Em meados de 1914, tanto a Alemanha quanto o Reino Unido, a Frana, a Rssia e os Estados Unidos j contavam com uma incipiente aviao militar, que compreendia pilotos preparados para combate, metralhadoras, bombas, telgrafo sem fio, alguns meios de aerofotografia e aparelhos que, embora ainda precrios, diversificaram-se pouco a pouco, passando a dividir-se em vrias categorias: caa, treinamento, reconhecimento, bombardeio de pequeno e mdio alcance. Predominaram biplanos como o DH-4 ingls, os SPADS e os Nieuports franceses, o Albatros e o bombardeiro bimotor Gotha G.IV, ambos alemes.

A guerra desencadeou uma sucesso de poderosos estmulos ao aperfeioamento das mquinas areas. A Alemanha j iniciou sua participao com quase 400 avies e trinta zepelins, e um dos melhores indicadores do desenvolvimento da aeronutica no perodo inscreve-se na histria do Reino Unido: o Royal Flying Corps, que fazia parte do exrcito, entrou no conflito com 63 avies e em abril de 1918 deu lugar  Royal Air Force (RAF), que chegou a reunir 22.000 aparelhos. Foi nessa poca que surgiram os "ases", pilotos de caa que ficaram famosos por abater dezenas de avies inimigos, como o alemo Manfred von Richthofen, dito o Baro Vermelho, o britnico Albert Ball e o francs Georges Marie Guynemer. Todos trs morreram em combate e com vinte e poucos anos de idade.

Perodo de entreguerras

Ao terminar a primeira guerra mundial, os avies tiveram outra fase de grande fertilidade, espcie de segundo movimento do pioneirismo. Contriburam para isso os novos saltos de nvel tcnico: a construo por Hugo Junkers do avio inteiramente metlico e do de passageiros; a comunicao por meio do rdio; a inveno da hlice de passo varivel, do trem de pouso retrtil, do piloto automtico e de instrumentos para pilotagem sem visibilidade.

Os muitos profissionais disponveis, formados durante a guerra, lanaram-se  conquista das grandes distncias, sobrevoaram cordilheiras, transpuseram oceanos e freqentemente se apresentaram em demonstraes acrobticas. Em 1919, os britnicos John Alcock e Arthur Brown saram da Terra Nova, no Canad, e chegaram em vo sem escalas s costas da Irlanda.

Durante a dcada de 1920, numerosos feitos assinalaram ainda mais o progressivo domnio do homem sobre as mquinas de voar. Longos vos regulares j eram feitos por hidravies, que nesses tempos ainda eram apenas aeroplanos convencionais dotados de um trem de pouso que, em lugar de rodas, tinham esquis. Ficou clebre o hidravio Lusitnia, no qual os portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral realizaram a primeira travessia do Atlntico sul, de Lisboa ao Rio de Janeiro, de 30 de maro a 5 de junho de 1922. Na viagem, de trs etapas, pela primeira vez foram utilizadas tbuas de navegao e um sextante inventado pelo prprio Gago Coutinho.

Um ano depois, nos Estados Unidos, conseguiu-se o reabastecimento em pleno vo, que ampliaria as possibilidades das viagens longas. Em maio de 1926 o americano Richard E. Byrd e seu co-piloto Floyd Bennet sobrevoaram o plo norte. Em 20-21 de maio de 1927 teve lugar a faanha de outro americano, Charles Lindbergh, que pela primeira vez atravessou todo o Atlntico norte em vo solitrio e sem escalas. O percurso de 5.800km, de Nova York a Paris, foi coberto durante 33 horas e meia, num monomotor Wright de 220CV, o "Spirit of St. Louis". Em 1931 os franceses Marcel Doret e Joseph Le Brix voaram mais de dez mil quilmetros sem escalas. Dois anos depois, completou-se a primeira volta ao mundo: um austraco, Harold Gatty, e um americano, Wiley Post, passaram oito dias e 16 horas nessa aventura.

Nesse mesmo perodo, quando o avio j se consolidara como meio de transporte, fizeram-se experincias com outros tipos de veculo areo: o planador, o helicptero e o autogiro. O alemo Wilfred Martens efetuou os primeiros vos de mais de uma hora em planador. Este, como seus similares dos primeiros tempos, era desprovido de motor e, em sua nova verso, passara a possuir uma asa fixa de grandes dimenses. Devia ser rebocado por avio at uma determinada altura e, embora viesse a ter emprego militar, mais tarde foi mais utilizado na aviao esportiva.

Os aparelhos de decolagem e aterrissagem vertical, por isso posteriormente designados pela sigla VTOL (vertical take-off and landing), idealizados h sculos, tiveram na Frana, depois do pioneiro Cornu, as experincias de Louis-Charles Breguet em 1917, com o que chamou gyroplane, um dos precursores do helicptero. O autogiro do espanhol Juan de la Cierva, inventado em 1923, tinha diferenas significativas: era impulsionado por uma hlice de aeroplano comum e possua outra, horizontal e semelhante  do helicptero, movida pelo deslocamento de ar da primeira e que substitua as asas na sustentao. Embora capaz de decolagem e aterrissagem verticais, o autogiro mostrou-se mais vagaroso e menos verstil que o helicptero, pois no podia voar em mais de uma direo, retroceder ou manter-se parado no ar.

S a partir da dcada de 1930 foram construdos helicpteros confiveis. Teve papel decisivo a contribuio do italiano Corradino d'Ascanio, que fabricou o helicptero coaxial, isto , em que os rotores j podiam ser controlados por meio de compensadores no lado mais fino (bordo de fuga) das ps. Os alemes, j de olhos postos na guerra que deflagrariam, fabricaram em 1937 o modelo inicial dos Focke-Achgelis, que realizou vos de mais de cem quilmetros de distncia.

Desde o incio da dcada de 1930, o transporte areo j se estabelecera comercialmente, baseado sobretudo em trimotores como o Fokker F-7 e voltado para a explorao de pequenas rotas. Esse panorama conheceu novos progressos s vsperas da segunda guerra mundial, quando entrou em servio o Douglas DC-3. Linhas que de incio eram apenas postais dedicaram-se ao transporte de passageiros e a rede mundial cresceu de 118.000km e 900 aparelhos em 1928 para 500.000km e dois mil avies em 1939. A velocidade mxima j se aproximava da casa dos 300km/h.

Segunda guerra mundial.

Sob os enormes desafios impostos pelas exigncias da agresso alem e pelas necessidades de defesa dos aliados, o avio encontrou na segunda guerra mundial o mais amplo campo de provas de sua consolidao, quer como arma, quer como meio de transporte. Logo nos primeiros momentos do conflito sua presena j ultrapassava tudo o que se experimentara antes.  preciso lembrar, porm, que algumas das mquinas areas mais avanadas do comeo da guerra, tanto alems como russas, j tinham sido testadas alguns anos antes, na guerra civil espanhola e outras frentes de batalha.

Quando a Alemanha desfechou seus primeiros ataques, j contava com cinco mil avies, contra dois mil do Reino Unido, a segunda potncia area da poca. Os alemes estavam tambm na dianteira quanto s caractersticas de alguns desses aparelhos, que surpreenderam os pases agredidos, como o bombardeiro de picada Junkers Ju 87 Stuka: este no se distinguia tanto pela velocidade (que j chegava, porm, a 410km/h), mas principalmente pela eficincia de seus mergulhos e pelo armamento: quatro metralhadoras e quase duas toneladas de bombas, dotaes muito mortferas para a poca. Construdo a partir de 1935, era um monoplano todo metlico e de asa baixa, como a maior parte de seus similares e dos aparelhos adversrios que seriam concebidos para super-lo.

Considerado o melhor bombardeiro mdio da Luftwaffe (fora area alem), o bimotor Junkers Ju 88 j atingia maior velocidade, com o dobro do peso do Stuka e armamento semelhante, mas os caas Messerschmitt ME-110 e 109 foram os principais avies alemes da batalha da Inglaterra. Em ambos os casos o salto tecnolgico foi impressionante. O primeiro, com dois motores de 1.300CV cada um, atingia 585km/h; o segundo, com um s motor de 1.100CV, chegava a 635km/h. Este, de desenho arrojado e desempenho quase insupervel em seu contexto, deu origem ao famoso caa ingls Spitfire, que voava a 600km/h e se mostrou s vezes mais gil que seu opositor. Outro aparelho ingls que ganhou fama na mesma classe e poca foi o Hurricane, que, embora mais lento, enfrentou com sucesso os bombardeiros alemes. Em 1941 o Reino Unido j passava a ter o De Havilland B.IV Mosquito, e a Luftwaffe colocou em operao um caa ainda mais eficiente que o ME-109, o Focke-Wulf FW 190, que atingia 685km/h.

Os russos, nessa fase j com importante indstria aeronutica, utilizaram na guerra pelo menos trs caas  altura dessa primeira linha, os monomotores Yak-3 e Yak-7, e o bimotor Yak-4. O conhecido Zero japons era um tanto menos veloz, mas no menos eficaz como arma. S no final da guerra alguns avies a hlice americanos foram alm do patamar do ME-109, do FW 190, do Spitfire e do Mosquito, especialmente o P-38M Lightning, o P-47 Thunderbolt e os P-51 Mustang.

Outro importante desenvolvimento durante a segunda guerra mundial referiu-se ao tamanho e peso das aeronaves. Alemes, ingleses, russos, italianos e americanos criaram o bombardeiro quadrimotor, que do Halifax ingls at a superfortaleza voadora B-29 americana teve um crescimento que se pode avaliar com a comparao desses extremos: o primeiro, construdo em 1940, pesava vazio 17.346kg, media 21,8m de comprimento, 31,7m de envergadura e levava quase seis mil quilos de bombas; o ltimo, construdo em 1943, pesava vazio 32.369kg, media 30,18m de comprimento, 43m de envergadura e levava nove mil quilos de bombas.

Essa ampliao dos avies e de sua capacidade de carga teria implicaes cada vez maiores no transporte areo, e preparava terreno para os enormes progressos da aviao comercial do ps-guerra. Em 1937 os alemes construram um dos iniciadores do vo bem-sucedido de passageiros, o quadrimotor Focke-Wulf FW 200, e em 1940 o hexamotor Blohm & Voss Bv 222C, o primeiro capaz de levar trinta pessoas, o segundo, 121. Dois conhecidos aparelhos americanos de depois da guerra, o Lockheed Constellation, de 1944, e o Boeing 747, de 1970, seriam adaptveis  acomodao, respectivamente, de 86 e de 490 passageiros.

Na segunda guerra mundial, porm, a aviao iniciou uma revoluo tecnolgica ainda maior: a do motor a jato. Os primeiros avies a jato de que se teve notcia foram o alemo Heinkel He 178, que voou em agosto de 1939, e o italiano Campini n 1, que exatamente um ano depois foi de Milo a Roma a uma velocidade, j superada em seu tempo, de 450km/h. Em 1944 os alemes lanaram no conflito os Messerschmitts ME-163B Komet, de autonomia mnima mas capaz de alcanar 960km/h, e ME-262A Sturmvogel. Era mais uma mudana qualitativa, no mesmo ano respondida pelos ingleses com outro bimotor, o Gloster Meteor. Para a Alemanha nazista, a guerra j estava perdida, mas em 1945 ainda voou outro bimotor, o Heinkel He 162A Salamander, tambm denominado Volksjger, aparentemente pouco superior a seus predecessores.

O helicptero transformou-se em arma a partir do fim da segunda guerra mundial. O pequeno Flettner Fl 282 Kolibri e o grande Focke Achgelis Fa 223 Drache, alemes, o primeiro de 760kg, o segundo de 3.175kg, com dois rotores e capacidade para oito pessoas, principiaram a histria desse tipo de aparelho em operaes militares. Ambos foram produzidos em massa desde 1942, mas no chegaram a desempenhar papel importante na guerra. S se deve lembrar que o Fa 223 fora precedido em 1936 pelo Focke Fa-61, o qual, experimentalmente, j contava tambm com dois rotores.

No ps-guerra, o destino da aviao confirmou-se e expandiu-se em todos os seus aspectos. O transporte comercial adquiriu novas dimenses tanto tecnolgicas como geogrficas. Em pouco tempo semearam-se aeroportos pelo planeta inteiro. Os americanos, principalmente, construram os aparelhos mais utilizados pelas companhias areas.

Em ordem cronolgica, de 1945 a 1960 os bimotores Convair e os quadrimotores Douglas DC-4, DC-6 e DC-7, Lockheed Constellations, Boeings 377 Stratocruisers (originrios da superfortaleza voadora B-29) e Lockheed 188 Electra apostaram nas possibilidades do motor a hlice e s encontraram competidores, na Europa, em avies como os ingleses Avro 688, Vickers Viscount 708 e Bristol 175, o francs Breguet 763 Provence e o turbolice russo Tupolev Tu-114, j de 1957.

Suas cabines cresceram, ganharam requintes de conforto, e mais ou menos de 1948 em diante passaram a ser pressurizadas (isto , mantidas artificialmente na presso atmosfrica da superfcie) e refrigeradas. O Electra, por exemplo, j podia transportar cem passageiros e tanto sua eficincia geral como sua segurana fizeram poca. Os ndices de acidente reduziram-se cada vez mais, introduziu-se o uso do radar e de outros instrumentos que tornavam o vo mais estvel e previsvel.

Tais progressos receberam novo alento quando entraram em cena os jatos de passageiros. Os ingleses De Havilland DH 106 Comet 1 e 4 ou mesmo o francs e SE-210 Caravelle foram rapidamente suplantados (em tamanho, velocidade e capacidade da cabine) pelo Boeing 707, que entrou em servio em 1958 e cujas ltimas verses chegariam a ter o dobro da capacidade daqueles para o transporte de passageiros. Recordista de eficincia, denotava com suas asas em flecha e o desenho da cauda sua descendncia do bombardeiro estratgico Boeing B-47 Stratojet, desde 1951 uma das peas-chave da fora area dos Estados Unidos. O DC-8, o Convair 990, o Lockheed 141-A (de transporte de tropas) e o Boeing 747 seriam desdobramentos nessa mesma linha.

Atualidade. Nas dcadas de 1960 e 1970 a presena dos grandes avies americanos de passageiros aumentou em todo o mundo. Aperfeioaram-se os tipos bsicos j existentes e acrescentaram-se vrios trirreatores de ampla aceitao, como o Boeing 727 e o Douglas DC-10 (com sua verso russa, o Tupolev Tu-154), enquanto alguns ingleses e russos disputavam fatias do mercado. Tiveram sucesso o quadrimotor BAC VC-10 (e o sovitico Ilyushin Il-62, nele baseado), e dois novos bimotores, o ingls BAC One-Eleven e o americano Boeing 737-200. Nesse perodo, a aviao comercial quase no alterou a faixa de velocidade mxima com que operava, entre 800 e 1.000km/h. Conquista definitiva representou o vo regular a dez mil metros de altitude, acima das nuvens e impurezas.

Enquanto isso, em guerras isoladas, a aviao militar avanava em experincias que lhe proporcionavam aparelhos dia a dia mais rpidos e bem armados. Desde a guerra da Coria, em que se enfrentaram caas como o legendrio MiG-15 russo e os americanos Lockheed P-80 Shooting Star e North American F-86 Sabre, o espao foi o terreno mais importante em que as duas superpotncias disputaram a chamada guerra fria, na aeronutica e na astronutica.

Os muitos MiGs e Sukhois russos, os McDonnell Douglas e Grummanns americanos, mas tambm os Mirages franceses e Saabs suecos empenharam-se no esforo de atingir velocidades acima de Mach-3 (isto , trs vezes a do som), ao mesmo tempo que se tornavam capazes de combater em qualquer tempo e de lanar msseis dirigidos por laser e computador. Incorporaram ainda as asas em forma de delta e as de geometria varivel (McDonnell Douglas, Grummann F-l4, Mirages, MiG-23, MiG-27, pelo menos dois modelos de Sukhoi).

Excetuando-se os avies experimentais, de motor a foguete, coube ao MiG-25 ultrapassar primeiro a marca de Mach-3, chegando a 3.500km/h. Em 1991, na guerra do golfo Prsico, os americanos lanaram a maior novidade da poca em matria de caa a jato, o Lockheed F-19 Stealth, chamado "o avio invisvel" por ser feito com materiais e recursos eletrnicos que dificultam sua deteco pelo radar e outros recursos do gnero.

No final da dcada de 1960, a idia de vender  aviao civil os novos progressos alcanados pelos avies militares, sobretudo em termos de velocidade, deu origem ao Concorde (e a seu similar russo, o Tu-144), produto da cooperao de ingleses e franceses, assim como ao apenas projetado Boeing 707 americano. Os prottipos do Concorde apareceram em maro de 1969 e somaram centenas de horas de vo pelo mundo. Destacaram-se pela beleza das linhas e pela velocidade, de 2.300km/h. Entretanto, o Concorde enfrentou protestos de ambientalistas, devido a seu elevado nvel de rudo, enquanto outros problemas tambm embaraaram o destino do aparelho. A cabine do Concorde era relativamente pequena em comparao com as dos jatos em servio: acomodava 144 passageiros (quando os ltimos Boeing 707 j comportavam mais de 200, os DC-8, 260).

Essa correlao no favorecia os custos do transporte supersnico e seu golpe de morte foi dado pelo Boeing 747, que se apresentou em 1970 com um nmero de lugares mais de trs vezes superior ao do Concorde e um custo mais baixo (25 milhes de dlares, em vez dos trinta daquele). Nenhum rasgo de imaginao daria a um pioneiro da aeronutica no incio do sculo a capacidade de conceber um 747, que se ergue do cho com quase 352 toneladas e voa a cerca de mil quilmetros por hora.

Um dos ndices mais comumente mencionados para exprimir o aumento do trfego areo comercial  o registro anual do nmero de passageiros-quilmetros, ou seja, a quantidade de quilmetros voados multiplicada pelo nmero de passageiros em um ano. Durante a segunda metade do sculo XX, esse ndice multiplicou-se por cinqenta. Outro dado demonstrativo da exploso do transporte areo  o movimento de certos aeroportos. Pelo O'Hare, de Chicago, por exemplo, o mais congestionado do mundo, passaram em 1983 nada menos que 42,9 milhes de passageiros.

Alm disso, os acidentes ficaram muito raros em relao  quantidade de vos (em 1987, o nmero de acidentes com conseqncias fatais em cada cem mil aterrissagens no passou de 0,18) e passaram a ser evitados ainda mais com pesquisas capazes de rastrear minuciosamente suas causas. A adoo, nessa fase, da chamada caixa-preta (dispositivo em que se gravam dados relativos a cada viagem, manifestaes do pessoal de bordo etc.) contribuiu tambm para reduzir a incidncia de problemas que no pudessem ser resolvidos. Na verdade, a maior parte dos desastres mais recentes se devia comprovadamente  interveno terrorista ou a gritantes falhas de um ou mais componentes da tripulao.

Depois da guerra da Coria, e particularmente na do Vietnam, mas tambm durante a ocupao russa do Afeganisto, o helicptero foi a tal ponto aperfeioado que adquiriu enorme versatilidade e segurana. Alguns se transformaram em tanques voadores, como o americano AH-56A Cheyenne e o russo Mil Mi-24, outros se revelaram como excelente meio de transporte de pessoal, como o Sikorski S-61 e o CH-47C Chinook americanos, ou o gigantesco Mi-26 russo, capaz de carregar mais de oitenta toneladas ou 150 passageiros.

Com uma tecnologia muito especial, o helicptero  construdo por poucos pases alm dos Estados Unidos e da Rssia. Sobressaem os aparelhos ingleses, franceses e sobretudo franco-britnicos como o Super Puma, empregado pela Fora Area Brasileira (FAB). A limitao da velocidade dos helicpteros, cujos rotores no permitem que ultrapassem um mximo de 480km/h, levou os pesquisadores a experimentar, desde a dcada de 1950, aparelhos conversveis, isto , que fossem avies, no helicpteros, adaptveis  decolagem e aterrissagem verticais. Muitos desses "convertiplanos" foram construdos, com motores a hlice, a jato ou dos dois tipos, mas raros tiveram sucesso. Uma dessas excees  o caa ingls Hawker Harrier, clebre na guerra das ilhas Malvinas (Falkland).

Na segunda metade do sculo XX, avies e helicpteros pequenos integraram-se ao dia-a-dia de muitos pases do mundo, com funes variadas e que vo de pulverizao agrcola e patrulhamento ecolgico a turismo, esporte e transporte executivo. Os americanos tambm dominaram o mercado desses avies com seus Beechcraft, Cessna, jatinhos Sabreliner e Gulfstream.

Tanto o uso desses avies particulares como a complexa movimentao dos grandes jatos de passageiros exigiram crescentes investimentos na infra-estrutura dos aeroportos e dos recursos humanos. Nas ltimas dcadas do sculo, as instalaes de terra compreendiam meticuloso controle de vo por meio de rdio, televiso, radar e processamento de dados, assim como o pessoal de bordo se tornara mais e mais especializado: a equipe tcnica, em geral, compe-se de um piloto, um co-piloto, um navegador, um radiotelegrafista, um mecnico, alm de auxiliares, como copeiros, comissrios e comissrias de bordo.

Em menos de cem anos de desenvolvimento efetivo, a aviao conquistara o planeta. Aeroclubes, instituies que renem aficcionados e patrocinam a formao de pilotos civis, surgiram em quase todos os pases. Nos ltimos anos, o vo esportivo enriqueceu-se com novas modalidades, algumas de carter solitrio, como a das asas-delta e a dos ultraleves. Nas mos dos mais jovens, o aeromodelismo, divertimento com miniaturas de modelos reais reproduzidos em escala, percorreu todas as etapas da aeronutica, at a era do jato e dos foguetes.

Paralelamente, os vos espaciais, que at o fim da dcada de 1970 s utilizavam msseis de vrios estgios e suas cpsulas ou satlites, passaram a envolver, nos Estados Unidos, a participao de uma astronave de motor a foguete, espcie de nibus espacial. A partir da dcada de 1980 tornou-se realidade essa Space Shuttle (lanadeira espacial). So naves recuperveis, isto , preparadas para subir vrias vezes ao espao (transportadas por foguete) e retornarem a sua base na Terra como planador.
