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 \\ Petrleo e Gs

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 O ESTADO DE S. PAULO - 27 DE JULHO DE 2004

 CELSO MING

 Uma poltica para o gs

 O governo ainda nem concluiu a batelada de leis de regulao do mercado de

 energia eltrica e j promete a nova poltica do gs natural .

 A ministra das Minas e Energia , Dilma Rousseff , garante que at o final do ano

 " essa poltica estar formatada " .
 O diretor de Gs e Energia da Petrobrs , Ildo

 Sauer , teme pela paralisia : " No precisa de mais leis ; as que existem so

 suficientes .
 Ningum faz mais nada porque fica esperando a nova lei. "

  medida que os analistas vo consolidando a percepo de que to cedo os

 preos do petrleo no abandonaro os nveis dos US$ 40 por barril , as atenes

 vo-se concentrando sobre as reservas provadas de gs do Planeta , avaliadas em

 156 trilhes de m3 , que , aos nmeros do ano passado , correspondem a 62 anos de

 consumo .

 A demanda mundial tem aumentado substancialmente .
 Os nmeros da Petrobrs

 mostram que foi de 2,47 trilhes de m3 por ano no perodo 1998-2002 , devero

 situar-se entre 3,2 e 3,5 trilhes em 2010 e entre 4,9 e 5,8 trilhes em 2025 .

 Os preos internacionais correm atrs desse interesse .
 At 1999 , apenas

 esporadicamente ultrapassavam os US$ 2 por milho de BTU .
 Hoje esto ao redor

 dos US$ 6 por milho de BTU .

 Os Estados Unidos so o sexto maior detentor dessas reservas , concentradas no

 Alasca , mas enfrentam problemas ambientais para sua explorao .

 Melhor uso

 - O governo americano est estimulando suas empresas a trazerem o produto de

 qualquer ponto do mundo , depois de liquefeito a temperaturas de 162 graus

 centgrados negativos .

 No Brasil , at agora o mercado de consumo cresceu devagar .
 No ano passado ,

 alcanou 32 milhes de m3 por dia .
 Mas as projees da Petrobrs exibem

 otimismo : crescero 150 % , para 77,6 milhes de m3 por dia , em 2010 .
 Ser um

 avano de 14 % ao ano .

 No ano passado , a Petrobrs forneceu 29 milhes de m3 dirios e outros 13

 milhes provieram da Bolvia .
 Desse total , 68,3 % foi usado como insumo

 industrial ; apenas 21,2 % na gerao de energia eltrica nas termoeltricas

 nacionais ; e 15,6 % em outros usos , inclusive domstico .

 Quase sempre que comparece s pginas de Economia dos jornais , o assunto gs

 natural se restringe a suprimento das termoeltricas .
 A ministra Dilma Rousseff

 justifica a necessidade de uma nova poltica com dois argumentos :

 "  preciso dar melhor uso ao nosso gs " , diz .
 At agora , as descobertas em

 territrio brasileiro eram vistas com certa decepo porque eram tidas como um

 produto de valor mais baixo .
 Com a escassez crescente de petrleo e a enorme

 demanda mundial , gs natural virou assunto srio e  preciso saber o que fazer

 com nossas reservas .

 Em segundo lugar , quando o gs  colocado  disposio do sistema produtivo , o

 PIB tende a dar , apenas em conseqncia disso , um salto de 1,5 % a 2,0 % .

 Trata-se , portanto , de alavancar crescimento e emprego .

 Por trs da idia de que  preciso traar um novo marco regulatrio para o gs

 esto as enormes trombadas cometidas a partir de 2001 .
 Sob a perspectiva de

 colapso de oferta da energia hidreltrica e a tenso do programa de

 racionamento , foi colocado em marcha um plano de ampliao da rede de

 termoeltricas .
 No Nordeste , a maioria das termoeltricas j prontas ficou sem

 suprimento de gs por falta de dutos .
 Sauer sustenta que a principal razo

 dessa barbeiragem foram atrasos na liberao de licenas ambientais pelo Ibama .

 Mas reconhece que tambm houve " mudana de projetos " .

 Exportar ?
 -

 A ministra Dilma Rousseff lembra que o marco regulatrio da energia eltrica

 est devolvendo confiabilidade ao setor .
 Isso determina que as termoeltricas

 tero um desempenho apenas eventual na gerao de energia eltrica ; e que as

 disponibilidades de gs sero necessariamente canalizadas para uso industrial e

 residencial .

 A falta de produto e de hbito de consumo exigiro preos atraentes para o

 consumidor .
 Estes , por sua vez , iro brigar com os preos de alguns derivados

 de petrleo : com o diesel , a gasolina e com o leo combustvel .
 A ministra

 Rousseff diz que esse efeito j est sendo levado em conta nos programas de

 reestruturao do perfil de craqueamento das refinarias da Petrobrs , para que

 produzam menos leo combustvel .

 E j que os Estados Unidos esto ansiosos para garantir mais suprimentos , a

 nova poltica brasileira do gs poderia prever tambm exportaes ?
 Por

 enquanto , no , porque no h o que exportar .
 Mas Sauer adianta que vem

 recebendo visitas de executivos das multinacionais do setor dispostas a

 investir em unidades de liquefao com objetivo ao mercado externo .

 Aos preos atuais , ao redor de US$ 6 por milho de BTU , parece excelente

 negcio porque os custos nacionais de produo esto orados em alguma coisa em

 torno dos US$ 1,5 a US$ 2 por milho de BTU , posto no navio de embarque .

 Mas Sauer adverte que haver corrida para as reservas mundiais e os preos

 tendem a cair .
 " Em princpio , prefiro ganhar menos , vendendo a US$ 2,5 por

 milho de BTU no mercado interno. "

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