A aviao de helicpteros sob a tica da segurana de vo

Como  do conhecimento de todos, a aviao de helicptero  aquela que mais tem crescido, proporcionalmente, no Brasil, na ltima dcada.

As caractersticas dessa operao a situam na margem limtrofe da segurana, devido aos cuidados que requer o seu vo, em virtude de suas caractersticas especficas: proximidade do terreno e dos seus obstculos naturais e artificiais; exposio a mudanas abruptas da meteorologia prxima ao solo; diversidade de operaes em ambientes diversos, aos quais a mquina responde diferentemente; preparo deficiente dos pilotos para a realizao de algumas delas; uso de aeronaves da categoria privada (TPP) em servios de outra categoria, como transporte remunerado de passageiros (TPX); vos de instruo camuflados como panormicos; patres sem Certificados de Habilidade Tcnica nos comandos.

Esses so alguns exemplos de fatores contribuintes encontrados em ocorrncias recentes e que levam ao alto ndice de acidentes verificados nos ltimos anos.

Vejamos, por exemplo, a relao da frota brasileira atual, ativa, com a de helicpteros.

Tabulando os dados a partir de 1997 at 2000, verificamos que a frota de aeronaves cresce de 9.786 avies versus 628 helicpteros em 1997 para 10.371 avies versus 842 helicpteros registrados em 2000; crescendo o porcentual de helicpteros de 6,4% em 1997 para 8,1% em 2000. Ora, o grande nmero de helicpteros, 720 unidades aproximadamente, est concentrado no eixo Rio - So Paulo, com predominncia para So Paulo.

O motivo dessa concentrao deve-se ao fato do centro de negcios do pas situar-se nessa rea e o helicptero facilitar bastante o deslocamento de empresrios, aumentando a segurana, diminuindo o tempo de deslocamento, abreviando trajetos e reduzindo custos.

Temos helicpteros realizando vos de pulverizao agrcola, de combate a incndios, de inspeo de linhas de eletricidade, todas essas operaes de alto risco e que necessitam bastante preparo anterior (vo de reconhecimento do local, meteorologia, cuidados especiais). Muitas vezes, e nas investigaes isso  verificado, os pilotos no possuam experincia e vivncia no tipo de tarefa a que foram destinados ou resolveram executar.

O nmero de acidentes, comparando-se o total ano a ano, ainda  mais significativo. De 1997 a 2000, os helicpteros contriburam com a mdia de 21% do total de acidentes e um total de 45 fatalidades, 15,7% do geral. Indo mais a fundo, verificamos como fatores contribuintes, no Fator Operacional (mais de 80% das ocorrncias), o descumprimento de regras de vo visual (pilotos tentando o vo IFR sem estarem habilitados); o pouco preparo para as misses especficas (vo visual noturno, vo de inspeo de redes eltricas, vo em aeronaves no qualificadas tecnicamente para a misso - TPP realizando TPX, instruo camuflada em vo panormico, no cumprimento ou leitura de "check-list"); condies meteorolgicas adversas; proprietrios fazendo uso dos comandos sem possurem curso ou habilitao. No aspecto psicolgico, o que  mais observado  a presso a que  submetido o piloto para descumprir regras, realizando o vo a qualquer custo, ignorando as normas especficas e seguindo as ordens do empregador.

No Fator Material, no h muito que registrar, pois est presente apenas em 5% dos acidentes. Porm, nos casos em que problemas de projeto eventualmente levaram determinado tipo de helicptero a envolver-se em acidentes ou incidentes, esses equipamentos, aps adoo de medidas corretivas, permanecem em observao pelo Sistema de Aviao Civil.

 interessando notar que a Bacia de Campos, local de grande concentrao e trfego de helicpteros pesados, no temos ocorrncias graves de 1996. Qual o segredo? Extremo profissionalismo de operadores e empregadores, muito boa preveno. Esperamos que o trabalho de conscientizao do SIPAER e associao melhore os ndices.

Fonte: Informativo DIPAA
