas .
 Essa viso do mundo hdrico perde-se no tempo .
 Foi iluminada

 pelo cristianismo e semeada por aventuras gregas , romanas , rabes ...
 e

 judaicas .
 Sem compreender a histria dessa percepo social das guas , ser

 difcil reverter boa parte dos problemas atuais .

 O imenso capital hdrico do Brasil no foi obra do acaso .
 O gnio portugus

 propiciou uma miscigenao gentica , simblica e cultural , sem precedentes na

 histria da humanidade .
 O relacionamento dos brasileiros com as guas  fruto

 dessa aventura .
 No sculo XVI , uma outra economia estava sendo construda sobre

 uma nova rede de comrcio e informao .
 Um imenso universo simblico sobre as

 guas , de origem judaica e crist com fortes cores ibricas e latinas , foi

 trazido pelos povoadores do Brasil .
 Dos sculos XVII ao XIX , antes das atuais

 preocupaes ambientalistas , a Coroa portuguesa , o Imprio do Brasil e uma

 srie de brasileiros ilustres j trabalharam na defesa das guas .
 A bacia

 amaznica no pertencia ao Brasil .
 Sua incorporao ao pas foi obra do esforo

 estratgico da Coroa portuguesa e seus sditos .
 Desde o sculo XVII , os

 brasileiros mobilizavam-se na defesa da gua em manifestaes de rua !
 No

 abastecimento do Rio de Janeiro , o Imprio do Brasil tomou uma srie de medidas

 jurdicas e administrativas , dentre as quais o plantio da Floresta da Tijuca .

 Se tocamos a gua com as mos ,  com nosso corao que a entendemos .
 As guas

 pedem ateno espiritual , compreenso cultural e participao social , muito

 alm de nmeros e tecnologias .

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 1 Doutor em ecologia , pesquisador da Embrapa Monitoramento por Satlite

 ( mir@cnpm.embrapa.br )

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 Direitos autorais :

 Referncia obrigatria quando da utilizao deste material :

 MIRANDA , E. E. de .
 gua na natureza , na vida e no corao dos homens .
 Campinas ,

 2004 .
 Disponvel em : < http : // www.aguas.cnpm.embrapa.br / > .
 Acesso em : 02 abr .

 2004

 Copyright  2004 , Evaristo Eduardo de Miranda

 Atualizado em 17/02/2004

