Hidroplanagem no Salgado Filho

Condies adversas exigem ateno Redobrada nas aterrissagens


A aeronave Boeing 737-400, cumprindo vo regular de transporte de passageiros, realizava o trecho Guarulhos / Porto Alegre.
Ao efetuar o pouso no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, com visibilidade restrita devido a nuvens e chuva moderada, sob ventos fortes com rajadas, a aeronave ultrapassou os limites finais da pista, vindo a projetar-se em uma vala situada aps a cabeceira oposta.
A aeronave sofreu danos substanciais. Durante a evacuao trs passageiros sofreram leses leves e todos os tripulantes saram ilesos.
Essa ocorrncia foi classificada como um Incidente Grave, um conceito relativamente novo nas investigaes conduzidas pelo SIPAER, que leva em considerao no ter havido vtimas fatais nem danos que comprometessem definitivamente a estrutura da aeronave. A conduo do processo de investigao segue, entretanto, os mesmos passos dos relativos aos acidentes, com o mesmo vigor no gerenciamento dos dados colhidos, anlise, concluso e recomendaes emitidas.

ANLISE E CONCLUSO

 A aeronave foi adequadamente abastecida. Os passageiros e a carga foram embarcados de acordo com os requisitos de peso e balanceamento da operadora.
 O vo foi despachado adequadamente, de acordo com os procedimentos da Companhia operadora.
 Havia um piloto ocupando o "jump seat", realizando vo de avaliao para a Companhia, no qualificado tecnicamente na aeronave e no credenciado para tal pelo DAC, em desacordo com o RBHA 121.
 A tripulao cumpriu corretamente todos os itens do "check-list" e da Doutrina Operacional da Companhia, segundo o observado nas gravaes do "Cockpit Voice Recorder" (CVR).
 A aeronave realizava um procedimento de no-preciso.
 No foram identificadas evidncias de mau funcionamento dos sistemas de frenagem da aeronave ("anti-skid", "auto-brake" e reverso dos motores).
 Os pneus internos de ambos os trens de pouso principais apresentaram marcas de hidroplanagem, segundo os testes realizados pelo fabricante dos pneus.
 O vento predominante no momento do toque (cauda) no era conhecido dos tripulantes devido  estao meteorolgica de superfcie da cabeceira 29 estar desativada e o vento fornecido ser medido no prdio da TWR-PA.
 A aeronave percorreu uma distncia de aproximadamente 1.400 metros do toque at sua parada final. A razo de toque no pouso foi calculada em -156 ps por minuto. A distncia percorrida sobre a pista, antes do toque, foi calculada em aproximadamente 1.000 metros.
 Os clculos de distncia de parada em pista seca ficaram invalidados em vista da componente de vento de cauda, pista molhada e hidroplanagem.
 A aeronave efetuou um pouso com baixa razo de descida (que conduz a um pouso mais longo), com um vento que variava muito rapidamente de direo, sofrendo, durante a corrida no solo, uma componente muito forte de vento de cauda (que dificulta a diminuio de velocidade), de inicialmente 17 ns e, aps 23, 27 e, finalmente 47 ns de cauda, no momento da sada da pista, quando ultrapassou a cabeceira 11, ao final de sua corrida. A cabeceira 11, apesar de estar em condies aceitveis operacionalmente, encontrava-se com alto grau de emborrachamento, o que pode ter contribudo para uma hidroplanagem naquele setor final da pista 29, crtico para a parada total da aeronave.

FATORES CONTRIBUINTES
FATOR HUMANO:
1. ASPECTO PSICOLGICO - indeterminado.
FATOR MATERIAL: No contribuiu.
FATOR OPERACIONAL:
1. CONDIES METEOROLGICAS ADVERSAS - contribuiu.
2. DEFICIENTE INFRA-ESTRUTURA - contribuiu.
3. DEFICIENTE SUPERVISO - contribuiu.

RECOMENDAES DE SEGURANA
Aos operadores de grandes avies:
1. Cumprir fielmente o previsto na NSMA 58-121 (RBHA 121) subparte N (Programas de Treinamento), que estabelece critrios e condies para o acompanhamento dos vos de avaliao para comando / promoo de tripulantes.
Aos Controles de Trfego Areo / Administraes Aeroporturias:
1. Considerando que eventualmente as condies meteorolgicas informadas s aeronaves em operao no aerdromo esto sendo obtidas de medidores situados em local afastado dos pontos de decolagem e pouso, deve-se procurar utilizar sensores meteorolgicos situados na superfcie prximos s zonas de toque e, na ausncia dessas informaes, emitir alerta aos aeronavegantes;
2. Adotar mecanismos de divulgao aos aeronavegantes sempre que forem constatados ndices inadequados de emborrachamento de pista,
3. Quando o aerdromo operar com trfego intenso de aeronaves de grande porte, considerar a necessidade de dotar a superfcie da pista de pouso de caractersticas antiderrapante especiais ("grooving" ou camada porosa de atrito), visando minimizar o efeito das condies meteorolgicas reinantes em determinadas pocas do ano.
Aos Pilotos
1. Todas as vezes que forem encontradas condies de operao em desacordo com o previsto, devero preencher comunicado da situao  DEPV, nas Salas de Trfego, em livro apropriado; e  DIPAA, ao CENIPA e  Companhia, via Relatrio de Perigo ou Relatrio Confidencial de Segurana de Vo (RCSV
