

 Entrevista

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 02 nov 2001

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 Entrevista

 HONORATO PIMENTEL

 Crtico de Discos

 Revista AUDIO , de Lisboa

 " Presumo que ao falar em msica ao vivo se refere a essa pea de museu chamada

 msica acstica .
 Pois se at j se amplificam certas vozes na pera !
 Mesmo o

 sucesso das sries Unplugged derivar tanto do respectivo mrito artstico que

 do exotismo da proposta .
 H pouco tempo fiquei siderado com a audio em Super

 Audio CD ( com amplificao Krell e colunas Martin Logan ) do disco da

 mezzo-soprano Anne Sofie van Otter com Elvis Costello "

 Holbein Menezes [ LINK ]

 Caro Holbein :

 Off the record ( comeo bem , logo com um anglicismo , sem o conhecer pessoalmente

 j o adivinho a franzir o sobrolho ) , julgo pertinentes uns esclarecimentos

 prvios .
 Afinal que autoridade possuo ou me reconhecem para falar de msica

 brasileira ?
 Por ser falante da lngua ?
 Por haver escrito fugazmente sobre

 Caetano ?
 No final voc decidir da oportunidade do questionrio .

 No tema lhe v contar a histria da minha vida , como fazem tantos E-Mailers

 que me escrevem a propsito de um artigo X e acabam com o inventrio da sua

 discoteca .
 Permite-me uma piada ouvida ao J Soares ?

 " Que  um chato ?
  algum a quem perguntamos como vai a vida , e ele diz !
 "

 A minha me era carioca ( e scia do Flamengo at morrer , para desgosto do meu

 av , antigo remador do Vasco ) e , desde os primeiros tempos em Lisboa ( h cerca

 de 50 anos ) , membro da respectiva Misso Diplomtica .
 Durante as dcadas de

 50/60 esteve mais ligada ao sector cultural da Embaixada , por minha casa

 passando alguns artistas em trnsito ( para jantar , pois claro ) e livros ,

 discos , pintura ...

 Tive assim o privilgio de sorver desde novo alguns goles do caldeiro da

 cultura brasileira .
 A msica portuguesa da dcada de 60 era inenarrvel e

 descobrir poesia na nossa lngua cantada , com a mais valia da gostosa

 musicalidade do brasileiro , foi uma experincia perturbadora ( e politicamente

 incorrecta ) .
 Se mais no fra ( mas foi ) , o tropicalismo permitiu-me descobrir

 vida para alm dos planetas Beatles ou Dylan .

 Mais me tocou a literatura .
 E quando Vincius ( poeta e ex-diplomata , como ele

 assina uma dedicatria a minha me , que ainda hoje no cessa de me comover )

 desembarca regularmente em Lisboa para concertos com Baden Powell , Elis , Edu

 Lobo , Toquinho , Maria Creusa , j estou rendido .

 Estou assim epidermicamente contagiado , ab ovo , pela msica brasileira .

 Contudo , nunca ouvi to pouco como agora .
 No por escolha , embora pouco haja a

 empolgar-me - Moreno Veloso , Paulinho Moska , Adriana Calcanhoto ( muito

 promovida em Portugal ) , Arnaldo Antunes , Chico Csar , Otto e outros parecem-me

 to somente curiosos , embora decerto justificassem maior ateno do ( es ) crtico

 - qui por as editoras me inundarem de outro material , para desespero da

 dona-de-casa que por vezes l me consegue topar por entre as pilhas de discos .

 Mas , como j vrias vezes escrevi , mais que ser eu a escolher os discos , so

 eles a escolherem-me !
 Aguardo , pois , por um novo Messias atlntico .

 Curiosamente , o autor que os E-Mailers mais requisitam  Caetano Veloso , que

 hoje mesmo ( 4 de Outubro ) tenciono ver em concerto no Coliseu de Lisboa ( pela

 ensima vez ) .

 Ainda me quer colocar o questionrio ?
 No receia que a gostosa provocao se

 vire contra si ou o site ?
 Isto  , no lhe perguntaro os leitores onde foi voc

 desencantar ( na Audio , j se sabe , mas ...
 ) tamanho inapto ?

 Presumindo que sim , l vai brasa .

 A ENTREVISTA

 Vamos comear pianinho , t ?
 Quais os compositores de msica , brasileiros , que

 voc mais gosta , erudito e popular ?
 No vale " sertanejo " , pelo amor de Deus !
 ) E

 por qu ?

 O maior dos eruditos estiola na torre de marfim , se no for popular .
 O maior

 dos populares , se a posteridade no lhe reconhecer erudio , haver sido to

 somente popularucho .
 Tanta pompa para mascarar um clich o qual , como tantos

 clichs , se arrisca a ser verdade .
 Felizmente houve Tom , que nunca se preocupou

 com as ninharias dos rtulos .

 Agora um pouco de pimenta , s para temperar a conversa .
 Num de seus artigos na

 AUDIO ( edio de setembro de 2001 ) voc fez blague com  busca do tempo perdido

 ( em brasileiro ns dizemos Em busca ...
 ) , de Marcel Proust , ao afirmar na maior

 cara de pau " ...
  imagem dos nossos avs , se lanar  leitura dos cinco tomos

 ( no Brasil so sete !
 ) de  procura ...
 " ;  pilhria , Honorato ?
 Ou voc est de

 fato convencido de que algum dos nossos saudosos e queridos avs tenha tido

 saco para ler Proust ?
 Com Ea de Queiroz , Fernando Pessoa e Machado de Assis ,

 quem da lngua portuguesa iria ler Proust , hem ?

 Bem , eu nunca escrevi  busca do tempo perdido , mas  procura do tempo perdido ,

 ttulo da edio portuguesa que figura , intocvel , na minha biblioteca .
 A

 subtileza lingstica no me parece desprezvel .
 Pode soar hoje a snobeira , mas

 tive mesmo uma av que leu o seu Proustzinho .
 Sinto inveja por no lhe conhecer

 o sortilgio , mas duvido que haja experimentado a emoo ( renovada a cada

 re-leitura ) que senti ao ler esses mestres da lngua portuguesa , a nossa

 ptria .
 No  estranho ?
 Havia mesmo vida antes da Internet !

 Em outros tempos sua coluna DISCOPATIA era ilustrada e bem ilustrada , em cores ;

 hoje  em plido preto e branco .
 Pergunto : tal como no Brasil , a em Portugal

 tambm os editores de revistas do preferncia ao udio em detrimento da

 msica ?
 Meu querido amigo Jorge Gonalves estar por acaso mudando de time ?

 Estou comeando a gostar de voc .
 Agora selecciono o comando Reencaminhar , no

 correio electrnico , e busco na lista o destinatrio Jorge Gonalves .

 Acreditar ele que nunca o vi a si mais gordo e que a presente entrevista no

 faz parte de um compl sinistro ?
 Suponho que numa revista chamada Audio , criada

 e mantida por devotos do ai-fai , uma coluna de discos no se pode reclamar de

 prioritria .
 Mas tampouco excedentria .
 Tenho um nicho reservado no fim da

 revista e meia-dzia de patuscos que me lem .
 Tenciono um dia coligir outros

 tantos preceitos fundamentalistas e , com esses fiis , tomar de assalto a

 redaco .
 Voc topa ?

 Certa vez li comentrios seus sobre um disco do Caetano Veloso , e posso

 informar a voc que foram os mais encomisticos dos quantos li sobre um disco

 desse talentoso compositor brasileiro .
 Voc estava sendo sincero ou seus

 adjetivos correram por conta de algum jabacul ?
 Ou DJ a em Portugal no

 pratica tal " gratificante " esporte ?

 Os artigos de Discopatia que julgo mais conseguidos so aqueles em que houve

 alguma paixo envolvida .
 De resto ser assim , provavelmente , com qualquer

 crtico , de qualquer rea .
 Por exemplo , recordo-me do ( longnquo ) estado de

 graa que me banhou no ms em que convivi com Estrangeiro , de Caetano .
 A minha

 total independncia em relao s editoras permite-me s falar do que gosto ,

 assim consiga transmitir aos leitores essa urgncia .
 Fosse Discopatia semanal ,

 no sei se me poderia gabar de tanta iseno .
 Jabacul ?
 Pelo contexto 

 pejorativo , mas s para conhecer o termo valeu a pena a conversa .

 Pode algum falar da bela Lisboa sem nunca a ter ido a Lisboa ?
 Pode um crtico

 de msica falar de msica sem saber tocar instrumentos ?
 Qual instrumento voc

 toca ?
 Ou , como eu , s toca vitrola ...
 e , de cordas , sino ?
 E por falar em

 vitrola , que equipamentos eletrnicos voc tem em sua sala de escuta ?

 Perante qualquer obra de qualquer arte - desde a de guardar porcos  de

 construir sinfonias - pergunto s : quanta fora ?
 quanta mais fora ?...
 ( lvaro

 de Campos ) .
 Todo o crtico  um artista falhado .
 Dizem-no eles , os artistas e ,

 amide , com razo .
 Cada disco novo  um filho e lindo a seus olhos .
 Logo vem o

 crtico revelar-lhe as imperfeies , insensvel  gestao atribulada e s

 dores de parto , nas tintas para a fora .

 Agora que o escrevo , reconheo no reflectir nisto o suficiente antes de baixar

 o pau em qualquer disco .
 Confesso que trocaria de bom grado o esplio de onze

 anos de ( es ) crticas pelo domnio de qualquer instrumento .
 L se ganharia assim

 mais um inapto para a causa da msica .

 Equipamento audio :

 Gira-discos ( vitrola ) Ariston RD 80

 Deck Technics RS - TR 474

 CD-R Philips 880

 Sintonizador Rotel RT - 850

 Amplificao Mission Cyrus One

 Colunas de som Monitor Audio

 Este foi o sistema sugerido na Idade Mdia do som pelo meu amigo Jos Vtor

 Henriques , o mesmo a que ele hoje vota rematado desdm .

 Pelo andar da carruagem , quer dizer , pelo " contedo " do seu artigo de setembro

 deste ano parece que voc tambm foi vtima da porrada terrorista sobre as

 torres do WTC ; porque s analisou msica escrita no idioma de Byron .
 Por qu ?

 Gosta tanto assim do desgastado mas atrevido " imperialismo " ingls ?
 Tirando o

 talentoso Benjamin Britten e o compositor de uma msica s ( o Concerto para

 violoncelo ) , Edward Elgar , que outros msicos de valor deu a Inglaterra ?
 No

 adianta falar nos " ilustres quem ?
 " Arnold Bax , Lord Berners , Rutland Boughton ,

 William Boyce e outros que tais .

 Felizmente voc s me cobra pelo artigo de Setembro , j que o grosso da minha

 produo versa a msica anglo-americana dita no-erudita ( o seu name-dropping

 quase me complexou ) .
 Como tantos mais , no serei imune  ditadura da lngua

 inglesa .
 Fosse hoje e at a minha av em lugar do Proust leria a famlia Amis

 ou o Paul Auster .
 O que bom proveito faria  pobre , alis !
 Porque no escrevo

 mais sobre msica de lngua portuguesa ?
 Qui haja aqui pasto para a

 psicanlise .
 A razo , entretanto , parece-me bem mais prosaica .
  que tentando

 uma arrumao temtica para cada artigo , raros so os discos em portugus que

 julgo fundamentais e boa opo de compra para um oramento limitado .
  tambm

 provvel que seja , sem o programar , mais severo com a msica c da parquia que

 com outra ( o que , para o seu amado Pessoa , seria um sintoma insofismvel de

 provincianismo ) .
 Ainda assim , e mesmo este ano , consagrei uma edio inteira

 ( Audio n  130 , Janeiro de 2001 )  moderna msica brasileira ( 1957-1992 ) , tendo

 como argumento o livro Noites Tropicais , de Nelson Motta e a respectiva banda

 sonora .
 Outrosim a edio n  132 , de Maro , era em grande parte consagrada a

 outra das minhas afectaes , os Mutantes .
 Ambas as redescobertas , bossa nova e

 psicadelismo tropical , foram emocionantes .

 Fosse voc compositor de msica , qual a msica brasileira que gostaria de ter

 assinado como sua ?
 Por qu ?

 Teria que ser alguma cantada por Joo Gilberto , o que constitui enorme traio

 ao riqussimo esplio de Chico ou Caetano , na minha adolescncia bem mais

 importantes que Joo .
 Caetano fez-me mesmo ( e a tantos outros patrcios coevos )

 olhar com outros olhos para o Fado , por ento o smbolo por excelncia do

 reaccionarismo cultural lusitano , sobretudo para um jovem entontecido pelo Maio

 de 68 .
 Juntos e ao vivo ( com Chico ) e Transa so dois lbuns de Caetano que

 deixaram marca indelvel no tecido da minha personalidade .
 Como Apesar de Voc ,

 de Chico .
 Mas se at Caetano reconhece em Joo Gilberto o mestre ...
 tudo o

 que ele fez e faz ilumina o passado e o futuro da msica no Brasil .

 Joo , pois .
 Uma msica ?
 Amanh elegeria Saudade fez um samba , depois Chega de

 Saudade , para a semana O Pato e por a fora ad nauseam .
 Hoje escolho Desafinado

 ( T. Jobim / N. Mendona ) .
 Porqu ?
 Porque nunca deixa de me provocar aquele

 arrepio gostoso pela espinha abaixo , sinal biolgico com que o meu organismo

 identifica as obras-primas .

 Comparaes : da de Portugal de meus bisavs , com quem se pode comparar Chico

 Buarque ; e Caetano Veloso ?
 e Tom Jobim ?
 e o atual " beato " Roberto Carlos ?
 Em

 Portugal h tambm a enganao dos chatos " sertanejos " ?

 Perderei decerto muitos leitores a partir de agora , mas j que voc menciona o

 Roberto Carlos , no resisto a confessar ter sido seu grande f .
 Do Roberto

 Carlos vintage , esclarea-se , um grande rocker ( Lobo Mau , p.ex. ) .
 A prpria

 expresso Jovem Guarda cria-a vagamente subversiva , como deve ser o rock'n roll

 mais autntico , rompendo com o velho .
 Hoje estas memrias motivam-me um sorriso

 condescendente .

 Portugal tem neste momento um grande produto de exportao musical , os

 Madredeus , com crticas elogiosas em revistas prestigiadas - a inglesa Mojo , a

 francesa Les Inrockuptibles , a americana Interview .
 Quanto mais chatos se

 revelam os seus discos , pese a voz sempre sublime de Teresa Salgueiro , mais os

 estrangeiros os veneram , talvez por corresponderem ao esteretipo que tm dos

 portugueses - um povo bisonho .
 Numa cena pasteurizada h , contudo , alguns nomes

 novos interessantes .
 No fado , sempre com o espectro de Amlia vogando , Caman e

 Mafalda Arnauth .
 Na tnica , Maria Joo ( e Mrio Laginha ) .
 No rock ( cantado em

 ingls ) , os Gift e os Silence 4 .
 Na tradicional , a secular Brigada Vtor Jara e

 os Gaiteiros de Lisboa .
 Tenha voc ou os seus leitores curiosidade e no

 perdero o seu tempo investigando a respectiva obra .
 Quanto  figuras da

 estatura das mencionadas , chapu .
 Tal como Eusbio , criadores como Jos Afonso

 no aparecem todas as geraes .
 Teria razo Salazar com o seu axioma : aos

 artistas no se deve dar grandes condies .
 Quanto mais sofrem , melhor  a sua

 obra ?
 ( Ui , os riscos da ironia na escrita !
 ) .

 Qual sua referncia para o som musical ?
 Numa ordem de 100 quilmetros , no seu

 julgamento a qual distncia encontra-se a reproduo eletrnica de hoje em

 relao  msica ao vivo ?
 Ou uma coisa e outra so linhas paralelas que jamais

 se encontraro , faa-se o que se fizer ?

 Presumo que ao falar em msica ao vivo se refere a essa pea de museu chamada

 msica acstica .
 Pois se at j se amplificam certas vozes na pera !
 Mesmo o

 sucesso das sries Unplugged derivar tanto do respectivo mrito artstico que

 do exotismo da proposta .
 H pouco tempo fiquei siderado com a audio em Super

 Audio CD ( com amplificao Krell e colunas Martin Logan ) do disco da

 mezzo-soprano Anne Sofie van Otter com Elvis Costello ( Audio n  136 , de

 Julho / Agosto de 2001 ) , sobretudo na faixa Like an angel passing through my

 room , dos Abba ( ?!
 ) .
 Mas a experincia de ouvir um rgo litrgico numa das

 igrejas obscuras de Lisboa , com celestiais e invisveis coros femininos na

 retaguarda , deixa-me pele de galinha  mera meno da efemride .
 Na dicotomia

 electrnica / acstica no tomo partido , a superioridade de cada uma releva do

 sujeito que ouve e bastantes vezes psicolgica .

 Na suposio ( na esperana ) de que a msica  o astro principal de uma revista

 de udio , fosse voc dono da revista AUDIO quanto pagaria por pgina ao

 colunista musical ( percentagem ) , e quanto ao colunista de udio ?
 Seja sincero ,

 no vale puxar a brasa para sua sardinha .

 Bem , a Audio no vale , j que vem contaminada  nascena , fundada como foi por

 dois amantes da alta-fidelidade , para quem a msica no seria exactamente a

 menina dos seus olhos , embora aparentada .
 O seu interesse em incluir uma seco

 como viria a ser Discopatia demonstra , contudo , a sua vocao multidisciplinar

 e largueza de vistas , atrevendo-me a pensar haver contribudo modestamente para

 a invulgar longevidade da revista .
 No fra eu o escrtico residente da msica

 popular e diria ser Discopatia a pena no chapu da Audio .
 Sendo um fantico da

 ( qualquer ) leitura , como j deve ter percebido , gosto de ler a revista toda .

 Embora passe algo ao lado das inevitveis longas tiradas sobre o desempenho

 tcnico , ainda assim nesse mesmo domnio consigo detectar as marcas autorais .

 Por outras palavras , prefiro uma boa crtica de audio a uma sofrvel de msica .

 sse bom crtico - de audio ou de msica -  que  o astro da companhia , pela

 elegncia do estilo , a competncia , a inteligncia da anlise , a finura da

 escrita .
 Ele ser a face visvel , o ex-libris do magazine .
 Como abono de

 famlia dos colegas , dever ser remunerado como tal .
 Ao contrrio do futebol ,

 onde um grande jogador no faz uma equipa , uma revista pode ( sobre ) viver 

 sombra de um colunista .
 Honorato Pimentel ( um pseudnimo ) no ter a pretenso

 de encarnar essa vedeta , ainda que alguns E-Mails generosos possam pontualmente

 perturbar a sua proverbial modstia e low profile. Jabaculs , dir voc !

 Se voc tirasse a sorte grande ( loteria ) , que conjunto musical ( ou cantor )

 contrataria para tocar ( ou cantar ) para voc com exclusividade ?
 Por qu ?

 Se a fama de Joo Gilberto como maior cantor intimista do Brasil no 

 fraudulenta , pois a resposta seria , obviamente , Joo .
 Dito isto , se por absurdo

 ele aceitasse , perderia todo o meu respeito .
 Depois da actuao , claro !

 Que disco brasileiro voc mandaria , substituindo uma bomba , para seu pior

 inimigo ?

 O Bicho , de Iran Costa .
 No que ele seja o precursor daquilo que em Portugal

 chamamos Msica Pimba - lembro-me num instante de outros queridos como Nelson

 Ned ou Roberto Leal ,  distncia bem mais cndidos em comparao .
 Mas Iran 

 insuportavelmente pior , armado ao modernao , todo ai-teque e com piscadelas de

 olho  pior msica de dana europeia , vertendo-a na nossa querida lngua e

 coreografando-a com inenarrveis bailarinas ( ?
 ) de agilidade paquidermica .
 Tudo

 isto sem o perfume , vago que seja , de um kitsch que salvasse a proposta pelo

 humor .
 Nada de muito original , porm .
 Se lhe outorgo a bola preta  porque o

 seu sucesso originou uma legio de epgonos , sem a graa do mestre , que povoam

 os tops de vendas , as festas de finalistas , a televiso , bias de salvao para

 editoras agora especializadas nesse pimba .
 Como convm a um crtico de

 vanguarda ( !
 ) , Honorato Pimentel passa-lhe olimpicamente ao lado .

 Que pergunta eu no fiz mas que voc teria gostado de responder ?
 Sinta-se

 livre .

 ( Esta pergunta ) : - Voc aceita um convite de audiodicas para cobrir o prximo

 Rock in Rio ?
 ( Resposta provvel ) : - Sim , sim , sim .
 Prometo no invocar mais o

 Fernando Pessoa mas , como ele diria , ora aqui tem , e por acaso at  a verdade .

 Desculpe alguma demora na resposta , causada por inmeros afazeres de outra

 ordem .
 Espero que no antecipasse respostas mais telegrficas .

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