

 Mulheres cariocas viram ruas

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 Llia Gonzalez , feminista e ativista do Movimento Negro

 Mirtes de Campos , primeira mulher a advogar no Brasil

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 Bertha Lutz , lder da luta pelo sufrgio feminino

 Por algumas horas umas das principais avenidas do Centro do Rio , a Rio

 Branco , vai mudar de nome e vai se chamar 8 de Maro .
 A homenagem ao

 Dia Internacional da Mulher no foi idia de nenhum poltico , mas

 iniciativa das prprias mulheres .
 Alm da Rio Branco ruas transversais

 e at a Praa Pio 10 vo receber o nome de mulheres que contriburam

 de maneira importante para a histria da cidade .

 So 15 as homenageadas , conhea um pouco da histria de vida dessas

 que abriram o caminho pelo qual tantas outras mulheres esto passando

 no dia de hoje .

 Adlia Sigaud ( c .1840 - ?
 ) Carioca , cega , foi a primeira mulher a

 aprender o mtodo Braille .
 Com seu xito , o Imperador D. Pedro II

 fundou , no Rio de Janeiro , o Instituto Benjamim Constant , do qual foi

 a primeira professora .

 Rebecca Freedman ( 1881-1984 ) Imigrante polonesa , tornou-se lder das

 " polacas " cariocas , denominao dada a mulheres imigrantes de origem

 judaica que tiveram como opo de vida no Brasil a prostituio .

 Participou ativamente da Associao Beneficente Funerria e Religiosa

 Israelita , enfrentando o preconceito da comunidade judaica local , que

 lhes restringia o direito de participar das prticas religiosas ,

 sobretudo em caso morte , no tendo acesso aos ritos judaicos .
 Por 68

 anos esteve a frente desta associao .
 As prostitutas da zona do

 mangue carioca foram expulsas devido s obras do metr .
 Morreu no

 subrbio de Ramos .

 Angela Borba ( 1953-1998 ) Feminista e ativista poltica nascida no Rio

 de Janeiro , em 1953 .
 Na juventude , integrou a Ao Popular ( AP ) , grupo

 de resistncia  ditadura militar .
 Engajou-se no movimento feminista ,

 participando do jornal Brasil Mulher .
 Foi co-fundadora do Partido dos

 Trabalhadores ( PT ) e do grupo Ns Mulheres ( RJ ) .
 No PT , organizou

 diversos grupos de mulheres com o objetivo de ampliar a participao

 feminina e tentando a aproximao com o movimento de mulheres .
 Foi

 grande ativista no encaminhamento de polticas pblicas voltadas para

 as mulheres e militante feminista nacionalmente reconhecida ,

 Bertha Lutz ( 1894-1976 ) Lder feminista e biloga paulistana .
 Fundou a

 Federao Brasileira pelo Progresso Feminino no Rio de Janeiro ,

 liderando grande parte do movimento sufragista da dcada de 1920 .
 Fez

 parte da elaborao do Cdigo Eleitoral , em 1931 .
 Foi deputada federal

 em 1936 , onde props a criao do Departamento Nacional da Mulher .

 Beth Calvet ( 1960 - 2001 ) Grande liderana do movimento de mulheres ,

 em especial das ativistas lsbicas .
 Foi uma das fundadoras do centro

 de Documentao e Informao Coisa de Mulher , CEDEICOM , em 1994 e do

 Coletivo de Lsbicas do Rio de Janeiro , COLERJ , no ano seguinte .

 Tambm participou da fundao do Instituto de Cultura e Conscincia

 Negra Nelson Mandela , do Frum de Familiares e Amigos dos Internos do

 Sistema Penitencirio , e do Acorda Egresso .

 Edma Rodrigues Valado ( 1953-1999 ) Nasceu no Maranho , em 1953 , filha

 de Vicente Francisco Rodrigues e Vitria Rodrigues .
 Formou-se

 enfermeira na EEAN ( RJ ) .
 Como enfermeira , chefiou o ambulatrio do

 Hospital dos Servidores do Estado .
 Em 1993 , entrou para o Sindicato

 dos Enfermeiros , sendo eleita para a direo da instituio .
 Lutou ao

 longo desses anos pelos direitos da categoria , sendo conduzida 

 presidente do Sindicato , em julho de 1996 , conseguindo levar para o

 interior do estado a atuao sindical dos enfermeiros .
 Em 1999 ,

 reeleita presidente , foi assassinada em setembro , um ms aps a posse ,

 sob circunstncias misteriosas .
 A polcia at hoje no solucionou o

 crime .

 Iguau ( sc.XVI ) ndia tamoio , foi capturada e levada como escrava

 para as terras de Piratininga , no planalto paulista .
 Libertada pelos

 Tamoios , morreu lutando do lado dos franceses na batalha contra os

 colonizadores portugueses , no Rio de Janeiro , em 1567 .

 Ins de Sousa ( sculo XVI ) Portuguesa , colonizadora da capitania do

 Rio de Janeiro , foi responsvel pela defesa da cidade contra um ataque

 de corsrios franceses .
 Ao avistar trs navios na entrada da baa de

 Guanabara com a inteno de saquear a populao , Ins simulou manobras

 militares na praia com mulheres e jovens vestidas de armaduras

 masculinas .
 Ao avistarem o suposto exrcito , os franceses desistiram

 de atacar a cidade .

 Josefa Paulino da Silva ( 1924-1999 ) Lder camponesa , natural de So

 Miguel do Campo ( AL ) , dedicou sua vida em defesa dos trabalhadores

 rurais e pelo aceso  terra .
 Na infncia trabalhou como domstica ,

 vindo para o Rio de Janeiro , aos 18 anos e instalando-se em terras

 abandonadas na rea metropolitana da cidade .
 Trabalhando na roa ,

 militou no Partido Comunista Brasileiro , no Sindicato de Trabalhadores

 Agrcolas e no movimento de mulheres , no Rio de Janeiro .

 Lapinha ( sculo XVIII ) Cantora e atriz , fez muito sucesso em fins do

 sculo XVIII , no Rio de Janeiro e em Portugal , tendo sido considerada

 pioneira nessa rea .
 Fez saraus em diversas cidades portuguesas , sendo

 bastante aplaudida e homenageada pelos estudantes da universidade de

 Coimbra .

 Llia Gonzalez ( 1935-1994 ) Sociloga , feminista e ativista poltica

 mineira , destacou-se por sua atuao no movimento negro e movimento de

 mulheres .
 Fez a faculdade de sociologia no Rio de Janeiro ,

 dedicando-se  pesquisa sobre gnero e etnia .
 Participou do Movimento

 Negro Unificado e militou em diversas organizaes como o Instituto de

 Pesquisas das Culturas Negras e o Coletivo de Mulheres Negras NZinga .

 Por sua atuao , foi indicada ao Conselho Nacional dos Direitos da

 Mulher ( CNDM ) .

 Maria Helena ( 1962-1987 ) Lder comunitria da Rocinha , participou do

 movimento de reivindicao por melhoria da qualidade de vida e

 contribuiu , ao lado de outras lideranas , para a organizao poltica

 da comunidade que resultou na criao de creches e na gerao de

 trabalho para as costureiras .
 Como presidente da Associao de

 Moradores deu especial ateno aos idosos , realizando eventos para

 angariar fundos com o objetivo de minorar os seus problemas .
 Morreu

 assassinada em 1987 .

 Mariana Crioula ( sculo XIX ) Escrava quilombola , vivia em Pati de

 Alferes ( RJ ) , onde liderou , em 1838 , uma fuga de cativos de diversas

 fazendas da regio , levando-os a fundar um quilombo na Serra da

 Mantiqueira , onde ficou conhecida como a rainha do quilombo .
 Essa foi

 uma das maiores fugas de escravos registradas na histria fluminense .

 Foi presa , mas conseguiu a absolvio ao convencer de que no tinha

 liderado a fuga .

 Mirtes de Campos ( 1875 ?
 - ?
 ) Advogada e feminista , natural de Maca

 ( RJ ) .
 Foi a primeira mulher a conquistar o direito de advogar no

 Brasil , aps enfrentar a oposio da famlia e os preconceitos da

 sociedade por sua escolha profissional .
 Envolveu-se com a luta pelo

 sufrgio feminino e usou a imprensa para difundir a situao jurdica

 das mulheres .

 Tia Ciata ( 1854-1924 ) Natural de Salvador ( BA ) , foi uma lder da

 comunidade negra no Rio de Janeiro .
 Ao mudar-se para os arredores da

 Praa Onze , realizava festas freqentadas por importantes figuras do

 ambiente musical carioca .
 Os festejos em homenagem aos orixs duravam

 dias .
 Sua casa transformou-se no bero do samba , e foi onde nasceu o

 primeiro samba gravado : " Pelo Telefone " .
 Reconhecida quituteira , sua

 barraca era famosa e freqentada por pessoas de todas as classes

 sociais ..

 Os dados sobre as homenageadas foram retirados do Dicionrio Mulheres

 do Brasil parte do projeto Mulheres 500 Anos Atrs dos Panos da ONG

 REDEH .
 Quem quiser conhecer um pouco mais sobre essas e outras

 mulheres que tambm escreveram a Histria do Brasil deve visitar o

 site http : // www.mulher500.org.br / .

 As mulheres deram o exemplo nesse 8 de maro .
 Assim os governantes

 podem seguir a iniciativa e rever tambm a histria desse pas para

 dar s mulheres a importncia que elas tiveram nesta construo

 coletiva .

 FONTE : ARQUIVO MULHER 500 ANOS ATRS DOS PANOS / REDEH

 Autor ( a ) : Luciana Neto

 Data de Publicao : 8/3/2002

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