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 Login | Contato | ndice Quarta-feira , 31 de maro de 2004

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 Ricardo Azevedo , 52 ,  escritor , ilustrador e pesquisador .
  autor , entre

 outros , do premiado livro Um Homem no Sto .
 Atualmente , faz parte do projeto

 Fura-Bolo , que tem como objetivo a formao de crianas leitoras na comunidade

 carente .

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 Histrias de bobos , bocs , burraldos e paspalhes , p. 11 - Projeto - 2000 -

 nanquim

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 Aviozinho de papel , p. 6 - Companhia das Letrinhas - 1994 - aquarela

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 O livro dos sentidos , p. 78 - tica 2000 - aquarela

 O patrimnio insubstituvel da leitura

 Para o escritor de livros infantis Ricardo Azevedo , a leitura nada

 deve para outras mdias como a televiso e o computador .
 Segundo ele ,

 que utiliza o folclore como ponto de partida para sua literatura ,

 todas elas tm sua importncia , cabendo  escola ensinar onde cada uma

 delas se encaixa na vida das crianas .

 Televiso , computador , Internet , videogames ...
 Como fazer com que as

 crianas encontrem tempo e interesse para a leitura com todas as

 inovaes que a vida moderna oferece ?
 Para o escritor e ilustrador

 paulista Ricardo Azevedo , o problema no est em fazer ler e , sim , em

 mostrar para as crianas o verdadeiro papel e a importncia da

 literatura .
 " A leitura  um patrimnio completamente insubstituvel .
 O

 que acontece  que muitas escolas ainda confundem livros didticos com

 literatura , ento , a criana fica achando que todo livro tem

 necessariamente uma lio que ela precisa aprender " , aponta o autor .

 Para Azevedo , a concorrncia entre literatura e qualquer outra mdia

 no existe .
 " Nada impede que uma pessoa goste de cinema e tambm goste

 de literatura .
 Alis , as pessoas que eu conheo que realmente gostam

 de cinema so , em geral , timas leitoras " , completa .
 Ele diz ainda que

 as escolas erram feio ao tentar " instrumentalizar " a literatura , o que

 acaba tornando a leitura uma coisa chata .
 " A criana no aprende que

 existem livros diferentes , livros com os quais ela pode se emocionar ,

 se identificar , sonhar , se escangalhar de dar risada , chorar e at

 especular sobre sua prpria existncia .
 Na minha viso , enquanto essa

 confuso persistir , a gente no vai conseguir formar leitores , nunca " ,

 ressalta .

 Azevedo , 52 , cresceu em uma casa onde ler e escrever livros era uma

 prtica , j que o pai , gegrafo , foi autor de diversas obras .
 Aprendeu

 desde cedo , portanto , a importncia da literatura .
 Escreveu seu

 primeiro texto para crianas - - que mais tarde acabou se transformando

 num de seus livros mais premiados , Um Homem no Sto - - com

 aproximadamente 17 anos .

 Ricardo Azevedo  autor de mais de 90 livros para crianas e jovens em

 que o folclore  a palavra-chave .
 O escritor aponta a maneira como o

 tema  tratado nas escolas como outro problema para a aprendizagem .
 " A

 cultura popular no  uma coisa morta que precisa ser relembrada .
 Ela

  viva , imensa e ocorre o tempo todo , em todos os lugares , todos os

 dias do ano " .

 Entre as obras do escritor destacam-se : Um Homem no Sto ( tica ) ,

 Armazm do Folclore ( tica ) , No meio da noite escura tem um p de

 maravilha !
 ( tica ) , Histria de bobos , bocs , burraldos e paspalhes

 ( Projeto ) , Trezentos parafusos a menos ( Companhia das Letrinhas ) e O

 sbio ao contrrio ( Senac ) .
 Azevedo recebeu quatro prmios Jabuti e

 tem livros publicados na Alemanha , Portugal , Mxico e Holanda .
 

 mestre em Letras pela Universidade de So Paulo e doutorando em Teoria

 Literria ( USP ) .
  tambm pesquisador na rea da cultura popular .

 O escritor encabea ainda o projeto Fura-Bolo , no qual escreve e

 ilustra - - juntamente com outros autores - - livros para serem

 distribudos em escolas de comunidades carentes .
 Os integrantes do

 projeto ainda capacitam professores para trabalhar com os livros e

 formar leitores .
 O projeto Fura-Bolo j beneficiou mais de 70 mil

 crianas em todo o pas .

 Leia a seguir trechos da entrevista do escritor ao Educacional .

 Na poca em que vivemos , podemos afirmar que a mdia eletrnica ,

 sobretudo a baseada na imagem ,  a fundamental na formao das

 crianas .
 Voc acredita que ela pode vir a substituir a literatura ?

 No existe essa concorrncia .
 Nada impede que uma pessoa goste de

 cinema e tambm de literatura .
 Alis , as pessoas que eu conheo que

 realmente gostam de cinema so , em geral , timas leitoras .
 O que

 acontece  que muita coisa oferecida hoje - - refiro-me a livros ,

 filmes , msica , teatro , programas de televiso , etc. - -  de muito

 baixo nvel , meros produtos descartveis , medocres , babacas e

 alienantes .

 No ser um filme ou outro que vai fazer uma diferena positiva na

 formao da criana .
 O que interessa  que ela seja capaz de

 compreender que a arte , pelo menos a que interessa ,  sempre uma

 tentativa de compreender , interpretar e ressignificar a existncia e o

 mundo .
 Isso no muda se essa arte for infantil , adulta , popular ,

 erudita ou outra qualquer .
 O folclore funciona exatamente da mesma

 forma , da sua enorme importncia e atualidade para a formao de

 nossas crianas .

 Qual a sua opinio sobre como as escolas brasileiras tratam a

 literatura infantil na sala de aula , sobretudo o folclore ?

 Toda vez que a escola tenta instrumentalizar o livro de literatura ,

 tratando-o utilitariamente como se fosse um livro didtico , com

 lies , regras e mensagens que devem ser aprendidas por todos , erra

 feio .
 A literatura , infantil ou no ,  sempre um discurso ficcional ,

 potico e subjetivo que deve necessariamente ser lido subjetivamente .

 Quanto ao folclore , melhor dizendo , as culturas populares , pois em

 nosso pas elas so vrias , acho que deveriam ser apresentadas aos

 alunos como uma coisa viva , constantemente reelaborada atravs de um

 processo de criao que tende a ser coletivo e que , alm disso , sempre

 trata de assuntos que interessam a todos ns .
 Vamos pegar um conto

 popular conhecido de todos : Branca de Neve .
 Entre outros assuntos ,

 trata de uma disputa entre duas mulheres .
 A mais velha no aceita ser

 suplantada pela mais moa e tenta destru-la .
 No  um tema

 interessante , importante e bastante atual ?

 Geralmente , as escolas trabalham com o tema folclore em agosto em

 funo do Dia do Folclore .
 Voc acha isso um problema ?

 Acho .
 A cultura popular no  uma coisa morta que precisa ser

 relembrada .
 Ela  viva , imensa e ocorre o tempo todo , em todos os

 lugares , todos os dias do ano .

 Os PCNs ( Parmetros Curriculares Nacionais ) recomendam que as escolas

 tratem alguns temas transversalmente , como a pluralidade cultural .
 O

 folclore pode ser entendido como um tema transversal ou como um

 recurso para se trabalhar com os temas propostos pelos PCNs ?

 No conheo direito os PCNs , mas imagino que sim .
 As culturas

 populares muitas vezes pressupem outras vises , outros padres de

 leitura do mundo .

 H algum segredo em se escrever para crianas e adolescentes ?
 Como

 voc alia o texto e a ilustrao ?
 Que tipo de trabalho a elaborao

 desse tipo de literatura demanda ?

 No meu caso , parto do princpio de que a literatura infantil  muito

 mais uma literatura popular do que propriamente " infantil " .
 Tento

 mexer com temas gerais e recorrentes - - a busca do autoconhecimento ,

 por exemplo - - , que interessam a muitas pessoas , utilizando uma

 linguagem propositalmente clara , direta e acessvel .
 Quanto 

 ilustrao , acredito que ela , no geral , no deve tentar reproduzir

 mecanicamente o que o texto diz , mas , sim , enriquecer o universo

 significativo do texto .
 Um exemplo banal : se o texto descreve a moa

 bonita , a ilustrao deve fugir disso .
 Pode , por que no , mostrar a

 orelha da moa bonita , ou seu quarto , detalhadamente , antes de ela

 entrar .
 A moa , mesmo , tem que ser recriada pela imaginao do leitor .

 Mas so assuntos muito amplos diante dos quais existem diferentes

 posies e discusses .
 Finalmente , sobre a ltima parte da pergunta ,

 posso garantir que fazer um bom livro , seja ele de que tipo for , 

 sempre muito difcil e trabalhoso .

 Gostaria que voc comentasse um pouco sobre os resultados do projeto

 Fura-Bolo .
 Quais foram as maiores dificuldades encontradas ?

 Bem , o projeto Fura-Bolo comeou em 1999 e  composto de oito livros

 de literatura infantil , escritos por mim e ilustrados por Mariana

 Massarani , Eva Furnari e Alva Linares .
 Esses livros , produzidos pela

 Cargill , so distribudos gratuitamente e utilizados em escolas de

 comunidades pobres , com crianas sem acesso a livros de fico e de

 poesia .
 Para que a coisa funcione , a Cargill ainda d uma capacitao ,

 feita pelas educadoras Candu Marques e L Mendes , aos professores que

 vo trabalhar com os livros .
  preciso dizer ainda que as prefeituras

 dos municpios envolvidos participam ativamente do projeto .
 Hoje , j

 so mais de 70 mil crianas beneficiadas , em municpios espalhados por

 todo o Brasil .
  um projeto maravilhoso , social e cultural , que

 realmente ajuda a formar leitores e do qual eu e todos que dele

 participam nos orgulhamos muito .
 O resultado : estamos contribuindo

 para formar novos leitores , capacitando professores a utilizar a

 literatura em sala de aula e distribuindo livros a crianas que antes

 s tinham acesso a livros didticos .
 No  pouco !
 Obviamente , nada

 disso  fcil , mas as dificuldades fazem parte , principalmente

 levando-se em conta um projeto dessa envergadura .

 Leia as resenhas dos livros de Ricardo Azevedo publicadas nos Livros

 Recomendados .

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 Ttulo : Armazm do folclore

 Autor : Ricardo Azevedo

 Editora : tica

 N  de pginas : 125

 ISBN : 8508074832

 Ttulo : No meio da noite escura tem um p de maravilha

 Autor : Ricardo Azevedo

 Ilustrador : Ricardo Azevedo

 Editora : tica

 N  de pginas : 119

 ISBN : 8508081901

 *****

 Por Diogo Dreyer

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