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 O Fado ...

 O Fado como o conhecemos surgiu em meados do sculo XIX , aps sculos de

 mistura e evoluo .
 No sculo XVIII cruzam-se no Brasil gentes da Europa e

 frica resultando em manifestaes culturais e expresses musicais como as

 modinhas e o lundum , influenciando sonoridades j existentes na msica

 tradicional portuguesa .

 Nos principais centros urbanos de Portugal , o Fado torna-se ento a cano

 citadina e  por altura que a guitarra de 12 cordas  introduzida pela colnia

 britnica residente na cidade do Porto e passa a acompanhar o Fado .

 A nvel social. foi na " arraia mida " que o Fado se desenvolveu , principalmente

 no caso Lisboeta ,  a que o fadista comea a aparecer na literatura da poca ,

 Ramalho Ortigo , no volume de " As Farpas " ( 1871-1884 ) , dedicado  capital ,

 distingue-o assim : " ( ...
 ) Ser fadista quer dizer : ser um criminoso tolerado ,

 agremiado civilmente , constituindo uma classe. ( ...
 ) A guitarra , seu instrumento

 de indstria e de amor , dedilha-a ele com um desfastio impvido. ( ...
 ) Tambm

 canta , apoiando a mo na ilharga , de cabea alta , esticando as cordoveias do

 pescoo e entoando a melopeia dos lados , ( ...
 ) com uma voz soluada , quebrada na

 laringe , acompanhada da expresso fisionmica de uma sentimentalidade de

 enxovia , pelintra e miservel. ( ...
 ) " .

 O crescente interesse da Aristocracia pelo Fado finaliza o seu processo de

 ascenso a estilo musical , tal forma conceituado , que passa da Monarquia para a

 Repblica sendo eleito como smbolo nacional .
 Com Salazar foi profissionalizado

 o cantar em pblico e fechou-se o Fado em casas onde as letras eram controladas

 pela polcia .
 A custo , o Fado permanecia vadio nas escondidas tabernas e casa

 de alterne tornando-se cada vez mais uma cano considerada de protesto .
 Aps a

 Revoluo de Abril foi conotado como cano do regime e consequentemente

 marginalizado .
 Salvo raras excepes , foi insultado , alterado , aproveitado e

 exportado na sua vertente mais artificial .
 Tal percurso adverso no o extinguia

 e ainda se pode encontrar o Fado vadio .
 Este registo  prova disso .

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 A Tasca ...

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 Quem quiser cantar que avance , os msicos esperam sentados e faz-se fila 

 porta .
 Ningum recebe cachet nem prmios de consolao , apenas o desabafo do

 Fado .

 Na Tasca do Chico a Segunda-feira  dia forte , s dez e meia j se ocuparam

 todos os bancos e ouve-se o fado de p .
  mesa , cada vez mais jovens permanecem

 num silncio respeitador .
 Nas paredes os cartazes , recortes , capas de revistas

 e de jornais mostram as faces inertes dos fadistas de outrora e lembram a poca

 em que o Fado merecia publicaes especializadas .
 Aqui os que cantam agora

 podem ser taxistas que entram , cantam o Fado e voltam ao trabalho.Espera-se

 para cantar .
 Uma linguagem que se universalizou e que se quer cuidada , no que

 a tradio esteja em risco de se perder , mas para faz-la chegar mais longe .

 Do tecto vemos descer seis candeeiros de ferro numa luz muito suave que ilumina

 os copos com tendncia a se esvaziarem na sede dos ouvintes .
 Para dar um

 sentido a todo este cenrio , basta que se faa silncio e se cante o Fado .

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