 [ INLINE ]

 [ INLINE ]

 [ Principal ] [ Releituras ] [ Biografias ]  Projeto Releituras

 Arnaldo Nogueira Jr

 [ INLINE ]

 Nome :

 Lya Luft

 Nascimento :

 15/09/1938

 Natural :

 Santa Cruz do Sul - RS

 Menu da Autora

 Lya Luft

 " No existe isso de homem escrever com vigor e mulher escrever com fragilidade .

 Puta que pariu , no  assim .
 Isso no existe .
  um erro pensar assim .
 Eu sou

 uma mulher .
 Fao tudo de mulher , como mulher .
 Mas no sou uma mulher

 que necessita de ajuda de um homem .
 No necessito de proteo de homem nenhum .

 Essas mulheres frageizinhas , que fazem esse gnero , querem mesmo  explorar

 seus maridos .
 Isso entra tambm na questo literria .
 No existe isso de

 homens com escrita vigorosa , enquanto as mulheres se perdem na doura .
 Eu fico

 puta da vida com isso .
 Eu quero escrever com o vigor de uma mulher .
 No me

 interessa escrever como homem. "

 Lya Luft nasceu no dia 15 de setembro de 1938 , em Santa Cruz do Sul , Rio Grande

 do Sul .

 Por se tratar de cidade de colonizao alem , as crianas , em quase sua

 totalidade , falavam alemo , e os livros utilizados nas escolas vinham da

 Alemanha .
 Com onze anos , Lya decorava poemas de Goethe e Schiller .

 Posteriormente , estudou em Porto Alegre ( RS ) , onde se formou em pedagogia e

 letras anglo-germnicas .

 Iniciou sua vida literria nos anos 60 , como tradutora de literaturas em alemo

 e ingls .
 Lya Luft j traduziu para o portugus mais de cem livros .
 Entre

 outros , destacam-se tradues de Virginia Wolf , Reiner Maria Rilke , Hermann

 Hesse , Doris Lessing , Gnter Grass , Botho Strauss e Thomas Mann .
 Ela diz que

 traduzir  sua verdadeira profisso .
 E que faz traduo para ganhar dinheiro .

 Mas tambm porque gosta .
 Um trabalho que exige respeito .
 Seu desejo  aproximar

 o escritor estrangeiro do leitor brasileiro .
 Confessa que no pode ser

 inteiramente fiel , porque pode-se correr o risco de ningum entender nada .
 Mas

 no faz um carnaval em cima do texto alheio , no inventa , no cria frases que

 no existem .

 Conheceu Celso Pedro Luft , seu primeiro marido , quando tinha 21 anos .
 Ele

 tinha quarenta .
 Era irmo marista .
 Foi numa prova de vestibular .
 Achou-se

 ridcula quando pensou : esse  o homem da minha vida !
 O irmo marista tirou a

 batina para casar com ela em 1963 .

 Nessa paixo , comeou a escrever poesia .
 Os primeiros poemas foram reunidos no

 livro " Canes de Limiar " ( 1964 ) .

 Tiveram trs filhos : Suzana , em 1965 ; Andr , em 1966 ; e Eduardo , em 1969 .

 Em 1972 lana mais um livro de poemas , " Flauta Doce " .

 Em 1976 , escreveu alguns contos e mandou para Pedro Paulo Sena Madureira , que

 era editor da Nova Fronteira .
 Pedro Paulo respondeu dizendo que os contos eram

 todos " publicveis " .
 Pedro Paulo , no entanto , aconselhou Lya a escrever um

 romance , dizendo que ela era romancista .
 Dois anos depois ela escreveu " As

 Parceiras " .

 Em 1978 lana seu primeiro livro de contos , " Matria do Cotidiano " .

 A fico entrou em sua vida dois anos depois de um acidente automobilstico

 quase fatal em 1979 .
 Como teve uma viso mais prxima da morte , diz a autora

 que comeou a fazer tudo que evitava .

 Primeiro foram crnicas , com o lanamento de " As Parceiras " , em 1980 , e " A Asa

 Esquerda do Anjo " , em 1981 .
 extos amenos .
 Uma espcie de fingimento de que na

 vida tudo  bom .
 A morte  encarada como uma coisa normal .
 Mas gostaria que

 todos os seus amigos fossem eternos .
 Mesmo assim , acha a morte uma coisa

 mgica .

 Em apenas oito anos Lya Luft sofreu duas perdas grandes demais .
 Dos 25 aos 47

 anos foi casada com Celso Pedro Luft .
 Separou-se dele em 1985 e foi viver com o

 psicanalista e escritor Hlio Pellegrino , que morreu trs anos depois .
 Em 1992

 voltou a casar-se com o primeiro marido , de quem ficou viva em 1995 .

 A escritora  conhecida por sua luta contra os esteretipos sociais .
 " Essas

 coisas que obrigam as pessoas a ser atletas .
 Hoje  quase uma imposio : a

 ordem  fazer sexo sem parar , o tempo todo .
 A ordem  no fumar , no beber .
 

 essa loucura o dia inteiro na cabea .
 Quem no for resistente acaba

 enlouquecendo .
 E a vida fica para trs .
 Hoje as pessoas esto sofrendo muito .

 Um sofrimento absolutamente desnecessrio .
 Especialmente as mulheres que fazem

 plstica logo que vem uma ruga no rosto .
 Plsticas de inteira inutilidade " .

 Lya Luft deixa claro que nada tem contra as cirurgias plsticas , mas contra o

 rumo disso tudo .
 " Na ambio de serem sempre jovens , as mulheres acabam

 perdendo o prprio rosto .
 So os falsos mitos da juventude para sempre .
 E isso

 tambm inclui a febre atual da mdia , particularmente nas revistas femininas .

 S se fala como se pode ter vrios orgasmos numa nica noite .
 S se fala em

 como a mulher deve agir para segurar seu homem pelo sexo , especialmente o oral .

 So frmulas de um mundo conturbado , que foge ao afeto , distante de qualquer

 felicidade .
 Essa  outra coisa para o enlouquecimento .
 Em todo lugar , o que

 existe  a supervalorizao do sexo .
 Quem no estiver fazendo sexo sem parar o

 tempo todo passa a ser anormal .
 Muita gente fica complexada porque no consegue

 vrios orgasmos numa noite .
  tudo uma imposio " .

 A autora diz ser uma constatao precria dizer que ela escreve sobre mulheres .

 Mulheres no so seus personagens exclusivos .
 " Escrevo sobre o que me

 assombra " , observa .
 E nisso est a infncia .
 O importante  o compromisso com a

 dignidade .
 Toda a sua obra poderia ser resumida - - como afirma - - num livro de

 indagaes .

 Em 1982 publica " Reunio de Famlia " , e em 1984 outros dois livros : " O Quarto

 Fechado " e " Mulher no Palco " .
 " O Quarto Fechado " foi lanado nos E. U. A. sob o

 ttulo " The Island of the Dead " .

 Quem  Lya Luft ?
 Uma mulher gacha , brasileira , que faz cada vez mais , aos

 sessenta e um anos , o que desde os trs ou quatro desejava fazer : jogar com as

 palavras e com personagens , criar , inventar , cismar , tramar , sondar o

 insondvel .
 " Tento entender a vida , o mundo e o mistrio e para isso escrevo .

 No conseguirei jamais entender , mas tentar me d uma enorme alegria .
 Alm

 disso , sou uma mulher simples , em busca cada vez mais de mais simplicidade .
 Amo

 a vida , os amigos , os filhos , a arte , minha casa , o amanhecer .
 Sou uma amadora

 da vida .
 O que voc nunca vai esquecer ?
 Escutar o vento e a chuva nas rvores

 do imenso jardim que cercava a casa de meu pai , na minha infncia " .
 Puro

 maravilhamento .
 O que lhe causa repugnncia ?
 Preconceito , hipocrisia .
 Vale a

 pena escrever ?
 " No escrevo porque " valha a pena " , mas porque me faz feliz ,

 simplesmente " .
 O que falta  literatura brasileira ?
 " Nada , no falta nada .
 Ela

  o que  , simplesmente , cheia de graa , desgraa , florescente , mltipla ,

 lutando com a crise econmica que atinge tambm as editoras , mas , como no se

 escreve para ficar rico , tudo bem " .
 E Deus ?
 " Deus eu imagino como fora de

 vida : luminosa , positiva , imperscrutvel " .
 E o Brasil ?
 Brasil cujo jeito 

 parecer no ter jeito .
 " No quero jamais ter de morar longe dele .
 Aqui tudo 

 possvel .
 E tanto est ainda por fazer " .
 O que fazer para reverter esse quadro

 de misria ?
 " Que os responsveis por isso criem vergonha na cara " .
 Quem no

 merece respeito algum de ningum ?
 " Todos merecem algum respeito , no mnimo

 compaixo " .
 Voc costuma rezar ?
 " No tenho nenhuma religio instituda , mas

 tenho uma profunda viso " religiosa " , sagrada , da natureza , das pessoas , do

 outro " .
 Qual  seu momento ideal para escrever ?
 " O momento em que meu livro

 quer ser escrito .
 Mas normalmente produzo mais de manh bem cedo .
 Gosto de ver

 o dia nascer , aqui na minha mesa de trabalho e do meu computador " .
 Se confessa

 uma mulher tmida , embora no parea .

 Em 1987 lana " Exlio " ; em 1989 o livro de poemas " O Lado Fatal " e , em 1996 , o

 premiado " O Rio do Meio " ( ensaios ) , considerado a melhor obra de fico do ano .

 Lya Luft afirma que hoje prefere ficar quieta consigo mesma .
 J casou demais .

 J enviuvou demais .
 No se imagina mais vivendo ao lado de ningum .
 Mas no

 quer desprezar os encantamentos que surgem por seu caminho .
 Lya afirma ter sido

 um privilgio ter conhecido e vivido com dois homens que muito lhe ensinaram .

 Sua viso do masculino  muito positiva .
 Foram trs homens , na verdade , que a

 influenciaram e percorreram sua vida , erguendo seu rosto , seu percurso , abrindo

 seus rumos : seu pai , Arthur Germano Fett , que considerava um homem culto , amigo

 e tambm solitrio ; seu cmplice , Celso Pedro Luft , de quem herdou o sobrenome ;

 e Hlio Pellegrino .
 Trs homens inesquecveis .
 Que sempre vo permanecer nas

 palavras , nos pensamentos , nos acenos possveis .

 No faz tarde de autgrafos , sente-se desconfortvel com isso .
 No gosta de

 discutir teorias literrias , especialmente quando se referem  sua obra .
 Nunca

 pensou em tradio literria ou , especialmente , em tradio literria gacha .

 No quer fazer literatura regional .
 No quer ser representante de descendentes .

 No quer pertencer a grupo nenhum .
 Quer mesmo  ser livre .
 Quer ficar quieta no

 seu canto .
 No livro " Secreta Mirada " , lanado em 1997 , ela se deixou com ela

 mesma e discorreu sobre temas que nunca fala em discusses literrias , em

 entrevistas , depoimentos .

 " Sou dos escritores que no sabem dizer coisas inteligentes sobre seus

 personagens , suas tcnicas ou seus recursos .
 Naturalmente , tudo que fao hoje 

 fruto de minha experincia de ontem : na vida , na maneira de me vestir e me

 portar , no meu trabalho e na minha arte / No escrevo muito sobre a morte : na

 verdade ela  que escreve sobre ns - desde que nascemos vai elaborando o

 roteiro de nossa vida / O medo de perder o que se ama faz com que avaliemos

 melhor muitas coisas .
 Assim como a doena nos leva a apreciar o que antes

 achvamos banal e desimportante , diante de uma dor pessoal compreendemos o

 valor de afetos e interesses que at ento pareciam apenas naturais : ns os

 merecamos , s isso .
 Eram parte de ns. / O amor nos tira o sono , nos tira do

 srio , tira o tapete debaixo dos nossos ps , faz com que nos defrontemos com

 medos e fraquezas aparentemente superados , mas tambm com insuspeitada audcia

 e generosidade .
 E como habitualmente tem um fim - que  dor - complica a vida .

 Por outro lado ,  um maravilhoso ladro da nossa arrogncia. / Quem nos quiser

 amar agora ter de vir com calma , ter de vir com jeito .
 Somos um territrio

 mais difcil de invadir , porque levantamos muros , inseguros de nossas foras

 disfaramos a fragilidade com altas torres e ares imponentes. / A maturidade me

 permite olhar com menos iluses , aceitar com menos sofrimento , entender com

 mais tranqilidade , querer com mais doura. / s vezes  preciso recolher-se " .

 Em 1999 a escritora lana o livro " O Ponto Cego " .

 " A vida  maravilhosa , mesmo quando dolorida .
 Eu gostaria que na correria da

 poca atual a gente pudesse se permitir , criar , uma pequena ilha de

 contemplao , de autocontemplao , de onde se pudesse ver melhor todas as

 coisas : com mais generosidade , mais otimismo , mais respeito , mais silncio ,

 mais prazer .
 Mais senso da prpria dignidade , no importando idade , dinheiro ,

 cor , posio , crena .
 No importando nada " .

 Bibliografia :

 No Brasil :

 - Canes de Limiar , 1964

 - Flauta Doce , 1972

 - Matria do Cotidiano , 1978

 - As Parceiras , 1980

 - A Asa Esquerda do Anjo , 1981

 - Reunio de Famlia , 1982

 - O Quarto Fechado , 1984

 - Mulher no Palco , 1984

 - Exlio , 1987

 - O Lado Fatal , 1989

 - O Rio do Meio , 1996

 - Secreta Mirada , 1997

 - O Ponto Cego , 1999

 - Histrias do Tempo , 2000

 - Mar de dentro , 2000

 ( todos os livros foram publicados pelas Edies Siciliano e Mandarim , So Paulo

 ( SP )) .

 - Perdas e ganhos , 2003 - Editora Record

 No exterior :

 - The Island of the Dead ( O Quarto Fechado ) , E. U. A .

 Os dados acima foram obtidos em livros da autora , pginas da Internet e em

 artigo publicado por lvaro Alves de Faria , jornalista , poeta e escritor .

 Ir para o menu da autora

 [ LINK ] [ LINK ]

 [ Principal ] [ Releituras ] [ Biografias ]

  Projeto Releituras .
 Todos os direitos reservados .
 O Projeto Releituras - - um

 stio sem fins lucrativos - - tem como objetivo divulgar trabalhos de

 escritores nacionais e estrangeiros , buscando , sempre que possvel , seu lado

 humorstico , satrico ou irnico .
 Aguardamos dos amigos leitores crticas ,

 comentrios e sugestes .

 A todos , muito obrigado .
 Arnaldo Nogueira Jnior .
  @ njo

 [ INLINE ]

