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 Historial do Fado

 e da Guitarra

 No existem elementos seguros que nos faam determinar com certezas a

 origem do " FADO " , havendo opinies divergentes ( a de origem lrabe e a

 da importao das modinhas brasileiras , estas com influncia africana )

 que julgo serem ambas correctas , embora me incline para que a segunda

 verso tenha tido mais peso na estrutura bsica do FADO que

 actualmente se canta e de que s ternos notcia a partir de 1840 .

 Portugal influiu sem dvida na formao da sociedade brasileira , mas

 sofreu tambm a sua influncia .

 Nos fins do sc. XVIII as " modinhas " brasileiras estavam em voga em

 Lisboa .

  Caldas Barbosa ( n. em 1740 ) " poeta e cantador de modinhas " ,

 mulato , filho dum Portugus e duma escrava Angolana que introduz nos

 Sales de Lisboa uma nova cantiga toda de " suspiros " e " ais " , mistura

 da " modinha " com o " doce lundum chorado " ( bailado de origem africana

 levado para o Brasil pelos escravos que Angola para ali enviou nos

 scs. XVI , XVII e XVIII ;  no Brasil que o " LUNDUM " se comea a cantar

 tendo como tema a histria da escravido , a perseguio do branco e a

 saudade das terras livres - FOLCLORE NEGRO DO BRASIL DE ARTUR RAMOS ,

 CIVILIZAO BRASILEIRA , VOLUME IV ( EDIO 1935 ) - cujo tema principal

 era o " AMOR " ( Meados de Setecentos ) .

 No ter sido ento o " casamento " do " doce lundum chorado " com a

 " modinha " que deu origem nos meados do sc. XIX ao nosso FADO ?

 De notar que a palavra " FADO " s nos aparece depois de 1840

 significando msica popular , com um ritmo particular , tocado na

 guitarra e que tem por letra os poemas chamados " fados " .

 E  deste FADO que ns vamos tratar .

 Diz-nos ALBERTO PIMENTEL na " TRISTE CANO DO SUL " :

 " O fado nasceu em Lisboa , depois da primeira metade do sc. XIX e da

 irradiou para as provncias apenas com o carcter de " moda " de

 inveno " moderna " .

 Diz-nos o erudito prof. ERNESTO VIEIRA no seu " DICCIONRIO MUSICAL " :

 O Fado s  popular em Lisboa ; para Combra foi levado pelos

 estudantes e nem nos arredores destas duas cidades ele  usado , pois

 que ' a os camponeses tm as suas cantigas especiais e muito

 diferentes .

 E continua :

 Nas provncias do Sul , onde os rabes se conservaram por mais tempo e

 os seus costumes e tradies so ainda hoje mais " vivos " , o FADO 

 quase desconhecido , principalmente entre as gentes do campo .

 E conclui :

 A poesia " com que invariavelmente quase se canta o FADO  uma quadra

 glosada em dcimas , forma potica d'uma antiguidade pouco remota , de

 uma origem nada popular e sem relao alguma com a poesia rabe " .

 Um dos primeiros fadistas segundo a cronologia e a fama foi Jos

 Norberto , saloio de Campolide , que em 1848 teria uns 50 anos de idade .

 Bulho Pato conservava de memria algumas glosas que lhe ouvira e que

 abordavam o tema da " desgraa " com um misto de " jocoso " ( ver A Triste

 Cano do Sul de A. Pimentel , Ed. 1904 , pag. 59 ) .

  a primeira fase do FADO , popular e espontneo , executado nas baiucas

 e nas vielas e que podemos fixar como indo ate ao 1868/1869 , incio

 duma segunda fase aristrocrtica e literria em que o fado  executado

 nos sales e em que o piano desce aos botequins .

 O fado mais antigo que se conhece  o " FADO MARINHEIRO " .
 Segue-se-lhe

 o " FADO CORRIDO " que parece ter sido modelado por aquele e que se

 cifra na execuo do acompanhamento , sem variaes .

 Ao " FADO CORRIDO " segue-se o " FADO DA COTOVIA " , o " FADO DE PEDROUOS "

 de A. Branco , composto em 1849 e o " FADO CHORADINHO " ainda anterior a

 1850 e que serviu de modelo a outros fados .

 " FADO CHORADINHO "

 Quem tiver filhas no mundo

 No fale das desgraadas .

 Porque as filhas da desgraa

 Tambm nascem honradas

 ...

 Depois deste fado aparece o " FADO DA SEVERA " atribudo a SOUSA DO

 CASACO e que  considerado o primeiro fado popular " lamentoso "

 ( homenagem a Maria Severa , falecida em 1846 ) .

 O " CANCIONEIRO DE MSlCAS POPULARES " regista outros fados entre os

 quais :

 O " FADO AMPHIGURI " ( 1849 ) ;

 O 2 " FADO DE PEDROUOS " ( 1864 )

 O " FADO DE ANADIA " ( de Jos Maria Cavalinho ) ( 1862 )

 O " FADO DA CUSTDlA " ( de 1864 )

 O " FADO MAGYOLLI " ( 1870 )

 O " FADO DA CESRIA " ( de Ambrsio Fernandes Maia )

 O " FADO DE CASCAIS "

 O " FADO DE SINTRA " , etc.etc .

 Foi certamente em Coimbra , pela mo de LUS DE ALMEIDA ( Lus Filipe

 Ferreira de Almeida Mello e Castro , nascido em 21 / 4 / 1844 ) e pela

 mo de HILRIO que o FADO entrou nos domnios da literatura e chamou

 para ele a ateno dos Artistas Portugueses e dos estrangeiros que

 viviam em Portugal .

 Em Lisboa  o fadista DAMAS que principia a imprimir uma feio mais

 artstica ao FADO .

  JOO MARIA DOS ANJOS que aristocratiza a guitarra e talvez inspirado

 pela tarefa reformadora deste guitarrista aparece CAETANO " CALCINHAS "

 o verdadeiro iniciador do " moderno " canto do FADO .

 A trajectria evolutiva do fado no parou e tornou-se mais literrio ,

 mais artstico e consequentemente perdeu o seu carcter popular .

 Os versos populares do lugar aos versos elaborados e a msica , que

 at aqui era fruto da inspirao dos guitarristas e dos contadores ,

 passa a ser composta por maestros diplomados no Conservatrio !

 So desta poca e destacam-se como FADISTAS AMADORES , o Conde de

 Vimioso , o Conde da Anadia , o Marqus de Castelo-Melhor e D. Jos de

 Almada e Lencastre .

 Outros Cantadores so :

 Bagre , Pedro Banana ( Alfama ) , o Incio Torto ( Charuteiro de Alfama ) , o

 Pizo ( Carpinteiro de Alcntara ) , Pedro ( Cocheiro do Marqus de

 Viana ) , o Aquino ( da Graa ) , o Rachado ( de Sacavm ) , o Machado ( C .

 Grande ) , o Farelo ( Azeito ) e outros .

 Todos eles vinham cantar  Mouraria , onde se fazia o baptismo dos

 novos adeptos do fado .

 Em 1846 guitarrava-se o fado na Horta das Tripas , no Escoveiro (  Cova

 da Piedade ) , no Ezequiel ( Dafundo ) , na Rabicha ( C. Pequeno ) e na

 Palhav e em pocas posteriores no Nova Sintra ( Calada de Carriche ) ,

 no Jos dos Passarinhos ( Alcntara ) , no Ferro de Engomar ( Benfica ) e

 no Quebra-Bilhas ( C. Grande ) .

 Mas para continuarmos a falar do FADO e da sua trajectria at aos

 nossos dias , temos que falar obrigatoriamente da " GUITARRA

 PORTUGUESA " .

 Diz-nos Carlos Paredes :

 O instrumento musical a que chamamos hoje " Guitarra Portuguesa " , foi

 inventado em Inglaterra na 2 metade do sc. XVIII .
 Surgiu como

 resposta  necessidade de obter do cstre , instrumento utilizado em

 toda a Europa Ocidental durante o Renascimento , uma sonoridade mais

 emotiva e volumosa , de acordo com as transformaes verificados no

 gosto musical da poca , a apontar em alguns aspectos , para o

 Romantismo .

 Foi-lhe dado o nome de " Guitarra Inglesa " e se na aparncia , pouco se

 distinguia do cistre , j dele profundamente diferia nas qualidades

 essenciais .

 Por tudo isto , teve uma aceitao rpida e apaixonada da parte da

 juventude de diversas cidades de Inglaterra , Portugal , Frana ,

 Alemanha e outros pases .

 Abandonada nos fins do sc. XVIII , princpios do sc. XIX , sobreviveu ,

 at  actualidade , na Esccia e , com o nome de " Gutarra Portuguesa "

 em Portugal , integrada em manifestaes locas da vida musical

 popular , rural e urbana .

 Este instrumento parece ter entrado em Portugal pela cidade do Porto ,

 vindo da Gr-Bretanha , dado o intenso comrcio que os ingleses

 mantinham por causa do clebre vinho do Porto .

 O mesmo fenmeno se passa nos Aores ( S. Miguel ) durante as trocas

 comerciais com os mesmos ingleses , na que ficou conhecida como " poca

 da laranja " .

  curioso notar que aqui predominam , como tocadores de guitarra , o

 elemento feminino , pois que em Inglaterra ainda era moda as senhoras

 tocarem este instrumento considerado erudito e onde se interpretavam

 " minuetes " , " marchas " , " allegros " , " contradanas " e " sonatas " .

 A introduo da " guitarra inglesa " em Portugal no teve um imediato

 carcter popular .

  Antnio da Silva Leite ( l759-1833 ) Mestre de Capela do Porto , o

 autor de um mtodo de guitarra , pois que o entusiasmo por este

 instrumento no pra e comea a popularizar-se ouvindo-se a acompanhar

 as canes de protesto durante a Guerra Peninsular ( 1807-1814 ) que so

 escritas e divulgados em folhetos que andam pelas mos dos cegos .

  a unio da " guitarra " com o " FADO " .

  curioso observar-se que Silva Leite , obedecendo  irresistivel

 tendncia da poca , comps ou adaptou uma " modinha " em dueto com

 acompanhamento de duas guitarras , viola e viola baixo. ( l790 ) .

 De facto o " acasalamento " da guitarra com a viola ,  perfeito .
 A

 guitarra  um instrumento que se adapta com facilidade aos " requebros "

 e  ternura das canes galantes e " sentidas " e adaptando a sua

 " afinao natural " para a " afinao do fado " passa a ser preferida ao

 seu rival , o " bandolim " .

 Nota : A guitarra segundo os mtodos de ensino admite cinco afinaes :

 1 ) - afinao natural

 2 ) - afinao com quarta ( muito empregada para acompanhamentos )

 3 ) - a afinao do fado

 4 ) - a afinao transportada ( mais baixa meio tom )

 5 ) - a afinao do violo

 Agora que j temos a juno da " guitarra " com a " viola " , retomemos a

 trajectria evolutiva do fado .

 Vimos como o fado abandonou as suas caractersticas populares e numa

 segunda fase se torna mais " literrio e artstico " .

 E assim se mantm at ao princpio do sc. XX , altura em que entra

 numa nova fase .

 No decorrer dos anos 30/40 o fado abandona quase definitivamente as

 longas glosas " rebuscadas e dramticas " para se comearem a ouvir as

 dcimas , as quintilhas , as sextilhas , os alexandrinos , os

 decasslabos , em versos de graa e beleza , ao mesmo tempo que se ouvem

 lindas melodias de que so autores os Mestres da Guitarra Armandinho

 ( Armando Freire ) , Joaquim Campos exmio cantador , Jlio Proena , outro

 excepcional cantador , e aquele que se tornou uma " lenda viva " Alfredo

 Rodrigo Duarte ( Alfredo Marceneiro ) .

 Os poetas ento na moda so Henrique Rego , Linhares Barbosa , Carlos

 Conde , Frederico de Brito , Silva Tavares , Francisco Radamanto ,

 Fernando Telles , Joo da Mata , Joo de Freitas , Joaquim Pimentel ,

 entre outros .

 Armandinho discpulo de Luis Petrolino que por sua vez fora discpulo

 de Joo Maria dos Anjos , alm de autor de muitos fados e variaes que

 ainda hoje so tocados por todos os guitarristas , e senhor duma

 interpretao nostlgica e suave ,  de facto um marco na execuo

 deste instrumento , criando " escola " aonde se vo filiar outros grandes

 nomes como

 Salvador Freire , Jos Marques Piscalareta , Fernando Freitas ,

 Carvalhinho , Raul Nery ,

 Jos Nunes , Jaime Santos e Jos Antnio Sabrosa e mais tarde Fontes

 Rocha , tambm responsvel por uma nova forma de dividir e acompanhar .

 Dos discpulos de Armandinho , merecem um estudo especial os seguintes

 guitarristas : Jaime Santos , Carvalhinho , Raui Nery , Jos Nunes e

 Fontes Rocha ( este mais novo ) .

 Jaime Santos  autor de inmeros fados e variaes sendo-lhe peculiar

 a sua notvel execuo mecnica .

 Carvalhinho , conhecedor como poucos da escala da guitarra e embora por

 vezes ainda com influncias dum dedilhar " abandollnado "  duma grande

 sensibilidade e deixa juntamente com Raul Nery " frases fadistas " nos

 acompanhamentos dos fados que hoje j so por si inseparveis dos

 prprios fados e complemento dos mesmos .

 Raul Nery cria um estilo muito prprio dum vigor e duma segurana

 mpares dando ao cantador grande apoio e  vontade ,

 Forma com Fontes Rocha , Jlio Gomes e Joel Pina ( viola baixo ) o famoso

 " Conjunto de Guitarras de Raul Nery " , nico at agora .
  a juno

 perfeita de quatro excelentes artistas .

 Este clebre conjunto chega a formar com o cantador / cantadeira um todo

 to perfeito e harmonioso que  difcil pensar nalguns intrpretes sem

 aquele acompanhamento !
 ( Ex : Fernando Farinha ; Maria Teresa de

 Noronha ) .

 Jos Nunes , guitarrista do Porto , inspirado nos trinados nostlgicos

 de Armandinho e influenciado pelo grande mestre de Coimbra Artur

 Paredes , cria um novo estilo enriquecido pela " mgoa " que imprime ao

 instrumento atravs de " gemidos " e " glissandos " inconfundveis .

 Fontes Rocha , do Porto tambm , seguidor de Jos Nunes na forma ,  de

 uma inspirao rara , e a partir dos anos 60 , traz-nos uma nova diviso

 ( " balano " ) , dando novas perspectivas  guitarra .

 A cantar o fado surgem as vozes de Joaquim Campos , Jos Porfrio ,

 Jlio Proena , Francisco Viana , Alfredo Duarte ( Marceneiro ) , Filipe

 Pinto e Jlio Peres , Maria do Carmo , Maria do Carmo Torres , Maria

 Alice , Berta Cardoso e as incomparveis Hermnia Silva , Amlia

 Rodrigues , Luclia do Carmo e Maria Teresa de Noronha .

 Fernanda Maria  outro nome que aparece mais tarde e digno de

 destaque .

 Surgem tambm Carlos Ramos , Manuel de Almeida , Vicente da Cmara ,

 Fernando Maurcio e outros que no figuraram neste trabalho no por

 falta de reconhecimento do seu alto valor artstico mas s por ser

 impossvel enumerar tantos e tantos que tm dignificado e contribudo

 para o bom nome do Fado .

 Nos anos 60 no podemos deixar de destacar Maria do Rosrio

 Bettencourt , Teresa Tarouca , Joo Ferreira Rosa e Joo Braga .

 No maravilhoso e imprescindvel instrumento que  a " viola " ,

 acompanham Armandinho , Georgino de Sousa , Santos Moreira e Fernando

 Reis .
 Mas esta tambm sofre uma evoluo vindo a destacarem-se nomes

 como Alfredo Mendes , Jlio Gomes , Joaquim do Vale , Jos lncio ,

 Martinho da Assuno , Pedro Leal , e Francisco Peres .

 Mas voltemos aos " caminhos do fado " .

  com Amlia Rodrigues que o fado toma novos rumos .

 Esta artista com o seu multifacetado talento e cultura " liberta o

 fado " das suas " grades " e empresta a sua voz a todos os poetas que vo

 desde o mais popular ao mais erudito .
 Assim ouvimos nessa maravilhosa

 voz , Lus de Cames , Pedro Homem de Mello , David Mouro-Ferreira ,

 Alexandre O'neill , Alberto Janes , Alvaro Duarte Simes ( estes dois

 ltimos tambm autores de msicas originalssimas ) e outros .
 Surge

 ento um magnfico msico que inspirado na voz de Amlia e nos Poetas

 que ela escolheu , nos deixa uma nova " forma de fado " , j mais

 elaborado , mas sem perder as caractersticas j Impressas por aqueles

 que marcaram o " estilo do fado " .

  ele Alain Oulmain .

  nesta fase que Amlia tem como acompanhador  guitarra Fontes Rocha ,

 que embeleza os fados de Oulmain criando introdues e passagens de

 rara beleza .

  justamente nas dcadas de 40 a 60 que se atinge o " auge " do FADO .

 Durante estes anos , so publicados vrios jornais entre os quais a

 " Guitarra de Portugal " , " Cano do Sul " onde o fado  tratado com

 respeito e seriedade .

 Assiste-se ao empenhamento , em conjunto , dos poetas , instrumentistas e

 contadores para que o fado seja interpretado correctamente .

 As mtricas , as rimas e os conceitos so rigorosamente respeitados

 pelos Poetas e os intrpretes s os cantam depois de devidamente

 estudados os poemas .

 Para darem largas  sua imaginao , tm o " estilo "  sua disposio ,

 caracterstica da msica popular no transcrita em pautas .

 Por outro lado as " Casas de Fado " so frequentadas por uma " clientela "

 conhecedora ( que inclui sempre alguns poetas e fadistas ) .

 Os fados so anunciados e sabe-se quem so os autores das msicas e

 letras .

 Hoje tudo isto se perdeu !

 Os fadistas confrontam-se com uma clientela completamente

 desconhecedora das " regras do fado " e at por vezes com " averso " 

 nossa cano , mas que " por ser moda " ou lhes conferir um certo

 " casticismo " frequentam as " casas tpicas " , tornando a misso do

 artista difcil de se cumprir , pois que no h estimulo .

 J raramente se encontra " ambiente de fado " .

 Muito mais haveria a dizer e muito mais gente deveria ter sido

 referida neste trabalho , mas isto tornaria maador e pretensioso

 aquilo que se pretende no passar dum " ensaio " que modestamente

 gostaria que contribusse para que o FADO no se adultere e venha a

 perder-se .

 JOS PRACANA

