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 Quinta-feira , 29 de julho de 2004 s 01:28

 Hospital Emlio Ribas reforma instalaes e recicla funcionrios

 Foto de Cleo Velleda - Em 2003 , mais de 68 mil pessoas passaram pelo

 ambulatrio do Emlio Ribas

 Foto de Cleo Velleda - Em 2003 , mais de 68 mil pessoas passaram pelo

 ambulatrio do Emlio Ribas

 Conhecido pela especializao em doenas infecto-contagiosas e

 parasitoses , o Instituto de Infectologia Emlio Ribas ganha fama

 nacional com a epidemia de meningite , na dcada de 70 , e torna-se

 sinnimo combate  aids a partir dos anos 80 .
 Durante seus 124 anos , a

 instituio se manteve na vanguarda da luta contra as doenas

 transmissveis .
 Para continuar a ser referncia em tratamento dessas

 molstias , suas instalaes passaro por reformas e sero oferecidos

 cursos de reciclagens aos funcionrios que atendem o pblico .

 Os especialistas cuidam de uma lista de males que inclui aids ,

 varola , difteria , meningite , peste , clera , febre amarela ,

 leptospirose , febre tifide , sarampo , varicela , leishmaniose , malria ,

 toxoplasmose e hepatite .
 Como trata doenas contagiosas , toda a

 estrutura est direcionada para a identificao precoce dessas

 molstias .
 Funciona como um termmetro que sinaliza aos rgos

 competentes a iminncia de grandes epidemias .
 " Mais de 60 % dos

 soropositivos da Grande So Paulo esto no Emlio Ribas " , informa o

 diretor tcnico , Sebastio Andr de Felice .

 " A prpria dinmica do hospital exige constantes aperfeioamentos

 tcnicos , operacionais e humanos ; e as mudanas vm atender a essa

 necessidade .
 Trabalhamos para que o hospital seja referncia e esteja

 pronto e renovado para atender , tambm , portadores de doenas

 emergentes , alm de estar preparado para situaes inesperadas .
 Temos

 de nos manter em estado de alerta para qualquer tipo de epidemia .
 Aqui

 no existe paciente bonzinho .
 Todos so casos complexos , em estado

 grave , que a rigor transformariam o hospital numa UTI de ponta a

 ponta " , explica o diretor .

 Ilhas de contrastes - Questionado sobre a crise enfrentada pelo

 instituto no ano passado , em que houve denncias de falta de

 medicamentos , equipamentos antigos e sem condies de uso e carncias

 de condies de atendimento , Felice diz : " A maioria dos buracos foram

 sanados , o problema era falta de planejamento " .
 Como exemplo , cita que

 poderia haver 1,5 mil fraldas em estoque e faltar mamadeiras por

 descontrole do consumo mdio mensal .
 "  inadmissvel ter um tomgrafo

 que custou R$ 1,1 milho sem filmes para rodar. "

 Com a reengenharia iniciada em setembro do ano passado , quando assumiu

 o cargo , a instituio passa por reforma geral de cultura , abrangendo

 trmites administrativos e recursos humanos .
 " Avanamos muito , mas

 mudar as regras do jogo no  fcil " , afirma Felice .
 H ilhas de

 contraste , acrescenta , que precisam ser repensadas .
  o caso do setor

 de radiologia , que tem equipamentos de primeiro mundo , e a UTI , com

 padro timo ; enquanto o ambulatrio e o pronto-socorro carecem de

 modernizao .

 Tecnologia avanada - O setor de radiologia tem raio X ,

 ultra-sonografia e um aparelho de tomografia computadorizada , com o

 qual  possvel fazer o exame em um minuto ; nos tradicionais , gasta-se

 uma hora .
 A agilidade da mquina permite que se capte a imagem antes

 de a pessoa se movimentar .
 No caso de crianas , que se mexem muito e

 ficam impacientes com exame , o novo aparelho torna o exame mais fcil .

 No Brasil , existem apenas dois outros tomgrafos com essa rapidez e

 capacidade .
 Outras vantagens so a qualidade e a nitidez da imagem .

 Na radiologia , h ainda o sistema automatizado de informao capaz de

 integrar todos os aparelhos da unidade .
 Quando estiver em completo

 funcionamento , as imagens ou chapas captadas em qualquer um dos

 instrumentos iro direto para o terminal dos consultrios .
 Na central

 informatizada esto as mais atuais revises bibliogrficas sobre

 infectologia , inclusive com acesso  Internet , e um banco de dados com

 6 mil slides e milhares de informaes atualizadas .

 As salas da unidade de terapia intensiva tm aparelhos respiratrios

 mecnicos e outros instrumentos necessrios  sobrevida do paciente .

 Quatro delas , esto adaptadas para instalao de mquinas de

 hemodilise .
 " Apesar de termos s um aparelho , conseguimos atender

 todos os pacientes , a maioria em tratamento de aids ou leptospirose " ,

 diz a enfermeira da UTI , Marli Anglica .

 Reciclagem e reformas - O processo de reciclagem dos funcionrios e a

 informatizao do hospital , com a criao de rede interligando todos

 os setores a custo orado de R$ 1 milho , esto em andamento .
 A

 primeira etapa da reestruturao do atendimento comeou neste ms , com

 uma turma recebendo aulas de apresentao pessoal e de cuidados com a

 aparncia e a imagem ; em seguida , haver o curso de qualidade no

 atendimento .
 Ao todo , 150 profissionais ( diretamente ligados 

 recepo de pacientes ) tero orientao de como se vestir , portar e

 falar para atender o pblico de forma mais acolhedora , humanizada , com

 qualidade e dinamismo .

 No final do processo de reciclagem , esses funcionrios integraro o

 ncleo de atendimento ao usurio .
 " Alm de informar e orientar sobre o

 que pode ou no fazer , o pessoal do ncleo vai dar apoio , amparo e

 conforto aos pacientes .
 Eles se encarregaro de resolver problemas com

 mdicos , exames , medicao , bitos e outros recursos .
 Da sala do

 ncleo ser possvel fazer contato com todo o hospital para sanar

 dificuldades e necessidades " , avisa o diretor de diviso de apoio

 tcnico do Emlio Ribas , Antnio Abi Jaudi .

 Passaro por reformas o pronto-socorro ( R$ 1,2 milho ) , o Banco de

 Sangue ( R$ R$ 200 mil ) , o almoxarifado ( R$ 170 mil ) , a farmcia , os

 prdios da administrao e do ambulatrio e a portaria que ter nova

 entrada .
 A atual receber os doentes do Hospital Doutor Arnaldo ,

 tambm em reforma .
 A previso  de que todas as obras estejam

 concludas at o segundo semestre do prximo ano .

 Isolamento mximo - Com a reforma , a farmcia far a adaptao de

 material e adotar a dose nica e automtica para evitar desperdcio e

 descontrole .
 Ao seu lado , haver uma sala de atendimento com

 farmacutico para orientar os pacientes que receberam medicamentos .

 Haver profissionais encarregados de explicar a forma correta de o

 doente tomar o remdio , sanar dificuldades de entendimento da bula e

 os horrios e as quantidades indicadas pelo mdico .
 Em especial , para

 os que tm o vrus da aids e tomam vrias drogas em diferentes

 horrios .
 O custo desses medicamentos  bastante elevado : em mdia , o

 valor gasto para cada paciente  de R$ 5 mil por ms .

 A diretora do servio de farmcia , Ana Maria Campos , diz que o estoque

 de medicamentos est dentro dos parmetros .
 " Temos condies de

 atender aos portadores de doenas infecto-contagiosas e parasitoses ,

 chamadas de oportunas .
 Quando h alguma falta  por problema de

 entrega ou de sazonalidade ( por exemplo , a leptospirose , em janeiro ) ,

 que exige maior quantidade de remdio. "

 O hospital ter uma Unidade de Conteno Biolgica com nvel de

 isolamento mximo de segurana biolgica para tratamento de doenas

 emergentes e de alta complexidade , como a Sars , o coronavrus e o

 hantavrus .
 " Com a unidade , ficaremos aptos a receber esses pacientes .

 Daqui a pouco , a aids ficar na memria como o sarampo e a difteria .

 Temos de preparar o hospital para o futuro. "

 Medicina dos viajantes - A partir deste semestre , o ncleo de medicina

 do viajante ( que , atualmente , abre s uma vez por semana ) passar a

 atender todos os dias e ter um setor de vacinao .
 Inaugurado em

 2000 , tem uma equipe de mdicos infectologistas e sanitaristas que

 orienta o turista sobre os cuidados para reduzir o risco de doenas em

 viagens .
 As dicas vo desde cuidados com a gua e a alimentao at os

 tipos mais comuns de doenas e vacinas necessrias .

 Trabalho e nmeros impressionantes

 Considerado referncia no Brasil no tratamento de aids , foi o primeiro

 a receber um paciente com HIV positivo , em 1983 , e  , provavelmente , o

 que atendeu o maior nmero de portadores do vrus desde a descoberta

 da doena .
 No ano passado , mais de 68,2 mil pessoas passaram pelo

 ambulatrio ; 31,2 mil pelo pronto-socorro ; e 2,5 mil foram internadas .

 Os dois setores realizam 7,5 mil consultas ao ms .
 Todos os anos ,

 quase 4 mil alunos utilizam o hospital como campo de estgio .
 So

 residentes de todo o Pas e do exterior .
 Em 2003 , vieram estudantes do

 Peru , Sua e Argentina .

 Para atender esse contingente , o Emlio Ribas emprega 1.880

 funcionrios e recebeu verba da Secretaria Estadual da Sade , em 2003 ,

 de R$ 45 milhes .
 Para este ano , o oramento previsto  de R$ 55

 milhes , incluindo o valor das reformas .
 Desse valor , R$ 32 milhes

 sero gastos com medicamentos .
 Tem 150 leitos em uso , e a meta 

 atingir 200 at o final do ano .
 Em casos de calamidade de sade

 pblica , o hospital chegou a abrigar mais de mil doentes .

 Como hospital pblico , atende s classes mais pobres e indigentes .

 Est em estudo a extenso de assistncia s Casas de Apoio que acolhem

 doentes e precisam de um hospital .
 Das atuais duas casas , o hospital

 passaria a dar assistncia a cinco .
 Os programas de voluntrios e os

 sociais , como distribuio de leite e cesta bsica , sero ampliados .

 " Nossos pacientes so 100 % do SUS .
 Queremos que o instituto preste um

 servio pblico amplo e de qualidade , oferea algo a mais aos nossos

 usurios e continue a ser referncia em suas especialidades " , observa

 Felice .

 Pavilho da varola - Fundado em 1880 com o nome de Hospital de

 Isolamento , o Emlio Ribas foi criado para receber as centenas de

 pessoas que sofriam de uma doena fulminante em So Paulo , no comeo

 do sculo .
 Democrtica , a varola atacava ricos e pobres , sem

 preferncias entre filhos de escravos ou bares do caf .
 O isolamento

 dos pacientes atingidos pelo surto de varola foi sua principal

 funo .
 Esses doentes ficavam alojados no pavilho - o da varola - ,

 que existe at hoje e abriga a biblioteca , a diviso cientfica e o

 servio de arquivo mdico estatstico .

 O pavilho chamado de Casa Rosada , por causa da cor da pintura que

 recebeu nas muitas demos que cobriram suas paredes , abrigava os

 bares doentes de varola .
 No local , havia um jardim interno que lhes

 permitia tomar banho de sol sem sair do isolamento .
 Fechado h trs

 anos , o prdio aguarda patrocnio para restaurao .

 J naquela poca os cuidados profilticos eram rigorosos , tanto que as

 enfermeiras eram obrigadas a residir no local para evitar a propagao

 do mal .
 Todos os portadores de varola ou varicela , doenas comuns na

 poca , eram tratados no novo hospital .
 Com o correr dos anos , o

 instituto estendeu o atendimento a todos os casos de molstias

 contagiosas .

 Em 1932 , a instituio adotou o nome de Hospital Emlio Ribas em

 homenagem ao ex-diretor do Servio Sanitrio do Estado , falecido em

 1925 .
 Com a crescente evoluo da teraputica , transformou-se em

 centro de tratamento de doenas infecto-contagiosas .
 A partir de 1991 ,

 passou a ter a denominao atual e est vinculado  Secretaria

 Estadual da Sade .
 O instituto dedica-se , tambm , ao ensino e s

 pesquisas cientficas .

 O precursor do sanitarismo no Brasil

 Emlio Marcondes Ribas nasceu em 1862 , em Pindamonhangaba , So Paulo ,

 e morreu em 1925 .
 Saiu de sua cidade natal para cursar medicina no Rio

 de Janeiro , onde se formou em 1887 .
 Iniciou a vida profissional como

 clnico-geral , mas logo retornou ao interior do Estado , onde

 participou da luta contra epidemias em vrias cidades paulistas .

 Conseguiu combater um surto de febre amarela ao se tornar diretor do

 Servio Sanitrio de So Paulo e comprovar que no havia contgio

 direto .
 Portanto , era intil manter enclausurados os doentes no

 Hospital de Isolamento .

 Graas s suas aes , foram exterminados 6 mil viveiros do mosquito

 Aedes Aegypti e , em 1904 , a mortalidade por febre amarela estava

 reduzida a apenas dois casos no Estado .
  o mesmo mosquito que agora

 transmite a dengue .
 Ligado ao que havia de mais inovador na medicina

 sanitria e na microbiologia , combateu surtos endmicos como peste

 bubnica , tuberculose e lepra .
 Nos ltimos anos de vida dedicou-se 

 melhoria nas condies de tratamento da hansenase .
 Considerava uma

 crueldade o isolamento de leprosos em colnias distantes .

 Em suas andanas para tratar as molstias que assolavam o interior

 paulista , descobriu uma vila montanhosa chamada Campos do Jordo ,

 propcia  recuperao de tuberculosos .
 Como o acesso s podia ser

 feito a cavalo , o mdico pressionou as autoridades para construir a

 estrada de ferro da Serra da Mantiqueira , que hoje virou atrao

 turstica na regio .

 SERVIO

 Instituto de Infectologia Emlio Ribas : Av. Dr. Arnaldo , 165 -

 Cerqueira Csar - So Paulo

 Endereo eletrnico : www.emiolioribas.sp.gov.br

 Claudeci Martins

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