

 AMLIA RODRIGUES

 A CARREIRA

 Uma das figuras mais emblemticas da cultura portuguesa do sculo XX , Amlia

 Rodrigues  um farol que baliza toda a evoluo do meio musical portugus .

 Iniciada numa altura em que era atravs do palco que a reputao se ganhava e

 retirando-se em pleno domnio televisivo , a carreira daquela que foi durante

 muitos anos a embaixadora cultural de Portugal acabou por atravessar todas as

 grandes alteraes do mercado cultural e comercial em que se inseria .

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 Os mais de cinquenta anos de carreira contnua de Amlia so

 habitualmente divididos em dcadas que correspondem , grosso modo , a

 estgios no seu desenvolvimento artstico .
 Embora essa diviso tenha

 inicialmente sido pensada para a sua carreira discogrfica , 

 igualmente transponvel para a evoluo cronolgica da sua actividade

 artstica , com cada dcada a marcar fases especficas .

 A segunda metade dos anos 30 corresponde aos seus tmidos primeiros

 passos .
 Uma Amlia adolescente ( nascera em Julho de 1920 ) comea a

 chamar a ateno em concursos amadores dos quais sai invariavelmente

 convidada para actuaes regulares .
 Contudo , s em 1939 se estreia

 profissionalmente como fadista , no Retiro da Severa , no ponto inicial

 da bola de neve que se seguiria .

 A dcada de 40 abrange a sua ascenso a vedeta multidisciplinar .
 Logo

 em 1940 Amlia  j artista exclusiva do Solar da Alegria e pouco

 depois estreia-se na revista , onde marcar presena com grande sucesso

 durante a dcada , embora sem a criar muitos dos seus grandes xitos

 - - ser antes no gnero irmo , a opereta , que Amlia introduzir

 clssicos como " Fado do Cime " ou " Sabe-se L " .
 Os palcos do teatro

 musicado marcam o seu encontro com Frederico Valrio , o primeiro

 compositor a compreender o alcance da sua voz e a escrever-lhe sob

 medida melodias que a valorizavam , no se limitando  rigidez do fado .

  tambm nos anos 40 que Amlia sai de Portugal pela primeira vez , a

 Madrid em primeiro lugar e depois para o Brasil , onde em 1944 e 1945

 repete o triunfo portugus e grava os seus primeiros discos ; e que se

 estreia no cinema , com " Capas Negras " ( durante muitos anos o filme

 portugus de maior sucesso de sempre ) e " Fado - - Histria de uma

 Cantadeira " .

 A dcada de 50 partilha duas vertentes que de algum modo se alimentam

 mutuamente : por um lado , comea em 1952 a gravar regularmente , factor

 importante no alargamento da sua popularidade ; por outro , comea a

 viajar e a actuar um pouco por todo o mundo , atingindo grandes xitos

 nas suas passagens por Frana e pelos EUA , para o que muito contribui

 a sua presena no filme francs " Os Amantes do Tejo " , onde cria " Barco

 Negro " e " Solido ( Cano do Mar ) " .
  uma dcada passada quase sempre

 fora de portas , marcada pelo seu primeiro encontro com David

 Mouro-Ferreira , poeta que comea a escrever para a sua voz

 ( " Primavera "  a primeira letra , em 1953 ) e se encarregar de abrir

 novos horizontes  cantora .
 O cansao acumulado levar a um ano

 sabtico , entre 1960 e 1961 , durante o qual se ausenta do olhar

 pblico .

 Por contraste com a dcada de 50 passada " em viagem " , os anos 60 so

 um perodo em que Amlia se fixa em Portugal e se dedica  sua

 carreira discogrfica .
 Embora continue a viajar e a actuar por todo o

 mundo , retorna sempre  base portuguesa e grava , ao longo da dcada ,

 aqueles que so os seus discos mais marcantes e aclamados , com a ajuda

 preciosa de David Mouro-Ferreira e do compositor francs Alain Oulman

 - - que , depois de Frederico Valrio e at ao seu repatriamento para

 Paris pelo governo de Salazar , ser o outro melodista a saber explorar

 a voz de Amlia e abrir-lhe novos horizontes .
  a dcada da Amlia

 trgica e amargurada de " Maria Lisboa " , " Madrugada de Alfama " ,

 " Estranha Forma de Vida " , " Abandono " , " Povo que Lavas no Rio " , " Fado

 Portugus " , " Gaivota " ?
 Mas tambm a confirmao de uma Amlia alegre e

 descontrada , bairrista e simples , gravando folclore das Beiras ,

 marchas de Lisboa ou " Vou Dar de Beber  Dor " .
 Amlia surge em

 controlo absoluto da sua voz , que atinge uma riqueza aveludada e um

 poder evocativo ganho com as dcadas anteriores , tornando-se numa

 intrprete de recursos inesgotveis .

 " Com Que Voz "  a charneira .
 Este lbum gravado em 1969 e editado em

 1970 , composto de melodias de Alain Oulman sobre poemas de autores

 como Cames , Pedro Homem de Mello , Ary dos Santos , David

 Mouro-Ferreira ou Alexandre O'Neill ,  para muitos o ponto mais alto

 da sua carreira .
 E no sem razo : encerra uma dcada de ouro ao mesmo

 tempo que relana internacionalmente o seu nome .

 Forosamente , os anos 70 so um perodo de reflexo , em que Amlia

 regressa aos grandes concertos no estrangeiro enquanto , em Portugal e

 apesar dos xitos de " Oia L  Senhor Vinho " ou de mais dois lbuns

 de folclore , os acontecimentos do 25 de Abril e a revoluo nos gostos

 do pblico a votam a um fugaz esquecimento .
 Amlia permitira-se antes

 da Revoluo gravar com um saxofonista de jazz - - Don Byas , em

 " Encontro " - - ou apadrinhar poetas - - editando discos com Vincius de

 Moraes , Natlia Correia e Ary dos Santos ; mas essas " revolues "

 estticas so esquecidas por um Portugal efervescente de liberdade e

 que identificava o fado com o antigo regime .

 Depois do ensaio com " Cantigas numa Lngua Antiga " , o verdadeiro

 grande regresso d-se em 1980 com " Gostava de Ser Quem Era " , uma

 coleco de fados originais com letras da prpria cantora .
 Os anos 80

 sero assim os anos da redescoberta da obra de Amlia , coincidindo com

 a edio dos seus ltimos discos de material original gravados em

 estdio - - " Fado " e " Lgrima " - - e as primeiras afeces das cordas

 vocais que a obrigam a tratamentos no estrangeiro .
 Miguel Esteves

 Cardoso , ento o mais ousado e influente crtico musical nacional ,

 elogia Amlia nas suas crnicas e , em 1985 , duas coleces de xitos

 monopolizam as tabelas de venda , quase que forando um retorno a palco

 em 1987 , com o seu primeiro grande concerto no Coliseu de Lisboa .

 Finalmente , os anos 90 sero a dcada da celebrao .
 Amlia surge

 ainda esporadicamente ao vivo , mas  constantemente requisitada para

 entrevistas , homenagens , apresentaes na televiso , fruindo do seu

 estatuto de verdadeira lenda viva da msica nacional .
 A sua obra

 gravada  sistematicamente relanada e antologizada , mas os dois

 discos de material novo lanados na dcada - - " Obsesso " e " Segredo "

 - - recolhem gravaes de arquivo at a inditas .

 Amlia deixou-nos em Outubro de 1999 , mas deixou connosco a sua msica

 e a sua voz gravada em dezenas de discos que fazem j parte da herana

 cultural portuguesa .

 OS DISCOS

 Amlia era j uma estrela em solo portugus quando chega ao disco pela primeira

 vez .
 Durante a dcada de 40 , as propostas de gravao feitas a Amlia foram

 sendo recusadas pelo seu empresrio da altura , Jos de Melo , temeroso que o

 disco de 78 RPM ento em progressiva divulgao viesse prejudicar a carreira de

 palco da artista .
 Os dezasseis temas que Amlia regista nos estdios da

 companhia brasileira Continental , em 1945 , durante uma estadia profissional de

 grande sucesso no Rio de Janeiro , apenas so gravados porque nunca ningum

 pensou que os 78 RPM resultantes chegassem a Portugal [ INLINE ]

 Resolvido o tabu com a evidncia de que os discos eram um factor

 importante de divulgao e popularizao ( e , ao contrrio do que se

 dizia , geravam um maior interesse do pblico nos seus concertos ) , os

 anos 50 trouxeram o verdadeiro arranque da Amlia de estdio .
 Na

 editora Melodia lana uma dzia de discos de 78 RPM , gravados no

 perodo compreendido entre 1950 e 1952 , alguns dos quais j com

 orquestra , registando para a posteridade os muitos temas que criara em

 palcos de revista e casas de fado ;  um perodo de aprendizagem do

 formato e do estdio .

 Assina em 1952 pela Valentim de Carvalho , que envia logo a nova

 estrela do seu catlogo a gravar em Londres , nos estdios de Abbey

 Road propriedade da multinacional EMI com quem a casa mantinha e

 manteria relaes privilegiadas .
 Em Portugal e no Brasil , Amlia  j

 uma estrela ; inicia-se o processo de divulgao internacional ,

 facilitado pelos laos com a EMI , que comea a editar os seus discos

 em Inglaterra , Frana ou EUA coincidindo com as primeiras e tentativas

 apresentaes em palco nesses pases .
 As cerca de 50 gravaes

 editadas neste perodo dividem-se entre a cano de raz popular muito

 aplaudida pelos estrangeiros ( " Coimbra " , " Uma Casa Portuguesa " ) e os

 fados mais trgicos e tradicionalistas , iniciando-se a colaborao com

 o poeta David Mouro-Ferreira em 1953 com " Primavera " .

 A verdadeira exploso internacional d-se em 1955 com a gravao de

 " Barco Negro " , uma estilizao afadistada de um original brasileiro

 ( com uma nova letra de David Mouro-Ferreira ) que , interpretada por

 Amlia no filme francs " Os Amantes do Tejo " , d a volta ao mundo .

 Frana torna-se no seu segundo mercado , prontificando a edio do

 clebre lbum ao vivo no Olympia ( 1957 ) e , em 1958 , a sua contratao

 pela editora independente francesa Ducretet-Thomson , que a alicia para

 longe da Valentim de Carvalho alegadamente com uma soma mirabolante .
 

 uma relao breve , prolongada at 1960 , claramente virada para a

 explorao do exotismo da sua voz .

 Se os anos 60 so unanimemente considerados a sua " dcada de ouro " ,

 isso no se deve apenas  sua voz , que se encontrava agora enriquecida

 por vinte anos de carreira e de vivncias emocionais , possibilitando

 desvendar novas densidades interpretativas ; mas tambm aos riscos

 ( calculados mas nem por isso menos arriscados ) que soube correr , com a

 ajuda de David Mouro-Ferreira e do compositor francs Alain Oulman ,

 verdadeiros directores musicais da sua carreira durante os dez anos

 que se seguem .

 Duas obras-primas absolutas balizam a dcada : o lbum do " Busto "

 ( 1962 ) , intitulado apenas " Amlia Rodrigues " mas que ficou assim

 conhecido pelo busto de Amlia que surgia na capa , e " Com Que Voz "

 ( 1970 ) , onde as melodias de Oulman e as palavras de poetas

 portugueses , de Pedro Homem de Mello a Cames passando por Alexandre

 O'Neill e David Mouro-Ferreira , constroem algo que est j para l do

 fado e ao qual s a voz de Amlia consegue dar significado e forma .
 

 uma outra Amlia , mais madura e mais intensa , que se revela nestes

 discos ou ainda em " Fado Portugus " ( 1965 ) ou " Maldio " ( 1967 ) ,

 sublinhando a componente dramtica e o poder interpretativo da sua

 voz .

 Os anos 60 , contudo , comeam tambm j a revelar a dicotomia quase

 esquizofrnica da sua carreira artstica e que atingir o seu cume nos

 anos 70 :  tragdia nocturna e sombria de " Maldio " ou " Com que Voz " ,

 Amlia faz corresponder a alegria solar e bairrista de " Vou Dar de

 Beber  Dor " ( 1968 ) , que se torna rapidamente no seu disco mais

 vendido de sempre , ou a homenagem terna e experimental s suas razes

 beirs de " Amlia Canta Portugal " ( 1967 ) , onde retoma temas

 folclricos acompanhados por orquestra .
 Entre a festa e a tragdia ,

 Amlia preferia no escolher .

 Os anos 70 iniciam-se com a edio de " Com que Voz " ( disco gravado

 ainda em 1969 ) e do duplo lbum com Vincius de Moraes , e correspondem

 a um reviver do interesse internacional em Amlia .
 Durante parte

 substancial dos anos 60 s Frana se mantivera fiel  artista , mas

 " Com Que Voz " reacende a chama internacional , e ei-la a percorrer o

 mundo em infindveis digresses durante a dcada de 70 , regravando

 inclusive muitos dos seus clssicos em verses em lngua estrangeira .

 Este relanamento internacional coincide , alis , com o 25 de Abril e o

 desinteresse de um pblico nacional virado para outro lado mas que ,

 felizmente , dura pouco .
 No perodo compreendido entre 1974 e 1977 so

 editados sucessivamente " Encontro " , gravado com o saxofonista Don

 Byas ; " Amlia no Luso " , registo de uma actuao de 1955 ; vrias

 recolhas de material perdido em EPs e singles ; e , finalmente , o

 primeiro disco de estdio desde " Com que Voz " , " Cantigas numa Lngua

 Antiga " ( 1977 ) , composto por fados de Alain Oulman .

 Regressa aos discos em 1980 com " Gostava de Ser Quem Era " , uma

 coleco de fados originais com letras da prpria cantora , dando

 incio a uma dcada onde Amlia se despede do estdio e a sua obra

 gravada  finalmente redescoberta por Portugal .
 Em 1985 , uma coleco

 de xitos , " O Melhor de " , monopoliza as tabelas de venda ,

 ultrapassando os cem mil discos vendidos ; mas Amlia comea a sofrer

 de problemas nas cordas vocais .
 A " Gostava de Ser Quem Era " sucede

 " Amlia Fado " ( 1982 ) , um disco de homenagem ao compositor Frederico

 Valrio , e " Lgrima " ( 1983 ) , que ficar como o seu ltimo disco de

 estdio composto por material original .
 Continuar a cantar ao vivo - -

 o seu concerto de regresso aos palcos em 1987 , depois de uma operao

 delicada , ser inclusive lanado em disco - - e regressar a estdio

 vrias vezes , estendendo um longo adeus .
 Os ltimos discos de inditos

 publicados ainda em vida sero j , contudo , coleces de material de

 arquivo : " Obsesso " , de 1990 , com inditos dos anos 80 , e " Segredo " ,

 de 1997 , com inditos dos anos 60 e 70 .

 AMLIA E O CINEMA

 Amlia no se achava actriz ; apenas uma cantora a quem as oportunidades de

 fazer outras coisas foram caindo do cu .
 Talvez por isso - - e pelo facto de os

 cineastas pretenderem mais moldar as personagens  figura e  presena de

 Amlia do que desafi-la a representar verdadeiramente - - foram apenas sete as

 longas-metragens em que surgiu .
 Amlia disse a Vtor Pavo dos Santos que nem

 viu algumas delas , o que no as impediu de se tornarem xitos de pblico .

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 A popularidade de Amlia enquanto cantora nascera das suas actuaes

 em casas de fado , mas tambm das suas presenas no teatro musicado

 popular ( revista ou opereta ) , onde alis criara alguns dos seus

 maiores sucessos .
 Num meio cultural e musical razoavelmente pequeno ,

 seria uma questo de tempo at o cinema se interessar por esta voz que

 arrastava multides .
 Tudo comearia por uma falsa partida : Antnio

 Lopes Ribeiro convida Amlia para entrar em " O Ptio das Cantigas "

 ( 1941 ) .
 " Chumbada " pelo maquilhador do filme - - conforme Pavo dos

 Santos cita na sua biografia da cantora - - s em 1946 surgir uma nova

 oportunidade .

 Ao lado de Alberto Ribeiro , gal da cano popular dos anos 40 , Amlia

 surge no melodrama de Armando de Miranda " Capas Negras " que ,  sua

 estreia em Maio de 1947 , bate todos os recordes de bilheteira da

 altura , com cinco meses consecutivos em cartaz .

 " Fado - - Histria de uma Cantadeira " - - o pretexto de todo este

 dossier , e que se aborda mais em profundidade aqui ao lado - -  o

 filme seguinte na carreira de Amlia , outro triunfo comercial do qual

 a actriz-cantora no gostava especialmente , sobretudo devido quilo

 que considerava o artificialismo dos dilogos e situaes ,

 alegadamente inspirados na sua prpria vida ( o que no passou de uma

 manobra publicitria ) .

 Logo nestes filmes se cristalizou a Amlia-actriz como uma vedeta 

 volta da qual se montavam os filmes , escolhida no pelo seu talento de

 actriz ( que , alis , os guies nem sequer exploravam ) mas pela sua

 popularidade e pelo seu valor de bilheteira .
 Essa imagem  confirmada

 pelas suas presenas em " Sangue Toureiro " ( 1958 ) , de Augusto Fraga , e

 " Fado Corrido " ( 1964 ) , de Jorge Brum do Canto - - filmes dos quais a

 prpria Amlia tinha m impresso e que fez em parte por amizade pelos

 realizadores , embora considerasse que em " Fado Corrido " conseguira

 criar " uma presena completamente diferente de mim " - - e " Os Amantes

 do Tejo " ( 1955 ) , de Henri Verneuil , parcialmente rodado em Lisboa .
 O

 filme de Verneuil dava a Amlia um papel secundrio razoavelmente

 importante , mas a sua escolha por parte dos produtores franceses

 ficara a dever-se essencialmente aos seus dotes vocais e  sua

 crescente popularidade internacional .

 As " anomalias " neste retrato de uma Amlia-actriz limitada pelos

 papis que lhe eram oferecidos so duas , ambas estrondosos insucessos

 comerciais .
 A primeira  " Vendaval Maravilhoso " ( 1949 ) , ambiciosa

 co-produo luso-brasileira dirigida por Leito de Barros onde se

 traava o retrato de Castro Alves , poeta brasileiro dedicado 

 abolio da escravatura .
 Vedeta incontornvel em ambos os pases ,

 Amlia j no era aqui uma variao sobre a sua prpria imagem pblica

 mas uma figura histrica , Eugnia da Cmara , " modificada " o suficiente

 para lhe permitir criar o " Fado Eugnia da Cmara " que se tornaria num

 dos seus clssicos deste perodo .
 Mas o filme ( invisvel hoje por se

 ter perdido o negativo original , existindo apenas uma cpia de imagem )

  um monumental fracasso que levaria Leito de Barros a abandonar o

 cinema .

 A segunda  o " adeus " de Amlia ao cinema , j que depois de " As Ilhas

 Encantadas " ( 1965 ) no voltaria a filmar .
 Adaptando uma novela de

 Herman Melville , o filme de Carlos Vilardeb encaixaria hoje na

 definio de " arte e ensaio " , mas na altura foi um insucesso de

 bilheteira , defrontando a perplexidade de um pblico que esperava

 reencontrar nele a Amlia de todos os dias e descobria antes uma

 actriz dando corpo a uma personagem .
 Ironicamente , este filme valeria

 a Amlia o Prmio do Secretariado Nacional de Informao ( estrutura de

 propaganda do regime salazarista ) para Melhor Actriz , prmio que a

 cantora bisava vinte anos depois de " Fado - - Histria duma

 Cantadeira " ?

 Amlia participou ainda como convidada especial em " Sol e Touros "

 ( 1949 ) , de Jos Buchs , para interpretar no ecr o " Fado do Silncio " ,

 e teve vrios outros projectos cinematogrficos que ficaram por

 concretizar .
 Alguns deles acabariam por ir para a frente com outras

 actrizes no papel destinado originalmente a Amlia ( " Eram Duzentos

 Irmos " ou " Les Lavandires du Portugal " ) enquanto outros nunca

 passaram da inteno ( a adaptao de " Bodas de Sangue " , de Garcia

 Lorca , que Anthony Quinn desejava produzir propositadamente para

 Amlia , gorada por questes de direitos ) .

 AMLIA E FADO

  altura da sua estreia , perpetuou-se a ideia de que " Fado - - Histria de uma

 Cantadeira " era uma biografia romanceada de Amlia .
 Nada , contudo , mais longe

 da verdade neste melodrama folhetinesco que Perdigo Queiroga dirigira a partir

 de um guio original de Armando Vieira Pinto e que antecipava em quinze anos a

 clebre mxima de " O Homem que Matou Liberty Valance " : " print the legend " .

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 " Jogaram um bocadinho como sendo um filme que contava a minha vida .
 Eu

 no disse nada , para que no pensassem que eu no queria que se

 falasse nisto ou naquilo .
 Mas no tem nada a ver com a minha histria ,

 a no ser que casei com um guitarrista e que vendia fruta .
 De resto , a

 minha me nunca cantou o fado , no fui criada no bairro de Alfama , s

 fui criada pela minha av , aquilo do empresrio a dar-me as coisas

 todas no tem nada a ver comigo. "

 As palavras so de Amlia , citadas por Vtor Pavo dos Santos na sua

 biografia de 1980 da cantora , mas de pouco importa o desmentido , mesmo

 que tardio .
 O sucesso que " Fado " obteve ( estreado em Novembro de 1947

 no Coliseu do Porto , e Fevereiro de 1948 em Lisboa , no teatro da

 Trindade ) veio incrustar de modo irreversvel na memria colectiva a

 ideia do guio ser decalcado da vida de Amlia .
 Em abono da verdade ,

 essa colagem era deliberadamente procurada pela produo : o par

 romntico de Amlia e Virglio Teixeira ( o guitarrista por quem a

 cantadeira se apaixonava mas cuja relao era posta em perigo pelo

 sucesso crescente ) estava demasiado prximo da vida real , pois Amlia

 fora realmente casada com um guitarrista amador e o casamento acabaria

 por no resistir - - ao sucesso crescente e aos problemas de

 relacionamento do casal .
 Alm disso , alguns dos episdios do filme

 foram - - a fazer f no livro de Pavo dos Santos - - sugeridos pela

 prpria Amlia ao argumentista Armando Vieira Pinto para encorpar e

 credibilizar a histria original ; casos de uma conversa de bastidores

 ou da sequncia de ensaio com Virglio Teixeira .
 Amlia , alis , no se

 mostrava especialmente entusiasmada pelo filme ( como nunca se mostrou

 por nenhum dos outros que fez ,  excepo de " As Ilhas Encantadas " ) ,

 acusando os dilogos de excessivo artificialismo .
 Esse seu

 descontentamento lev-la-ia mais tarde a recusar entrar em " Eram

 Duzentos Irmos " , um guio de Vieira Pinto para cujo elenco o seu nome

 chegou a estar confirmado .

 Claro que o artificialismo  uma das regras do melodrama e " Fado "

 explorava habilmente todos os rodriguinhos do gnero .
 No foi por isso

 surpreendente que o filme obtivesse tamanho sucesso comercial .
 Havia a

 presena de Amlia e do gal do momento , Virglio Teixeira ; havia um

 elenco de secundrios de luxo ( Vasco Santana , Antnio Silva , Raul de

 Carvalho , Eugnio Salvador , Erico Braga ) ; havia a msica de Frederico

 de Freitas , com xitos como " Fado de Cada Um " , " Zanguei-me com o Meu

 Amor " e o " Fado da Saudade " .
 Alm do mais , Amlia saa do triunfo

 absoluto de " Capas Negras " , que batera todos os recordes de bilheteira

 do cinema portugus da altura .

 A popularidade do filme seria recompensada pelo Secretariado Nacional

 da Informao , a estrutura de propaganda salazarista dirigida por

 Antnio Ferro , que lhe atribuiria no apenas o Grande Prmio

 respeitante ao ano de 1948 como tambm o Prmio de Melhor Actriz .

 Coisa que Amlia insistia em dizer que no era , apenas uma cantora

 popular que teve a sorte de entrar para o cinema como primeira figura

 por ser a Amlia Rodrigues .

 O facto  que  ainda hoje por " Fado " que a Amlia-actriz  recordada ,

 mais do que por qualquer um dos outros filmes que fez .
 " Capas Negras "

 teve mais sucesso , " Os Amantes do Tejo " abriu-lhe as portas do mundo ,

 " As Ilhas Encantadas " era aquele com que se sentia mais realizada e no

 qual mais se empenhou .
 Mas foi " Fado " , por muito datado , inverosmil

 ou inventado que seja , que contribuiu para fixar no imaginrio

 colectivo da cultura portuguesa a imagem que associamos indelevelmente

  Amlia em incio de carreira : uma cantadeira talentosa que veio do

 nada e subiu pelo seu prprio talento , sem nunca perder a " ligao 

 terra " que garantiria a sua longevidade num meio repleto de

 armadilhas .
 Essa imagem confundiu-se , miscigenou-se de modo inevitvel

 com a verdadeira Amlia - - de cuja essncia , de qualquer modo , no

 estava assim to longe , mesmo que os detalhes fossem muito diferentes .

 Mas no deixa por ser isso de ser a lenda .
 E , como dizia o outro no

 filme de John Ford , quando a lenda  maior que a realidade , escreva-se

 a lenda .

 O FADO DE " FADO "

 O nome do filme quase o exigia - - e claro que , para " Fado " , Amlia teve de se

 ater  " tradio " .
 Para l da partitura original de Jaime Mendes , Amlia

 interpretava quatro composies inditas com msica de Frederico de Freitas e

 uma " sntese " de fados que j faziam parte do seu reportrio .
 Mas a Amlia de

 1946 no era j a cantadeira que o filme dava a entender , de tal modo que

 raramente voltar a este reportrio. [ INLINE ]

 Sendo " Fado " um filme montado  volta da figura e da personagem de

 Amlia , no deixa de ser irnico que a escolha de composies acabe

 por reflectir muito mais aquilo que se esperava e que se queria de

 Amlia do que aquilo que ela j era .
 Apesar do xito que as

 composies de Frederico Valrio haviam granjeado a Amlia e da nova

 direco que ele abrira  sua carreira , os fados orquestrados de

 Valrio eram considerados " ousadias " e " Fado " era , afinal , a " histria

 de uma cantadeira " ?

 Assim , para a autoria das canes originais foi convidado Frederico de

 Freitas .
 Este compositor , que fizera parte durante a dcada de 30 de

 uma gerao que viera inovar o teatro musicado , estava j em 1946

 retirado da composio ligeira , mas foi sobre os seus ombros que caiu

 a responsabilidade de compor os inditos para Amlia cantar .
 F-lo com

 o talento que lhe era reconhecido e os quatro fados que escreveu

 tornaram-se grandes xitos , embora dos quatro apenas " Fado da Saudade "

 seja hoje recordado .
 Foi este o nico dos quatro que Amlia mais tempo

 manteve no seu reportrio .
 Alis , ao longo dos anos 50 e 60 ela

 raramente voltaria a grande parte do reportrio que criara na dcada

 de 40 , demasiado marcado pela sua poca ( as excepes mais notrias

 foram , claro , as composies de Frederico Valrio ) e sabe-se que

 Amlia no gostava das letras de alguns dos seus maiores xitos dessa

 altura , como " Perseguio " ou " Fado do Cime " .

 Dos quatro inditos , Silva Tavares escreveu os versos para " O Fado de

 Cada Um " e " s Tudo para Mim " ( tambm conhecido por " D-me um Beijo

 ( s Tudo para Mim ) " ) , enquanto Jos Galhardo assinava as letras de

 " Fado No Sei Quem s " e " Fado da Saudade " .

 O leque de composies apresentadas por inteiro completava-se com " No

 Me Quieras Tanto " e com o vivo " Zanguei-me com o Meu Amor " , com versos

 de Linhares Barbosa .
 Estas seis canes eram completadas por uma

 " sntese " de fados , passando brevemente por algumas melodias clssicas

 que faziam parte do reportrio de palco de Amlia : " Ave Maria

 Fadista " , " Desespero " e " Duas Luzes " .
 Da " sntese " destacavam-se ainda

 duas criaes prprias : " Alamares " , de Linhares Barbosa e Jaime

 Santos , e " S  Noitinha ( Saudades de Ti ) " , adaptao de um fado de

 Amadeu do Vale e Raul Ferro originalmente criado por Hermnia Silva

 mas para o qual Amlia solicitou a Vale uma nova letra e a Frederico

 Valrio um novo refro .

 Curiosamente , nunca existiu um disco com as canes de " Fado - -

 Histria de uma Cantadeira " .
  certo que em 1947 no havia ainda LPs ,

 mas a razo  mais prosaica - - nessa altura , Amlia no tinha ainda

 contrato de gravao .
 " Duas Luzes " e " S  Noitinha " faziam parte dos

 discos que Amlia gravara em 1945 no Brasil , mas das canes de " Fado "

 trs - - " O Fado de Cada Um " , tema principal do filme , " Desespero " e a

 " espanholada " " No Me Quieras Tanto " - - nunca foram gravadas em estdio

 pela cantora , e as restantes foram gravadas desgarradamente durante a

 dcada de 50 .

 Jorge Mourinha

 CRONOLOGIA

 Os anos que marcaram a vida de Amlia .

 1920 - Amlia da Piedade Rodrigues nasce em Lisboa .

 1929 -  durante a escola primria ( frequenta a escola da Tapada da Ajuda ) que

 canta pela primeira vez em pblico .
 At a , cantara s para a famlia , e

 especialmente para o av , que gostava de a ouvir .

 1935 - Comea a trabalhar numa banca de recordaes no Cais da Rocha do Conde

 de bidos .
  convidada para sair na Marcha de Alcntara , cantando como solista .

 Faz a sua primeira apresentao pblica , acompanhada pelo tio  guitarra .

 1938 - Concorre ao Concurso da Primavera .
 No chegar a participar na

 competio , mas nos ensaios  notada por um " olheiro " do Retiro da Severa , cujo

 gerente a convida para se juntar ao elenco daquela casa de fados .
 Amlia

 declina inicialmente o convite .
  tambm nos ensaios que conhece o seu primeiro

 marido , Francisco da Cruz , guitarrista amador e torneiro mecnico .

 1939 - A sua estreia no Retiro da Severa causa sensao em Lisboa .

 1940 - Transfere-se para o Solar da Alegria como artista exclusiva , e

 estreia-se na revista com " Ora Vai Tu !
 " .

 1943 - Actua pela primeira vez no estrangeiro , em Madrid , a convite do

 embaixador Pedro Teotnio Pereira .
  a esta viagem que Amlia diz dever o seu

 prazer em cantar canes espanholas e flamenco. Separa-se de Francisco da Cruz .

 1944 - Cria o " Fado do Cime " na opereta " Rosa Cantadeira " .
 Viaja pela primeira

 vez para o Brasil , onde o sucesso  to grande que a sua estadia de seis

 semanas  prolongada para trs meses .

 1945 - Regressa ao Brasil para uma estadia de quase um ano , acompanhada por uma

 companhia teatral .
 A apresenta uma revista , " Boa Nova " , e " Rosa Cantadeira " , e

 grava igualmente os seus primeiros discos .

 1946 -  vedeta da opereta " Mouraria " , numa nova montagem pensada

 especificamente para o seu estatuto .

 1947 - Estreia " Capas Negras " , que marca a sua estreia no cinema e bate todos

 os recordes de bilheteira nessa altura , e , seis meses depois ,  a vez de " Fado

 - Histria de uma Cantadeira " .

 1949 - Divorcia-se de Francisco da Cruz .
 Canta pela primeira vez em Paris e em

 Londres .
 Estreia " Vendaval Maravilhoso " .

 1950 - Actua nos espectculos do Plano Marshall pela Europa , como nica

 intrprete ligeira no meio de um elenco predominantemente clssico .

 1951 - Grava pela primeira vez em Portugal , para a editora Melodia ( Rdio

 Triunfo ) .

 1952 - Actua pela primeira vez em Nova Iorque , no La Vie En Rose , onde ficar

 14 semanas em cartaz .
 Assina contrato com a Valentim de Carvalho .

 1953 - Grava as suas primeiras colaboraes com David Mouro-Ferreira ,

 " Primavera " e " Libertao " .

 1954 - Estreia-se no Mocambo , em Hollywood .
 Participa no filme " Os Amantes do

 Tejo " , onde interpreta " Solido ( Cano do Mar ) " e " Barco Negro " .

 1955 - Interpreta a Severa numa encenao do drama de Jlio Dantas " A Severa " .

 1956 - Actua pela primeira vez no Olympia de Paris , numa das festas de

 despedida de Josephine Baker .
 Dias mais tarde , estreia-se no Olympia como

 " vedeta americana " , encerrando a 1 parte do espectculo .
 O sucesso  tal que ,

 terminado o contrato ,  convidada para o prolongar mais trs semanas .
 No ano

 seguinte , estreia-se naquela sala como primeira vedeta .

 1958 - Assina contrato com a editora francesa Ducretet-Thomson .
 Actua no filme

 " Sangue Toureiro " , e estreia-se na televiso portuguesa , no papel principal da

 pea " O Cu da Minha Rua " , de Romeu Correia .

 1961 - Casa-se com Csar Seabra , que conhecera no Brasil anos antes , e com quem

 continuar casada at  morte de Seabra no incio da dcada de 90 .
 Tira um " ano

 sabtico " durante o qual se afasta do olhar pblico , sem gravar nem actuar ao

 vivo .

 1962 - Regressa aos discos e  Valentim de Carvalho .
 Grava e edita o clebre LP

 " Amlia Rodrigues " , mais conhecido como " Busto " , com msicas de Alain Oulman .

 1964 - Aceita o papel principal do filme " As Ilhas Encantadas " , durante cujas

 filmagens conhece o fotgrafo Augusto Cabrita .
 Actua em " Fado Corrido " , filme

 de Jorge Brum do Canto baseado num conto de David Mouro-Ferreira .

 1965 - Edita o clebre EP em que canta Cames , e o lbum " Fado Portugus " .
 " As

 Ilhas Encantadas " estreia com m recepo crtica e pblica .

 1966 - Actua no Lincoln Center de Nova Iorque com o maestro Andr Kostelanetz ,

 num concerto de temas folclricos portugueses acompanhados a orquestra , cujo

 sucesso a leva a repetir a experincia em estdio com " Amlia Canta Portugal " .

 1967 - Faz uma temporada no Olympia como primeira figura de um espectculo

 inteiramente composto por um elenco portugus , do qual fazem parte Simone de

 Oliveira , o Duo Ouro Negro e Carlos Paredes entre outros .

 1968 - Edita " Vou Dar de Beber  Dor " , que se tornar num dos seus maiores

 xitos .

 1969 - Actua pela primeira vez na Unio Sovitica .

 1970 - Actua pela primeira vez em Itlia e no Japo , e recebe a condecorao de

 Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras em Frana .
 Edita " Amlia / Vinicius " ,

 gravado ao vivo em sua casa num sero que contou com a presena de Vinicius de

 Moraes , e o clssico " Com que Voz " , orientado por Alain Oulman e David

 Mouro-Ferreira , que recebe vrios prmios internacionais .

 1971 - Participa na telenovela brasileira " Os Deuses Esto Mortos " , da TV

 Record .

 1972 - Grava um lbum com o saxofonista de jazz Don Byas e apresenta no Caneco

 do Rio de Janeiro , durante um ms inteiro , o espectculo " Um Amor de Amlia " .

 1973 - Grava um lbum de canes italianas , " A una Terra che Amo " .

 1974 -  publicado o lbum " Encontro - Amlia e Don Byas " , bem como " Amlia no

 Caf Luso " , com o registo indito de uma apresentao ao vivo dos anos 50 .
 Aps

 o 25 de Abril , retira-se temporariamente da vida pblica , enquanto as suas

 gravaes antigas continuam a ser reeditadas .
 1977 - Edita o seu primeiro lbum

 de material original em sete anos , " Cantigas numa Lngua Antiga " , com msicas

 de Alain Oulman .

 1980 - Edita " Gostava de Ser Quem Era " , o seu primeiro lbum de material

 indito em trs anos , composto por dez fados originais com letras da prpria

 Amlia , escritas em sua casa durante a convalescena de uma doena .
 Os anos

 seguintes sero um perodo difcil , com inmeros problemas de sade obrigando a

 operaes delicadas .

 1982 - Edita " Amlia Fado " , onde recria fados de Frederico Valrio .

 1983 - Edita o seu ltimo lbum de material original publicado em sua vida ,

 " Lgrima " .

 1987 -  editada a biografia oficial de Amlia por Vtor Pavo dos Santos ,

 director do Museu Nacional do Teatro , bem como o primeiro CD de Amlia - -

 " Sucessos " , uma compilao concebida originalmente para o mercado

 internacional .

 1995 - Na passagem do 75 aniversrio de Amlia , a RTP transmite a srie

 documental " Amlia - uma Estranha Forma de Vida " , cinco episdios de uma hora

 dirigidos por Bruno de Almeida incluindo muitas imagens de arquivo provenientes

 dos cinco cantos do mundo e nunca antes exibidas em Portugal .

 1999 - A 6 de Outubro , Amlia deixa-nos .

 Jorge Mourinha

 Fontes : Biografia ( Contexto , 1987 ) e Fotobiografia ( Verbo , 1991 ) de Amlia por

 Vtor Pavo dos Santos ; Arquivos e pesquisas pessoais do autor ; Arquivos

 Valentim de Carvalho e EMI-Valentim de Carvalho

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