 AVIAO COMERCIAL
O responsvel? (1990)

Das 72 pessoas que acreditaram no profissionalismo dos pilotos, na seriedade da companhia "Air Florida", na superviso do rgo responsvel pela aviao civil nos E.U.A. (Federal Aviation Administration) e na tecnologia da Boeing, apenas 6 sobreviveram.
Joe Stiley, um aviador experiente que viajava de passageiro neste vo, estava apreensivo perante a maneira como a tripulao tcnica lidava com os problemas causados pela forte neve que caa na cidade de Washington. Afinal, entre a ltima vez que o avio fora "lavado" com fludo antigelo e o incio do txi, passaram-se mais de cinqenta minutos, sendo que sua eficincia  de no mximo trinta minutos. Alm disso, atravs de sua janela, Joe observou que vrias outras normas essenciais  operao de uma aeronave em condies to adversas (como, por exemplo, no usar os reversores durante o txi, uma vez que poderia jogar neve nos flapes e no prprio motor), no estavam sendo observadas. Pior ainda, quando o avio iniciou sua corrida de decolagem, ele no se sentiu comprimido contra o assento e nem ouviu, como de costume, o forte rudo criado pelas turbinas. Observou, tambm, que o avio corria pela pista muito mais que o normal, e, quando comeou a balanar de um lado para outro logo aps ter sado do cho, teve a certeza de que iria morrer. Logo em seguida o Boeing caiu no congelado rio Potomac e Joe, afortunadamente, foi um dos sobreviventes.
A investigao efetuada pelo rgo responsvel, o "National Transportation Safety Board", confirmou o que Joe observara, e, mais ainda, descobriu vrias outras aberraes cometidas pelo Cmte. Larry Wheaton e seu Cop. Roger Pettit. Por que dois profissionais agiram de maneira to antiprofissional, era uma das vrias perguntas que os investigadores faziam a si mesmos.
Sem dvida, estes dois pilotos cometeram uma srie de erros gravssimos, resultado de uma atitude desleixada e negligente. Mas, ser que eles agiram assim somente neste vo? A ficha disciplinar de Wheaton no era das melhores, e, alm disso, ele havia sido reprovado duas vezes seguidas no simulador de vo. Entretanto, pressionado pelo departamento responsvel pela Escala de Vos, o chefe do Departamento de Ensino acabou por colocar um instrutor indulgente para efetuar um terceiro vo de cheque com Wheaton, com o intuito de liber-lo o mais rpido possvel para vo. No que um instrutor deva ser um carrasco, mas deve ter conscincia de sua responsabilidade de ensinar, e, tambm, de reprovar quando necessrio. Alis, sempre que uma emergncia qualquer resulta em acidente, as investigaes inevitavelmente encontram como fator contribuinte uma deficincia no treinamento dos pilotos, o que torna instrutores, checadores, e at mesmos diretores, co-responsveis por sua ocorrncia. A instruo de vo  uma coisa sria e como tal precisa ser tratada.
Pettit, apesar de tido como bom profissional, tambm contribuiu para a ocorrncia do acidente ao no prestar a devida ateno aos procedimentos operacionais da aeronave, alm de adotar uma tcnica no prevista pelo fabricante (retirar a roda dianteira do cho bem antes de atingir a velocidade adequada, no intuito de aceler-la mais facilmente sobre a pista coberta de neve) que, junto  falta de empuxo mximo dos motores (resultado da no utilizao de seu sistema antigelo), prejudicou a corrida de decolagem e a subseqente subida inicial.
Segundo o NTSB, esse procedimento foi uma clara conseqncia da resistncia da diretoria da "Air Florida" em investir no treinamento de seus tripulantes, quando esta  uma prioridade mxima em qualquer companhia considerada sria. Assim, cada piloto tinha sua prpria "tcnica operacional", causando uma enorme despadronizao entre eles. O erro mais grave de Pettit, no entanto, foi o de no ser mais veemente ao expressar suas dvidas durante a corrida de decolagem, j que, por vrias vezes, fez comentrios indiretos sobre as indicaes dos motores que lhe pareciam errneas. Esqueceu-se de que, independentemente de sua posio hierrquica, era um piloto profissional, e, por isso, to responsvel pela vida das pessoas  bordo quanto seu comandante.
Mas a cadeia de eventos que contriburam para o acidente no acabou a. O Aeroporto de Washington, apesar de seu intenso trfego areo, possua (e talvez ainda possua), apenas uma pista para pousos e decolagens, o que obrigava as aeronaves a ficarem vrios minutos na pista de txi esperando suas autorizaes para decolar. Tambm, a rea livre ao lado da pista era limitada, o que obrigava as aeronaves a serem descongeladas no prprio estacionamento. Estas duas limitaes faziam com que os avies ficassem vrios minutos expostos  neve, diminuindo consideravelmente a eficincia do processo de descongelamento.  esta fome, como diz o ditado popular, juntou-se a vontade de comer, pois, para complicar ainda mais, a equipe de mecnicos responsvel pelo trabalho de descongelamento da aeronave, usou a mistura errada de gua e glicol no processo, que, ao entrar em contato com as frias superfcies do avio, acabou por congelar.
No bastassem todos estes problemas, o avio era um Boeing 737, com o qual j haviam ocorridos 22 incidentes envolvendo dificuldade de controle derivada da "quebra" do fluxo de ar sobre suas asas, provocada por pequenas camadas de gelo nelas depositadas. Com mais de meia hora de neve caindo sobre si, o 737 tornou-se incontrolvel.
Apesar desse incrvel nmero de erros grosseiros cometidos pelos pilotos e mecnicos, da irresponsabilidade de alguns diretores e instrutores da "Air Florida", dos problemas inerentes  m distribuio de aeroportos naquela regio, e, finalmente, do desprezo pela Boeing pelos 22 "avisos" precedentes a esta tragdia, ela poderia ter sido evitada se a seriedade e competncia de algum tivessem impedido a ocorrncia de pelo menos um desses fatores contribuintes.
Se... 
