 Estet .
 Literria - ndices Cap. 1

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 ENCICLOPDIA SIMPOZIO

 ( Verso em Portugus do original em Esperanto )

  Copyright 1997 Evaldo Pauli

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 Via Internet :

 Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC .

 Propriedade literria :

 Fundao Cultural Simpozio .

 Redator chefe :

 Evaldo Pauli .

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 ESTTICA LITERRIA

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 APRESENTAO TCNICA DO TEXTO .
 4515y003 .

 4 .
 Esttica literria , no quadro geral da Enciclopdia Simpozio ,

 tem a forma de texto hper e a dimenso de texto mega .

 Como texto de forma hper , polariza em torno de um verbete central

 os demais artigos relacionados com o mesmo tema , convertendo o todo em

 um tratado .

 Como texto de dimenso mega , a presente Esttica literaria

 corresponde a um outro menor .

 Dada a afinidade da Esttica literria com demais estticas , a

 Enciclopdia Simpsio apresenta a todas como um conjunto intitulado

 Megaesttica .

 Finalmente todo o conjunto se integra na Enciclopdia de Filosofia ,

 que est como unidade 1 , no grupo das 10 enciclopdias coordenadas que

 constituem a Enciclopdia Simpsio .

 5 .
 A numerao texto hper se processa por meio de 8 dgitos ,

 divididos em dois campos pela letra y .

 Os primeiros 4 nmeros coincidem com os do verbete fundamental , de 4

 dgitos , como aparece Enciclopdia atmica ( alfabtica ) .
 Os trs

 nmeros finais redividem o texto hper , com possibilidades de 000 at

 999 .

 No curso do texto hper os nmeros divisionrios dispensam os dgitos

 do primeiro campo e a letra y .
 Mas os ttulos principais so todavia

 numerados integralmente pelos 8 dgitos .

 6 .
 As citaes no curso interno do texto hper se fazem apenas

 com os trs dgitos finais , de 000 a 999 .
 Feita a citao a partir de

 fora , so necessrios todos os oito dgitos .

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 INTRODUO  ESTTICA LITERRIA .
 4515y007 .

 8 .
 Uma introduo consiste na considerao meramente formal

 sobre o assunto a tratar .
  um olhar a partir de fora , de quem se

 orienta para entrar no assunto .
 A introduo , informa advertindo para

 os temas e seus problemas , bem como mtodos , sem todavia tomar

 posies decisrias de contedo .

 No que concerne mais especificamente  esttica literria , ou seja da

 linguagem , ela importa em uma introduo , dada  vastido de seu tema

 e a dispersidade de suas questes , alm dos pressupostos filosficos

 anteriores a ela mesma .

 9 .
 Os temas introdutrios  esttica literria admitem a seguinte

 sequncia :

 - Objeto da esttica literria , definindo-a e analisando seus nomes

 ( vd 10 ) .

 - Aditivamente um pouco de histria da teorizao da linguagem ( vd

 42 ) ..

 - Diviso didtica do ensaio em andamento ( vd 091 ) .

 ART .
 1 - o .
 OBJETO DA ESTTICA LITERRIA .
 4515y010 .

 11 .
 Definio real e definio nominal .
 De pronto isolamos dois

 questionamentos ,

 - o da definio real , que vai diretamento ao significado mesmo da

 esttica literria , apontando para o objeto de que efetivamente trata

 (  1 - o ) ,

 - o da definio nominal , deixando claros os diferentes nomes que se

 referem  linguagem e s cincias que dela tratam (  2 - o ) .

 Apontados pela definio real os caminhos a serem trilhadostrilhar e

 recebidas as sugestes que a definio nominal ainda acrescenta , -

 tudo isto vai facilitar a entrada depois no questionamento

 simplesmente de tudo o que a esttica literria apresenta como

 natureza , propriedades e estilos .

  1 - o .
 Definio real da esttica literria .
 4515y012 .

 13 .
 Tem a esttica literria por tema ;

 - o estudo da lngua como expresso , enquanto capaz de significar

 objetos ,

 - e o exame de suas propriedades , com destaque sua capacidade de

 estabelecer a comunicao humana .

 14 .
 A lngua  objeto de estudo de vrias cincias .
 Umas so do

 gnero das cincias filosficas , outras do gnero das cincias

 positivas .

 Ficamos aqui dominantemente no gnero das cincias filosficas .

 Portanto , esta esttica literria  , dominantemente , uma filosofia da

 lngua ( vd 18 ) , ainda que com frequncia se alargue para todos os seus

 problemas .

 15 .
 O conhecimento vulgar sabe o que  a lngua .

 Mas em tudo a cincia sistemtica ultrapassa ao conhecimento vulgar ,

 convertendo a lngua em um fenmeno transparente .

 Assim sendo , a lngua se apresenta claramente a ns como expresso e

 ainda como instrumento de comunicao , catarse , ludicidade .

 O conhecimento que a cincia consegue sobre a lingua chega a ser tal ,

 que se torna capaz no somente de melhorar o uso das lnguas j

 existentes , como ainda de inventar novas , mais perfeitas .

 A cincia , em revelando a natureza da lngua torna o seu uso um

 processo mais consciente .

 16 .
 Filosofia geral da arte .
  a lngua uma das muitas artes .

 Infere-se , que muitos dos seus aspectos j vm tratados de um saber

 mais geral , o da filosofia geral da arte ( vd 0531y000 ) .

 E assim h tambm para cada arte , uma lgica , uma gnosiologia , uma

 psicologia racional , uma tica , bem como uma filosofia poltica ; tudo

 junto , finalmente ,  uma filosofia da arte .

 Como facilmente se pode imaginar , a esttica literria se coordena

 ao quadro maior da filosofia da arte , como uma de suas subdivises .

 Sendo uma arte ao lado da arte da pintura , da escultura , da msica ,

 obedece aos conceitos , e at mesmo  terminologia , da geral da arte .

  frequente a classificao dos conhecimentos da filosofia da arte em

 dois conjuntos :

 - filosofia geral da arte ( vd 0531y000 ) ;

 - filosofias especiais da arte , a saber , esttica das cores ( vd

 3911y000 ) ; esttica das formas ( vd 2283y000 ) ; esttica da msica ( vd

 5287y000 ) ; esttica literria .

 17 .
 Sendo vrias as cincias que tm a linguagem como objeto de

 estudo , importa tratar a especificidade de cada uma das referidas

 cincias sem misturar , sem confundir os respectivos pontos de vista .

 Esta ordem  uma condio da sistematicidade das cincias .

 A ordem didtica admite porm ser realizada de diversas maneiras .
 Ou

 tratamos sucessivamente todas as cincias ; ou as tratamos

 simultaneamente , mas atentos  distino .
 Qualquer seja o modo , a

 distino entre as cincias deve ser uma preocupao constante .

 Se afirmarmos , por exemplo , que a linguagem  essencialmente uma

 expresso , devemos saber determinar , se esta afirmativa est sendo

 estabelecida por conta da filosofia ou por obra de uma cincia

 positiva como a lingustica .

 Se advertirmos , que o ritmo lento agrada de forma diferente que o

 ritmo rpido , de novo devemos saber determinar a que cincia pertence

 a assertiva , se  psicologia experimental ou se  psicologia racional .

 A sistemtica cientfica requer conscincia sobre o situamento de

 cada tipo de conhecimento no quadro geral do saber .

 Com referncia  lngua , a perspectiva principal agora em questo  a

 da filosofia da linguagem .
 Ento o que em primeiro plano importa so

 as explicaes puramente racionais da arte de exprimir .

 Mas ordinariamente uma exposio didtica no se limita apenas a

 isto .
 A exposio de cada cincia usa mover-se num quadro mais amplo

 por razes , que podero ser didticas ou mesmo s de motivao .

 Recomenda-se , pois , ao estudo filosfico da linguagem , ou seja , ao

 estudo metalingustico , tambm alguns elementos decididos pelas

 cincias meramente experimentais , tanto la lingustica experimental ,

 como da esttica experimental em geral .

 As derivaes para outros campos so teis aos pontos de vista

 filosficos .
 Alm de os aliviarem do seu carter abstrato , completam

 os conhecimentos dentro de um quadro mais abrangente .

 Todavia , tratar de tudo ao mesmo tempo , no  o mesmo que fazer uma

 grande confuso .
 Importa sempre saber das distines de coisas que

 efetivamente so distintas .

 18 .
 A filosofia da lngua estuda o falar humano sob o ponto de vista

 da explicao meramente inteligvel , como  prprio da filosofia .

 O significado , por exemplo , no  empiricamente constatvel , seno

 indiretamente ( pelos seus efeitos ) .
 Por isso o significado em si mesmo

  tema da filosofia da lngua , e no da lingustica , que  uma cincia

 experimental .
 No h como explicar por meios meramente empricos o

 fenmeno da linguagem do ser humano inteligente .

 O portador do significado , enquanto distinto deste significado , no

 s admite consideraes filosficas , mas tambm experimentais .
 J

 estas consideraes experimentais pertencem  lingustica ( vd 31 ) ,

 gramtica ( vd 37 ) , etimologia ( vd 35 ) , semntica ( vd 34 ) , - que todas

 so cincias positivas da linguagem , que examinam o significante em

 relao ao significado .

 A lingustica com seu mtodo experimental atinge o significado , -

 conforme j advertido , - apenas indiretamente , isto  , no em si

 mesmo , e sim pelos efeitos empricos provocados atravs do

 significante .

 O significado , ou elemento transportado ,  diretamente apenas

 percebido pelo entendimento , o qual tem a competncia para

 interpret-lo diretamente .
 Esta capacidade ocorre tanto nas expresses

 por mimese natural , como por conveno .

 O elemento portador , - chamado tambm significante em oposio ao

 significado , -  caracterizadamente sensvel , isto  , experimental .

 Tambm  constatvel o comportamento resultante do significado do

 significante .
 Mas compreender porque o significante pode servir para

 indicar a expresso ,  algo de meramente inteligvel .

 Importa cuidado na distino entre filosofia da lngua e lingustica

 ( vd 31 ) , havendo neste particular um comportamento ainda hoje no

 sempre respeitado pelos estudiosos ( vd 86 ) .

  2 .
 As denominaes vrias da filosofia da lingua 4515y019 .

 20 .
 Metafsica da arte .
 As denominaes dadas  filosofia da

 lngua e s suas divises facilmente confundem , porque , apesar de sua

 tradio secular , no asseguram as vantagens de um contexto habitual .

 A metafsica da arte , ou gnosiologia da arte , se ocupa do instante em

 que se pergunta pela sua natureza como ente .
 Cuida-se ento

 compreender a arte como um ser ao lado de outros seres , com a inteno

 de determinar a diferena que a torne inconfundvel .

  quando se estabelece a arte como uma expresso significante , ou

 signo , que tem a funo de remeter a ateno do ser que se fecha em si

 mesmo e sem nada significar .
 Coisa capaz de significar algo , eis o que

 seria a arte .
 Nesta direo trabalha o filsofo da metafsica da arte ,

 e est o centro principal de toda a filosofia da lngua .

 A tica da arte determina as relaes de legitimidade da ao

 artstica .
 Como fazer humano a expresso artstica obedece ao esquema

 geral deste fazer , e ainda incorre em detalhes , os quais no poderiam

 ser desconsiderados .

 Similar ao aspecto tico da arte  o social da arte .
 Agora a

 perspectiva  a arte dentro da interao social , esta estudada pela

 filosofia social e pela sociologia .
 E assim nasce tambm uma filosofia

 social da arte .
 Em suas sub-divises vamos dar enfim na filosofia

 social da linguagem .

 No entraremos nem no campo tico , nem no social da arte , seno

 acidentalmente .
 Entretanto estes aspectos so importantes e destacam a

 anterior filosofia da arte .

 21 .
 O homem  um animal que fala , conversa e ri .

  de tal modo importante este fenmeno e to diversas so as formas

 de sua manifestao , que em torno dele se criou um vocabulrio de

 inmeras variaes : fala , palavra , lngua , linguagem , idioma , e todo o

 grupo arte literria , letras , literatura , lingstica filologia ,

 etimologia , semntica , gramtica , esttica literria , sem contar os

 nomes mais setoriais , como prosa , poesia , gneros literrios .

 Importa atender a estes significados , com vistas  preciso .
 Ao

 fazermos aluso s suas origens etimolgicas , outras denominaes

 ainda surgiro e se esclarecero , com vantagem para exposio do nosso

 tema , por tratar-se de noes prximas .

 22 .
 A fala .
 Um grupo de palavras eruditas e mesmo vulgares deriva

 da raiz indo-europia bha - , cujo sentido bsico  falar .

 No grego assumiu a forma phemi ( = dizer ) , que repercute em

 eufemismo ( expresso elegante , que substitui formas vulgares ) , phon

 ( = voz , palavra ) , phonetiks = fontica ) .

 No latim : fari ( falar ) , facundia ( = eloquncia ) , fbula ( = rcita ) ,

 affabilis ( = afvel ) , ineffabilis ( = inexprimvel ) , prefcio

 ( = prembulo ) , fama ( = fama , renome ) , professio ( = promessa ,

 profisso ) , que todas se refletem nas demais lnguas .

 No francs , entre outras formas : fable ( = fbula ) .

 No italiano : favola ( = fabula ) .

 No espanhol : habla ( = linguagem ) , hablar ( = falar ) .

 No portugus : falar que , pelo visto , se aproxima da forma espanhola

 hablar e da italiana favola .

 No Esperanto so palavras pertencentes ao grupo etimolgico

 mencionado acima : fonemo , fonetiko , fonetismo , afabla , famo .

 23 .
 Palavra deriva da raiz grega bal - , com o significado fundamental

 de lanar , atirar , como em ballo ( = lanar , atirar ) .

 Dali os termos diabolos ( = diabo ) , com o sentido de caluniador ,

 parabol ( = parbola ) , comparao ; symbolon ( = smbolo ) , sinal de

 reconhecimento .

 Atravs de parabol veio s lnguas latinas parbola , que deu no

 francs parole e parler ; no espanhol palabra e parlar ; no portugus

 palavra , palavrear , parlar , parolar ; finalmente no Esperanto paroli ( =

 falar ) .

 Os termos palavra e fala ( vd 22 ) significam uma enunciao ativa da

 linguagem .
 Neste sentido palavra e fala so atividade ( no grego

 enrgeia = energia , fora ) , ao passo que lngua  passividade ( no

 grego rgon = obra , coisa realizada ) .

 Dito melhor : a lngua  o produto da fala ou de quem enuncia palavras .

 Tudo comea por uma ao , execuo , desempenho , performance e termina

 em um resultado .
 Os nomes ora se referem a uma das nuances , ora 

 outra .

 24 .
 Verbo , com o sentido amplo de palavra e com o sentido mais

 freqente de ao verbal , deriva do indo-europeu werdh - , com

 significao fundamental de palavra ( vd 23 ) .
  a raiz comum de

 palavras importantes .

 No grego er ( atravs de wer ) ( = direi ) ; rhtr ( atravs de wretr ) =

 retor , orador .

 No latim ver-bum ( = palavra ) ; proverbium ( = provrbio ) .

 No germnico : no ingls word ( = palavra ) ; no alemo Wort ( = palavra ) .

 No Esperanto : vorto ( = palavra ) , verbo ( no sentido de ao gramatical ) .

 25 .
 Voz  um termo a partir de cuja raiz etimolgica se formam tambm

 outras denominaes significativas , que convm esclarecer .
 Trata-se do

 grupo de termos que deriva do indo-europeu wek - com o sentido

 fundamental de emisso da voz .

 Dali o grego pos ( atravs de wepos ) ( = palavra ) de onde finalmente

 pico e epopia .

 No latim : vox ( = voz ) , vocalis ( = sonoro ) , vocabulum ( = nome ) .

 Chegamos assim ao que em portugus  vocbulo ; este , portanto , tem o

 sentido bsico de voz emitida .

 Ainda no latim : vocare ( = chamar ) e evocare ( = chamar , com em

 alistamento de tropas ) .

 No Esperanto : voo ( sono elblovita el al pulmoj ) , voki ( per alvoko

 turni al si ies atenton ) .

 26 .
 Lngua e linguagem .
 No sentido anatmico , lngua  apenas o

 rgo articulador da fala .

 A raiz indo-europia dinhw - produziu no latim dingua , que se

 transformou em lngua sob a influncia de lingere ( = lamber ) .

 No ingls tongue .

 No alemo Zunge .

 Por efeito de polissemia , lngua passou a significar tambm a

 expresso oral .
 Por tratar-se de significados efetivamente distintos ,

 cada qual poder receber distintos outros nomes .

 No caso da lngua como expresso oral so bem conhecidos os termos

 fala , de que j foi tratado , e idioma ( vd 27 ) , de que cuidaremos

 depois .

 No Esperanto , - em decorrncia de ser uma lngua planejada com as

 melhores regras , - a polissemia  afastada , pela diferena lango

 ( rgo anatmico ) e lingvo ( expresso oral ) .

 A lngua  uma espcie dentro do gnero de expresso chamada arte ;

 mas sob a denominao de lngua ocorrem muitas lnguas , no sentido de

 muitos sistemasgramaticais .
 Ento cada qual tem um nome , como lngua

 portuguesa , espanhola , francesa , inglesa , lingua Internacional

 Esperanto .

 No se diz do mesmo modo muitas pinturas , muitas esculturas , muitas

 msicas .

 Do ponto de vista da individuao e da espcie aos quais os indivduos

 pertencem ,  possvel entender por lngua cada uma das diferentes

 lnguas , enquanto cada uma  lngua numericamente distinta de outra ; e

  possvel entender por lngua a espcie a qual todas as linguas

 individuais pertencem , e na qual , como um todo se distinguem de outras

 espcies de expresso , como a escultura , pintura , msica .

 Entre lngua e linguagem se d uma diferena de nuance .
 O sufixo

 empresta  linguagem uma nuance particularizante , em que a

 particularizao atende ao estado concreto e materializado da coisa

 referida .

 Lngua significa a espcie simplesmente , com quando se diz a lngua 

 um instrumento de expresso , ou como quando se diz que as lnguas so

 muitas e entre elas esto a lngua portuguesa , espanhola etc .
 Ou

 ainda , que as lnguas podem formar-se espontaneamente e tambm por

 planejamento .

 Linguagem se diz da mesma lngua quando considerada como algo

 concreto e materialmente realizado , nesta linha podendo receber

 qualificaes , como quem diz linguagem agradvel , severa , escorreita ,

 esttica , ou como em linguagem popular , linguagem cientfica ,

 linguagem bblica .

 Situaes vrias nos podem deixar perplexos .
 Tanto se pode , por

 exemplo , dizer lngua cientfica ( ou lngua da cincia ) , como

 linguagem cientfica , mas em ambos os usos ocorre uma nuance .

 Lngua cientfica ( ou lngua da cincia )  a que efetivamente se

 destaca  maneira de uma espcie , como palavras especializadas , ou

 mesmo com formulaes peculiares como na matemtica , qumica , lgica

 simblica .
 Linguagem cientfica  a nuance que a lngua assume ao ser

 utilizada pela cincia , em que um destaque  a preciso dos seus

 termos .

 O contexto pode admitir a troca dos termos lngua e linguagem , o que

 entretanto no se aconselha .
 Mas sobretudo lngua , mais universal que

 linguagem , admite normalmente a posio de linguagem .

 A distino entre lngua e linguagem vem sendo feita mais

 insistentemente a partir de Saussure , mas nem sempre com segurana .

 27 .
 Idioma ( do grego idoma = particularidade , qualidade particular )

 se diz da linguagem enquanto se exerce de maneira prpria a cada povo .

 Pela maneira de falar usam diferenciar-se os povos .

 Lembre-se ainda o termo idiotismo ( do grego dios = particular ) , que

 indica a linguagem prpria de um indivduo ou de um caso muito

 peculiar .
 Dali tambm idiota ( do grego idiotes = simples ) , com o

 significado de indivduo simplrio .

 Em funo  origem do termo idioma , admite-se dizer " idioma

 nacional " .
 Diga - se , por exemplo , que o ingls  um " idioma

 nacional " , ainda que internacionalmente falado por muitos .

 Do Esperanto se diz simplesmente que foi criado para ser uma " lngua

 internacional " .
 Por causa do seu carter neutro e universal fica pouco

 adequado dizer " idioma esperanto " , por se tratar de lngua que no

 traduz a caracterizao de nenhum povo isoladamente .
 Mas seria

 possvel " idioma humano " , enquanto contrasta com o idioma dos animais .

 28 .
 Arte literria , letras , literatura .
 Eis uma sequncia de nomes

 que significa a linguagem , todavia em conotao com a tcnica de sua

 fixao em sinais grficos .

 Pela sua ndole , os sinais grficos podem ser ideogrficos , como

 aconteceu com a grafia inicial egpcia e com a grafia at hoje

 conservada do chins e mais lnguas orientais .

 Cerca do ano 1000 a.C. , os fencios criaram o atual alfabeto a partir

 dos sinais idiogrficos egpcios ; por exemplo A  a primeira de Apis

 ( = boi ) , cuja figura aos poucos se inverteu , pois o A  nada mais que

 uma cabea de boi com chifres fincados para baixo ; B  a primeira

 letra de Bet ( = casa ) , cuja figura de dois pavimentos tambm continua

 reconhecvel .

 Etimologicamente , como tambm pelo uso , literatura ( no Latim

 litteratura ) significava na antiguidade simplesmente gramtica , arte

 da escrita .
 O adjetivo literatus ( = literato ) tambm j ento podia

 significar douto , instrudo , erudito , sbio ; era uma consequncia do

 conhecimento da gramtica , ou seja das letras .

 Nas lnguas modernas , sobretudo neolatinas , literatura , passou a

 significar a produo escrita das manifestaes do esprito humano .

 Deixou , por conseguinte , o anterior significado latino de gramtica .

 Na nova acepo , literatura assumiu nuances de contexto .
 Por

 extenso , literatura inclui tambm as produes da linguagem em geral

 ( no das demais artes ) , incluindo pois as manifestaes orais .

 Por restrio , literatura pode significar apenas o gnero fico e

 poesia ; ou qualquer outro gnero , desde que o objetivo seja mais o

 esttico e emocional , do que o de contedo .
 Um poema pico , por

 exemplo , apesar da verdade do contedo , tem em mira a emoo herica ,

 e por isso  literatura no sentido estrito indicado .

 Trs so , por conseguinte , as nuances de literatura :

 - toda a forma de linguagem escrita ( como em literatura cientfica ) ;

 - toda a forma de linguagem ( como em literatura oral ) ;

 - s os gneros de fico e poesia ( como em literatura pica ) .

 Letras , no plural , expressa a linguagem escrita , com a nuance de " bem

 escrita " .
 Este  o sentido que a palavra vinha formando desde a

 antiguidade latina , quando littera ( letras ) j significava carta e

 gramtica ( scientia litterae ) em lugar de literatura .

 Arte literria  uma formulao com adjetivo , sem correspondente

 substantivo direto ; significa muito bem a lngua como expresso e que

 se fixa em letras .

 Na mesma linha se encontra esttica literria .

 29 .
 Em busca de um nome prprio adequado para a arte da lngua .
 So

 tantos os nomes a referir-se ao mesmo plano de expresso , que se fica

 a perguntar sobre qual o mais adequado .

 - Haveria acaso um nome prprio adequado para a arte da lngua , como

 o h bem definido para a pintura , para a escultura e para a msica ?

 - E haveria um nome para a respectiva cincia da lngua ?

  necessrio distinguir entre a arte da lngua e a cincia respectiva

 ( vd 30 ) .
 No se requer de pronto nomes diferentes para coisas

 prximas , porque a sintaxe poderia conduzir a mente aos respectivos

 significados .
 Contudo , nomes distintos , mesmo para pequenas

 distines , podem ser muito teis .

 O nome para a arte da lngua efetivamente existe , e  lngua

 ( linguagem e fala ) .

 Todavia o nome lngua  polissmico , e no usamos conot-la

 imediatamente com a arte .
 Por isso dizemos pela forma ampla " arte da

 linguagem " .
 No tem o nome lngua a mesma nfase como quando se diz

 pintura , escultura , msica .

 Mais frequente  indicar-se a arte da linguagem pelos seus muitos

 gneros e modalidades : poesia , prosa , epopia , drama , comdia , stira ,

 novela , romance , conto , carta .

 Por falta de um nome especfico e enftico literatura ( vd ) , que

 significava o estudo da gramtica , passou modernamente a significar os

 gneros literrios como um todo .

 Aristteles foi o primeiro a levantar a questo de um nome geral ,

 para denominar como conjunto , os vrios gneros literrios , ainda que

 no parea alcanar a largura da expresso em prosa .
 Usou o Estagirita

 a palavra " potica " num sentido mais amplo que o atual , porque incluiu

 o teatro , ainda no que no a retrica .

 Declarou no incio do sua Potica :

 " Propomo-nos tratar da produo potica em si mesma e de seus

 diversos gneros , dizer qual a funo de cada uma deles , como se deve

 construir a fbula , no intuito de obter o belo potico ...

 A epopia e a poesia trgica e tambm a comdia , a poesia

 ditirmbica , a maior parte da aultica e da citarstica , consideradas

 em geral , todas se enquadram nas artes de imitao .

 Contudo , h entre estes gneros trs diferenas : seus meios no so

 os mesmos , nem os objetos que imitam , nem a maneira de os imitar " ( c .

 1 , 1-3 ) .

 Arrolando gneros e nomes , sbito anotou o autor de Potica :

 " Carecemos de uma denominao comum para classificar em conjunto os

 mimos de Sfon e de Xenarco e os dilogos socrticos , as imitaes em

 trimetros , em versos elegacos ou noutras e espcies de metro

 vizinhas .

 A no ser estabelecendo uma relao entre tal gnero de composio e

 o metro empregado , no se denominam os autores ou elegacos ou picos ,

 dando - lhes este nome de poeta , no segundo o assunto tratado , mas

 indistintamente segundo o metro de que se servem ( Ibidem 1 , 8-10 ) .

 Ainda que Aristteles se preocupasse com a unidade dos gneros

 literrios e com os nomes gerais , no cunhou uma denominao

 inteiramente geral para a arte literria .

 30 .
 Um nome para o estudo sobre a lngua .
 Qual seria o nome mais

 adequado para para o estudo da lngua pela cincia positiva ?
 E qual o

 nome da disciplina filosfica ocupada com a mesma lingua ?

 Tem a cincia positiva da lngua um nome simples , que 

 lingustica.Perguntamos agora se  possvel achar um nome tambm para

 a filosofia da arte da lngua ?

 Referida por uma denominao composta , ela se denomina , - como vimos

 fazendo , - " filosofia da arte da lngua " .

 No se trata agora de um nome para a lingua como arte , mas de um nome

 para a disciplina que trata dela , e que esteja ao mesmo nvel de

 denominaes como lgica , ontologia , etc .

 31 .
 A lingustica. Diversas abrangncias deste nome .
 Como cincia

 positiva ,  base da experimentao , o estudo da linguagem possui nomes

 especficos .
 Alguns so abrangentes , outros so apenas partes do todo .

 Mais abrangente  lingustica .
 Menos abrangente so gramtica ,

 semntica , filologia , histria das lnguas , histria da literatura ( ou

 histria literria ) .

 No insistimos nas distines , porque s nos interessa separ-las

 globalmente frente  filosofia da lngua .

 A lingustica estuda , com mtodos de observao experimental , a

 lngua humana enquanto ela  uma expresso .
 Por conseguinte , enquanto

 ela , - a lngua , -  portadora de um significado , ao modo como , por

 outros meios , tambm so expresses a pintura , a escultura , a msica .

 Neste sentido , a lingustica estuda a linguagem como arte ( definida a

 arte como expresso ) .

 Uma cincia pode ser dividida materialmente do ponto de vista da

 dimenso , em geral e especial .

 Sobretudo a lingustica geral importa  filosofia da linguagem ,

 porque se ocupa da expresso por equivalentes convencionais no que

 apresenta de mais fundamental .
 Ento a lingustica trata das lnguas

 enquanto obedecem a situaes mais fundamentais , que dizem respeito 

 natureza mesma da expresso .

 J a lingustica especial examina casos especiais , como so os

 diferentes sistemas segundo os quais se criam as lnguas , sejam as

 espontneas , sejam as planejadas .

 Num outro contexto , critrios mais circunstanciais , dividem a

 lingustica ramos , com base em cincias distintas , em :

 - antropologia lingustica , que investiga o modelo humano de lingua ;

 - sociologia lingustica , que observa as interaes das lnguas ;

 - lingustica histrica ( a partir de Jakob Grimm ) que investiga a

 evoluo de diversas lnguas a partir de um mesmo tronco ;

 - lingustica comparada ( tambm filologia comparada ) , que mostra as

 afinidades de diferentes lnguas e busca a reconstruo de um esquema

 primitivo do qual teriam derivado .

 Quaisquer sejam as definies de lingustica e de suas divises , ela

 se enquadra sempre como uma cincia positiva .

 Tambm pode a lingustica estudar a projeo de novos idiomas e

 alfabetos , no sentido de melhorar a tcnicas da comunicao atravs da

 linguagem .

 O fim ltimo da lingustica no  apenas o estudo das linguas

 eventualmente surgidas no cenrio humano , como se estudasse mquinas

 velhas para conserv - las. Cabe-lhe tambm a experincia em

 laboratrio , com vistas  criao de sistemas novos , inventando

 lnguas .

 32 .
 Metalingustica ( vd 4933y000 ) .
 Poder-se-ia tomar simplesmente o

 nome de metalingustica como sendo o paralelo filosfico de

 lingustica ?
 Certamente que sim .

 No plano geral do estudo filosfico da arte  uso dizer-se " filosofia

 da arte " , de maneira composta , quer porque est certa a denominao ,

 quer porque por muito tempo no havia nome convincente para se

 denominar esta regio da filosofia .

 Pode Metalingustica significar tudo o que ultrapassa o plano

 meramente experimental da lingstica .

 Este plano filosfico j se manifesta na perspectiva meramente

 formal , pela qual a lgica introduz o assunto , dividindo ,

 classificando , definindo , erguendo a questo dos mtodos .

 Efetivamente , a definio de lingstica no  tema da mesma

 lingstica , e sim da lgica , a qual tambm trata dos mtodos .

 Se se ultrapassar o campo meramente formal da lgica , a

 metalingustica , pode ser interpretada paralelamente  metafsica

 entendida como alm da fsica .
 Ento metalingustica poder ser a

 prpria filosofia da lingua .

 Seria no apenas a lgica definindo a cincia da lingstica e a

 cincia da metalingustica ; seria tambm , e sobretudo , uma gnosiologia

 do significado da lngua , como a gnosiologia do conhecimento  uma

 metafsica do conhecimento .

 Num sentido vasto , a metalingustica se ocuparia de todas as questes

 filosficas da lngua , - da sua lgica , da sua gnosiologia , da sua

 tica , da sua poltica , do seu direito , etc .
 Seria , pois , uma coleo

 de cincias filosficas , unificadas em torno de uma mesmo objeto ,

 observando-o cada uma sob seu ponto de vista especfico .

 33 .
 Filologia ( no grego , amor  cincia , ou  palavra )  o estudo

 crtico dos principais textos documentais de uma lngua para sua reta

 interpretao .
 Considerando que as lnguas evoluem e tm mesmo

 alteraes em sua estrutura convencional , a etimologia  , na prtica ,

 um estudo do estado histrico dos significados de uma lngua .

  possvel , do ponto de vista dimensional , imaginar-se uma filologia

 geral , que trataria da linguagem como um todo oscilante , e uma

 filologia especial , que se ocuparia , como fez at agora , das

 diferentes lnguas .
 Neste ltimo caso , desenvolveram-se ramos , como

 filologia clssica ( grega , latina ) , filologia romntica ( francesa ,

 italiana , espanhola , portuguesa ) , filologia eslvica etc .

 Paralelamente  filologia , h ainda uma interpretao similar dos

 significados dos smbolos em geral , cuja conveno se funda em

 analogia , e que tambm oscila como os documentos das lnguas .

 A herldica , por exemplo , no  a mesma em diversas pocas e nem a

 mesma em diversos pases .

 H mesmo os smbolos , como por exemplo os grficos , que pouco se

 prendem  analogias ; sua interpretao importa em cdigos , os quais , 

 maneira da filologia , dependem de uma cincia que , embora no use ter

 um nome geral , mas s vezes nomes particulares , se ocupa em garantir

 para cada tempo e documento sua interpretao .

 34 .
 Semntica  o estudo do sentido dado aos significantes .
  parte

 da lingstica , que estuda o significado das palavras .
 O significado

 de uma palavra pode , por exemplo , multiplicar-se fixando-se no

 contexto , por deslocao , restrio , extenso .
 A denominao 

 recente , criada que foi em 1897 por Michel Bral ( autor de Essai de

 semantique ) , derivando-a do grego semantiks ( = significativo ) , por sua

 vez derivado de sema ( = significado , sinal ) .

 Antes e depois criaram-se nomes similares , com aceitao menor , como

 semiologia , semasiologia , sematologia , semitica ; segundo a inteno

 dos criadores , podem ter algumas diferenas de nuance .

 O estudo da significao sempre existiu , mas a semntica , ao se

 organizar a partir do sculo 19 , lhe emprestou uma sistemtica

 emprica e descriptivista , com tcnicas prprias , que finalmente lhe

 deram um amplo desenvolvimento .

 35 .
 A etimologia , como parte da lingustica , procura a origem dos

 atuais significados das palavras , remontando-as ao significado

 anterior e de onde derivam por transformao .

 H uma etimologia muito a nvel de uma dada lngua , e uma outro que

 transcende s lnguas dadas .

 Estuda , pois , a etimologia as relaes de origem das palavras de uma

 lngua , quer dentro da mesma lngua , quer para fora com palavras de

 outras lnguas a partir das quais se formaram , ou teoricamente se

 poderiam ter formado .

 Ideologicamente , os defensores da linguagem natural supem ter havido

 um significado originrio , ao qual a etimologia teria a funo de

 procurar .
 Foi pensando assim que anomalistas ( vd 54 ) os esticos ( vd

 62 ) deram desenvolvimento j na antiguidade  filologia e etimologia .

 36 .
 Histria da literatura  uma cincia positiva , tal como toda

 histria , tendo aqui como objeto a expresso literria .

 H uma histria da arte em geral , uma histria da arte da linguagem ,

 finalmente uma histria da literatura como linguagem escrita

 ( literatura de fico , literatura filosfica , etc ) .
 No contexto comum ,

 histria da literatura se diz principalmente do gnero fico em prosa

 e de todos os gneros em poesia .

 A histria  tambm cincia positiva quando se trata de histria da

 filosofia , histria da filosofia da arte , histria da filosofia da

 lngua , histria da filosofia da literatura .

 37 .
 Gramtica , do grego , gramma ( = letra ) , por sua vez de grpho ( =

 risco )  o estudo do sistema de uma lngua determinada .

 Exclui ordinariamente o lxico ( das palavras , que formam o

 dicionrio ) e a fonologia ( sistema de sons de uma lngua ) ; mas em

 sentido amplo , tudo poder ser includo .

 Pode-se dizer que a gramtica  o cdigo de convenes , que institui

 uma lngua ( excetuando o lxico e o sistema de sons ) .

 Trata a gramtica do sistema interno de uma lngua , no que se refere

  maneira de expressar os objetos conforme se apresentam nas operaes

 mentais ( conceitos , juzos , raciocnios ) , de tal maneira que as partes

 das operaes sejam compreendidas isoladamente , ao mesmo tempo que

 dentro do todo .
 Dinamicamente , as determinaes da gramtica se

 denominam regras da lngua ; ou ainda , suas normas , leis .

 Como acidentes de viagem , as lnguas nacionais tendem para as

 excees , que as gramticas anotam , e que tornam as respectivas

 lnguas mais difceis , que as planejadas com regras absolutas .

 A gramtica  uma cincia positiva , porque , pela via da constatao

 as normas viveis so estabelecidas .

 Aquele que estabelece as normas , qualquer seja a oportunidade que o

 faa , fica sendo o autor da gramtica .

 Nas lnguas espontneas o autor  o usurio .
 Neste caso o gramtico 

 o usurio .
 Todavia , entende-se tambm por gramtico aquele que fica

 observando as regras que regulam determinada lngua .

 O gramtico , atento aos acontecimentos de uma lngua , estabelece a

 estrutura geral que a comanda , criando por conseguinte a gramtica

 explcita .
 Ainda que a rigor nas lnguas nacionais , o autor da

 gramtica seja o conjunto dos falantes que a adota , este conjunto de

 falantes no tem conscincia explcita das regras s quais obedece .

 O gramtico profissional  apenas um expositor racional da vontade

 codificadora dos falantes .

 Importa no perder de vista o carter tecnolgico da lngua ,

 tratando-se como uma tcnica ( como um fluxo de elementos ) , e no

 teoricamente ( como a coisa  ) .
 Portanto , o gramtico v a lngua como

 um sistema que deve conduzir a um resultado ,  significao .

 Atentos ao uso de dividir dimensionalmente as cincias em parte geral

 e em parte especial , tambm a gramtica  divisvel em : gramtica

 geral e gramtica especial .

 Estuda a gramtica geral o sistema como tal adotado por uma lngua .

 Por exemplo , uma lngua pode ser aglutinante ( ou no aglutinante ) , com

 declinao ( ou sem declinao ) etc .
 Pode inclusive estudar

 criticamente o sistema adotado , concluindo pelas sua qualidades e

 mesmo necessidade de melhorias .

 Tambm a gramtica geral distinguir as lnguas pela forma de adoo

 do cdigo .
 Este se formar ou espontaneamente ( ou eventualmente ) , com

 o simples acontecer lingstico ( lngua natural , ou tnica ) ou pela

 conveno intencional ( ou conscientemente ) .
 Neste ltimo caso , o

 intencional se d em parte ( como na linguagem cientfica ) , ou no todo

 ( como em lnguas criadas artificialmente no todo ) .

 Finalmente , a gramtica especial ,  a que , parte por parte , examina

 as particularidades da lngua , uma aps outra .

 Mostrar , por exemplo , a gramtica especial , como se diferenciam

 operaes como substantivo , pronome , adjetivo , verbo ( geralmente por

 terminaes meramente morfolgicas ) ; como se comporta a raiz

 fundamental da palavra , ao mudar de significado ( geralmente por

 sufixos e prefixos ) ; como se expressam modos de ao ( pelos modos dos

 verbos e conjugao ) .

 Mais uma vez se notar a grande diferena entre lnguas planejadas e

 no planejadas , ou folclricas .
 Estas se mostram muito desordenadas ,

 enquanto as planejadas se destacam pela escolha das melhores regras

 para a expresso fcil e flexiva .

 38 .
 A crtica literria , entendida como julgamento , pressupe a norma

 de comparao e a obra a ser julgada segundo esta norma .
 Ento a norma

 poder vir de uma cincia positiva como a lingstica , como tambm de

 uma cincia filosfica , como a filosofia da linguagem .

 Num sentido mais amplo , a crtica literria examina ainda a produo

 literria em funo  sociedade ,  religio ,  didtica ,  biografia

 do autor , etc ...
 que so critrios externos  arte em si mesma .

  a crtica literria uma disciplina ecltica , em que cada setor

 pertence a uma cincia distinta .
 De cada distinta cincia procedem os

 parmetros ; cabe ao crtico o trabalho da aplicao aos casos

 particulares .

 39 .
 Ttulos dos ensaios sobre filosofia da lngua .
 No obstante ser

 metalingustica um bom nome ( vd 32 ) , foi eleito para o presente texto ,

 integrado no conjunto Megaesttica , o de Esttica literria , com

 vistas a manter o paralelismo com outras estticas , como das cores ,

 das formas e da musical .

 Eventualmente , acontece que o nome esttica no somente se diz do

 estudo dos efeitos psicolgicos estticos , mas , - desde o sculo 18 ,

 por iniciativa de Alexandre Baumgarten , - tambm do estudo da arte

 como um todo .

 Esttica literria pode ainda estar advertindo para uma das mais

 apreciadas propriedades da expresso falada , como de qualquer arte ,

 que  a de produzir sentimento esttico .

 De outra parte , dizer esttica literria , mencionando a linguagem

 escrita , lembra que a linguagem escrita  a mais cuidada pelos

 estudiosos da lngua .

 Ainda que na arte importe em primeiro lugar o principal - a

 expresso - , a tendncia final  usufru-la pelo seu lado esttico .

 Tambm o mel , apesar de ser em primeiro lugar um alimento ,  buscado

 por causa de sua doura ; assim a arte , embora essencialmente

 expresso ,  muito apreciada pelo prazer esttico que d .

 ART .
 2 - o .
 HISTORIA DA TEORIZAO LITERRIA .
 4515y42 .

 43 .
 A arte literria tem sido uma constante na histria do

 esprito humano .
 Ela principia no choro da criana , ao descobrir que

 por este meio consegue avisar , que  hora de mamar .

 Importa distinguir que h uma distino entre exercer a arte de

 falar , que logo se destacou , e sua teorizao , havendo esta evoludo

 mais devagar .
 Todavia tambm esta evoluiu mais depressa que as outras

 teorizaes da arte .

 44 .
 Primitiva literatura oral .
 O simples exerccio da linguagem , j

 antes da escrita , disps de uma literatura oral , que muito depois

 passou aos textos escritos .

 Com a inveno da escrita , desenvolveram-se ainda mais rapidamente os

 recursos literrios .
 Estes se tornaram altamente variados ,

 multiplicando-se os gneros de expresso , o que j aconteceu na

 antiguidade .

 A riqueza das antigas letras nos enche de admirao , o que mostra a

 elevada estima que os homens sempre deram  palavra .

 Desde Homero ( 8 - o sc. a .
 C. ) j se escrevia com admirvel grandeza .

 Com Demstenes ( 384-322 a.C. ) tambm se passou a falar ao pblico com

 o maior requinte .

 A escultura e a pintura evoluiro somente depois das letras .
 A

 msica s tardiamente , apenas nos tempos modernos , ser uma grande

 arte .
 Na escola , nem a escultura e a pintura , nem a msica , sero to

 vastamente promovidas do que o trato do ler e escrever .

 45 .
 Uma teorizao literria , ao mesmo tempo que o exerccio da

 literatura , teve tambm comeo no plano interno das lnguas existentes .

 Mas a lingustica propriamente dita , como cincia positiva , - ainda

 que houvesse existido j na antiguidade e subsistido atravs dos

 tempos , - passou a tomar forma definitiva s quando j iam adentrados

 os tempos modernos .

 O carter mesmo da lingua como instrumento convencional foi s

 estudado precariamente pelos antigos .
 Neste campo do precrio se

 situam os mitos sobre a sua origem e a diversidade das linguas .

 No obstante ao desenvolvimento moderno da lingustica , restam ainda

 muitos preconceitos a serem superados .
 Por vezes se confunde a

 lingustica com uma antropologia das lnguas .
 Em vez de se ter uma

 viso puramente lingustica sobre a lngua em geral , confunde-se-a com

 as condies eventuais do ser humano .

 Apenas recentemente , depois que superou seus prprios equvocos , a

 lingustica passou a ter interesse pelas lnguas planejadas , vindo

 estas a ter um desenvolvimento mais absoluto , como prova o Esperanto .

 I - A lingustica na antiguidade grega .
 4515y046 .

 47 .
 A filosofia da linguagem surgiu j com os pr-socrticos ,

 ainda que fragmentariamente , para adquirir um adiantamento relativo ao

 tempo do perodo socrtico .
 Eis a lingustica grega clssica .

 Logo foi seguida pela lingustica da antiguidade helnica , marcada

 pelos estudiosos de Alexandria ( vd 60 ) , Prgamo ( vd 54 ) e pelos

 esticos em geral ( vd 62 ) .

 Temos assim uma subdiviso a atender .

 a ) .
 Lingustica da antiguidade clssica .
 4515y48 .

 49 .
 As primeiras informaes sobre a filosofia grega dizem

 respeito aos estudos sobre a natureza , iniciada por Tales de Mileto ,

 que em 585 a.C. predissera um eclipse total do sol .

 Parmnides , pouco depois , se referiu  linguagem como sendo etiqueta

 das coisas ( vd 53 ) .

 Cresceu a importncia de Atenas depois das batalhas de Maratona ( 492

 a.C. ) e Salamina ( 482 a .
 C ) , quando a comunidade grega se firmou

 diante da anterior expanso persa , agora detida definitivamente .
 Desde

 a prosperidade ento instalada , verte-se a filosofia para os

 assuntos humanos , entre eles os estudos de gramtica e retrica .
 Foi

 tambm ento que a cultura grega , anteriormente difusamente

 distribuda desde a Jnia ( sia Menor ) at a Magna Grcia ( Sul da

 Itlia ) , fundando o novo perodo , se polarizou em Atenas , a principal

 beneficiada da guerra contra o geral inimigo .

 Ganharam importncia os servios , em que se incluam os da poltica .

 Em vista desta necessidade se desenvolveu o magistrio , quase sempre

 particular e ministrado pelos mestres , chamados sofistas .
 Com estes o

 magistrio passou a ser remunerado .
 E a filosofia se tornou crtica , e

 com tendncia ao probabilismo .

 Scrates ( 469-399 a .
 C. ) todavia se fez um contestador dos sofistas .

 Este pregava nas praas .
 Atendia tambm em sua casa , sendo isto um

 incmodo para Xantipa , a mais rabugenta de suas duas esposas .

 Exercendo Scrates a profisso de escultor e tendo envolvimentos

 polticos havendo sido at Senador , compreende - se que pudesse

 subsistir como pregador sem salrio .

 Nenhum livro sobrou do tempo dos primeiros filsofos e sofistas .

 Fragmentos todavia ficaram na obra de Plato , Aristteles e outros que

 os citaram e discutiram .

 50 .
 Plato ( 427-347 a .
 C. ) , nascido em Atenas , fundador da Academia

 ( cerca do ano 387 a .
 C. ) , escreveu um dilogo em que , entre outras

 questes , abordou a origem da lngua .
 Intitulando-o Crtilo ( vd 55 ) ,

 em homenagem a um dos interlocutores ,  um primeiro importante

 documento sobre a cincia da lngua e em particular de sua origem .

 Plato tambm se referiu  lingua em on , Fedro , Repblica , Leis .

 Aristteles ( 384-322 a .
 C. ) foi mais sistemtico que seu mestre

 Plato .
 Escreveu os tratados conhecidos como Retrica e Potica , alm

 de importantes referncias  linguagem nos livros do rganon e

 Metafsica .

 Aprofundou Aristteles o princpio de que " o semelhante  conhecido

 pelo assemelhado " ( Da alma I , 2 .
 405 b 15 ) , como teoria explicativa do

 conhecimento .
 Este principio se aplica  explicao da arte .
 Tratou

 tambm Aristteles do carter convencional da linguagem ( vd 57 ) .

 Aps este perodo clssico da filosofia grega sero mais profusos os

 trabalhos dos filsofos e gramticos , dentre os quais se destacaro no

 futuro prximo Dionsio da Trcia e Apolnio Dscolo ( gramticos

 gregos ) ( vd 62 ) , Donato e Prisciano ( gramticos latinos ) ( vd 70 ) .

 51 .
 As questes lingusticas dos antigos .
 Quais as primeiras

 perguntas importantes sobre a lngua e que a histria registra ?

 Certamente j havia antigas consideraes sobre a lngua , porque elas

 surgem obviamente , por causa da diversidade com que falam crianas e

 adultos , indivduos mais inteligentes e outros mais estpidos ,

 representantes do povo , variaes de textos mais antigos e mais

 recentes .

 Importa eleger os questionamentos mais significativos sobre a lngua

 em geral , e mostrar para cada questionamento significativo seu incio

 histrico e seu desdobramento atravs do tempo .

 Pela ordem a questo fundamental sobre a lngua  sua definio

 essencial :

 - ou a lngua  uma expresso , que intencionalmente remete a ateno

 para um objeto ( ou assunto ) ;

 - ou a lngua  apenas uma obra sem intencionalidade ( esta se ocorrer

 no lhe ser essencial ) .

 A pergunta essencial sobre a lngua se alarga sobre a arte em geral :

 ou ela  obra que exprime intencionalisticamente , ou  apenas obra sem

 intencionalidade por no lhe pertencer essencialmente .

 Em nenhum momento da histria antiga dos estudos da lngua e da arte

 em geral , como expresso intencionalstica , foi claramente posta .

 Sobretudo no foi amplamente desenvolvida .

 O problema , entretanto , esteve incubado , porque j era tratado em

 relao  expresso mental .
 Sobretudo Aristteles desenvolveu

 amplamente a natureza do pensamento como expresso .
 O pensamento no 

 apenas um ente em si , fechado sobre si mesmo .
  um ente essencialmente

 virado para o objeto , mediante uma relao intencionalstica .
 Este

 teoria no se aplicou logo  arte .

 Os antigos , at o incio dos tempos modernos , tendem a conceber a

 arte simplesmente como coisa .
 Esta coisa seria uma criao artificial

 realizada pelo homem ; sua criao tinha como paralelo a coisa natural .

 Por vezes se fazia at o paralelo ; arte , coisa bela criada pelo homem ;

 natureza , coisa bela criada por Deus .

 A idia da arte como expresso intencionalstica no conseguiu

 desenvolver-se nem mesmo em Kant ( 1724-1804 ) e Hegel ( 1870-1831 ) , os

 quais tambm a trataram como coisa bela artificial paralela  coisa

 bela da natureza .

 Obviamente a distino entre lngua como expresso e lngua como

 instrumento de comunicao tambm no teve desdobramento na

 antiguidade .
 Considerando , que deve haver expresso antes que a

 expresso passe a se exercer como instrumento de comunicao , o no

 tratamento adequado da natureza da expresso , bloqueava o tratamento

 restante .

 52 .
 A artificialidade da lngua , defendida pelo analogistas , contra

 os anomalistas , eis o acento das discusses antigas .
 Tratavam de

 determinar , se a lngua  produto de uma conveno humana ( e ento a

 lngua seria artificial ) , ou se ela existe de natureza ( e ento a

 lngua seria natural , ainda que por corruptela se diferenciasse entre

 os povos ) .

 Atenda-se aqui para a polissemia da proposio " lngua natural " , pois

 tambm se denomina a " lngua natural " o que , embora se considere

 convencional , surge espontaneamente , isto  , naturalmente , no curso da

 eventualidade das circunstncias .

 Efetivamente ,  natural ao homem a capacidade de inventar a lngua ,

 mas a lngua em si mesma no  natural .

 Portanto , no erguimento da pergunta sobre a convencionalidade ou

 naturalidade da lngua est o ponto de partida da histria da

 lingustica e da filosofia da lngua .

 53 .
 Analogistas .
 A convencionalidade da lngua j vem discutida no

 final do perodo pressocrtico da filosofia grega , por eleticos ,

 sofistas , atomistas , derivando o assunto finalmente para dentro dos

 dilogos de Plato , em que se mostra tambm o envolvimento de

 Scrates .

 Por ltimo , os analogistas ocorrem na escola de Alexandria ( vd 64 ) .

 J vem a convencionalidade da lngua sugerida no fragmento 19 ( H .

 Diels ) de Parmnides de Elea ( cerca do ano 500 a.C. ) .
 Nele se diz que

 as palavras so " etiquetas das coisas ilusrias " .

 Reflete-se ali a gnosiologia do grande metafsico de Elea ( cidade da

 Magna Grcia , Itlia ) , para o qual o ser  uno e imutvel , como o pode

 demonstrar a inteligncia ; em consequncia , temos de considerar

 ilusrias as variaes numricas e qualitativas apresentadas pelos

 sentidos e denominadas pelas palavras .
 No conhecemos outros detalhes

 do pensamento de Parmnides a respeito da lngua .

 Repetiu-se o pensamento unicista da metafsica eletica na escola

 socrtica menor de Mgara ( junto de Atenas ) .
 Ali esteve Plato antes

 da fundao de sua Academia ( 387 a.C. ) e sofreu a influncia da

 referida escola .
 Mencionados pelo fundador da Academia , os megricos

 so partidrios da teoria convencionalista da lngua , conforme texto

 de Plato :

 " Para Hermgenes e muitos outros ...
 os nomes procedem de convnios

 que representam as coisas para os que intervierem nestas convenes ,

 conhecendo-as com antecipao .
 A propriedade dos nomes nasce

 exclusivamente deste pacto .
 No existe nenhuma razo para fixar-se no

 sentido que tm no presente .
 Do mesmo modo poder-se-ia chamar grande o

 que se chama pequeno , como pequeno o que se chama grande " ( Crtilo

 433 ) .

 O atomista Demcrito ( c .
 460-400 a .
 C. ) oferece argumentos em nmero

 de quatro , em favor da convencionalidade da lngua :

 - coisas diversas so denominadas pelos mesmos nomes ( homonmia ) ;

 - diversidade de nomes para a mesma coisa ( sinonomia ) ;

 - possibilidade de mudana dos nomes ;

 - ausncia de analogias na mudana dos nomes ( Fragmento 26 , Diels ) .

 Na mesma poca os sofistas sustentaram uma posio ctica , tanto do

 pensamento em relao s coisas , como da lngua em relao ao

 pensamento .
 Esta posio favoreceu a doutrina da convencionalidade da

 lngua .
 Declarou Grgias ( c .
 487 - c .
 380 a .
 C. ) :

 " A lngua no exprime as coisas existentes , nem as coisas existentes

 manifestam a prpria natureza a uma delas " ( frag. 3 , 153 , Diels ) .

 Finalmente  o mesmo Plato ( 427 - 347 a .
 C. ) , autor do Cratilo , que

 assume a posio convencionalista da lngua , que  defendida pela boca

 de Scrates , principal dialogante , frente aos demais , Hermgenes

 ( convencionalista ) e Cratilo ( naturalista ) .

 A tradio analogista permanecer , como j foi dito , com os

 gramticos de Alexandria ( vd 63 ) .

 54 .
 Anomalistas .
 Teve alguma consistncia entre os gregos a teoria da

 linguagem como expresso natural ( no convencional ) .

 Seus defensores vieram depois a chamar-se anomalistas .

 Os anomalistas estiveram representados cedo sobretudo por Crtilo de

 Atenas ( vd n 55 ) , e depois pelos gramticos de Prgamo ( contra os de

 Alexandria ) e pelos esticos ( vd 65 ) , os quais por isso deram

 desenvolvimento  etimologia .

 A naturalidade da lngua defendida pelos anomalistas no se diz

 apenas no sentido de capacidade natural do homem criar uma lngua ;

 neste caso , o produto seria artificial .
 No  desta capacidade natural

 de criar a lngua , que falam os defensores da lngua como expresso

 natural .

 Trata-se da relao natural entre a lngua e os objetos expressos .
 A

 pintura e a escultura expressam naturalmente objetos , enquanto apelam

 a uma mimese natural entre as cores e as formas da expresso e as

 cores e as formas do objeto .
 Aconteceria a mesma relao natural entre

 a lngua e os objetos expressos .

 Os defensores da lngua natural estabelecem diferentes graus para

 esta naturalidade mimtica entre expresso e objeto expresso .
 Uns

 afirmam uma relao natural maior de semelhana ; outros uma relao

 menor , com diferenas acidentais , que explicariam a variao entre si

 das lnguas .

 A questo  intrigante , pois em ltima instncia , tambm a conveno

  uma espcie de mimese natural .

 Operando a lngua por equivalentes convencionados , estes equivalentes

 so em primeiro lugar uma mimese , ainda que convencional ; so mimese ,

 porque devero funcionar como se fossem idnticos aos objetos , e por

 serem assim considerados idnticos , os conseguem expressar ( vd 123 ) .

 Em segundo lugar , os equivalentes so coisas naturais , como sons ,

 cores , formas ; no caso da lngua se trata de sons ; em outras

 linguagens convencionais , so ainda tomados como equivalentes as

 cores , as formas .
 Tais coisas naturais so operadas pelo homem ,

 dando-lhes significados por conveno .
 A teoria da linguagem natural

 elimina a necessidade da conveno , porque por natureza as palavras

 possuiriam o poder de significar .

 Com referncia ainda  possibilidade de inserir o natural no conceito

 de lngua convencional , h a mencionar a teoria dos que consideram o

 cdigo da lngua de tal maneira difcil de ser criado , que , ainda que

 convencional , precisa de Deus para estabelec-lo e d-lo a conhecer .

 Neste plano se situam todas mitologias , as quais atribuem a Deus o

 ensino da lngua ao homem , bem como sua diversificao , como na

 curiosa narrativa da Torre de Babel ( Gnesis , 11 ) .

 Nesta mesma linha ingnua navegam os linguistas das " lnguas

 naturais " , que no admitem a viabilidade de um cdigo inteiramente

 artificial ( como no Esperanto ) ; para eles a lngua  possvel como

 produto da sociedade que a cria num jogo permanente de eventualidades .

 Outros , ainda , condicionam a lngua a um paralelismo bastante

 rigoroso com a expresso mental do pensamento .
 Acentuam o lado

 cultural da lngua .
 No sabem que , em ltima instncia , a lngua no

 expressa pensamentos , mas os objetos do pensamento ( vd 56 ) .

 Postas as diferentes variveis de uma teoria da lngua como expresso

 natural , podemos , com mais preciso de conceitos , determinar as

 posies histricas de sua evoluo .

 55 .
 Crtilo de Atenas ( sc. V. a .
 C. ) , j mencionado ( vd 48 ) , foi o

 primeiro a defender o carter natural da lngua .
 Ligado ao pensamento

 naturalista da Escola Jnica a que pertenceram Tales de Mileto e

 Herclito de feso , tendeu a procurar na mesma natureza a lngua , por

 vezes at ao ponto de explorar a semelhana das letras com o objeto ,

 com vistas a interpretar a capacidade de expresso da palavra , do

 mesmo modo como por simples imitao as cores e formas exprimem na

 pintura e escultura .

 Plato , que fora inicialmente discpulo de Crtilo , conhecia a nova

 teoria da lngua .
 Em torno dela montou o dilogo , a que deu o ttulo

 de Crtilo .
 Os interlocutores so o mesmo Crtilo ( da lngua natural )

 e Hermgenes ( da lngua convencional ) .

 Entre os dois  introduzido Scrates que nos dilogos de Plato

 representa as idias do mesmo Plato , que , no caso argumenta contra a

 teoria da linguagem natural .

 Hermgenes , no dilogo , se dirige ao outro lado , apresentando

 Scrates , quando tambm resume a teoria da lngua natural , de seu

 contendor :

 " Hermgenes .
  Scrates , eis aqui Crtilo , que pretende que cada

 coisa tenha um nome , pertencente por natureza  cada realidade ; que

 no  um nome aquele , de que se valem alguns , depois de o haverem

 posto , por acordo , para servir-se dele ; e que um nome com tais

 condies s consiste em uma certa articulao da voz ; que existe um

 sentido de denominao originria tanto para os gregos como para os

 brbaros " ( Crtilo 183 a .
 C. ) .

 Mais tarde os gramticos da escola de Prgamo ( sia Menor ) e os

 gramticos esticos defendero uma variante do naturalismo lingustico

 inaugurado por Crtilo de Atenas .

 56 .
 A discusso sobre o carter natural ou convencional da lngua , -

 to cedo ocorrida na histria da lingustica , - incidiu sobre uma das

 questes mais graves da lngua , ainda que no essencial como  a

 mesma expresso .

 Ainda que seja mais fundamental tratar da lngua como expresso , onde

 se encontra a sua essncia , ganha imediatamente aps importncia a

 pergunta , - se a expresso  natural , ou se  apenas convencional .

 A resposta plena , sobre a naturalidade ou convencionalidade da

 lngua , somente se pode dar , principiando pela expresso em si mesma .

 No  uma questo simples , porque importa numa teoria .
 Suponha-se a

 teoria , que a expresso se processa fundamentalmente por mimese .

 Consiste a mimese no fenmeno pelo qual o semelhante expressa o

 assemelhado .
 E ento ainda se verifica haver duas alternativas : a

 mimese  natural entre as qualidades ;  convencional em outros casos .

 No segundo caso , no da mimese por conveno , os equivalentes se

 estabelecem por obra do " faz de conta que ...
 " ( vd 121 ) .

 57 .
 As relaes convencionais entre a lngua e os objetos foram

 abordadas por Aristteles , ao mesmo tempo que tratou da lgica e da

 retrica .

 No opsculo Da interpretao ( segundo livro do rganon ) afirma

 expressamente o carter convencional da lngua :

 " Nenhum dos nomes  tal por natureza , mas somente quando se tornou

 conveno " ( Da interpretao , 2.16 a 18 ) .

 Ainda que a lngua no seja a traduo direta do pensamento , mas dos

 objetos , estes objetos todavia aparecem atravs da mente .

 Por isso , a lngua no expressa as coisas concretas tais quais so ,

 mas ao modo como so mentalizadas , sobretudo na forma de juzo .
 Esta

 sequncia , j notada por Aristteles ,  sua caracterstica .

 A relao entre a lngua e a expresso mental se exerce de

 preferncia segundo a proposio , que simplesmente afirma ou nega .
 Tal

  a linguagem apofntica , a nica de que trata a lgica .
 Neste caso , a

 proposio domina a lngua .

 Este carter assertivo no ocorre em certas oraes , frequentes na

 retrica e na poesia , em que concorrem elementos no lgicos , tal como

 se observa na exclamao .
 O apofantismo de Aristteles leva a crer na

 importncia fundamental da lgica da frase , porquanto sem ela fica sem

 viabilidade tudo o mais que se acrescente  linguagem .

 Alguns , - talvez porque exagerem a parte no apofntica da linguagem ,

 - condenaram a posio de Aristteles .
 Seja o exemplo do

 existencialista italiano Nicolau Abbagnano :

 " Isto estabelece , segundo Aristteles , o carter privilegiado da

 linguagem apofntica : que  aquilo em que tem lugar as determinaes

 de verdadeiro e falso , conforme a unio ou separao dos sinais

 reproduza ou no a unio ou separao das coisas .
 Aristteles no nega

 que existam composies no apofnticas , por exemplo , a orao ( Da

 interpretao , 4,17 a 2 ) .

 Mas privilegiando a composio apofntica , faz dela a verdadeira

 linguagem , aquela sobre a qual os outros modos de expresso mais ou

 menos se modelam e sob cujo ponto de vista devem ser julgados .

 Por isso , a potica e a retrica , que se ocupam da linguagem no

 apofntica , so tratados por Aristteles em conexo com a analtica .

 Ora a linguagem apofntica no possui mais nada de convencional : suas

 estruturas so naturais e necessrias , porque so as mesmas do ser ,

 por ela revelados .

 Este convencionalismo aparente ou coxo , que se pode combinar com a

 tese do carter apofntico da linguagem ,  a forma que o

 convencionalismo assume na Idade Mdia e na Idade Moderna .
 O

 nominalismo medieval retoma exatamente nesta forma a tese

 convencionalista " ( N. Abbagnano , Dicionrio de filosofia , no verbete

 Linguagem ) .

 58 .
 Gramtica antiga .
 Cuidaram os gregos mais da gramtica do que da

 lingustica .
 Trataram , pois , da lngua j realizada em um determinado

 sistema de expresso .

 A gramtica  sempre a gramtica de uma lngua , e no o estudo das

 condies totalmente gerais da lngua .

 A lingustica dos gregos se limitou a alguns aspectos , como por

 exemplo o do carter convencional ou natural das palavras .
 Defendendo

 embora o convencionalismo , no criaram contudo uma lngua artificial .

 No faziam ainda os gregos clara distino entre o que se apoiava em

 consideraes racionais da filosofia e o que em constataes empricas

 ao modo do mtodo das cincias positivas .

 Por isso os resultados por eles obtidos , interessam hoje , ora ao

 filsofo , ora ao linguista .

 Quando os dados simplesmente apontam para elementos concretos da

 linguagem , eles se situam na fase preliminar , chamada do objeto

 material ; este  idntico para todas as cincias , as quais apenas se

 vo distinguir no objeto formal , isto  , no ponto de vista abordado .

 59 .
 S aos poucos os gregos foram apontando para os diferentes

 fatos da lngua : o nome , o verbo , a conjugao , etc .

 Plato destacou na linguagem a sentena , como a unidade que compe o

 discurso .

 Na sentena apontou a distino entre o nome ( noma ) e o componente

 verbal ( rema ) .
 A partir dali se desenvolveu posteriormente a anlise

 sinttica e a classificao dos vocbulos .

 Aristteles acrescentou ao nome e ao verbo os sndesmoi , com o que

 indicava o que atualmente equivale ao artigo , conjuno , pronome .
 No

 grego , sndesmoisignifica conexes , ataduras .

 Advertiu tambm Aristteles para a especificidade do adjetivo ;

 chamou-o igualmente de verbo ( rema ) .
 No grego , alis , o adjetivo tem

 um comportamento sinttico similar ao verbo .

 Posteriormente os alexandrinos diro que o adjetivo  uma subclasse

 dos substantivos .

 Aristteles ainda se referiu  derivao ( ptsis ) , querendo

 referir-se s variaes dos casos , resultantes das declinaes , que no

 grego so numerosas .

 Denominou tambm de casos as variaes de tempo dos verbos .

 Os esticos melhor esclarecero os casos , no sentido como ainda hoje

 se entendem as declinaes das palavras .

 Depois de Aristteles crescem sobretudo os conhecimentos de

 gramtica , sem todavia perder de vista os de lingustica em geral .

 b ) .
 Lingustica dos helnicos .
 4515y060 .

 60 .
 A gramtica dos alexandrinos e esticos .
 Com referncia ao

 desenvolvimento da gramtica , ela se deu principalmente com os

 alexandrinos e esticos .

 Criado o imprio helnico por Alexandre Magno , estendendo-se da India

  Grcia , tornou-se Alexandria , por ele fundada em 332 a .
 C. , o

 principal centro cultural , a segunda Atenas , notabilizando-se pela sua

 grande biblioteca e escolas de saber .

 Vinha logo atrs a prpria Atenas , onde persistiam as escolas , com seu

 longo passado .
 E na sia Menor , Antioquia e Prgamo , onde passou

 tambm a florescer a literatura grega , havendo tido a gramtica campo

 prprio de desenvolvimento .

 61 .
 Dionsio o Trcio destacou-se em fins do 2 - o sculo a .
 C .

 Ocupou-se com o sistema morfolgico , ento indicado como regularidades

 analgicas .
 Sua gramtica descreveu duas unidades bsicas : a sentena

 ( lgos ) e o vocbulo ( lxis ) .

 Cuidou principalmente dos vocbulos , que so " partes do discurso "

 ( mros lgou ) , arrolando ao todo oito classes : artigo ( rthron ) , nome

 ( noma ) , verbo ( rhema ) , princpio ( metoch ) , pronome ( antonyma ) ,

 advrbio ( epirrhema ) e conjugao ( sndesmoi ) .

 Trs sculos mais tarde , Apolnio Dscolo completar a Dionsio com o

 desenvolvimento da sintaxe , mostrando na orao a binaridade nome e

 verbo , e ainda apontando as relaes de concordncia destas duas

 classes entre si e com as demais .

 Ainda que no alcanando uma gramtica plena , os trabalhos de Dionsio

 o Trcio e Apolnio Dscolo integram ainda hoje o sistema que se

 apresenta como sendo o da lngua .

 62 .
 Os esticos foram os que mais se ocuparam com os estudos da

 gramtica .
 Embora os escritos dos primeiros esticos sobre gramtica

 se tenham perdido , ficaram todavia alguns dos seus resultados

 conhecidos por informaes de terceiros .

 Em geral anomalistas , os esticos defenderam o carter natural da

 lngua .
 Apontando para suas irregularidades , contestavam aos

 analogistas .

 A gramtica dos esticos oferece quatro classes das palavras : nome ,

 verbo , conjuno , artigo .
 Nesta classificao os adjetivos so citados

 entre os nomes .

 Dividindo posteriormente entre nomes prprios e comuns , passaram os

 esticos a referir-se a cinco classes de palavras .

 Introduziram tambm a distino entre caso reto , - o nominativo , - e

 os casos oblquos , - acusativo , genitivo , dativo .

 O nominativo seria a forma primeira ; os demais , dele derivados .

 Classificaram os verbos em passivos e ativos , e assim tambm em

 transitivose neutros ( intransitivos ) .

 Distinguiram entre aspectos concluso e inconcluso do verbo .

 Deixaram os esticos de inserir nos casos ( como fizera Aristteles ) a

 distino do verbo em presente , passado e futuro .

 63 .
 Continuam os anomalistas ( vd 54 ) , em confronto aos analogistas

 ( vd 53 ) .
 A ocorrncia das excees na lngua foi um segundo importante

 questionamento especfico lingustico j tratado pelos antigos ,

 sobretudo a partir do 2 - o sculo a .
 C .
 A discusso sobre a forma da

 palavra em relao ao seu significado foi finalmente concentrar-se no

 fato de haver excees .

 Enquanto a maioria das palavras seguia um modelo ( paradigma , no

 grego ) , verifica-se uma grande frequncia das excees .

 Dali resultaram as denominaes das duas diretrizes j citadas sobre a

 origem da lngua : a dos anomalistas ( ou da lngua natural ) a que

 pertencem sobretudo os filsofos esticos e os gramticos da escola de

 Prgamo ; e a dos analogistas ( ou da lngua convencional ) , dos

 gramticos de Alexandria , sobretudo Dionsio da Trcia e Apolnio

 Dscolo .

 64 .
 Os anomalistas insistiam na frequncia das excees e na

 presena de diversos tipos de analogias dentro de uma mesma classe de

 palavras .
 Estabeleceram que a lngua no podia depender da conveno

 do homem ; se assim fosse deveria ser mais regular , porque a lgica

 prevaleceria sobre a irregularidade .
 Resulta que a lngua nasce da

 natureza , revelada no uso .

 A resistncia  criao de lnguas planejadas , que acontece ainda em

 tempos modernos , apresenta-se como um resduo recessivo do anomalismo

 estico .

 Admitiam os esticos uma relao entre o significado da palavra e seu

 portador material , de cuja forma natural este significado derivava .

 Ainda que o uso corrompesse a palavra natural , ela permanecia , podendo

 ser procurada .

 Em consequncia estimularam os esticos a cincia da etimologia para

 estudo dos timos ( tymos = verdadeiro , real , timo ) .
 Haveria , pois ,

 uma aproximao entre a linguagem e as artes que expressam por mimese

 natural .
 Este conceito de lngua natural persistiu atravs dos tempos

 e se apoiava inclusive em vagas afirmaes dogmticas das religies ,

 cujos mitos davam a Deus o mrito de haver criado as lnguas .

 Por quase dois sculos floresceu a cidade de Prgamo , capital de um

 reino helnico , na sia Menor ( 280-133 a .
 C. ) , cujos gramticos eram

 analogistas , ou seja , defensores do carter natural da lngua com

 base , entre outros motivos , na frequncia das excees .

 65 .
 Continuam tambm os analogistas ( vd 61 ) .
 Desde o 3 - o sculo os

 analogistas de Alexandria cultivaram a gramtica , desenvolvendo

 amplamente o estudo das diferenas , inclusive as entre o grego

 contemporneo e o clssico ( de Homero ) , com glossrios para facilitar

 a leitura deste .

 Apesar de haver dominado a corrente convencionalista ( ou analogista )

 da linguagem , continuou a persistir fortemente a imagem da lngua

 natural .

 No haveria to cedo uma tentativa de lngua criada por conveno

 expressa .

 Continuou a lingustica de dois milnios limitada ao estudo meramente

 antropolgico de lnguas preexistentes , seja nos seus aspectos

 sincrnicos , seja nos diacrnicos ou histricos , como se a lingustica

 consistisse apenas em um compreender e conservar mquinas velhas , sem

 inventar novas e mais adequadas aos interesses da sociedade .

 J era 1887 quando apareceu um primeiro projeto vlido , o Esperanto

 ( vd 85 ) .

 II - Lingustica dos Latinos romanos .
 4515y66

 66 .
 Transferiu-se para os latinos a controvrsia lingustica de

 anomalistas e analogistas ( vd 64 ) .

 Ainda que sem lhe dar novos desenvolvimentos apreciveis , os romanos

 mantiveram pelo menos o interesse pela questo , que por isso se

 consolidou como tema de discusso secular .

 Foi na gramtica que os romanos melhor se desenvolveram .
 Trataram

 especialmente da palavra ( dictio ) e do discurso ( oratio ) .

 Com os romanos o acontecimento lingustico mais importante foi a

 aplicao das estruturas j conhecidas a nvel da lngua grega , em uma

 nova lngua , o Latim .

 Foram aproveitados nesta assimilao sobretudo os trabalhos de

 Dionsio o Trcio ( vd 62 ) e de Apolnio Dscolo .

 Com referncia  distino entre lngua escrita e falada , - onde os

 gregos se haviam ocupado com os textos clssicos em vez da lngua

 popular , - agora tambm os gramticos romanos trataram do Latim

 erudito , como o de Verglio e de Ccero , e no do Latim vulgar

 efetivamente praticado pela massa .

 67 .
 So autores latinos a nvel de esttica e filosofia da arte :

 - Ccero ( 106-43 a .
 C. ) com De Oratore ;

 - Horcio ( 65-8 a .
 C. ) , com a Arte potica , ou Epstola aos Pises ;

 - Quintiliano ( 42-117 ) , com Instituies retricas .

 .
 Mais a nvel de gramticos :

 - Marco Terncio Varro ( 116-27 a .
 C. ) , importante magistrado em Roma ,

 autor de De lngua latina ( de 25 livros , de que restam 6 , e alguns

 fragmentos ) ( vd 70 ) ;

 - Donato , ( do 4 - o sculo ) , tambm autor de uma gramtica ( vd 70 ) ;

 - Prisciano de Cesarea ( Mauritnia , com escola em Constantinopla , em

 525 ) , autor de Instituies de arte gramtica ( Instituies da arte

 gramatical ) , em 18 livros , no gnero a maior obra conservada da

 antiguidade .

 Varro , dedicando-se  etimologia , sintaxe e morfologia , destacou-se

 nesta ltima .
 Distinguiu entre derivaes e flexes da palavra .
 A

 derivao  uma " variao facultativa " ( declinatio voluntaria ) .

 Diferentemente , a flexo  uma variao natural ( declinatio

 naturalis ) , portanto obrigatria , alm de regular nos procedimentos

 flexionais .
 Advertiu para um sexto caso , o ablativo , ligeiramente

 distinto do dativo .
 No verbo distinguiu entre processo concludo

 ( perfectum ) e processo inconcluso ( infectum ) .

 Donato e Prisciano ,  semelhana dos gregos , distinguem 8 partes do

 discurso .
 No se ocupam do artigo , existente no grego , mas no no

 Latim .
 De outra parte elevam a uma destas 8 partes a interjeio , que

 os gregos haviam posto como subclasse dos advrbios .

 Prisciano denominou as partes , de acordo com Dionsio , e as definiu na

 forma de Apolnio Dscolo , nesta sequncia : nomen , vebum ,

 participium , adverbium , praepositio , conjunctio e ( s nos gramticos

 latinos ) interjectio .

 III - Lingustica dos latinos medievais .
 4515y068 .

 68 .
 Latim e linguas nacionais na Idade Mdia .
 Deixou o grego de

 ser falado no Ocidente europeu , onde na antiguidade romana fora

 praticado ao mesmo tempo que o Latim .

 Depois da queda do imprio romano do Ocidente ( 476 ) , as novas naes

 passaram a usar o Latim juntamente com suas lnguas nacionais .
 Com a

 penetrao dos germnicos alterou-se a estrutura demogrfica e

 poltica , o que tudo influenciou a formao de novas lnguas , ao mesmo

 tempo que o latim manteve sua posio de instrumento diplomtico e

 cultural .

 Na Itlia do Norte se haviam estabelecido ostrogodos e lombardos ; na

 Bretanha , os anglossaxes ; na Frana , os francos ; em Portugal , os

 suevos ; na Espanha , os visigodos .
 Na Europa central continuaram os

 germnicos .
 Sobreveio ainda a presena rabe na pennsula Ibrica na

 frica latina .
 A lngua italiana foi a que se conservou mais prxima

 do velho Latim .

 Com o esquecimento do grego , em que antes eram lidas no Ocidente

 latino romano as obras dos grandes sbios , e foi preciso agora fazer a

 traduo para o Latim das grandes obras antigas .
 Curiosamente o Latim

 medieva passou a ser culturalmente mais significativo , quanto houvera

 sido ao tempo do Imprio Romano , quando fora seu tempo prprio .

 No decurso da Idade Mdia o foi , portanto , no Ocidente , o Latim a

 lngua da erudio , principalmente teolgica e filosfica , alm de

 lngua do ensino primrio e da diplomacia , restando as lnguas

 nacionais para o uso popular .

 Prosseguiu tambm na Idade Mdia o estudo da gramtica latina

 prosseguiu , e teve por modelo Donato e Prisciano .
 Pelo lado da

 filosofia da linguagem , foram sobretudo os lgicos que lhe

 acrescentaram inovaes .

 69 .
 Os modos de significar .
 A questo dos universais .
 Ocupados com

 os modos de significar dos termos , quer orais , quer mentais , os

 gramticos medievais so chamados com frequncia de modistas .
 Muitos

 so os ensaios intitulados Sobre os modos de significar ( De modis

 significandi ) .

 Distinguia-se um modo de ser ( modus essendi ) , relativo s coisas em si

 mesmas , um modo de entender ( modus intelligendi ) , relativo aos

 conceitos , um modo de significar ( modus significandi ) , relativo ao

 termo oral .

 Finalmente , estes modos de significar foram estudados segundo os

 modelos dos velhos latinos Prisciano e Donato : substantivos , verbos ,

 pronomes , etc , com as respectivas morfologias .

 Com raras excees tambm na Idade Mdia , h aqueles que ultrapassaram

 o campo meramente morfolgico dos modistas .
 Entre outros , destaca-se

 Toms de Erfurt ( sculo 13 ) , que colocou em primeiro plano na

 gramtica a sintaxe .
 Nome e verbo so fundamentais na orao , cujos

 termos so sujeito ( suppositum ) e predicado ( appositum ) .

 Os modistas definiram o substantivo e o adjetivo , apontando para a

 independncia sinttica do primeiro , dependncia sinttica do segundo .

 A questo dos universais .
 Destacou-se na Idade Mdia o estudo dos

 termos , com o seu paralelo lgico e gnosiolgico da questo dos

 conceitos universais .
 Sobretudo a estes ltimos , - os univeersais , -

 preocupavam os filsofos .

 Para Anselmo ( 1033-1109 ) , Toms de Aquino ( 1225-1274 ) e ainda Duns

 Scoto ( 1266-1308 ) , - que so as grandes figuras da filosofia medieval ,

 - os conceitos universais tm fundamento na coisa .
 Cada coisa , alm de

 seu elemento individual , teria algo em comum com as demais coisas ;

 este algo em comum , tomado em abstrato , seria o contedo do conceito

 universal .

 Evidentemente , a doutrina dos universais , quando com fundamento na

 coisa , depende de um pressuposto metafsico , a da unidade do ente ,

 como estabelece a ontologia de Parmnides , Plato , Aristteles .

 Para outros , como Roscelino ( 1050-1120 ) e Guilherme de Ockam ( 1280 -

 c .1349 ) , os conceitos universais so apenas uma eflorescncia mental ,

 sem ter seu correspondente real nas coisas .

 A doutrina de Ockam se chamou terminismo em virtude da seguinte

 comparao : assim como os termos orais ( ou palavra ) substituem os

 conceitos universais , estes so os termos mentais das coisas

 singulares .
 H uma diferena : a linguagem se constitui de sinais

 convencionais , o pensamento de sinais naturais ( os conceitos

 universais , termos da mente ) ( Ockam , Lgica I , 14 ) .

 IV - A linguistica dos modernos .
 4515y70 .

 70 .
 A arte da lngua no Renascimento .
 No incio dos tempos

 modernos se renovaram as artes clssicas , com um novo esprito , mais

 liberal e esttico .
 Passou-se a estudar melhor o latim e o grego , o

 hebraico e as lnguas das novas naes , como o italiano , francs ,

 alemo , ingls , espanhol , portugus .
 Renovam-se as idias entre

 gramticos e filsofos .

 O italiano Dante Alighieri ( 1265-1321 ) , ainda um homem da Idade Mdia ,

 com sua Divina Comdia ( 1321 ) e seu ensaio De vulgari eloquentia

 ( Sobre a lngua do povo ) ( 1308 ) ,  o fundador da investigao sobre as

 lnguas romnicas .
 Revelam - se as novas lnguas to eficazes , quanto

 as clssicas , para o gnero pico , para a filosofia e a cincia .

 A primeira gramtica de lngua portuguesa foi publicada por Ferno

 Oliveira em 1536 ( Gramtica da linguagem portuguesa ) , logo seguida

 pela de Joo de Barros , ambas com base nas gramticas greco-latinas .

 Destacaram-se como gramticas latinas , apesar de no conterem muitas

 coisas novas , a de Jlio Csare Scalgerus , italiano ( 1484-1558 ) , e a

 de seu filho francs Giusepe Giusto Scalgerus ( 1540-1609 ) , ambos

 filsofos .

 Outros gramticos das novas lnguas : Lodovico Castelvetro ( autor de

 Potica d'Aristotele vulgarizzata e esposta , 1570 ) ; Francisco Snchez

 ( 1550-1623 ) ; Francesco Patrizi ( 1529-1597 ) , todos reconceituadores da

 teoria geral da poesia .

 Segue-se , no muito depois , Nicols Boileau ( 1636-1711 ) , terico do

 classicismo francs , alm de poeta e crtico .

 D-se mais destaque , dentre os citados , aos gramticos Jlio Csare

 Scalgerus , autor de Sobre questo da lngua latina ( De causis lngua

 latina e , 1540 ) , e Francisco Snchez , autor de Minerva ou comentrios

 sobre questes de lngua latina ( Minerva seu de causis linguae latinae

 commentarii , 1587 ) .

 71 .
 Gramtica geral e lngua universal .
 Com o racionalismo , de que os

 principais representantes foram o filsofo francs Ren Descartes

 ( 1596-1650 ) e o alemo Gotfried Willhelm Leibniz ( 1646-1716 ) ,

 desenvolveu-se o clima para as idias de uma gramtica geral e de uma

 lngua universal .

 Descartes chegou mesmo a opinar em favor da criao desta lngua

 universal , em carta de 20 de novembro de 1629 , a Mersenne .
 O mesmo

 diro J. A. Komenius ( 1592-1670 ) e Leibniz , sem que ento ainda algum

 tomasse a si a difcil tarefa ( vd 90 ) de a criar .

 Os intelectuais ligados ao convento de Port-Royal ( Paris ) fundado em

 1625 , davam a este tempo amplo desenvolvimento ao jansenismo e

 cartesianismo , bem como lideraram um movimento cultural significativo .

 Resultaram dali famosos tratados didticos , em lngua francesa :

 - Grammaire gnrale et raison ( Gramtica geral e racional ) ,

 conhecida por Gramtica de Port-Royal ( 1660 ) , da autoria de Antoine

 Arnauld ( 1612-1694 ) e de Lancelot ;

 - Logique ou arte de penser ( Lgica ou a arte de pensar ) , conhecida

 por Lgica de Port-Royal ( 1662 ) , da autoria tambm de Antoine Arnauld ,

 desta vez de parceria com Pierre Nicole ( 1625-1695 ) .

 A gramtica especulativa mencionada concebeu a linguagem como uma

 estrutura resultante do raciocnio .

 Em consequncia h um sistema racional lgico mais geral , de que as

 muitas lnguas so apenas variantes .
 Aquele raciocnio , na concepo

 racionalista , depende de noes universais inatas ( doutrina

 cartesiana ) .

 Ora , se a lngua obedece  estruturas do pensamento , ela finalmente

 tambm possuir uma estrutura geral e por conseguinte uma gramtica

 geral bem definida .

 72 .
 Na teoria que faz a lngua obedecer  estrutura geral do

 pensamento , ao qual traduz em expresso oral , lngua mais perfeita

 seria a que melhor obedecesse  referida estrutura geral do

 pensamento .
 Em consequncia , a lngua perfeita se condiciona 

 estrutura que uma determinada filosofia desse ao pensamento .

 Ora , os cartesianos crem num pensamento universal , eterno , imutvel ,

 inato .
 Puseram-se , ento , a procurar esta lngua universal .
 Com isso

 entendiam em primeiro lugar encontrar a lngua perfeita .
 Esta seria

 universal , tal como universal  o pensamento .
 Assim como h um s

 pensamento verdadeiro , uma s seria a lngua verdadeira .

 Dali concluram alguns cartesianos para a necessidade de um magistrio

 primitivo pelo qual Deus teria comunicado aos homens a palavra

 juntamente com o pensamento .
 A tradio que nos transmite esta

 linguagem seria consequentemente a depositria da verdade .

 73 .
 De novo origem divina da lngua .
 O jesuta e filsofo escolstico

 italiano Matteus Liberatore ( 1810-1892 ) fez a distino entre o fato e

 a possibilidade absoluta e abstrata .
 O homem , dotado da faculdade da

 fala , com que Deus o dotou , poderia por si formar a linguagem .
 Na

 realidade e de fato assim no sucedeu , e foi de Deus que ele recebeu a

 linguagem j formada ( Liberatore , Institutiones philosophicae , Lgica ,

 P.I. ) .

  certo que o pensamento se faz acompanhar sempre da imagem sensvel .

 Enquanto pensa , tem o ser sensvel concreto como seu objeto prprio ;

 mas isto ainda no  o mesmo que fazer acompanhar-se de palavras .

 Quanto  Bblia , no obsta  verdade religiosa , haver nela erros

 cientficos , mesmo histricos .
 As sugestes que nela se encontram

 sobre a origem divina da lngua e sobre sua posterior diversificao

 pertencem a estes erros cientficos e histricos .
 Tambm outras

 mitologias se referem  origem divina da lngua .
 Tais doutrinas esto

 alinhadas com a antiga teoria dos anomalistas ( vd 54 ) .

 Citamos ainda Balmes ( 1810-1848 ) , espiritualista espanhol , aqui sob a

 influncia do tradicionalismo francs e de uma teologia discutvel :

 " A linguagem no podia ser inveno humana .
 Se para o desenvolvimento

 intelectual e moral  necessria a palavra , os homens sem linguagem

 no podero conceber e executar um dos inventos mais admirveis ; neste

 sentido disse com verdade e perspiccia um autor insuspeito aos

 incrdulos , Rosseau , " parece-me que seria necessria a palavra para

 inventar a palavra " .

 Esto concordes todos os filsofos em que a linguagem  um meio de

 comunicao to assombroso que sua inveno honraria ao gnio mais

 eminente ; e querem que seja devida a homens que pouco se ergueriam do

 nvel dos brutos ?
 Que pensaramos de quem dissesse que a aplicao da

 lgebra  geometria , o clculo infinitesimal , o sistema de Coprnico e

 o da atrao universal , as mquinas de vapor e outras coisas

 semelhantes so devidas a selvagens que nem sequer sabiam falar ?

 Pois no  menos contrrio  razo e ao bom senso o erro dos que

 atribuem ao homem a inveno da linguagem .
 Da doutrina exposta se

 segue um corolrio muito importante , para esclarecer a histria do

 gnero humano e confirma a verdade de nossa santa religio .
 Suposto

 que o homem no podia inventar a linguagem , havia de aprend-la de

 outro , e como no  possvel continuar at ao infinito ,  preciso

 chegar a um homem que recebeu de um ser superior .
 Isto confirma o que

 no princpio do Gnesis ensina Moiss sobre a comunicao que tiveram

 nossos primeiros pais com Deus , de quem receberam o esprito e a

 palavra " ( Balmes , Curso de Filosofia Elementar , Metaf. c 17  229 ) .

 O que mais se deve admirar  como um espanhol , considerado um dos mais

 ilustres clrigos de ento , pudesse argumentar com tanto primarismo !

 Os linguistas conservadores , contrrios ao desenvolvimento tecnolgico

 da lngua atravs de idiomas planejados , - como por exemplo , o

 Esperanto , - muito tm de comum com os defensores da tese ingnua da

 origem divina da lngua humana .
 Eles consideram a lngua um fenmeno

 humano-natural , incapaz de ser atingido por uma iniciativa do tcnico

 de comunicao .

 Finalmente , criado o Esperanto , despertou este tambm uma tal

 admirao , que no faltaram os que o interpretassem como uma revelao

 dos espritos a Ludovico Lzaro Zamenof !

 74 .
 Modernamente progrediram rapidamente as cincias positivas da

 linguagem , sobretudo sob a perspectiva histrica , antes em falta .
 Este

 tom histrico chega a dominar todo o curso do sculo 19 .

 Continuando a progresso , passam os tericos a distinguir o sincrnico

 e o diacrnico ( ou histrico ) , desembocando na lingustica

 propriamente dita .
 Ao mesmo tempo se desenvolvem as especulaes

 filosficas sobre a lngua .

 75 .
 A gramtica comparada teve amplo desenvolvimento a partir do

 sculo 17 .
 Todavia estes estudos histricos comparados se orientavam

 pela vaga ideolgica da unidade universal das lnguas , fosse por

 razes bblicas , fosse pela crena , - no de todo sem fundamento , - de

 uma gramtica universal , ou mesmo do pensamento estico da existncia

 de timos naturais .

 Buscou-se encontrar classes de lnguas , ou famlias de lnguas , que no

 decurso das derivaes seculares , teriam vindo de unidades anteriores ,

 e estas de novo de unidades mais remotas .

 Com isto se dilatou o estudo das lnguas principalmente ao Snscrito

 ( vd 74 ) , que se revelou a mais antiga lngua documentada do grupo

 indo-europeu .

 Para a fundao da gramtica comparativa e o reconhecimento do grupo

 indo-europeu de lnguas se apontam fatos significativos alcanados

 pelos linguistas .

 A ingenuidade persistiu tambm em alguns setores .
 Esta ingenuidade

 chegou a ter ares eruditos no francs Etienne Guichard , que publicava

 em 1606 uma Harmonia etimolgica das lnguas ( L'Harmonie etymologique

 des langues ) , em que dava como derivadas do hebraico todas as lnguas ,

 depois de estudado o caldaico , siraco , grego , latim , francs ,

 italiano , espanhol , alemo , flamengo , ingls .

 76 .
 No sculo 18 Leibniz e Catarina a Grande da Rssia

 prosseguiram mais detalhamente o trabalho de comparao das lnguas ,

 visando mostrar uma unidade geral .
 Catarina a Grande patrocinou a

 publicao ( 1787-1789 ) , de um trabalho do naturalista alemo Peter

 Simon Pallas ( 1741-1811 ) , intitulado Vocabulrios comparativos das

 lnguas do mundo inteiro ( Linguarum totius orbis vocabularia

 comparativa ) .
 A listagem compara os termos de 51 lnguas e dialetos

 europeus , com 200 idiomas asiticos .

 Pouco antes Lorenzo Hervas e o jesuta espanhol Panduro publicabam de

 1778 a 1787 um enciclopdia de 20 tomos - Idea dell'universo - em que

 o 17 - o trata das " afinidades e diversidades " entre as lnguas ,

 comparando 300 lnguas , europias , asiticas , amerndias .
 Declara-se

 que as afinidades so gramaticais e no lexicais , o que antecipa

 conceitos bsicos , sobre o quais se desenvolveu depois a lingustica .

 De 1806 a 1817 so publicadas em Berlim as Mithridades de Johan C .

 Adelung ( 1732-1806 ) , com mais de 500 lnguas comparadas .

 77 .
 O Snscrito , ao ser conhecido no Ocidente , foi o ponto de partida

 dos grandes resultados da gramtica comparada .

 Ofereceu ainda o Snscrito a vantagem de possuir uma tradio prpria

 e muito antiga de estudos gramaticais , entrando assim de corpo inteiro

 na tradio ocidental .

 Alis , Snscrito quer dizer pura , polida , em oposio Prcrito ( =

 vulgar , comum ) , nome com que se denominam os dialetos ou lnguas em

 que derivou ao longo dos tempos .

 Panini , nascido cerca do ano 500 a .
 C. ,  autor da gramtica mais

 antiga conservada do Snscrito , e que remonta ao menos ao ano 400 a .

 C .
 Intitulada Doutrina das Palavras ( Sabdanusasana ou Astadhyayi ) , a

 gramtica , de oito volumes com quatro mil aforismos ( Sutra ) , menciona

 os mestres que o antecederam e que representam uma tradio de pelo

 menos 1000 anos a .
 C .

 Calcula-se que pelos anos 1500 a.C. os arianos haviam entrado na

 India .
 Reordenando e sintetizando sob nova forma doutrinas esparsas

 dos mestres brmanes , alguns depois totalmente perdidos , Panini

 formulou as regras gerais do Snscrito .

 Tambm na ndia se levantara cedo a controvrsia entre

 convencionalistas e naturalistas , paralela  ocidental entre

 analogistas e anomalistas .

 Deu-se tambm na ndia mais importncia  lngua escrita ; os textos

 sagrados induziram naturalmente a isto ; estabelecendo glossrios a fim

 de garantir a interpretao dos textos clssicos .

 Distinguiram-se as classes de palavras : distino entre substantivo e

 verbo , preposies e particpios .
 Trataram os hindus , melhor que os

 gregos , a fontica , havendo introduzido as noes de raiz , afixo ,

 flexo , desinncia .

 78 .
 Apesar de haverem os gramticos hindus precedido aos gregos

 nos estudos da lngua , mantiveram tradio cientfica autnoma , sem

 influncia para fora do seu meio .
 Foram finalmente , pouco antes de

 1800 , descobertos pelos linguistas do Ocidente , os quais finalmente

 estabeleceram uma nova e maior sntese geral , explicativa de todo o

 contexto das lnguas hindeuropias .

 Descoberto o Snscrito pelos linguistas ocidentais como lngua

 internamente desenvolvida e estudada , puderam estes linguistas

 ocidentais estabelecer rapidamente uma gramtica comparada , com vistas

 a uma teoria geral sobre o grupo culturalmente mais importante de

 idiomas , o indo-europeu .

 O orientalista britnico William Jones , em 1786 , em discurso na

 Sociedade Asitica de Calcut ( India ) mostrava as semelhanas de forma

 das lnguas clssicas : grego , latim , snscrito .

 Seguindo o mtodo histrico-comparativo , passaram os linguistas a

 reconstruir as razes indo-europias , sendo este o primeiro grande

 resultado da gramtica ou filologia comparada , em que trabalharam ,

 entre outros , os alemes Frederico von Schlegel ( 1772-1829 ) , Franz

 Bopp ( 1791-1867 ) , Jakob Grimm ( 1785-1863 ) .
 Neste trabalho serviu a

 noo de raiz , que os gramticos do Snscrito j tinham desenvolvido .

 79 .
 Fundao da lingustica .
 O alemo Franz Bopp ( 1791-1867 ) , autor

 de umaGramtica comparada das lnguas indo-europias ( 1833-1852 ) , 

 considerado , por alguns como o fundador da lingustica , em virtude dos

 mtodos comparativos por ele usados para a soluo dos problemas da

 linguagem .

 Outros deslocam a fundao para o tempo mais recente do franco Suo

 Ferdinand Saussure ( vd 80 ) .

 Elevava-se a qualidade dos estudos lingusticos na Alemanha por

 influncia do romantismo , que levou os filsofos ao exame das lnguas

 germnicas antigas ao mesmo nvel dos estudos clssicos .

 80 .
 O estruturalismo , centrado nas condies internas da lngua ,  o

 novo desenvolvimento ganho na rea da lingustica no decurso do sculo

 20 , por ao primeiramente de Ferdinand Saussure ( 1857-1913 ) e logo

 ainda dos norte - americanos Leonard Bloomfield ( 1887-1949 ) e Edward

 Sapir ( 1884-1939 ) .

 Os cursos de Saussure em Genebra ( 1906-1911 ) difundiram-se pela

 Europa .
 Teve especial repercusso a publicao pstuma do seu Curso de

 lingustica geral ( Cours de lingustique genrale , 1916 ) .

 Os pontos de vista de Saussure destacam mais a estrutura da linguagem

 do que seus elementos isolados .
 Por isso se deu posteriormente ao

 sistema a denominao de estruturalismo .

 O impacto foi tal , que o estruturalismo de Saussure veio a ser

 considerado o comeo propriamente dito da lingustica , como ramo de

 cincia .
 Mas no resta dvida que a data de 1816 , referente aos

 primeiros trabalhos de Franz Bopp j fora um comeo significativo

 Distinguiu Saussure entre sincronia e diacronia .
 A lngua tem estado

 presente ( sincronia ) , com relao entre as unidades coexistentes em um

 momento dado .
 Ocupa-se a gramtica de um estado da lngua , portanto da

 sincronia .
 Considerando que uma lngua pode mudar com alterao das

 circunstncias em que  utilizada , importa descrever o estado que em

 um momento dado vigora .

 Diferentemente , a diacronia se ocupa com as relaes dos estados de

 lngua atravs do tempo , ao longo do qual as variadas situaes se

 refletem sobre a lngua , independentemente dos usurios .

 Tratou , Saussure tambm das relaes sintagmticas e associativas

 ( paradigmticas se dir depois ) .

 81 .
 Lingustica Norte-americana .
 Leonard Bloomfield ( 1887-1949 ) ,

 paralelamente a Saussure , desenvolveu nos Estados Unidos um

 estruturalismo , em que se destacou o lado mecnico da lngua , como no

 behaviorismo .

 Desenvolveu , pois , a lingustica  base dos dos reflexos condicionados

 e no como uma anlise de significados e participao da mente .

 Deixou , pois , de lado o aspecto mentalista , at ento em vigor .

 Certamente h uma grande participao do comportamento no desempenho

 da lngua , e por isso os estudos dos comportamentistas so de real

 valor , ainda que se possa advertir que eles no explicam tudo no

 processo da lngua .

 Publicou Bloomfield Linguagem ( Language , 1933 ) , com que dominou os

 meios lingusticos americanos , pelo menos at 1957 , quando apareceu

 Estruturas sintticas ( Syntactic structures ) do mentalista Noam

 Chomsky ( vd 84 ) .

 Edward Sapir ( 1884-1939 ) , um alemo cedo emigrado para os Estados

 Unidos da Amrica , insistiu num estruturalismo mentalista .
 Dando por

 insuficiente a linguagem regulada pela psicologia do comportamento

 ( behavior ) , destacou o efeito do pensamento ( inteno , crena ,

 sentimento ) do usurio .

 82 .
 O Crculo lingustico de Praga , fundado em 1926 por Wilhelm

 Mathesius , marcou uma coordenao e inovao no esforo lingustico

 to peculiar ao sculo 20 .
 Sua atuao foi duradoura .
 Os mais atuantes

 do grupo foram os lingusticas russos , Nicolai Trubetzkoy e Roman

 Jakobson .

 Ainda que o crculo fosse dominantemente eslavo , participaram tambm

 outros linguistas , como o francs Andr Martinet ( 1908 - ) e o filsofo

 e psiclogo alemo Karl Buhler ( 1879 - ) .
 O grupo foi atuante em

 congressos internacionais , fez publicaes de trabalhos , geralmente na

 linha estruturalista , inspirando-se tambm em Saussure .

 A fontica  distinguida da fonologia com nfase desta ltima .
 A nova

 tese , defendida pela maioria no Crculo de Praga , encontrou

 resistncia em outros linguistas .
 A fontica diz respeito mais 

 palavra individual , a fonologia  lngua em geral .
 O crculo de Praga

 destacou o valor semitico do fonema , ou seja , de sua capacidade de

 estabelecer diferenas de significados .

 A anlise dos fatos da lngua  antes de tudo sincrnica , ainda que

 no se exclua a diacrnica ( histria ) .
 O crculo foi , portanto ,

 estruturalista .
 Os fatos atuais ( sincrnicos ) se apresentam como

 material completo e sempre  disposio .

 A lngua  um sistema funcional , ou seja de meios , voltado para um

 fim .

 83 .
 O linguista dinamarqus Louis Hjelmeslev ( 1899 -. .. ) , continuando

 o estruturalismo de Saussure , concentrou-se no aspecto imanente 

 lngua , sem as interferncias histricas , sociolgicas , psicolgicas ,

 que so transcendentes .

 Fundou a glosseomtica e examinou o lxico do ponto de vista

 estruturalista .

 84 .
 Chomsky .
 O norte-americano Noam Chomsky ( 1928 - ) , j na segunda

 metade do sculo 20 , represtigiou em a diretriz mentalista .
 Advertiu

 para a insuficincia da explicao pragmatista comportamentalista da

 lngua .

 Desenvolveu o que se veio a chamar gramtica

 gerativo-transformacional , ou simplesmente gramtica transformacional ,

 que tem sua primeira ampla formulao em seu livro Estruturas

 sintticas ( Syntactic structures , 1957 ) .

 Fizeram-se outras formulaes desta gramtica gerativa , como por

 exemplo , a de Morris Halle e de Charles J. Fillmore Gramtica de casos

 ( 1968 ) .
 E o prprio Chomsky revisou de novo a sua .

 A gramtica gerativa destacou a independncia da sintaxe .
 Com isso

 assumiu a universalidade e o esprito cartesiano .
 Neste contexto

 mentalista , Chomski destacou na linguagem a competncia lingustica ,

 em virtude da qual o falante - ouvinte produz enunciados novos e os

 compreende .

 Em virtude da mesma competncia o falante  tambm capaz de distinguir

 entre as bem-formadas e mal-formadas sequncias gramaticais .
 Ora , este

 procedimento no  possvel na gramtica behaviorista

 comportamentalista de Bloomfield .
 A linguagem  criativa e capaz de

 formular sentenas novas , nunca antes ouvidas .
 Esta competncia no se

 explica como reflexo condicionado .

 Aqui , no fenmeno da competncia , tem-se um fato que a lingustica

 constata indiretamente e que a filosofia da lngua diretamente

 explica .
 A inteligncia  capaz de entender que o semelhante acusa o

 assemelhado ( vd ) e por isso procura estabelecer semelhanas para

 criar a expresso ; na pintura , escultura e msica estes semelhantes

 so naturais , e na lngua eles so equivalentes estabelecidos pelo

 cdigo ( vd ) .

 Os reflexos condicionados , de que se vale a explicao da psicologia

 de comportamento ( behavior ) , participam da lngua , mas no constituem

 toda a sua estrutura .

 85 .
 Esperanto e hebraico moderno .
 A criao das lnguas artificiais ,

 isto  , com codificaes escolhidas conscientemente , como que em

 laboratrio , constitui iniciativa revolucionria da lingustica

 moderna , e que comeou a acontecer no final do sculo 19 .

 O fato de haver o Esperanto ( vd 26 ) conseguido funcionar como

 instrumento de expresso e comunicao , esttica e ocupao lcida de

 muitos ,  um fato lingustico novo e nico na histria .

 O hebraico moderno se arrola como fenmeno similar ao do Esperanto .
 A

 partir do hebraico histrico e de vrios dialetos praticados pelos

 judeus nos ltimos sculos , se estabeleceu uma nova gramtica ,

 racionalmente instituda .

 86 .
 Criar uma lngua nova supe o conhecimento preliminar do que seja

 este instrumento de expresso e comunicao .

 Todavia importa muito certa capacidade de seleo , ou seja , a

 inspirao artstica .
 Este particular poder no ocorrer em um

 linguista profissional .

 O fundador do Esperanto , Ludovico Lzaro Zamenhof ( 1859-1917 ) ,

 judeu-alemo nascido na Polnia , filho de um professor de alemo em

 Varsvia , ao tempo que esta fora parte do Imprio Russo , no fora

 linguista profissional .
 Todavia , alm de dominar diversas lnguas

 ( russo , polons , hebrico , francs , latim , grego ) , Zamenhof teve o

 dote admirvel do bom gosto potico e musical .

 Como artista inspirado e dedicado  sua obra , Zamenhof construiu a

 gramtica do Esperanto , a partir de sua adolescncia , para public-la

 aos seus 28 anos , em 1887 .
 Foi o ponto de partida para uma lngua , que

 receberia depois a colaborao de muitos linguistas para seu

 aperfeioamento .

 A Academia de Esperanto , criada em 1905 , controla e orienta a lngua .

 O aspecto meramente lingustico do Esperanto se denomina

 esperantologia , a cujo respeito se criou atravs dos anos uma rica

 literatura .

 Os linguistas esperantistas tm ainda o mrito de haverem conduzido os

 estudos de lingustica em direo da lingustica geral propriamente

 dita .
 Antes se limitara a cincia da lingustica quase s aos aspectos

 histricos e antropolgicos da lngua , isto  , como eventualmente

 acontecia aparecer e se desenvolver , e no em que ela simplesmente

 consiste .

 At o surgimento dos linguistas do Esperanto , confundia-se com

 frequncia a condio gerativa histrica das linguas com a mesma

 lingustica .
 Os estudiosos do Esperanto se concentraram na essncia

 mesma da lngua como uma tcnica de expresso e comunicao .

 Para compreender o alcance dessa afirmativa basta atender , que so

 duas as maneiras de criar a lngua , a eventual ( que cria lnguas as

 chamadas naturais ) e a convencional pura ( que cria as lnguas

 chamadas artificiais ) .
 Os linguistas no esperantistas geralmente

 cuidaram apenas de um dos modos de criao , o eventual .

 Como se disse , os esperantistas tm o mrito de haverem conduzido a

 lingustica para a sua essencialidade .
 A essncia da lngua no

 depende da causa , a qual , portanto , pode ser eventual e artificial .

 Como qualquer obra de arte , a lngua depende simplesmente da obra que

 ela  , - conjunto de sons articulados , adequadamente dispostos como

 equivalentes convencionais dos objetos significados .

 O que ainda importa na lngua  a necessidade de um geral

 planejamento , inclusive para vencer o nus antropolgico que tende a

 alterar a lngua atravs dos tempos , contra o que resiste o Esperanto

 ( vd 144 ) .

 87 .
 A moderna filosofia da lngua .
 Modernamente a filosofia da

 lngua , enquanto distinta da lingustica , evoluiu muito devagar .

 Sua evoluo se deu primeiramente por simples contraste com a

 lingustica .
 Na proporo que os linguistas foram determinando seu

 campo de trabalho experimental e sua metodologia , perceberam que

 alguns aspectos , como por exemplo , o significado , continham elementos

 no experimentveis e que , por conseguinte poderiam ser de um campo de

 investigao , o da filosofia da linguagem .
 Esta trataria do

 significado diretamente , ao passo que a lingustica se limitaria  sua

 verificao experimental apenas indireta .

 Entre os novos linguistas vrias situaes se criaram .

 Primeiramente uns no atingiram plenamente a distino entre

 lingustica e filosofia da linguagem , e fizeram uma filosofia da

 linguagem de mistura com a lingustica .
 Este parece o caso de F .

 Saussure , em seu Curso de lingustica geral ( 1916 ) .
 Importa desfazer o

 equvoco , separando coisas especificamente distintas .

 Ainda que o linguista possa no mesmo texto fazer referncias ao que 

 experimental ( cincia positiva ) e ao que  meramente racional ( cincia

 filosfica ) , eesto referncia no se pode fazer por confuso .

 Inversamente , tambm o filsofo da lngua , ainda que se envolva com a

 lingustica , dever contudo saber que trata de aspectos especficos

 irredutveis  mesma filosofia .

 Outros linguistas , conhecendo suficientemente a distino entre os

 aspectos experimentais e racionais que distinguem lingustica e

 filosofia da lngua , cuidam tambm desta .
 Fazem , ento , uma filosofia

 da lngua definindo-a ( o que  uma questo de lgica ) , abordando ainda

 temas centrais , principalmente a significao ( questo de metafsica ) ,

 j no se trata de uma pseudo-lingustica e sim de verdadeira

 filosofia .

  prprio de todo cientista conhecer algo das cincias vizinhas , que

 cruzam com o seu campo .
 Por exemplo , cada cincia dever ser definida ;

  o que se usa fazer nas introdues dos manuais ; ora , esta parte 

 sempre uma logica especial , e que se ocupa tambm da metodologia .
 Cada

 cincia experimental ( no cada cincia filosfica ) necessita da

 matemtica .
 Desta mesma sorte , o linguista contacta a filosofia da

 lngua e o filsofo da lngua contacta a lingustica , com distino

 crtica dos conceitos e harminao metodolgica do todo .

 Mas , sempre que um cientista faa cincia do outro , ou mesmo dela ,

 corre o risco de no acertar .
 Os linguistas , que se ocuparam da

 filosofia da lngua , consciente ou inconscientemente , podero ter

 criado apenas uma ideologia de apoio para suas idias lingusticas .

 Nesta ideologia de apoio podero chegar at a negar diretamente a

 existncia de uma filosofia da lngua .
 Se se limitassem simplesmente a

 esquec-la , no seria to grave ; todavia para diretamente neg-la tm

 de filosofar , o que no podem fazer em nome da cincia positiva da

 lingustica .

 Se o fizerem em nome da filosofia , devero faz-lo criticamente .

 Linguistas , como Chomsky e Sapir , foram certamente mais cuidadosos que

 outros em distinguir os dois campos , ao mesmo tempo que se definiam em

 ambos .

 88 .
 Sem sistematizar rijamente a exposio , alguns filsofos

 desenvolveram a filosofia da linguagem apenas como que parafraseando

 os temas mais freqentes ocorridos entre os linguistas .

 Segundo este modelo tienne Gilson ( 1884-1978 ) , francs , escreveu

 Lingustica e Filosofia , ensaio sobre as constantes filosficas da

 linguagem ( J. Vrin , Paris , 1969 ) .
 Primeiramente o autor se coloca em

 seu plano especfico :

 " O ttulo deste ensaio diz exatamente qual  seu objetivo .
  este um

 livro cujo interesse se orienta por inteiro para filosofia e a

 metafsica .
 No  portanto , de modo algum , um livro de lingstica .

 No pretende em absoluto ensinar aos linguistas , dos quais , pelo

 contrrio , o autor se sente inteiramente devedor por recebido deles

 uma matria to rica para a reflexo filosfica " ( incio do prefcio ) .

 De outra parte , Gilson revela que sua iniciativa de filosofar procede

 por influncia dos mesmos linguistas , advertindo que , neste

 particular , eles tentavam uma filosofia , ainda que no bem sucedidos

 na tentativa .

 " O que provocou o nascimento do livro e o orientou neste sentido  a

 liberdade que numerosos linguistas se tomam de filosofar por sua conta

 e de apresentar sua filosofia como se fosse coisa que pertence 

 cincia .
 Fsicos e bilogos to pouco se privam de adotar igual

 atitude " .

 Finalmente aponta o erro ideolgico em que muitas vezes caem os

 linguistas :

 " E no haveria que preocupar-se com isso se a filosofia , que se

 oferece assim , sob o ttulo de cincia , no consistisse muitas vezes

 em negar posies filosficas aceitas por aqueles que tm por ofcio

 filosofar " .

 89 .
 Prossegue , pois , nos tempos modernos o desenvolvimento da

 filosofia da lngua , de uma parte como desenvolvimento linear sobre

 sua tradio , que tem base no passado , e de outra como uma forte

 influncia exterior , vinda da lingustica , gramtica , lexicologia .

 At onde ir a filosofia da lngua ?
 Etienne Gilson , apesar de seus

 longos comentrios , diz :

 " A reflexo filosfica sobre a lngua pode que no conduza a grande

 coisa ; porm , a menos que se tenha a todos os filsofos por

 insensatos , na realidade a linguagem , tal como ela  , tem que ter algo

 que convide a filosofar " ( ibidem ) .

 H certamente um caminho difcil a trilhar .

 90 .
 O desenvolvimento rpido das letras se deve antes a seu alto

 valor funcional que  sua facilidade .

 No se apresenta certamente a lngua como a mais fcil entre as artes .

 De maneira geral , todas as artes visuais , que compreendem a pintura ,

 escultura e arquitetura , se mostram mais praticveis em virtude do

 alto rendimento do sentido da vista .
 Note-se que a vista , pela

 capacidade de distinguir a nitidez das formas , fornece elevado nmero

 de conhecimentos de que o ouvido no  capaz , menos ainda os demais

 sentidos inferiores .
 A msica , essencialmente auditiva , resulta

 conseqentemente mui difcil ; sua histria pouco evolutiva o comprova .

 Se a lngua se apresenta mais fcil que a msica , obedece todavia a

 uma estrutura eminentemente complexa , o que obriga aos que a utilizam ,

 a um notvel esforo .
 E se este vem a ser feito , deve-se  utilidade

 que o idioma tambm oferece .

 Induzidos todos ns pela necessidade e no s pelo gosto esttico ,

 dedicamo - nos ao exerccio da lngua at sermos capazes de exercer um

 falar eminentemente complexo , que causa admirao .
 Exercitados desde

 pequeninos , adaptamo-nos de tal maneira ao esquematismo do idioma em

 que nascemos , que j no somos capazes de nos integrar perfeitamente

 nos demais ; em ltima instncia , isto vem provar o processo difcil da

 arte da lngua .
 Dependendo embora essencialmente apenas de um cdigo ,

 em que se determinam os equivalentes , seu uso todavia requer uma

 acumulao enorme de reflexos condicionados e associaes de imagens .

 Atentos a esta natureza difcil ,  de se suspeitar que , apesar dos

 desenvolvimentos tericos conquistados pelos antigos e desenvolvidos

 por muitos dos modernos , continua ainda a haver bastante para

 esclarecer .
 Prossegue , pois , a necessidade de pesquisas sobre a

 lngua , sobretudo no que concerne s lnguas planejadas .

 ART .
 3 - o .
 DIVISO DA ESTTICA LITERRIA .
 4515y091 .

 92 .
 Diviso em esttica literria geral e esttica literria

 especial .
 Habitualmente uma cincia se divide primeiramente do ponto

 de vista dimensional , em geral e especial .
 Em se tratando de uma

 diviso meramente dimensional , ela  uma diviso material .
 Por isso , a

 rediviso formal se far por igual , tanto na geral como na especial

 ( vd 93 ) .

 Na esttica literria geral se trata primeiramente dos aspectos que

 atingem todos os materiais de estudo .

 Depois , na esttica literria especial , o mesmo tema passa a ser

 tratado por setores particularizados .

 A esttica literria j  uma esttica especial , porquanto se diz uma

 espcie de arte , entre outras artes , como a pintura ( esttica das

 cores ) , escultura ( esttica das formas plsticas ) , msica ( esttica do

 som ) .

 Em conjunto , tais estticas especiais formam a esttica geral ( ou

 filosofia geral da arte ) .

 Mas , o que  especial admite novas e sucessivas subdivises

 materiais , em espcies cada vez menores .
 Ento de novo a esttica

 literria se subdivide em :

 - esttica literria geral ( a que aqui se est tratando de fazer ) ;

 - estticas literrias especiais ( desta ou daquela lngua em espcie ) ,

 como esttica da lngua portuguesa , esttica da lngua internacional ,

 esttica da lngua latina , etc ...

 A esttica geral da linguagem examina , pois , tudo o que se diz da

 lngua simplesmente como lngua e no com tal e tal sistema

 lingustico .

 Mas , o que  que se pode dizer da lngua simplesmente como lngua , e

 do ponto de vista filosfico ?

 93 .
 Rediviso : estudo do significado e do significante .
 Divide-se a

 esttica literria ( sobretudo a geral ) em :

 - estudo do significado ( ou da expresso ) ;

 - estudo do significante ( ou do portador da expresso ) .

 Esta diviso  formal , porque divide a partir de elementos essenciais

  arte .
 Esta se diz rediviso , apenas do ponto de vista didtico ,

 porque realizada depois da diviso material .

 As outras redivises ( vd 94 ) , - desde que formais ou essenciais , -

 podem reduzir-se a estas duas , que aqui so tomadas apenas no que tm

 de mais geral no que tem de essencial .

 A diviso mencionada em significado e significante  , alis , peculiar

  qualquer arte , e que aqui se aplica ao caso especial da linguagem .

 Comearemos pela lngua como significao , ou seja pela lngua como

 expresso .
 Todavia , mais uma vez queremos subdividir , comeando pela

 lngua simplesmente como expresso ( cap. 1 - o ) ( vd 096 ) .

  que , antes de seguir para detalhes da expresso , como prosa e

 poesia , gneros de prosa e de poesia , estilo literrio , queremos no

 sem demora abordar o significante ( ou portador da expresso ) , em vista

 da grande proximidade entre significado e significante .

 Tratando no primeiro captulo indicado , - do significado simplesmente ,

 - h a decidir sobre :

 - a lngua essencialmente como expresso ( art .
 1 - o ) ;

 - a lngua como mimese convencional e associatividade ( art .
 2 - o ) ;

 - a lngua como expresso objetiva interpretvel ( Art 3 - o ) ;

 - a lngua pelas suas propriedades ( art .
 4 - o ) , entre as quais se

 situam uma importantssima , a comunicao .

 Continua a filosofia da lngua indagando pela natureza do portador da

 expre sso , ou seja pelo significante ( cap. 2 - o ) ( vd 212 ) .

 A importncia deste portador est em que ele condiciona a capacidade

 com que a mimese causa a expresso significadora .
 Nem todos os

 materiais so capazes de serem portadores de significado , seno

 aqueles que so qualidades , pois s as qualidades tm semelhante .

 Seguindo , portanto , por partes , h a examinar :

 - o significante como qualidade , isto  , como som ( art 1 - o ) ;

 - as propriedades do som , e o seu movimento de que resultam as flexes

 como principais instrumentos portadores da lngua ( art .
 2 - o ) ;

 - o ritmo da linguagem ( art .
 3 - o ) ;

 - as alianas da lngua com outras matrias portadoras de expresso

 de que o canto e o gesto so as formas mais freqentes ( art .
 4 - o ) .

 94 .
 Redivises : prosa e poesia , gneros , propriedades , estilo .
 Depois

 de abordado o que h de mais geral no significado e no significante ,

 passa-se a detalhes .
 Estes detalhes so feitos sempre a partir da

 significao , mais que a partir do significante .

 Portanto , depois de tratar da expresso ( cap. 1 - o ) , se cuida de dar

 algum tratamento ao significante ( cap. 2 - o ) , redividindo e retomando :

 - a expresso literria em prosa ( cap. 3 - o ) ;

 - gneros literrios em prosa ( cap. 4 - o ) ;

 - a expresso literria em poesia ( cap. 5 - o ) ;

 - gneros literrios em poesia ( cap. 6 - o ) ;

 - estilo literrio ( cap. 7 - o ) ;

 Existe tambm uma tica , bem como uma filosofia social e poltica da

 arte .
 Usualmente no se incluem estes ttulos no contexto sistemtico

 da esttica literria .

 ______________________________________________________________________

 Estet .
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