 Pginas de Lisboa

 O Fado de Malhoa

 LETRAS DE FADO

 Nesta seco pode encontrar as letras de alguns fados .
 Uns sero porventura

 mais antigos , mas todos eles fazem parte do imaginrio lusitano .

 [ INLINE ] As letras disponveis so as seguintes :

 * O fado da Severa ( ?
 )

 * Av Maria fadista ( Amlia Rodrigues )

 * Povo que lavas no rio ( Amlia Rodrigues )

 * A casa da Mariquinhas ( Alfredo Marceneiro )

 * A moda das tranas pretas ( Vicente da Cmara )

 * Que Deus me perdoe ( Amlia Rodrigues )

 * Desejo canalha ( Alfredo Marceneiro )

 [ INLINE ] [ INLINE ] [ INLINE ]

 O fado da Severa

 Letra e Msica : Sousa do Casaco - 184 ?

 Chorai , fadistas , chorai ,

 Que uma fadista morreu ,

 Hoje mesmo faz um ano

 Que a Severa faleceu .

 Morreu , j faz hoje um ano ,

 Das fadistas a rainha ,

 Com ela o fado perdeu ,

 O gosto que o fado tinha .

 O Conde de Vimioso

 Um duro golpe sofreu ,

 Quando lhe foram dizer :

 Tua Severa morreu !

 Corre  sua sepultura ,

 O seu corpo ainda v :

 Adeus oh !
 minha Severa ,

 Boa sorte Deus te d !

 L nesse reino celeste

 Com tua banza na mo ,

 Fars dos anjos fadistas ,

 Pors tudo em confuso .

 At o prprio S. Pedro ,

  porta do cu sentado ,

 Ao ver entrar a Severa

 Bateu e cantou o fado .

 Ponde nos braos da banza

 Um sinal de negro fumo

 Que diga por toda a parte :

 O fado perdeu seu rumo .

 Chorai , fadistas , chorai ,

 Que a Severa se finou ,

 O gosto que tinha o fado ,

 Tudo com ela acabou .

 * Regressar ao ndice

 [ INLINE ] [ INLINE ] [ INLINE ]

 Av Maria fadista

 Letra : Gabriel de Oliveira

 Msica : Francisco Viana

 Av Maria sagrada

 Cheia de graa divina

 Orao to pequenina

 De uma beleza elevada .

 Nosso Senhor  convosco ,

 Bendita sois vs , Maria .

 Nasceu vosso Filho , um dia ,

 Num palheiro humilde e tosco .

 Entre as mulheres bendita ,

 Bendito  o fruto , a luz ,

 Do vosso ventre , Jesus ,

 Louvor e graa infinita .

 Santa Maria das dores ,

 Me de Deus , se for pecado ,

 Tocar e cantar o fado ,

 Rogai por ns pecadores .

 Nenhum fadista tem sorte ,

 Rogai por ns Virgem Me .

 Agora , sempre e tambm

 Na hora da nossa morte .

 * Regressar ao ndice

 [ INLINE ] [ INLINE ] [ INLINE ]

 Povo que lavas no rio

 Letra : Pedro Homem de Melo

 Msica : Fado Victoria

 Povo que lavas no rio

 E talhas com o teu machado

 As tbuas do meu caixo .

 Pode haver quem te defenda

 Quem compre o teu cho sagrado

 Mas a tua vida no .

 Fui ter  mesa redonda

 Bebi em malga que me esconde

 O beijo de mo em mo .

 Era o vinho que me deste

 A gua pura , puro agreste

 Mas a tua vida no .

 Aromas de luz e de lama

 Dormi com eles na cama

 Tive a mesma condio .

 Povo , povo , eu te perteno

 Deste-me alturas de incenso ,

 Mas a tua vida no .

 Povo que lavas no rio

 E talhas com o teu machado

 As tbuas do meu caixo .

 Pode haver quem te defenda

 Quem compre o teu cho sagrado

 Mas a tua vida no .

 * Regressar ao ndice

 [ INLINE ] [ INLINE ] [ INLINE ]

 A casa da Mariquinhas

 Letra : Silva Tavares

 Msica : Alfredo Duarte ( Marceneiro )

  numa rua bizarra

 A casa da Mariquinhas

 Tem na sala uma guitarra

 E janelas com tabuinhas

 Vive com muitas amigas

 Aquela de quem vos falo

 E no h maior regalo

 Que a vida de raparigas

  doida pelas cantigas

 Como no campo a cigarra

 Se canta o fado  guitarra

 De comovida at chora

 A casa alegre onde mora

  numa rua bizarra

 Para se tornar notada

 Usa coisas esquesitas

 Muitas rendas , muitas fitas

 Lenos de cor variada .

 Pretendida , desejada

 Altiva como as rainhas

 Ri das muitas , coitadinhas

 Que a censuram rudemente

 Por verem cheia de gente

 A casa da Mariquinhas

  de aparncia singela

 Mas muito mal mobilada

 E no fundo no vale nada

 O tudo da casa dela

 No vo de cada janela

 Sobre coluna , uma jarra

 Colchas de chita com barra

 Quadros de gosto magano

 Em vez de ter um piano

 Tem na sala uma guitarra

 P'ra guardar o parco esplio

 Um cofre forte comprou

 E como o gaz acabou

 Ilumina-se a petrleo .

 Limpa as moblias com leo

 De amndoa doce e mesquinhas

 Passam defronte as vizinhas

 P'ra ver o que l se passa

 Mas ela tem por pirraa

 Janelas com tabuinhas

 * Regressar ao ndice

 [ INLINE ] [ INLINE ] [ INLINE ]

 A moda das tranas pretas

 Letra : Vicente da Cmara

 Msica : Ginguinhas

 Como era linda com seu ar namoradeiro

 ' T lhe chamavam " menina das tranas pretas " ,

 Pelo Chiado passeava o dia inteiro ,

 Apregoando raminhos de violetas .

 E as raparigas d'alta roda que passavam

 Ficavam tristes a pensar no seu cabelo ,

 Quando ela olhava , com vergonha , disfaravam

 E pouco a pouco todas deixaram cresc-lo .

 Passaram dias e as meninas do Chiado

 Usavam tranas enfeitadas com violetas ,

 Todas gostavam do seu novo penteado ,

 E assim nasceu a moda das tranas pretas .

 Da violeteira j ningum hoje tem esperanas ,

 Deixou saudades , foi-se embora e  tardinha

 Est o Chiado carregado de mil tranas

 Mas tranas pretas ningum tem como ela as tinha .

 * Regressar ao ndice

 [ INLINE ] [ INLINE ] [ INLINE ]

 Que Deus me perdoe

 Letra : Silva Tavares

 Msica : Frederico Valrio

 Se a minha alma fechada

 Se pudesse mostrar ,

 E o que eu sofro calada

 Se pudesse contar ,

 Toda a gente veria

 Quanto sou desgraada

 Quanto finjo alegria

 Quanto choro a cantar ...

 Que Deus me perdoe

 Se  crime ou pecado

 Mas eu sou assim

 E fugindo ao fado ,

 Fugia de mim .

 Cantando dou brado

 E nada me di

 Se  pois um pecado

 Ter amor ao fado

 Que Deus me perdoe .

 Quanto canto no penso

 No que a vida  de m ,

 Nem sequer me perteno ,

 Nem o mal se me d .

 Chego a querer a verdade

 E a sonhar - sonho imenso -

 Que tudo  felicidade

 E tristeza no h .

 * Regressar ao ndice

 [ INLINE ] [ INLINE ] [ INLINE ]

 Logotipo das Pginas de Lisboa

 voltar e-mail faq [ LINK ] comentrios

 Copyright  1995-1997 Hugo Carvalho .

 Todos os direitos reservados .

