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 DOCUMENTRIO " AMADOR "

 Realizao : Constantino Martins , Rui filipe

 Imagem : Constantino Martins , Rui Filipe , Miguel Proena .

 Montagem : Rui Filipe , Constantino Martins , Rui Filipe

 Grafismo : Pedro Sousa .

 Durao : 56 '

 Produo : GEIC / 2001

 Apoios : Universidade Lusfona , IPJ , Xaque

 COMENTRIOS PARA A PRODUO

 Comear a filmar foi um processo longo como de uma paixo nova que se impe .

 Mas longo tambm foi o processo de construo que durante dois anos se

 transformou numa luta .
  o que espera quem no imaginava , apesar de ter uma

 ideia clara mas no fsica , do enorme trabalho que do estas coisas .
  a luta

 daqueles que ainda no se resignaram , que querem criar e construir .
 Partamos

 num barco sem remos , ou seja , s tnhamos uma cmara .
 E muita vontade .
 Quando

 acabmos a montagem percebemos que o preo tambm se paga caro em termos de

 perfeccionismo tcnico .
  difcil partilhar uma experincia de construo

 quando se passam horas e dias simplesmente  espera .
 De possibilidades , de

 meios , de pessoas .
 Durante sete meses de rodagem , foi complicado entrar num

 mundo um pouco fechado , com as pessoas que queramos filmar .
 Essas pessoas

 vivem num universo de quem canta por gosto , no so pagas e o fado faz

 efectivamente parte integrante das suas vidas .
 E a dificuldade principal : como

 filmar uma coisa to prxima , com uma carga to densa de significados ?

 O fado tornou-se uma coisa mais ou menos ridcula , presa fcil do escrnio ,

 refm de uma imagem serdia .
 Filmar uma coisa que pe em causa o nosso prprio

 olhar , e como distanciar-se ou apropriar-se disso ?
 A segunda barreira com que

 nos defrontmos foi sobre como filmar ?
 Sabamos que tinha que passar pelas

 pessoas , que tinha que ter rosto , mas o que  que amos filmar quem cantava

 melhor ou quem sentia mais profundamente o que cantava , no interessando a

 qualidade ?
 Por sorte , encontrmos o Batalha , fadista profissional que agora s

 cantava em tascas .
 Era o que nos arrepiava mais , a sua voz , a forma como

 cantava , e depois l vinha ele pedir dinheiro no fim .
 O que era o fado ?
 Fado de

 vida ou fado de cano ?
 O fado  s drama e tristeza ?
 So algumas questes que

 o filme tenta responder .
 Mas de uma coisa estvamos certos : queramos filmar

 nas tascas .
 No queramos stios limpinhos com folclore nos intervalos.No

 ramos turistas .
 No queramos fazer um filme turstico , queramos algo de

 sujo .
 Das dificuldades tcnicas , humanas , do sangue suor e lgrimas deste

 filme , pensamos que no resulta da algo muito bom tecnicamente , com muitas

 dificuldades ao nvel do som , , ma s que acaba por ser um documento de algo to

 prximo e explcito que acaba por poder morrer nessa proximidade .
 Havia uma

 certa urgncia em salvar esse bocado .
 Este relato no serve de muito para quem

 fez o conservatrio ou faz documentrios h muito tempo , mas para aqueles que

 querem fazer , e  a que a partilha pode fazer mais sentido .
 Servir como

 testemunho de algum que fez e quer continuar a fazer .

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