 As Origens do FADO como Expresso Musical

 Se j leram mais de 60 livros sobre este delicado assunto , de certeza que tm a

 noo de que vou falar de um assunto polmico .
 Se so estudiosos da matria ,

 nalguns pontos de certeza que estaremos em discrdia .
 Mas quando se investiga

 um determinado assunto criamos dentro de ns um conceito sobre a matria

 estudada .
 No sou detentor da verdade pura , mas sou contra as burrices de

 idiologias no fundamentadas .
 Falar de FADO  ler e reler as diversas opinies ,

 mastig-las bem , dar sete voltas  lngua ...
 botar faladura e seja o que Deus

 quizer .
 Qualquer que tenha sido a origem do FADO a opinio de Alberto Pimentel ,

 para mim ,  a mais credvel .
 No seu livro " Triste Cano do Sul " ele  bem

 claro nas suas investigaes .
 Luis de Cames , na sua epopeia " Os Lusiadas "

 utiliza 18 vezes a palavra fado .
  precisamente aqui que o leitor menos atento

 comea por ter conceitos errados sobre a origem do FADO .
 A palavra fado  uma

 coisa e FADO , como expresso musical ,  outra .
 A comprovar esta afirmao est

 o estudo feito , por Alberto Pimentel , da literatura portuguesa do sculo XVI ,

 XVII e sculo XVIII. Tinop no partilha da mesma opinio .
 Vislumbra no FADO uma

 origem martima .
  pouco provvel .
 Sendo Portugal um pas com to grande

 extenso martima , O FADO teria aparecido em diversos pontos de Portugal ,

 levado por marinheiros e constaria dos arquivos e dirios de bordo , por exemplo

 na Ponta de Sagres , onde existiu a Escola Nutica .
 Outra opinio no

 fundamentada  a visualizao de semelhanas entre o FADO e o Lundum , dana de

 umbigada africana .
 Se assim o fosse , mais uma vez ele teria sido levado para

 outros pontos e no teria ficado circunscrito  zona de Lisboa .
 Estabelecer uma

 ligao directa do FADO com a nostalgia das Mornas , com o Tango argentino , com

 as Festas de S. Joo de Braga ou com a solido de um marinheiro no alto mar ,

 implicaria que o mesmo tivesse aparecido no pulsar de outros povos de culturas

 bem diferenciadas da portuguesa .
 Que os portugueses de agora possam saborear o

 FADO em diversos pontos do nosso territrio , no faz do FADO a cano nacional .

 Cada provncia portuguesa tem maneiras de estar de cantar e de sentir bem

 distintas .
 Retomando as ideias de Alberto Pimentel , primeiro nasceu o homem e

 depois a expresso musical .
 Isto  , primeiro nasceu o fadista e depois o FADO .

 Mas o primeiro fadista no cantava .
 A ele eram encomendados , por ser destro no

 manejo da navalha , o fado de muita gente .
 Esta personagem aparece com toda a

 lgica com a instabilidade do pas , aquando da fuga da famlia real para o

 Brasil .
 Napoleo Bonaperte decreta o Bloqueio Continental e Portugal v-se

 evadido e saqueado pelas tropas Napolenicas .
 As ruas mal iluminadas e as

 casas , de gente endinheirada , abandonadas aguam o apetite  mo do alheio .
 Um

 pas saqueado tem fome , e casa onde no h po todos ralham e ningum tem

 razo .
 As vinganas e os ajustes de contas fazem aparecer no nosso pas esta

 personagem de melenas compridas que encobriam a sua face , o juiz de todas as

 discrdias .
 O fadista era temido por tudo e por todos , gabando-se , nas tascas

 mal iluminadas , dos seus feitos hericos .
  bem provvel que nas sua visitas a

 casas de pessoas endinheiradas , que acompanharam a fuga da famlia real para o

 Brasil , ele tenha descoberto a Guitarra Portuguesa e na sua companhia comece

 por cantar as suas proezas .

 A Guitarra Portuguesa que encontra os seus primeiros adeptos no Porto tem a sua

 origem prxima num instrumento ingls chamado Cistre ( no confundir com Sistro ,

 forquilha de madeira com soalhas de metal - da famlia dos Chincalhos ) , que

 entra pela Barra do Douro onde atracavam os barcos que faziam as trocas

 comerciais com os ingleses .
 O Mestre de Capela do Porto Antnio da Silva Leite ,

 devido ao entusiasmo crescente por este instrumento , nacionaliza-o e escreve um

 estudo para Guitarra , dedicado a Dona Antnia Magdalena e coloca-o  venda

 1200reis , no dia 15 de Maro de 1796 .
 As msicas propostas por este estudioso

 so Minuetes , Marchas , Alegros e Contradanas .
 Neste estudo de Guitarra no

 consta qualquer referncia a nenhuma expresso musical que tenha a ver com

 FADO .
 Se o mesmo j existisse , tambm ele deveria ter sido comtemplado por este

 professor de msica .
 S a partir desta data , a palavra Guitarra passa a

 pertencer ao vocabulrio portugus .
 De salientar a importncia de um outro

 Mtodo datado de 1789 , escrito por Paixo Ribeiro para Viola de Arame de 12

 cordas e 5 ordens com o ttulo " A Nobre Arte da Viola " .
 A Guitarra de Silva

 Leite s tinha 10 cordas , as 4 primeiras ordens duplas e as restantes singelas

 ( utilizava a afinao natural - do agudo para o grave Sol , Mi , D , Sol , Mi , D )

 pela anlise destes documentos podemos afirmar que a Guitarra nasceu sem

 conhecer o fado .

