 Artigos - So Paulo Shimbun - Ano 1999/2000

 DIA DA RVORE ( Jumoku no Hi )

 Anteontem , 21de setembro , foi o Dia da rvore no Brasil .
 Os

 crticos dizem que a data nunca serviu para plantios simblicos de

 rvores e para festinhas em escolas primrias .
 Este ano , porm , a

 data foi marcada por uma boa notcia : o anncio , pelo presidente

 Fernando Henrique Cardoso , de um decreto que cria no pas oito

 novas reas de preservao do ecossistema.So quatro novos parques

 nacionais , trs reservas extrativistas e uma rea de preservao

 ambiental , que , somados , equivalem  metade da rea do Estado de

 Alagoas .
 Agora , cerca de 5 % do territrio brasileiro est protegido

 por lei federal .

 No Japo , o equivalente ao Dia da rvore  o Midori no Hi

 ( Dia do Verde ) , comemorado em 29 de abril .
 Essa data era , feriado

 nacional por ser o aniversrio de nascimento do Imperador Showa .

 Aps a sua morte , em 1989 , a data passou a ser dedicada 

 celebrao do meio ambiente .
 O Japo possui 24,7 milhes de

 hectares de florestas o correspondente a , cerca de dois teros de

 seu territrio .
 Aproximadamente 70 % dessa rea florestal  de

 propriedade privada .

 O Japo produz cerca de 50 % da madeira que consome .
 O

 restante importa de pases como Malsia , EUA , Rssia , Canad ,

 Filipinas e Indonsia .
 Mais recentemente , em virtude do declnio de

 produo na regio asitica , os japoneses voltaram sua ateno para

 a Amaznia .

 A maior parte das florestas no Japo fica em regies

 montanhosas , de difcil acesso .
 Talvez por isso , desde os tempos

 remotos h uma tendncia entre japoneses de verem as montanhas e as

 florestas como lugares sagrados , onde descem os deuses e onde

 vagueiam os espritos dos ancestrais .

 Essa viso animista , ou seja , a crena de que tudo tem uma

 " alma " , permanece basicamente inalterada at hoje e influencia

 vrias formas de expresso artstica .
 Embora a natureza fornea um

 apoio espiritual aos japoneses , a maioria das pessoas no tem um

 contato direto dirio com a natureza .
 Para alguns , este  um dos

 motivos pelos quais nem todos tm a conscincia da necessidade de

 preservar o meio ambiente .

 Provrbios :

 Saru mo ki kara ochiru : O macaco tambm cai da rvore = Mesmo um

 expert pode falhar de vez em quando .

 Tamerunara wakagi no uchi : Endireite o galho enquanto a rvore 

 nova =  preciso corrigir os defeitos e maus hbitos enquanto 

 jovem , pois fica mais difcil depois de adulto .

 Ki ni yotte uo o motomu : Procurar um peixe em cima da rvore = No

 se alcana o objetivo sem os meios adequados .

 Yanagi ni kaze to ukenagasu : Saber lidar com o oponente , em vez de

 desafi-lo ( assim como o salgueiro , cujos ramos se flexionam com a

 fora do vento ) .

 Yoraba taiju no kage : Se  para buscar abrigo , que seja sob uma

 rvore grande =  melhor depender de pessoas ou grupos que tenham

 mais poder .

 Yakebokkui ni hi ga tsuku : Pegar fogo em lenha queimada =

 Reacender uma paixo antiga .

 Kane no naru ki : Uma fonte de lucro fcil .
 Era como os

 propagandistas da migrao japonesa para o Brasil se referiam ao

 cafeeiro .

 Ki o mite mori o mizu : Ver a rvore , mas no a floresta = Deter-se

 no detalhe e no enxergar o todo .

 Udo no taiboku : Grande , mas intil .

 Fonte : So Paulo Shimbun 23/09/1998

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 TEATRO N E KYGEN

 O N ( grafado s vezes tambm como Noh ) e o Kygen so dois

 gneros teatrais clssicos do Japo .
 Os dois so tradicionalmente

 representados num mesmo programa e apresentam uma herana em comum ,

 embora cada qual tenha uma forma prpria .
 O N foi criado no final

 do sculo 14 por Kan'ami e seu filho Zeami , que introduziram

 inovaes e refinamentos no Sarugaku , forma popular de

 entretenimento derivada de antigas fontes nativas e estrangeiras .

 Existem atualmente cerca de 240 peas de N , das quais

 quase um tero foi criado por estes dois autores .
 Zeami , em

 especial , escreveu tambm vrios textos em que estabeleceu os

 princpios estticos esta arte , detalhando como as peas devem ser

 compostas , representadas , dirigidas , ensinadas e produzidas .

 Durante o Perodo Edo ( 1603-1868 ) , o N tornou-se a

 cerimnia ritualista oficial do governo militar e , como tal ,

 recebeu proteo especial do governo , o que perdurou at a

 Restaurao Meiji , no final do sculo 19 .
 O N  um gnero teatral

 que combina elementos de dana , drama , msica e poesia .
 As peas

 so representadas por artistas profissionais , principalmente

 homens , que vm transmitindo os segredos da arte entre membros da

 famlia h vrias geraes .

 O principal personagem de uma pea de N  chamado " shite " .

 Seu companheiro  " tsure " , enquanto o ator secundrio  conhecido

 como " waki " .
 O " shite " , geralmente , usa uma mscara , cujo objetivo

  criar uma profundidade emocional maior , por ser um poderoso meio

 de expresso .
 Alm disso , a mscara ajuda a ocultar as

 caractersticas individuais do ator .

 O Kygen , por sua vez ,  um teatro cmico que serve de

 contraponto ao N , mais srio .
 Sua origem e desenvolvimento so

 paralelos aos do N , e o costume de apresentar suas peas no

 intervalo entre duas representaes de N data de 600 anos atrs .

 Nos ltimos anos , tm sido apresentados programas compostos

 exclusivamente de peas de Kygen , mas se trata de uma exceo 

 regra .

 Enquanto o N  musical por natureza , o Kygen enfatiza o

 dilogo .
 O Kygen  uma farsa mmica que visa arrancar o riso dos

 espectadores , mas no pode ser classificado simplesmente como um

 gnero de comdia .
 Embora algumas peas faam uso da stira , outras

 alcanaram o limite da tragdia , provocando antes lgrimas do que o

 riso .

 Fonte : So Paulo Shimbun 24/06/1999

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 BANHO PBLICO ( Sent )

 Sent  o nome que se d no Japo s casas de banho

 pblico , onde  possvel banhar-se mediante pagamento de um valor

 geralmente mdico .
 H registros de que os sent existiam j na

 Idade Mdia , mas sua popularizao ocorreu duranre o Perodo Edo

 ( 1603-1868 ) .

 At o Perodo Meiji ( 1868-1912 ) , os sent , assim como os

 onsen ( estao de guas termais ) , permitiam o banho misto de homens

 e mulheres .
 Depois , por influncia da cultura ocidental , passou-se

 a proibir o banho misto .
 Para o japons tpico , tomar banho  um

 ritual dirio obrigatrio .

 O banho  visto no somente do ponto de vista da higiene .

 Ele serve no apenas para tirar a sujeira do corpo , mas tambm para

 " purificar a alma " - uma herana do xintosmo .
 Alm do mais , ajuda

 a relaxar e elimina a fadiga do trabalho .

 Houve uma poca em que se podia encontrar um sent em todos

 os cantos do Japo .
 Era no tempo em que as pequenas casas japonesas

 raramente estavam equipadas com banheiro prprio .
 Os sent eram

 pontos de encontro da comunidade local .
 Os moradores da vizinhana

 iam ao sent no s para tomar banho , mas tambm para colocar a

 conversa em dia com os amigos .

 Hoje , a maior parte das casas japonesas dispe de

 banheiro.Em conseqncia , o nmero de casas de banho pblico vem

 reduzindo-se drasticamente .
 Para chamar de volta a freguesia , as

 casas de banho procuram modernizar-se .
 Algumas casas

 tradicionais instalaram sauna e aparelhos de condicionametno

 fsico , para atrair os clientes preocupados com o corpo e a sade .

 Outras casas se aproximaram mais de um centro de lazer ,

 instalando equipamentos de karaok , videok e outras formas de

 entretenimento .
 Os sent podem ser identificados  distncia por

 suas chamins bem altas .
 A entrada da casa do banho exibe

 geralmente um noren ( cortina curta com o nome do estabelecimento ) .

 Na sala de banho propriamente dita ,  comum observar murais

 retratando o Monte Fuji .
 Mesmo sob risco de extino , os sent j

 fazem parte da cultura japonesa .
 E h quem afirme : se voc nunca

 foi a um sent , no pode dizer que conhece o Japo .

 Fonte : So Paulo Shimbun 09/09/1999

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 EMA

 Ema  uma tabuleta em forma de telhado com a imagem de um

 cavalo pintado .
 Esta tabuleta  oferecida por um grande nmero de

 japoneses superticiosos a um santurio ou templo quando fazem um

 pedido aos deuses ou depois que uma splica foi atendida .

 Entre os catlicos , existe um ritual parecido .
 Trata-se do

 ex-voto - um quadro , uma imagem ou outro objeto que os devotos

 oferecem a uma igreja ou capela em comemorao a um voto ou

 promessa cumpridos .
 A Catedral de Aparecida do Norte , por exemplo ,

 recebe muitos desses objetos .
 Embora no se saiba com preciso

 quando surgiu entre os japoneses o costume de oferecer ema ,

 documentos histricos indicam que ele j existia no Perodo Heian

 ( 794 - 1192 ) , popularizando-se no Perodo Kamakura ( 1192-1338 ) .

 Originalmente , os fiis japoneses ofereciam cavalos de

 verdade em " pagamento " aos seus pedidos .
 Posteriormente ,

 substituram o cavalo vivo por imagens do animal .
 Vem da o termo

 ema , que significa literalmente " desenho de cavalo " .
 Apesar de o

 contedo hoje no se restringir a cavalos , subsistiu o termo ema .

 Foi no Perodo Edo ( 1603-1868 ) que ocorreu uma grande

 diversificao do contedo do ema .

 Surgiram ema com todo tipo de desenho , e tambm os que

 exibiam haiku ( poema japons de 17 slabas ) , waka ( poema japons de

 31 slabas ) , senry ( poema satrico ) e wasan ( matemtica

 desenvolvida no Japo ) .
 Artistas passaram a se dedicar com afinco 

 criao de ema , que conseguiu , deste modo , elevar-se  condio de

 verdadeiras obras de arte .
 Alm de madeira , outros materiais podem

 ser utilizados para fazer ema , como papel , metal , pedra e

 porcelana .

  comum os japoneses escreverem no ema pedidos relacionados

 com a sade e a gravidez .
 Recentemente , tornou-se comum tambm

 avistar nos santurios e templos ema de estudantes pedindo ajuda

 dos deuses para serem aprovados em exames escolares .

 Expresses e Provrbios

 Takeuma no tomo - amigo ntimo ( desde criana , quando brincavam com

 cavalinhos de bambu ) .

 Bajitfu - literalmente , " vento de primavera em orelhas de

 cavalo " .
 Significa no dar ouvidos , mostrar total indiferena .

 Jajauma - cavalo indcil , mulher cruel , megera .

 Yajiuma - espectadores curiosos , bisbilhoteiros .

 Uma no mimi ni nenbutsu - " rezar no ouvido do cavalo " .
 Metfora

 utilizada numa situao em que falar  intil .

 Uma ga au - dar-se bem , harmonizar .

 Mago ni mo ish - qualquer um pode parecer bonito se cuidar da

 aparncia externa .

 Uma no wa notte miyo hito ni wa sot miyo - se quiser conhecer um

 cavalo , monte nele ; se quiser conhecer uma pessoa , conviva com ela .

 Uma o ushi ni norikaeru - trocar o cavalo pelo boi = deixar uma

 coisa boa por outra inferior ( porque o cavalo  mais rpido )

 Fonte : So Paulo Shimbun 23/09/1999

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 LUZES

 A histria das luzes no Japo , a exemplo do que ocorreu em

 outras civilizaes , passou por vrias etapas , desde o uso do fogo

 produzido por lenhas at a inveno da lmpada eltrica .
 Um dos

 aspectos que chamam a ateno , no caso japons ,  a riqueza da

 variedade de utenslios utilizados para iluminao , muitas vezes

 comparveis a verdadeiras obras de arte .

 Os utenslios japoneses de iluminao tradicionais podem , a

 grosso modo , ser divididos entre os de uso interno ou externo , e

 subdivididos entre os de uso fixo ou porttil .
 A iluminao

 interior era de trs tipos principais : os dispositivos que eram

 colocados no cho , como por exemplo o andon ( lanternas com estruta

 coberta de papel ) ; os utenslios que ficavam suspensos no teto ,

 como o tsuriandon ; e os que eram pendurados na parede , como as

 lanternas de papel chchin .

 Aps a Segunda Guerra Mundial , houve uma grande mudana nos

 valores e no estilo de vida dos japoneses , e o uso de lanternas

 tradicionais entrou em declnio .
 Mesmo assim utenslios de

 iluminao tpicos ainda esto presentes no Japo contemporneo ,

 seja para fins unicamente decorativos , seja por motivos religiosos ,

 como ocorre durante o Obon , quando as lanternas de papel iluminam o

 caminho para os espritos dos ancestrais retornarem a suas casas .

 Provrbios e Expresses :

 Chchin o motsu : Segurar a lanterna para os outros .
 Servir de

 instrumento a algum , adul-lo .

 Chchin ni tsurigane : Literalmente , lanterna de papel e sino

 suspenso .
 Embora as duas coisas tenham um aspecto similar , so

 completamente diferentes qunto ao uso e ao material .
 Da , esta

 expresso significa " no combinar bem. "

 Rsoku wa mi o herashite hito ni tsukuru : A vela se consome para

 servir s pessoas .

 Tdai moto kurashi : No enxergamos bem a prate abaixo do castial

 que no  alcanada pela luz .
 Por extenso , tudo aquilo muito

 prximo de ns dificulta a percepo ou compreenso .

 Tka shitashimu no aki : Outono  a poca mais apropriada para

 leitura  luz do candeeiro , pois  quando as noites so mais

 compridas .

 Fonte : So Paulo Shimbun 21/10/1999

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 REFEI DO ANO NOVO ( Shgatsu Ryori )

 Para muitos japoneses , o novo ano s comea de verdade

 quando a famlia se rene para saborear o osechi ryri , a

 tradicional refeio do Ano Novo .
 Originado numa cerimnia de

 oferenda aos deuses , no Perodo Nara ( 710-793 ) , o osechi ryri

 consiste em uma variedade de pratos que so preparados com

 antecedncia e dispostos artisticamente num conjunto de caixas de

 laca sobrepostas , o jbako .
 O mais comum so quatro caixas

 sobrepostas .

 Os ingredientes variam conforme a regio , mas entre os mais

 comuns esto o kazunoko ( ovas de arenque ) , kinton ( batata-doce

 moda ) , kamaboko ( pasta de peixe cozido ) e kuromame ( feijo preto

 de soja ) .
 Esses ingredientes geralmente simbolizam algo de

 auspicioso .
 O kazunoko , por exemplo ,  considerado bom para

 aumentar a fertilidade .

 Modernamente , o osechi ryri cumpre o papel de dar um

 merecido descanso s donas de casa no Ano Novo .
 Ou seja , elas

 preparam os pratos com antecedncia para no terem que cozinhar

 durante o feriado , podendo , deste modo , desfrutar melhor das festas

 em companhia de seus familiares .

 Para facilitar ainda mais a vida das donas de casa , vrios

 restaurantes e lojas de departamento vendem o osechi ryri j

 pronto .
 As opes so tantas que o consumidor pode hoje em dia

 escolher entre cozinha japonesa , chinesa ou mesmo francesa para

 formar a base dos pratos do osechi .

 Outro prato tpico do Ano Novo  o ozni , uma sopa

 preparada com mochi ( bolinho de arroz glutinoso ) , legumes , frango

 ou peixe e outros ingredientes .
 Geralmente  uma sopa clara , mas ,

 em algumas regies , como Kioto e Osaka ,  preparada com mis .

 Os japoneses acreditam que comer ozni no Ano Novo trar

 boa sorte no ano inteiro .
 Ao que consta , este costume existe desde

 o Perodo Muromachi ( 1338-1573 ) .
 Outro ingrediente tradicional do

 Ano Novo japons  o otoso , um saqu preparado com a infuso de

 vrias ervas , como casca de canela , sementes de sansho ( pimenta

 japonesa ) e razes de plantas medicinais .
 Introduzido da China no

 Perodo Heian ( 794-1192 ) , o otoso  servido num conjunto de bule e

 taas laqueadas.Acredita-se que ele tem o poder de afastar os maus

 espritos e trazer vida longa .

 Provrbios :

 Sake wa hyakuyaku no Ch : Quando consumido adequadamente , saqu 

 melhor do que qualquer remdio .

 E ni kaita mochi : Algo sem utilidade prtica ( como um bolinho de

 arroz pintado num quadro , que no d para comer ) .

 Fonte : So Paulo Shimbun 16/12/1999

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 ANO DO DRAGO ( Tatsudoshi )

 Pelo calendrio chins , 2000 ser o ano do drago , o

 fabuloso monstro que h sculos vem povoando o imaginrio de

 pessoas de todas as idades no mundo inteiro .
 Influenciados sob

 vrios aspectos pela cultura chinesa , os japoneses tambm adotaram

 o costume de atribuir a cada ano as caractersticas de um dos 12

 animais do zodaco chins , com algumas adaptaes .

 Em japons , o ano do drago chama-se tatsudoshi .
 Existem na

 astrologia chinesa 12 signos , identificados pelos nomes de 12

 animais .
 Embora no se saiba ao certo por que foram escolhidos

 precisamente esses 12 animais , diz uma lenda que , em um certo Ano

 Novo , Buda convidou todos os animais do reino a irem a seu

 encontro .
 Por motivos ignorados , apenas 12 compareceram .

 O primeiro a chegar foi o rato , seguido do boi , tigre ,

 coelho , drago , serpente , cavalo , carneiro , macaco , galo , co e

 javali .
 Como forma de agradecer aos animais que atenderam a seu

 convite , Buda decidiu atribuir aos anos o nome de cada um deles , e

 aqueles que nascessem durante um determinado ano herdariam algo da

 personalidade do animal correspondente .

 Alm dos 12 signos do Zodaco chins , h ainda cinco

 elementos - metal , gua , madeira , fogo e terra - que exercem

 influncia sobre os signos , acentuando suas caractersticas .
 Uma

 pessoa nascida em ano do drago  tida como dotada de forte

 personalidade .
 Tem carisma ,  inteligente , determinada ,

 autoconfiante , defende suas prprias opinies e pode assumir

 controle e lidar bem com qualquer tipo de problema .

 Como todos os demais signos , a pessoa nascida em ano de

 drago tem tambm seus defeitos .
 Por sua personalidade dominante ,

 chega s vezes a ser ditatorial .
 No gosta de ouvir conselhos

 alheios ,  muito arrogante , tem pouca pacincia .
 Raramente concorda

 com os mais velhos ,  seco e direto .

 Pesando os prs e contras , o drago  visto geralmente como

 o mais desejvel dos signos .
 Segundo dizem , quem nasce em ano de

 drago  talhado para o sucesso e a prosperidade .
 Os chineses levam

 to a srio esta profecia que , em anos de drago , a taxa de

 natalidade costuma subir na China .

 Provrbios :

 Ry no hige o Ari ga nerau : A formiga que encara o drago .

 Metfora do mais fraco que , sem conscincia de sua prpria

 limitao , tenta opor-se ao mais forte .

 Ry wa issun nishite shten o ki ari : O gnio se manifesta j na

 infncia .

 Gary tensei : Literalmente , " finalizar os olhos da pintura de um

 drago " .
 Refere-se genericamente ao toque final que falta para a

 concluso de uma coisa .

 Trymon : Porta de entrada para o sucesso .

 Ryt dabi : " Cabea de drago , cauda de serpente " .
 Uma coisa que

 comea com todo vigor , mas no dura muito ( assim como o drago ,

 cuja cabea impressiona , mas a cauda nem tanto ) .

 Fonte : So Paulo Shimbun 23/12/1999

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 CERIMNIA DA MAIORIDADE ( Seijinshiki )

 Tradicionalmente comemorado no dia 15 de janeiro , o Seijin

 no Hi ( Dia da Maioridade ) , um feriado nacional no Japo , ser

 celebrado este ano na prxima segunda-feira , dia 10 .
  que , com a

 aprovao no ano passado de uma lei que introduziu mudanas no

 calendrio dos feriados nacionais , o Dia da Maioridade tornou-se

 uma data mvel e passa a ser festejado na segunda segunda-feira de

 janeiro .

 O Seijin no Hi  o dia em que os jovens japoneses que

 completam 20 anos atingem oficialmente a maioridade , passando a ter

 todos os direitos e deveres de um cidado adulto .
 Em todo o Japo ,

 os governos locais realizam Seijinshiki , a cerimnia para dar

 boas-vindas aos novos adultos da comunidade .

 Durante a cerimnia , as autoridades fazem discursos e os

 novos adultos recebem pequenos presentes de recordao dessa

 importante data .
 Consideram-se legalmente maiores de idade todas as

 pessoas que completarem 20 anos de idade em qualquer dia entre 2 de

 abril do ano anterior e 1  de abril do ano corrente ano .

 Ao completar 20 anos , os jovens adquirem o direito de

 votar .
 Podem tambm se casar sem consentimento dos pais .
 As

 cerimnias da maioridade so realizadas no Japo desde tempos

 imemoriais .
 Houve uma poca em que os meninos eram considerados

 adultos ao redor dos 15 anos , enquanto as meninas celebravam sua

 maioridade por volta dos 13 anos .

 Foi s em 1876 , aps a Restaurao Meiji , que o Cdigo

 Civil Japons estabeleceu 20 anos como a idade em que uma pessoa se

 torna legalmente adulta .
 No Dia da Maioridade , os rapazes vestem

 ternos e a maioria das moas costuma vestir furisode , um luxuoso

 kimono para mulheres solteiras .

 O furisode apresenta uma parte que pende das mangas e que ,

 de to comprido , chega a tocar no cho - pode ter mais de 1 metro .

 Um furisode custa o equivalente a milhares de dlares .
 Devido ao

 custo elevado , muitas famlias optam por alugar o kimono para esta

 ocasio .
 H tambm garotas que pedem aos pais para em vez de

 comprar o traje , dar-lhes o dinheiro para que elas possam gast-lo

 em viagens ou outras coisas .

 Ao completar maioridade , os jovens ganham tambm o direito

 de fumar e beber legalmente .
 Por isso , muitos jovens comemoram a

 data promovendo festas regadas a bebidas alcolicas .

 Fonte : So Paulo Shimbun 06/01/2000

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 FESTIVAL DA FOGUEIRA ( Dondoyaki )

 Entre as vrias tradies ligadas ao Ano Novo japons , uma

 das que persistem em muitas regies do pas  o Dondoyaki , ou

 Festival da Fogueira , que serve para assinalar o fim das

 festividades da passagem do ano .
  realizado geralmente entre os

 dias 14 e 15 de janeiro , mas a data varia conforme a localidade .

 O Dondoyaki  um ritual que remonta ao Perodo Heian ( 794 -

 1192 ) .
 Tambm conhecido como Sagich , Saityaki e outros nomes ,

 surgiu como um ritual para afugentar os maus espritos .
 Nesse dia ,

 as pessoas armam uma estrutura de bambu para fazer uma enorme

 fogueira ao ar livre .

 Atiram-se na fogueira os amuletos da sorte e os adornos

 utilizados na festa de Ano Novo , como o kadomatsu ( arranjo de ramos

 de pinheiro ) e o shimenawa ( corda grossa de palha entrelaada ) .
 As

 crianas queimam as folhas de papel de kakizome , a primeira escrita

 caligrfica do ano , geralmente contendo uma frase com a resoluo

 para o novo ano .

 Acredita-se que , quanto mais alto subirem os pedacinhos de

 papel durante a queima , mais rapidamente a criana desenvolver sua

 habilidade em caligrafia .
 As pessoas aproveitam a fogueira para

 assar bolinhos de mochi .
 Segundo dizem , comer esses bolinhos de

 arroz ajuda a tornar-se imune s doenas no novo ano .

 Expresses :

 Sewa o yaku : cuidar diligentemente de algum .

 Sewa ga yakeru hito : pessoa que d muito trabalho .
 Te o yaku : ter

 aborrecimentos , ter dificuldades de lidar com algo .

 Yakimochi o yaku : ter cimes .

 Mune ga yakeru : ter azia .

 Fonte : So Paulo Shimbun 13/01/2000

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 PIPAS ( Tako )

 Uma das cenas tpicas do Japo no Ano Novo e em outras

 ocasies festivas  empinar pipas , um costume que provavelmente os

 japoneses trouxeram da China antes de Era Heian ( 794 - 1185 ) .

 Embora muitas crianas prefiram hoje ficar trancadas em suas casas

 brincando de videogame , as pipas japonesas continuam chamando a

 ateno de um grande nmero de pessoas em todo o mundo , por sua

 beleza e originalidade .

 Antigamente , as pipas no Japo eram utilizadas

 principalmente em ritos religiosos .
 Ora empinavam-se pipas para

 afugentar os maus espritos , ora para agradecer aos deuses pela boa

 colheita ou ento para pedir boa sade ou prosperidade .

 Consta que as pipas serviam tambm para fins militares .

 Eram utilizadas , por exemplo , para veicular mensagens secretas ou

 mesmo para transportar comida e outros suprimentos aos defensores

 de castelos sitiados pelos inimigos .
 Pipas gigantescas

 povoam a imaginao dos japoneses desde tempos imemoriais .
 Diz uma

 lenda que , no sculo 12 , o guerreiro Minamoto no Tametomo ( um heri

 do famoso cl de Genji ) foi exilado em uma ilha junto com seu filho

 criana .

 Tametomo teria tentando teria tentado mandar seu filho de

 volta ao continente amarrando-o a uma enorme pipa .
 A fabricao de

 pipas desenvolveu-se no Japo de forma espantosa , graas 

 existncia de papel de excelente qualidade , bambu e linho .
 Houve

 uma poca , no entanto , em que o custo do papel era to elevado que

 somente nobres tinham condies de ter pipas .
 Com o tempo , as pipas

 tornaram-se acessveis a pessoas comuns e sua proliferao foi

 tamanha que , no sculo 17 , o governo chegou a proibir que se

 empinassem pipas , sob a alegao de que atrapalhavam o trfego .

 Apesar do declnio do nmero de arteses especializados na

 produo de pipas , o Japo ainda  considerado pelos entusiastas

 como a capital mundial das pipas , pela riqueza de seus formatos e

 desenhos .

 Fonte : So Paulo Shimbun 20/01/2000

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 ONI

 Personagem de inmeros contos e lendas japonesas , o Oni 

 uma criatura misteriosa geralmente representada com forma humana ,

 mas com estatura muito maior e exibindo dois chifres na cabea .

 Embora seja visto como um guardio do inferno , ele  um pouco

 diferente do diabo ou demnio imaginado pelos ocidentais .

 O Oni  uma criatura mais complexa .
 s vezes  a prpria

 encarnao do mal , outras vezes chega a ser adorvel .
 Ora  um

 monstro terrvel a ser derrotado pelo heri , ora no passa de um

 bode expiatrio .
 O Oni s vezes se transfigura de mulher e torna-se

 a encarnao do cime e da inveja .
 Nas histrias infantis , ele

 aparece muitas vezes como um bicho-papo , algum cujo papel  meter

 medo nas crianas para que elas no se desviem do bom caminho .

 Em suma , o Oni simboliza quase tudo o que  misterioso ou

 estranho .
 Ele representa o " outro " , conforme bem definiu Ariko

 Kawabata , professora de literatura inglesa da Universidade da

 Provncia de Aichi .
 No Japo , o dia 3 de fevereiro  conhecido como

 Setsubun , que significa " divisor de estao " .
 Ele marca a passagem

 do inverno para a primavera , segundo o antigo calendrio japons .

 Na noite do Setsubun , os japoneses costumam espalhar gros

 de soja pela casa e dizer " Oni wa soto , fuku wa uchi " ( Para fora

 demnio , para dentro a boa sorte ) , para espantar os maus espritos

 e atrair a felicidade .
 Neste caso , o Oni representa tambm o

 esprito do frio e do inverno .

 Expresses e provrbios :

 Oni ni kanab : Significa " da melhor " , " mais que perfeito " ( O Oni

 j  forte ; com um basto de ferro , fica ainda mais forte ) .

 Oni no inu ma ni sentaku : Relaxar na ausncia daquele que mete

 medo .
 " Quando o gato sai , o rato faz a festa " .

 Oni ga deruka jya ga dekura : Utiliza-se quando  difcil prever o

 que poder acontecer em seguida .

 Oni no kakuran : Doena tina que atinge algum que aparentava ter

 tima sade .

 Oni no kubi o totta y : " Como se houvesse arrancado a cabea do

 oni " .
 Ou seja , " como se fosse um grande feito " .

 Oni no me ni mo namida : O Oni tambm chora .
 Isto  mesmo os mais

 brutos podem se revelar sensveis .

 Oni mo jhachi bancha mo debana : At o Oni era bonito quando moo .

 Tudo  bom no seu momento ideal .

 Fonte : So Paulo Shimbun 03/02/2000

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 SMEN / SOBA

 Depois de arroz , o alimento mais popular no Japo so os

 vrios tipos de macarro , conhecidos genericamente como menrui .
 O

 macarro vem em diversos formatos e tamanhos , e existem tambm

 inmeras maneiras de servir .

 No vero , muitos japoneses preferem consumir o macarro

 gelado , que pode ser preparado com smen ( macarro  base de trigo ,

 com fios delgados e compridos ) ou soba ( macarro de trigo

 sarraceno , de colorao escura ) .
 Um estrangeiro inexperiente pode

 achar todos os macarres iguais , mas , para um conhecedor do

 assunto , h muita diferena entre o macarro e o molho da regio de

 Kansai ( Osaka-Kioto ) e Kanto ( Tqui - Yokohama ) , por exemplo .

 Quanto ao modo de comer , entretanto , existe um s : deve-se

 sorver o macarro fazendo tanto barulho quanto possvel , para

 mostrar que est realmente apreciando o prato .
 Isso no deixa de

 ser curioso , j que , para os demais pratos da culinria japonesa , a

 etiqueta manda que sirva em silncio .

 H os que tentem explicar essa exceo  regra dizendo que ,

 originalmente , o menrui era alimento da classe mais baixa .
 Segundo

 dizem , os pobres tendem a ser ruidosos , e seu modo de comer

 macarro teria se perpetuado mesmo opulento Japo de hoje .

 Como preparar macarro gelado :

 Veja como preparar um Hiyashi smen .

 Ingredientes :

 * 500 gramas de macarro smen

 Para o molho :

 * 1 envelope de hondashi

 * 1 copo de shyu

 * 10 centmetros de kombu

 * 5 copos de gua

 Para o acompanhamento :

 * gengibre ralado

 * 2 ovos fritos como omelete e cortado em tiras

 * nori , tambm em tirinhas

 * cebolinha verde

 Preparo :

 Cozinhe o macarro em gua fervente por 3 minutos .

 Escorra e deixe esfriar .

 Para o molho , leve a gua ao fogo e ponha os ingredientes ( hondashi ,

 acar , mirin , shoyu e kombu ) .

 Basta ferver um pouco e est pronto .
 Depois de esfriar , retire a folha de kombu

 e leve o molho  geladeira .
 Na hora de servir , o macarro tambm deve estar bem

 geladinho .

 Por isso , coloque algumas pedras de gelo .
 Tempere a gosto .
 Na tigelinha ,

 coloque o macarro , o molho e um pouco de cada um dos acompanhamentos .

 Fonte : So Paulo Shimbun 10/02/2000

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 BONECO MECNICO

 Em 3 de maro , celebra-se no Japo o Hina Matsuri , ou

 Festival das Bonecas , dia de rezar pela felicidade e sade das

 meninas .
 Famlias que tm meninas comemoram a data exibindo , numa

 plataforma de vrios andares , um conjunto de bonecos em trajes

 tpicos da corte imperial , os hina ningy .

 O hina ningy  apenas um dos tipos de bonecos tradicionais

 muito conhecidos do Japo .
 Outro boneco muito conhecido  o

 karakuri ningy , que possui algum dispositivo mecnico dentro dele

 ( corda , mola , engrenagens etc. ) para lhe conferir movimento .

 Segundo Seina Takanashi , um entusiasta de bonecos que

 escreveu um artigo num website dedicado ao karakuri

 ( www.cnj.or.jp / karakuri / index.html ) , foi no sculo 18 , meados da

 Era Edo , que esses bonecos comearam a aparecer no Japo .
 Um exame

 dos mecanismos utilizados nos bonecos revela em especial a

 influncia da tecnologia europia de fabricao de relgios ,

 introduzida no Japo por missionrios jesutas .

 Takanashi diz que , embora os bonecos mecnicos europeus

 tambm se baseassem na tecnologia relojoeira , havia algumas

 diferenas .
 Os bonecos europeus eram fabricados de modo a imitar os

 movimentos humanos da maneira mais perfeita possvel , enquanto os

 karakuri japoneses , provavelmente sob influncia do teatro Noh ,

 buscavam movimentos abstratos para expressar emoes humanas .

 Um exemplo de boneco karakuri famoso  o que segura uma

 pequena bandeja para servir ch a um convidado .
 Quando se pe uma

 xcara na bandeja , ativa-se um mecanismo que faz o boneco mover-se

 para frente , parando quando a xcara  tirada da bandeja .
 Quando a

 xcara  colocada de volta na bandeja , o boneco retorna  sua

 posio original .

 Durante a Era Edo , esse tipo de boneco era um brinquedo

 luxuoso para senhores feudais e comerciantes ricos .
 Eles usavam o

 boneco para entreter ou impressionar os convidados .
 H outros

 bonecos karakuri famosos , entre os quais se destacam os do estilo

 Takeda .
 Muitos bonecos adornam carros alegricos que desfilam

 durante os diferentes festivais , sendo atraes  parte para o

 pblico .
 Cada boneco  resultado do trabalho meticuloso de um

 arteso , que precisa ter mltiplas habilidades , como conhecimento

 em carpintaria , escultura e mecnica .

 Fonte : So Paulo Shimbun 02/03/2000

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 YAKUZA , O Crime Organizado Japons

 O crime organizado no Japo  conhecido genericamente como

 Yakuza .
 O termo provm da leitura dos nmeros 8 ( ya ) , 9 ( ku ) e 3

 ( sa ) , que formam a pior combinao possvel de cartas num certo

 jogo de baralho .
 O jogador que tira estas trs cartas no marca

 ponto algum , ou seja , fica com algo completamente intil nas mos .

 Por extenso , o termo Yakuza passou a ser utilizado para se referir

 genericamente aos prias , aos indivduos considerados " inteis "

 para a sociedade .
 Estes incluam pessoas como profissionais de

 jogos de azar , guerreiros renegados , bandidos errantes e vendedores

 ambulantes que tentam ludibriar seus fregueses .

 A imagem do Yakuza faz parte da cultura popular japonesa

 desde pelo menos o sculo 17 .
  , portanto , uma instituio mais

 antiga que a Mfia Siciliana e outras organizaes criminosas

 internacionais .
 Assim como a mfia e outras organizaes do

 submundo , o Yakuza segue uma estrutura hierrquica de cls e

 famlias .
 No caso japons , uma caracterstica distintiva  o

 relacionamento do tipo oyabun-kobun ( pais e filhos ) que se

 estabelece entre chefes das gangues e seus subordinados .
 Aqueles

 oferecem proteo e orientao , estes retribuem com obedincia e

 lealdade .

 No h estimativas recentes sobre o nmero de membros do

 Yakuza .
 Em 1988 , a Agncia de Polcia Nacional ( NPA ) estimou que

 havia no pas cerca de 3.400 grupos de crime organizado , reunindo

 aproximadamente 100.000 pessoas .
 Os trs maiores grupos so o

 Yamaguchi-gumi , Sumiyoshi Rengo-kai e o Inagawa-kai .

 Ainda segundo a NPA , em 1989 o crime organizado japons

 faturou pelo menos 1,3 trilho de ienes ( mais de US$ 12 bilhes

 pelo cmbio atual ) .
 Este dinheiro provm de atividades ilegais como

 trfico de drogas , contrabando de armas , extorso , agiotagem ,

 controle de jogos de azar e prostituio .
 O crime organizado tambm

 atua no mercado de aes e de imveis , operando com uma estrutura

 de causar inveja s grandes corporaes .

 Fonte : So Paulo Shimbun 16/03/2000

 Conhea mais sobre o Passado e o Presente do grupo Yakuza === >>

 YAKUZA , Past and Present

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 UNIFORME ( Seifuku )

 Nenhum povo do mundo talvez use uniforme tanto quanto os

 japoneses .
 A maioria comea a vestir uniformes desde criana ,

 quando passa a freqentar uma escola .
 A obrigatoriedade do uniforme

 acompanha o jovem durante toda sua vida escolar , sendo interrompida

 s na poca em que ele ingressa numa faculdade .

 Terminada a faculdade , porm , muitos japoneses voltam a

 vestir um uniforme , dependendo da profisso que abraar ou da

 empresa em que for trabalhar .
  curioso observar que o uso de

 trajes padronizados nem sempre se impe de forma compulsria .
 Basta

 caminhar no centro de Tquio na hora de pico para ter a impresso

 de que aquela multido de salarymen usando ternos de mesmo corte e

 de mesma cor geralmente tendendo para cinza-escuro ou azul-marinho

 so todos funcionrios de uma nica corporao , a Japan Inc .

 A padronizao no se limita a vestimenta , estendendo-se

 tambm aos adereos , como por exemplo os hachimaki ( tira de pano

 que se ata em volta da cabea ) utilizados pelos empregados de casas

 de sushi. Pode-se dizer tambm que as tatuagens que cobrem o corpo

 de um Yakuza viraram uma espcie de uniforme permanente de membros

 do crime organizado .

 Houve uma poca em que a conjuntura econmica justificava a

 adoo generalizada de uniformes , como por exemplo no perodo de

 escassez durante e depois da Segunda Guerra .
 Mas , no Japo afluente

 e moderno de hoje ,  de questionar se esse apego a uniformes no

 seria anacrnico ou obsessivo .

 No caso dos uniformes escolares , no seria um exagero

 regulamentar at mesmo o tamanho dos botes como fazem algumas

 escolas - - ainda mais numa fase em que os jovens buscam a afirmao

 de sua identidade individual ?
 Essa cultura de uniformizao

 compulsria no estaria por trs dos freqentes casos de ijime

 ( maus-tratos ) , em que uma criana  muitas vezes escolhida como

 alvo de perseguio por ser " diferente " dos colegas ?

 Pode-se argumentar que o uso de uniformes  mais prtico e

 conveniente , que eles fomentam o esprito de grupo etc .
 Mas , por

 outro lado , essa padronizao forada no seria uma camisa de fora

 que , de algum modo , tolhe a criatividade e liberdade individuais ?

 Fonte : So Paulo Shimbun 23/03 / 2000

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 MQUINA DE VENDA AUTOMTICA

 No Japo , onde quer que voc esteja inclusive no topo do

 Monte Fuji , voc no precisa procurar muito para avistar uma

 mquina de Venda automtica ( jid hanbaiki ) .
 O Japo 

 provavelmente o pas com maior densidade de mquinas de venda

 automtica .
 At o final do ano passado , segundo nmeros da JVMA

 ( Japan Vending Machine Association ) , havia 5.537.500 dessas

 mquinas em todo o pas , o que d uma mdia de 14,6 mquinas por

 km .
 Ou 1 mquina para cada 23 habitantes .

 Elas se espalham junto s lojas de convenincia , nos cantos

 das ruas , nas plataformas das estaes de trem , nos parques , nos

 recintos de templos e santurios , em todos os lugares .
 O volume de

 dinheiro movimentado por essas mquinas no Japo  fabuloso .
 O

 faturamento total chegou a 7,164 trilhes de ienes ( cerca de US$

 67,6 bilhes ) no ano passado .

 As mquinas vendem de tudo : bebidas , comida , cigarro ,

 flores , roupas , vdeo ertico , preservativo ...
 etc .
 Existem at

 mesmo mquinas que vendem insetos para colecionadores .
 As bebidas

 em geral ( refrigerantes , sucos , ch , caf , cerveja etc. ) so os

 produtos mais comuns , ocupando no ano passado 47,8 % do total das

 mquinas de venda automtica no Japo .

 O comentarista econmico Hiroshi Takeuchi aponta cinco

 motivos para o Japo ter se tornado o reino das mquinas de venda

 automtica :

 1 .
 O elevado custo da mo-de-obra , que inviabiliza a contratao de

 empregados por pequenos comerciantes ;

 2 .
 O elevado custo dos imveis , que dificulta a abertura de novas

 lojas ;

 3 .
 O desenvolvimento de sistemas e tecnologias especficas para dar

 suporte a este canal de distribuio ;

 4 .
 A transformao social que gerou maior demanda por servios 24

 horas por dia ;

 5 .
 A excelente condio de segurana pblica .

 Esta ltima razo  considerada por muitos como a mais

 importante .
  provvel que as mquinas no tivessem se proliferado

 tanto se fossem freqentes os casos de furto ou vandalismo .
 E , ao

 que parece , este  um dos motivos que inviabilizam a adoo dessas

 mquinas no Brasil , onde atualmente esto restritas a ambientes

 fechados , que possibilitem um mnimo de vigilncia .

 Mesmo no Japo nem tudo  perfeito .
 Os crticos citam que

 as mquinas de venda automtica aumentam a poluio visual ,

 atrapalham o transito de pedestres , consomem muita energia por

 ficar 24 horas por dia em operao e , sobretudo , deixam cigarros ,

 bebidas e material pornogrfico ao alcance de qualquer criana .

 Fonte : So Paulo Shimbun 30/03/2000 .

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 OUTONO , A Estao da Leitura ( Dokusho no Aki )

 Os japoneses consideram o outono a melhor poca para a

 leitura .
 Neste perodo do ano , o sol se pe mais cedo e as noites

 ficam mais longas , enquanto o calor do vero vai dando lugar para a

 brisa refrescante do outono , convidando as pessoas a se dedicarem a

 um bom livro .

  outono , entre os dias 27 de outubro e 9 de novembro , que

 os japoneses promovem a Semana do Livro ( Dokusho Shkan ) ,

 organizando exposies de livros , palestras , concursos literrios e

 diversas outras atividades para estimular a leitura .

 O brasileito que visita o Japo pela primeira vez , em

 qualquer poca do ano , ficar impressionado com o nmero de pessoas

 absorvidas na leitura de livros , jornais ou revistas dentro do

 nibus ou do trem .
 Outra cena que chama a ateno nas bancas e

 livrarias  a quatidade de praticantes de tachiyomi , ou seja ,

 leitura de livro ou revista no prprio local , muitas vezes sem

 inteno de comprar .

 O Japo  o quinto pas do mundo em nmero de livros

 publicados , atrs da Gr-Betanha , China , Alemanha e EUA .

 Mas , nos ltimos anos , mais japoneses vm ocupando seu tempo livre

 assistindo a TV ou jogando videogame , em detrimento da leitura .
 Um

 levantamento realizado pelo dirio " Mainichi Shimbun " no ano

 passado revelou que , em mdia , os japoneses dedicam menos de 1 hora

 por dia  leitura de livros e revistas , contra quase 3 horas para

 TV .
 Em todo caso , abril  um ms em que ocorrem eventos

 relacionados ao livro tanto no Japo quanto no Brasil .

 Fonte : So Paulo Shimbun 20/04/2000

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 POVO AINU

 Os ainus so uma minoria tnica que habita principalmente a

 ilha de Hokkaido , norte do Japo .
 Sua populao atual  estimada em

 pouco mais de 20 mil pessoas .
 Os ainus puros so cada vez mais

 raros , devido a intercasamentos com japoneses .
 At h pouco tempo ,

 considerava-se que os ainus e os japoneses pertenciam a grupos

 tnicos distintos , sendo aqueles de origem caucasiana e estes ,

 mongolides .

 De fato , um ainu tpico  fisicamente diferente dos demais

 japoneses , possuindo , por exemplo , cabelos mais espessos e

 abundncia de plos no corpo .
 Estudos mais recentes de antropologia

 cultural , hematologia e outros ramos da cincia , contudo , sugerem

 muita semelhana entre os ainus e os japoneses do Perodo Jmon

 ( 8000 a.C. - 300 a.C. ) .

 H tambm estudos de lingstica apontando similaridades

 entre a lngua japonesa e a lngua e a lngua dos ainus no que se

 refere  gramtica e ao vocabulrio .

 Seja como for , os principais lderes dos ainus consideram a

 si mesmos um grupo tnico diferenciado e lutam para serem

 reconhecidos como um povo indgena do Japo .
 Eles reivindicam a

 devoluo de terras que , ao longo dos sculos , foram sendo ocupados

 pelos agricultores japoneses .
 Os ainus tambm querem medidas para

 proteger sua cultura e tradies , que gradualmente foram

 desaparecendo por fora da assimilao promovida pelo governo .
 Os

 ainus vivem da caa e da pesca , atividades normalmente

 desempenhadas pelos homens .

 As mulheres se dedicam mais  agricultura , basicamente

 primitiva .
 Tatuar o rosto e os braos  uma prtica comum entre as

 mulheres , e tanto os homens quanto as mulheres costumam usar

 brincos .
 A religio tradicional , baseada na f em uma divindade

 suprema ,  uma forma de adorao da natureza que gira em torno de

 uma crena nos espritos associados a fenmenos e foras naturais .

 Um dos cultos religiosos mais conhecidos  o festival anual

 cujo clmax  o sacrifcio de um urso .
 Os ainus capturam o urso

 ainda filhote , alimenta-o e , quando o animal atinge 2 ou 3 anos , 

 sacrificado em um ritual .
 Para os ainus , o urso  um visitante do

 outro mundo que aparece para oferecer sua carne como uma ddiva

 para os seres humanos .
 Assim , eles sacrificam o urso , comem sua

 carne e devolvem seu esprito ao outro mundo .

 Fonte : So Paulo Shimbun 27/04/2000

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 ASSDIO SEXUAL ( Sekuhara )

 Um relatrio divulgado na semana passada pelo Ministrio do

 Trabalho do Japo revelou que , no ano fiscal de 99 ( encerrado em 31

 de maro ) , os escritrios do governo espalhados pelo pas receberam

 um total de 9.451 queixas e consultas no trabalho , um nmero 35 %

 maior do que o registrado no ano anterior .

 Os nmeros indicam tambm que cada vez mais mulheres no

 Japo esto denunciando os caso em que foram vtimas de assdio

 sexual , que est deixando de ser um tema tabu .

 A discusso aberta sobre molestamento sexual no trabalho  to

 recente no Japo que foi preciso adotar uma expresso estrangeira

 para descrev-lo : sekuhara ( forma abreviada do ingls sexual

 harassment ) .

 Faz pouco tempo , o termo sekuhara apareceu freqentemente

 nos jornais japoneses por causa dos noticirios envolvendo o ento

 governador de Osaka , Knock Yokoyama , que renunciou ao cargo em

 dezembro passado sob acusao de ter assediado uma jovem que

 trabalhara em sua campanha de reeleio .
 Foi um dos maiores

 escndalos sexuais da dcada no pas .

 O assdio sexual de mulheres  apenas uma faceta de um

 problema mais amplo , a discriminao contra as mulheres , que

 recebem salrios menores , enfrentam maiores barreiras para a

 ascenso profissional e ainda so vistas como pessoas menos

 capazes .

 Por causa dessa cultura de pr a mulher em segundo plano ,

 algumas importantes multinacionais japonesas j tiveram de

 enfrentar no exterior aes judiciais de funcionrias estrangeiras

 que se sentiram vtimas de discriminao sexual .

 Fonte : So Paulo Shimbun 11/05/2000

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 BANZAI !
 ( Viva !
 )

 A palavra banzai costuma evocar , em muitos ocidentais , o

 passado militarista do Japo do perodo da Segunda Guerra .
 Uma cena

 tpica que povoa a cabea de muitas pessoas , graas a inmeros

 filmes sobre a guerra ,  a de um piloto suicida , com um sol

 nascente desenhado numa tira de pano atada  cabea , lanando

 resolutamente seu avio contra um navio inimigo depois de gritar

 banzai !

 Ainda hoje , o banzai com esta acepo figura entre os

 termos que soam mais familiares para os que desconhecem a lngua

 japonesa , ao lado de palavras como kamikaze e harakiri.Muitos

 ocidentais que associam o banzai a um grito de guerra ficariam

 surpresos se descobrissem que esta palavra tem originalmente um

 significado benigno e pacifista .
  um vocabulrio utilizado para

 desejar longa vida ( " tomara que voc vida dez mil anos " ) e

 prosperidade .

 Antigamente , pronunciava-se esta palavra como banzei .
 Era

 um termo utilizado como interjeio ou exclamao , sendo empregado

 no somente como uma manifestao de triunfo quando se vencia uma

 batalha , mas tambm para desejar longa vida ao imperador e  nao ,

 ou para agradecer aos cus por uma chuva to aguardada .

 Modernamente , consta que foi um estudante universitrio

 quem primeiro gritou a palavra banzai com a inteno de dar vivas

 ou urras .
 Foi durante uma imponente cerimnia de promulgao da

 Constituio japonesa de 1889 , no Perodo Meiji .

 A comunidade japonesa no Brasil tambm adotou o costume de

 gritar banzai trs vezes durante ocasies festivas .
 Seu sentido 

 totalmente pacifista , similar ao do " viva " em portugus .

 De volta ao Japo , ainda  possvel observar , nas

 plataformas das estaes de trem , o curioso espetculo de um grupo

 de funcionrios de uma empresa gritando banzai para se despedir e

 desejar sorte a um colega que foi promovido e transferido para

 outra cidade .

 Fonte : So Paulo Shimbun 18/05/2000

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 POLCIA ( Keisatsu )

 Nos ltimos tempos , vrios escndalos envolvendo policiais ,

 incluindo casos de corrupo e de assdio sexual , abalaram a imagem

 da Polcia do Japo , tradicionalmente uma das instituies de maior

 credibilidade naquele pas .
 Debate-se uma reviso do sistema

 policial japons , mas parece que a tarefa no ser nada fcil .

 Com um efetivo de aproximadamente 26 mil pessoas , a Polcia

 japonesa tem uma estrutura organizacional composta pela Agncia de

 Polcia Nacional ( que atua como um rgo de coordenao ) e por

 unidades policiais em cada uma das 47 provncias , que gozam de

 autonomia para realizar todas as operaes policiais dirias dentro

 de seu respectivo territrio .

 Em cada provncia , o departamento de polcia divide a rea

 sob jurisdio em postos policiais comunitrios , um trao bem

 caracterstico da Polcia Japonesa .
 Conhecidos como kban , esses

 postos policiais so os elos de contato direto com as comunidades

 locais e ficam geralmente em lugares estratgicos , bem visveis

 para todos .

 Os policiais lotados num kban acabam se tornando figuras

 familiares aos moradores de cada comunidade .
 Eles so responsveis

 no somente pela manuteno da ordem e preveno contra crimes em

 sua rea , como tambm fornece informaes , cuidam de objetos

 achados ou perdidos e at do conselhos .

 H cerca de 15 mil kban e chzaisho ( postos de menor

 porte , localizados principalmente em reas rurais ) espalhados por

 todo o Japo .
 A presena dos policiais lotados nesses postos ajudam

 a dar uma sensao de segurana aos moradores de cada comunidade .

 Os kbans so um aspecto sempre elogiado do sistema

 policial japons e que vem sendo copiado por outros pases .
 A

 Polcia japonesa , no entanto , no  perfeita .
 A impunidade de

 policiais que comentem infraes  um dos maiores defeitos .

 Ativistas de direitos humanos criticam tambm os mtodos

 truculentos usados pela Polcia para arrancar confisses  fora .

 Fonte : So Paulo Shimbun 25/05/2000

 Conhea mais sobre a Polcia Japonesa === >> Description of the

 Japanese Police Organization

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 DIA DE PREVENO CONTRA A CRIE - Mushiba Shobo Dei

 Dia 4 de junho  comemorado o Dia de Preveno contra a

 Crie no Japo .
 Os japoneses escolheram essa data porque o nmero 6

 ( ou junho ) pode ser pronunciado como mu , enquanto 4  shi .
 Juntando

 os dois sons  slaba ha ( dente ) , surge a palavra mushiba , que

 significa dente cariado .

 Todos os anos , o Ministrio da Sade do Japo aproveita

 essa data para realizar uma companha de conscientizao sobre a

 importncia de cuidar dos dentes .
 Durante uma semana , dentistas

 visitam as escolas para ensinar s crianas a forma correta de

 fazerem a higiene bucal .
 Algumas lojas de departamento tambm

 aderem  campanha , convidando dentistas a fazerem exames e

 consultas gratuitamente durante um certo perodo .

 Falando em dentes ,  oportuno mencionar um curioso costume

 dos japoneses de antigamente , o ohaguro , que consistia em enegrecer

 os dentes passando neles ferro oxidado , como se fosse um batom para

 dentes .
 Consta que esse costume existia j no sculo 3 .
 Na Era

 Kamakura ( 1192-1338 ) , o hbito se difundiu entre os homens da

 nobreza e da classe dos samurais .
 A partir da Era Edo ( 1603-1868 ) ,

 o costume de tingir os dentes de preto ficou restrito s mulheres .

 Meninas com cerca de 10 a 12 anos pintavam os dentes para

 mostrar que haviam chegado  idade adulta .
 Mais tarde , dentes

 enegrecidos passaram a indicar senhoras casadas .
 Por ser uma cor

 imutvel , o preto simbolizava a castidade e submisso de mulheres

 casadas .

 Embora dentes negros fossem considerados o padro naquela

 poca , as mulheres mais finas relutavam em exibir os dentes .
 Por

 isso , elas cobriam a boca com a mo ou com a manga do quimono na

 hora de sorrir .
 Talvez como herana desse recato , ainda hoje 

 possvel observar que muitas mulheres no Japo tapam a boca quando

 riem ou mesmo quando falam .

 Na Era Meiji ( 1868-1912 ) , o ohaguro chegou a ser proibido e

 acabou caindo em desuso .
 H quem diga que o ohaguro , embora tivesse

 primordialmente uma funo esttica , ajudava a combater a crie .

 Primeiro , porque , antes de colorir os dentes , as pessoas tinham de

 limp-los bem .
 E , segundo , porque algumas substncias utilizadas no

 enegrecimento dos dentes seriam eficazes contra a crie .

 Fonte : So Paulo Shimbun 15/06/2000

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 DIREITO / ESQUERDO - Miguite / Hidarite

 Cada cultura tem algumas regras sobre quando usar a mo

 esquerda ou a direita .
 Na ndia e na Arbia , por exemplo , dizem que

  costume usar a mo direita para fazer as coisas do pescoo para

 cima ( por exemplo , levar comida  boca ) e a mo esquerda para as

 coisas do pescoo para baixo ( por exemplo , para a higiene pessoal

 do toalete ) .
 No Japo tambm existem algumas regras .

 Ao se sentar e cruzar as mos , os japoneses procuram cobrir

 a mo direita com a mo esquerda .
 Isso seria por causa de uma

 antiga influncia do confucionismo e do taosmo , que utilizam a mo

 esquerda para eventos felizes e a mo direita para infortnios .
 Nas

 casas ao estilo japons , as portas corredias trazem usualmente o

 lado esquerdo por cima .
 No quimono , o lado esquerdo tambm fica por

 cima , exceto quando usado como traje fnebre .

 At a Era Meiji ( 1868-1912 ) , o cerimonial da Casa Imperial

 determinava que o imperador se sentasse  direita de quem olha ,

 ficando a imperatriz  esquerda .
 Isso porque , na Corte Imperial , o

 imperador se sentava voltado ao sul e , assim , o lado esquerdo

 ficava sendo o de hierarquia mais elevada .

 Entretanto , a partir da Era Taish ( 1912-1926 ) , inverteu-se

 a posio , e o imperador passou a ficar  esquerda de quem olha .

 Essa mudana pode ter ocorrido por influncia da Europa Ocidental ,

 onde o protocolo determina que a pessoa mais importante se

 posicione  direita (  esquerda de quem olha ) .
 Essa regra pode ser

 observada na distribuio de bonecos na plataforma para a

 comemorao do Hina Matsuri ( Dia da Meninas no Japo , 3 de maro ) .

 A mesma posio  respeitada pelos noivos durante a cerimnia de

 casamento .

 Expresses

 Migi to ieba hidari - Ser do contra .

 Migi kara hidari - Imediatamente , a torto e a direito .

 Miguiude - Pessoa de confiaa , brao direito .

 Hidariuchiwa - ( Viver com ) grande conforto .

 Hidarimae - Adversidade , circunstncia difcil ( negcio etc. ) .

 Hidarikiki - canhoto .
 E tambm : pessoa que gosta de beber .

 Fonte : So Paulo Shimbun 06/07/2000

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 MORROS SEPULCRAIS

 No Japo antigo , entre os sculos 3 e 7 , havia o costume

 de sepultar imperadores e nobres em tmulos cobertos com grande

 quantidade de terra , formando um monte .
 Tais morros sepulcrais so

 chamados de Kofun , e o perodo histrico em que eles proliferaram

 no Japo  conhecido como Era Kofun .

 O costume de construir grandes mausolus parece ter sido

 copiado de chineses e coreanos .
 No Japo , os kofuns esto presentes

 de norte a sul , com grande concentrao na regio de Kinki , que

 engloba as provncias de Osaka , Nara e Kioto .
 O maior de todos os

 kofuns se encontra na cidade de Sakai , provncia de Osaka .
 Tem 486

 metros de comprimento , 305 metros na parte mais larga e ocupa uma

 rea total de mais de 100 mil m .
 Foi construdo no sculo 5 para

 o imperador Nintoku .
 Este kofun est entre os maiores mausolus do

 mundo , rivalizando com a grande pirmide de Khufu , no Egito .

 Mediante simulao com computador , uma equipe da empresa

 Obayashi-gumi calculou que , mesmo utilizando tecnologia disponvel

 hoje , a construo de um kofun deste porte levaria 15 anos e 8

 meses , e um custo total de 79,6 bilhes de ienes .
 Um aspecto

 misterioso  que a maioria dos kofuns , vista do alto , tem a forma

 de um buraco de fechadura .

 Os kofuns simbolizavam o poder das pessoas que eram

 enterradas neles .
 Outros indcios desse poder eram os objetivo que

 acompanhavam o falecido , como espadas , armaduras e jias .
 Em alguns

 casos , cavalos eram enterrados vivos com seus donos .
 Os artefatos

 mais caractersticos encontrados nos tmulos so as haniwa ,

 estatuetas de argila representando seres humanos , animais etc. , e

 que fornecem informaes sobre o modo de vida da poca .

 Fonte : So Paulo Shimbun 13/07/2000

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 SABONETE ( Kesh sekken )

 Toda pessoa j deve algum dia ter brincado de fazer

 bolinhas de sabo .
 No Japo , essa brincadeira com bolinhas de

 sabo , chamadas shabondama , deu origem a uma cano infantil muito

 conhecida e que vem sendo passada de gerao para gerao .

  curioso notar que a palavra shabon  uma corruptela ( modo

 errado de escrever ou pronunciar uma palavra ) que se originou do

 protugus " sabo " .
 De acordo com os registros histricos , foram os

 portugueses que introduziram o sabo no Japo logo que chegaram 

 ilha de Tanegashima , em 1543 .
 No mundo , h registros deixados pelos

 sumrios indicando que j se usava sabo na antiga Babilnia h

 mais de 3 mil anos .

 No Perodo Edo ( 1603-1868 ) , os sabes , ainda de fabricao

 estrangeira , eram utilizados apenas pelos senhores feudais , sendo

 considerados presentes de alto valor .
 J as pessoas comuns

 recorriam a produtos substitutos , como escova de esfregar , farelo

 de arroz e gua utilizada para lavar arroz .

 Alm de ser um produto caro , h uma teoria de que o uso do

 sabo demorou a se disseminar entre pessoas comuns no Japo proque

 tinha a imagem de ser uma coisa prpria de cristo .
 Em 1872 , j no

 Perodo Meiji , o governo construiu em Kioto a primeira fbrica de

 sabo do pas .
 Utilizava como matria-prima a gordura bovina e o

 tanino de beringela .
 No ano seguinte , Isoemon Tsutsumi construiu em

 Yokohama a primeira fbrica de sabo de iniciativa privada .
 O

 sabonete ( sabo aromatizado para higiene corporal ) comeou a ser

 fabricado um ano depois .
 Nos anos subseqentes , foram surgindo

 novas fbricas e o uso do sabo e do sabonete foi se difundindo

 entre os japoneses .

 Fonte : So Paulo Shimbun 20/07/2000

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 CASTELOS ( Shiro )

 Os castelos tm uma longa histria no Japo , tanto que a

 palavra correspondente em japons , shiro , j foi mencionada no ano

 720 na obra Nohon Shoki ( Crnicas do Japo ) , o primeiro relato da

 histria daquele pas .
 Como em outros pases , os castelos no Japo

 forma constitudos com duas finalidades principais .

 A primeira foi para fins de defesa : senhores feudais

 construam fortalezas onde pudessem se retirar durante um ataque .
 O

 segundo objetivo de um castelo era pura ostentao : uma forma de um

 senhor feudal exibir riqueza e poder .
 Durante o perodo de

 guerra entre senhores feudais pela disputa de territrios ,

 literalmente centenas de castelos foram erguidos em todo o Japo .

 Para proteger os territrios que ocupavam , os senhores feudais

 passaram a construir castelos cada vez maiores e mais complexos .

 O primeiro dessa gerao de castelos mais fortificados foi

 o Azuchi_j , construdo por Oda Nobunaga , em 1576 .
 De simples

 fortaleza militar , os castelos foram se tornando centros

 administrativos e passaram a atrair moradores em volta .
 A

 construo de castelos levou ao desenvolvimento de muitas das

 grandes cidades do Japo de hoje , inclusive Tquio .

 O perodo de guerra chegou ao fim em 1615 , quando Tokugawa

 leyasu unificou o pas sob um s governo .
 Com isso , a importncia

 dos castelos diminuiu , mas eles se mantiveram como smbolos de

 autoridade .
 Com a restaurao Meiji , em 1868 , o novo regime adotou

 uma lei determinando a demolio das indesejveis relquias do

 feudalismo .

 At 1875 , foram desmantelados mais de 2/3 dos 170 castelos

 que havia no Perodo Edo .
 Depois disso , outros castelos forma

 destrudos por incndio , terremotos e durante a Segunda Guerra .
 Por

 outro lado , o renovado interesse pela histria e pela preservao

 da memria levou  restaurao de muitos antigos castelos .
 Hoje , 37

 castelos no pas so protegidos pelo governo como " importantes

 propriedades culturais " ou " tesouros nacionais " .
 Eles viraram

 centros de turismo , embora poucos tenham partes originais dos

 antigos castelos .

 So Paulo Shimbun 27/08/2000

 Veja alguns dos mais bonitos castelos do Japo === >> Japan's Castle

 - Some Beautiful Castles of Japan

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 SAK

 A bebida alcolica est presente desde a antigidade .

 Conta-se que no Egito , h 5 mil anos , Deus Osris concedeu s

 pessoas o conhecimento sobre a cerveja .
 Na mitologia japonesa

 tambm temos as divindades Ookuninushi no mikoto e sukuna hikona no

 mikoto como Deuses do Sak .
 Diz a histria que , na segunda metade

 do sculo oito , foram admitidos em Heiankyo ( atual Kioto ) os

 encarregados de produzir sak para o Palcio Imperial .

 O sak era uma importante oferenda nas atividades

 religiosas e com isso surgiu o costume de sabore-lo nestas

 ocasies .
 Tambm foi muito utilizados em festividdes ligadas 

 agricultura , em casamentos e despedidas .
 O sak refinado tornou-se

 popular na Era Edo , segunda metade do sculo 18 , e seu consumo

 anual foi de 1,8 milho de tonis , sendo que a populao de Edo era

 de 1 milho de pessoas .
 Isto implica em um consumo dirio de

 541,11cm por habitante .

 Para produzir uma sak refinado de bom sabor  necessrio

 um arroz de qualidade , boa gua , tonel tambm de boa qualidade como

 o fabricado como o pinheiro de Yoshino , um competente especialista

 em fabricao , temperatura propcia para a fermentao , entre

 outras condies .
 Por isso , desde a Era Edo j eram famosos os

 Kikumasam une de Nada ( atual provncia de Hyogo ) e Gekkeikan de

 Fushimi ( Kioto ) .

 H dois tipos de sak refinado : o karakuchizak ( sak seco

 com teor alcolico acima de dois graus ) e o amakuchizak ( sak

 doce ) .
 Dizem que em pocas de prosperidade , proporcionalmente 

 estabilidade do momento , a preferncia recai sobre o karakuchi ,

 cujo paladar no cansa o consumidor e , em pocas de recesso , passa

 a ser maior a procura por amakuchi , que traz saciedade com uma

 quantidade menor .

 Parece que atualmente o amakuchizak est em alta .

 Indispensvel nas festividades e nas horas de lazer , o sak era

 tambm apreciado nos comes e bebes nas platias , durante a

 apresentao de teatros como o Kabuki .
 Inclusive hoje , os

 assalariados se dirigem aps o expediente para beber em bares e

 barracas ambulantes para dissipar o estresse gerado no trabalho .

 O nmero de mulheres que apreciam sak tambm tem crescido

 a cada dia , inclusive sabe-se que h cada vez mais mulheres que

 bebem em casa , as denominadas " Kichen dorinkaa " ( as que bebem na

 cozinha ) .
 No Brasil , com a difuso da culinria japonesa , tem

 aumentado o nmero de brasileiros que degustam o masuak ( sak em

 copo quadrado ) para acompanhar sushi ou sashimi .
 Parece que o

 atsukan ( sak aquecido ) ainda no entrou na moda .

 Dizem que a bebia alcolica  o melhor dos remdios e ,

 atualmente , com a informao de que o polifenol contido nos vinhos

 traz benefcios para a sade , sua venda aumentou bruscamente ;

 especialmente a importao de vinhos franceses .

 Fonte : So Paulo Shimbun 03/08/2000

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 A HISTRIA DO SAL

 Jogar sal no prprio corpo antes de entrar em casa , logo ao

 retornar de um sepultamento ,  um hbito que pode ser verificado

 mesmo nas famlias nikkeis que residem neste pas .
 Este ritual tem

 por objetivo afastar de si o esprito do falecido e tambm

 purificar-se .

 O sal  tambm usado com freqncia nas casas comerciais ,

 sendo colocado na rea frontal da loja logo aps a limpeza matinal .

 O fato de os lutadores de sum espalharem sal na arena tambm tem o

 siginificado de purificar o local e a si prprio .
 O sal sempre foi

 indispensvel nos cultos aos Deuses , assim como no cotidiano .

 Existe , inclusive , um ditado que diz que aqueles que desperdiam

 sal tornar-se-o cegos .

 Em qualquer pas o sal  o smbolo de purificao e

 mistrio .
 Significa tambm boas vindas e h vrias outras

 conotaes como amizade e bem querer .
 Nas sociedades antigas , o sal

 era tido como preciosidade , sendo utilizado nas cerimnias

 religiosas e , s vezes , at como moeda .
 Por ser um recurso natural

 de suma importncia para as finanas do pas , tanto no Oriente como

 no Ocidente , o sal sempre foi objeto de tributao e monopolizao .

 A palavra " salrio " tem como origem " salarium " do Latim ,

 que significa sal .
 Na antiga Roma , os salrios dos funcionrios

 pblicos e militares eram pagos com sal , assim como na antiga

 Grcia , praticava-se troca de escravos por sal .
 Com relao 

 extrao de sal no Japo , o processo utilizado na antiguidade era o

 de banhar algas com gua do mar e obter o sal secando no fogo .

 A partir das Eras Nara e Heian , o sal passou a ser

 produzido por salinas em vrias regies do pas e , por estar a

 produo restrita a regies da orla martima , logo tornou-se objeto

 de comercializao , assim como ocorria com o arroz .
 Na Era

 Edo , cada feudo incentivava as atividades das salinas para fomentar

 a indstria e as finanas , especialmente na regio do mar interior

 de Seto .
 Na Era Meiji , as provncias ainda eram autosuficientes na

 sua produo , at que foi estabelecido o sistema de monoplio

 devido a entrada de sal importado , a preo inferior , no mercado .

 At 1918 a produo de sal era tida como um meio de proporcionar

 receitas ao cofre pblico .
 Posteriormente , passa a ser priorizado o

 aspecto de interesse pblico , com medidas de estabilizao do preo

 e proteo  indstria produtiva .

 Em 1972 todas as salinas foram fechadas devido a uma lei

 que objetivava a modernizao do setor .
 A partir disso , o sal

 utilizado na cozinha passou a ser o cloreto de sdio com quase 100 %

 de pureza .
 Em 1997 o monoplio chega ao fim , passando a ser

 autorizada a produo do sal natural extrado das guas do mar que ,

 para alegria dos naturalistas , est resurgindo aos poucos em vrias

 regies litorneas .

 O sal  indispensvel  sobrevivncia , pois sua funo  a

 de infiltrar-se ao sangue para melhorar o metabolismo das clulas ,

 por exemplo .
 Como o sal  eliminado atravs do suor e urina , cada

 adulto precisa consumir de 10 a15g diariamente .

 Expresses :

 Aona ni shio : Desanimado , triste .

 Shio o tatsu : Deixar de consumir sal por um tempo para cumprir uma

 promessa .

 Shio o fumu : Lanar-se ao mundo e conhecer as dificuldades .

 Fonte : So Paulo Shimbun 24/08/2000

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 CLCULOS COM SOROBAN

  freqente os japoneses viajarem pelo exterior e

 estranharem a demora do troco ao fazer compra .
 Para eles ,  natural

 determinar imediatamente o valor do troco pelo clculo mental , mas

 percebem que no exterior as coisas no funcionam assim .
 Por trs

 dessa facilidade em fazer clculos mentais existe uma histria de

 400 anos de difuso de soroban ( baco ) .

 A educao no Perodo Edo tinha como centro " a leitura , a

 escrita e o soroban " .
 Parece que , atualmente , com a proliferao

 das calculadoras eletrnicas , est surgindo uma gerao com

 dificuldades em fazer contas ou clculos mentais .
 Na competio ,

 realizada entre um dos primeiros modelos de calculadora eletrnica

 e um expert em soroban , a vitria foi do soroban .

 Contam que a denominao soroban , originou-se de " suan-p '

 an " a lngua chinesa .
 Das escavaes de um templo  beira do rio

 Eufrates , foi encontrado um baco de terra e areia de

 aproximandamente 5.500 anos a.C. , o que faz acreditar que ,

 historicamente , este tipo de baco , denominado " abacus " era usado

 desde os primrdios da histria da humanidade .

 Este tipo de baco consistia em uma tbua de argila

 dividida em linhas , representando cada qual um algarismo , sobre os

 quais se moviam pequenas pedras para calcular .
 Na Grcia e Roma

 antigas , este instrumento evoluiu para o baco de linha , sendo

 utilizado tambm na Europa da Idade Mdia .
 Com a difuso dos

 nmeros arbicos , os clculos passaram a ser feitos por escrito e o

 " abacus " desapareceu do cenrio a partir do sculo 16 e , mesmo na

 Alemanha , no incio do sculo 18 .

 Nos registros histricos da China antiga , a palavra soroban

 aparece s na segunda metade do sculo 16 .
  um instrumento que tem

 duas pedras acima da divisria e cinco pedras abaixo dela .
 No

 entanto , a forma de calcular j havia sido registrada na Dinastia

 Khan ( a.C. ) .
 O soroban reconstitudo dessa poca possui uma pedra

 acima e cinco pedras abaixo da divisria .
 No Japo , o soroban foi

 introduzido por mercadores da China no final do perodo Muromachi

 ( final do sculo 16 ) , em Nagasaki e Sakai .
 Sua difuso entre a

 populao ocorreu a partir do Perodo Edo .

 So chamados de soroban antigos aqueles que tem duas pedras

 acima da divisria.A partir desse mtodo de calcular , surgiu uma

 forma diferente de matemtica , a chamada wasan .
 Em 1872 , a aps a

 Restaurao de Meiji , ocorreu a reforma no Sistema Educacional que

 passou a seguir o sistema ocidental de educao .
 Desde ento , o

 clculo wasan e o soroban foram abolidos do ensino pblico , no

 desaparecendo , no entanto , do cotidiano do povo .

 A partir do ano seguinte foi autorizado o uso concomitante

 do soroban tambm em ensino pblico .
 Atualmente , o ensino pbico .

 Atualmente , o ensino do soroban faz parte da aulas de matemtica do

 4 ano do ensino primrio ; porm , fica limitado a explicaes e nas

 formas mais bsicas manusear .

 So Paulo Shimbun 31/08/2000

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 ARTESANATO EM VIDRO

 Dizem que o vidro surgiu no Egito , por volta de 3.600 anos .

 A primeira pea de vidro foi uma bola feita com um material que at

 ento era usado como revestimento para objetos de cermica e , em

 seguida , foram feitos pequenos vasos e garrafas .
 Esse material , os

 objetos de vidro , bem como a tcnica de produo , chegaram  China

 atravs de silk road , juntamente com a seda .

 Por volta do sculo 4 , surgiu pela primeira vez no Japo a

 bola de vidro , mas seus fragmentos existem desde a Era Yayoi , h 2

 mil anos .
 No sculo 4 , ainda no era possvel no Japo a produo

 prpria .
 Importava-se ento da China , blocos de vidro coloridos ,

 que eram transformados em bolas de vidro para fins

 ornamentais.Dizem que tambm no perodo Heian era um produto muito

 valorizado na corte imperial , assim como entre os nobres .
 Nos

 Perodos Kamakura e Muromachi foi utilizado em cerimnias nos

 templos budistas .
 Em 1549 , chegou ao Japo o jesuta portugus

 Francisco de Xavier e este presenteou o daimi cristo Yoshitaka

 Ouchi ( 1507-1551 ) com um espelho de vidro e culos para

 hipermetropia .
 Estes foram os primeiros objetos de vidro da Europa

 Moderna que chegaram ao Japo .
 Aps isso , vrios objetos de vidro

 foram importados por jesutas portugueses .

 Na Era Edo havia fabricaes caseiras de vasilhas de vidro

 em Edo , Osaka e Nagasaki , expandindo posteriormente para Kagoshima ,

 Saga , Fukuoka e Yamaguchi .
 O atual vidro lapidado de Satsuma teve

 como origem a fabricao de embalagens de vidro para medicamentos .

 Narioki Shimazu ( 1791-1859 ) , senhor do feudo de Satsuma , construiu

 dentro do seu feudo um laboratrio para fabricao de medicamentos

 e trouxe de Edo os arteso de vidro para fabricar recipientes .

 Posteriormente , j na gerao de Nariakira Shimazu ( 1809-1858 ) ,

 teve sucesso em produzir vidro lapidado de colorao rubra ,

 utilizando corante da mesma cor .
 Passou a produzir pratos , vasos ,

 garrafas e at jubako ( recipientes sobreponveis para alimentos ) .

 Dizem que no final da Era Edo , o nmero de seus operrios

 passou de 100 .
 No entanto , com a morte de Nariakira a produo do

 vidro lapidado de Satsuma decaiu rapidamente .
 Atualmente , se

 encontra recuperado e em plena atividade , sendo muito bem

 conceituado no s no Japo como no mundo inteiro .
 Em 1873 - Era

 Meiji , o governo instalou em Tquio uma fbrica de vidro , comeando

 uma produo em grande escala de vidraas , destinadas

 principalmente para a cnstruo civil .
 A utilizao de vidro nas

 artes manuais iniciou-se com a exposio do trabalho de Toshichi

 Iwata , que se destacou aos olhos do pblico em uma exposio de

 arte promovida pelo Ministrio da Educao no incio da Era Showa .

 Fonte : So Paulo Shimbun 14/09/2000

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 DICIONRIO

 Ser lanado no prximo ms a primeira edio do

 " Dicionrio Prtico Portugus - Japons " , resultado de um trabalho

 em conjunto entre a Aliana Cultural Brasil-Japo e Editora

 Melhoramentos .
 Trata-se de um dicionrio de mdio porte , com 33 mil

 verbetes e a tiragem desta primeira edio ser de 5 mil

 exemplares , a serem distribudos s grandes e especializadas

 livrarias .
 O preo estimado  de R$ 54,00 .

 Os dicionrios de portugus-japons at agora disponveis

 no mercado tinham como objetivo atender necessidades dos japoneses ,

 de forma que as explicaes eram totalmente grafadas em caracteres

 japoneses .
 Este dicionrio , que est sendo colocado no mercado ,

 traz a explicao em caracteres japoneses e , em seguida , em

 alfabeto ocidental , o que facilitar em muito o uso pelos

 estrangeiros que estudam japons .

 Outro aspecto relevante  que este dicionrio faz parte de

 srie Michaelis de Dicionrio Portugus-Lngua Estrangeira e , por

 esse motivo , a seleo de verbetes tambm est apropriada para

 atender s necessidades dos estrangeiros .
  claro que as expresses

 peculiares da lngua japonesa tambm esto includas .
 A elaborao

 deste dicionrio teve incio em 1996 , tendo como principais

 colaboradores os professores da Aliana Cultural Brasil-Japo e

 levou quatro anos para ser concluda .

 Espera-se que seja amplamente utilizado pelos estudantes de

 lngua japonesa em regies onde  falado o portugus .
 Muitos

 dicionrios de portugus-japons e japons-portugus j foram

 publicados no passado , entre os quais o mais antigo dicionrio

 japons-portugus  o " Vocabulrio da Lingoa de Iapan " , com a

 declarao em portugus , publicado no ano de 1603 , em Nagazaki .
 No

 ano de 1604 , saiu o suplemento .

 Atualmente , existem apenas quatro exemplares originais

 deste dicionrio no mundo todo .
 H , no entanto , exemplares em

 tamanho original publicados pela editora Benseisha e tambm pela

 Livraria Iwanami , reproduzido a partir das microfichas guardadas em

 Bodleian Library da Universidade de Oxford , Inglaterra ( diga-se de

 passagem que nesta universidade foi construdo um belo centro de

 pesquisa da cultura japonesa pela Nissan Corporation ) .

 Os exemplares originais da edio bolso da Bodlei foram

 feitos com papel japons e tinta japonesa de boa qualidade ,

 utilizando pela primeira vez no Japo a tcnica ocidental de

 tipografia calcografada .
 Citando a explicao dada pelo Tadao Di

 na edio Iwanami , este dicionrio foi elaborado pelos padres e

 freiras da Companhia de Jesus do Japo , tendo como objetivo a

 difuso do cristianismo naquele pas .

 Especialmente os missionrios confessores e pregadores

 tinham a necessidade de estudar a lngua japonesa , para compreender

 e explanar : os primeiros precisavam ouvir e entender com clareza

 os fatos confessados pelos seus seguidores e , para tanto , era

 necessrio conhecer dialetos regionais e linguagens pouco

 refinadas .
 Os ltimos tinham necessidade de conhecer e dominar a

 linguagem mais refinada e a linguagem padro para que seus ouvintes

 da classe alta e da camada culta da sociedade pudessem ouvi-lo com

 satisfao .

 O nmero de verbetes contidos no dicionrio chega a mais de

 32 mil e no traz a escrita em kanji .
 Os tratados sobre a gramtica

 e a escrita japonesa foram elaborados  parte , porm , dizem que h

 aspectos incompreensveis para pessoas da atualidade devido ao

 componente cristo que a Companhia de Jesus atribua  linguagem e

 tambm devido s explicaes baseadas no conhecimento gramatical

 ( latim ) que possuam .
 Por exemplo , as palavras amor e paixo ( ou

 amar , apaixonar-se ) eram considerados indecentes por se tratarem de

 amor entre as pessoas e no amor a Deus .

 Da mesma forma , pederastia , que ocorria entre samurais e

 monges , tambm era tido como um temeroso pecado que nem deveria se

 pronunciado .
 Este dicionrio portugus-japons  de suma

 importncia , indispensvel para a histria da lngua ptria .

 Isto porque , o ano de 1603 foi o ano em que se formou o

 governo feudal de Tokugawa , correspondendo a uma fase de grandes

 mudanas , da Idade Mdia  Idade Moderna .
 Porm , infelizmente , no

 h nenhum dicionrio produzido por prprios japoneses que tenha

 registrado a linguagem utilizada pelo povo nesta poca .

 O mundo vivia a Era das Grandes Navegaes e era forte o

 interesse pelos pases desconhecidos visando a ampliao do

 territrio e difuso do cristianismo .
 Em 1543 , chegaram os

 primeiros portugueses  ilha Tanegashima e , em 1549 , foi iniciado o

 movimento de catequese pelo Frei Francisco de Xavier .

 Fonte : So Paulo Shimbun 21/09/2000

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 OUTUBRO

 O ms de outubro  chamado de Kannazuki ou de Kaminazuki de

 acordo com o calendrio antigo ( literalmente ms sem Deus ) ,

 procedendo esse nome da lenda que diz que nesse ms todos os Deuses

 reuniam-se no Grande Templo de Izumo para celebrar unio entre

 homens e mulheres .

 Por conseqncia , os Deuses ficavam ausentes em outras

 regies .
 H os que atribuem a origem do nome pelo fato de no haver

 troves nesse ms .
 Dizem ainda que se chama Kaminashizuki por ser o

 ms em que se faz a fermentao de cereais colhidos para fabricar o

 sak .

 O Grande Templo de Izumo fica na Provncia de Shimane , onde

  cultuado o Ookuninushi no mikoto que , de acordo com a mitologia

 do Fuudoki ( registro da histria , geografia e mitologia de cada

 regio ) , fez um bom governo juntamente com seus irmos e transmitiu

 ensinamentos sobre usos de simpatias e medicamentos .
 Conta-se que

 ele passou o territrio para as mos de Ninigi no mikoto e passou a

 viver em retiro na regio de Izumo .

 H uma outra verso contada na mitologia kuniyuzuri em que ,

 derrotado pelas foras oriundas de Yamato , refugiou-se sem Izumo .

 Dessa forma , os nomes dos meses do antigo calendrio esto

 estreitamente relacionados com a natureza .
 Pode-se perceber

 atravs deles que as pessoas da antigidade tinha um ciclo de vida

 centrado na agricultura e em harmonia com a natureza .
 Em especial ,

 os termos ligados ao cultivo do arroz so mais freqentes e ainda

 hoje so utilizados ao escrever cartas .

 A seguir enumeradas esto as origens , porm esto citadas apenas as

 mais correntes .

 Tambm no calendrio ocidental , os nomes dos meses possuem

 cada qual a sua origem , de modo que , tanscritos na forma de nmeros

 perdem a sua graa e a beleza da sua sonoridade .
 A seguir , os nomes

 dos meses segundo o antigo calendrio e as origens dos mesmos .

 Primavera

 Janeiro ( mutsuki ) : Ms em que pe de molho na gua os primeiros

 gros de arroz produzidos naquele ano .
 Por ser o ms em que as

 pessoas confraternizam para festejar o incio do ano .

 Fevereiro ( kisaragi ) : Significa poca em que as plantas renascem .

 Maro ( yayoi ) : Originou-se de iyayoi que traz a idia de maior

 exuberncia adquirida pelas plantas .

 Vero

 Abril ( Uzuki ) : Ms em que floresce u no hana , flor de uma espcie

 de saxfraga .

 Maio ( satsuki ) : Forma abreviada de sanaezuki. Ms em que se planta

 as primeiras mudas de arroz .

 Junho ( minazuki ) : Por ser poca de estiagem e falta de gua , e

 tambm minazuki por se poca de irrigar as plantaes de arroz .

 Outono

 Julho ( fumizuki ) : Originou-se de fufumizuki , ou seja , ms em que os

 gros de arroz comeam a se formar .
 Tambm pelo fato de pr os

 livros aos sol para evitar que sejam estragados por insetos .

 Agosto ( hazuki ) : Significa perder as folhas .
 Por ser poca de

 hohari , ou seja , do desenvolvimento dos cachos de arroz .

 Setembro ( nagatsuki ) : Existem verses como forma abreviada de

 inakaritsuki , ou seja , ms da colheita de arroz , ou ainda , por se o

 ms em que a noite passa a ser mais longa .

 Inverno

 Outubro ( kannazuki ) : Ms em que segundo a lenda todos os Deuses se

 reuniam no Grande templo de Izumo .

 Novembro ( shimotsuki ) : Forma abreviada de shimooritsuki , ms das

 geadas , ou ainda , forma abreviada de shiteosamezuki , que significa

 ms de depositar os gros colhidos .

 Dezembro ( shiwasu ) : Pelo fato de os monges percorrerem vrias

 localidades para realizar leituras de sutra .
 Pode se ainda

 interpretado como toshihatsuru , ou seja , o findar do ano .

 Fonte : So Paulo Shimbun 28/09/2000 .

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 MAPA DO JAPO

 Na segunda metade do sculo 13 , quando Marco Polo escreveu

 o registro sobre sua viagem pelo Oriente , j existia na Europa o

 mapa-mundi e uma viso ampla sobre o mundo .
 Devido a isso , ao

 iniciar a explorao do Oriente na poca das grandes navegaes ,

 considerava-se indispensvel o mapa dos mares orientais .

 O primeiro mapa do Japo conseguido pelos portugueses , que

 por sua vez foram os primeiros estrangeiros a chegarem quele pas ,

 era o chamado de gyoukizu , baseado no qual foi produzido em

 Portugal , no ano de 1595 , o primeiro mapa do Japo impresso em um

 pas estrangeiro .
 Comparando os dois mapas , o produzido em Portugal

 j est mais aperfeioado , porm o tamanho do Honshu ( ilha

 principal ) ainda  desproporcional e no consta a ilha de Hokkaido .

 Diz-se que o gyoukizu , o mais antigo mapa do Japo ,  obra

 do Bonzo Gyouki ( 668-479 ) do Perodo Nara ; porm no h nenhuma

 prova concreta sobre isso .
 O bonzo Gyouki foi um alto dignitrio do

 Budismo que se dedicou na difuso da doutrina budista percorrendo

 todo o pas na arrecadao de fundos para construo do Templo

 Toudaiji e construiu lagos , canais , pontes e estradas em vrias

 regies do pas , havendo possibilidades de ter feito medio de

 terras nesse entremeio , porm mais parece ser uma crendice popular

 que o mapa seja de sua autoria .

 De qualquer forma , o mapa foi utilizado entre o final do

 sculo 11 at a Idade Mdia .
 O mapa gyoukizu , que existe ainda

 hoje , est conservado no Templo Ninnaji , em Kyoto , e  datado de

 1305 .

 Em obra impressa , temos shuugaishou , uma espcie de

 enciclopdia publicada no final do sculo 16 e por todo o sculo

 17 .
 Em 1605 , Leyasu Tokugawa ordenou a todos os feudos do pas que

 elaborassem mapasa territoriais em desenho e , assim , no Perodo

 Edo , na Idade Moderna , foi concludo o mapa do Japo Keichou .

 Em 1644 , com uma nova ordem do governo feudal , foram

 reunidos os mapas regionais , a partir dos quais Ujinaga Hokujou

 elaborou o mapa Shouhou Kuniezu na escala 1:432 mil .
 Trata-se de um

 mapa minucioso , porm no inclua Ezo ( Hokkaido ) .

 Em 1800 , ano em que a movimentao russa nos mares prximos

 de Hokkaido se intesifica e aumenta a presso para a abertura do

 pas , Tadataka In , um fabricantede sak da Provncia de Chiba que

 possua um grande interesse por estudos sobre calendrios , inicia

 juntamente com um especialista em astronomia a medio das terras

 de Hokkaido e das demais terras de todo o Japo , concluindo assim ,

 em 1821 , o Grande Mapa da Costa Litornea do Japo .

 Tadataka In falece em 1818 , antes da concluso desse mapa .

  um trabalho de grande preciso que , comparado aos mapas de hoje ,

 apresenta uma diferena inferior a um milsimo para cada grau de

 latitude .
 Atualmente , h 214 desses grandes mapas com escala de

 1:36 mil .
 Foi esse mapa a causa do posterior " caso Siebold " .

 O alemo Philipp Franz Von Siebold veio ao Japo , em 1823 ,

 como mdico de uma casa comercial holandesa , permanecendo l

 durante cinco anos coletando materiais para pesquisa sobre o Japo ,

 principalmente na rea de Dejima , em Nagasaki .

 Siebold recebeu do astrnomo Kageyasu Takahashi um exemplar

 desse mapa , em Edo .
 Em 1828 , na sua viagem de retorno , o navio

 encalhou na baa de Nagasaki , quando foi encontrado no interior do

 navio esse mapa e , na ocasio , era expressamente proibida a sada

 dos mapas para o exterior .

 Siebold permaneceu durante um ano em liberdade vigiada pelo

 governo feudal , aps o que , foi deportado .
 Kageyasu Takahashi , que

 o presenteou com o mapa , foi preso e morreu na priso .
 Porm , o

 mapa foi copiado durante a madrugada , antes do seu confisco e ,

 desta forma , foi parar na Alemanha .

 Constou mais tarde da sua obra " Nippon " e fez com que os

 europeus tinham daquele pas , do Jipang imaginrio para o Japo

 real .
 Atualmente , a confeco dos mapas do Japo esto a cargo do

 Instituto do Territrio Nacional e Geografia , pertencente ao

 Ministrio das Obras Pblicas .

 Fonte : So Paulo Shimbun 05/10/2000

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 INCNDIO

 Antigamente diziam que " incndio e briga , so flores de

 Edo " .
 Edo prosperou como o centro do governo feudal , abrigando uma

 grande populao ( no incio do sculo 18 j era uma cidade com

 populao de 1 milho de pessoas , superando Paris e Londres ) , que

 formava aglomeraes de residncias e , por serem elas construdas

 de madeira , freqentemente ocorriam incndios .
 Nessas ocasies , o

 grupo de combate aos incndios atuava ostentando os vistosos matoi

 que era o seu smbolo , tornando o incidente um espetculo .

 A referncia  briga se deve ao fato de serem os Edokko

 ( habitantes de Edo ) muito impacientes , assim provocavam violentas

 contendas com muita freqncia .
 Diziam que aqueles que dedicassem

 morar na parte baixa de Edo precisariam preparar-se para passar por

 um incndio a cada trs anos .
 Isso se refletiu at nas construes

 que , ao invs de priorizar o aspecto da durabilidade , construam

 algo que simplesmente servisse para a sua finalidade .

 Percebe-se a diferena entre o Japo com sua cultura de

 madeira e a Europa com a cultura de pedra .
 De acordo com os dados

 de Saiishi , livro de registros de catstrofes , entre os anos de 552

 e 1865 , foram constatados nada menos que 1.463 incndios , dos quais

 um tero foi de grandes propores .
 Foram incndios causados por

 guerra , raios dos troves , terremotos ou por simplesmente

 negligncia , entre outras causas .

 O incndio com maior nmero de vtimas da histria de Edo

 foi o Meireki no Taika ou Grande Incndio de 1657 que comeou no

 Templo Honmyoji situado em Hongo Maruyama ( atual bairro de Bunkyo ,

 Tquio ) e continuou a queimar por dois dias , destruindo a metade da

 cidade , inclusive o Castelo Edo , totalizando um nmero de 100 mil

 mortos .

 Alm desse , h um outro famoso incndio , o de Yaoga

 Oshichi , freqentemente utilizado como tema para Kabuki e

 literatura .
 Oshichi era filha de um comerciante de hortalias que ,

 na ocasio do Grande Incndio do ano 3 Tenwa , refugiou-se no Templo

 Kichijoji , em Kamagome , onde conheceu o Kichisaburo , que trabalhava

 no templo como ajudante de afazeres e os dois fizeram a solene

 promessa de unio .

 No entanto , sua famlia lhe imps casamento com outra

 pessoa .
 Oshichi , desejando reencontrar o seu amado , provocou um

 incndio .
 Ao ser descoberta , foi presa e arrastada por toda a

 cidade de Edo e por fim , executada em Suzugamori .
 Foi um fato real

 que Saikaku Ihara transformou em romance e cativou o pblico .

 Kichisaburo , segundo contam , suicidou-se praticando seppuku

 ( ato de cortar a prpria barriga ) .
 Com relao aos mtodos de

 preveno contra incndios e flagelos existem registros j no

 sculo 7 , mas s ganhou fora na Era Edo , no sculo 17 .

 Organizou-se uma estrutura de planto composta por grupos

 como Daimi Hikeshi , formado por iniciativa do Senhor Feudal e

 Machibikeshi , formado pela populao .
 Vrios terrenos da zona urbana

 foram limpos para serem utilizados como refgios , ordenou-se a

 instalao de reservatrios de gua em toda as casas , foram

 designados guardas para patrulhamento diurno , instalou-se torres de

 observao de incndios , proibiu-se a queima de fogos de artifcio

 na zona urbana e incentivou-se a utilizao de telhas para a

 cobertura das casas .

 Foi tambm estipulado que aqueles que causarem incndios

 ficariam condenados a passar algumas semanas com as mos amarradas ,

 e no s a prpria pessoa como tambm o proprietrio da casa e toda

 a cidade assumiriam responsabilidades solidrias .

 Os samurais vtimas do infortnio teriam emprstimos com

 prazo de 10 anos para a devoluo , assim como adiantamento em forma

 de arroz e os habitantes da cidade teriam tambm emprstimo nas

 mesmas condies e iseno de contribuies por cinco anos .

 So numerosas as crendices em torno de incndio como : se

 capturar lavandisca ( uma espcie de pssaro ) ou matar sapo , sofrer

 incndio .
 O canto do corvo ou do galo , ou ainda , o uivo da raposa

 durante a noite  prenncio de incndio .
 Imitar galo provoca

 incndio .
 A ausncia de ratos  prenuncio de incndio .

 Gravar a palavra gua na viga da casa quando esta 

 construda protege contra incndio .
 Durante o ano de 1998 foram

 registrados 54.514 ocorrncias de incndio , com total de 2.062

 vtimas fatais , o que implica em uma mdia de 149 ocorrncias e 5,6

 mortes por dia .

 A principal causa que corresponde a 23 % dos casos  , para a

 nossa surpresa , incndio criminoso , seguido de 10 % causado por

 cigarro , 10 % por fogo de cozinha e 5 % por fogueiras .
 O prejuzo

 computado foi de 146 bilhes de ienes .
 Realmente , cuidado com fogo

  assunto que deve ser levado  srio !

 Fonte : So Paulo Shimbun 12/10/2000

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 PINTURA EM DIVISRIAS

 Shoji ( portas corredias de madeira treliada , fechadas com

 papel fino ) , fusuma ( portas corredias de papel encorporado ) e

 byobu ( biombos ) com belos desenhos estampados so peas da moblia

 que desde a antiguidade tem grande afinidade com construes

 japonesas .

 Especialmente no shindenzukuri , estilo arquitetnico do

 Perodo Heian , em que no havia divisrias claras entre ambiente

 interno e externo , o biombo foi muito valorizado como pea de uso

 interior dobrvel e mvel , cuja finalidade era proteger-se do

 vento .

 So peas formadas a partir de armaes retangulares

 cobertas de tecido ou papel que so presas umas s outras .
 As

 compostas de seis armaes so chamadas de rokkyoku issou , mas h

 tambm os de quatro ou de duas armaes .
 Variam tambm conforme

 altura , podendo ser yonshakubyoubu ( 1.20m ) ou rokushakubyoubu

 ( 1,80 ) , e tambm conforme a estampa em karae byoubu ( em motivos

 chineses ) , yamatoe byoubu ( com motivos japoneses ) etc .

 Trata-se de peas utilitrias e ao mesmo tempo decorativas .

 A histria de biombo remete s Dinastias Chinesas Shu e Kan

 ( sculos 11 e 3 a.C ) , mas o biombo dobrvel comeou a ser

 utilizados na Dinastia Toh ( sculos 7 a 10 ) .
 Peas recebidas da

 China e Coria como presentes ao Imperador eram utilizadas com

 muito apreo na Corte Imperial , sendo algumas delas conservadas

 ainda hoje no shosoin .

 No Perodo Heian , o biombo era considerado pea

 indispensvel na moblia dos palacetes da nobreza .
 Foi tambm

 utilizado em cerimnias nos templos budistas .
 A partir do Perodo

 Muromachi , as residncias dos samurais passaram para o estilo

 Shoinzukuri , que valorizou muito o shoji ( shoji da poca equivale

 ao fusuma de hoje ) e o biombo que se tornaram um espao para

 apresentar pinturas yamatoe , florescendo assim a arte da pintura

 das belssimas paisagens de montanha e gua , flores e pssaros .

 At o Perodo Muromachi era forte a tendncia  pintura

 shibokuga ( pintura em tinta nanquim ) , mas gradativamente foi-lhe

 sendo acrescentado o colorido .
 Isto foi resultado do intercmbio

 entre os monges zen e a classe dos samurais .
 H inclusive um biombo

 ilustrado com a presena de portugueses e espanhis que chegaram no

 sculo 16 , pintura essa denominada Nanhan byoubu .

 Posteriormente , surge o suntuoso kinpeki shoubyouga , um

 estilo de pintura nos bimbos , fusuma e shoji que utiliza ouro

 aplicado com pincel e broxa .
 Os temas so plantas , bambus e

 pinheiros , sendo mais freqente o pinheiro .
 Boa parte dessas

 pinturas trazem elementos de bom agouro ou cerimoniais como

 tartaruga , grou , pato mandarim , pavo , fnix , entre outros .

 Estas pinturas passaram a ser usadas tambm em afrescos de

 paredes internas e divisrias , desenvolvendo notavelmente .

 Procurou-se com isso trazer para os palcios residenciais e

 castelos , smbolos do poder de domnio dos governantes , um ambiente

 solene como o dos templos xintostas .

 E a pintura kinpeki shobyoga era exatamente o que atendia a

 esse anseio .
 O espao reluzente criado por essa pintura traz

 variados efeitos no interior do recinto .
 O reflexo da luz produz um

 efeito delicado sobre a areia alva , assim como no verde das

 nascentes do jardim frontal .
  noite , a luz de velas ou fogueiras ,

 o brilho  misterioso .

 Foi uma regalia reservada para altas classes sociais devido

  preciosidade do ouro .
 Desde o princpio da Era Moderna at o

 final do governo feudal de Edo , foi o grupo dos Kanou que reinou no

 universo desta arte de shobyoga , cuja base foi criada por Kanou

 Eitoku , 1476-1559 , que uniu as tcnicas chinesa e japonesa da

 pintura com tinta nanquim , foi reconhecido pelos grandes

 comandantes militares do perodo de guerras civis , principalmente

 Toyotomi Hideyoshi e , posteriormente , foi controlada pelo seu cl ,

 seus descendentes e discpulos .

 Seu neto Kanou Eitoku ( 1543-1590 ) desde pequeno foi

 reconhecido como gnio nessa arte , recebendo inclusive orientao

 direta do seu av Genshin .
 Foi ele quem produziu as pinturas nas

 paredes e em biombos dos castelos Azushi-jo de Nobunaga e Osaka-jo

 de Hideyoshi .
 No s pela escala do seu trabalho , mas tambm pela

 magnanimidade dos seus traos , o impacto transmitidos pelas suas

 obras indentificavam-se perfeitamente com o esprito de luta dos

 guerreiros que viviam numa fase de grande turbulncia social .

 Devido a isso , recebia inmeras solicitaes de Daimis da

 poca .
 Muitos dos trabalhos cuja autoria consta como sendo dele ,

 so obras realizadas em conjunto pelo seu grupo atravs da diviso

 de tarefas .
 Dizem que a sala de audincia , por exemplo , por ser um

 local importante , foi pintada pelas suas prprias mos .
 A pintura

 shohekiga dos Perodos Azuchi-Momoyama , cheia de suntuosidade e

 esplendor , representa a arte japonesa perante o mundo , sendo motivo

 de grande orgulho .

 Fonte : So Paulo Shimbun 26/10/2000

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 KAIMYOO

 Faleceu h algum tempo a imperatriz Nagako , esposa do j

 falecido imperador Showa , e foi publicado que ser a ela atribudo

 o nome pstumo de Kojun , elevando-a pelos seus mritos .
 Este

 costume no  exclusivo da famlia imperial ; no Japo todo adepto

 do budismo , ao falecer , recebe do monge um nome denominado Kaimyoo .

 Na seita Shinshu a denominao  Hoomyoo e na seita Nichirenshu ,

 hoogoo .

 Trata-se da troca do nome secular daqueles que receberam os

 cinco mandamentos , os 10 mandamentos ou os mandamentos de

 Bodhisattva por um nome religioso , significando que aquela  uma

 pessoa que converteu-se ao budismo e despertou para iluminao

 bdica .

 Na ndia no h o chamado Kaimyoo , pois assim como ocorreu

 com o Sakya , ao iniciar-se no budismo , abandona-se o nome da

 famlia mantendo somente o seu primeiro nome e passa a

 identificar-se sempre como um religioso .
 O sistema Kaimyoo foi

 criado a partir da chegada do budismo  China .

 No Japo , o sistema tambm era adotado desde a introduo

 do budismo , porm era limitado s pessoas que seguiam a carreira

 religiosa .
 Posteriormente , o sistema foi alterado e mesmo os que

 no abandonavam a vida secular passaram a receber o nome Kaimyoo ,

 aceitando os mandamentos ou aps a sua morte .

 Na Era Edo , esses nomes passaram a ser objetos de comrcio ,

 motivo pelo qual , todos passaram a t-lo , desde samurais ,

 comerciantes , at os errantes .
 Normalmente era proibida a colocao

 de ttulos kojigoo ou daishigoo como kaimyoo para a classe dos

 agricultores .
 Alm dos Kaimyoos comuns , h os seguintes ttulos :

 * Homens : Daikoji , koji , Daizenjoomon , Zenjoomon , Shinji ,

 Shooshinji .

 * Mulheres : Seidaishi , Daishi , Daizenjooni , Zenjooni , Shinnyo ,

 Seishinnyo .

 * Crianas : Daidooji , Dooji , Daidoonyo , Seidooji .

 A maioria dos Kaimyoos so compostos de quatro letras : 0000

 Koji ( daishi ) Kaimyoo

 Solicita-se ao monge escolher o Kaimyoo tomando como base o

 Kaimyoo dos familiares do falecido .
 Um problema que tem surgido

 ultimamente  a alta dos preos do Kaimyoo .
 Porm , por ser uma

 importante fonte de receita para os templos , os preos tem tido

 considerveis variaes de acordo com o prestgio do templo e

 categoria do Kaimyoo .

 H aqueles que no so favorveis a este tipo de costume .

 Porm , se observarmos melhor a humanidade , percebemos que em nenhum

 pas do mundo se regateia despesas nos enterros de familiares .

 Portanto , no  incomum desejar que o falecido seja honrado com um

 Kaimyoo de categoria igual ou superior a dos seus antepassados .

 O Kaimyoo  escrito no Ihai - Tabuleta memorial do falecido

 , que  colocado no butsudan - Oratrio de famlia onde se cultua a

 alma dos falecidos .

 Fonte : So Paulo Shimbun 02/11/2000

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 MURASAKI SHIKIBU

 Recentemente , foi lanada no Japo uma novidade : a cdula

 de 2000 ienes .
 A cdula traz na frente a ilustrao de Shurei no

 mon como homenagem  Okinawa Summit , reunio da cpula mundial

 realizada em Okinawa .
 No verso traz uma ilustrao de Genji

 Monogatari ou Estria de Genji , da autoria de Murasaki Shikibu .

 Nas cdulas do passado eram comuns ilustraes do prncipe

 Shootoku Taishi ( 575 - 622 , construiu a base para uma Nao de

 Sistema Imperialista e contribuiu para a difuso do Budismo ) e

 polticos .
 Hoje , no entanto , levando em conta a era da globalizao

 em que vivemos , foram escolhidos trs personagens que tiveram

 importantes papis nas relaes do Japo com o exterior .

 Assim , a cdula de 10 mil ienes traz Fukuzawa

 Yukichi , ( 1834-1901 , Ideologista do Perodo Meiji , jornalista e

 educador que introduziu no Japo o modelo educacional Europeu ) , a

 de 5 mil ienes traz Nitobe Inazo ( 1862-1933 , educador do Perodo

 Meiji , o primeiro a escrever em ingls sobre o Japo para que os

 pases da Europa pudesse conhecer ) e a de mil ienes traz o retrato

 de Natsume Soseki ( 1867-1916 , escritor de maior prestgio do

 Perodo Meiji no Japo e que introduziu o individualismo Europeu

 naquele pas ) .

 Na ocasio , at houve manifestaes indagando a razo de

 no ter sido escolhida nenhuma personalidade feminina , mas a idia

 ainda no havia sido concretizada .
 A nova cdula de 2 mil ienes

 veio realizar esse anseio , tendo como tema a figura feminina

 Murasaki Shikibu ( 987-1015 ?
 ) .

 Por no termos dela nenhuma imagem retratada , a homenageada

 foi representada por uma das cenas desenhadas em pergaminho , da sua

 obra Genji Monogatari , o mais antigo romance do mundo .
 A revista

 brasileira " Veja " fez um levantamento dos importantes

 acontecimentos deste milnio , entre os quais citou o ano de 1001

 como o ano em que foi escrito Genji Monogatari .
 A obra , apesar de

 ser a mais antiga do gnero no mundo ,  rica em descries

 psicolgicas do ser humano , tais como amor , dio , solido ou

 conformao , sendo a autora elogiada como escritora de primeira

 classe em descries psicolgicas .

 No se sabe o nome desta escritora que atuou nos meados do

 Perodo Heian , apenas sabe-se que foi filha de Fujiwarano Tametoki ,

 administrador de Echigo ( funo equivalente ao atual governador da

 Provncia de Niigata ) .
 Os registros histricos no trazem nomes

 femininos , a no ser que estas sejam membros da famlia imperial .

 So sempre citadas como mulher ou filha de alguma personalidade

 masculina .
 Inicialmente , a escritora era citada como To no

 Shikibu .

 O nome To originou-se de Fujiwara e Shikibu nada mais  do

 que forma de tratar as kyuutei no nyooboo , ou damas da corte

 ( nyooboo hoje em dia significa esposa , mas na poca tratava-se de

 pessoas que trabalhavam na corte ou de filhas da baixa nobreza ) ,

 conforme a funo que seu pai ocupava .

 Posteriormente , adotou o nome de Murasaki no ue , personagem

 feminina principal de Genji Monogatari .
 Tudo indica que o romance

 cativou a imperatriz e demais senhoras da nobreza da poca e fez

 sucesso em suas reunies , semelhantes aos sales da Europa .

 Este romance tece o trama em torno do personagem central

 Hikaru Genji , membro da famlia Imperial , narrando seus casos

 amorosos desde sua infncia at seus dias finais , colocando em cena

 mulheres de variados nveis sociais e tendo como cenrio as

 disputas de poder dentro do Palcio e as transformaes da

 natureza .

 Neste extenso romance , entram em cena inmeras mulheres , o

 que mostra que o personagem principal leva uma vida de playboy

 inveterado .

 A obra  longa , composta de 54 volumes de episdios com

 enredos desencadeados de forma variada e interessante , sobre os

 quais ,  forte a tese de que no so todos da autoria de Murasaki

 Shikibu .
 O sucesso alm da expectativa fez com que novos episdios

 fossem criados , sendo que a metade posterior teria sido escrita por

 outro autor .
 No h ainda uma traduo completa para o portugus ,

 mas h pode ser lido em outros idiomas como ingls , francs e

 alemo .

 Murasaki Shikibu nasceu em uma famlia de alto nvel

 cultural , com parentes prximos como av , pai e tia considerados

 famosos poetas , que escreviam obras em chins e japons .
 Segundo

 seu Dirio de Murasaki Shikibu , ela foi uma criana muito

 inteligente e seu pai ento lamentava por no ter ela nascido

 homem .
 No foi muito abastada financeiramente pois seu pai no

 recebeu da corte altos cargos ou territrios .

 Casou-se com um homem 20 anos mais velho com quem teve uma

 filha ( mais tarde a filha tambm se torna poetisa ) , mas este veio a

 falecer trs anos depois .
 Consta nos registros que aps a morte do

 marido , Murasaki Shikibu passou a trabalhar na Corte Imperial ,

 dando aulas de literatura chinesa a imperatriz .
 Era portanto , uma

 mulher talentosa da poca .
 Com certeza , nem imaginava ela que sua

 obra fosse lida at o sculo 21 , por pessoas do mundo inteiro .

 Ficaria ainda deveras surpresa se soubesse o quanto as

 mulheres da atualidade conquistaram em termos de independncia

 financeira e elevao de posio dentro da sociedade .

 Fonte : So Paulo Shimbun 09/11/2000

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 KINROO KANSHA NO HI

 No dia 23 de novembro  comemorado no Japo , o Kinroo

 Kansha no Hi ( Dia de Ao de Graas ao Trabalho ) , quando os

 cidados dedicam sentimentos de gratido mutuamente , valorizando o

 trabalho e comemorando a produo .
 Equivale ao Thanks

 Giving Day da Europa e Amrica .
 Historicamente , antes da 2 Guerra

 Mundial havia uma comemorao chamada Niinamesai , em que o

 Imperador oferendava a Deus os novos cereais colhidos naquele ano .

 Esta Festa da Colheita era uma importante atividade , e est

 registrada na mitologia que a Deusa Amaterasu a realizava .

 Atualmente ,  comemorada da mesma forma que a cerimnia de posse do

 Imperador , num barraco preparado para a cerimnia , onde h um

 leito com esteira e so colocadas duas cadeiras ao lado .

 A cerimnia consiste no seguinte : o Imperador , aps

 banhar-se , ocupa um dos assentos da cerimnia e oferece a Deus os

 cereais colhidos e sak , como se e Ele estivesse ali presente .

 Inicialmente , os cereais utilizados para esta cerimnia eram os

 produzidos nos terrenos pertencentes a Famlia Imperial , mas

 atualmente so utilizados cereais oferecidos de todo o pas .

 Antigamente era realizada em ms de novembro do calendrio lunar ,

 sendo transferido para dia 23 de novembro a partir do ano de 1873 .

 Esta data ainda hoje comemorada , sendo as cerimnnias realizadas

 nos templos xintostas Izumo Taisha , Ise Jinguu e muitos outros

 templos .

 Os agricultores e a populao em geral tambm comemoravam a

 colheita e a boa safra com o Festival da Colheita de Outono .
 Esses

 fatos so narrados tambm em Man'yooshuu , uma antologia do sculo7 .

 Nessa noite , os homens saam de suas casas deixando somente as

 mulheres para receberem os Deuses .
 Curiosamente , a partir da Idade

 Moderna , estas atividades populares no so mais chamadas de

 Niiname .
 O Festival das Colheitas de Outono no s  uma

 oportunidade de agradecer a Deus pela safra , como tambm  um

 momento de descontrao para os agricultores que podem cantar ,

 danar e divertir-se com as festas e as vrias barracas noturnas de

 vendas instaladas nos templos nessa data .

 Houve poca em que os japoneses eram criticados pelos

 estrangeiros por trabalharem demasiadamente .
 O que h de verdade

 nisso ?
 Por que os japoneses no podiam deixar de ser trabalhadores

 dedicados ?
 H estudiosos que afirmam que isso se deve ao fato de os

 japoneses serem originariamente um povo agrcola .

 Em uma sociedade agrria , o povo precisa ajustar o seu

 ritmo de vida com o desenvolvimento das plantaes .
  um trabalho

 que requer muita dedicao , pois no se pode descansar um dia

 sequer , desde o plantio at a colheita .
 Era um tipo de trabalho que

 lidava com natureza , sendo necessrio que os habitante da vila se

 unissem em grupos , pois era impossvel realizar trabalhos como

 irrigao e colheita somente com a fora de uma famlia .

 Assim , fortificou-se a conscincia grupal e a

 solidariedade .
 Mesmo os ajudantes que vierem de fora , eram tratados

 como membros da Famlia .
 Com isso , a produtividade se elevou .
 Dizem

 que esta  a diferena entre um povo agrcola e um povo cuja

 atividade principal  a caa .
 Esta conscincia grupal ainda hoje

 continua presente na sociedade japonesa .
 Apesar da diminuio dos

 que se dedicam  agricultura para menos de 4 % de toda a populao ,

 esta consincia de grupo  forte at mesmo na sociedade

 industrializada .

 Atualmente , est sendo necessrio recorrer s mos de obra

 estrangeiras e o que se questiona  se ser possvel continuar

 tratando os como membros da famlia .
 A questo exige uma mudana

 no somente nas leis , mas tambm na conscincia das pessoas .

 Fonte : So Paulo Shimbun 23/11/2000

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 EXAME DE PROFICINCIA

 Exame de Proficincia em Lngua Japonesa " tem por objetivo

 avaliar e certificar a proficincia dos estudantes de lngua

 japonesa que no tenham a mesma como lngua me " , sendo realizado

 anualmente desde o ano de 1984 , sempre no domingo compreendido

 entre os dias 4 e 10 de dezembro .

 A atividade  uma promoo conjunta entre Fundao Japo e

 Association of International Education , Japan .
 No Brasil , os

 contatos so realizados pelo Centro de Difuso da lngua Japonesa ,

 com a colaborao das escolas de lngua japonesa de todas as

 regies , inclusive Aliana Cultural Brasil-Japo .

 No primeiro exame realizado , o nmero de participantes foi

 de 7019 pessoas ; no ano passado este nmero se elevou para um total

 de 100 mil pessoas em 32 pases .
 O nmero de examinados 

 diretamente proporcional ao nmero de estudantes de lngua japonesa

 de cada pas .

 O primeiro colocado em nmero de participantes  a China ,

 seguido de Coria , Formosa , e em quarto lugar o Brasil .
 A avaliao

  realizada em nveis 1 a 4 , de acordo com o grau de dificuldade ,

 sendo o nvel 1 o mais avanado e o nvel 4 o menos avanado .

 Em cada nvel a avaliao  composta de trs partes :

 " Letras e Vocabulrio " , " Compreenso Auditiva " e " Compreenso do

 Texto e Gramtica " .
 No haver prova oral como ocorre com Toefel

 ( Test of English as a foreign Language , ou seja , teste de ingls

 para os estrangeiros ) , a nfase ser dada na leitura .
 Para ser

 aprovado o examinando dee ter no mnimo 70 % de acertos para o nvel

 1 e 60 % para os demais nveis .

 Uma estatstica recente mostrou que o nmero de aprovados

 nos nveis 1 a 4 atinge somente 45 % do total de examinandos , o que

 indica o grau de dificuldade do exame .
 Os participantes brasileiros

 tm uma peculiaridade de que a maioria deles so jovens , da faixa

 etria entre 7 e16 anos .
 Esta prova foi originalmente elaborada

 para adultos .
 Devido a isso , a Fundao Japo e o Centro de Difuso

 da Lngua Japonesa esto se preparando para realizar o " Exame de

 Proficincia para crianas " .

 Os exames aplicados nos anos anteriores foram editados e

 esto sendo comercializados sob ttulo de " Exame de Proficincia em

 Lngua Japonesa do ano ....
 " - Questes dos nveis 1 e 2 ( ou 3 e 4 )

 e gabaritos .
 O preo  de 1.143 yenes e acompanha uma fita cassete .

 Que tal participar tambm deste exame para medir o seu nvel de

 conhecimento em lngua japonesa ?
 Boa Sorte para os que iro prestar

 o exame !

 Fonte : So Paulo Shimbun 30/11/2000

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 TORI NO ICHI

 Em meados do ms de novembro , acontece um festival chamado

 Otorisama nos Templos Ootori Jinja .
 Inicialmente , Otorisama era

 tido como Deus dos Samurais , mas hoje  Deus da prosperidade nos

 negcios e do transporte martimo .
 Os mais famosos Templos Ootori

 Jinja so o de Sakai , em Osaka e o de Asakusa , em Tquio .

 No dia do festival , a rea do templo fica repleta de

 barracas comerciais , onde o produto mais procurado  o kumad

 ( ancinho , um instrumento agrcola com um longo cabo , usado para

 juntar palhas , folhas secas , etc. ) .

 Kumad significa literalmente " pata de urso " , e  assim

 chamado devido ao seu formato .
 Quando  relao existente entre

 este instrumento e a festividade , existe a seguinte explicao :

 antigamente , a regio onde situa o Templo Ootori de Asakusa era uma

 rea agrcola , e na ocasio da festividade , vendiam-se utenslios e

 instrumentos agrcolas .

 Como a venda no era satisfatria , colocou-se nos ancinhos

 o desenho do rosto da Deusa da Felicidade Okam ( rosto feminino

 engraado e simptico ) e vendeu-se como um objeto que atraa boa

 sorte .
 Assim , o produto passou a ser muito procurado .

 A idia de dar ao objeto um valor adicional foi uma

 estratgia comercial bem sucedida .
 Atualmente so penduradas no

 kumad inmeras outras coisas como : koban ( moeda da Era Edo de

 elevado valor ) , o peixe Tai ( pargo , por rimar com medetai , palavra

 usada para expressar boa ventura ; a beleza deste peixe o faz

 indispensvel nas ocaises de festas ) , sacas de arroz ( o arroz

 sempre foi o principal alimento e simboliza riqueza ) , grou e

 tartarugas ( esses animais simbolizam longevidade , conforme o

 ditado : Tsuru wa sennen , kame wa mannen , que significa " O grou vive

 mil anos e a tartaruga , dez mil " ) .

 Pinheiro / bambu / ameixeira ( o pinheiro , por ter suas folhas

 perenes , simboliza a vida imutvel ; bambu simboliza a retido e o

 crescimento vigoroso ; a ameixeira que floresce no incio da

 primavera simboliza uma beleza que supera as adversidades ) ,

 porta-amuleto ( amuletos recebidos nos templos xintostas : figuras

 com imagens ou escritos que as pessoas carregam junto de si ou

 fixam na parede de sua casa , para afastar desgraas ou malefcios ) ,

 seta e alvo ( para que as metas traadas sejam alcanadas ) , plaqueta

 com a inscrio shoobai hanjoo ( sucesso nos negcios e

 prosperidade ) , outra plaqueta com a inscrio kanai anze ( bem estar

 da famlia , para que tenha sade e nada de negativo acontea ) ,

 martelinho (  a verso japonesa da " lmpada de Alladin " , ou seja ,

 realiza qualquer desejo , bastando para isso , agit-lo ) , etc .

 Ser isso uma mostra de como o homem moderno recorre a Deus

 para realizar sus desejos ?

 Segundo contam , quanto mais recessivo o ano for , a procura

 pelo ancinho  maior .
 No ato da compra , o comprador e o vendedor

 realizam juntos o teuchi ( bater palmas ao mesmo tempo ) .
 Este objeto

 que atrai a sorte  adquirido antes da passagem do ano , colocado na

 parede ou no santurio da famlia e as pessoas oram para que o novo

 ano traga boas venturas .
 Mesmo nesta era de alta tecnologia estas

 tradies ainda continuam sendo seguidas .

 Fonte : So Paulo Shimbun 07/12/2000

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 HANETSUKI - Peteca

 At na primeira metade da dcada de 1960 , antes do Japo

 entrar no dito perodo do grande crescimento econmico ,

 observava-se pelas ruas do Japo , crianas brincando de rebater

 peteca ( hanetsuki ) no ano novo .
 O som da raquete que ecoava no cu

 de inverno era uma coisa muito agradvel .
 Atualmente , esta cena

 desapareceu quase que por completo do cenrio .

 A origem de hanetsuki no  clara .
 Na Europa existia o

 badminton .
 Na China era praticada uma brincadeira chamada tchentsu

 que consistia em rebater a peteca com p .
 No Japo , esta

 brincadeira foi identificada pela primeira vez no dirio do Palcio

 Imperial do sculo 15 , com o nome de " koginoko shoobu " ( disputa com

 a raquete ) .
 Na poca , a raquete era tambm chamada de kogiita .
 A

 brincadeira era praticada por adultos que faziam apostas em

 dinheiro .
 A partir dos sculos 16 a 17 , a brincadeira se

 popularizou , passando a ser praticada por meninas , no ano novo .
 O

 Shogun Leyasu mandou confeccionar hagoita ( raquetes ) em maki ( uma

 tcnica peculiar da arte manual japonesa , que consiste em desenhar

 ou estampar em laca , polindo aps espalhar por cima p de ouro ou

 prata ) .

 Os desenhos tinham como temas atividades palacianas do ano

 novo como sagichoo ( atividade realizada em 15 de janeiro , na qual

 queimavam-se bambus verdes no jardim do palcio , oferendando aos

 cus o kishoo , ou seja , papis em que eram escritas palavras de

 congratulaes e felicitaes ) .
 Evidentemente , tais raquetes eram

 usadas como peas decorativas e no h vestgios de terem sido

 usadas para jogar petecas .
 No sculo 19 comeou a circular em Edo

 hagoita com ilustraes de grou ou tartaruga na tcnica oshi ( com

 tecido estofado ) .

 Posteriormente , popularizaram-se os hagoita com desenhos de

 caricaturas de artistas e cenas de kabuki , feitas sob a mesma

 tcnica .
 No final do ano so realizadas feiras de hagoita , que j

 no tm o prestgio de outrora .
 Os hagoita como peas decorativas

 ainda hoje so utilizadas nos lares em ano novo , embora com menor

 freqncia .
 O seu tamanho tambm ficou reduzido .
 O tempo consagrou

 badminton como uma modalidade esportiva internacional , enquanto que

 hanetsuki est sendo relegado ao esquecimento .
 Mais uma tradio

 japonesa desaparece diante da vida ocidentalizada .

 Fonte : So Paulo Shimbun 28/12/2000

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