 CHICO XAVIER - FRAGMENTOS DE UMA VIDA

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 Ao tentarmos realizar esta biografia , deparamo-nos com uma imensido

 de informaes .
 Como fazer para resumir e publicar tantos fatos em to

 pouco espao ?
 Chico Xavier , um homem simples e ao mesmo tempo

 admirvel !
 Um enigma !

 O que tentamos mostrar nas linhas que se seguem  apenas uma coletnea

 de fatos importantes e de provaes vividas por Francisco Cndido

 Xavier .
 Seria necessrio um espao bem maior do que este se

 quisssemos mostrar toda a vida e obra deste homem notvel .

 Muitos foram os que estudaram a vida e obra de Chico Xavier , porm

 todos os que se aventuram a isto se deparam com uma longa jornada sem

 final .
 Pois a cada dia , com cada pessoa que se fale , surgem novas

 informaes , no menos importantes ou interessantes do que as

 anteriores .

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 Francisco Cndido Xavier

 " Renascer ...
 eis a vida , o progresso incessante ,

 o eterno evoluir , eis a lei do Criador !

 Eis do mestre Jesus , como luz rutilante

 o ensino imortal no evangelho do amor .

 Renascer ...
 eis lei imutvel , constante ,

 pela qual nosso " eu " no cadinho da dor ,

 em sublime ascenso pela luz deslumbrante ,

 subir para Deus , nosso Pai e Senhor ...
 "

 Escrito em 1929 por Chico Xavier .

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 A TERRA NATAL E A FAMLIA

 Francisco Cndido Xavier , nasceu a 2 de abril de 1910 , no municpio

 mineiro de Pedro Leopoldo , uma cidade pequena , tranqila , de tradio

 bandeirantes , sem atraes , vida pacata e comrcio rudimentar , tendo

 apenas a agricultura como a base mais importante de subsistncia .
 A

 chegada da indstria pesada , do ao , fbricas de cimento e outras ,

 causou uma grande transformao no municpio , ocasionando inclusive o

 desenvolvimento e o aumento populacional .
 Em conseqncia , a vida

 pacata passou a no fazer mais parte do cenrio de Pedro Leopoldo ,

 onde hoje se conta com uma populao de aproximadamente quarenta mil

 habitantes .
 Pedro Leopoldo ficou conhecida nacionalmente a partir da

 dcada de 30 , quando chegaram s grandes cidades as primeiras notcias

 da fama de Chico Xavier .
 O pai Joo Cndido Xavier e a me Maria Joo

 de Deus , tiveram nove filhos : Maria Cndida , Luza , Carmozina , Jos

 Cndido , Maria de Lurdes , Francisco Cndido , Raymundo , Maria da

 Conceio e Geralda .

 Em 1915 , Dona Maria Joo de Deus , percebendo a gravidade de sua

 enfermidade e pressentindo o desencarne prximo , entregou seus filhos

 a pessoas amigas , para cuidarem de sua educao .
 Diante de tais

 circunstncias , Chico foi entregue a sua madrinha , Dona Rita de

 Cssia , mais conhecida como Ritinha .

 Percebendo a separao de sua famlia , o menino Chico , perguntou a sua

 me o porqu daquilo estar acontecendo , sem compreender a gravidade da

 situao e , muito inocentemente , chegou a pensar que a me no os

 amava mais .

 Dona Maria , conseguindo superar as emoes , lhe disse que se preparava

 para sair da casa em tratamento de sade e que voltaria em breve para

 cuidar de todos .
 Resignado com a situao , aceitou as palavras finais

 de sua me , que veio a desencarnar no dia seguinte , 29 de setembro .

 A VIDA COM DONA RITINHA

 Durante suas constantes crises nervosas , Dona Ritinha premiava Chico

 com surras que chegaram a acontecer at trs vezes ao dia .
 Sua vida

 to cheia de provaes , certamente poderia torn-lo um ser revoltado e

 marginal .
 Tal fato ocorreria realmente se sua riqueza espiritual de

 mdium no se manifestasse .

 Certa vez , Chico dirigiu-se  madrinha muito feliz , dizendo que havia

 conversado com a me desencarnada .
 Foi o suficiente para receber uma

 surra extra .
 Essa conversa com sua me foi a primeira experincia de

 Chico no campo da mediunidade .
 No entanto , ele continuava a ter vises

 e conversas com sua me , o que sempre narrava  madrinha .
 Dona Ritinha

 decidiu ento conversar a respeito com o proco do local , o qual

 recomendou ao Chico que rezasse mil Ave-Marias com uma pedra de 15 kg

 em cima da cabea durante a procisso .
 No bastasse isso , Chico foi

 atingido por algumas garfadas , o que algum tempo depois transformou-se

 numa hrnia estrangulada , que o acompanha at hoje .

 Em suas vises , a me o aconselhava a ter pacincia .
 Explicava-lhe que

 no podia lev-lo para junto de si e procurava ajud-lo a superar os

 maus tratos da madrinha .
 Outro fato lamentvel ocorreu quando Dona

 Ritinha soube que a nica maneira de curar a ferida infeccionada de

 seu outro filho adotivo , o sobrinho Moacir , era lamber-lhe a ferida

 durante trs semanas seguidas , em completo jejum .
 Incumbido desta

 tarefa , Chico foi desesperado at o quintal , onde evocou o socorro de

 sua me .
 Recebeu dela palavras que naquele momento lhe confortaram .
 E

 quando iniciou a penitncia , percebeu com surpresa que sua me

 colocava um pozinho sobre a ferida .
 E assim , pouco depois a perna de

 Moacir estava curada .

 Apesar de tantos maus tratos , at hoje nunca se ouviu uma s palavra

 de Chico Xavier queixando-se de sua madrinha .
 Ao contrrio , ele diz

 que o temperamento de sua madrinha Rita era benvolo .

 SEGUNDO CASAMENTO DO PAI

 A permanncia de Chico junto a Dona Ritinha durou dois anos .
 Em 1917

 seu pai casou-se em segundas npcias com Dona Cidlia Batista , de cuja

 unio a famlia Xavier se viu aumentada em seis filhos : Andr Lus ,

 Luclia , Neusa , Cidlia , Doralice e Joo Cndido .

 Dona Cidlia fez questo de reunir todos os filhos de Joo Cndido .

 Foi quando Chico mudou-se para junto deles .
 Foram dez anos de

 compreenso e muito carinho entre pai , me e quinze filhos !

 A PRIMEIRA MENO HONROSA

 Os espritos continuavam a enviar mensagens a Chico , mas ele receava

 ser rotulado de louco se comentasse com algum as conversas que

 mantinha com " almas do outro mundo " .

 Ele percebia os fenmenos mas ainda no sabia explic-los .
 Chegavam a

 manifestar-se at na sala de aula , durante os quatro nicos anos de

 instruo primria que recebeu .

 O prprio mdium conta que , em 1922 , no primeiro centenrio da

 independncia do Brasil , todos os alunos tiveram que apresentar uma

 dissertao sobre a data .
 Antes de comear a dissertao Chico viu um

 homem ao seu lado ditando o que deveria escrever .
 Assustado foi falar

 com a professora que o aconselhou a escrever o que ouvira ,

 tranqilizando-o : " Ningum lhe disse nada .
 O que voc ouviu veio de

 sua prpria cabea " .
 Com esse trabalho o garoto Chico recebeu a sua

 primeira Meno Honrosa .

 APROFUNDAMENTO NOS ESTUDOS DA DOUTRINA

 Naquela poca a maior dificuldade de Chico era conciliar a Doutrina

 Catlica , que lhe era imposta , com as primeiras manifestaes e

 conhecimento que obtinha do espiritismo .

 Comeou a ler sobre a doutrina esprita aos dezessete anos .
 Nesta

 poca veio a perder sua segunda me , Dona Cidlia , que desencarnou no

 dia 19 de abril de 1931 .
 Seu pai no mais voltou a se casar ,

 desencarnando no dia 6 de setembro de 1960 , na cidade de Pedro

 Leopoldo aos 92 anos de idade .

 Chico prossegue em seus estudos doutrinrios apesar de o padre

 Sebastio , que era o conselheiro da famlia e o mesmo que lhe receitou

 as mil Ave-Marias como penitncia para acabar com as " assombraes " ,

 deixar bem claro que a igreja Catlica no aprovava o Espiritismo .

 Decidido que estava , Chico aprofunda seus conhecimentos pesquisando

 Allan Kardec e se dedicando cada vez mais ao desenvolvimento

 medinico .

 FATO DECISIVO

 O fato que levou decisivamente Chico Xavier a se dedicar  tarefa

 medinica ocorreu no mesmo ano de 1927 .
 Uma de suas irms ficou em

 estado de profunda obsesso , atormentada durante dias por maus

 espritos .
 Chico procurou o amigo Jos Hermnio Percio , esprita

 convicto , que lhe ofereceu sua casa para um tratamento adequado .
 Jos

 e sua esposa Carmem , uma mdium experiente , conseguiram curar a irm

 de Chico atravs dos ensinamentos da doutrina esprita e do

 desenvolvimento de suas faculdades medinicas .
 Ainda na residncia do

 casal esprita , na Fazenda Maquin , situada no municpio de Curvelo , a

 100 km de Pedro Leopoldo , Chico e sua irm receberam mensagens

 tranqilizadoras da me .
 Assim , a irm voltou para a sua casa

 completamente curada e Chico sem qualquer dvida a respeito da

 verdadeira face do espiritismo .
 Desde ento ele organizou e passou a

 reunir um grupo de crentes para estudar e desenvolver a doutrina .
 Tal

 passagem  narrada no prefcio de Parnaso de Alm Tmulo , onde

 confessa : " ...
 foi nessas reunies que me desenvolvi como mdium

 escrevente , semimecnico , sentindo-me muito feliz , datando da o

 ingresso do meu nome nos jornais espritas onde comecei a escrever sob

 a inspirao dos bondosos mentores que nos assistiam " .

 EMMANUEL

 Emmanuel , o principal guia espiritual de Chico Xavier , acompanha o

 mdium desde que as primeiras manifestaes espirituais se fizeram

 perceber pelos amigos , parentes e pelo prprio Chico .
 Quatro anos

 antes de encontrar o mdium , Emmanuel j havia mantido contato com

 Dona Carmem Percio numa reunio esprita realizada em Maquin .

 Emmanuel identificou-se , na ocasio , como amigo espiritual de Chico ,

 relatando a Dona Carmem que esperava apenas o momento certo para

 comear a " grande tarefa dos livros psicografados " atravs dele .

 AS PROVAES DOS ESPRITOS

 Em 193l , comearam os primeiros contatos entre Emmanuel e Chico .
 Nessa

 poca Chico j sofria de uma doena complexa nas vistas : o

 deslocamento do cristalino , que , somado ao estrabismo da vista

 direita , incomodava-o dia e noite .
 Ele pediu ao mentor uma orientao

 sobre o tratamento que deveria seguir para amenizar o seu sofrimento .

 Talvez pensasse em obter uma cura imediata atravs dos poderes

 espirituais de Emmanuel , mas este lhe ensinou uma lio : no deveria

 esperar privilgios do mundo espiritual s porque havia sido escolhido

 para transmitir ensinamentos sublimes .
 Deveria tratar-se sim ,

 recorrendo  medicina humana , que segundo Emmanuel , " est no mundo em

 nome da Divina Providncia " .

 O desprezo de Chico pelos bens materiais e pelos cuidados com o corpo

 tambm no merece a aprovao de Emmanuel , para quem " o corpo 

 comparvel a uma enxada e o homem lembra o lavrador .
 Todo cuidado do

 lavrador  necessrio para conservar a enxada em condies de

 trabalhar com acerto e segurana " .
 As lies foram assimiladas em

 parte .
 Chico comeou a se cuidar , entretanto o seu intenso ritmo de

 vida no lhe permitia ter uma boa sade , pois trabalhava praticamente

 o dia todo e dormia apenas trs horas durante a noite .

 Em sua juventude seu corpo ainda resistia .
 Porm , com o passar dos

 anos , as defesas do organismo foram se esgotando e nem com a ajuda da

 medicina terrena Chico escapou da debilidade progressiva .
 Desde 1976

 sofreu crises de angina e dois enfartes .
 Aps a ultima crise de

 angina , em maro de l982 , precisou ser assistido permanentemente por

 um mdico , o clnico geral Eurpedes Vieira , e tomar medicamentos

 diariamente .

 O que a medicina dos homens no conseguiu curar foi o problema da

 viso .
 Mas uma vez Chico deu prova de que no se desviaria dos

 ensinamentos de Emmanuel ao recusar em 1969 uma oferta do mdium Z

 Arig que desejava operar espiritualmente os seus olhos .
 " A doena 

 uma provao do esprito que devo suportar " , respondeu Chico .

 TRABALHO MATERIAL

 Desde os 8 anos Chico trabalhava para ajudar no sustento da famlia e

 poucas foram as horas vagas para devotar-se ao Espiritismo .
 Foi

 operrio em uma fbrica de tecidos , trabalhou como servente de fiao ,

 servente de cozinha no bar de Claudovino Rocha , caixeiro no armazm de

 Felizardo Sobrinho e , finalmente , inspetor agrcola .
 O emprego de

 servente de cozinha fez nascer em Chico o hbito de preparar suas

 prprias refeies .

 A CONFUSO DO NOME

 Chico Xavier , ao ingressar para o servio pblico como inspetor

 agrcola , precisou providenciar seus documentos pessoais .
 Junto com

 seu pai dirigiu-se ao cartrio da cidade a fim de obter a sua certido

 de nascimento .
 Qual no foi a surpresa de ambos , quando o funcionrio

 do cartrio no conseguiu encontrar ali o seu registro .
 Aps vrias

 horas de busca deparam-se com outras surpresas : o filho do Sr Joo

 Cndido Xavier ali registrado era Francisco de Paula Cndido , nascido

 a 2 de abril de 1910 , quando o correto seria : Francisco Cndido

 Xavier , nascido em 2 de abril de 1910 .
 Como no havia tempo para

 modificao naquele momento , seu nome assim permaneceu at 1965 .
 Coube

 ao Meritssimo Juiz de Direito da 2 Vara de Uberaba , Dr Fbio

 Teixeira Rodrigues Chaves , retificar por sentena o seu nome , passando

 ento a usar aquele que o tornara conhecido atravs das suas

 atividades medinicas .

 Portanto , para sanar qualquer dvida , funcionrio publico , hoje

 aposentado do Ministrio da Agricultura ,  o Sr Francisco de Paula

 Cndido .
 Francisco Cndido Xavier nunca existiu no quadro de

 funcionrios desse Ministrio , pelo menos at 1965 .

 Refletindo sobre tal confuso , aps algum tempo , o pai de Chico

 lembrou-se de que havia solicitado a um amigo para que fosse em seu

 lugar efetuar o registro de seu filho .
 Esse amigo , ao chegar ao

 cartrio lembrou-se de que o dia 2 de abril era , segundo o calendrio

 catlico , consagrado a So Francisco de Paula .
 Foi ento que decidiu

 registrar o menino como Francisco de Paula , completando com o primeiro

 sobrenome , Cndido , ao invs de Xavier .

 OS TRS PERODOS DE VIDA MEDINICA

 Mesmo sem tempo , Chico conseguiu desenvolver-se mediunicamente com a

 colaborao do casal Percio .
 Em 1934 , quando o casal transferiu-se

 para Belo Horizonte , a presidncia do centro esprita de Pedro

 Leopoldo foi entregue a Jos Cndido Xavier , irmo de Chico .
 " Tive

 trs perodos distintos em minha vida medinica " , relata Chico Xavier ,

 no incio de Parnaso .
 " O primeiro , de completa incompreenso para mim ,

  aquele dos 5 anos de idade , quando via minha me proteger-me , at

 aos dezessete anos , quando a doutrina esprita penetrou em nossa casa .

 O segundo , de 1928 a 1931 , no qual psicografei centenas de mensagens

 que os benfeitores espirituais , mais tarde , determinariam que fossem

 inutilizadas , porque em suas opinies essas mensagens eram apenas

 esboos e exerccios .
 O terceiro perodo comeou com a presena do

 nosso abnegado Emmanuel , que , em 1931 , assumiu o encargo de orientar

 todas as atividades medinicas at agora " .

 A VIDA PREGRESSA DE EMMANUEL

 Aps inmeros contatos com Emmanuel , Chico conseguiu saber algo sobre

 a vida pregressa do esprito benfeitor : ele esteve na pele de um

 senador Romano da Judia , Publius Lentulus , casado com Lvia , com quem

 teve um filha de nome Flvia .
 Sua vida era cercada de luxo e

 ostentao , totalmente devotada ao imperador Csar , enquanto que Lvia

 dedicou sua vida a Deus .
 Presenciou da arquibancada de honra do Circo

 Mximo , a execuo da mulher que amava e que se convertera ao

 cristianismo , sem manifestar qualquer reao que impedisse a

 ocorrncia funesta .

 Desencarnou tragicamente , no ano de 79 , em Pompia , quando da erupo

 do Vesvio .
 Anos mais tarde , reencarnou como Nestrio , negro de grande

 cultura .
 Foi feito escravo pelos romanos e comprado por uma famlia

 nobre de Roma que o aproveitou como professor .
 Cristo desde a

 juventude , foi um dos assistentes das pregaes evanglicas do

 apstolo Joo Evangelista em Efeso .
 Freqentava as reunies nas

 catacumbas e , certa noite , na ausncia do pregador Policarpo ,

 substitui-o encaminhando a palestra .
 Aps belssimos ensinamentos , ele

 e todos os que o ouviram , foram presos e condenados a morrer a

 flechadas e a serem devorados pelas feras no Circo Mximo .

 A mais recente reencarnao de Emmanuel teria sido como o Padre Manuel

 da Nbrega , primeiro apstolo do Brasil .
 Nasceu em Sanfins , Portugal ,

 em 18 de outubro de 1517 e desencarnou no Rio de Janeiro , no Colgio

 dos Jesutas , por ele mesmo construdo , no ano de 1570 , no mesmo dia e

 ms de seu nascimento , contando com 53 anos de idade sendo a

 tuberculose a causa de sua morte .

 Mesmo sentindo que Chico estava preparado para receber mensagens

 psicografadas , Emmanuel imps uma condio bsica para trabalhar ao

 seu lado : que o mdium seguisse , acima de tudo , os ensinamentos de

 Hippolyte Lon Denizard Rivail , cognominado Allan kardec ( 03/10/1804 -

 31/03/1869 ) .

 A orientao  seguida  risca at hoje .
 Chico se limita a aprender e

 a transmitir os ensinamentos codificados por Kardec .
 A humildade 

 sempre presente nas atitudes de Chico , que revela averso  idolatria

 e  tentativa de alguns que desejam mitifica-lo .

 A VIAGEM A BELO HORIZONTE

 Em janeiro de 1933 , Chico trabalhava no armazm de Jos Felizardo

 Sobrinho como balconista , recebendo quarenta cruzeiros mensais .
 O

 amigo Jos lvaro , poeta e escritor , props-se a lev-lo para a

 capital mineira em busca de um melhor salrio .
 Joo Cndido seu pai ,

 ficou entusiasmado e incentivou o filho a aceitar a proposta .
 Chico ,

 defrontando-se com o dilema , consultou Emmanuel que lhe disse achar

 inoportuna a viagem , mas aconselhou-o a no desobedecer ao pai .
 Assim ,

 ele resolveu viajar aps conseguir uma licena no armazm .

 Diante de um novo mundo em Belo Horizonte , onde participava de

 convenes literrias e recebia visitas de todos os tipos , Chico teve

 seu primeiro contato com a fama , pois todos queriam conhecer o autor

 do Parnaso .
 Durante trs meses , ele permaneceu em Belo Horizonte , mas

 as agitaes e os elogios no foram suficientes para faz-lo perder a

 humildade .
 Regressou a Pedro Leopoldo retomando suas atividades no

 armazm do senhor Felizardo .

 AS SESSES ABERTAS AO PBLICO

 Dois anos mais tarde , Chico tornou-se alvo de uma longa reportagem do

 jornal O Globo .
 Essas reportagens colaboraram para que a fama de Chico

 Xavier ultrapassasse os limites de Minas Gerais .
 A partir da uma

 verdadeira romaria invadiu Pedro Leopoldo para conferir as habilidades

 de Chico Xavier .
 Chico no se sentia  vontade com a notoriedade e ,

 mais de uma vez , manifestou seu temor de que a fama excessiva pudesse

 prejudicar sua misso .
 Tal fato no ocorreu e o que ele no poderia

 imaginar era que anos depois seria conhecido e amado nos quatro cantos

 do pas .

 Nessa poca o mdium estava preocupado que as sesses abertas ao

 pblico , que era um trabalho srio que ele vinha realizando , se

 transformasse num simples show .
 Os textos eram psicografados por Chico

 Xavier em vrios idiomas : ingls , alemo e at em snscrito .
 Tal

 fenmeno era o que mais impressionava a leigos e estudiosos .

 Emmanuel esperou por um perodo de dois anos e solicitou a Chico que

 as reunies desse tipo fossem encerradas .
 Para o mentor o trabalho do

 mdium vinha-se cercando de uma curiosidade improdutiva e isto

 certamente iria ameaar a tarefa mais importante que seria a da

 divulgao de ensinamentos atravs de livros psicografados .
 Emmanuel

 sabia o que estava fazendo .
 Tanto  que a dcada de 30 foi a mais rica

 em termos de mensagens esclarecedoras .
 O mentor transmitiu toda a sua

 sabedoria em textos que tratavam dos mais variados temas , como

 Sociologia , Economia , Poltica , etc .

 DESENCARNE DO IRMO

 Com o desencarne de seu irmo e companheiro de luta , Jos Cndido

 Xavier , em fevereiro de 1939 , Chico Xavier passa por mais um momento

 doloroso em sua vida .
 Acumulou ento a tutela dos sobrinhos e da viva

 Geni , companheira nas atividades espirituais , porm muito doente .

 Chico desdobra-se entre o trabalho no armazm durante o dia todo e 

 noite participando das sesses espritas .

 Nesta poca ocorre mais um fato curioso : seu irmo deixara uma grande

 dvida referente  conta de luz .
 Com o que Chico ganhava era

 impossvel liquidar tal dbito .
 Um dia , sentado  porta de sua casa ,

 recebeu a visita de um estranho que lhe diz ter vindo saldar uma

 dvida contrada h tempos atrs .
 Chico recebe o envelope , agradece ao

 estranho e , quando este se vai , abre o envelope e encontra ali a

 quantia exata para quitar a dvida deixada por seu irmo .

 ANDR LUIZ

 Emmanuel  o principal mentor de Chico Xavier mas no o nico a lhe

 ditar mensagens profundas e cheias de ensinamentos .
 Outro esprito de

 luz a comunicar-se atravs da psicografia de Chico Xavier  um

 cientista brasileiro que at hoje mantm sua verdadeira identidade

 incgnita .
 Comunicou-se com ele pela primeira vez em 1943 e o mdium

 quis saber de quem se tratava .
 No entanto , a entidade , apontando para

 o irmo de Chico que dormia no quarto ao lado , pergunta pelo seu nome .

 Chico respondeu : " Andr Luiz " .
 Ento , disse o esprito : " De agora em

 diante este ser o meu nome " .
 Muitos acreditam que Andr Luiz foi

 Osvaldo Cruz , o pioneiro da medicina tropical no Brasil ou Carlos

 Chagas .
 Andr Luiz descreveu em suas obras experincias fascinantes

 sobre a vida aps a morte .

 A TRANSFERNCIA PARA UBERABA

 Em 1958 , j com 48 anos de idade , Chico Xavier sofreu uma crise de

 hrnia estrangulada e foi internado no hospital So Jos Batista , em

 Pedro Leopoldo .
 A conselho do mdico , Chico foi transferido para

 Uberaba no incio do ano seguinte .
 Melhorou da hrnia e tambm de uma

 labirintite que o fez diminuir por algum tempo sua produo medinica .

 Tanto Pedro Leopoldo como Uberaba esto no corao de Chico em igual

 plano .
 Ele define seu amor pelas duas cidades dizendo : " Pedro Leopoldo

  meu bero e Uberaba  minha bno " .

 OS FENMENOS DE EFEITOS FSICOS

 Chico Xavier no apenas psicografava como tambm realizava fenmenos

 de efeitos fsicos .
 Certa vez perfumou a gua que os assistentes

 traziam .
 De outra vez , o ar .
 Contam algumas testemunhas que Chico ,

 certa ocasio foi rezar ao lado da cama de uma mulher muito doente e

 sem esperanas de vida .
 Enquanto o mdium rezava , ptalas de rosas

 comearam a cair do teto sobre a doente .
 A mulher veio a desencarnar

 sem sofrimento , durante aquela madrugada .
 Aps algum tempo desse

 acontecimento , Emmanuel intercedeu junto a Chico Xavier recomendando a

 suspenso dos trabalhos de efeitos fsicos .

  medida que sua fama se propagava , cresciam tambm estrias dos

 poderes do mdium , levando-o por diversas vezes a ter que esclarecer o

 pblico sobre a inveracidade de ser capaz de fazer um cego enxergar ou

 um paraltico andar .

 A ASSISTNCIA SOCIAL

 Aposentado pelo Ministrio da Agricultura , Chico intensificou seu

 trabalho de assistncia social , juntamente com a comunidade esprita

 de Uberaba , tentando colocar em prtica as orientaes de Andr Luiz ,

 que na primeira edio de seu livro Nosso Lar , redimensiona a soluo

 para os problemas sociais e mostra a diferena entre os servios

 social , profissional e a assistncia emprica paternalista .

 A MISSO INTERNACIONAL

 Em sua primeira misso internacional , Chico viaja para os Estados

 Unidos para auxiliar os espritas brasileiros l residentes .
 Esta

 visita foi programada e orientada por Emmanuel e Andr Luiz , surtindo

 como resultado a fundao " Christian Spirit Center " que tinha por

 objetivo difundir l a doutrina esprita como  praticada no Brasil .

 Livros sobre o tema foram traduzidos para o ingls e at mesmo uma

 reportagem foi publicada sobre Chico Xavier na revista Cosmic Star ,

 editada na Califrnia .
 A revista fez uma matria a respeito de suas

 atividades e de sua comunidade em Uberaba .

 Nesta mesma poca Chico viaja para a Europa , onde encontra o estudo do

 espiritismo e a prtica medinica desenvolvidos principalmente na

 Inglaterra .
 Ali ele afirma : " ...
 os fenmenos medinicos so vivos em

 toda parte , mas na Inglaterra eles desfrutam de imenso respeito com as

 notveis atividades que lhe so conseqentes. "

 A partir da dcada de 60 a fama de Chico Xavier ultrapassa as

 fronteiras do pas , transformando-o no mais famoso mdium vivo no

 Brasil .

 PRMIO NOBEL

 Seu valor no ficou provado apenas pelos mais de cem ttulos de

 cidadania que recebeu no Brasil .
 A comisso que organizou sua

 candidatura ao Nobel referiu-se ao trabalho do mdium em prol da

 assistncia social .
  bem verdade que este reconhecimento no 

 unnime , pois o velho presidente da Academia de letras , Austregsilo

 de Athayde , declarou solenemente : " Aqui na Academia no conheo

 ningum que se interesse por livros dele. "

 A indiferena da Academia no interfere no prestgio que Chico

 acumulou em mais de 60 anos de trabalho honesto e humilde .
 Prova disso

 foi a grande campanha realizada para que recebesse o prmio Nobel da

 Paz em 1981 , onde cerca de dez milhes de brasileiros endossaram a

 campanha , assinando manifestos e cartas .

 AS SENSAES

 Sua fama e tambm sua debilidade fsica , obrigaram-no ao isolamento

 forado , mas nunca se negou a receber algum ou conversar sobre

 qualquer assunto .
 Na poca da srie de reportagens do jornal O Globo ,

 ele descreveu como se sentia no momento em que psicografava ou

 incorporava espritos .
 O depoimento  vlido at hoje tanto para os

 estudiosos quanto para os leigos .
 Chico contou que a msica produz em

 sua mente " uma excitao muito especial " , que pode lev-lo ao transe .

 " Outras vezes " , ele diz , " escrevo num estado semiconsciente , sonhando

 acordado " .
 Mas , o que ele sente no momento em que comea a psicografar

 as mensagens ?
 " Fao tudo mecanicamente " , responde .
 " Um torpor pesado e

 prolongado me invade .
 O torpor  profundo , mas  preciso que haja

 silncio absoluto .
 Um chamado brusco , por exemplo , me perturba , me

 sobressalta , causa-me at um mal psquico "

 A HUMILDADE

 Apesar de tantos livros editados e vendidos ( mais de 406 ttulos ) , ele

 recebe por ms apenas uma aposentadoria como ex-funcionrio do

 Ministrio da Agricultura .
 O dinheiro oriundo das vendas dos livros 

 doado s obras de caridade .

 Hoje , apesar de sua idade e de todos os fatos que lhe ocorreram , Chico

 Xavier prossegue fiel em sua misso de revelar  humanidade a doutrina

 e os ensinamentos do Espiritismo .
 Jamais acusou algum de ser mais ou

 menos bom para consigo , aceitando o ser humano como  , em nada o

 reprovando .

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