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 ESTRELAS DE PORTUGAL

 [ INLINE ] Ada de Castro

 O bairro de Alfama viu-a nascer , em 1937 .
 Conjugando o fado s marchas , Ada de

 Castro percorrer o circuito das casas de fado , tendo gravado parte do

 repertrio prprio j tarde na sua carreira .

 PRINCIPAIS XITOS :

 Na Hora da Despedida , A Severa Que Me Diga , O Meu Amor  Forcado , Algum

 Mandou-me Violetas

 [ INLINE ] Alice Amaro

 Incidentalmente fadista ,  sobretudo conhecida pelas suas interpretaes de

 marchas .
 De inconfundvel cabeleira loura , nasceu em Alfama , Lisboa , no ano de

 1936 .
 Desde mida gostava de cantar .
  outra " colheita " do Centro de Preparao

 de Artistas de Rdio , dirigido por Motta Pereira .
 Cantora muito comunicativa ,

 Alice Amaro vai conquistar um pblico fiel ao longo dos anos sessenta , cativado

 pelo modo alegre e desinibido como actuava .

 PRINCIPAIS XITOS :

 Triste Sino , Bom Dia Lisboa , Simpatia , Vaidosa , Alfacinha de Gema , Lisboa dos

 Milagres , Tic Tac do Amor , A Rua do Z Ningum .

 [ INLINE ] Amalia Rodrigues

 Amlia Rodrigues  hoje considerada uma das figuras mais importantes da

 histria do fado , tendo atingido o estatuto de " cone " nacional .

 Para muitos , simboliza a prpria essncia do fado , e mesmo da identidade

 portuguesa .
 A sua carreira artstica , longa e muito produtiva , atravessa e

 marca toda a histria do fado na segunda metade do sculo .

 Amlia , como lhe chamam todos os que a admiram , cresceu no bairro operrio de

 Alcntara , em Lisboa .
 Mas as suas razes so rurais .
 Os pais eram originrios

 da Beira Interior .
 O pai tocava na Filarmnica de Castelo Branco .
 Vindos para

 Lisboa numa mal sucedida procura de trabalho , regressaram s origens deixando a

 pequena ao cuidado dos avs .

 Aps quatro anos de escola primria , Amlia comeou a ganhar a vida .
 Desde logo

 os bordados , depois uma fbrica de bombons , finalmente a venda de fruta no

 porto de Lisboa .
 A sua voz e talento causavam admirao  famlia , aos

 vizinhos , aos amigos .

 Em 1939 foi contratada para cantar no Retiro da Severa , uma das mais

 prestigiadas casas tpicas de Lisboa , onde actuaram artistas to importantes

 como Armandinho , Alfredo Marceneiro e Erclia Costa .
 Entre 1940 e 1947

 participa em diversas Revistas e Operetas nos teatros Maria Vitria , Apoio e

 Variedades , continuando sempre a actuar nas casas de fado , onde atraa um

 enorme pblico .
 As suas primeiras tournes ao estrangeiro , verdadeiros

 prenncios de uma extensa e fulgurante carreira internacional , ocorrem em 43

 ( Espanha ) e 44 ( Brasil ) .
 Desde ento canta perante entusisticos pblicos nos

 cinco continentes .
 Participou em 11 filmes , onde revelou insuspeitados dotes de

 actriz .

 MARCOS PRINCIPAIS DA SUA CARREIRA :

 1939 Estreia-se no Retiro da Severa .

 1941 Primeira revista : Espera de Toiros , no Teatro Variedades .

 1943 Actua pela primeira vez no estrangeiro ( Espanha ) .

 1944 Digresso triunfal ao Brasil .
 1947 Estreia-se no cinema , com o filme

 Capas Negras .

 1949 Primeiras actuaes em Paris e em Londres .

 1951 Grava pela primeira vez em Portugal .

 1952 Actua em Nova Iorque , no La Vie en Rose .

 1956 Primeira actuao no Olympia de Paris , como " vedeta americana " ,

 passando , pouco depois , a vedeta principal .

 1962 Inicia a sua colaborao com Alain Oulman , no disco Amlia Rodrigues .

 1967 Nova temporada no Olympia de Paris .

 1969 Actua na Unio Sovitica .

 1970 Grava Com que Voz , lbum inovador e um clssico da renovao do fado .

 Canta , pela primeira vez , no Japo .

 1977 Actua no Carnegie Hall , em Nova Iorque .

 1985 Como solista d um concerto histrico no Coliseu dos Recreios , em

 Lisboa .

 [ INLINE ] Antonio Mourao

 Nascido em 1936 , no Montijo , Antnio Mouro parece destinado a uma vida de

 operrio .
 O seu gosto pelo canto revela-se quando decide aproximar-se do mundo

 dos fados , em Lisboa .
 Assistindo a espectculos na Parreirinha de Alfama ,

 pe-se um dia espontaneamente a cantar .
  um sucesso e fica logo ali

 contratado .

 Em 1965 estreia-se na revista E Viva o Velho .
 Canta  Tempo Volta p'ra Trs , no

 teatro Maria Vitria .
 O impacto da cano levar verdadeiras excurses de todo

 o pas ao Parque da Revista E Viva o Velho Mayer .
 Ser nmero um de vendas e

 um xito que perdura na memria colectiva .

 De personalidade tmida e reservada , Antnio Mouro ser um dos cones dos anos

 sessenta .
 A sua carreira entra em declnio , mas ainda hoje d espectculos .

 PRINCIPAIS XITOS :

  Tempo Volta p'ra Trs , Chiquita Morena , Meu Amor , Meu Amor .

 [ INLINE ] Armandinho

 Armando Augusto Freire de seu verdadeiro nome , Armandinho foi uma figura de

 importncia sem igual na evoluo do fado em Portugal .
 Verdadeira ponte entre

 duas eras e duas concepes do fado - o sculo XIX , com a sua conotao

 marginal e trgica , e o sculo XX com a popularizao do gnero finalmente

 abraado pelo grande pblico - deveu-se-lhe um notvel trabalho de fixao de

 melodias e toda uma nova maneira de abordar a guitarra portuguesa .

 Nascido em 1891 , Armandinho viveu de perto os anos da popularizao do fado e

 foi discpulo de Petrolino , alcunha pela qual ficou conhecido o guitarrista

 setubalense Lus Carlos da Silva , que fizera parte do sexteto de Joo Maria dos

 Anjos , reconhecido como o maior expoente do instrumento no sculo XIX .

 No incio do sculo XX , como nota Ruben de Carvalho no seu livro As Msicas do

 Fado , a vedetizao dos cantadores e cantadeiras de fado veio de certa maneira

 subalternizar os guitarristas , que passaram de solistas virtuosos a meros

 acompanhantes .
 Armandinho inverteu essa tendncia , ao adaptar a sua tcnica a

 cada um dos fadistas que acompanhava , entrando como se fosse em dilogo com os

 cantores , sublinhando ou reforando as suas caractersticas pessoais .
 Assim ,

 sem se sobrepor aos fadistas , Armandinho devolvia  guitarra um papel

 proeminente no fado , impondo lentamente , com toda uma nova gerao que seguia

 os seus passos - como Martinho d'Assuno , seu companheiro quase vinte anos

 mais novo - um novo estilo de acompanhar fado que continua nos nossos dias .

 Mas no foi esta a nica inovao que Armandinho trouxe ao fado .
 Como um dos

 membros fundadores , em 1927 , da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais

 Portugueses - antecessora da SPA - Armandinho responsabilizou-se pela recolha

 de inmeras melodias da tradio fadista e pela creditao dos seus autores

 naquela sociedade , trabalho paciente que hoje nos permite conhecermos muitas

 das composies mais antigas do gnero .

 Acompanhou muitos dos maiores fadistas portugueses da primeira metade do sculo

 XX e foi igualmente por sua iniciativa que muitos deles se inscreverem na

 SECTP , entre os quais Alfredo Marceneiro .
 Armandinho foi tambm empresrio do

 Salo Artstico de Fados , inaugurado em 1930 no Parque Mayer , e gravou poucos

 discos , insuficientes , infelizmente , para que hoje o seu talento seja

 devidamente admirado , pois so anteriores  popularizao do disco .

 Armandinho faleceu em 1946 .

 [ INLINE ] Beatriz da Conceio

 Beatriz da Conceio  uma das personalidades artsticas mais vibrantes da

 segunda metade deste sculo .
 Nascida no Porto em 1939 , torna-se fadista num

 episdio quase lendrio : vai ouvir fados  casa de fado de Mrcia Condessa ,

 alegra-se com a sangria e trauteia um fado .
  logo convidada pela D. Mrcia

 para ficar a cantar na casa .
 J no regressa ao Porto .

 O seu primeiro cac / hett foi de sessenta escudos por noite , mas depressa a sua

 carreira ganha asas para voos maiores .
 Cantar nas principais casas de fado de

 Lisboa , nos palcos da revista , onde obteve extraordinrios xitos como , por

 exemplo , Fado Para Esta Noite , ou John Portugus .

 A sua carreira foi marcada por uma presena assdua no estrangeiro , actuando

 para as comunidades emigrantes .
 J nos anos noventa ,  convidada para festivais

 internacionais de msica e aplaudida por um pblico cosmopolita .

 Se h uma marca inconfundvel na carreira de Beatriz da Conceio , para l do

 seu estilo profundamente pessoal e verdadeiro ,  a singular ateno que dedica

 s letras ( e aos poemas ) que canta .
 Obstinou-se sempre em ter um repertrio

 prprio e chegou a pagar do seu bolso letras de fado de que gostava .
 Talvez por

 isso obteve a admirao e a amizade de grandes poetas , como Vasco de Lima Couto

 ( de quem canta A Vida que Eu Sofro em Ti , Pomba Branca e A Noite , entre

 outros ) , ou Jos Carlos Ary dos Santos que para ela escreveu , com Fernando

 Tordo , o Fado da Bia , com o diminutivo familiar da artista .

 Continua a ter uma carreira activa , como o comprova a presena nos programas de

 televiso Grande Noite e Cabaret , de Filipe La Fria , a gravao de discos , e a

 presena assdua numa casa de fado .

 [ INLINE ] Carlos do Carmo

 Carlos Manuel de Asceno Almeida , nascido em Lisboa em 1941 ,  o nome de

 registo do fadista Carlos do Carmo , que optou por este nome artstico em

 homenagem a sua me , Luclia do Carmo , uma das mais talentosas fadistas

 portuguesas de sempre .

 Ainda novo , os pais enviaram Carlos do Carmo para a Sua , onde viria a tirar

 trs cursos que o habilitaram cultural e humanamente para uma vida que , a

 princpio , no parecia destinada ao fado .
 Carlos do Carmo formou-se em lnguas ,

 gesto e hotelaria e , na sua juventude , tinha o gosto musical mais inclinado

 para alguns nomes da bossa-nova brasileira , para Frank Sinatra ou para Jacques

 Brel .
 De regresso a Portugal , Carlos do Carmo passou a gerir a casa de fados

 propriedade de seus pais , O Faia .

 S por insistncia de amigos e de um pblico cada vez mais adepto da sua voz e

 que o ouvia nas poucas vezes que cantava perante outros , Carlos do Carmo se

 decidiu por uma carreira de fadista .
 De incio , ainda tentou compatibilizar a

 sua actividade de gestor com a arte de cantar o fado , mas o esforo era vo .
 Em

 1963 gravou , pela Valentim de Carvalho , o seu primeiro disco , Loucura .
 Os

 xitos comearam e ampliaram-se at Carlos do Carmo ser considerado , nos dias

 de hoje , um nome maior do fado masculino .

 Temas como Por Morrer uma Andorinha , Bairro Alto , Gaivota , Canoas do Tejo , Os

 Putos , Lisboa Menina e Moa e Estrela da Tarde so hoje grandes clssicos .

 O seu gosto pelo fado ganhou forma  medida que a carreira se foi formando por

 entre uma unanimidade clara em relao ao seu talento como artista .
 Intrpretes

 como Maria Tereza de Noronha e Jos Afonso fazem parte dos escolhidos pelo seu

 gosto erudito e ecltico .
 Ecletismo que , de resto , tem sido uma imagem de marca

 da carreira de Carlos do Carmo .
 Longe do fado tradicional , de caractersticas

 marialvas e saudositas , o fadista de Carlos do Carmo no Casino do Estoril .
 1991

 preferiu sempre cantar as Letras de autores mais " optimistas " , textos e poemas

 mais virados para o futuro .
  desta forma que Carlos do Carmo tem a colaborao

 de autores como Jos Carlos Ary dos Santos e de msicos como Fernando Tordo ,

 Paulo de Carvalho , Jos Mrio Branco ou Jos Lus Tinoco .

 Carlos do Carmo revelou-se um intrprete notvel em todas as vertentes ,

 alargando os horizontes do fado como ningum , a partir da dcada de setenta .

 A gesto magistral da sua carreira conduziu Carlos do Carmo a alguns dos mais

 importantes palcos de todo o mundo : Olympia e Auditrio Nacional , em Paris ;

 peras de Frankfurt e Wiesbaden ; Caneco , no Rio de Janeiro ; Savoy , em

 Helsnquia ; Teatro da Rainha , em Haia ; Teatro de So Petersburgo ; Place ds

 Arts , em Montreal ; Tivoli , em Copenhaga ; e Memorial da Amrica Latina , em So

 Paulo .
 Em Portugal , os concertos que realizou na Fundao Calouste Gulbenkian e

 nos Jernimos so dois dos pontos mais altos da sua carreira .

 A sua enorme e serena capacidade de enfrentar as cmaras da televiso levou-o ,

 ainda em incio de carreira , a dar um espectculo de music-hall no programa

 Curto-Circuito .
 A foi aplaudido como fadista mas criticado por interpretar

 Brel ou Manuel Freire .
 O tempo calou as crticas e Carlos do Carmo , foi

 protagonista , em 1976 , de um feito nico na histria da televiso portuguesa :

 interpretou , a convite da RTP , todas as canes candidatas ao Festival da

 Cano .
 Os oito temas seleccionados foram votados pelo pblico , ganhando a

 cano Flor de Verde Pinho , de Manuel Alegre e Jos Niza .
 Do evento foi gravado

 Uma Cano Para a Europa , que  hoje uma das maiores raridades da sua obra .

 Em 1977 , Carlos do Carmo ter atingido , porventura , o patamar superior da sua

 obra , ao gravar Um Homem na Cidade , lbum conceptual com letras de Ary dos

 Santos .
 Neste disco , Carlos do Carmo interpreta xitos como O Cacilheiro , O

 Homem das Castanhas , O Amarelo da Carris e Balada de Uma Velhinha .

 Ao sucesso de Um Homem na Cidade segue-se Um Homem no Pas , de 1984 , o primeiro

 CD gravado por um artista portugus .
 Neste trabalho , Carlos do Carmo volta a

 interpretar poemas de Ary dos Santos , com msicas de Jos Mrio Branco , Paulo

 de Carvalho , Fernando Tordo e Jos Afonso .
 O mais recente trabalho do fadista 

 Margens , de 1986 , sob a orientao de Jos Lus Tinoco .

 [ INLINE ] Deolinda Rodrigues

 Talento precocemente revelado de fadista , Deolinda Rodrigues nasce em Lisboa ,

 em Telheiras , ento um aldeamento de cariz rural s portas de Lisboa .
 Cedo

 perde a me e a famlia vive com dificuldades .
  na Sociedade de Recreio Unio

 Familiar de Telheiras que d os seus primeiros passos como cantora de fados ,

 ainda criana .

 As suas qualidades so bastante apreciadas e , com vinte anos , decide participar

 no Concurso da Primavera organizado pelo Dirio Popular .
 Conquista o segundo

 lugar e a ateno do empresrio Jos Miguel que a contrata para cantar no

 Retiro dos Marialvas , a vinte escudos por noite .
 Empregada de escritrio ,

 Deolinda Rodrigues acumula as duas actividades , s deixando de o fazer quando

 os rendimentos do fado se tornam significativos ( passa a ganhar 50 escudos por

 noite ) .

 Cantora de boa voz e de sentimento forte na interpretao , Deolinda Rodrigues

 alia a estas qualidades uma excelente presena fsica , uma beleza clssica e

 capacidades interpretativas .
 Caractersticas que a vo levar rapidamente ao

 cinema , com participaes destacadas em Cantiga da Rua ( o seu primeiro filme ) ,

 Madragoa e O Passarinho da Ribeira .
 Deolinda Rodrigues pisar tambm os palcos

 da opereta e da revista .
 Mas  nas casas de fado que se sente melhor .
 Afirmar :

 " Nas casas tpicas o pblico est perto de mim e posso ver a sua reaco .
 E

 quando sinto que o pblico sente aquilo que canto , eu sinto ainda mais

 profundamente .
 E sou eu , s eu .
 Ningum interfere " .

 Aps um interregno ditado pelo casamento , Deolinda Rodrigues divorcia-se e

 volta a cantar .
 Passar pelas melhores casas de fado do pas , fazendo

 igualmente digresses ao Brasil ( com grande sucesso ) , Moambique , Angola ,

 Espanha , Estados Unidos , Canad .

 Dela recordamos fados de grande qualidade como Valeu a Pena , O Fado do Fim ,

 Triste o Meu Fado , Fado da Saudade .

 Deolinda Rodrigues embora o apelido possa induzir em erro , Deolinda Rodrigues

 no  familiar de Amlia Rodrigues , apesar de ser sua contempornea .
 Esta

 cantadeira lisboeta nasceu em 1924 e foi como que " apadrinhada " por Erclia

 Costa , que lhe previu carreira como fadista ao ouvi-la cantar num sarau da

 sociedade recreativa deTelheiras , com apenas oito anos de idade .
 Proveniente de

 uma famlia pobre , cantar era uma forma de Deolinda Rodrigues ultrapassar as

 dificuldades que a famlia enfrentava .

 Com vinte anos de idade , Deolinda Rodrigues concorre ao Concurso da Primavera

 de 1944 , organizado pelo jornal Dirio Popular , e ficou em segundo lugar na

 categoria amadora .
 Um dos empresrios presentes ficou com a jovem debaixo de

 olho e contratou-a para o Retiro dos Marialvas , onde se estreou nesse mesmo

 ano .
 O casamento v - - a , num primeiro passo , abandonar a vida artstica e , num

 segundo , dedicar-se apenas ao cinema , participando em filmes como Cantiga da

 Rua , Madragoa e O Passarinho da Ribeira .
 Ainda casada , comear a ser vedeta

 requisitada para revistas e operetas teatrais , mas em 1952 , com a mudana do

 seu marido para Angola , Deolinda Rodrigues retira-se .

 Ser uma ausncia de pouca dura : o divrcio surgir em 1954 e a fadista

 regressa a Lisboa , retomando uma carreira de fadista e vedeta de revista , at

 que no final dos anos setenta se retira da vida profissional .

 [ INLINE ] Fernando Farinha

 Talvez poucas pessoas saibam que esta figura to tpica da cidade de Lisboa e

 da sua memria nasceu , afinal , no Barreiro , em 1928 .
 O seu pai , barbeiro ,

 decide tentar a sorte na capital e , com 8 anos , o pequeno Fernando vem viver

 para o bairro do Bica .

 No ano seguinte canta pela primeira vez em pblico , num concurso entre bairros .

 Triunfante , com alcunha logo ali ficou : o " Mido da Bica " .
 Com 11 anos , por

 morte o pai , torna-se profissional do fado , para o que foi precisa licena

 especial .
 Apoiado pelo conhecido empresrio Jos Miguel , vai ganhar 50 escudos

 por noite no Caf Mondego .
 Pela mo de Fernando Santos , jornalista e autor ,

 entra ainda criana no Teatro de Revista ( Boa Vai Ela ) , na qual se estreia ,

 igualmente , Laura Alves .
 Aufere 100 escudos por noite .
 Assim ampara a famlia .

 O percurso das casas de fados ser o seu destino nos anos que se seguem : Retiro

 da Severa , Solar da Alegria , Caf Latino .
 Com 23 anos vai pela primeira vez ao

 Brasil .
 A estar durante quatro meses , actuando nas rdios Tupi e Record , de

 So Paulo .
 Ao longo de toda a dcada de cinquenta internacionalizar ,

 progressivamente , a sua carreira junto das prsperas comunidades portuguesas ,

 sobretudo do Brasil .
 Em 1957  nomeado " A Voz mais portuguesa de Portugal " ,

 pela Rdio Peninsular .

 Presente na televiso desde os seus alvores , Fernando Farinha participa no

 programa Melodias de Sempre .

 A dcada de sessenta  o culminar da sua popularidade .
 Segundo classificado em

 1961 , triunfa em 1962 como Rei da Rdio .
 No ano seguinte vence o primeiro

 galardo " Disco de Ouro " ,  frente de Calvrio e de Tudela .
 Em 1963 ganha o

 Oscar da Casa da Imprensa para melhor fadista .
 Participou nos filmes O Mido da

 Bica e ltima Pega .

 Continuou a sua carreira nas dcadas seguintes , actuando sobretudo para as

 comunidades de emigrantes .
 Uma das suas facetas menos conhecidas  a sua

 capacidade como letrista e poeta popular .

 PRINCIPAIS XITOS :

 Sou do Povo , Deus Queira , Belos Tempos , Dias Contados , Menina do Rs-do-Cho ,

 Fado das Trincheiras , Eterna Amizade , Guitarra Triste .

 [ INLINE ] Frei Hermano da Camara

 O grande amor  msica , e em especial ao fado , vai levar o jovem D. Hermano

 Cabral da Cmara a juvenis fadistadas com seus irmos .
 Tal no  de admirar ,

 havendo ele nascido , em 1934 , numa famlia de aristocratas e fadistas .

 Grava o seu primeiro disco no circuito comercial em 1959 , Sunset and

 Sentimental , onde se encontram temas ainda hoje conhecidos , como Colchetes de

 Oiro .
 Rapidamente a sua voz , muito particular , conquistar o corao de

 inmeros fs .

 Com 27 anos decide , bruscamente , tornar-se monge beneditino .
 Desta resoluo

 nasce o mtico Fado da Despedida .
 Ao longo dos anos , e com a abertura

 proporcionada pelo Conclio Vaticano II , Frei Hermano da Cmara voltar a

 gravar temas , marcados pela sua vocao religiosa , onde a sua voz continua a

 revelar o fulgor que o distinguiu .

 PRINCIPAIS XITOS :

 Colchetes de Oiro , Minha Me , Olhos Negros , Guitarra Chora Que eu Canto , O

 Rapaz da Camisola Verde , Os Teus Olhos So Passarinhos , Ave Maria , Jesus , Sede

 de Infinito .

 [ INLINE ] Helena Tavares

 Fadista popular , nascida na zona oriental de Lisboa em 1932 ( ser madrinha da

 marcha de Marvila desde 1970 at morrer ) Helena Tavares alcanou nos palcos do

 teatro de revista e nas casas de fado uma notvel popularidade , que a tornou um

 dos nomes de referncia at  sua morte prematura , em 1980 .

 Lanada por Vasco Morgado no Teatro Avenida em  Rosa Arredonda a Saia ,  na

 revista que conhecer os seus maiores xitos , como A Rua dos Meus Cimes , na

 revista A Vida  Bela .
 Apesar de no ter vocao de actriz , a sua voz

 agradvel , clara e bem timbrada , e uma bela presena ( foi considerada a mulher

 mais bonita do teatro portugus ) foram argumentos mais do que suficientes para

 triunfar como fadista nos palcos .

 Esta dedicao  revista  comprovada por uma histria que fica lendria no

 meio : grvida , Helena Tavares est em palco , na revista Elas So o Espectculo ,

 no Teatro Variedades , quando se rompem as guas , vindo assim a nascer a sua

 terceira criana , a actriz Helena Coelho .

 Mas no  s no teatro de revista que se exprimiu a vocao de Helena Tavares .

 Nas melhores casas de fado ( Luso , Faia , Adega Machado ) , esta fadista que j

 cantava desde criana exprime todo o seu talento , atraindo admiradores .
 Casada

 com o actor e empresrio Carlos Coelho , Helena Tavares ser ainda visita

 regular da televiso , em programas como Melodias de Sempre ou Quando Portugal

 Canta .
 Participou , igualmente , em diversas tournes pelo estrangeiro .

 Marcos principais da carreira :

 1932 Nasce a 20 de Setembro , na freguesia dos Olivais , em Lisboa .

 1952 Estreia-se no Clube Oriental de Lisboa , com Regar e Pr ao Luar , numa

 revista com o mesmo nome .
 Vasco Morgado contrata-a para o Teatro Avenida , na

 revista  Rosa Arredonda a Saia .

 1955 Comea o seu relacionamento com o actor e empresrio Carlos Coelho .

 1959 Grava , para a Alvorada , o seu primeiro disco , Fados .

 1960 Canta pela primeira vez , no Teatro Capitlio , o seu maior xito , A Rua

 dos Meus Cimes .

 1970  pela primeira vez madrinha da Marcha de Marvila .

 1975 Formaliza no registo civil a sua unio de vinte anos com Carlos Coelho .

 Passa a actuar apenas em hotis e casas de fado .

 1980 Morre , vtima de cancro .

 1992 Programa de homenagem na RDP .

 [ INLINE ] Joao Maria Tudela

 Filho de famlia brasonada e de haveres , Joo Maria Tudela nasce em Moambique ,

 em 1929 .
 At aos 13 anos estuda na frica do Sul .
 Mais tarde , em Loureno

 Marques , comea a actuar como solista no Liceu Salazar .
 Tocava piano , guitarra ,

 viola e harmnica vocal sem saber msica !

 A sua vinda para Coimbra , como estudante , vai acentuar a sua tendncia

 artstica .
 Junta-se aos grupos acadmicos e , se os estudos no progridem por a

 alm , o talento desenvolve-se .

 Por imposio familiar volta a Moambique , empregando-se primeiro na " Companhia

 de Seguros Imprio " e depois na " Shell " , onde permanecer durante uma dcada

 como responsvel comercial .
  por essa altura que desenvolve o seu talento como

 jogador de tnis , chegando a ser um dos melhores atletas de Moambique naquela

 modalidade .

 Mas Joo Maria tem a msica dentro de si .
 Nunca deixou de cantar , sobretudo o

 fado de Coimbra , e a sua fama torna-se grande em todo o territrio moambicano .

 Comea , tambm , a interessar-se pela msica africana .
 Nos anos seguintes

 continuar a gravar e a actuar naquele pas , iniciando uma parceria com a

 orquestra de Dan Hill , que o acompanhar nos principais xitos da poca .

 Em 1959 Joo Maria Tudela cria ento o seu primeiro e maior xito de sempre ,

 Kanimambo , que far grande carreira em Portugal continental , nos Estados Unidos

 e na Amrica do Sul .

 Defendendo sempre o seu estatuto de amador ,  convidado para uma digresso ao

 Brasil .
 No regresso passa por Portugal , onde a presso para que " o maior cartaz

 turstico de Moambique " aqui se instale  tal que , poucos meses depois ,

 retorna para ficar , definitivamente como profissional .

 No incio da dcada de sessenta , Joo Maria Tudela entra no meio artstico

 portugus pela porta grande .
 O seu estilo elegante conquistou-lhe uma legio de

 adeptos , e uma carreira coroada por inmeros prmios , entre os quais o Prmio

 da Crtica O Melhor da TV , em 1962 .
 Em 1968 , aps ter sido proibido de voltar 

 RTP na sequncia da interpretao de Cama 4 , Sala 5 de Jos Carlos Ary dos

 Santos e Nuno Nazareth Fernandes , Tudela resolve terminar a sua carreira .
 Os

 seus ltimos anos de interveno artstica so marcados por uma crescente

 exigncia quanto aos temas , ( letras e composies ) , e por uma aproximao aos

 autores mais crticos do regime .

 PRINCIPAIS XITOS :

 Kanimambo , Hambanine , O Meu Chapu , Diz que Gostas de Mim , Menina das Tranas ,

 No Pas do Sol , Soldado Portugus , Moambique , Liberdade , Fuzilaram um Homem

 num Pas Distante .

 [ INLINE ] Luclia do Carmo

 Luclia do Carmo  unanimemente reconhecida como uma das maiores estilistas do

 fado do sculo XX .
 Contudo , ironicamente , poucos sabem que esta cantora

 identificada para sempre com a cano popular de Lisboa  natural de

 Portalegre , onde nasceu em 1920 , embora a famlia se tenha radicado em Lisboa

 quando Luclia tinha cinco anos .

 O potencial da sua voz foi reconhecido ainda a cantadeira era adolescente e ,

 com 17 anos apenas , estreou-se como profissional no Retiro da Severa , por

 intermdio de outra figura grande do fado da altura , Filipe Pinto .
 Em breve

 Luclia do Carmo era uma das fadistas mais afamadas da capital , actuando nas

 principais casas de fado , e chegando inclusive a atingir grande popularidade no

 Brasil , onde residiria durante cinco anos .

 Regressada definitivamente a Portugal em 1947 , Luclia do Carmo abriria a sua

 prpria casa de fados no Bairro Alto .
 A Adega da Luclia tornar-se-ia

 histrica , sobretudo depois de o marido da cantora , Alfredo de Almeida

 ( empresrio com grande importncia no desenvolvimento da sua carreira ) , sugerir

 uma mudana de nome .
 Nascia assim o Faia , que se tornaria em ponto obrigatrio

 de passagem para os amadores de fado , tal a qualidade do elenco que Luclia do

 Carmo atrairia para ali actuar ( Alfredo Marceneiro , Carlos Ramos ou Tristo da

 Silva foram apenas alguns dos nomes que l cantaram ) .
 A direco do Faia seria

 posteriormente assumida pelo filho da cantora , Carlos do Carmo ( ele prprio

 fadista de grande mrito ) , depois do falecimento de Alfredo de Almeida .

 Relativamente avessa ao estdio - deixou poucos discos gravados , embora esses

 poucos sejam obras essenciais do fado , como Maria Madalena ou Foi na Travessa

 da Palha - Luclia do Carmo retirou-se da msica na dcada de 80 .
 Faleceu em

 1999 aps doena prolongada .

 [ INLINE ] Manuel de Almeida

 Considerado por muitos um dos ltimos grandes fadistas castios , Manuel de

 Almeida nasceu em 1922 em Lisboa .
 Sapateiro de profisso , comeou a cantar fado

 com dez anos de idade , mas o seu feitio tmido jogava contra o seu talento , de

 tal modo que , embora desde 1937 participe em espectculos de amadores , s em

 1951 se profissionaliza , estreando-se no Tipia e abandonando o seu ofcio de

 sapateiro .

 Manuel de Almeida gravou relativamente poucos discos , pois a maior parte da sua

 carreira foi feita nos retiros e casas de fado lisboetas , s quais se mantinha

 invulgarmente fiel : doze anos na Tipia , onze no Lisboa  Noite , e dezasseis no

 Forte D. Rodrigo .
 Contudo , dos seus discos aquele que mais se destaca para

 muitos observadores  Eu Fadista Me Confesso , que Ro Kyao lhe produziu em

 1987 .
 Faleceu em 1995 .

 [ INLINE ] Maria Clara

 Uma das primeiras estrelas da rdio portuguesa , Maria Clara foi uma das

 principais influncias de colegas de gerao como Jlia Barroso e Maria de

 Lourdes Resende .
 Isto porque se estreou na rdio muito antes delas , embora a

 sua carreira se tivesse iniciado no teatro .
 Mais precisamente , na opereta : com

 a Costureirnha da S , estreada no Porto em 1943 , que fez o nome de Maria

 Clara .

 Curiosamente , Maria Clara era lisboeta .
 Nascera na capital em 1923 e foi a que

 foi descoberta para a vida artstica , atravs das suas participaes nas

 montagens amadoras do Grupo Dramtico e Escolar Os Combatentes .
 Uma vez no

 Porto , Maria Clara ( nome artstico , pois o seu verdadeiro nome era Maria da

 Conceio Ferreira ) acabaria por conquistar no apenas o corao da cidade , com

 a Costureirinha da S a manter-se trs meses em cartaz com lotaes

 constantemente esgotadas , como tambm do mdico Csar Machado , que a pediria em

 casamento .
 Maria Clara faria do Porto a sua cidade , deslocando-se contudo a

 Lisboa sempre que o trabalho o exigia .

 Apesar da sua popularidade no teatro - carreira que manteve durante seis anos -

 a Emissora Nacional comeou por se recusar a contrat-la , alegando que a sua

 voz era " pouco radiofnica " .
 Contudo , A Moleirinha acabaria , em 1945 , por

 convencer o jri da estao e Maria Clara tornar-se-ia numa das mais populares

 artistas do elenco da Emissora , recebendo em 1946 o primeiro prmio do Concurso

 de Cantadeiras e o primeiro prmio do Concurso de Artistas Ligeiros da Rdio .

 Em 1953 , foi eleita representante portuguesa no Festival Internacional da

 Rdio , em Marrocos .

 Entre as suas criaes , gravadas em quase duas centenas de discos , contam-se

 Figueira da Foz , Marcha do Centenrio ou  Z Aperta o Lao .
 Pouco disposta a

 dar entrevistas , foi contudo artista de uma rara popularidade e longevidade .

 [ INLINE ] Maria de Lurdes Resende

 Irrequieta e traquinas desde a mais tenra infncia , Maria de Lurdes Dias

 Resende nasceu no Barreiro em 1927 .
 Cantou desde que se lembra .
 Alis , assim

 que nasceu comeou a berrar , tarefa a que se dedicou durante o primeiro ano de

 vida , para desespero dos pais .

 Ao crescer , Maria de Lurdes Resende ganhou a convico de que seria cantora , e

 de pera .
 Mas os pais opuseram-se de forma veemente e s aos 18 anos , com a

 maioridade , se estreou oficialmente , com o nome de Maria de Lurdes , porque

 Resende era da famlia que a tinha contrariado .
 " Eu era uma menina extremamente

 turbulenta " , afirmou  Flama em 1967 .
 " As minhas filhas so uns verdadeiros

 terramotos , mas eu era bem pior do que elas " .

 Das primeiras cantigas aos microfones da Rdio Graa at uma carreira nacional

 e internacional recheada de sucessos , prmios e comendas , Maria de Lurdes

 Resende ganhou inequvoca popularidade , com uma voz excepcional ao servio das

 cantigas .
 Gravou mais de 200 .

 Alcunhada de " a feia-bonita " , Maria de Lurdes Resende daria uma resposta digna

 do seu carcter , popularizando a cantiga A Feia .

 Mas Alcobaa foi o seu grande xito em Portugal e alm fronteiras .
 " Quem passa

 por Alcobaa , no passa sem l voltar ...
 " .
 Quem no se lembra das palavras

 desta cano ?
 E foi justamente em Alcobaa que Maria de Lurdes Resende foi

 homenageada por ocasio dos seus 50 anos de carreira , no Cine-Teatro daquela

 cidade , que reuniu inmeras vedetas contemporneas , autores e compositores ,

 amigos e familiares .
 Maria de Lurdes imortalizara Alcobaa e esta imortalizou-a

 dando-lhe o nome a uma das suas principais ruas .

 Mulher de um " corao de ouro " , na opinio de Nbrega e Sousa , Lurdes Resende

 confessou , tambm  Flama : " Sou extremamente bomia por temperamento mas , por

 educao , tenho de ser exactamente o contrrio " .

 Marcos principais da carreira :

 1945 Estreia-se na Emissora Nacional , depois de um breve ensaio na Rdio

 Graa .

 1948 Prmio de canonetista no Concurso de Artistas Ligeiros da Rdio .

 1950 Actua em Paris , no mbito do Plano Marshall .

 1952 Durante um ano actua na rdio e televiso das principais cidades

 brasileiras .

 1955 Primeiro prmio da Cano de Sucesso , em Gnova , com Alcobaa .
 Rainha da

 Rdio , eleita em concurso da revista Flama .

 1956 Rainha do Espectculo no concurso da revista Plateia .

 1957 Actua na primeira emisso da RTP. 1962 De novo , Rainha da Rdio .

 1966 l  e 2  - prmios no Festival Internacional da Cano , em Toronto ,

 Canad .

 1967 A " Maior Canonetista Portuguesa " , eleita pela Imprensa de Angola .

 1970 Comenda da Ordem de Benemerncia , por ocasio dos seus 25 anos de

 carreira .
 Protagonista da pea Um Chapu de Palha de Itlia , no TEC .

 1957 Medalhas de Prata das Cmaras Municipais do Barreiro , de Alcobaa e de

 Lamego .
 No ano seguinte , Medalha de Ouro da Cmara Municipal do Barreiro .

 [ INLINE ] Max

 Foi uma das mais populares vedetas da rdio , do teatro e da televiso

 portuguesas , desde os anos quarenta at  sua morte em 1980 .
 A ele se devem

 xitos como Noites da Madeira , Bailinho da Madeira ou A Mula da Cooperativa .
 E

 nada faria prever que este jovem madeirense , que sonhava ser barbeiro e fora

 alfaiate , viria a ser um dos mais populares artistas portugueses .

 Maximiano de Sousa , de todos conhecido como Max , era madeirense , nascido no

 Funchal em 1918 .
 Foi a que iniciou a sua carreira artstica .
 Sonhara ser

 barbeiro e violinista , tinha ouvido para a msica mas pouca pacincia para

 aprender o solfejo , e acabou por aprender o ofcio de alfaiate .
 Contudo , o

 bichinho da msica que sempre tivera tornou-se numa carreira em 1936 , quando

 comea a actuar no bar de um hotel do Funchal : cantor  noite , alfaiate de dia .

 Em 1942 ,  um dos fundadores - como cantor e baterista - do Conjunto de Tony

 Amaral , que se torna numa sensao nas noites madeirenses e que , em 1946 , vem

 conquistar Lisboa .
 O trabalho  muito e o conjunto assenta arraiais no

 night-club Nina , interpretando os ritmos do momento - boleros , slows ,

 fados-canes .
 E  o Fado Mayere de Armandinho e Linhares Barbosa , mais

 conhecido como No Digas Mal Dela , que populariza a voz de Max e leva  sua

 sada do Conjunto de Tony Amaral , iniciando finalmente a carreira a solo que

 desejava em 1948 .

 Agora actuando sozinho , Max dispara para o estrelato atravs da rdio e das

 suas presenas no Passatempo APA do Rdio Clube Portugus , em parceria com

 Humberto Madeira .
 Em 1949 , assina contrato com a Valentim de Carvalho e grava o

 seu primeiro disco : um 78 rotaes com Noites da Madeira e Bailinho da Madeira .

  o primeiro de uma longa lista de sucessos como A Mula da Cooperativa , Porto

 Santo , 31 ou Sinal da Cruz .
 Em entrevista ao jornal Se7e , em 1978 , referia que

 eram os discos que lhe davam mais dinheiro , pois " os direitos de autor estavam

 sempre a pingar " .

 Depois da rdio , Max conquista o teatro , participando a convite de Eugnio

 Salvador na revista Saias Curtas , em 1952 .
 Ser apenas a primeira de uma longa

 srie de revistas que confirmaro tambm os seus dotes de actor e humorista .

 Em 1957 , parte para os EUA para uma digresso de cinco anos interrompida por

 uma sbita doena de corao ao fim de dois .
 Viajar em seguida por Angola ,

 Moambique , frica do Sul , Brasil e Argentina .

 Regressado a Portugal , embora continue a ser um dos artistas mais queridos do

 pblico , encontrar alguma dificuldade de trabalho , sobrevivendo  conta dos

 discos que continuava a gravar .
 Um dos seus maiores xitos surgir alis neste

 perodo , Pomba Branca .
 Faleceu em 1980 .

 [ INLINE ] Misia

 Os japoneses , os sul-coreanos e os espanhis adoram os fados desta cantora

 portuguesa , filha de pai portuense e de me catal , talvez mais que os seus

 prprios conterrneos .

 Susana , o nome prprio de Msia , comeou por cantar em Madrid no final dos anos

 oitenta .
 Emprestava a sua voz aos fados de Amlia e a canes de Joan Manoel

 Serrat , de Piaff , Marlene Dietrich ou Judy Garland .

 Em Portugal , Msia assina contrato com a editora EMI-Valentim de Carvalho e

 grava um lbum onde o repertrio e a sua atitude contrastam com os padres

 vigentes .
 Vendaval , de Tony de Matos , Samba em Preldio , de Vincius e Baden

 Powell , Porto Sentido , de Rui Veloso e Carlos T e temas de Carlos Paio e Toz

 Brito , so alguns dos temas que marcam o LP Msia .

 Msia Fado , um disco onde as consequncias estticas do seu projecto so

 levadas ainda mais longe , sai em 1994 , editado pela BMG. Msia Fado ,  ainda

 mais ousado : Fado Adivinha , de Jos Saramago e Antnio Victorino de Almeida ,

 Nasci Para Morrer Contigo , de Antnio Lobo Antunes e Vitorino , Liberdades

 Poticas , de Srgio Godinho , alm de uma cano de Jacques Brel , so as

 escolhas de Msia , acompanhados  guitarra por Antnio Chanho .
 O disco 

 editado em Portugal , Espanha , Japo e Coreia do Sul .

 Tanto Menos , Tanto Mais  o LP que , no ano seguinte , assinala a interpretao

 de temas inditos de Vitorino e Manuel Paulo , com letras de Joo Monge , Carlos

 T e Antnio Lobo Antunes .

 O reconhecimento do trabalho de Msia , que j era uma realidade noutros pases ,

 chega por fim a Portugal .
 O seu esforo de renovao do fado enquanto

 manifestao urbana conhece a consagrao em espectculos como Fado e Outros

 Pecados ( 1995 ) , no Teatro de So Lus .

 Actualmente , Msia est ligada  editora francesa de msica tnica Eratus , e

 conhece em diversas cidades espanholas alguns dos palcos privilegiados de

 actuao .

 [ INLINE ] Raul Solnado

 A Raul Solnado coube em sorte , para alm de ser um dos maiores actores cmicos

 que Portugal j conheceu , de se tornar um recordista de vendas discogrficas

 com discos que nem canes tinham .
 De facto , as gravaes dos monlogos que

 criou em revistas nos anos sessenta bateram recordes de vendas na altura - mas

 Solnado chegou igualmente a gravar canes , tornando-se Malmequer um enorme

 xito em 1972 .

 Natural de Lisboa , onde nasceu em 1929 , Solnado estreou-se como actor em 1947

 no grupo de amadores da Sociedade Guilherme Cossul e , em 1952 , estreava-se

 profissionalmente como actor. 1953 trouxe a sua estreia na revista , por

 iniciativa de Vasco Morgado , que reconheceu o seu talento de comediante e ,

 durante os dez anos que se seguiram , tornou-se um dos mais populares actores de

 revista .

 Contudo , foi preciso o disco para a sua popularidade atingir nveis inusitados :

 mais precisamente , um disco que reunia A Histria da Minha Ida  Guerra de 1908

 e A Histria da Minha Vida , que bateu todos os recordes de vendas de discos at

 ento , vendendo at mais do que Amlia !
 A Guerra de 1908 era originalmente um

 sketch teatral do humorista espanhol Miguel Gila que Solnado ouvira em disco e

 adaptou para portugus , interpretando-o na revista de 1961 Bate o P .
 No

 havendo em Portugal tradio deste tipo de humor absurdo , o sketch entrara na

 revista a contragosto da produo e por imposio do actor , que viu a sua

 insistncia validada pelo enorme sucesso que o monlogo obteve .
 A partir da ,

 Solnado introduziu em muitas das revistas em que trabalhou monlogos na mesma

 linhagem , que obtiveram igual sucesso , tanto no palco como em disco , at 1968 ,

 ano em que grava o ltimo desta srie .

 Em 1965 , Solnado afasta-se do teatro de revista e passa a dedicar-se

 exclusivamente ao teatro de comdia e  televiso , onde ajudou a tornar sucesso

 programas como o Zip Zip , A Visita da Cornlia e O Resto So Cantigas , este

 ltimo recordando os msicos e compositores que haviam feito a poca urea da

 msica ligeira portuguesa .

 [ INLINE ] Teresa Tarouca

 O Salo dos Bombeiros de Oeiras foi palco da estreia de Teresa Tarouca , que

 cantou o fado com apenas 13 anos .
 Oriunda de uma famlia ligada  msica , 

 prima afastada de Maria Tereza de Noronha e prima de Frei Hermano da Cmara .

 Menina-prodgio durante os anos 50 , assinou contrato com a RCA em 1962 , para a

 gravao do primeiro disco .
 Trabalhou com uma vasta galeria de autores de

 qualidade como D. Antnio de Bragana , Joo de Noronha , Casimiro Ramos , Joo

 Ferreira-Rosa , Francisco Viana , Alfredo Marceneiro , D. Nuno de Lorena , Pedro

 Homem de Mello e Maria Manuel Cid .
 Tereza Tarouca ganhou vrios prmios

 nacionais e internacionais e actuou em muitos pases como Dinamarca , Blgica ,

 Espanha , Estados Unidos e Brasil .

 Em 1989 publicou um lbum emblemtico da sua carreira : Tereza Tarouca Canta

 Pedro Homem de Mello .

 PRINCIPAIS XITOS :

 Mouraria , Deixa Que Te Cante Um Fado , Fado , Dor e Sofrimento , Passeio 

 Mouraria , Saudade , Silncio e Sombra , No Sou Fadista de Raa , Meu Bergantim ,

 Z Sapateiro .

 [ INLINE ] Tony de Matos

 Aquele que viria a ser uma das mais carismticas figuras da noite lisboeta

 nasceu filho do Porto , em 1924 .
 Antnio Maria de Matos , Tony de Matos para a

 posteridade .

 Filho de artistas da companhia teatral itinerante de Rafael de Oliveira , desde

 cedo comeou a lidar com os palcos .
 A oposio paterna vai contrariar , contudo ,

 o gosto que o jovem tem pelas cantigas .
 " Cantar s se fosse na rua , porque meu

 pai no queria , de modo algum , que eu seguisse a carreira de artista " , dir

 mais tarde .

 O seu primeiro trabalho no mundo artstico no ser mais que o desempenho das

 funes de ponto na referida companhia .
 Mas o desejo de cantar leva-o a Lisboa

 onde , a pretexto de um trabalho burocrtico , se inicia no mundo das cantigas ,

 passando no exame da Emissora Nacional .

 Mas logo regressa ao convvio de seus pais e , uma noite , numa verbena ,

 decide-se a cantar o fado .
 Causa espanto .
 Levado ao Caf Luso , encantar tudo e

 todos e ficar a actuar , logo ali , dez noites por ms , com um salrio de 50

 escudos por noite .
 Tem 24 anos .
 Permanecer dois anos no Luso , que s

 abandonar pelos espectculos publicitrios APA e o Comboio das Seis e Meia , de

 Jos Castelo e Igrejas Caeiro .

 Ganhando crescente popularidade graas a estes programas e aos Seres da

 Emissora Nacional , Tony de Matos estreia-se em 1952 no teatro de revista ,

 primeiro em Cantigas  Rosa e , depois , em Saias Curtas .
 No ano seguinte ser a

 vez do Brasil , primeira estada que durar seis meses .
 Aps uma visita a

 Portugal , marcada por digresses diversas que incluram frica e a & lacute ; ndia

 Portuguesa , o cantor regressa ao Brasil , onde ficar por longos seis anos ,

 actuando na rdio , na televiso , e sendo proprietrio de " O Fado " , pelo qual

 passaram , como espectadores , alguns dos nomes maiores do panorama artstico e

 literrio do Rio de Janeiro .
 Mas 1963 marca a segunda e mais marcante fase da

 sua carreira , com o regresso a Portugal , cantando j fora do mbito restrito do

 fado , alargando o seu repertrio para a cano romntica .
 E  neste estilo que

 Tony de Matos vai encontrar o seu lugar nico , a ponto de ser considerado o

 cantor romntico por excelncia , o intrprete de charme que viria a ser

 admirado e por geraes sucessivas , incluindo alguns sectores da crtica dos

 anos oitenta , que o consideram percursor de algumas das linhas de fora da

 msica ligeira moderna .
 O regresso do " cantor da voz romntica " , designao

 inventada por Natlia Correia , deve-se , em grande parte , ao sucesso de S Ns

 Dois e Lado a Lado , canes que vo explodir nas rdios portuguesas .
 Liquida os

 negcios no Brasil e nunca mais voltar .
 Ficou clebre o seu espectculo num

 Pavilho dos Desportos completamente cheio , em 1964 .
 Estreia-se no cinema em A

 Cano da Saudade ( 1964 ) de Henrique Campos , sendo ainda protagonista em

 Rapazes de Txis ( 1965 ) de Constantino Esteves , O Destino Marca a Hora de

 Henrique Campos e Derrapagem ( 1972 ) .

 Aps o 25 de Abril , conotado com o nacional-canonetismo , prossegue a sua

 profisso junto das comunidades de emigrantes no estrangeiro .
 A sua carreira

 conhecer um novo renascimento a partir de 1985 , ano em que Vitorino Salom o

 convida para cantar a seu lado no Coliseu .
 De novo os discos e um espectculo

 prprio no Coliseu vo coroar a vida do grande intrprete , do " cantor de

 charme " , como gostava de se intitular .

 PRINCIPAIS XITOS :

 Coitado do Z Maria , Quarto Alugado , De Bar em Bar , A Tal , Quando Cai uma

 Mulher , Poema do Fim , S Ns Dois  que Sabemos , Hs-de Pagar , Tu Sabes L ,

 Vendaval , Vou Trocar de Corao , Maria do Cu .

 Marcos principais da carreira :

 1948 Primeiras actuaes no Caf Luso , uma das " catedrais do fado " .

 1950 Primeiros trs discos , gravados em Madrid .

 1952 Vedeta da revista Cantigas ,  Rosa , no Parque Mayer

 1953 Viagem ao Brasil , onde actua nos melhores locais e na TV .

 1954 Artista convidado no Comboio das Seis e Meia , na rdio .

 1957 Estabelece-se no Rio de Janeiro , onde se mantm 6 anos  frente da casa

 O Fado .

 1962 Grava o disco que lhe d um enorme xito em Portugal .
 Regressa ao Pas .

 1964 Concerto no Pavilho dos Desportos , que se enche para o ouvir .
 Participa

 no filme A Cano da Saudade .

 1965 Filma Rapazes de Txis .

 1966 Concorre ao Festival RTP da Cano .
 Fica em ltimo lugar .

 1972  actor e produtor do filme Derrapagem , um grande xito em Angola e

 Moambique .

 1974 Digresso nos Estados Unidos .

 1975 Fixa residncia nos Estados Unidos onde viveu 8 anos .

 1985 Regressa  ribalta , com um concerto no Coliseu , a convite de Vitorino .

 Grava o lbum Romntico .
 Novo grande concerto no Coliseu , em nome prprio .

 1988 Grava o lbum Cantor Latino .

 1989 Falece em Lisboa .

 [ INLINE ] Vicente da Camara

 Referncia incontornvel na histria do fado , Vicente da Cmara nasce em Lisboa

 a 7 de Maio de 1928 , em bero aristocrata , ele que dir " O que  a

 aristocracia ?
 A aristocracia tanto pode estar no povo como noutra coisa

 qualquer. ( ...
 ) O aristocrata  aquele que sobressaiu " .

 Filho de D. Joo da Cmara , notvel radialista e loctor da rdio , Vicente da

 Cmara cedo recebe a influncia fadista que o rodeia , em particular da sua tia

 Maria Tereza de Noronha e de D. Joo do Carmo de Noronha , seu tio-av .
 E  ,

 portanto , natural a sua entrada no mundo do fado , abrindo as difceis portas da

 Emissora Nacional com 20 anos .

 Cultor do fado clssico , antigo , que dava espao para o improviso , Vicente da

 Cmara afirma-se pela sua clara articulao da frase , voz timbrada e de grande

 nitidez interpretativa , e pela verdade que coloca em cada fado , em cada

 actuao. Insurge-se , de resto , contra os fadistas que apenas imitam as

 interpretaes clssicas , que no inovam nem so capazes de encontrar a sua

 prpria voz .
 Senhor de opinio desassombrada , rebela-se contra as convenes e ,

 em entrevista , afirma que o fado  um gnero musicalmente pobre , sugerindo que

  talvez a que reside a sua grandeza , pela liberdade interpretativa que

 permite aos seus cultores .

 Dele se recordam grandes clssicos .
 Mas , como nenhum outro , o fado A Moda das

 Tranas Pretas vai constituir o seu carto de visita para a posteridade .

 Conta-se que o comps entre 1955 e 1956 num quarto de hotel em Santarm .
 As

 primeiras opinies , incluindo a de seu pai , no so muito favorveis .
 Mas ele

 insiste em gravar o tema , que rapidamente ganharia o corao de geraes de

 portugueses .
 Pode considerar-se , hoje , que Vicente da Cmara  o ltimo

 representante de uma gerao de fadistas aristocratas ( designao ainda assim

 muito equvoca ) que cantaram sobretudo por amor ao fado .
 Pai do fadista Jos da

 Cmara , seu digno sucessor , D. Vicente dedica-se , depois de muitos anos ligados

  actividade de inspector numa petrolfera ,  sua casa de antiguidades .
 Esta

 independncia profissional em relao ao fado  paradigmtica do seu esprito

 livre e desapegado .

 Marcos da sua carreira :

 1937 Comea a assistir aos ensaios de sua tia Maria Tereza de Noronha .

 1948 Ganha um concurso e estreia-se na Emissora Nacional , feito ao alcance de

 poucos fadistas .

 1950 Primeiro contrato discogrfico com a editora Valentim de Carvalho .

 Gravar clssicos como Fado das Caldas , Varina , Os Teus Olhos .

 1961 Passa para a casa Custdio Cardoso Pereira , onde gravar o clebre Moda

 das Tranas Pretas .

 1967 Contrato com a Rdio Triunfo , onde grava temas como Guitarra Soluante ,

 Andei Procurando o Fado , Fora de Portas , H Saudades Toda a Vida , O Fado Antigo

  Meu Amigo e  Tudo Como Era Dantes .

 1982 Aumenta a sua actividade no estrangeiro , com partcular incidncia no

 Oriente .

 1988 No lbum de estreia de seu filho Jos da Cmara inclui os temas Fragata

 da Borda d'gua e Lembranas do Passado , fazendo igualmente um dueto no tema A

 Moda das Tranas Pretas .

 1989 Assinala o 40 aniversrio da sua carreira no Cinema Tivoli .
 Na dcada de

 noventa continua com regularidade a dar espectculos , nomeadamente no

 estrangeiro , e no cessa a sua actividade de gravao discogrfica .

 [ INLINE ] ALBERTO RIBEIRO

 Nasceu em Ermesinde em 29 de Fevereiro de 1920 , de uma famlia de artistas .
 Um

 irmo e uma irm tambm cantavam e fizeram carreiras embora mais discretas .

 Mas ALBERTO RIBEIRO com a sua voz extensa , de grande facilidade nos agudos , de

 timbre quente , podia ter sido , em qualquer parte do mundo , um enorme cantor .
 Em

 Portugal ainda hoje  recordado como uma voz nica a despeito da sua

 inexplicvel deciso de se afastar dos palcos , no apogeu da sua carreira .

 Fenmeno de popularidade , surgiu como intrprete principal do filme " Capas

 Negras " e no perodo que se lhe seguiu foi vedeta de cinema em vrias pelculas

 nacionais e internacionais .
 Foi tambm gal de inmeras operetas que

 encontraram nele o intrprete ideal , mas ALBERTO RIBEIRO muito cedo se retirou

 de cena sem que houvesse uma quebra de popularidade e de prestgio , que o

 justificasse .

 Vinte e cinco anos depois da primeira apresentao da opereta " Nazar " ALBERTO

 RIBEIRO reapareceu , igual a si mesmo , sem a mnima quebra no metal da sua voz

 qusi milagrosa .

 Depois remeteu-se a um silncio que nada nem ningum conseguiu at hoje

 quebrar .

 Mas o pblico no lhe faz a vontade , no o esquece , e os seus discos em

 sucessivas reedies so a prova definitiva que a fidelidade dos admiradores de

 sempre tem arrastado consigo novos ouvintes interessados , atentos , e eles

 tambm fascinados por uma voz cujas raras qualidades perduram , porque  eterna .

 [ INLINE ] Anita Guerreiro

 Uma das atraces mais tpicas e queridas da revista , Anita Guerreiro continua

 ainda hoje a trabalhar e a ser uma autntica preferida do pblico , embora

 actualmente na televiso , onde participa regularmente em telenovelas e sries

 de comdia .

 Tal como muitos outros , Anita Guerreiro comeou , com apenas sete anos , por ser

 uma das " midas " , fadistas infantis que ficavam identificados com o bairro de

 onde vinham - sendo " a mida do Intendente " , bairro onde nascera em 1936 .

 Com apenas quinze anos de idade , em 1952 , Anita Guerreiro ( nome artstico , pois

 o seu verdadeiro nome  Bebiana Cardinalli ) concorria a um passatempo do

 popular programa radiofnico Combio das Seis e Meia .

 Espantado com o que ouvia , o produtor do programa , Marques Vidal , convidou-a

 imediatamente para se juntar ao elenco e , poucas semanas depois , estreava-se

 como fadista no Caf Luso .
 E antes de completar os vinte anos , era j vedeta de

 revista , gnero em que se estreou em 1955 .

 A Anita Guerreiro se deve a criao de um fado-cano que ficou na boca do povo

 e at Amlia gravou : Cheira a Lisboa , que criou em 1969 na revista Peo a

 Palavra .

 Ironicamente , pouco depois desse sucesso colossal , Anita Guerreiro afastou-se

 da revista durante mais de uma dcada , apenas regressando em 1982 .
 Manteve-se

 entretanto activa como fadista , cantando em casas de fados e actuando no

 estrangeiro .

 [ INLINE ] Antonio Calvario

 Nasceu longe , em Moambique , Antnio Calvrio da Paz .
 Mais precisamente a 17 de

 Outubro de 1938 .
 Mas para sempre ser conhecido como Antnio Calvrio , um dos

 " Reis " da msica ligeira portuguesa .

 Aos 8 anos Antnio veio viver para Portimo , onde a famlia fixou residncia .

 Num colgio local fez a instruo primria e o 2  ciclo dos liceus .
 Entretanto ,

 prossegue as lies de piano que iniciara ainda em Moambique .
 Um engano do

 reitor , que o confundiu com outro aluno , leva-o a cantar numa festa da escola .

 Acabou por cantar e a sua voz foi um grande xito .
 Tinha 15 anos .

 Trs anos mais tarde , para completar o 3 ciclo liceal , Antnio Calvrio ruma a

 Lisboa .
 Uma prima-av , a famosa cantora de revista Corina Freire , encarregou-se

 da formao musical do jovem familiar .
 Corina , ao contrrio do que pensavam os

 pais de Antnio Calvrio , no lhe d lies de piano , mas de msica e canto .

 Em 1957 concorre a uma vaga na exigente Emissora Nacional .
 Foi apurado 

 primeira , entre mais de 30 participantes , com a cano Canta Brasil .
 Comea

 imediatamente uma carreira de cantor profissional que o conduz  posio de

 cabea-de-cartaz .

 Antnio Calvrio recorda-se que o primeiro cachet que ganhou foi de 50 escudos

 e que , nos anos da Emissora Nacional , da qual era cantor em regime de quase

 exclusividade , auferia 500 escudos por actuao nos famosos Seres para

 Trabalhadores organizados por aquela estao Emissora e pela Federao Nacional

 para a Alegria no Trabalho ( FNAT ) , uma das principais instituies do Estado

 Novo .

 Depois de uma aclamada passagem pelo 2 Festival da Cano Portuguesa ,

 realizado no Coliseu do Porto em 1960 , onde triunfa com o tema Regresso ,

 Calvrio transforma-se numa das coqueluches da poca .

 No  , pois , de estranhar que , em 1961 , Calvrio ganhe o seu primeiro ttulo de

 Rei da Rdio , uma das votaes populares mais participadas e um autntico

 acontecimento nacional .
 Viria a repeti-lo em 1963 , 1965 , 1966 e 1972 .
 Em 1962

 obtm o l  Oscar da Imprensa .

 1963  o ano em que o cantor se estreia no teatro .
 O grande xito Chapu Alto

 representa o incio de uma srie de papis principais em vrias revistas ,

 comdias e operetas , como Lbios Pintados ( 1964 ) , Zero , Zero , Z , Ordem para

 Pagar ( 1966 ) , Duas Pernas , um Milho ( 1967 ) , Esta Lisboa que Eu Amo ( 1968 ) ,

 Mos  Obra ( 1969 ) e Peo a Palavra ( 1969 ) .

 Se a televiso j contava com a sua presena regular , o cinema iniciava com

 Calvrio um namoro que iria durar muitos anos .
 O seu primeiro filme , Uma Hora

 de Amor , onde contracena com Madelena Iglsias , foi realizado por Augusto Fraga

 em 1964 .
 Outros filmes se seguiro : Rapazes de Txis ( 1965 ) , Sarilho de Fraldas

 ( 1966 ) o seu maior xito , O Amor Desceu em Pra-quedas ( 1968 ) , todos de

 Constantino Esteves .

 Em 1969 estreou-se como produtor em O Diabo era o Outro , com Mil , Nicolau

 Breyner e Hermnia Silva .
 O desastre financeiro do filme provoca-Ihe uma dvida

 significativa , que pagar com um exaustivo calendrio de espectculos .

 Em 1964 , Antnio Calvrio atingiu um dos momentos mais altos da sua carreira ,

 ao ser o primeiro representante de Portugal no Festival da Cano da Euroviso ,

 realizado em Copenhaga , Dinamarca .
 A cano apresentada foi Orao , da autoria

 de Joo Nobre , Francisco Nicholson e Rogrio Bracinha .
 Apesar de no ter

 recebido qualquer voto do jri , mais por motivos de ordem poltica que por

 razes de natureza artstica , a actuao de Antnio Calvrio valeu-lhe uma

 srie de contratos para pases to diversos como Espanha , Frana , Holanda ,

 Itlia , Estados Unidos da Amrica e Canad , entre outros .
 Nesse mesmo ano ,

 representa Portugal no l  Festival da Cano Latina , no Mxico .
 Obtm o 4

 lugar - o melhor europeu .

 Depois de um longo perodo de ausncia volta  revista , no Teatro ABC , com as

 revistas Pe-te na Bicha e Direita Volver ( ambas de 1978 ) .
 Da primeira

 resultar um grande sucesso , o single Mocidade , Mocidade , de Eduardo Damas e

 Manuel Paio , que ser " Disco de Ouro " .

 Outras revistas se seguiro .

 Ao longo da sua carreira gravou mais de 300 discos .
 Actuou num incontvel

 nmero de festivais , programas radiofnicos e televisivos , em Portugal e em

 todo o Mundo .

 PRINCIPAIS XITOS :

 Regresso , Orao , O Meu Chapu , Sabor a Sal , Perdo para Ns Dois , Bom Dia , Meu

 Corao de Madeira , Namorados de Domingo , Hello Dolly , Mocidade Mocidade .

 [ INLINE ] Artur Garcia

 " A minha grande paixo  e sempre foi o teatro .
 Queria ser actor , mas acabei

 por ir para as cantigas mais por casualidade do que por escolha " .

 Nasce a 15 de Abril de 1937 , na popular freguesia de Alcntara .
 O facto

 artstico que o marca precocemente ocorre quando tem oito anos : foi pela

 primeira vez ao teatro , ver a pea Alto L Com o Charuto , no Teatro Variedades .

 Da lhe fica a " mania " de ser artista .
 J perto dos 20 anos , aps um ano como

 empregado de balco no " Eduardo Martins " entra no Centro de Preparao dos

 Artistas da Rdio .
 Prestou provas e ficou apurado logo  primeira .
 A estagiou

 durante trs anos .
 No final desse perodo j era uma voz muito conhecida .
 Artur

 Garcia tem uma carreira marcada pelos temas romnticos , com letras sentimentais

 e melodias de imediata aceitao por uma legio de admiradores .
 Sobretudo

 admiradoras .

 Tem uma histria curiosa de segundos lugares em Festivais RTP da Cano : Ficou

 em segundo no ano de Orao , de Calvrio , em segundo ficou no Festival que deu

 a vitria , a O Vento Mudou ( Oiam ...
 ) , de Eduardo Nascimento e pelo segundo se

 ficou no ano que consagra Sol de Inverno , de Simone de Oliveira .
 Mas ganha duas

 vezes o Festival da Figueira da Foz , o evento canonetstico mais importante

 antes do Festival RTP .
 Os temas que lhe valeram o ttulo foram Olhos de Veludo

 e Homem do Leme .
 Ganhou ainda um prmio de interpretao .
 Torna-se num campeo

 de vendas de discos e os melhores compositores da poca favorecem-no .

 No teatro estreou-se em 1965 no Maria Vitria , na revista Todos ao Mesmo , com

 Camilo de Oliveira .
 Far depois carreira no ABC .
 Inicia a sua carreira na

 televiso na opereta Romance na Serra , seguindo-se-lhe O Ptio dos Milagres ,

 com Simone de Oliveira .
 Em O Kim , baseado numa pea de Alexandre Dumas , onde

 interpretava o papel de um rapaz de 14 anos , tem a interpretao que mais lhe

 agradou .

 O xito da sua carreira  interrompido em 1974 , quando irrompem outros valores

 musicais e ideolgicos .
 Torna-se proprietrio de uma discoteca , mas voltar aos

 palcos do teatro e da msica , palcos que , ainda hoje , orgulhosamente pisa .

 Artur Garcia da Silva , que nasceu no bairro Lisboeta de Alcntara , parecia

 destinado a ser o eterno segundo , o prncipe sem coroa .

 At que , em 1967 ,  eleito Rei da Rdio , faanha que repetiu no ano seguinte .

 As vitrias puseram termo a um longo ciclo dominado por Antnio Calvrio ,

 designado pela imprensa e pelos respectivos clubes de fs como crnico rival de

 Artur Garcia .
 E vice-versa .

 Provado que havia espao para os dois , apesar das verdadeiras batalhas entre

 fs que atingiram o auge com um tumulto de almofadas em pleno Coliseu dos

 Recreios , aquando da sua primeira vitria como Rei da Rdio , Artur Garcia

 conquistou um lugar cimeiro na cano ligeira portuguesa dos anos sessenta ,

 sobretudo na segunda metade desta dcada .

 Intrprete de canes como A Cidade ao Sol , O Homem do Leme , Sonhando Contigo ,

 Como o Tempo Passa e Olhos de Veludo , Artur Garcia ganhou o direito de cantar

 os melhores autores da poca .

 Protagonista no panorama nacional , at pelo estrelato conquistado no teatro de

 revista e em espectculos televisivos , Artur Garcia cantou ao lado de alguns

 dos mais lendrios nomes da cena musical internacional .
 Entre eles : Jlio

 Iglsias , Carmen Sevilla , Rafael e Sylvie Vartan .

 Afastado dos palcos principais com o 25 de Abril , Artur Garcia passou a ser

 proprietrio de uma loja de discos .
 A teve a possibilidade de acompanhar a

 evoluo da cena musical .

 Artur Garcia , um inesquecvel para geraes , continua activo nos dias de hoje ,

 actuando especialmente no teatro de revista , a sua primeira paixo de infncia .

 Marcos principais da carreira :

 1951 Comea a cantar como amador .

 1956 Ingressa no Centro de Preparao de Artistas da Rdio .

 1964 Participa no l9 Grande Prmio TV ( depois Festival RTP da Cano ) , ganho

 por Antnio Calvrio .

 1965 Estreia-se como actor na revista Todos ao Mesmo , no Teatro Maria

 Vitria .
  , tambm , atraco no Teatro ABC .
 Conquista o segundo lugar no Grande

 Prmio TV , com a cano Amor .
 Venceu Simone de Oliveira com Sol de Inverno .

 1967  eleito Rei da Rdio .
 Vence o Festival de Aranda del Duero .

 Recebe o Prmio da Imprensa em Moambique .

 1968 Vence o primeiro Prmio do Festival da Figueira da Foz , xito que

 alcanou por duas vezes com as canes Olhos de Veludo e Homem do Leme .
 Volta a

 ser eleito Rei da Rdio .

 1969  eleito Prncipe do Espectculo .

 1977 Realiza uma digresso pelos Estados Unidos e Canad ao lado de Amlia

 Rodrigues .

 [ INLINE ] Carlos Ramos

 Alfacinha de gema , Carlos Ramos tornou-se num dos fadistas mais queridos do

 pblico portugus , graas  sua voz quente e  sua postura modesta e discreta -

 e ao anormal nmero de grandes xitos que teve , alis ligados  popularidade

 crescente do disco e da televiso , meios de comunicao que explorou com grande

 sucesso no incio da dcada de sessenta .
 Contudo , poucos se recordam que ,

 apesar da sua apetncia pelo fado vir de criana , s tardiamente Carlos Ramos o

 abraou como carreira a tempo inteiro .

 De facto , Ramos gostava de ficar a ouvir o fado nas tascas de Alcntara , bairro

 onde nasceu em 1907 , e foi como guitarrista acompanhante que iniciou carreira ,

 aprendendo a tocar guitarra portuguesa na adolescncia , nos intervalos dos

 estudos liceais .
 Estudou para mdico , mas a morte do pai , com apenas 18 anos ,

 obrigou-o a trabalhar para sustentar a famlia , dedicando-se 

 radio-telegrafia , ofcio que aprendera no servio militar e do qual faria

 carreira profissional .
 Continuava , contudo , a tocar e cantar nas horas vagas ,

 primeiro apenas como acompanhante ( nomeadamente de Erclia Costa numa digresso

 americana ) depois tambm como fadista em nome prprio , acompanhando-se a si

 prprio  guitarra , acabando , a conselho de Filipe Pinto , por se

 profissionalizar como cantor em 1944 .
 Estreou-se ento no Caf Luso , no Bairro

 Alto , criando Senhora do Monte o seu primeiro grande xito .

 Ao longo da sua carreira , Carlos Ramos viria a especializar-se no fado-cano ,

 gnero inicialmente pensado para os palcos de revista , e no qual conseguiria

 alguns dos seus maiores xitos : No Venhas Tarde e Canto o Fado .
 Frequentador

 regular das casas tpicas de Lisboa durante as dcadas de quarenta e cinquenta ,

 fez tambm uma breve carreira internacional , participou em revistas e filmes e

 tornar-se-ia em 1952 artista exclusivo da casa de fado Tipia , ao lado de

 Adelina Ramos , de onde sairia para , em 1959 , abrir a sua prpria casa , A Toca ,

 experincia cujo sucesso no correspondeu s expectativas .
 Uma trombose

 ocorrida em meados da dcada de sessenta viria terminar abruptamente a sua

 carreira artstica .
 Ramos morreria alguns anos mais tarde , em 1969 .

 [ INLINE ] Duo Ouro Negro

 Raul Indipwo e Milo MacMahon formaram , em 1959 , o Duo Ouro Negro .

 Raul e Milo conheciam-se desde a infncia , em Benguela ( Angola ) e , quando se

 reencontraram , j no incio da idade adulta , iniciam um projecto centrado no

 folclore angolano de vrias etnias e lnguas .
 O nome Ouro Negro foi escolhido

 porque , naquela regio de Angola , designava tudo o que fosse excepdonal : o

 petrleo , o caf , um jogador de futebol fora de srie ou ...
 um bom cantor .
 Quem

 os baptizou foi a locutora Maria Luclia Dias do Rdio Clube do Congo

 Portugus .

 Um espectculo que deram em Luanda inclua uma clusula que garantiu uma

 apresentao no cinema Roma , em Lisboa .
 E assim o grupo chega  Metrpole , pela

 mo do empresrio Ribeiro Braga , onde alcana xitos no apenas no referido

 cinema como tambm no Casino Estoril .
 Desta breve viagem resulta a gravao de

 trs discos .

 Aps o regresso a Angola , integram um terceiro elemento , Jos Alves Monteiro

 que , em breve , deixaria o grupo .
 A carreira dos Ouro Negro tem , a partir de

 ento , uma expresso internacional .
 No espao de um ano , actuam na Sua , em

 Frana , na Finlndia , na Sucia , na Dinamarca e , naturalmente , em Espanha e

 Portugal .
 Em Lisboa , ao xito quase instantneo dos primeiros discos ,

 sucedem-se actuaes em programas televisivos e radiofnicos , a par de inmeras

 prestaes em casas de espectculos .

 Seguindo a " onda " dos ritmos de dana como o twist , o madison , o surf e muitos

 outros , o Duo Ouro Negro lana o kwela , que rapidamente se transformou numa

 moda , sendo considerado o ritmo do Vero em1965 .
 Na realidade , o kwela mais no

 era que uma dana ritual da tradio africana , que em dialecto zulu quer dizer

 flauta .
 A nova moda pegou e , para a cena europeia , representava uma novidade

 encantadora .
 Paris rendeu-se ao kwela e a Europa tambm .

 O Duo Ouro Negro conhece , em 1966 , um dos pontos mais altos da sua ainda

 recente carreira , ao actuar no Olympia e no Alhambra , em Paris .
 E no ano

 seguinte , naquela que pode ser considerada uma das mais elevadas distines do

 grupo , actuam na Sala Garnier da pera de Monte Carlo para os Prncipes do

 Mnaco , por ocasio das comemoraes do IV Centenrio do principado .
 Ainda

 nesse mesmo ano , so galardoados em Portugal com o Trofeu da Imprensa .

 O Olympia de Paris transforma-se numa sala talism para o Duo Ouro Negro .
 Em

 1967 , a sala acolhe-os durante trs semanas em Maio e outras trs em Outubro .

 Repartem estas actuaes com espectculos em diversas televises europeias .
 O

 Brasil  outro dos palcos da actuao dos dois angolanos nesse mesmo ano de

 1967 , com recitais no teatro Ceclia Meireles e no Caneco .
 Neste ano de ouro

 para o Duo Ouro Negro acontece , ainda , no programa da RTP de coroao da Rainha

 da Televiso de 1960 .
 Flama , 35-5-60 uma verdadeira consagrao , ao actuarem no

 Rendez-Vous avec Danny Kaye , o espectculo de comemorao do 20 aniversrio da

 UNICEF , transmitido de Paris para mais de 200 milhes de telespectadores .

 " Figuras fulgurantes do music-hall no apenas em Portugal mas por toda a Europa

 onde os escutam e enlouquecem " , de acordo com uma revista da poca , Raul e Milo

 conhecem a partir de 1968 , uma segunda fase da sua carreira .
 Ao conquistarem o

 Canad e , depois , os Estados Unidos , internacionalizam as suas msicas a uma

 escala mais larga .
 Em Chicago assinam um contrato com a Columbia Artists

 Management e , depois de um breve regresso a Portugal e a frica , brilham no

 Waldorf Astora , em Nova Iorque .
 Tambm a Amrica Latina foi palco de dois

 espectculos do Duo Ouro Negro , no teatro Maipu , de Buenos Aires , a par de

 quatro espectculos televisivos e do lanamento do LP Ouro Negro Latino .
 O

 cosmopolitismo do grupo no pra e uma longa digresso ao Japo consolida o seu

 prestgio em terras do Oriente .

 Nos anos setenta com o espectculo Blackground , o Duo Ouro Negro faz xito em

 Lisboa e mais tarde na Alemanha .
 Tm , ento , a inteno de abandonar as canes

 mais ligeiras , como Maria Rita , para se dedicarem ao folclore angolano como

 eixo da sua carreira .

 Dois meses antes do 25 de Abril , Raul Indipwo desdenhava , de certa forma , da

 actuao em Portugal , afirmando que " a verdade  que no h um stio , uma casa

 de music-hall para cantarmos .
 A televiso contrata como vedetas canonetistas

 que l fora ficam num plano inferior a ns " .

 Com a revoluo , o Duo Ouro Negro experimenta sons de carcter mais

 vanguardista e , em breve , optam de vez pelo estrangeiro , com novas actuaes

 nos Estados Unidos , Austrlia e Paris .

 No final da dcada de 70 chega um tempo de maior calma para a msica do duo que

 ainda volta a cintilar alto em Portugal com Imprio de lemanj .
 Com a morte de

 Milo , no final dos anos 80 , termina a carreira do Duo Ouro Negro .

 PRINCIPAIS XITOS :

 Kurkutla , Muiowa , Muxima , Kwla , Sylvie , Maria Rita , Blackground , Imprio de

 lemanj , Amanh , Vou Levar-te Comigo .

 [ INLINE ] Francisco Jose

 Voz romntica por excelncia , Francisco Jos foi uma das revelaes do Centro

 de Preparao de Artistas da Rdio e um dos nomes mais populares da cano

 ligeira dos anos cinquenta. Contam-se , contudo , plos dedos os seus anos de

 carreira entre ns , j que a maior parte da sua carreira foi passada no Brasil .

 Natural de vora , nascido em 1924 , Francisco Jos Galopim de Carvalho ( de seu

 nome completo , sendo irmo do cientista Galopim de Carvalho ) estreou-se

 artisticamente no baile de finalistas do seu liceu , mas s em 1948 encetou

 carreira profissional , depois de abandonar o curso de engenharia .
 Foi aceite no

 Centro de Preparao de Artistas de Rdio da Emissora Nacional nesse mesmo ano ,

 e em breve a sua voz quente e sugestiva o torna num dos nomes preferidos dos

 ouvintes da rdio .
 E , em 1951 , edita aquele que ser o seu ex-libris : a balada

 Olhos Castanhos que se torna num xito estrondoso e ficar para sempre ligada 

 sua voz .
 No  , contudo , o seu nico xito , como o comprovaro Deixa Falar o

 Mundo ou Ana Paula .

 Em 1954 , embarca para o Brasil , mercado ento muito aberto aos artistas

 portugueses , mas nem ele imaginava que acabaria por se fixar definitivamente no

 " pas irmo " , deixando para trs a carreira de sucesso feita em Portugal .
 At

 1960 actuar essencialmente para a comunidade portuguesa radicada no Brasil , e

 s em 1961 conseguir a gravar um primeiro disco : uma nova verso de Olhos

 Castanhos que atinge um sucesso sem precedentes no pas , vendendo um milho de

 cpias .
 Em pouco tempo , Francisco Jos tornar-se- numa vedeta no Brasil e no

 artista portugus mais popular de sempre naquele pas , onde residir quase

 ininterruptamente at aos anos oitenta .

 Regressa , contudo , regularmente a Portugal onde , em 1964 ,  protagonista de um

 " incidente diplomtico " ao revelar , em directo e num programa de variedades ,

 que os artistas portugueses eram mal pagos pelas suas participaes em

 programas televisivos , enquanto os artistas internacionais recebiam pequenas

 fortunas .
 No voltar a actuar na televiso portuguesa at 1980 .

 Em 1973 , apresentar o seu maior xito de sempre entre ns com Guitarra Toca

 Baixinho , lanado durante uma das temporadas que regularmente vem passar ao seu

 pas natal .
 S na dcada de oitenta regressar definitivamente a Portugal , onde

 lana , em 1983 , o seu ltimo disco , o single As Crianas No Querem a Guerra .

 Faleceu em 1988 .

 [ INLINE ] Herminia Silva

 Mais de 60 peas de teatro de revista .
 Dez operetas .
 Cinco filmes .
 Uma pea

 declamada .
 Incontveis fados e canes , cantados e gravados .
 Um nmero

 impossvel de determinar de noites em que animou o Solar da Hermnia , " uma

 prenda do meu marido " , ao qual raramente faltava " porque os clientes ficam

 tristes " e ela no gostava de ver ningum triste .
 Este  o resumo da carreira

 de Hermnia Silva , que algum tentou transformar em rival de Amlia Rodrigues .

 " O meu fado foi sempre de revista , de teatro " , afirmou nos anos 70 .
 Na

 realidade , Hermnia Silva , eternamente famosa pela Casa da Mariquinhas , foi

 buscar muita da sua veia fadista a um certo tipo de humor do teatro revisteiro .

 Expresses como " Anda Pacheco !
 " , com que incitava o seu guitarrista Antnio

 Pacheco , e que rematava com um " Sai bife !
 " imaginariamente dirigido  cozinha

 do seu Solar , deixavam o pblico a rir s gargalhadas , conferindo um toque de

 humor que sempre acompanhou os seus fados , nem por isso menos srios .

 Hermnia Silva conta que , com apenas 8 meses , caiu da janela do l  andar onde

 morava , ao Campo de Santana , para cima de uma carroa cheia de legumes , o que

 levou a famlia , com medo , a mudar de casa .

 Essa irrequietude acompanhou-lhe a vida e a obra .
 Mas no a fez perder um trao

 de carcter fundamental : a fidelidade .
 Fidelidade aos compromissos ( recusou

 contratos melhores porque j havia prometido trabalhar com outrem ) , ao seu

 Solar da Hermnia , ao seu pblico e s suas convices .

 A Casa da Mariquinhas , a Velha Tendinha , Os Magalas , A Rosinha dos Limes ,

 Telhados de Lisboa , Rosa Enjeitada e Marinheiro Americano so alguns dos seus

 fados que ficaram para sempre na memria de geraes .

 " Alfacinha de gema e fadista por devoo " , como se definia , Hermnia Silva foi

 condecorada vrias vezes , entre as quais com a Ordem do Infante D. Henrique .

 Marcos principais da carreira :

 1920 Canta para Alfredo Marceneiro e para os amigos , entre os quais

 Armandinho , que adoravam ouvir a " mida " .

 1926 Comea a cantar no Valente das Farturas , no Parque Mayer .
 Alfredo

 Marceneiro canta ao lado , no Jlio das Farturas .

 1929 Na Esplanada Egpcia , no Parque Mayer , interpreta Ouro Sobre Azul , De

 Trs da Orelha e Off-Side .

 1932 Ainda no Parque , muda-se para o Teatro Maria Vitria , onde actua na

 opereta A Fonte Santa .

 1933 Ingressa no Teatro Variedades , onde  segunda figura , logo a seguir a

 Beatriz Costa .
 Canta e representa em inmeras revistas .

 1958 Inaugura o Solar da Hermnia , no Bairro Alto , ao qual se dedicar de tal

 forma que

 deixa o teatro de revista .
 Estar  frente desta casa durante 25 anos .

 1970 Faz uma digresso de 3 meses ao Brasil .

 1982 Fecha o Solar da Hermnia , o ponto de referncia da sua carreira e onde

 inmeros artistas despontaram .

 1987 Na discoteca Loucuras !
 d um espectculo memorvel , na presena do ento

 Presidente da Repblica , Mrio Soares .

 [ INLINE ] Julia Barroso

 Quem no se lembra de Adeus ?
 Pois foi essa a cano que ficou como ex-tibris da

 carreira de Jlia Barroso , a primeira de todas as " Rainhas da Rdio " e uma das

 mais conhecidas descobertas do Centro de Preparao de Artistas de Rdio da

 Emissora Nacional .

 Natural de Lagos , onde nasceu em 1930 , Jlia Barroso sonhava desde menina em

 ser artista da rdio , embalada pelas vozes bonitas que ouvia no posto de escuta

 de sua casa .
 O sonho parecia improvvel , pois embora a famlia o alimentasse

 ( Jlia costumava cantar em casa ou em saraus locais ) , o Algarve era ento uma

 provncia distante .
 Mas tudo mudou quando , em 1945/46 , a famlia Barroso se

 muda para Lisboa .

 Na cidade grande , em 1947 , Jlia Barroso enche-se de coragem e inscreve-se no

 Centro de Preparao e passa as difceis provas de admisso .
 Em Janeiro de 1948

 entra no quadro de artistas da Emissora e estreia-se profissionalmente na

 rdio .

  o incio de uma carreira que Jlia Barroso quis curta mas brilhante , pois

 retirar-se- da vida artstica exactamente dez anos depois , em Abril de 1958 .

 Mas que carreira !
 Em Dezembro de 1949 , depois de dois anos passados a brilhar

 aos microfones da Emissora ,  atraco convidada na revista Ela A Est !
 , onde

 cria Adeus , a cano que todos identificamos com a sua voz .
 Concentrada na sua

 carreira como artista de rdio , Jlia Barroso apenas voltar a participar

 pontualmente em revistas , e surgir igualmente em alguns filmes como Perdeu-se

 um Marido , A Gara e a Serpente e O Comissrio de Polcia .

 Em 1951 ,  eleita a Primeira Rainha da Rdio Portuguesa numa votao organizada

 pela revista Flama , a larga distncia da segunda classificada , Maria de Lurdes

 Resende .
 Foi convidada para participar numa digresso europeia organizada a

 favor do Plano Marshall , mas o seu receio de andar de avio levou-a a recusar

 os convites recebidos para actuar no Brasil e nos Estados Unidos , limitando-se

 a actuar nas colnias .
 Gravou igualmente em disco cerca de quatro dezenas de

 canes que obtiveram bastante sucesso .

 Em 1958 , retirou-se oficialmente da vida artstica para casar-se com Joo

 Xara-Brasil , sendo homenageada com uma festa de despedida no cinema Imprio , em

 Lisboa .
 Dedicou-se  famlia ( teve seis filhos ) , foi dona de uma loja em Lisboa

 e foi professora de trabalhos manuais .
 Faleceu em 1996 .

 [ INLINE ] Madalena Iglsias

 Madalena Iglsias  a figura marcante do panorama da msica ligeira quando se

 inicia a dcada de 60 .
  certo que disputa ainda esse ttulo com Maria de

 Lourdes Resende .
 Mas a sua popularidade em breve no conhecer rival .

 Nascida em Outubro de 1939 , em Lisboa , Madalena Luclia Iglsias do Vale de

 Oliveira  de baixa estatura ( l , 60m ) .
 Possui , contudo , um fulgor no olhar azul

 e uma clareza de timbre que , associadas a uma maneira de cantar muito clara ,

 ligada e alegre a vo levar ao estrelato no nosso pas .
 Frequentou o

 Conservatrio e , com 15 anos , o Centro de Preparao de Artistas da Emissora

 Nacional aprova a sua entrada nos quadros daquela estao .

 Em 1957 estreia-se em simultneo na RTP e na Emissora Nacional .
 Vir a ser

 Rainha da Rdio ( 1960 e 1964 ) e da Televiso ( 1960,19S2 e 1965 ) .
 Convidada em

 1959 para actuar na televiso espanhola , inicia uma carreira internacional

 bastante activa , com particular destaque para a Venezuela , onde se tornar

 muito popular , chegando a ter um programa de televiso prprio e onde recebeu o

 Bolvar de Ouro , uma condecorao especial concedida a artistas estrangeiros

 fora-de-srie .

 Actuou com grande xito em muitos outros pases : Argentina , Canad , Estados

 Unidos , foi aclamada no Brasil e destacou-se em Frana ( pas onde ambicionava

 triunfar ) , onde mereceu fotografia a trs colunas no conservador Figaro .

  semelhana dos seus colegas , actuava em todos os palcos , em virtude das

 condicionantes do meio artstico de ento : desde os luxuosos hotis e

 principais salas de espectculos , at s mais pequenas aldeias do pas .
 Era

 muito metdica , anotando todos os factos do seu dia-a-dia .
 Por isso dominava a

 sua carreira com um profissionalismo invulgar para a poca .

 Esta artista to amada pelo pblico , que gostava da Flauta Mgica de Mozart ,

 colecciona uma extensa lista de Prmios no domnio da cano ligeira : entre

 eles o segundo lugar no Festival do Mediterrneo , com a cano Setembro , a

 vitria no Festival de Aranda del Duero em 1964 e o triunfo no Festival RTP com

 a clebre cano Ele e Ela .

 Estreia-se no cinema ao lado de Antnio Calvrio em Uma Hora de Amor

 ( 1964 ) , de Augusto Fraga .
 Segue-se-lhe , no mesmo ano , A Cano da Saudade , de

 Henrique Campos e Passagem de Nvel ( 1965 ) , de Amrico Leite Rosa .
 Depois ,  o

 enorme xito de Sarilho de Fraldas ( 1966 ) de Constantino Esteves , de novo

 contracenando com Calvrio .

 Com o seu casamento , em 1970 , afasta-se aos poucos da vida artstica , que

 continuar ainda , por algum tempo , sobretudo na Venezuela .

 PRINCIPAIS XITOS :

 Talvez , O Meu Destino  para Te Amar , Setembro , Poema de Ns Dois , De Mos

 Postas , De Degrau em Degrau , Mulher do Cais , Silncio entre Ns , Sou Tua , Ele e

 Ela , No sou de Ningum .

 [ INLINE ] Manuel Fernandes

  um dos nomes menos recordados do fado , o que constitui uma injustia para o

 seu talento e recursos de fadista inspirado .

 Filho de Lisboa , onde nasceu em 1921 , desde criana que despertou para a msica

 e para as cantorias .
 Era tal o seu gosto em cantar que , aos cinco anos , chegava

 a pegar em vassouras e fingir que eram microfones .
 Comea , a pouco e pouco , uma

 carreira amadora que o levava a cantar onde a oportunidade aparecia .
 Aos 15

 anos o seu nome j anda de boca em boca e percebe que tem de se aventurar

 profissionalmente na actividade que tanto adorava .
 Pede conselho a Filipe

 Pinto , que o encaminha para Jos Miguel ,  poca um dos mais influentes ( talvez

 mesmo o mais influente ) dos empresrios de artistas em Portugal .
 Este

 contrata-o para actuar na verbena de Santa Catarina , ento muito popular na

 vida social da cidade .
 A partir da Manuel Fernandes desenvolve uma carreira

 sempre em asceno , cantando nas mais importantes casas de fado da capital ,

 como o Solar da Alegria , a Adega Machado , o Luso ou o Retiro dos Marialvas .

 Em 1947 surge um dos seus xitos mais marcantes , A Vassourinha , tema criado por

 ocasio do nascimento da sua filha .
 Novos e grandes passos so dados : em 1952

 assina o seu primeiro contrato internacional e grava o seu primeiro disco .

 Ser , ainda , elemento integrante do elenco do popular programa radiofnico Os

 Companheiros da Alegria .

 Com o peso da idade a chegar , Manuel Fernandes retirou-se discretamente das

 luzes da ribalta , mantendo ainda um leque de admiradores incondicionais do seu

 talento de cantador do fado .

 [ INLINE ] Maria de Fatima Bravo

 Uma das canonetistas mais populares reveladas atravs do Centro de Preparao

 de Artistas da Emissora Nacional , Maria de Ftima Bravo  de todos recordada

 por esse xito enorme que foi , em 1957 , Vocs Sabem L , cano de Nbrega e

 Sousa e Jernimo Bragana que ficou como um dos grandes clssicos da msica

 ligeira nacional .

 Natural de Lagos , onde nasceu em 1935 , Maria de Ftima Bravo desde mida que

 cantava em casa e , com nove anos , cantou pela primeira vez em pblico .
 Mas o

 seu desejo era ser pintora .
 No havia de ser : em 1951 , tinha Maria de Ftima

 dezasseis anos , o pai faleceu subitamente e a prpria jovem adoece , recuperando

 muito lentamente .
 Em 1953 emprega-se como secretria .
 A carreira artstica

 surge quase por acaso , na sequncia da insistncia de um amigo de famlia que ,

 s escondidas , inscreveu a jovem no Centro de Preparao de Artistas da

 Emissora .

 Nesse mesmo ano , estreia-se na Emissora Nacional e , em 1958 , assinava aquele

 que seria o seu primeiro grande xito , Vocs Sabem L , o primeiro de muitos

 como Deixa L Falar ( do filme O Tarzan do 5 Esquerdo ) , A Mulher Que Passa , Eu

 Sou Pecadora ou  Mentira .
 Foi igualmente actriz de teatro ( primordialmente

 revista ) e de cinema - a sua popularidade levou o realizador Manuel Guimares a

 convid-la para o papel principal da adaptao cinematogrfica da popular

 opereta A Costureirnha da S , em 1959 .

 Mas , em 1961 , ao casar-se , Maria de Ftima abandona a carreira artstica .
 No

 volta a cantar em pblico , excepto em ocasies pontuais e para homenagear

 colegas .

 [ INLINE ] Mariza

 O " Fado " est para os portugueses como os " Blues " para os negros americanos .

 Como o " Tango " para os argentinos e o " Flamenco " para os espanhis .
 So gneros

 musicais que , acima de tudo , no se tocam , nem se cantam .

 Sentem-se ...
 

 Os puristas dizem-nos ricos e belos , deslumbrantes por vezes .
 Mas espartilhados

 e estereotipados .
 Aparentemente impossvel de serem reinventados .

 E eivados do tremendo estigma de no poderem ser postos em causa determinados

 tabus que vo desde intrpretes inatingveis at  abordagem instrumental ou

 harmnica .

 Mariza , quando surgiu , foi imediatamente comparada ao maior cone do Fado de

 todos os tempos : Amlia Rodrigues .
 Mariza tinha , e tem , o registo de Amlia nos

 seus vinte anos .
 Mariza estava , pois , condenada a " eternamente " ir copiando

 Amlia .

 Tudo isto era humanamente correcto .
 Nada poderia fazer de novo .

 Por isso , cientificamente , este disco no podia existir .
 Pelo menos na dimenso

 espao-temporal em que vivemos .

 Era desconhecer que Mariza no  uma filha da Me-Terra que nasceu h vinte e

 seis anos em Moambique como ela ainda hoje julga ...

 Talvez originria da Via Lctea , talvez da Cintura de Orion , talvez at mesmo

 de Sirius , onde em tempos ter chegado o canto desesperado de uma caravela 

 deriva

 na Epopeia dos Descobrimentos , Mariza  um golpe de asa da Alma Lusitana , um

 perdido-achado no Mar da Intranquilidade da Msica Portuguesa sujeito aos

 ventos hostis que sopram das Costas do Banal e do Fcil , com volta pelo Trpico

 do Medocre at ao Cabo do Snobezinho-Correcto .

 Nada mais me  possvel acrescentar a no ser que fico com o eterno desgosto

 de , como poeta ou compositor , no ter podido aceder ao convite da Mariza para

 cola - borar no seu primeiro disco .
 Outros por mim o fizeram e melhor do que eu ,

 talvez , faria .
 Parabns Jorge Fernando pelos teus temas originais e pelos teus

 arrojados arranjos .
 Parabns Tiago Machado pelo talento que demonstraste nesta

 primeira incurso pelos caminhos do Fado Novo .

 Parabns a todos os que intervieram neste projecto , desde os msicos aos

 grficos ( Ai essa genial fotografia da Mariza !...
 )

 No que me diz respeito ...
 marcamos encontra na prxima KS estao !

 Nuno Nazareth Fernandes Abril de 2001

 [ INLINE ] Mimi Gaspar

 Lisboeta da Ajuda , Maria Lusa Martins Gaspar ( para sempre conhecida e querida

 pelo pblico com o carinhoso nome artstico de Mimi Gaspar ) revelou desde cedo

 o seu talento multifacetado .

 Possuidora de uma bela voz de soprano , que utilizava com tcnica e conhecimento

 musical , Mimi Gaspar tinha ainda inegveis dotes de actriz , que tanto se

 exprimiam no teatro dramtico como na comdia ou nos palcos da revista .

  claro que este talento foi reconhecido desde cedo pela prpria famlia que ,

 incentivada pelo Maestro Tavares Belo , a levou a ingressar no Conservatrio

 Nacional , onde teve oportunidade de aperfeioar e expandir as suas qualidades

 de base .
 Ingressa ao mesmo tempo na Emissora Nacional , omitindo a idade , visto

 que apenas tinha 13 anos e a idade mnima para entrar era de 16 .

 No incio da sua carreira ser intrprete de peas como Ptio das Camlias , O

 Chapu de Palha de Itlia , A Sogra de Lus XV .
 Mas rapidamente se estreia no

 teatro de revista , ao lado dos consagrados Teresa Gomes e Eugnio Salvador , na

 pea Parada da Alegria .
 Neste gnero ser ainda figura destacada em peas to

 marcantes como Eva do Paraso , Lisboa Antiga , Por Causa Delas ou Arraial em

 Lisboa .

 A sua voz levou-a a ser nome de destaque em operetas como Passarinho da

 Ribeira , Rosa Brava , Campinos , Mulheres e Fado ou A Nazar .
 Mas os seus

 talentos cnicos exprimiram-se , tambm , em comdias como A Vida  Bela .

 Toda a carreira de Mimi Gaspar no pode ser dissociada da relao pessoal e

 artstica com o seu marido , Tom de Barros Queirs , tenor de grande qualidade

 com quem partilhou parte significativa das suas actuaes em Portugal e no

 estrangeiro .

 Marcos principais da carreira :

 1932 Nasce em Lisboa , na Freguesia da Ajuda , a 13 de Agosto .

 1944 Representa pela primeira vez em pblico , com 12 anos , numa revista

 popular .

 1945 Ingressa na Emissora Nacional com 13 anos e comea a frequentar o

 Conservatrio Nacional .

 1947 Comea a representar teatro dramtico , ao mesmo tempo que actua na

 Emissora Nacional e nos programas publicitrios da APA e Comboio das Seis e

 Meia .

 1950 Inco de uma dcada de intenso trabalho , repartida pelo teatro ligeiro ,

 operetas , comdias , revistas e pelos microfones da rdio .

 1954 Digresso a frica ( Angola e Moambique ) , integrada na Companhia de

 Giuseppe Bastos ) .

 1956 Parte para o Brasil , onde permanecer trs anos , actuando no Rio de

 Janeiro , tendo programas de rdio seus .

 1959 Regressa a Lisboa e ao teatro de revista na Companhia de Eugnio

 Salvador , no Teatro Maria Vitria .

 [ INLINE ] Moniz Trindade

 Nascido no Barreiro , alfobre de grandes artistas da msica popular , Egas Moniz

 Flix Trindade , viria a ter uma carreira invulgar , quer pelas suas capacidades

 artsticas como cantor , quer pela sua inegvel vocao de compositor .

 Para ele tudo comea na adolescncia , em grupos musicais que forma com os

 amigos em Setbal e , depois , no Barreiro , onde funda uma jazz band na

 colectividade Os Penicheiros .
 O grupo tem algum valor (  nele , alis , que se

 inicia a carreira de Maria de Lourdes Resende ) mas o vocalista ( que ao mesmo

 tempo aprende a tocar viola e banjo ) destaca-se .
 Ir , ainda como amador , para a

 orquestra Royal , passando , depois , por sucessivas orquestras de jazz que

 actuavam nas boites de Lisboa .
 Profissionaliza-se e  j claramente um crooner

  maneira americana .

 D-se ento o encontro mais decisivo da sua carreira .
 O maestro Tavares Belo ,

 que havia fundado o conjunto Swing , vai busc-lo ao night-dub Arcdia e

 integra-o na nova formao , que actua no Chave de Ouro .
 Em breve o Swing

 adquire grande projeco e Moniz Trindade  convidado para gravar em Espanha .

  posteriormente aceite na Emissora Nacional .
 O cantor inclina-se

 progressivamente para o fado-cano .
 D , ento , incio a uma extensa carreira

 internacional , em frica , no Brasil e em toda a Amrica Latina , nos Estados

 Unidos .
 Chega a ter um repertrio de mais de seiscentas canes em vrias

 lnguas .
 O seu talento de compositor ( so seus muitos dos xitos que canta - e

 muitos outros cantaro )  ento cada vez mais reconhecido no panorama da msica

 portuguesa .
 Figura cimeira da poca da rdio em Portugal , actuar ainda na

 televiso .

 Recordem-se alguns dos seus grandes temas : Eh , Toiro !
 , Vizinha do Rs-do-Cho ,

 Fadista Gingo , Pequena do Chafariz , O Chico de Alfama .

 [ INLINE ] Simone de Oliveira

 As personalidades artsticas no so muito frequentes. Artistas sim , mas

 personalidades ...
  outra coisa .

 Personalidade nunca faltou a Simone de Oliveira .
 Um temperamento marcado ,

 inequivocamente , pelo excesso : excesso de talento , de vontade , de querer .

 Excesso de expresso e de paixo .
 Dela poder dizer-se o que de muito poucos se

 disse :  uma daquelas pessoas maiores do que a vida .

 Iniciando bastante nova uma carreira de cantora , fatalmente marcada pelo Centro

 de Formao dos Artistas da Rdio de Motta Pereira , Simone vai revelar , ainda

 rapariga , uma intesidade interpretativa que imediatamente a distinguiu das

 restantes vozes femininas da poca .

 O seu repertrio de canonetista no fugir , nesses primeiros anos de carreira ,

 aos esteretipos criativos dos compositores consagrados da poca .
 Desses tempos

 iniciais guardam-se vivas memrias de prmios e consagraes sucessivos , e de

 uma meditica rivalidade ( to real quanto encenada ) com Madalena Iglsias .

 Mas Simone , a inquieta Simone , querer sempre mais da sua arte .
 Por sua

 iniciativa ( e pela iniciativa dos que nela viram a intrprete de excepo ) vai

 procurar cada vez melhores compositores e letristas .

 Aproximou-se , assim , dos grandes nomes que despontavam , numa clara linha de

 oposio ao Regime .
 Com Desfolhada , de Ary dos Santos e Nazareth Fernandes ,

 Simone far histria : histria da msica popular urbana ,  claro .
 Mas , tambm ,

 a histria das mentalidades .

 Como nos arqutipos clssicos , o excesso conduziu  tragdia .
 Simone fica sem

 voz .
 Mas , como a Fnix , renascer com uma voz nova , mais profunda .
 Com ela vai

 partir  conquista de pblicos renovados e ganhar desafios s ao alcance dos

 eleitos .

 Marcos principais da carreira :

 1957 Entra no Centro de Preparao de Artistas da Rdio .

 1958 Primeiros espectculos .
 Participa no I Festival da Cano Portuguesa , em

 Lisboa .
 Vencer esta competio nos dois anos seguintes .

 1962 Estreia no teatro de revista .
 Vence o Festival da Cano da Figueira da

 Foz .

 1965 Vence o Grande Prmio RTP da Cano Portuguesa ( o " Festival da Cano " ) ,

 com Sol de Inverno .
  eleita Rainha da Rdio .

 1969 Volta a vencer o Festival da Cano com a cano mais marcante da sua

 carreira : Desfolhada , de Jos Carlos Ary dos Santos e Nuno Nazareth Fernandes .

 O tema ficar no imaginrio colectivo .

 1970 Perde a voz , inddente que se prolongar por cerca de dois anos e vir a

 marcar profundamente a artista .

 1977 J retomada a sua carreira , participa no espectculo doJubileu de Isabel

 II de Inglaterra .

 1984 Comemora as bodas de prata da sua carreira com um programa televisivo :

 Meu Nome  Simone .

 1988 Piano Bar , na RTP .

 1997 Celebra na Aula Magna os seus 40 anos de carreira .

 [ INLINE ] Tonicha

 Quando vence , no palco do Tivoli , o Festival RTP da Cano com Menina , de Ary

 dos Santos e Nazareth Fernandes , Tonicha acaba de revelar ao pblico uma cano

 to marcante que quase se poderia pensar que valeu toda uma carreira .

 Nada mais injusto para Antnia Tonicha , alentejana de Beja , nascida em 1946 .
 Ao

 longo da sua precoce e extensa vida de intrprete conhecer muitos outros

 xitos , em diversos gneros .

 No se limitou  cano ligeira .
 Foi uma notabilssima intrprete de folclore ,

 talvez a maior dominante da sua carreira , emprestando a temas tradicionais uma

 voz fresca e uma interpretao enrgica .
 Na memria de todos ficam temas como

 Senhora do Almurto ou Resineiro .
 Foi tambm uma generosa intrprete de muitas

 canes , destacando-se os temas da dupla Ary-Nazareth Fernandes .

 A procura de autores de qualidade constituiu uma preocupao de Tonicha , mesmo

 quando , paralelamente , se dedicava a trabalhos mais comerciais .
  assim que ,

 tendo j ganho diversos prmios de popularidade , arrisca a sua carreira

 gravando temas de Jos Cid em 1967 ( La Mansarde , O Caminheiro ) com os quais

 perde dinheiro mas ganha prestgio artstico .
  esse prestgio que levar Ary

 dos Santos a escrever para ela , tal como mais tarde escreveriam Joaquim Pessoa

 e Carlos Mendes .

 Os grandes xitos populares Zumba na Caneca e Z Que Fumas , no final da dcada

 de setenta , vm confirmar a vocao desta ecltica intrprete para conquistar

 os favores do pblico , ainda que , por vezes , cedendo ao popularucho .
 Ela que ,

 em 1971 , no rescaldo do Festival , tanto se alegrara porque " pela primeira vez

 cantei um poema dum autntico poeta " .

 Ao longo da sua carreira gravou mais de 600 canes e centena e meia de discos .

 Marcos principais da carreira :

 1961 Inicia a sua preparao artstica com Nbrega e Sousa .
 Aps entrar nos

 quadros da Emissora Nacional integra os elencos de diversos programas da

 estao .

 1962 Estreia-se na televiso .
 Recebe aulas de canto com Corina Freire .

 1964 Incio da sua carreira profissional .

 1966 Primeiro Prmio no Festival da Cano da Figueira da Foz .
 Participa no

 filme Sarilhos de Fraldas .

 1967 Vence de novo aquele Festival .
 Ganha o Oscar da Imprensa para melhor

 canonetista do ano e o Microfone de Ouro do RCP , e  eleita Mulher Portuguesa

 do Ano pelo Clube das Donas de Casa .
 Grava temas de Jos Cid .

 1971 Vence o Festival RTP da Cano com Menina .
 A sua participao no

 Festival da Euroviso rende-lhe o oitavo lugar e uma srie de contratos

 internacionais .

 1972 Grava verses portuguesas de canes de Patxi Andion .

 1976 Regressa ao Festival RTP com Cano da Amizade .
 Produz o seu prprio

 espectculo no Teatro So Lus .

 1980 Grava Ela por Ela com canes de Carlos Mendes e Joaquim Pessoa .

 [ INLINE ] Tristao da Silva

 Talvez tenha sido o primeiro fadista a aproveitar com amplitude os meios de

 comunicao social para atingir o sucesso .

 Manuel Martins Tristo da Silva , nascido em Lisboa , transportar consigo , ao

 longo da vida , uma identidade , um pathos genuinamente lisboeta .

 Comea a cantar fado castio desde criana , nas matines das casas tpicas .

 Assim se manter por largos anos , repartindo esta actividade amadora com

 profisses prprias dos rapazes dos bairros pobres da capital .
 Primeiro

 marano , depois marceneiro .

 Antev na rdio o grande salto para a consagrao .
 Para tanto transforma o seu

 repertrio , aproximando-se do fado-cano , ento mais aceite nos microfones da

 Emissora Nacional .
 Mas ser sucessivamente reprovado na sua admisso  estao

 oficial .

 Por influncia e aco do maestro Belo Marques far uma srie de gravaes que ,

 somadas ao repentino e esmagador xito de Nem s Paredes Confesso e de Maria

 Morena contriburam para que a prestao de provas  Emissora fosse finalmente

 bem sucedida .

 A carreira de Tristo da Silva estava definitivamente lanada , assente num

 estilo muito pessoal .
 Voz de base grave , com uma bela tessitura , interpretao

 repousada , estilo romntico .

 Com Da Janela do Meu Quarto , Calada da Glria , Aquela Janela Virada Pr Mar ,

 Ai Se Os Meus Olhos Falassem , o fadista estabelecer uma slida reputao e

 conquistar um pblico fiel .

 Marcos principais da carreira :

 1937  contratado com apenas nove anos , para actuar no Caf Mondego , de

 Lisboa .

 1954 Aps anos de actuaes

 regulares em casas de fado , grava o seu primeiro grande sucesso : Nem s Paredes

 Confesso .

 1955 Digresso  Madeira .

 1956 Deslocao a Espanha , para gravao de uma srie de discos .
 Digresso em

 frica .

 1957 Foi o segundo artista portugus a actuar na RTP , num programa ainda

 transmitido a partir da Feira Popular de Lisboa .

 1960 Digresso ao Brasil , que durar quatro anos , e que inclui , igualmente ,

 actuaes na Bolvia , Chile , Paraguai , Argentina , Uruguai , Peru .
 Receber o

 galardo de melhor atraco de music-hall internacional em So Paulo .

 1964 Por insistncia de Vasco Morgado , regressa triunfalmente a Portugal e

 integra o elenco da revista Frias em Lisboa .
 Volta ao Brasil para resolver

 alguns negcios .
 Regressa a Portugal e retoma o circuito das casas tpicas e

 das boites .

 Morre num acidente de automvel .

 [ INLINE ] Henrique Cordeiro

 Nascido na ilha Terceira

