 Dilogos

 Noam Chomsky , descendente de judeus ucranianos , nasceu na Pensilvnia

 em 1929 .
 Intelectual respeitado em todo o mundo , ocupa h maios de 40

 anos a cadeira de lingistica do MIT , ( Instituto de tecnologia de

 Massachusetts ) , onde dirige tambm o Departamento de Lnguas Modernas .

 Com mais de 50 livros escritos , formado tambm em matemtica e

 filosofia , Chomsky notabilizou-se para alm de suas especialidades

 lingsticas , sendo mundialmente conhecido como um adversrio ferrenho

 de sistemas de governos com tendncias imperialistas , a exemplo dos

 EUA .

 Dilogos com Mitsou Ronat

 Nestes dilogos Noam Chomsky , um dos pensadores contemporneos mais

 importantes , se apresenta duplamente como militante poltico e

 como terico lingstico .
 Na condio de contestador da guerra do

 Vietn , adversrio do imperialismo Norte Americano e crtico do

 " Liberalismo Totalitrio " , Chomsky fala-nos aqui do papel da

 intelligencia no controle da opinio desmontando as operaes do

 FBI , analisando o recuo da contestao estudantil , destruindo o

 mito da complexidade poltica , que a fazia domnio privativo dos

 " especialistas " .
 Chomsky lingista , comparece para explicar-nos

 sua concepo das relaes entre o estudo da linguagem e a

 psicologia , a sociologia e a filosofia .
 E retraar o caminho a

 inventar " gramtica gerativa " , em resposta , principalmente , a duas

 exigncias : 1 ) A de explicar a aquisio da linguagem de maneira

 menos simplria que o empirismo , postulando estruturas inatas de

 aquisio , biologicamente determinadas , e no um crebro humano

 comparvel  cera virgem , 2 ) E de compreender como se produzem as

 frases e como , por exemplo , o sujeito falante sabe , " sem

 refletir " , que certa frase  " possvel " na sua lngua e outra no .

 Introduo : a lngua no  uma coleo de palavras em lista ou

 alinhadas , mas um sistema corrente onde tudo se liga , onde as

 relaes tm primazia sobre os elementos .
 A inveno das

 gramticas gerativas , por Chomsky , coloca a sintaxe no centro de

 investigao lingstica , desvendando assim um " real " de lngua ,

 um real revestido de ideologias e de fantasias ; sendo assim uma

 primeira definio de gramtica gerativa  o estudo da lngua

 materna e a faculdade universal da linguagem .
 Em gramtica

 gerativa cada hiptese deve ter um valor explicativo , ser

 suficiente precisa para poder ser falsificada , e no entrar em

 contradio com o conjunto das hipteses do modelo .

 PRIMEIRA PARTE

 LINGUSTICA E POLTICA

 Chomsky , coloca que sua anlise de ideologia no possui conexo

 profunda entre crtica da ideologia e seu trabalho sobre a

 estrutura da linguagem .
 As duas atitudes no so do mesmo nvel .

 Exemplificando com o papel da intelligentsia na nossa sociedade .

 Esta classe tem como tarefa analisar e representar a realidade

 social .
 Graas as suas anlises e interpretaes , eles servem de

 mediadores entre os fatos sociais e as massas ; criam a

 justificao ideolgica de vida social .

 LINGUSTICA E CINCIAS HUMANAS

 No h relaes de interdisciplinaridade entre lingstica e

 psicologia , j que a ltima contm a primeira .
 Assim a verdadeira

 psicologia da linguagem  uma disciplina que compreende o estudo

 do sistema adquirido ( a gramtica ) , o estudo dos mtodos de

 aquisio ( ligados  gramtica universal ) e dos modelos de

 percepo e de locuo , e o estudo das bases fsicas do conjunto .

 Quanto a sociologia , esta pretende abordar os fatos da linguagem

 enquanto realidades produzidas por classes sociais .

 Todo indivduo fala uma linguagem que no  bem definida a noo

 de lngua  em si mesma um elevado nvel de abstrao .
 Estuda-se

 os sistemas ideais e , em seguida , pode se interrogar sobre a

 maneira como estes sistemas ideais interagem nos indivduos reais .

 UMA FILOSOFIA DA LINGUAGEM ?

 No caso da linguagem , deve se explicar como um indivduo , a partir

 de dados muito limitados , desenvolve um saber extremamente rico ,

 uma criana por exemplo , constri , interioriza a gramtica de sua

 lngua , desenvolve um saber muito complexo , e que no pode ser

 induzido s dos dados de sua experincia .
 Conclui-se , que o saber

 interiorizado deve ser estritamente limitado por uma propriedade

 biolgica .

 Hipteses empiristas ( como o saber determinado pela estrutura do

 crebro ) so muito pouco plausveis ; no  possvel dar conta do

 desenvolvimento de nossa compreenso , no sentido comum , do mundo

 fsico e social , ou da cincia , em processos como induo ,

 generalizao , etc .
 No h caminho direto que v dos dados s

 teorias inteligveis .

 EMPIRISMO E RACIONALISMO

 O empirismo desenvolveu um dualismo : diz que o corpo  constitudo

 de rgos variados , ou especializados , extremamente complexos e

 geneticamente determinados .
 Por outro lado , define o crebro como

 uma tbula rasa , vazia , desestruturada , uniforme , no que diz

 respeito aos fatos mentais .
 O aspecto essencial de sua crtica ao

 empirismo , ento ,  que a estrutura do crebro  determinada a

 priori pelo cdigo gentico ; o crebro  programado para analisar

 a experincia e construir saberes a partir dessa experincia .

 FUNCIONALISMO

 O funcionalismo afirma que a utilizao da linguagem

 influencia-lhe a forma .
 Para Chomsky so diversos os modos de

 utilizao da linguagem .
 Ela transmite informao , mas serve

 tambm para estabelecer relaes humanas , para a expresso do

 pensamento , para as atividades mentais e criadoras , etc .
 No h

 ento necessidade de se privilegiar um ou outro , mas em essncia ,

 a linguagem serve  expresso do pensamento .

 SEGUNDA PARTE

 A GRAMTICA GERATIVA

 O objeto deste captulo ser o exame daquilo que em essncia

 diferencia Chomsky do Estruturalismo .
 A gramtica gerativa deve

 explicitar o saber implcito do falante , ou a inteligncia do

 leitor .
 As gramticas tradicionais mais completas esquecem-se de

 falar das caracterizaes mais simples .
 Ao ter , por exemplo como

 indicaes nicas as instrues das gramticas , seremos incapazes

 de engendrar as frases precedentes .

 Por isso Chomsky prope construir um modelo formal .
 A partir de um

 axioma e de um conjunto de regras bem definidas , so

 '' mecanicamente '' engendradas as seqncias desejadas .
 A chamada

 gramtica de base foi de incio concebida como um conjunto finito

 de regras de reescritura , regras da forma Q - - - W , a qual pode ser

 traduzida da seguinte maneira ; toda vez que se encontrar o

 elemento Q , colocado a esquerda da flecha , podemos substituir por

 W que est a direita .
 As gramticas tradicionais , apresentavam

 inmeros exemplos de estruturas complexas , mas no forneciam

 princpios explcitos que determinassem que tais estruturas e

 outras que se assemelham um pouco pertenciam  lngua , ao

 contrrio de outras estruturas imaginveis .
 Assim , esse trabalho

 procura responder a duas questes : uma caracterizao real do

 saber lingstico , e a questo de uma teoria explicativa que ,

 vista do ngulo epistemolgico , d conta dos fenmenos .
 O ponto de

 vista psicolgico apresenta outra interpretao dessa mesma

 abordagem : a explicao da aquisio de linguagem .

 DUAS DEFINIES DA TRANSFORMAO

 O lingista Harris utiliza o conceito de transformao em relaes

 observadas sistematicamente entre frases e entre '' estruturas de

 superfcie '' .
 Tecnicamente a transformao  um par no ordenado

 de estruturas lingisticas , provido de uma relao de

 equivalncia .

 Para Chomsky , uma transformao no  uma relao entre frases

 diferentes ou entre duas estruturas superficiais ,  uma regra que

 opera , no que diz respeito a uma mesma frase , numa de suas

 representaes abstratas , para transform-la em outra

 representao abstrata .
 A representao inicial  a estrutura

 profunda , a qual  transformada gradualmente numa estrutura

 terminal ( ou superficial )

 MATEMTICA E LINGUSTICA

 As gramticas gerativas nasceram de um encontro da Matemtica e da

 lingstica , distinguindo duas questes :

 Primeira : como caracterizar de modo explcito o saber lingstico ?

 Ocorre que uma caracterizao explcita deve ser uma teoria

 formalizada .
 A observao estende-se  aquisio da linguagem .
 As

 explicaes s existiro na medida em que os princpios gerais

 forem formalizados .
 Uma certa matematizao estava prevista no

 programa total , mas pouco sofisticada , capaz de exprimir

 princpios e regras precisas dentro de um sistema formalizado , mas

 no seria justo considerar como Matemtica

 CONTRA A CIBERNTICA

 Interessa-se por matemtica para provar que ela no  pertinente

 na formalizao lingstica , advindo de uma intuio baseada no

 seu anti empirismo , no acreditando em teorias da linguagem

 baseadas nos modelos de Markov .
 Acreditou-se que os computadores

 iriam permitir a automatizao dos processos de descoberta .
 A

 idia era apresentar um corpus de materiais ao computador , a fim

 que ele fizesse a gramtica , a partir da suposio de que os

 processos taxionmicos de anlises desenvolvidas eram em essncia

 suficientes e adequadas para determinar a estrutura gramatical .

 SEMNTICAS

 Em 1963 , apareceu um modelo sensivelmente diferente : a gramtica

 de base comporta dois elementos , as regras de reescritura que

 indicam sempre a estrutura das sequncias de palavras e o lxico ,

 em que so consignadas todas as propriedades sintticas ,

 semnticas e fonolgicas dos itens lexicais .
 O componente

 transformacional muda esta estrutura inicial em outras estruturas ,

 sendo a ltima chamada de estrutura superficial .
 Gramtica de base

 e componente transformacional constituem a parte gerativa do

 modelo .
 Uma das maiores inovaes ( Aspects of the Theory of

 Syntax ) e a introduo de dois componentes interpretativos , o

 componente fonolgico e o componente - semntico .
 Chomsky queria

 tornar explcito aquilo que o falante sabe da estrutura sinttica :

 do mesmo modo , queriam eles tornar explcito aquilo que o falante

 sabe do sentido intrnseco das palavras e das frases .
 Em Syntatic

 Strutures ( SS ) , LSLT ( The Logical Struture of Linguist Theory ) ,

 dada uma teoria lingustica , os conceitos de gramtica so ( ao que

 parece ) definidos em termos no semnticos ( quando a gramtica

 compreende a fonologia e a sintaxe ) mas que a prpria teoria

 lingustica deve ser escolhida de maneira a fornecer a melhor

 explicao possvel dos fenmenos semnticos e de muitos outros .
 A

 teoria lingustica ( ou gramtica universal )  o que supe-se ser o

 dado biolgico , a propriedade geneticamente determinada da

 espcie : a criana no aprende a teoria , mas a aplica ,

 desenvolvendo a lngua .

 HIPTESE FODOR-KATZ

 Fodor-Katz propuseram a integrao  teoria padro de regras de

 interpretao semntica que associavam representaes semnticas

 s estruturas sintticas , tinham em mente algo completamente

 diferente daquilo que Chomsky props .
 A teoria padro acolheu as

 suas proposies como inovaes : tais regras tinham um carter

 intencional que no existia em SS , onde nenhuma noo de

 representao semntica era considerada .
 Eles , pelo contrrio ,,

 supunham uma analogia entre fontica e a semntica .
 Assim como a

 representao fontica apoia-se num sistema universal de traos

 fonticos , assim tambm a representao semntica repousaria sobre

 um sistema universal de categorias semnticas , de traos

 distintivos semnticos .
 Considera-se que o sistema universal pode

 representar todo o pensamento .

 VERDADE DAS FRASES

 Cr-se que as condies de verdade esto ligadas s representaes

 semnticas , entretanto a questo est longe de ser simples :

 qualquer espcie de considerao determina as condies de verdade

 de uma frase e vo elas muito alm da gramtica .
 Assim , para as

 frases mais simples ,  impossvel colocar condies de verdade ,

 fora do contexto de utilizao da linguagem .

 FORMA LGICA

 Utiliza a expresso forma lgica para designar os aspectos

 semnticos estritamente determinados por princpios lingusticos .

 Determina as relaes de preciso entre a forma lgica , assim

 definida , e o sentido ou representao semntica na definio

 considerada mais rica , o que implica a contribuio dos outros

 sistemas cognitivos .

 SEMNTICA INTERPRETATIVA E GERATIVA

 O componente semntico de Katz , com referncias a um sistema

 semntico universal , foi abandonado .
 Nascendo uma tendncia

 cismtica que , no fim dos anos sessenta , ops-se a gramtica

 gerativa sob sua forma padro :

 a semntica gerativa esta teoria recusa a autonomia da sintaxe em

 face da semntica e afirmava que a estrutura profunda

 identificava-se com a representao semntica .

 TEORIA PADRO AMPLIADA

 Nessa nova verso do modelo , Chomsky demonstra o papel da

 estrutura superficial na interpretao semntica :  bem provvel

 que somente a estrutura superficial desempenhe um papel na

 interpretao semntica .
 Na verdade , a nica contribuio da

 estrutura profunda para o sentido seria a representao das

 relaes temticas .
 As regras de reescritura engendram as

 estruturas profundas nas quais se inserem os itens lexicais .
 As

 relaes temticas entre o verbo e os nomes que o rodeiam so

 definidas neste nvel .

 Recentemente , a teoria padro ampliada incorporou um novo

 conceito : O conceito de trao - o trao " t "  um elemento

 fonologicamente nulo , mas que marca a posio inicial ( na

 estrutura profunda ) de um elemento suprimido ou deslocado por uma

 transformao .

 Graas a esta teoria de traos pode-se dizer at que toda a

 semntica , inclusive as relaes temticas , est ligada a

 estrutura superficial : certamente , com uma noo um tanto

 enriquecida da estrutura superficial , j que as novas estruturas

 superficiais podem conter traos .

 A ESTRUTURA PROFUNDA

 O termo estrutura profunda era de certo modo muito bem definido :

 Na teoria padro , ela era engendrada pela base , recebia os itens

 lexicais e a interpretao semntica , tornava-se uma estrutura

 superficial bem formada .
 O importante era notar que todas essas

 propriedades eram independentes .
 A priori , a estrutura que recebe

 a interpretao semntica no  obrigatoriamente a que  o lugar

 de insero lexical , ou a que  transformada em estrutura

 superficial .

 Agora , a teoria padro ampliada afirma que no  a estrutura

 profunda que recebe a interpretao semntica : com a teoria dos

 traos , pode-se dizer que somente a estrutura superficial est

 ligada a representao semntica .

 A estrutura superficial determina a Semntica , isto  , com aquele

 sentido enriquecido de estrutura superficial , que apreende uma

 propriedade especfica das estruturas profundas subjacentes

 atravs da propriedade dos traos .

 GRAMTICA UNIVERSAL

 Gramtica universal  um conjunto de princpios que caracteriza a

 classe das gramticas possveis , preconizando a maneira pela qual

 so organizadas as gramticas particulares ( Quais os seus

 componentes e as relaes entre estes ) a maneira pela qual so

 construdas as diferentes regras de tais componentes , a maneira

 pela qual entram em interao , etc .

  um conjunto de hipteses empricas sobre a faculdade de

 linguagem biologicamente determinada (  importante ter em mente

 que gramtica universal no  uma gramtica , mas antes uma teoria

 das gramticas , uma meta teoria ) .

 QUESTES EM SUSPENSO

 H dois tipos de questes : as questes internas e as questes

 externas .
 Por questes internas , aquelas que se colocam a partir

 do momento em que algum se apoia numa verso particular de teoria

 lingustica , a teoria padro ampliada , por exemplo .
 Por questes

 externas , aquelas concernentes ao estatuto epistemolgico da

 teoria , o problema da legitimidade de idealizao , e de ligao

 desta teoria com os domnios adjacentes .

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 Instituto de Fsica da USP -

 Disciplina : MAC 115 - Introduo a computao

 Alunos :

 * Jos Renato Boettger Jardinetti

 * Paulo Lorencini

 Professor : Roberto Cesar

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