O EMB-202 Ipanema  um monoposto e monoplano de asa baixa. Sua fuselagem  toda constituda com tubos metlicos de ao especial, que absorve impactos em caso de coliso. Os painis externos so de fcil remoo para a limpeza. O EMB-202 Ipanema possui, ainda, ar-condicionado e indicao visual da quantidade de produtos no hopper.  impulsionado por um conjunto motopropulsor formado pelo motor Lycoming IO-540-K1J5D, de 300 HP a 2700 RPM e hlice tripa Hartzell de velocidade constante. O monomotor  indicado para uso na agricultura e possui tanque para produtos qumicos como fertilizantes e adubo. O primeiro teste com a verso  lcool do avio foi realizada em outubro de 2002 em Botucatu (SP). A aeronave usa o mesmo lcool dos carros e pode reduzir em mais de dois teros o gasto com combustvel.

Em Botucatu, na sede da Neiva, com apoio de tcnicos da empresa americana, o motor Lycoming, de 300 hp, importado dos Estados Unidos, sofre pequenas alteraes no sistema injetor e  transformado para receber lcool combustvel, ou seja, etanol 96. De acordo com Fabiano, o consumo tem um aumento entre 15a 18 Porm, isso no impede que o projeto seja econmico.

O projeto  um sonho antigo, nascido nos anos 80 nas dependncias do Centro Tcnico Aeroespacial (CTA), em So Jos dos Campos (SP), no auge do programa Prolcool. Com o fim do programa, o projeto foi abandonado. "Agora, com o mercado do petrleo em alta e os constantes aumentos do preo da gasolina, ns resolvemos retomar esse projeto to importante para o setor e para o pas", afirma Fabiano Zacarelli Cunha, gerente comercial da Neiva. Nos Estados Unidos, entretanto, esta tecnologia no  nenhuma novidade. A diferena entre o avio movido a lcool norte-americano e o prottipo brasileiro  que o primeiro utiliza lcool anidro e o segundo lcool hidratado - o mesmo utilizado nos automveis.

Este projeto original tinha como objetivo desenvolver tecnologia para converso de motores aeronuticos a pisto para o uso do etanol (lcool etlico hidratado), oferecendo alternativa  gasolina de aviao (custo e disponibilidade), no intuito de reduzir o custo operacional da hora de vo. Ele foi iniciado em 1980 e paralisado em 1989. O projeto realizou o primeiro vo em dezembro de 1985 de uma aeronave T-25 Universal da FAB, a fim de demonstrar  sociedade a viabilidade tcnica da converso. O Projeto foi interrompido por razes econmicas, sendo algumas delas a reduo do preo do petrleo e freqentes crises no abastecimento de lcool, ocorridas nos anos 88 e 89.

Inicialmente instalada no Aeroporto de Manguinhos, cidade do Rio de Janeiro, a Indstria Aeronutica Neiva foi fundada em 12 de outubro de 1954. Inicialmente instalada no Aeroporto de Manguinhos, cidade do Rio de Janeiro, a Indstria Aeronutica Neiva foi fundada em 12 de outubro de 1954. Em 1960, iniciou paralelamente suas atividades de projetos em So Jos dos Campos - SP, cidade onde est sediado o Centro Tcnico Aeroespacial - CTA, com o objetivo de dar maior incremento ao setor de pesquisas e desenvolvimento de novos tipos de aeronaves. Em 11 de maro de 1980, a EMBRAER assumiu o controle acionrio da Neiva, transferindo para esta empresa a engenharia e toda linha de produo dos avies leves EMBRAER e Ipanema, dando incio  desativao das instalaes em So Jos dos Campos - SP.

A expanso das fronteiras agrcolas e das culturas de exportao e energtica, especialmente da soja e cana-de-acar, ampliou consideravelmente o mercado brasileiro de aviao agrcola. Essas culturas envolveram grandes reas plantadas em fazendas que incorporaram avanos tcnicos  produo de gros e de cana de acar. A aviao agrcola teve origem no Brasil nos estudos realizados pela Fazenda Ipanema, do Ministrio da Agricultura, localizada no municpio de Sorocaba, em So Paulo. Nela formaram-se pilotos e agrnomos especializados na atividade. Foi por essa razo que o Instituto Tecnolgico da Aeronutica - ITA denominou Ipanema a aeronave nele projetada nos anos 60 que resultou no projeto e fabricao pela Embraer do primeiro avio agrcola nacional, o EMB-200 Ipanema.

O aparelho foi lanado no mercado em 1972 e era um monomotor metlico dotado de um motor Lycoming de 300 cavalos de fora, com capacidade para 750 kg de carga paga em seus tanques. O segundo aparelho a sair da linha de produo da Embraer foi o avio agrcola EMB-200 Ipanema, sendo o primeiro entregue em janeiro de 1972. Sua fabricao seria transferida para Indstria Aeronutica Neiva em maro de 1980, aps a companhia haver sido absorvida pela Embraer. Mais de 1.000 aeronaves Ipanema j foram entregues e a nova verso, o EMB-202 Ipanemo, continua sendo produzido Embora a maior parte tenha sido vendida no mercado interno, algumas foram exportadas para o Uruguai e a Bolvia. O primeiro contrato da Embraer com scios estrangeiros foi em 1973, um acordo firmado entre a Embraer e a Northrop Aircraft Corp., dos Estados Unidos, para a produo de componentes para o programa de caa supersnico F-5E Tiger II. Em agosto de 1974, um outro acordo de cooperao foi assinado, desta vez com a Piper Aircraft.

Segundo Jack Baranson, em 1974 o Brasil era o maior mercado de exportao, superando o Canad e a Alemanha, de avies leves americanos. Seriamente preocupados com restries de divisas e confiantes em sua capacidade tcnica e em sua demanda interna suficiente as autoridades do governo brasileiro acahram que era hora da empresa aeronutica estatal, a Embraer comear um programa de avies leves, de um ou dois motores, com o apoio e cooperao de um fabricante de avies estrangeiros. A Embraer, criada na dcada de 60 com a finalidade expressa de promover o desenvolvimento da indstria local, aps seis anos de operaes j estava produzidno trs linhas de avies: o Bandeirante EMB 110, versao modificada do Nord 262 francs; o Ipanema EMB 201 um monomotor para pulverizar plantaes projetado pela Embraer e o Xavante EMB 326 GB, avio de treinamento e de ataque de solo, a jato, fabricado com licena da Aeronutica Macchi SpA empresa italiana. J em fins de 1974 a Embraer tinha 3500 empregados e um capital de cerca de US 20 milhes.

Em 1974 o Brasil enviou uma misso aos principais fabricantes americanos de avies leves, Piper, Beech e Cessna, para obter propostas para um acordo de produo pela Embraer no Brasil, de avies americanos. Segundo a Embraer todas as tres empresas estavam cientes das regras do jogo: os brasileiros revelaram explicitamente sua inteno de desenvolver suas prprias capacidades tcnicas, administrativas, industriais e de marketing na produo de avies pequenos e de reservar, a partir de ento, o mercado interno exlcusivamente para avies produzidos no Brasil, como forma de economizar divisas. Implcito nestas regras estava o resultado final de que somente a firma estrangeira preparada para entrar em acordo com a Embraer poderia continuar participando do mercado barsileiro que somente no ano de 1974 rendeu as fabricantes americanos US$ 600 milhes. A Embraer tinha uma preferncia marginal pela Cessna porque ela gozava de reputa e detinha 60 2009332864o mercado brasileiro. A Beech desde cedo deixou de ser uma concorrente real assumindo a posio de que se o Brasil quisesse seu avio teria que import-lo.

A Cessna contudo recusou-se em dar a Embraer autoridade para fazer modificaes que esta julgasse necessrias no avio da Cessna que ela resolvesse fabricar, caracteristica da qual a Embraer no abria mo. A atitude da Cessna a esse respeito foi indcio de um temor de que a qualidade ou os padres de desempenho de seu avio viessem a ser prejudicados se ela concordasse com tais condies, insinuao que no passou desapercebida aos brasileiros e que foi altamente ofensiva para a Embraer, que achava que tinha capacidade. Ademais a Embraer no queria ficar obrigada a pagar royalties pelo know how industrial adquirido de sua scia estrangeira e a Cessna acahava que os royalties eram uma parte legtima do acordo. O resultado foi que a Piper foi a escolhida. Com isto a Cessna que em 1973 vendera mais de 400 avies ao mercado barsileiro, vendeu apenas 5 em 1976. Essa queda de vendas foi o resultado de um imposto de 50(antes de 7) estabelecido em 1975 sobre avies importados dessa categoria e de uma exigncia do governo brasileiro de que os importadores fizessem o depsito de um ano, sem juros, equivalente ao preo dos produtos industrializados importados. Alm disso a lei de similares brasileira, que j existia desde a dcada de 1890, mas que tivera pouca aplicao at pouco tempo atrs, restringiu seriamente a importao de avies, pois a lei estipula que quando um item  produzido em qualidade e quantidae suficientes no Brasil e registrado no governo como um produto similar ao importado, ser protegido das importaes.

O programa de cooperao industrial com a Piper envolveu dois acordos, um para avies monomotores e outro para avies bimotores. De incio foram escolhidos os modelos de avies da Piper, Cherokee, Lance, Seneca e o Chieftain. Firmando o acordo em agosto de 1974, menos de um ano depois comeavam a ser comercializados os avies da linha Piper produzidos pela Embraer. Nos seis primeiro anos de vigncia do acordo foram produzidos mais de 1500 aeronaves da linha Piper, possibilitando grande economia de divisas, motivao bsica da produo interna de avies leves. Os avies Piper em sua maioria foram rebatizados com nomes brasileiros. Assim os monomotores Dakota, Turbo Arrow IV, Archer II e Saratoga, ganharam nomes Carioca, Corisco, Tupi e Minuano, respectivamente. J o bimotor Sneca manteve o mesmo nome no Brasil, e o modelo Chieftain recebeu a denominao de Navajo.

A Piper  responsvel pelo know how necessrio da montagem e da fabricao de peas, bem como pela assistncia tcnica em reas como controle de qualidade, manipulao de materiais e fabricao A compensao da empresas americana  basicamente um retorno percentual sobre os componentes que ela envia para a Embraer. A medida que a licenciada substitui progressivamente estas importaes por contedo local, o retorno diminui. Todavia ainda com uma produo 10016760776200cal, a Piper ainda receber uma remunerao por servios de manuteno dos avies. Na Fase 1 do programa enviam-se estruturas completas como fuselagem, empenagens e asas  Embraer para montagem e instalao final de todos os sistemas e componentes. Na fase II a Embraer recebe submontagens estruturadas para montar em gabaritos, alem das funes desempenhadas na fase I. Na fase III a Piper envia todas as peas componentes para montagem final pela Embraer. Os modelos monomotores atingiram a fase III em meados de 1977, o Seneca em 1977 e o Navajo em 1978. Mais de 50 empresas brasileiras participam da rede de subcontrataes da indstria aeroespacial do pas.
O programa da Piper  basicamente um acordo de licenciamento mas a mdio longo prazo poderia promover o desenvolvimento cooperativo de um novo avio. Esse programa, inicialmente de responsabilidade da Embraer, foi transferido em maro de 1980  Neiva, que desde ento passou a ser a responsvel pela produo dos modelos Piper como tambm do avio agrcola EMB-202 Ipanema, em suas instalaes em Botucatu, interior do esatdo de So Paulo. Hoje os avies leves da Embraer so fabricados pela Indstria Aeronutica Neiva S/A. A empresa foi fundada em 1954 e ao longo de 48 anos fabricou avies leves. Tendo sido adquirida pela Embraer, tornando-se sua subsidiria, a Neiva  hoje responsvel pela produo dos aparelhos de menor porte do grupo Embraer. 
