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 A Semitica de Charles Sanders Peirce : Ensaio Preliminar

 Outline on C S Peirce Semiotics

 ( Ver .
 08 de Dezembro de 2001 )

 Fernando Lisboa

 Faculdade de Arquitectura , Universidade do Porto

 mailto : fernando@mail.kpnqwest.pt

 The URL for this version is :

 http : // home.kqnet.pt / id010313 /

 What follows below is a preliminary excerpt , with some modifications , of some

 work that has actually been in progress for some months. I make it available

 on-line for purposes of critical feedback and comments. I am fully aware it

 contains errors and omissions so any reference or quotation must have my

 explicit permission. Thank you .

 1 Introduo 1.1-2

 1.1 Notas Prvias 1.1-2

 1.2 Desenho e Mediao 1.2-3

 1.3 A Semiologia 1.3-4

 1.4 A Semitica de Peirce 1.4-5

 1.4.1 A Semitica como Lgica 1.4-6

 1.4.2 A Semitica como Filosofia da Linguagem 1.4-6

 1.4.3 A Semitica como Filosofia do Pensamento 1.4-7

 1.4.4 A Semitica como Pragmatismo 1.4-7

 1.4.5 A Relao de Representao 1.4-7

 1.4.5.1 O Signo 1.4-7

 1.4.5.2 O Interpretante 1.4-10

 1.4.5.3 O Objecto 1.4-11

 2 O Dialogismo 1.4-13

 2.1.1 O Modelo de Conversao Oral 1.4-13

 2.1.2 Tom , Instncia e Tipo 1.4-13

 2.1.3 O Pensamento como Dilogo 1.4-14

 2.1.3.1 Consequncias 1.4-14

 3 A Teoria das Categorias 1.4-15

 3.1.1 Unidade e Multiplicidade 1.4-16

 3.1.2 Realismo , Conceptualismo , Nominalismo 1.4-16

 3.1.3 As Trs Categorias da Realidade 1.4-17

 3.1.3.1 Modos de Ser e Modalidades de Relao 1.4-17

 3.1.3.2 Relao Mondica , Didica e Tridica 1.4-18

 3.1.3.3 Possibilidade , Existncia e Mediao 1.4-18

 3.1.4 Discriminao , Dissociao e Presciso 1.4-20

 3.1.5 A Categoria Semitica 1.4-20

 3.1.6 Concluso 1.4-21

 4 A Teoria Formal dos Signos 1.4-21

 5 A Teoria Pragmtica dos Signos 1.4-21

 6 Significao e Inferncia 1.4-22

 6.1.1 Pensamento Inferencial 1.4-23

 6.1.2 Abduo , Deduo e Induo 1.4-23

 6.1.2.1 Inferncia e Silogismo 1.4-23

 6.1.2.2 A Induo e a Deduo Empricas 1.4-24

 6.1.2.3 ascenso e descenso 1.4-24

 6.1.3 A-letheia 1.4-25

 6.1.3.1 Percepo 1.4-25

 7 A Classificao das Cincias 1.4-25

 8 A Semitica Comparada 1.4-27

 8.1.1 Peirce e os Latinos 1.4-27

 8.1.2 Peirce e os Modernos 1.4-27

 8.1.3 Peirce e Frege 1.4-27

 8.1.4 Peirce e Saussurre / Hjelmslev 1.4-27

 8.1.5 Peirce e Morris 1.4-27

 9 Pragmatismo e Projecto 1.4-27

 9.1.1 Realidade e Conhecimento 1.4-27

 9.1.2 O Pragmatismo como Filosofia de Projecto 1.4-28

 9.1.3 Concluso 1.4-28

 1 Introduo

 1.1 Notas Prvias

  possvel demonstrar , recorrendo  Histria e  Teoria da Arquitectura , que o

 desenho do projecto de Arquitectura pode ser tomado como um sistema de signos

 autnomo do da arquitectura material , ou seja , que  possvel estabelecer uma

 distino entre os cdigos de construo e leitura do objecto arquitectnico e

 os cdigos de elaborao e leitura do respectivo projecto , que , em suma , o

 Projecto desenhado  uma semitica autnoma e no uma semia substitutiva .

 Uma vez que se pretende contribuir para a construo de uma teoria do projecto

 arquitectnico , na qual o desenho ocupe um lugar central , importa justificar a

 metodologia adoptada , ou seja , a considerao desse desenho sob uma perspectiva

 semitica , que d conta dos processos e das noes de Significao ,

 Representao e Comunicao .
 Importa , portanto , justificar a importao da

 teoria semitica de C S Peirce .
 Portanto : porqu invocar a Semitica de Peirce

 a propsito duma eventual teoria do desenho de projecto ?

 Note-se , antes de mais , que Desenho  aqui tomado como produo grfico-visual ,

 que representa , compreende e comunica .
 Como um efectivo mtodo de conhecimento .

 Note-se , ainda , que este texto estabelece diferenas importantes entre quatro

 termos , a saber : Semitica , Semiose , semitica ou semiticas e Semiologia .

 Entende-se a Semitica como a teoria geral dos signos ou da Semiose , fundada e

 desenvolvida por C. S. Peirce entre 1867 e 1914 [ 1 ] .
 No interior desta teoria ,

 entende-se a Semiose como a aco dos signos , isto  , o funcionamento e a

 operao dos signos , a interpretao de um signo e , tambm , a inferncia a

 partir dos signos .
 Por sua vez , entende-se que a semitica ou semiticas

 descrevem , organizam e explicam os vrios sistemas de interpretao que so os

 sistemas especficos de signos ;  neste sentido que se fala de uma semitica da

 Arquitectura ou de uma semitica do Desenho ;  tambm neste sentido que se pode

 tomar a Semitica como uma reflexo acerca da possibilidade das semiticas e

 estas como uma reflexo acerca da aplicabilidade da Semitica .
 Por fim ,

 entende-se a Semiologia ( cf .
  1.3 ) como uma translingustica que estuda os

 sistemas de signos reportando-os  linguagem verbal ou , se se quiser ,  cincia

 lingutica tal como foi proposta por Saussurre ( CLG , 1916 ) e desenvolvida ,

 posteriormente , por Hjelmslev ( Prolegomena to a Theory of Language , 1943 )

 Buyssens ( Les Languages et le discours , 1943 ) e Barthes ( Elments de

 smiologie , 1964 )

 Considera-se , geralmente , que o desenvolvimento da teoria geral dos signos

 assenta em trs artigos publicados entre 1868 e 1869 no Journal of Speculative

 Philosophy , a saber : " Questions Concerning Certain Faculties Claimed for Man "

 ( CP 5.213-263 ) , " Some Consequences of Four Incapacities Claimed For Man " , ( CP

 5.289 ) e o " Grounds of Validity of the Laws of Logic : Further Consequences of

 Four Incapacities " ( cf .
 Fisch , 1986 ; 324-325 ) .

 A aplicao da teoria geral dos signos de Peirce a uma eventual semitica do

 desenho de Projecto releva de uma caracterstica geral dessa mesma Semitica

 que poderia ser designada por efabilidade .
 Com efeito , a Semitica peirceana

 possui a capacidade para descever e explicar aqueles objectos , factos ou

 eventos que envolvam processos de representao , comunicao e significao , de

 uma forma aturada , comprensiva e extensiva .
 A realidade , est , para Peirce ,

 impregnada de signos , no parecendo existir uma separao entre um mundo de

 fenmenos sgnicos e um mundo de fenmenos no-sgnicos .

 Max Fisch pergunta-se at que ponto  a teoria geral dos signos de Peirce

 realmente geral .
 A sua resposta  a seguinte : esta teoria  to abrangente que

 qualquer coisa , seja ela o que for ,  implicada como signo uma vez que " the

 entire universe [ ...
 ] is perfused with signs if not composed exclusively of

 signs " ( Peirce , CP 5.448 ) .
 Para Fish , a semitica de Peirce " it is all about

 signs , and it is about all signs " ( Ketner ed. , 1986 ; 322 ) .
 Peirce confirma esta

 abrangncia numa carta dirigida a Lady Welby , a respeito dos passos iniciais do

 seu percurso intelectual , " [ know ] that from the day when at the age of 12 or 13

 I took up , in my elder brother's room a copy of Whately's " Logic , " and asked

 him what Logic was , and getting some simple answer , flung mysell on the floor

 and buried mysell in it , it has never been in my power to study anything -

 mathematics , ethics , metaphysics , gravitation , thermodynamics , optics ,

 chemistriy , comparative anatomy , astronomy , psychology , phonetics , economic ,

 the history of science , whist , men and women , wine , metrology , except as a

 study of semeiotic " ( Semiotic and Significs : The Correspondence [ ...
 ] , C .

 Hardwick , ed. , 1977 , in Max Fisch , 1986 ; 85-86 ) .

 1.2 Desenho e Mediao

  possvel manter , ainda que provisoriamente , que o desenho de arquitectura , no

 quadro do Projecto , possui uma funo instrumental e uma finalidade extrnseca

 na medida em que remete para a uma dada Construo ou , se se quiser , para uma

 determinada Arquitectura material .

 ( ...
 )

 1.3 A Semiologia

 Com efeito , para a Semiologia vinculada s propostas fundadoras de Saussurre ,

 todo e qualquer enunciado comunicativo baseia-se em regras e leis e estas

 configuram um cdigo , cuja estrutura  afim  estrutura da linguagem verbal , ou

 seja , uma estrutura articulada , susceptvel de ser decomposta em elementos

 significantes mais simples .
 Neste sentido , a Semiologia  uma lingustica

 estrutural .

 Para a lingustica estrutural a anlise dos sistemas de representao no s

 no pode ignorar a estrutura dos cdigos implcitos nesses sistemas , como tal

 estrutura subentende , por si mesma , o problema da articulao e , em particular ,

 o problema da dupla articulao .

 Se o problema da estrutura subentende o problema da articulao , e se a noo

 de Linguagem  , em qualquer caso , redutvel  linguagem verbal ,  lingua

 natural , o problema da articulao centra-se na oposio conceptual entre o

 paradigma e o sintagma .
 Na prtica semiolgica tal oposio parece ter sido

 resolvido a favor da anlise paradigmtica , tendo acabado a anlise semiolgica

 de mitos , de textos histricos , da literatura , das artes plsticas , etc. , por

 mostrar , tambm um maior interesse pela abordagem esttica e sincrnica ,

 reduzindo-se as produes visuais e multi-mediais a uma analogia com os textos

 verbais e uni-mediais .

 Por outro lado , a prpria noo de Signo lingustico  tomada como uma relao

 entre dois termos , como uma relao didica. Sausurre define o signo no como

 algo que " [ ...
 ] une no uma coisa e um nome , mas um conceito e uma imagem

 acstica .
 Esta ltima no  o som material , puramente fsico , mas a marca

 psquica desse som , a sua representao fornecida pelo testemunho dos sentidos ;

  sensorial e se , por vezes , lhe chamamos material  neste sentido e por

 oposio ao outro termo da associao , o conceito , geralmente mais abstracto " .

 Para Saussure o significante , a imagem acstica ,  arbitrria , no-motivada

 ( Saussurre , 1916,1999 ; 124 e seg. ) .

 A definio que Saussurre prope para o Signo , a propsito das lnguas

 naturais , tomando-o como entidade mental que associa um significante a um

 significado , desempenha um papel central na lingustica estrutural .
 Este papel

 central prende-se com a distino entre signos naturais ou motivados e signos

 arbitrrios ou convencionais .
 Para Saussure , "" Ela [ a arbitrariedade ] no deve

 dar a ideia de que o signicante depende do da livre escolha do sujeito falante

 [ ...
 ] queremos dizer que ele [ o significante ]  imotivado [ ...
 ] em relao ao

 significado , com o qual no tem , na realidade , qualquer ligao material "

 ( Saussurre , idem ) .
 Tal como para Saussurre , as teses da lingustica estrutural ,

 mesmo quando aplicadas a produes grfico-visivas de carcter pictrico e

 figurativo , no poderiam aceitar a presena de qualquer factor de motivao ou

 ligao material entre o que  significante e o que  significado : o Signo ,

 qualquer sistema de signos , para construir linguagem , ter de ser convencional

 e , portanto , arbitrrio .

 A razo pela qual o Signo h-de ser convencionado  simples e imediata : por um

 lado , toda a relao significante-significado , baseado na similitude ou na

 continuidade arrisca-se a " alterar o sentido , transferindo para o significado

 as propriedades do significante " ( Guiraud , 99 ; 30 ) e , por conseguinte , a tornar

 invivel qualquer consenso social em torno de uma dada lngua ou seja , a tornar

 invivel qualquer codificao ; por outro lado , se " existem signos que mantm

 uma relao de similaridade com as coisas , insere-se na mecnica semitica um

 principio de parentesco que , levado ao extremo , far nascer uma teoria da

 motivao profunda dos signos e relegar os simbolos arbitrrios ( geralmente

 considerados os signos por excelncia ) para a categoria de entidades no

 suficientemente definidas na sua profunda motivao originria " ( Eco , O Signo ,

 pag. ???
 ) .
 Contudo , na representao grfica , a figura , parece manter uma

 relao de motivao com o objecto figurado .
 A figurao trabalha na semelhana

 e , at , por vezes na cpia : prope uma ligao material entre os significantes

 e os respectivos significados , atravs da semelhana [ 2 ] .
 Tome-se , por exemplo ,

 a representao perspctica ou , mesmo , outros modos de representao grfica

 mais esquemticos e abstractos , como o grfico , o diagrama , a sinaltica , etc. ,

 nos quais parecem conviver traos de semelhana ou de continuidade entre

 significante e significado , juntamente com traos convencionais .

 Esta concepo de Signo contm , ainda , uma outra consequncia , particularmente

 importante na perspectiva de uma anlise daquele desenho que incorpore algum

 tipo de ideia ou de ambio projectual .

 Com efeito , decorre da concepo didica do Signo que se a lingustica

 estrutural se reconhece como Semiologia , ou seja , como o estudo dos modos de

 produo e leitura do enunciado comunicativo , j a Semntica , ou seja , o modo

 de produo de conhecimento ,  uma disciplina difcil de integrar .
 Em

 consequncia , na perspectiva estruturalista , o significante no est por um

 dado Objecto , existente , antecipado ou ficcionado , mas por uma imagem mental , o

 Conceito , cuja aderncia  realidade  , no mnimo , tnue .
 Quer isto dizer que

 para a concepo estruturalista do Signo , o Objecto e , logo , a Realidade ,

 externa  Conscincia e , portanto , independente desta , so categorias

 perifricas .

 No parece , portanto , ser a concepo estruturalista da linguagem

 particularmente adequada ao estudo de uma semitica grfico-visiva , ou seja , ao

 estudo de um particular sistema semitico no qual a representao se baseia

 menos na arbitrariedade da conveno do que na semelhana e na continuidade , e

 que seja suposto estar estreita e necessriamente ligada e , at , determinada ,

 por uma realidade que , em si mesma e de alguma forma ,  exterior aos processos

 sgnicos .

 1.4 A Semitica de Peirce

 A Semitica de Peirce , no s se funda numa problematizao da noo de

 Objecto , assegurando uma estreita aderncia a uma Realidade autnoma

 relativamente aos processos sgnicos , como considera que  o Objecto que

 determina o Signo , dissolvendo , portanto , a dualidade entre motivao e

 conveno .
 Por outo lado e dado que se considera equivalente  Lgica , a

 Semitica peirceana assegura tambm o alargamento conceptual da Significao 

 Inferncia .
 Neste sentido parece adequar-se melhor que a Semiologia ao estudo

 das semiticas grfico-visivas e , em particular , a do desenho que pertence a um

 projecto .

 Peirce  , normalmente , considerado o fundador da Semitica moderna .

 Distingue-se esta Semitica das teorias gerais do Signo desenvolvidas quer por

 algumas escolas filosficas da antiguidade clssica , nomeadamente pela escola

 estica , quer pela filosofia escolstica .
 Distingue-se ainda esta Semitica

 daquela outra , proposta por John Locke , uma Semeiotike tomada como o terceiro

 ramo de uma de uma proposta de classificao geral das cincias [ 3 ] .

 Ao contrrio da Semiologia europeia , que a Semitica peirceana antecede em

 vrias dcadas , j que a sua primeira formulao  de 1867 [ 4 ] , no est nem

 conceptualmente nem historicamente ligada quer  lingustica Moderna ,

 desenvolvida no sculo XIX , quer a quaisquer derivaes , generalizaes ou

 extrapolaes a partir desta ltima [ 5 ] .

 So por demais evidentes alguns pontos comuns entre o pragmatismo peirceano e a

 filosofia analtica de Frege , seu contemporneo .
 Na verdade , a Semitica

 Peirceana pode , em alguns aspectos e com algumas reservas ( quais aspectos ,

 quais reservas ?
 ) ser comparada aquela tendncia filosfica prpria do

 pensamento anglo-saxnico , designada por Filosofia Analtica , tipificada no s

 pelo prprio Frege mas tambm por Russel , Wittgenstein e , mais recentemente ,

 por.Quine , Tarski , Alonzo Church e Donald Davidson .
 A obra de Peirce inspirou ,

 posteriormente , numerosos autores , tanto nos Estados Unidos como na Europa .
 Os

 comentadores de Peirce destacam , normalmente , os seguintes : Josiah Royce e " The

 Problem of Christianity " , em 1913 , Ogden e Richards e " The Meaning of Meaning "

 em 1923 , Charles Morris e " Foundations of the Theory of Signs " em 1938 , Roman

 Jakobson e " Essais de Linguistique Gnrale " em 1963 , Thomas Sebeok e

 " Contributions to the Doctrine of Signs " em 1974 , Umberto Eco e " A Theory of

 Semiotics " em 1976 , John Deely e " Introducing Semiotic " em 1982 , G. Deledalle e

 " Thorie et Pratique du Signe " em 1979 , etc .
  manifesta a influncia de Peirce

 na psicologia da percepo de Gibson e Biederman e , atravs de Gibson , na

 histria e crtica de Arte de Gombrich .
 Essa influncia parece manifestar-se

 tambm nalgumas propostas de Foucault e Habermas ( ????
 ) .
 No campo especfico da

 filosofia norte-americana , salienta-se , normalmente , a obra de William James ,

 de John Dewey e de Hillary Putnam como devedoras do Pragmatismo peirceano .

 1.4.1 A Semitica como Lgica

 Em termos estritos , a Semitica  pensada por Peirce como equivalente  Lgica ,

 tomada aqui em sentido lato , como o estudo do raciocnio correto ou como a

 cincia dos meios para agir razoavelmente .
 A Lgica peirceana insere-se nas

 Cincias Normativas , juntamente com a tica e a Esttica : a tica determina a

 lgica atravs da anlise dos fins aos quais esses meios se dirigem ; a esttica

 determina a tica ao definir qual  a natureza de um fim que seja em si mesmo

 admirvel e desejvel em quaisquer circunstncias independentemente de qualquer

 outra considerao de qualquer espcie .
 Em Peirce , a tica e a lgica so

 subsidirias da esttica ( cf. a este respeito o cap. 7 ) .

 Segundo Peirce , a Lgica  definida como a teoria formal dos signos : " Logic

 will here be defined as formal semiotic .
 A definition of a sign will be given

 which not more refers to human thought [ tomado como conscincia individual ].It

 is from this definition , together with a definition of ` formal ' , that I deduce

 mathematically the principles of logic " ( Parts of Carnegie Applications , 1902 ,

 em Marty , ????
 ,  14 ) .
 A Lgica geral , ou seja , a Semitica , engloba trs

 disciplinas : a Gramtica , a Lgica Crtica , isto  , a Lgica em sentido

 estrito , e a Retrica ou Metodutica .
 A Semitica inclui-se nas Cincias

 Normativas , com a tica e a Esttica .
 Estas Cincias Normativas , juntamente com

 a Fenomenologia e a Metafsica , constituem a Filosofia. [ 6 ] .

  a equivalnia entre Semitica e a Lgica que permite  generalidade dos

 estudiosos e comentadores da obra de Peirce tom-la como uma epistemologia ou

 como uma filosofia do Conhecimento ( Ransdell , 1986 , 1998 ;  5 ) .
 Segundo

 Ransdell , a Semitica " would take the place of logic ( as traditionally

 understood ) , epistemology , philosophy of mind , and so forth .
 In its

 extra-philosophical applications it would , he believed , be of use in any

 science which studies life processes or in any discipline which studies the

 products of intelligence as such ( hence , in critical disciplines such as

 esthetic criticism , social criticism , etc. ) " ( ibidem ) .
 Segundo Max Fisch ,

 " Peirce , desde o incio , concebeu a lgica como cabendo total e inteiramente no

 mbito da teoria geral dos signos ; que todo o seu trabalho em lgica se baseou

 nesse pressuposto ; que uma vez , aos cinquenta anos , distinguiu um sentido

 restrito e um sentido lato da lgica , pelo ltimo dos quais , a lgica era

 coextensiva com a teoria geral dos signos ; que ele eventualmente abandonou o

 sentido restrito ; e que o tratado compreensivo no qual trabalhava na ltima

 dcada da sua vida haveria de intitular-se Um Sistema de Lgica considerado

 como Semitico ( A System of Logic , considered as Semiotic ) " ( Ketner , ed. , 1986 ;

 ????
 ) .

 1.4.2 A Semitica como Filosofia da Linguagem

 A Semitica de Peirce , enquanto viso inteira , pressupe uma filosofia da

 Linguagem porque examina as condies e as regras sociais que regulam os actos

 comunicativos [ 7 ] .

 Contudo , em Peirce , tanto o acto comunicativo como a Linguagem que o suporta ,

 possuem um sentido bastante mais lato do que o atribudo pela Semiologia .
 

 certo que o alargamento do campo da lingustica  , tambm , antecipado por

 Saussurre [ 8 ] .
  tambm certo que , de acordo com Eco ( 1985 ; 37 ) , vrios autores

 " assentaram numa semitica dos objectos da sociedade de consumo ( , Barthes ,

 Moles , 1969 ; Baudrillard , 1968 ) " .
 S que para Saussurre , como tambm , mais

 tarde , para Barthes , a linguagem natural  o mais importante entre todos os

 sistemas de sinais ( cf .
 Saussurre , ibid. ) Mas no  menos certo que no parece

 existir em Peirce nenhuma noo bsica que corresponda inteiramente ao signo

 lingustico de Saussurre , nem nenhum conceito de Linguagem equivalente 

 Linguagem semiolgica .
 Segundo Ransdell : " [ ...
 ] there is no basic conception in

 his theory corresponding to the idea of the linguistic sign , though it is often

 thought that his conception of the symbol is more or less the same as the

 conception of the linguistic sign. But this is not so " ( " On Peirce's Conception

 of the Iconic Sign " , 1997 ;  16 ) .

 A este respeito , convm assentar no que se entende , aqui , por esse sentido lato

 da Linguagem .
 Deely , para o esclarecer , recorre a Maritain : " [ o ] que define a

 linguagem no  exactamente o uso de palavras , ou mesmo , o uso de signos

 convencionais ;  o uso de qualquer signo , qualquer que ele seja , que envolva o

 conhecimento ou a conscincia da relao de significao , e , portanto , uma

 potencial infinidade ;  o uso de signos quando esse uso manifesta que a mente

 captou e fez emergir a relao de significao. [ J a inveno ] dos signos

 convencionais particulares que so as palavras , a criao de um sistema de

 signos composto de ' fonemas ' e ' morfemas ' foi , em si prpria , um segundo

 ' milagre ' , uma outra descoberta da inteligncia humana , no menos

 caracterstica do homem , mas menos essencial do que a descoberta da relao de

 significao , e por natureza no anterior  mesma " ( Maritain , 1957:89-90 , in

 Deely , 1995 : 141-2 ) .
 A Linguagem  , em suma , tomada por Peirce , na verso de

 Deely , como um instrumento para modelizar o Umwelt do homem na mente , no

 Innenwelt .
 Tanto Chomsky ( 1979 : 35-36 ) como Sebeok ( 1981 ; 12 ) Deely ( 1982,1995 :

 172 ) e Max Fisch ( 1983 , 1986 ; 356 e seg. ) defendem , aproximadamente esta noo

 acerca do que  a Linguagem .

 1.4.3 A Semitica como Filosofia do Pensamento

 Contudo , justamente porque  a noo de Linguagem , em Peirce , uma noo

 abrangente , a sua filosofia da Linguagem pode e , talvez , deva ser tomada como

 uma filosofia do Pensamento , na medida em que encontra a Linguagem no s para

 l dessas transaces comunicativas , para l das estruturas convencionais , das

 relaes codificadas , dos sistemas de representao estatudos , mas tambm nos

 dispositivos do pensamento inferencial , na manifestao dos processos

 perceptivos e na aco e no comportamento que revele a mais tnue presena da

 inteligncia .

 A Semitica peirceana  tambm uma filosofia na medida em que configura uma

 construo intelectual que , embora fundada no common-sensisme , ambiciona ser

 desenvolvida a partir de alguns princpios simples , embora abstractos e

 gerais , ou seja , sem nenhuma relao directa com o que senso-comum conhece ,

 aplicados de maneira recursiva , ou seja , aplicados repetidamente , por forma a

 garantir uma rede de conceitos estabelecidos de tal forma que nenhum conceito

 individual seja compreensvel sem a presena da construo inteira .
 Por outras

 palavras , a Semitica de Peirce quer ser uma construo intelectual na qual

 todas as partes se apoiam mtuamente e em que as ltimas se apoiam pelas

 primeiras .
 No quer isto dizer que a importncia da Semitica de Peirce resulte

 das suas qualidades formais ou de outras qualidades internas , mas sim que essa

 construo intelectual resulta dum objectivo inicial e determinante : que a

 Semitica , enquanto disciplina , deveria constitur-se como uma teoria

 sistemtica e reflexiva acerca da aco dos signos , ou seja , da Semiose .

 1.4.4 A Semitica como Pragmatismo

 A propsito da noo de cognio , Peirce esclarece o seguinte : " In the first

 place every kind of consciousness enters into cognition. Feelings , in the sense

 in which alone they can be admitted as a great branch of mental phenomena , form

 the warp and woof of cognition [ ...
 ] .
 The will , in the form of attention ,

 constantly enters , and the sense of reality or objectivity , which is what we

 have found ought to take the place of will , in the division of consciousness ,

 is even more essential yet , if possible. But that element of cognition which is

 neither feeling nor the polar sense , is the consciousness of a process , and

 this in the form of the sense of learning , of acquiring , of mental growth is

 eminently characteristic of cognition. This is a kind of consciousness which

 cannot be immediate , because it covers a time [ ...
 ] .
 It differs from immediate

 consciousness , as a melody does from one prolonged note [ ...
 ] .
 This is the

 consciousness that binds our life together. It is the consciousness of

 synthesis " ( Peirce , CP 1.381 ) .

 1.4.5 A Relao de Representao

 Sendo uma viso inteira e uma costruo intelectual sistemtica ,  por vezes

 difcil distinguir , na obra de Peirce , entre o significado dos signos , o

 significado da experincia e o significado do mundo ( Cf .
 Eco , " Signos [ ...
 ]

 Notas sobre Semitica , Filosofia e Cincias Humanas " , 1985 , 1989 ;  6 e

 Deledalle , 2000 ; 20-21 ) .

 Note-se que em Peirce a experincia  cognio , ou seja ,  tomada como um

 efeito na conscincia produzido por algum objecto ou evento actual , que

 contribui para a formao de um hbito ou conduta deliberados , ou seja ,

 controlados pelo Eu que pensa , por oposio a um hbito ou conduta automticos

 e instintivos ( cf .
 CP 5.480 ) .

 1.4.5.1 O Signo

 Por esta razo , cabe perguntar cerca do que  que Peirce fala , quando fala do

 signo : fala , precisamente de algo que estabelece a mediao entre a coisa que 

 capaz de ser conhecida e o conhecimento que  possvel obter dessa coisa , isto

 se fosse possvel identificar em Peirce uma separao entre Mente que conhece e

 Realidade conhecida , o que no o  , de todo .

 A maneira como Peirce define o Signo , e define-o de muitas maneiras , com muitas

 verses e nuances , funda-se no que Ransdell designa como o " common sense

 level " , a compreenso fornecida pelo senso comum : o Signo - quer o encontremos

 no sonho , na imaginao , na memria ou na percepo - -  tal que se uma

 cognio lhe responde apropriadamente , poder revelar - - descobrir , manifestar ,

 tornar aparente , transformar numa experincia - - alguma coisa - o Significado

 - - cerca de outra coisa - o Objecto que o Signo representa ( cf .
 Ransdell , " On

 Peirce's Conception of the Iconic Sign " , 1997 ;  4 ) Tem-se aqui , nesta descrio

 da relao de Representao , os conceitos tericos que Peirce ir explorar na

 sua Semitica - - o Signo , o Objecto e o Interpretante .
 O nome pelo qual Peirce

 designa esta relao tridica  o de Representao , considerando que na relao

 de Representao o Signo refere , denota , representa ou est pelo seu Objecto e

 que determina a ideia , o conceito , o significado ou o sentido do Interpretante .

 Portanto , para Peirce a relao de Representao ou ainda , aquela relao na

 qual o Signo " [ ...
 ] of whatsoever kind , professes to mediate between an object ,

 on the one hand , that to which it applies , and which is thus in a sense the

 cause of the sign , and , on the other hand , a Meaning , or to use a preferable

 technical term , an Interpretant , that which the sign expresses , the result

 which it produces in its capacity as sign. " ( Pragmatism , 1907 , MS 318 ) .

 1.4.5.1.1 O Signo-Objecto e o Signo-Aco

 Peirce , na sua teoria geral dos signos , ora acentua o carcter do Signo como

 Objecto ( sgnico ) ora acentua o carcter do Signo como Aco ( sgnica ) .
 Esta

 distino  por diversas vezes sugerida pelo prprio Peirce : " [ ...
 ] I confine

 the word representation to the operation of a sign or its relation to the

 object for the interpreter of the representation. The concrete subject that

 represents I call a sign or representamen  ( 1903 - CP 1-540 .
 Lowell Lectures :

 Lecture III , in Marty ,  19 ) .
 No primeiro caso , o da acentuao do

 Signo-Objecto , ter-se- uma teoria formal dos signos ; no sefundo caso , o da

 acentuao do Signo-Aco , ter-se- uma teoria pragmtica dos signos

 1.4.5.1.2 O Signo Objecto ou Representamen

 Refere-se Peirce ao signo-objecto como o signo em si mesmo ou , de acordo com a

 terminologia peirceana , ao representamen , isto  , a algo que est por outra

 coisa ou algo que , para alm da impresso que produz nos sentidos , traz em

 consequncia , qualquer outra coisa ao pensamento .
 Para citar expressamente

 Peirce , " [ an ] object serving to represent something to the mind " ( Peirce , CD ,

 1887 ) ou ainda , a respeito da relao de Representao : " [ ...
 ] is that relation

 of the representamen to its object which consists in it determining a third

 ( the interpretant representamen ) to be in the same relation to that object "

 ( Logical Tracts ( nota a ) 1903 , MS 491 ) .
 A teoria formal dos signos descreve o

 processo sgnico de uma forma abstracta , em que os factores tempo , contexto e

 agentes comunicativos so omitidos com vista a uma maior generalidade e

 aplicabilidade .

 Pensar a Representao como uma relao de determinao

 Objecto-Signo-Interpretante equivale a uma definio abstracta e geral da

 relao de Representao .
  neste caso que se considera a teoria geral dos

 signos como uma teoria formal dos signos .

 A concepo tridica de Peirce , reduzida a trs termos essenciais e no mais

 que trs , dispensa qualquer referncia quer ao emissor do Signo , quer ao agente

 da interpretao sem , contudo , negar a eventual pertinncia destas referncias

 sempre que as caractersticas do campo de aplicao da Semitica , isto  , as

 semiticas , assim o exijam .
 Peirce considera que existem signos naturais aos

 quais no  possvel atribuir nem um emissor nem uma intencionalidade : o

 emissor  , portanto , dispensvel .
 Considera tambm que um dado signo no deixa

 de o ser pelo facto de no lhe estar presente nenhum intrprete : o agente da

 interpretao  , tambm , dispensvel .
 Por fim , Peirce , repetidamente ,

 estabelece a distino entre o acto de pensar , que  assunto da psicologia , e o

 pensamento em si , que  assunto para a Lgica e , logo , para a Semitica. [ 9 ] .

 1.4.5.1.2.1 " Sop to Cerberus "

 Ao elevado grau de abstrao e formalismo que caracteriza a definio peirceana

 de relao de Representao corresponde um grau proporcional de generalidade e ,

 logo , de versatilidade e aplicabilidade .
 Com efeito : " [ ...
 ] It seems best to

 regard a sign as a determination of a quasi-mind ; for if we regard it as an

 outward object , and as addressing itself to a human mind , that mind must first

 apprehend it as an object in itself , and only after that consider it in its

 significance ; and the like must happen if the sign addresses itself to any

 quasi-mind. It must begin by forming a determination of that quasi-mind , and

 nothing will be lost by regarding that determination as the sign. ( v1905 - MS

 283 ; 131 .
 The basis of Pragmaticism ) .

 Contudo , no parece ter sido esta a generalidade a principal motivao de

 Peirce .
 Com efeito , a definio peirceana permite repensar de uma forma lgica ,

 ou seja , sem recurso  Introspeo e  Intuio , o processo e os contedos do

 Pensamento e , logo , dispensar a noo cartesiana de uma substncia mental , a

 qual implica uma dualidade entre materialidade e mentalidade , entre vida e

 pensamento e justifica a psicologizao da prpria Lgica .
 Segundo Ransdell ,

 " his most basic motivation in abstractively refining the conception of the sign

 relation into three , and only three , essential terms was [ ...
 ] that of allowing

 us to reconceive the mind and mentality in terms of the logical form of the

 process and content of thought as such , as distinct from regarding the mind as

 something which is doing the thinking , the aim being to eliminate thereby the

 need for invoking a Cartesian mental substance as agent [ ...
 ] " ( Ransdell , " On

 Peirce's Conception of the Iconic Sign " , 1997 ,  10 ) .

  verdade que Peirce , em muitas das verses da sua definio de Representao e

 de Signo , refere explcitamente o agente da interpretao e o emissor do Signo .

 Estas referncias devem-se , certamente , a esta ou aquela circunstncia

 particular , relacionada com as caractersticas da audincia para quem Peirce

 supunha dirigir-se .
 Com efeito , a principal razo destas repetidas referncias

 devem-se , sobretudo ,  dificuldade sentida por Peirce em fazer-se entender ,

 ainda que a soluo para esta dificuldade lhe acarretasse alguns compromissos

 com o mentalismo e com o psicologismo [ 10 ] .

 Segundo Peirce , " It is clearly indispensable to start with an accurate and

 broad analysis of the nature of a Sign .
 I define a sign as an thing which is so

 determined by something else , called its Object , and so determines an effect

 upon a person , which effect I call its interpretant , that the latter is thereby

 mediately determined by the former. My insertion of ' upon a person ' is a sop to

 Cerberus , because I despair of making my own broader conception understood "

 ( Marty ,  47 - 1908 - SS p .80 .
 Letter to Lady Welby dated " 1908 Dec .23 " ) .

 Para Marty , Peirce had a great deal of difficulty getting people to accept

 this conception , quite banal today , of a formal model of the sign ( Marty ,

 Analysis of the 76 Definitions of the Sign in 76 Definitions of the Sign by

 C.S.Peirce ) .
 Para Ransdell , " Peirce's rhetorical concessions to this

 increasingly dominant but alien intellectual situation [ a tendncia para

 psicologizar a Lgica e , de um modo geral , a Filosofia ] proved to be unwise :

 [ ...
 ] such concessions have misled many readers ever since " ( Ransdell , 1997 ,

  11 ) .

 1.4.5.1.3 O Signo-Aco ou Semiose

 Considera-se , aqui , que a Semiose descreve o processo sgnico de uma forma

 existencial , ou seja , como aco situada num tempo e num contexto , com agentes

 concretos , e neste caso ter-se- uma teoria pragmtica dos signos .
 A

 abrangncia da teoria pragmtica dos signos reside na , capacidade de dar conta ,

 de uma forma sistemtica e compreensiva , daquelas experincias que envolvam

 processos de Semiose como experincias de Conhecimento .
 Com efeito , na teoria

 pragmtica de Peirce , Semiose  sinnimo de Inferncia .
 Isto quer dizer , como

 se viu , que a semitica Peirceana equivale a uma Lgica .

 Refere-se Peirce ao signo-aco como o objecto especfico da Semitica , ou

 seja ,  semiosis ou Semiose .
 Em sentido estrito , a Representao no equivale 

 Semiose , uma vez que esta ltima consiste precisamente naquela aco do Signo

 pela qual este determina um segundo Signo , o Interpretante .
 Por outras

 palavras , a Semiose  entendida por Peirce como o processo de produo do

 Interpretante .

 A Semiose equivale , portanto ,  produo de um significado por parte de uma

 conscincia a qual , sujeita  aco do representamen , o reconhece como estando

 por um determinado Objecto e , logo , conhece esse Objecto , ainda que parcial e

 mediatamente : [ ...
 ] Now a sign is a thing related to an object and determining

 in the interpreter an interpreting sign of the same object " .
 ( MS 462 .
 Lowell

 Lectures , 2nd Draught of 3rd lecture in Marty , # 26 ) .
 Por outras palavras , 

 Semiose corresponde a representao de um conhecimento inferido da experincia :

 a Semiose  uma inferncia do observado ou observvel para o no observado

 O processo semitico  infindvel : jamais o Objecto poder ser conhecido

 inteiramente e se o fr , no h maneira de provar essa inteireza .
 Segundo

 Peirce , " [ ...
 ] the interpretant is nothing but another representation [ ou

 Signo ] to which the torch of truth is handed along ; and as representation , it

 has its interpretant again. Lo , another infinite series " ( Marty ,  6 , n.d. , CP

 1.339 ) , ou ainda ,

 Para Deledalle , a semitica de Peirce procura responder  seguinte questo :

 Como  que pensamos ?
 " ( Deledalle , 2000 ; 20 ) .
 Para Ransdell , a semitica de

 Peirce procura elaborar uma concepo do Signo e da Semiose que possa

 constitur a base de uma Lgica abrangente , capaz de descrever e explicar todos

 os fenmenos , reais ou ficcionais , que provenham e exibam a aca da

 inteligncia : " Considered apart from its application to this or that special

 subject-matter or problem , then , the theoretical conception of a sign - - or , more

 exactly , the conception of the triadic [ ...
 ] sign relation - - is a highly

 abstract explication of the formal structure of intelligence , which Peirce

 himself regarded as co-extensive with life " .
 ( Ransdell , " Peirce " in

 Encyclopedic Dictionary of Semiotics , 1986 ) .

 1.4.5.2 O Interpretante

 Peirce coloca o Interpretante na relao de Representao : " [ a sign ] creates in

 the mind of that person an equivalent sign , or perhaps a more developed sign .

 That sign which it creates I call the interpretant of the first sign. ( CP

 2.228 ) .

 1.4.5.2.1 A Interpretao

 Nesta definio , a ideia bsica  a de Interpretao , no a de Estmulo .
 Quer

 isto dizer que a Semiose configura uma experincia positiva , determinada pelo

 representamen , e no uma experincia passiva , pr-determinada pelo Objecto

 experimentado .
 O Signo possui uma virtus , ou seja , uma virtualidade [ 11 ] .

  natural que quando o significado de um dado signo no  imediatamente claro

 ou quando esse significado , uma vez atribudo , venha a revelar-se errado , se

 pense a experincia de conhecimento perante esse signo como uma Interpretao ,

 dado que essa experincia  explcita .
 Contudo , o conceito de interpretao no

 se identifica necessariamente com a procura de um sentido obscuro :  um

 artifcio que revela um sentido .
 Existem experincias de conhecimento tcitas ,

 como  o caso da percepo ou , mais precisamente , do juzo perceptivo , ou seja ,

 aquilo que resulta de um perceptum sensvel , que no so nem menos positivas

 nem menos construdas que as anteriores ; tambm nestes casos  razovel

 atribuir  experincia o carcter de Interpretao .

 1.4.5.2.2 Interpretao , Percepo e Abduo

 A ideia da percepo como experincia activa  elaborada , por exemplo , por

 Piaget e por Gibson , no campo da Psicologia , ou por Gombrich , no campo da

 Histria da Arte , mas tambm pela fenomenologia e por outras escolas e

 doutrinas .

 Segundo Eco compreende-se " em que sentido , como j tinham afirmado outros

 filsofos , o progresso sgnico se identifica com o processo abstractivo do

 pensamento .
 Trata-se de escolher alguns aspectos gerais da experincia e

 construir ( um ) modelo estenogrfico " ( Eco , 85 ; 124 ) .
 Compreende-se , tambm , a

 razo pela qual Gibson ( 1966 ) considerou to influente o conceito tridico de

 signo , em particular o de signo Icnico .
 Gibson considerava , tal como que a

 percepo consistia numa construo mental baseada em informao relevante

 adquirida pelo sistema de sentidos .
 No que respeita  percepo visual , Gibson

 manteve que o olhar actuava no como um cran passivo no qual as imagens do

 mundo externo seriam projectadas mas sim como um processo activo de seleco -

 incluindo a locomoo do corpo e a movimentao da cabea e dos olhos - - de

 invariantes estruturais , a partir das quais o crebro construiria os

 ` precepta ' , e sugeriu que a cognio estabelece uma relao tridica : " I have

 suggested ( ...
 ) that a three way relation exists between a precept , a stimulus

 invariant and its source " ( Gibson , 66 ; 244 ) .
 Gombrich defende que a viso e ,

 portanto , a representao mental do que  visto depende de hipteses cognitivas

 elaboradas pelos sistemas de percepo .
 Arnheim estabelece que a cognio  a

 interaco entre o conhecimento perceptivo-intuitivo e o conhecimento

 lgico-intelectivo .

 Para Peirce , o juzo perceptivo corresponde mesmo a um modo de pensamento

 inferencial , em particular  inferncia abdutiva ou Abduo .
 Segundo Eco ,

 Peirce " deixa claramente compreender que a percepo  um processo abdutivo "

 ( Eco , 1973 , 1985 ; 118 ) ou ainda que " [ ...
 ] para Peirce h tambm interpretao

 a nvel da percepo " ( Eco , idem ) .

 1.4.5.2.3 O Signo-Interpretante

 A Interpretao tomada no como o acto de interpretar mas sim como a

 representao de um conhecimento inferido da experincia  uma ideia .
 Ora , a

 Ideia  para Peirce o melhor e mais claro exemplo de Signo ou , por outras

 palavras ,  um Signo puro .
 Para Deely , que retoma o conceito peirceano de

 Interpretante , " ao contrrio dos objectos , incluindo as palavras , que tambm

 so signos , as ideias no podem deixar de conferir presena a alguma coisa alm

 delas prprias " e , por essa razo , " elas no fazem seno significar , i.e. ,

 conferir presena aos objectos da percepo [ ...
 ] que as ideias elas mesmas no

 so. [ ...
 ] As ideias , e apenas elas entre todos os componentes do mundo ,

 significam por necessidade .
 Para elas , ser e significar  uma e a mesma coisa "

 ( 1982 , 95 ; 173 ) .
 Desta forma , compreende-se que a interpretao seja uma

 prtica semitica e que o Interpretante , seja Signo .
 Compreende-se tambm que

 para Peirce a experincia da Interpretao seja , por si mesma , de um ponto de

 vista pragmtico , infindvel , e que a semiose no possa deixar de ser semiose

 ilimitada : " [ A sign is ] anything which determines something else ( its

 interpretant ) to refer to an object to which itself refers ( its object ) in the

 same way , the interpretant becoming in turn a sign , and so on ad infinitum "

 ( Peirce , Baldwin Dictionnary , " Sign " , 1902 , CP 2.303 ) .

 O Objecto determina o Signo ; o Signo , por sua vez , determina um segundo signo ,

 o Interpretante , de tal forma que este ltimo revele um aspecto ou aspectos

 parciais do Objecto [ 12 ] .

  possvel supor que em condies favorveis e aps uma sequncia de sucessivas

 Representaes , o Interpretante revele tudo o que h para revelar acerca do

 Objecto .
 Neste caso , o Interpretante final e o Objecto seriam idnticos , na

 medida em que exista uma identidade entre aquilo que uma coisa  e aquilo que

 se pode saber dessa coisa .
 Segundo Ransdel , neste caso extremo " the object and

 the interpretant would differ only in the sense in which there is a difference

 between something considered in itself and something considered under the

 aspect of being known ; hence in actual cases , where the interpretant is only a

 partial revelation of the object , there is a real but correspondingly partial

 identity of interpretant and object - - though , again , as qualified by the

 difference between the thing in itself and the thing as it is known to be

 ( Ransdell , idem ,  7 ) .

 1.4.5.3 O Objecto [ 13 ]

 Como se viu , as definies formais de Representao e de Semiose , pressupem ,

 da parte de Peirce , uma reflexo aturada sobre a natureza desse terceiro termo

 da relao semitica , o Objecto .
 A reflexo sobre a natureza do Objecto

 peirceano remete , em primeiro lugar , para o esclarecimento da noo de

 determinao , em segundo lugar , para a distino entre o Objecto Dinmico e

 Objecto Imediato .

 1.4.5.3.1 Determinao e Causalidade

 Da identidade parcial entre Interpretante e Objecto , fundada na determinao

 mediata ( porque mediada pelo Signo ) do primeiro pelo segundo , parecem decorrer

 duas consequncias .
 Em primeiro lugar , e considerando-se que Peirce parece

 entender a relao de determinao como uma relao de causalidade , no parece

 ser possvel alterar o significado do Signo sem alterar previamente as

 propriedades no semiticas do Objecto , isto  , sem recompr esse Objecto :

 " Suffice it to say that a sign endeavours to represent , in part at least , an

 Object , which is therefore in a sense the cause , or determinant , of the sign

 even if the sign represents its object falsely. " ( Marty , 52 - v .1909 - CP

 6-347 ) .
 Em segundo lugar , no parece ser possvel postular algum tipo de

 relao de Representao sem que o Objecto seja previamente dado , uma vez que

 " [ ...
 ] A sign is intended to correspond to a real thing , or fact , or to

 something relatively real  ( Marty , 24 - v 1903 - MS 9 .
 Foundations of

 Mathematics ) .

 Se a primeira consequncia confirma que aquela aderncia  Realidade  uma das

 caractersticas que marcam o discurso peirceano , j a segunda consequncia

 poderia ser tomada como um ponto litigioso na teoria de Peirce : por um lado , se

 o Signo  causado pelo Objecto , torna-se difcil explicar a ocorrncia de

 representaes falsas ou , o que  dizer o mesmo , de inferncias erradas ; por

 outro lado , constatam-se numerosas relaes de Representao , como  o caso das

 representaes construdas no ambito do Projecto , em que  a prpria

 Representao que aparece a postular o seu Objecto e em que o Signo , portanto ,

 parece anteceder o Objecto que o determina [ 14 ] .

 1.4.5.3.2 Causalidade Eficiente e Causalidade Final

 A este respeito , deve notar-se o seguinte : a relao de determinao ou seja ,

 de causalidade , que Peirce designa tambm por relao de afectao , possui ,

 normalmente , quatro significados distintos : o da causalidade material , o da

 causalidade formal , o da causalidade eficiente e o da causalidade final [ 15 ] .
 Em

 Peirce , encontram-se referncias  causalidade eficiente , na qual o antecedente

 contm o consequente , e  causalidade final , na qual  o consequente que contm

 o antecedente .
  neste ltimo sentido que a relao pela qual o Objecto

 determina imediatamente o Signo e , mediatamente , o Interpretante , deve ser

 entendida .
 Para Ransdell , a Semiose peirceana " [ ...
 ] involves final causation

 or teleology [ Peirce ] means that there is a factor involved , a telos or end ( an

 unactualized and thus merely ideal entity towards which there is asymptotic

 approximation ) , that cannot be omitted in a complete account of how any given

 semiosis process works ( " Kinds of Determinants of Semiosis  ,  1 , in The

 Meanings in Things , v. 05-08-01 ) .

 1.4.5.3.3 Objecto Imediato e Objecto Dinmico

 Note-se , tambm , que o Objecto peirceano no pertence apenas  categoria ou

 modo de Ser da Existncia , da Actualidade , daquilo que  localizvel no espao

 e no tempo ; o Objecto pertence  Realidade e esta inclui trs modalidades : a

 Possibilidade ou o modo de Ser do que  possvel , a Actualidade ou o modo de

 Ser do que existe e a Necessidade ou o modo de Ser do que  representao ou

 conhecimento .
 Desta forma , o objecto semitico no se reduz ao hic et nunc da

 Actualidade : " A Sign , then , is anything whatsoever - - whether an Actual or a

 May-be or a Would-be , - - which affects a mind , its Interpreter , and draw that

 interpreter's attention to some Object whether Actual , May-be or Would-be which

 has already come within the sphere of his experience ; [ ...
 ] " ( Marty ,  60 , 1911 ,

 MS 67O1 , sublinhado meu ) .

 Note-se , por fim , que o Objecto peirceano  pensado de duas maneiras

 simultneas : como objecto semitico , que aparece como um dos trs termos da

 relao de Representao , que est presente de um modo representativo e que

 Peirce designa como Objecto Imediato , e o Objecto por si mesmo , independente do

 modo como  representado , que Peirce designa como Objecto Dinmico .
 Segundo

 Peirce , " we have to distinguish the Immediate Object which is the Object as

 the Sign itself represents it , and whose being is thus dependent upon the

 Representation of it in the Sign , from the Dynamical Object , which is the

 Reality which by some means contrives to determine the Sign to its

 Representation " ( 4.536 ) .

 O Objecto Imediato  , de alguma forma , imanente  Semiose :  a coisa tal como

 aparenta ser ou como  pensada que  .
 O Objecto Dinmico  transcendente 

 Semiose , ou seja , transcende a cognio e , portanto ,  Real , no sentido em que

 Peirce pensa a Realidade : " The real is what doesn't depend on what we think of

 it " ( verificar fonte ) .

 Enquanto objecto semitico , o Objecto Imediato  tambm um Signo .
 Para Peirce ,

 " [ It ] is easy to see that the object of a sign [ o Objecto Imediato ] , that to

 which it virtually at least professes to be applicable , can itself only be a

 sign .
 For example , the object of an ordinary proposition is a generalization

 from a group of perceptual facts. It represents those facts. These perceptual

 facts are

 themselves abstract representatives , [ ...
 ] primarily of impressions of sense ,

 ultimately of a dark underlying something , which cannot be specified without

 its manifesting itself as a sign of something below. There is we think , and

 reasonably think , a limit to this , an ultimate reality , like a zero of

 temperature. But in the nature of things , it can only be approached ; it can

 only be represented. The immediate object which any sign seeks to represent is

 itself a sign " ( MS 599 , 1902 ) .

 A distino entre Objecto Imediato e Objecto Dinmico  de importncia crucial

 em qualquer tentativa de aplicao da Semitica de Peirce como mtodo

 interpretativo ou , se se quiser , como ferramenta epistemolgica : enquanto que o

 primeiro  o objecto denotado pela proposio , quer a proposio seja falsa ou

 verdadeira , o segundo  o objecto ao qual a proposio que tenha o valor de

 Verdade tende a conformar-se .
 O primeiro torna inteligvel a possibilidade do

 erro , o segundo  necessrio para a noo de Verdade [ 16 ] .

 2 O Dialogismo

 Afirma-se , portanto , que a semitica de Peirce configura uma filosofia do

 Pensamento.dado que  teoria do Signo corresponde , em Peirce , um modelo

 compreensivo e exaustivo da estrutura formal da inteligncia , ou seja , uma

 Lgica [ 17 ] .
 Ao dialogismo corresponde a hiptese de Peirce , segundo a qual o

 Pensamento opera atravs de um dilogo interno .
 Com efeito , para Peirce , " All

 thinking is conducted in signs that are mainly of the same general structure as

 words " [ 18 ] .

 2.1.1 O Modelo de Conversao Oral

 Numa primeira leitura , torna-se compreensvel que esta filosofia do Pensamento

 integrasse uma Semitica dado que a nica via para aceder ao campo do

 Pensamento , que no  em si mesmo um objecto sensvel , consiste na anlise das

 formas lingusticas que o tornam perceptvel [ 19 ] .
 Poder-se-ia pensar , portanto ,

 que a filosofia do Signo assumisse um papel de carcter meramente instrumental

 ou , se se quiser , um epifenmeno no quadro duma filosofia do Pensamento .

 Contudo , se se considerar que , em Peirce , o pensamento  , por si mesmo , uma

 forma lingustica ou , mais precisamente , um acto sgnico , concluir-se- que ,

 para Peirce , a filosofia do Pensamento e a filosofia do Signo so uma e a mesma

 coisa .
 Se o acto de conscincia , isto  , a ideia simples ,  um signo e se as

 ideias complexas , mais no so do que signos complexos , ento a pergunta ` o que

  isto ?
 ' equivale  pergunta ` o que  que isto significa ?
 ' , ou seja , falar do

 conhecimento de um dado objecto e falar do significado desse objecto  falar da

 mesma coisa :  falar de Semiose .

 Max Fisch , no seu " Just How General Is Peirce's General Theory of Signs "

 ( Ketner ed. , 1986 ; 356-361 ) traa o percurso que Peirce percorre para chegar 

 concluso de que todo o pensamento  um manuseamento de signos .
 Peirce comea

 por tomar como exemplo o modelo de conversao oral : numa conversa cada

 participante interpreta os sons emitidos pelos outros participantes para a

 linguagem que , supostamente , todos partilham , tomando esses sons como palavras ,

 frases significativas .
 Ora , no  fcil contestar que as palavras so signos ,

 ou seja , que as palavras remetem para outra coisa que no o seu prprio som .

 Neste sentido , tambm frases , argumentos e discursos so signos .
 Da mesma

 forma , so signos os " poemas , ensaios , contos , romances , oraes , peas

 dramticas , peras , artigos de jornal , relatrios cientficos e demonstraes

 matemticas .
 Um signo pode , portanto , ser parte de um signo mais complexo , e

 todas as partes que constituem um signo complexo so signos " ( idem ; 357 ) .

 2.1.2 Tom , Instncia e Tipo

 Contudo , a associao entre signos e pensamentos complexos formados ,

 respectivamente , por signos e pensamentos simples , s  sustentvel se no for

 tomada como uma adio de elementos simples [ 20 ] .
 Com efeito , para Peirce , um

 pensamento complexo , isto  , um signo complexo , como uma proposio ou um

 argumento , constitui um processo dirigido para uma sntese [ 21 ] .
 A este

 respeito , Peirce reconhece uma distino qualitativa entre signos mais ou menos

 complexos e prope trs famlias de signos : o Tipo , a Rplica e o Tom [ 22 ] .

 Muito brevemente : o Tipo  uma abstraco de carcter geral : o teorema de

 Pitgoras , por exemplo ; a Instncia  uma rplica concreta e singular do Tipo :

 qualquer tringulo rectngulo , por exemplo , utilizado para ilustrar o teorema

 de Pitgoras ; o Tom  uma qualidade ou uma sensao que predica a Instncia : a

 cor de um tringulo rectngulo no  significativa para a ilustrao do teorema

 de Pitgoras , mas poder s-lo no interior de uma composio pictrica .
 Tem-se

 portanto que o Tipo  uma lei ou uma conveno ou uma classe que  um signo , a

 Instncia  um objecto ou um evento concreto que  um signo ; o Tom  uma

 qualidade ou um atributo que  um signo .
 A conformidade da Instncia com o Tipo

  aproximada ou indicativa ; a relao do Tom com a Instncia  a relao pars

 pro toto .
  o Tipo que , por si mesmo , confere carcter significativo 

 Instncia -  um signo complexo ; a Instncia significa , em si mesma , o Tipo de

 que  uma rplica -  um signo de um signo complexo ; o Tom significa , em si

 mesmo , um predicado que qualifica a Instncia -  um signo de um signo de um

 signo complexo .

 Neste contexto ,  at possvel colocar a hiptese que no hajam signos que no

 sejam signos de outros signos .
 De facto , como se ver , esta hiptese configura

 a tese peirceana de uma semiose ilimitada .

 2.1.3 O Pensamento como Dilogo

 Segundo Max Fisch , a primeira extrapolao do modelo de conversao oral 

 sugerida a Peirce por aquelas passagens nos dilogos de Plato nas quais

 Scrates defende que o pensamento  um dilogo interno e silencioso : " o dilogo

 interior construda na mente por ela prpria sem o som das palavras " ( idem ;

 358 ) .
 Se o dilogo em lngua natural  constitudo por signos verbais , tambm o

 pensamento parece apresentar-se como um dilogo constitudo por signos ,

 estabelecido entre sucessivos momentos da mente : " Moreover , signs require at

 least two Quasi-minds ; a Quasi-utterer and a Quasi-interpreter ; and although

 these two are at one ( i.e. are one mind ) in the sign itself , they must

 nevertheless be distinct .
 In the Sign they are , so to say , welded. Accordingly ,

 it is not merely a fact of human Psychology , but a necessity ol Logic , that

 everv logical evolution of thought should be dialogic " ( CP 4.55 )

  esta hiptese , a do pensamento dialgico , que conduz Peirce , atravs de uma

 elaborada argumentao , levada a cabo desde os seus primeiros textos at ao

 " What the Pragmatism Is " , de 1905 ,  concluso que uma teoria geral do

 Pensamento equivale a uma teoria geral do Signo .

 2.1.3.1 Consequncias

 Esta concluso encerra algumas consequncias importantes .

 2.1.3.1.1 Lgica  Semitica

 Em primeiro lugar , que a Lgica mais no  do que outra designao para

 Semitica , cujo objecto especfico  a semiose ou a aco dos signos : " Logic ,

 in its general sense , is [ ...
 ] only another name for semiotic , the

 quasi-necessary , or formal , doctrine of signs " ( Peirce , CP 2.277 ) .

 2.1.3.1.2 Inferncia  Semiose

 Em segundo lugar , que a definio do objecto especfico da Semitica , a

 semiose , equivale  definio do objecto especfico da Lgica , a Inferncia ,

 ou , se se quiser , que a Inferncia  o equivalente lgico da Semiose .

 2.1.3.1.3 A Ideia  Signo

 Em terceiro lugar , que todo o pensamento  construdo com signos e conduzido

 por signos .
 Com efeito , " We have no power of thinking without signs " ( Peirce ,

 " Some Consequences [ ...
 ] " , CP 5.265 ) dado que o que quer que se pense implica

 um contedo de conscincia - uma sensao , uma imagem , uma concepo , uma

 representao - que  , por si mesmo , um signo .
  na tentativa de procurar

 extrar as consequncias mais fundas a propsito da equivalncia entre

 significao e inferncia que Peirce elabora uma semitica da conscincia

 humana e conclui que o prprio da natureza humana  , precisamente , ser Signo .

 Com efeito , para Peirce , " the word or sign that the man uses is the man itself "

 ( Peirce , " Some Consequences [ ...
 ] " , CP 5.314 ) [ 23 ] , porque " [ ...
 ] it follows

 from our own existence [ ...
 ] that everything which is present to us is a

 phenomenal manifestation of ourselves. [ ...
 ] When we think , then , we

 ourselves , as we are at that moment , appear as a sign " ( Peirce , " Some

 Consequences [ ...
 ] " , CP 5.283 ) .

 2.1.3.1.4 A Refutao da Introspeco

 Em quarto lugar , a uma refutao da Introspeco , enquanto possibilidade de um

 conhecimento directo do mundo interno , dos contedos da conscincia : " We have

 no power of Introspection , but all knowledge of the internal world is derived

 by hypothetical reasoning [ ou seja , por abduo ] from our knowledge of external

 facts " ( Peirce , " Some Consequences of Four Incapacities Claimed For Man " , in

 Journal of Speculative Philosophy , 1868 , CP 5.265 ) [ 24 ] .

 2.1.3.1.5 A Refutao da Intuio

 Em quinto lugar , a uma refutao da Intuio [ 25 ] , enquanto possibilidade de um

 conhecimento imediato do mundo externo : " We have no power of Intuition , but

 every cognition is determined logically by previous cognitions " ( Peirce , " Some

 Consequences [ ...
 ] " , CP 5.265 ) .
 Com efeito , se no h semiose que no provenha

 de outra semiose e no remeta para uma outra semiose , ento no h inferncia

 que provenha de uma inferncia anterior e que no remeta para uma inferncia

 posterior , no existindo , portanto , premissas no inferidas nem concluses que

 encerrem a inferncia : " [ ...
 ] no present actual thought ( which is a mere

 feeling ) has any meaning , any intellectual value ; for this lies not in what is

 actually thought , but in what this thought rnay be connected with in

 representation by subsequent thoughts ; so that the meaning of a thought is

 altogether something virtual " ( Peirce , " Some Consequences [ ...
 ] " , CP 5.289 ) .

 2.1.3.1.6 O Conhecimento  Experincia Mediata

 Por fim , que o conhecimento do mundo externo  sempre um conhecimento mediado ,

 ou seja , que o acto de conhecer no configura uma relao didica , entre uma

 mente que conhece e um objecto que  conhecido , mas sim uma relao tridica ,

 que inclui necessriamente um elemento intermdio de mediao , um ` isto '

 atravs do qual a mente significa ou infere um ` aquilo ' .
 Logo , tanto a natureza

 como a funo do Signo peirceano residem , respectivamente , no discurso e na

 mediao e fundam-se na aco de articulao entre o Conhecimento e a

 Realidade .
 Por outras palavras , o Signo peirceano articula o Objecto com o que

 se conhece desse Objecto : " [ ...
 ] a sign has , as such , three references : first ,

 it is a sign to some thought which interprets it ; second , it is a sign for some

 object to which in that thought it is equivalent ; third , it is a sign , in some

 respect or quality , which brings it into connection with its object " ( Peirce ,

 " Some Consequences [ ...
 ] " , CP 5.283 ) .

 O Signo , no est , portanto , pela ideia ou imagem mental do Objecto , mas sim

 pelo prprio Objecto .
 Para usar a terminologia de Peirce , o Signo  determinado

 pelo Objecto ou , se se quiser ,  afectado ou causado pela Realidade .
 Ou ainda :

 O Signo  a forma de apresentao da Realidade  Conscincia .

 Dado que a semitica de Peirce est profundamente comprometida com as noes de

 Realidade e Objecto , convm , pois , avali-las  luz da fenomenologia peirceana .

 3 A Teoria das Categorias

  na fenomenologia proposta por Peirce , que se encontram os fundamentos para a

 sua teoria geral dos signos .
 Quer isto dizer que a teoria geral dos signos 

 derivada da fenomenologia e , em consequncia , se no se estabelece , em Peirce ,

 uma correlao entre a semitica e a fenomenologia , a primeira resulta

 incompreensvel .

 Note-se , tambm , que  a fenomenologia peirceana que permite enquadrar as

 noes de Semiose e de Signo numa discusso mais geral centrada nas noes de

 Realidade e Verdade .

 Note-se , ainda , que phaneroscopy  , de acordo com Peirce , a teria dos

 phanerons , ou seja , dos fenmenos .
 A distino que Peirce estabelece entre

 fenomenologia e phaneroscopy no se reduz a uma mera diferena terminolgica .
 A

 fenomenologia peirceana trata do que sendo aparente  conscincia , independe da

 conscincia , isto  , no depende nem de formas a priori de sensibilidade nem de

 categorias a priori de conhecimento .

 No se considera aqui , de maneira extensiva , a evoluo do pensamento de

 Peirce , ao longo da sua obra , apesar de parecer incontestvel a utilidade de

 situar cada tese de Peirce quer no seu contexto cronolgico , quer no contexto

 comunicativo , ou seja , no quando e no para quem Peirce emite esta ou aquela

 tese .
 Contudo , deve notar-se que o primeiro esboo da sua fenomenologia surge

 muito cedo , j apartir de 1868 , e no cessar de sofrer acertos e cambiantes

 at 1890 [ 26 ] .

 Note-se , por fim , que Peirce efectua , atravs da sua fenomenologia , uma leitura

 crtica da fenomenologia kantiana .
 Ele mantm , tal como Kant , que a apreenso

 do mundo s  possvel caso a multiplicidade dos fenmenos ou phanerons seja

 reduzida  unidade [ ou simplicidade ] recorrendo , contudo , no a formas a priori

 de sensibilidade , nem a categorias a priori do conhecimento , imanentes ao

 sujeito que conhece , dadas , no adquiridas , mas sim queles modos de ser que ,

 para Peirce , so objectivos e , logo , apreensveis atravs da experincia que 

 reflectida , criticada .

 3.1.1 Unidade e Multiplicidade

 A importncia da categorizao do Mundo reside na possibilidade de , atravs

 dessas categorias , unificar ou simplificar a multiplicidade das experincias

 determinadas por esse Mundo : " This paper [ a New List ] is based upon the theory

 already established , that the function of conceptions is to reduce the manifold

 of sensuous impressions to unity , and that the validity of a conception

 consists in the impossibility of reducing the content of consciousness to unity

 without the introduction of it " ( Peirce , " On a New List [ ...
 ] " ,  1 , CP 1.545 , W

 2.49 ) .

 Qualquer experincia de conhecimento do Mundo , est continuamente envolvida na

 oposio entre multiplicidade e unidade .
 Duas experincias que apresentem ,

 entre si , uma ou mais qualidades comuns , como o tempo ou o lugar ou a durao ,

 solicitam ao observador menos atento a deciso sobre se as considera como

 repeties de uma experincia nica , isto  , como instncias de uma

 regularidade , uma regra ou hbito , ou as considera como experincias

 individuais , isto  , como experincias particulares .
 Em qualquer dos casos , a

 deciso tomada dever minimizar a multiplicidade e a irregularidade dessas

 experincias e , portanto , ampliar a sua capacidade de predio cerca do

 comportamento desse Mundo .

 Na verdade , aquilo que a experincia de conhecimento parece demonstrar  a

 necessidade de simplificar e unificar a complexidade e a multiplicidade daquilo

 que  experimentado .
 A reflexo explcita sobre as experincias proporcionadas

 pelo Mundo , ou seja , a reflexo que , de acordo com Peirce , configura uma

 Cincia , parece obedecer , tambm ,  lmina de Occam : Entia non sunt

 multiplicanda praeter necessitatem , ou seja , que a multiplicidade e , logo , a

 singularidade no sejam aceites como desejveis seno aps terem sido aceites

 como necessrias .
 Veja-se , a este respeito , Quine , para quem o pensamento

 cientfico ambiciona , tambm , unificar a multiplicidade existencial : " The

 deliberate scientist goes on in essentially the same way , if more adroitly ; and

 a law of least action remains prominent among his guiding principles. [ ...
 ] .
 It

 is part of the scientist's business to generalize or extrapolate from sample

 data , and so to arrive at laws covering more phenomena than have been checked ;

 and simplicity , by his lights , is just what guides his extrapolation. [ ...
 ] "

 ( Quine , 1960 ; 19 ) .

 Os trs principais pontos de vista acerca da oposio entre unidade e

 multiplicidade e , mais precisamente , as trs principais doutrinas acerca da

 unificao e simplificao do fluxo da experincia , remetem para a controvrsia

 medieval sobre os Universais , sendo normalmente designados como realismo ,

 conceptualismo e nominalismo .

 3.1.2 Realismo , Conceptualismo , Nominalismo

 O realismo estipula a realidade objectiva dos Universais ou seja , de entidades

 abstractas : classes , atributos , proposies , nmeros , relaes e funes .
 Estas

 entidades independem da conscincia ; esta pode descobri-las mas no as pode

 criar ou determinar .
 Segundo Quine , o logicismo , que corresponde ao realismo no

 campo da moderna filosofia da Cincia , representado por Frege , Russel ,

 Witehead , Church e Carnap , " autoriza o uso de variveis ligadas para referir ,

 de modo indiscriminado , entidades abstractas , conhecidads ou desconhecidas ,

 especificveis ou no-especificveis " ( Quine , 1980 , 1990 ; 34 ) .
 O realismo

 mantm que os universais , sendo reais , so descobertos pela conscincia por

 meio dos sentidos .

 O conceptualismo , que para Peirce ,  , na verdade , um nominalismo mitigado

 ( verificar Referencia ) estipula que os universais dependem da conscincia na

 medida em que so por ela produzidos .
 Segundo Quine , o intuicionismo , que

 corresponde ao conceptualismo no campo da filosofia da Cincia , representado

 por Poincar e Weil , aceita que as variveis ligadas sejam usadas para referir

 entidades abstractas somente se estas entidades forem construdas por induo

 ( cf. idem ) .
 O conceptualismo defende que os universais , sendo reais , so

 inventados pela conscincia , atravs da inferncia indutiva .

 O nominalismo que , a partir do empirismo ingls do sculo XVII parece marcar o

 percurso do pensamento moderno , estipula a negao da realidade objectiva dos

 Universais e mantm uma concepo da Realidade reduzida a puros objectos

 singulares , concretos e actuais , isto  , a Particulares .
 Segundo Quine , o

 formalismo , que corresponde ao nominalismo na filosofia da Matemtica ,

 normalmente associado a Hilbert , objecta " de todo ,  admisso de entidades

 abstractas , mesmo no sentido restrito de entidades produzidas pela conscincia "

 ( idem ) .
 O nominalismo argumenta que os universais so puros nomes e , como tal ,

 no implicam um significado nem uma significao .
 Contudo , , a realidade

 subjectiva , quanto mais reivindicado na imediata presena ` disto ' e ` daquilo ' ,

 aqui e agora , quanto mais particularizada e , portanto , concreta e mltipla ,

 tanto mais aparece como fugaz e incompreensvel .
 Segundo Calvo , " [ ...
 ] O ` isto

 aqui ' , o singular , existe , mas no pode dizer-se [ parecendo , pois que o

 resultado ] de um nominalismo rigoroso , ainda que cptico [ o empirismo

 anglo-saxnico ] , implica a crise de qualquer possvel instituio de parmetros

 para a regulao do afluxo do real  conscincia " ( cf .
 Calvo , 1992 ; 78 e seg. ) .

  esta regulao que em Kant parece ser resolvida pelo juzo sinttico a

 priori : as condies da possibilidade da experincia em geral so ao mesmo

 tempo condio da possibilidade dos objectos da experincia e tm , portanto ,

 validade objectiva num juzo sinttico a priori .

 Parece ser esta mesma regulao que Peirce pretende resolver atravs das suas

 trs categorias

 Cf tb. [ Peirce-l ] Reality versus Sensuality

 Um modelo topolgico :

 " ...
 Les triades authentiques de Peirce " ...
 Peirce's genuine triadic

 relations

 peuvent tre reprsents  l'aide des can be represented by means of

 the

 figures de la gomtrie de cautchone. " geometry of the rubber figures. "

 Armando Sercovich , ' About the semiotic's nonexistence ' , El discurso , el

 psiquismo y el registro imaginario , N.V. ,

 Buenos Aires , 1977

 The process of mediation is an oscillatory process that acts to BIND the

 elements of the S / R into a ' whole ' that becomes the symbol / habit [ ...
 ] Thus the

 mediation process acts to achieve this ' compactness ' where success

 is in the form of a Symbol of the whole S / R event and as such serves as a

 source of stimulus itself , as well as in the formation of a habit - an

 instinctive response to the WHOLE S / R event ( or more so a variation of

 response to the orginal - a refinement in response ) ( Chris Lofting , Peirce-l )

 3.1.3 As Trs Categorias da Realidade

 Tal como em Kant , a fenomenologia de Peirce  uma teoria das categorias ,

 entendo-se por categorias aqueles atributos ou propriedades ou , mais

 precisamente , aqueles predicados que so comuns a todos os objectos reais ou

 seja , a todos os modos de ser .

 Modos de ser , sublinhe-se , e no modos do Ser , dado que no " [ ...
 ] haver j

 substncia [ a partir de 1890 ] mas apenas relaes [ ...
 ] .
 A proposio no

 consistir j de um termo substantivo e de um termo predicativo que expresse a

 qualidade da substncia .
 A proposio consistir num predicado [ ou , segundo

 Peirce , num rema ] e num ndice [ index ] que confere existncia [ que materializa ,

 que concretiza ] esse predicado [ ou qualidade ] " ( Deledalle , 2000 ; 57 ) .
 Os trs

 modos de ser podem entender-se , portanto , como modos de relao entre objectos ,

 tomando-se , aqui , Objecto como aquilo que  predicvel , que pode sofrer a

 atribuio de predicados [ 27 ] .

 3.1.3.1 Modos de Ser e Modalidades de Relao

 Pode-se questionar a equivalncia entre modos de ser e modos de relao , entre

 a predicao e relao .

 A este respeito e em primeiro lugar , deve-se ter em conta que as categorias

 peirceanas permitem decompr o fenmeno , o phaneron , em elementos no

 decomponveis .
 Estes ltimos , as categorias , podem ser apreendidos ou de forma

 emprica , atravs da reflexo sobre a experincia , ou de forma

 lgico-matemtica .
 No primeiro caso , ter-se- a categoria como um modo de ser .

 No segundo caso , ter-se- a categoria como um modo de relao .
 Veja-se Peirce ,

 quanto ao primeiro caso : " Elementary conceptions only arise upon the occasion

 of experience ; that is , they are produced for the first time according to a

 general law , the condition of which is the existence of certain impressions .

 [ ...
 ] when such a conception has once been obtained , there is , in general , no

 reason why the premises which have occasioned it should not be neglected , and

 therefore the explaining conception may frequently be prescinded from the more

 immediate ones and from the impressions " ( Peirce , " On a New List [ ...
 ] " , # 5 ,

 CP 1.549 ) .
 Veja-se tambm Peirce , quanto ao segundo caso : " The unity to which

 the understanding reduces impressions is the unity of a proposition. This unity

 consists in the connection of the predicate with the subject ; and , therefore ,

 that which is implied in the copula , or the conception of being , is that which

 completes the ( W2 .50 ) work of conceptions of reducing the manifold to unity "

 ( Peirce , " On a New List [ ...
 ] " ,  4 , CP 1.548 ) .

 3.1.3.2 Relao Mondica , Didica e Tridica

 Em segundo lugar , deve-se tambm ter em conta que decorre da definio de

 objecto como tudo aquilo que  predicvel que o predicado  , em si mesmo , um

 objecto , uma vez que pode ser objecto de predicao .
 Tem-se , portanto , que

 afirmar que " l  m " ou que " l  m em virtude de p " equivale a afirmar ,

 respectivamente , uma relao didica - entre dois objectos - - e uma relao

 tridica - entre trs objectos .
 J afirmar que " algo  p " equivale a afirmar

 uma relao mondica uma vez que a expresso refere , apenas , um dado predicado

 - o " algo " no  um objecto , mas sim a possibilidade de existncia de um

 objecto que caia sob o conceito de ser p .

 " Art .
 1 .
 A triad is something more than congeries of pairs .
 For example , A

 gives B to C. Here are three pairs : A parts with B , C receives B , A enriches C .

 But these three dual facts taken together do not make up the triple fact , which

 consist [ s ] in this that A parts with B , C receives B , A enriches C , all in one

 act. Take another illustration. There is a two-way mode of freedom of a

 particle on a line from A to B. But if there is a furcation of the line , so

 that it leads from A to B and C and from B to A and C , there is an essentially

 different feature. Thus in triads we must expect to find peculiarities of which

 pairs give no hint " ( Peirce , THE CATEGORIES , NEM IV )

 3.1.3.3 Possibilidade , Existncia e Mediao

 Kant havia proposto doze categorias [ 28 ] .
 Peirce restringe as suas categorias a

 no mais que trs modos de relao dado que qualquer relao n-dica , isto  ,

 em que o nmero de termos n seja superior a trs ,  redutvel a relaes

 mondicas , didicas e tridicas que correspondem , respectivamente , ao o modo de

 ser como primeiro , isto  , a primeiridade , ao modo de ser como segundo , isto  ,

 a secundidade , e ao modo de ser como terceiro , isto  , como terceiridade .

 As categorias de Peirce so portanto , a Possibilidade , a Existncia e a

 Mediao .
 A Possibilidade  a propriedade relacional que conta apenas com um

 termo ( Firstness ) .
 A Existncia  uma propriedade relacional entre dois

 termos , ou seja , a relao de interaco de um objecto com outro ( Secondness ) .

 A Mediao  uma propriedade relacional entre trs termos ( Thirdness ) .

 Ao Priman correspondem qualidades gerais , no materializadas : a cor branca ,

 enquanto brancura , por ex .
 Ao Secondan correspondem objectos e eventos

 materiais , singulares : a cor vermelha , enquanto comprimento de onda da radiao

 luminosa , emitida de uma certa fonte , sob certas condies [ 29 ] .
 Ao Tertian

 correspondem leis gerais e abstraes : a cor verde , enquanto cor de um objecto ,

 uma bandeira , por ex. , interpretada como figura retrica .

 3.1.3.3.1 Gradao

 Note-se que as categorias peirceanas no se excluem mtuamente : para Peirce ,

 afirmar que um dado objecto pertence a uma dada categoria ,  afirmar que esse

 objecto se oferece , neste momento e neste contexto , para efeitos de uma certa

 anlise , como instncia dessa categoria .
 A Ideia exemplifica , para Peirce , a

 simultaneidade das trs categorias : " Thus , we have in thought three elements :

 first , the representative function which makes it a representation ; second , the

 pure denotative application , or real connection , which brings one thought into

 relation with another ; and third , the material quality , or how it feels , which

 gives thought its quality " ( Peirce , " Some Consequences [ ...
 ] " , CP 5.290 ) .

 A distino entre Primeiridade , Secundidade e Terceiridade  entendida ,

 portanto , como uma gradao entre aquelas dimenses ou aspectos pelos quais a

 experincia da Realidade  unificada [ 1 ] .
 A este respeito , leia-se Peirce :

 " This theory gives rise to a conception gradation among those conceptions which

 are universal .
 For one such conception may unite the manifold of sense and yet

 another may be required to unite the conception and the manifold to which it is

 applied ; and so on ( Peirce , " On a New List [ ...
 ] " ,  2 , CP 1.546 ) .

 Na perspectica de Peirce , no existem experincias cujos objectos sejam

 inteiramente mondicos , ou experincias cujos objectos sejam didicos mas no

 tridicos , " for he held that all three categories are applicable to every

 object which we can possibly experience " .
 Contudo , afirmar que qualquer

 experincia inclui uma relao tridica no equivale a afirmar que a semitica

 " [ seja ] the single all-embracing science ; for our interest in a thing ,

 scientific or otherwise , might be limited to its dyadic and / or monadic

 properties. It does mean , though , that there is nothing that cannot , in

 principle , be regarded from the semiotical perspective " mas sim que " there is

 no such thing as something which is only a sign " e que " everything which is a

 sign necessarily has non-semiotical properties as well " ( Ransdell , " On Peirce's

 Conception of ...
 " ,  25-26-27 ) .

 3.1.3.3.2 Priman , Secondan e Tertian

 Tem-se , portanto , trs categorias que sendo trs modos de ser , so tambm trs

 tipos de relao : a relao do Objecto consigo prprio , ou seja , a relao

 mondica , a relao do Objecto com um outro Objecto , ou seja , a relao

 didica , e a relao mediada do Objecto com um outro Objecto atravs de um

 terceiro Objecto .
 Um exemplo de uma relao mondica  a expresso

 proposicional " algo  p " , na qual nada nos indica o que  algo , apenas se

 afirma que algum objecto possui a qualidade ou o predicado de ser p .
 Um exemplo

 de uma relao didica  a proposio " l  m " , na qual , ao contrrio da

 anterior , se indica qual  o objecto m que possui a qualidade de ser p .
 Um

 exemplo de uma relao tridica  o argumento " se l  p e m  p , ento l  m " ,

 na qual se estabelece uma relao de identidade entre dois objectos l e m a

 propsito de uma qualidade comum , serem ambos p , ou seja ,  percebida ou

 conhecida ou abstrada uma dada relao entre l e m , em virtude de p .

 Retomando os trs exemplos anteriores ,  possvel afirmar que no primeiro caso ,

 a expresso proposicional assinala a Possibilidade da existncia de um objecto

 ou objectos que sejam p ; que , no segundo caso , a proposio assinala a

 Existncia de um objecto ou classe de objectos p ; que , no terceiro caso , o

 argumento assinala uma regra geral , com a qual  possvel identificar l com m

 atravs da Mediao de p .

 3.1.3.3.2.1 A Qualidade ou Sensao

 Ora , a pura Possibilidade , porque  puro predicado ,  tambm pura Qualidade ;

 corresponde a um dado contedo da conscincia que Peirce designa como Sensao

 ou Sentimento ( ibid. , CP 5.290 ) .

 3.1.3.3.2.2 A Actualidade ou Relao

 A pura Existncia , por que  pura individualidade ou , se se quiser , pura

 Actualidade ,  tambm pura Relao : corresponde a um dado contedo da

 conscincia que Peirce designa como a pura aplicao denotativa do pensamento

 ( idem ) .

 3.1.3.3.2.3 A Representao ou Discurso

 A pura Mediao , por que  pura regra geral ou , se se quiser , puro

 conhecimento ,  pura Representao ; corresponde a um dado contedo da

 conscincia que Peirce designa como Conceito e que poderia designar-se , aqui ,

 como abstrao ou , mais precisamente , Discurso ( idem ) .

 3.1.4 Discriminao , Dissociao e Presciso

 Em seguida , como uma hierarquia fundada no mtodo da presciso ( ou prescision ,

 de prescindere ) .
 A Mediao no prescinde da Existncia nem da Qualidade , a

 Existncia no prescinde da Qualidade , mas a Qualidade prescinde da Existncia

 e da Mediao e a Existncia prescinde da Mediao ( cf , Peirce , " On a New List

 [ ...
 ] " ,  5 , CP 1549 ) .

 Can we think

 blue without red ?

 space without color

 color without space

 red without color

 By discrimination

 yes

 yes

 yes

 no

 By dissociation

 yes

 yes

 no

 no

 By prescision

 yes

 no

 no

 no

 Cf Deledalle , p. 5

 ( ................................
 )

 3.1.5 A Categoria Semitica

 Tinha-se j assinalado que , em Peirce , a teoria geral dos signos , ou

 seja , a Semitica  derivada da sua Fenomenologia ou phaneroscopy .

 Importa , a este respeito , sublinhar o seguinte : no contexto da

 fenomenologia peirceana , a categoria da Terceiridade  a categoria

 especficamente semitica : " There are three kinds of interest we may

 take in a thing. First , we may have a primary interest in it for

 itself. Second , we may have a secondary interest in it , on account of

 its reactions with other things. Third , we may have a mediatory

 interest in it , in so far as it conveys to a mind an idea about a

 thing .
 In so far as it does this , it is a sign , or representation

 ( Peirce , " What Is a Sign ?
 " ,  2 , 1894 , CP 2.281 , 2.285 , e 2297-302 ) .

 Quer isto dizer que a relao de Representaco - - a relao

 Signo-Objecto-Interpretante -  a forma genrica da relao tridica .

 Que a teoria geral dos signos , no seu sentido mais preciso ,  a teoria

 geral da Terceiridade .
 Que , portanto , a concepo de relao tridica

 corresponde  concepo formal e abstracta da relao de

 Representao : " A very broad and important class of triadics

 characters [ consist of ] representations .
 A representation is that

 character of a thing by virtue of which , for the production of a

 certain mental effect , it may stand in place of another thing. The

 thing having this character I term a representamen , the mental effect ,

 or thought , its interpretant , the thing for which it stands , its

 object " ( Peirce , Notes on " A new list of categories " , 1899 , CP 1.564 )

 [ 30 ] .

 Quer isto dizer , por fim , que os trs termos da relao semitica , o

 Signo , o Objecto e o Interpretante , caiem , respectivamente , sob os

 trs modos de ser fundamentais .
 O Signo  um Primeiro , o Objecto  um

 Segundo e o Interpretante  um Terceiro : " [ ...
 ] Genuine mediation is

 the character of a Sign .
 A sign is anything which is related to a

 Second thing , its Object , in respect to a Quality , in such a way as to

 bring a Third thing , its Interpretant , into relation to the same

 Object , and that in such a way as to bring a Fourth into relation to

 that Object in the same form , ad infinitum .
 If the series is broken

 off , the Sign , in so far , falls short of the perfect significant

 character. It is not necessary that the Interpretant should actually

 exist .
 A being in futuro will suffice ( Peirce ,  Partial synopsis of a

 proposed work in logic  , 1902 , CP 2.92 ) .

 3.1.6 Concluso

 Tem-se , portanto , que se fosse possvel metaforizar as categorias de

 Peirce como Universos , ter-se-iam os universos da

 Possibilidade / Qualidade , da Existncia / Actualidade e da

 Semiose / Discurso .
 Reencontra-se , aqui , embora tomada do ponto de vista

 de uma classificao dos signos-pensamentos , a distino entre Tom ,

 Rplica e Tipo .
 Existem , com efeito , signos que so Qualidades , signos

 que so Objectos particulares e signos que so Conceitos gerais .

 Poder-se-ia supr , por fim , que a estes mundos categoriais e a estas

 distines sgnicas , ho-de corresponder , na filosofia Peirceana , as

 trs cincias normativas da Semitica ou Lgica Geral : a Esttica , a

 tica e a Lgica .

 4 A Teoria Formal dos Signos

 A teoria formal dos signos  uma teoria abstracta porque , em primeiro

 lugar , omite tanto o agente emissor como o agente receptor do Signo e

 porque , em segundo lugar , omite o factor tempo associado  sucesso

 das aces sgnicas determinadas por um dado objecto , no mbito de uma

 dada experincia de conhecimento .

 A teoria formal dos signos , tal como foi construda por Peirce , com

 base na sua fenomenologia ,  a teoria da Terceiridade e , enquanto tal ,

 descreve todas as possveis relaes que o Signo mantm com o

 Interpretante , com o Objecto e consigo prprio .
 Sendo a teoria da

 Terceiridade ,  a teoria formal da Representao ou , se se quiser , a

 teoria formal do Discurso .
 Neste sentido , pode afirmar-se que a teoria

 formal dos signos consiste na descrio e explicao da estrutura

 formal do Pensamento .

 ...............................................

 Cf. quadro da derivao das tricotomias [ 31 ]

 Cf. definio formal [ 32 ] .

 " A sign may be iconic , that is , may represent its object mainly by its

 similarity , no matter what its mode of being .
 If a substantive be

 wanted , an

 iconic representamen may be termed a hypoicon " ( CP 2.276 )

 " Hypoicons may be roughly divided according to the mode of Firstness

 of

 which they partake. Those which partake of simple qualities , or First

 Firstnesses , are images ; those which represent the relations , mainly

 dyadic ,

 or so regarded , of the parts of one thing by analogous relations in

 their

 own parts , are diagrams ; those which represent the representative

 character

 of a representamen by representing a parallelism in something else ,

 are

 metaphors ( 1.277 , 1902 ) " .

 " The only way of directly communicating an idea is by means of an

 icon ; and

 every indirect method of communicating an idea must depend for its

 establishment upon the use of an icon ( 1.278 , c .
 1895 [ FL1 ] ). "

 5 A Teoria Pragmtica dos Signos

 Considere-se um determinado Objecto real que  progressivamente

 apreendido pela inteligncia .
 Consoante a perspectiva com que esse

 Objecto  abordado , pode-se fazer a distino entre o Objecto enquanto

 pertencente  Realidade , o Objecto Dinmico , e o mesmo Objecto

 enquanto pertencente  Razo , o Objecto Imediato .
 O Signo refere de

 maneira imediata o Objecto Imediato e de maneira mediata o Objecto

 Dinmico [ 33 ] .

 A pragmtica de Peirce procura responder a isto : em que condies  o

 Objecto Imediato idntico ao Objecto Dinmico ?
 Resposta pragmtica :

 conceba-se quais so os efeitos prticos que possam ser produzidos

 pelo Objecto apreendido ; a concepo de todos estes efeitos  a

 concepo completa do Objecto .

 ======

 Em Peirce , a inteligncia humana  , antes de mais , uma inteligncia

 cientfica .
 Esta inteligncia  cientfica porque o conhecimento que

 produz  obtido ou , melhor , inferido a partir da experincia sensvel .

 Afirmar , portanto , que o mtodo para pensar com clareza e

 objectividade  o mtodo cientfico quer precisamente dizer que o

 pensamento  um percurso de indagao , de inqurito , de investigao ,

 numa palavra , de pesquisa [ 34 ] .
 Logo , o conhecimento est

 constantemente sujeito a um processo de verificao e de correco ,

 numa aproximao gradual  verdade .
 Segundo Deledalle , " Pensar 

 ` inquirir ' , ` procurar ' por uma dada coisa , pensar que tal coisa foi

 encontrada , agir ` como se ' fosse essa a coisa que procurvamos , antes

 de recomearmos esta ` busca ' pela verdade a que Peirce chama de

 falibilismo. " ( Deledalle , 2000 ; 20 ) .
 A este respeito , Peirce no 

 menos claro : " [ ...
 ] the most that can be maintained is , that we seek

 for a beliefe that we shall think to be true. " ( Peirce , CP 5.375 , The

 Fixation of Belief , 1877 , IV ) .

 A verdade  , portanto , um limite ideal , para o qual tendem as

 aproximaes graduais efectuadas por sucessivas pesquisas .
 Sendo um

 limite , a natureza da verdade consiste na concepo completa do

 objecto da pesquisa : " The Maxim of Pragmatism , as I originally stated

 it , Revue Philosophique VII , is as follows : Considrer quels sont les

 effets pratiques que nous pensons pouvoir tre produits par l'object

 de notre conception. La conception de tous ces effets est la

 conception complte de l'object " .
 ( Peirce , CP 5.18 ) .
 O falibilismo ,

 juntamente com o conceito de uma verdade sempre provisria , a que

 Peirce chama de belief , ou seja , de convico , esclarecem tambm o

 carcter colectivo e cumulativo da pesquisa cientfica e a pluralidade

 das respectivas construes interpretativas .

 Peirce parece rejeitar aquilo que se poderia designar como uma

 concepo positivista da Cincia [ 35 ] , segundo a qual a indagao

 cientfica pretende descobrir - des-cobrir , des-velar - algo que j

 existe .
 De acordo com esta perspectiva , no quadro da cultura da

 Cincia , a uma dada indagao corresponderia uma nica resposta

 verdadeira , uma nica construo interpretativa .
 Resulta desta

 perspectiva que a verdade cientfica consistiria numa adequatio , ou

 seja , na adequao da proposio ao sujeito da proposio , adequao

 essa verificada atravs de algum tipo de mtodo experimental .
 Para

 Peirce , a indagao cientfica  um percurso infinito , marcado pela

 dialctica entre dvida e convico .
 O objectivo desta indagao no

 consiste em apaziguar a dvida , substituindo-a pela convico ;

 consiste , isso sim , no estabelecimento de uma opinio , tomando-se ,

 aqui , opinio como convico partilhada e colectiva o que , alis ,

 pressupe determinadas regras comunicativas [ 36 ] .
 Pode algum aspirar a

 uma opinio verdadeira ,  certo , mas essa aspirao no ser mais que

 uma fantasia ou um capricho : " We may fancy that this is not enough for

 us , and that we seek , not merely an opinion , but a true opinion. But

 put this fancy to the test , and it proves groundless ; for as soon as a

 firm belief is reached we are entirely satisfied , whether the belief

 be true or false. " ( Peirce , CP 5.375 , The Fixation of Belief , 1877 ,

 IV ) .
 Para Peirce , a Cincia  concebida no como um corpus de

 conhecimento mas como um percurso colectivo e cumulativo de indagao ,

 de pesquisa , suportado por uma inteligncia que inferencia , isto  ,

 que conhece esta coisa atravs de uma inferncia efectuada sobre o

 signo dessa coisa .

 ********* [ FL2 ]

 Tal como a percepo no  pensada , por Peirce , como um registo

 passivo das impresses dos sentidos , tambm o pensamento cientfico

 no  tomado como acto passivo de des-cobrimento da realidade , mas

 como acto positivo que distingue , compe e explica - prope um dado

 modelo de interpretao - - a aparncia dessa realidade : o pensamento

 cientfico prope , activamente , mltiplas construes interpretativas

 para um dado fenmeno .
 Isto permite aceitar que a abduo , a lgica da

 Descoberta , que constitui , como vimos , um dos trs momentos da

 inferncia , se apresente , tambm , como a lgica da Inveno .
 De facto ,

 para Peirce , a abduo  tambm " [ ...
 ] the only logical operation wich

 introduces any new idea ; for induction does nothing but determine a

 value [ um valor de probabilidade ] , and deduction merely evolves the

 necessary consequences of a pure hypothesis. " ( Peirce , CP 5.171 ) [ 37 ] .

 A lgica abdutiva ou , mais precisamente , o argumento abdutivo

 re-aproxima , singularmente , as disciplinas cientficas das disciplinas

 artsticas , em particular , daquelas disciplinas artsticas que , tal

 como a Arquitectura , esto mais comprometidas com uma ideia e com um

 mtodo de Projecto .

 6 Significao e Inferncia

 6.1.1 Pensamento Inferencial

 Tal como a semiose , a inferncia , que  o seu equivalente

 epistemolgico - - Como  que pensamos ?
 - -  um nico processo

 tridico , constitudo por trs momentos distintos : abduo , induo e

 deduo .
 Contudo , se a abrangncia do conceito de Signo diferencia a

 filosofia de Peirce das tendncias da filosofia analtica - de Frege e

 Carnap , por ex. - centrada na anlise da linguagem natural , a

 descoberta ou a re-descoberta - esta no  uma questo tranquila -

 daquilo que Peirce designa ora como hiptese , ora como retroduo ora

 como abduo , distingue a filosofia de Peirce das tendncias da

 filosofia positivista e obriga a uma reviso das teses empiristas ,

 transformando a inferncia peirceana num instrumento particularmente

 til para descrever e explicar aqueles percursos do pensamento no s

 caracterizados por sucessivos momentos de descoberta , explorao e

 estabilizao mas tambm destinados a uma dvida permanente .

 ..............................

 6.1.2 Abduo , Deduo e Induo

 A inteligncia cientfica  , como se viu , uma inteligncia que infere ,

 ou seja , que conhece isto atravs daquilo - conheo esta coisa atravs

 da mediao daquela coisa .
 Contudo , a inferncia no se define como um

 processo ora indutivo ora dedutivo , no estando , portanto , submetida

 exclusivamente nem ao imprio dos factos nem ao imprio das leis [ 38 ] .

 Peirce prope um terceiro momento constitutivo da inferncia : a

 abduo ou a lgica da descoberta : " [ abduction is ] a method of forming

 a general prediction without any positive assurance that it will

 succeed either in the special case or usually , its justification being

 that it is the only possible hope of regulating our future conduct

 rationally " .
 ( Peirce , CP 2.270 ) .

 Com efeito , um dos mais importantes contributos de Peirce para uma

 filosofia do Pensamento consistiu na tese segundo a qual a noo de

 induo  heterognea " compreendendo no uma mas duas espcies

 distintas de movimento : o movimento da mente atravs do qual [ se

 forma ] uma hiptese com base na experincia sensorial [ a abduo ] e o

 movimento inverso atravs do qual confirmamos ou no a nossa hiptese

 com referncia ao sensorial [ a induo ] " ( Deely , 1982 , 1995 ; 90 )

 Inicialmente , Peirce associa a deduo  Matemtica , ou seja , associa

 a deduo  inferncia analtica ou necessria , e a induo e a

 abduo s restantes cincias , designando-as como inferncias

 sintticas .
 Mais tarde , em 1903 , na sexta conferncia sobre

 pragmatismo , h-de considerar que os trs tipos de inferncia esto

 presentes em qualquer experincia de conhecimento cientfico :

 " Abduction is the process of forming an explanatory hypothesis. It is

 the only logical operation wich introduces any new idea ; for induction

 does nothing but determine a value [ um valor de probabilidade ] , and

 deduction merely evolves the necessary consequences of a pure

 hypothesis. Deduction proves that something must be ; Induction shows

 that something actually is operative ; abduction merely suggests

 thatsomething may be. Its only justification is that from its

 suggestion deduction can draw a prediction which can be tested by

 induction , and taht , if we are ever to learn anything or to understand

 phenomena at all , it must be by abduction that this is to be brought

 about " ( CP 5.171 ) .

 6.1.2.1 Inferncia e Silogismo

 No seu " Memoranda Concerning Aristotelean Syllogisme " ( 1866 , W

 2.505-510 ) , Peirce argumenta que , ao contrrio de Aristteles , as

 segunda e terceira figuras do silogismo no so reduzveis  primeira

 e que " the second and third figures contain other principles , besides "

 ( idem , W 2.514 ) .
 As trs figuras so , portanto , irredutveis e

 correspondem aos trs tipos de inferncia : a deduo , a induo e a

 abduo ou hiptese [ 39 ] .

 No caso da deduo a premissa maior  uma regra , a premissa menor  um

 caso e a concluso  um resultado .
 No caso da induo a premissa maior

  um caso , a premissa menor  um resultado e a concluso  uma regra .

 No caso da abduo a premissa maior  uma regra , a premissa menor  um

 resultado e a concluso  um caso [ 40 ] .

 Para Max Fish , o trabalho de Peirce desenvolveu-se dentro de mbito

 bem determinado e com um objectivo preciso : " [ o mbito ] era a lgica ,

 concebida no incio como um ramo de um ramo da semitica , mas

 eventualmente quase coextensiva com a mesma , porm com uma

 distribuio de nfase diferente daquela feita pelos semioticistas que

 no so lgicos .
 O objectivo era distinguir os tipos possveis de

 semiose ou funes sgnicas , e , entre elas , fazer o estudo mais

 aprofundado que fosse possvel dos argumentos em particular e , acima

 de tudo , das suas funes na matemtica e nas cincias .
 A sua

 conquista mais importante foi a descoberta de que aquilo que a

 princpio denominou hiptese e mais tarde abduo ou retroduo  um

 tipo de argumento distinto , diferente da deduo e da induo e

 indispensvel tanto na matemtica como nas cincias " ( 1980 ; 11 )

 6.1.2.2 A Induo e a Deduo Empricas

 Note-se que os conceito peirceanos de induo e deduo so diferentes

 dos conceitos empricos .
 Considere-se a sucesso ordenada P0 , P1 , P2 ,

 ....
 , Pn-1 , Pn , em que P0 designa os objectos que so apreendidos na

 experincia de conhecimento , ou explanandum , Pn designa a teoria ou o

 modelo explicativo , ou explanans , e P1 , P2 e Pn-1 designam as

 operaes inferenciais que ligam P0 a Pn .
 A induo emprica 

 emprico-indutiva : equivale a um movimento do particular para o geral ,

 do explanandum para o explanans , no sentido de propr hipteses a

 partir dos dados observados : P0 - - > P1 - - > P2 ....
 , Pn-1Pn ; a deduo

 emprica  hipottico-dedutiva : movimenta-se do geral para o

 particular , do explanans para o explanandum , no sentido de verificar

 as hipteses adquiridas pela induo : PnPn-1 ...
 P2P1Po ( cf .

 Gardin , 1996 ; 232 ) .
 Tem-se portanto , na diferena entre a induo e a

 deduo , um " contraste de direces opostas no processo do raciocnio

 entre os mesmos dois pontos " : a construo da hiptese e a sua

 avaliao ( Eco , 1976 ; 131-133 ) [ 41 ] .

 Este contraste de direces opostas parece dever-se , sobretudo ,  obra

 de John Stuart Mill , A System of Logic , 1843 .
 Com efeito ,  " a essa

 obra [ ...
 ] que se deve a prevalncia da opiniao segundo a qual o

 raciocnio indutivo , ou a sua teoria - - a Lgica Indutiva - -  uma

 descoberta dos modemos [ 42 ] [ ...
 ] Somos inclinados a pensar a Deduo e

 a Induo como processos que se movem entre os mesmos pontos , mas em

 direces opostas : a Deduo , pensamos , argumenta a partir de

 princpios gerais para factos particulares , a Induo , de factos

 particulares para princpios gerais .
 Mesmo que isto fosse verdadeiro ,

 tal afirmao nada nos diz da diferena na natureza do raciocnio

 entre os dois casos. [ ...
 ] e deixa de fora algumas operaes do

 raciocnio que merecem mais ser denominadas cientficas [ 43 ] " ( Joseph ,

 H. W. B. , An Introduction to Logic , 1916 ; 395-397 in Deely , ibidem , p .

 89-90 ) .

 De facto , aqueles dois processos de raciocnio que se movem em

 direces opostas no parecem dar conta do terceiro movimento que se

 manifesta no ciclo do pensamento cientfico : o que liga o enunciado da

 hiptese  explicao das consequncias dessa hiptese .
 Com efeito ,

 no basta a uma teoria cientfica explicar determinados factos , sem

 mais exigncias ;  necessrio que essa explicao origine determinadas

 previses sem as quais o valor da teoria  indecidvel : " [ ...
 ] o

 objectivo , o fim de toda a investigao ,  o de que a teoria proposta

 para dar conta de determinados factos conduza a previses passveis de

 avaliao dentro do mesmo universo de referncia [ ...
 ] " ( Gardin ,

 ibidem , 74-75 ) .
 Designe-se , ento , por Pm os resultados ou , por outras

 palavras , as previses derivadas da teoria Pn .
 As inferncias que

 ligam Pn a Pm so dedues : constituem um desenvolvimento interno ao

 pensamento de acordo com relaes que lhe so prprias , de tal forma

 que se a teoria for correcta , a previso tambm o ser ,

 necessriamente .
 Em consequncia , num modelo do ciclo do pensamento

 cientfico mais refinado que o anterior , ter-se- o momento da induo

 P0 ....
 Pn , o momento da deduo PnPm e o momento da verificao

 Pm ...
 P0 .

 Contudo os momentos da induo e da verificao empricas tm uma

 identidade comum que os diferencia do momento dedutivo : enquanto os

 primeiros correspondem a silogismos que procedem entre gerais e

 particulares , dado que resultam do confronto com os objectos

 apreendidos na experincia de conhecimento , o segundo  um silogismo

 que procede atravs de universais .
 Os primeiros so inferncias

 provveis , o segundo  uma inferncia necessria .
 Segundo Deely , o

 " processo geral atravs do qual a mente forma , no seu intercmbio com

 a natureza sensvel , ideias sobre o modo como essa natureza funciona

 [ a induo ] tinha , naturalmente , sido reconhecido e contrastado com o

 silogismo ( raciocnio dedutivo ) desde os tempos mais remotos , na

 verdade , j pelo prprio Aristteles " ( 1982 , 1995 ; 87 ) .
 A evidncia de

 um tal processo geral , de interaco entre o pensamento e os dados da

 experincia , parece assegurada pelo facto de que os conceitos no so

 inatos mas sim adquiridos pela experincia .
 A este respeito , Deely

 recorre a Maritain , segundo o qual " deve haver , de facto , dois tipos

 distintos de inferncia , uma que nos introduz ou nos conduz ao

 conhecimento de coisas universais partindo dos factos particulares da

 experincia , e outra que nos leva das proposies universais

 previamente formadas a outras proposies no mesmo plano universal "

 ( idem ) .

 6.1.2.3 ascenso e descenso

 Para Deely , a abduo peirceana  uma redescoberta na medida em que

 resulta de uma re-elaborao da distino que a escolstica tardia

 efectuava entre ascensus e descensus , no interior da induo .
 Deely

 fundamenta esta apreciao com base no trabalho efectuado sobre a obra

 de Joo de Poinsot .

  certo que tambm a escolstica postula apenas duas maneiras de se

 adquirir conhecimento cientfico , a deduo e a induo , entendidas

 nos termos atrs referidos : a deduo  , um silogismo que procede

 atravs de universais ; a induo procede em termos de

 singulares , " [ ...
 ] pelo facto de que todo o nosso conhecimento tem

 origem nos particulares percebidos pelos sentidos " ( Liber Tertius

 Summularum , cap. 3 , " Sobre os Modos e os Meios de Resolver Termos por

 Ascenso e Descenso. " , in Deely , 1995 ; 89-90 ) .
 Contudo , se a induo 

 entendida , num primeiro momento , como um movimento ascensional , o

 ascenso , ou seja , um movimento de particulares suficientemente

 enumerados para um universal ( a induo emprica ) , e uma vez que

 " todos os opostos tm um racional comum " ( idem ) , a induo  tambm

 entendida , num segundo momento , como um movimento oposto , ou seja , o

 descenso , tomado como o movimento dos universais para os particulares

 ( a verificao emprica ) .
 " E a induo , no que diz respeito ao

 ascenso , orienta-se para a descoberta e a prova de verdades universais

 enquanto universais , isto e , na medida em que correspondem aos

 particulares nelas contidos .
 Pois no se pode demonstrar que qualquer

 coisa o  universalmente excepto partindo do facto de que as suas

 instncias particulares o so .
 O descenso do universal para o

 particular , por outro lado , orienta-se principalmente para demonstrar

 a falsidade de um universal enquanto tal .
 Pois , a melhor forma de

 estabelecer a falsidade de um universal  demonstrar que algo que nele

 est compreendido no lhe corresponde .
 Simultaneamente , supor a

 verdade de um universal estabelecido e descoberto atravs do ascenso

 [ abduo ] e do descenso [ induo ] tambm serve para mostrar a

 correspondncia entre o universal e os particulares nele contidos "

 ( Poinsot , idem ) .

 Tem-se portanto , no quadro do pensamento cientfico , trs inferncias

 distintas , reconhecidas tanto por Peirce como por alguns autores

 escolsticos , entre os quais Poinsot : primeiro , a induo em ascenso ,

 que  , em Peirce , a abduo ; segundo , a deduo ; terceiro , a induo

 em descenso para a qual Peirce reserva a designao de induo .
 

 possvel que a noo peirceana de abduo seja uma re-descoberta da

 induo em ascenso .
 No entanto , o que importa anotar  que " ao

 conceptualizar o assunto [ os modos de inferncia ] desta maneira ,

 Peirce caracteristicamente transcende os seus contemporneosem

 direco a uma compreenso diferente e mais profunda das fundaes e

 origem do pensamento na experincia , isto  , em direco  semitica "

 ( Deely , ibid. , p. 93 ) .

 6.1.3 A-letheia

 Segundo Peirce , " Uma Abduo  Originria no que diz respeito a ser o

 nico tipo de argumento que inicia uma nova ideia .
 Um Argumento

 Transuasivo ou Induo  um argumento que se inicia com uma hiptese ,

 resultante de uma Abduo prvia e de virtuais predies. por via da

 Deduo , dos resultados das experincias possveis e , realizados as

 experincias , conclui que a hiptese  verdadeira na medida em que

 aquelas predies forem verificadas ; sendo esta concluso , contudo ,

 sujeita a provveis modificaes para se adequar a futuras

 experincias " ( 1902 , CP 2.96 )

 ................................

 6.1.3.1 Percepo

 .........................

 7 A Classificao das Cincias

 Para a economia deste ensaio , a importncia da classificao das

 Cincias , longamente elaborada por Peirce , em oposio crtica 

 classificao proposta por Comte , radica em trs aspectos : primeiro , a

 concepo geral da Arte como Cencia prtica ; segundo , o papel

 dominante que a Esttica desempenha em relao  tica e  Lgica ;

 terceiro , o carcter exemplar que Peirce atribui  Arquitectura .
 Estes

 aspectos , tomados em conjunto , parecem demonstrar que a classificao

 das Cincias supe uma convergncia singular entre a cultura da Arte e

 a cultura da Cincia ( verficar. a respeito deste cap. Lauro Marques , A

 ESTTICA PRAGMATICISTA , Dissertao apresentada  Banca Examinadora da

 Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo , sob orientao

 da Prof.a Dr.a Maria Lcia Santaella Braga , USP , data ???
 ) .

 A confirmar esta aproximao , Peirce , nas ltimas verses da sua

 classificao das Cincias , faz depender a Lgica da tica e esta

 ltima da Esttica : " I begin by explaining the nature of the normative

 sciences. [ ...
 ].Their peculiar dualism , which appears in the

 distinctions of the beautiful and the ugly , right and wrong , truth and

 falsity , and which is one cause of their being mistaken for arts , is

 really due to their being on the border between mathematics and

 positive science ; and to this , together with their great abstractness ,

 is due their applicability to so many subjects , which also helps to

 cause their being taken for arts. Having analyzed the nature of the

 precise problems of the three [ das trs cincias normativas ] , and

 given some considerations generally overlooked , I show that ethics

 depends essentially upon esthetics and logic upon ethics " ( MS

 L75 .359-361 , Memoir 9 " On the Bearing of Esthetics and Ethics Upon

 Logic " , 1903 ) .

 A Classificao das Cincias , longamente elaborada por Peirce , em

 oposio crtica  classificao proposta por Comte , parece tambm

 confirmar esta aproximao entre o conhecimento cientfico e o

 conhecimento artstico .
 Peirce divide as cincias em dois grandes

 grupos : as Cincias Teorticas e as Cincias Prticas ou Artes , de

 acordo com um grau decrescente de abstraco e generalidade [ 44 ] .

 As Cincias Teorticas incluem dois sub-grupos : o das Cincias da

 Investigao ou da Descoberta - a Matemtica , a Filosofia e as

 Cincias Especiais , ou seja , as Cincia da Natureza e as Cincia

 Humanas - e o das Cincias da Sistematizao .

 Na introduo a um texto anterior , de 1896 , que trata , tambm , da

 classificao das cincias [ 45 ] , Peirce chama ateno para o paralelo

 traado por Kant , no terceiro captulo da Metodologia , na Kritik der

 reinen Vernunft , entre a filosofia e a arquitectura , ou seja , entre

 uma doutrina filosfica e uma obra arquitectnica. Peirce adoptar

 integralmente este paralelo , Conceber a classificao das cincias

 como um sistema arquitectnico significa propr uma articulao das

 cincias , tomadas no seu conjunto , como uma rede de dependncias e

 determinaes , na qual as cincias posicionadas mais acima fornecem os

 fundamentos para as que esto localizadas mais abaixo ( ver quadro ) :

 assim , do mesmo modo que a filosofia extrai da matemtica os seus

 princpios ,  da filosofia que as cincias especiais recebem os seus ,

 e sucessivamente ( cf .
 Santaella 1994 : 112 ) .
 Este sistema

 arquitectnico articula-se de acordo com uma estrutura organizada em

 ramos , classes , ordens , famlias , gneros , espcies e variaes de

 espcie .
 " Of course , there will be sub-branches , sub-classes , etc. ,

 down to sub-varieties ; and even sometimes sub-sub-divisions .
 To

 illustrate , I call pure science and applied science different

 branches , and call mathematics and the special sciences different

 classes [ ...
 ] " ( Final Version - Ms L75 .350-357 , Memoir 1 , On the

 Classification of the Theoretic Sciences of Research ) .

 A. Cincias Teorticas

 I. Cincias da Descoberta ou Heursticas

 i .
 Matemtica

 ii. Filosofia ( Cenoscopy )

 1 .
 Fenomenologia ( Phaneroscopy )

 2 .
 Cincias Normativas

 a .
 Esttica

 b .
 tica

 c .
 Lgica ( = Semitica )

 Gramtica

 Lgica

 Crtica

 Retrica

 3 .
 Metafsica

 iii. Cincias Especiais ( Idioscopy )

 1 .
 Cincias Humanas ( Psychognosy )

 2 .
 Cincias da Natureza ( Physiognosy )

 II. Cincias da Sistematizao ( Synthetic Philosophy )

 B. Cincias Prticas ou Artes

 [ 46 ]

 Para a compreenso da noo de Cincia que subjaz a esta

 classificao ,  importante considerar a noo peirceana de

 experincia , isto  , de experincia cognitiva ( cf .
  1.4.5 ) .
 Para

 qualquer uma das cincias especiais , a experincia consiste naquilo

 que  diretamente revelado pela mtodo de observao daquela cincia ,

 recebendo , em seguida , uma interpretao ou teoria , derivada de

 conhecimento anteriormente acumulado .
 De facto , as cincias especiais

 ou da Ideoscopia caracterizam-se por depender de observaes especiais

 efetuadas atravs de mtodos e treinamentos tambm especiais para

 derivar informaes de objetos especficos .
 Contudo , em que consiste a

 experincia filosfica ou a experincia artstica ?
 Nem a filosofia nem

 a arte possuem quer objectos observveis quer mtodos particulares de

 observao quer conhecimento anteriormente acumulado que determine ,

 directamente , a interpretao de uma dada experincia .
 Para Peirce , 

 a interpretao em si mesma que constitui a experincia filosfica

 ( cf .
 Peirce , CP 7527 ) .
 Talvez seja possvel extrapolar que  , tambm ,

 a interpretao em si mesma que constitui a experincia artstica .

 Por outro lado , tambm as Cincias Prticas ou Artes perseguem a

 verdade , mas de uma maneira prpria , dado que suas indagaes visam

 satisfazer alguma necessidade humana definida ( cf .
 Santaella

 1992:117 ) .
 Para Lauro Marques , " a restrio que Peirce faz  pintura e

  escultura [  , na verdade ] uma reao a uma certa concepo de

 ` belas-artes ' como algo para ser admirado por poucos , da ` arte pela

 arte ' , como uma instncia separada da vida , o que o impede de

 considerar a pintura e a escultura [ ...
 ] como algo mais elevado , ainda

 que [ possa ] admirar a individualidade de pensamento e sentimento

 presente nelas .
 A arquitectura , ` a mais pblica das artes ' , ao

 contrrio , seria um exemplo de algo que mais facilmente escaparia a

 essa concepo [ ...
 ] .
 Alm de que Peirce iria mais tarde rejeitar a

 noo de beleza , para a definio de objeto esteticamente bom ,

 justamente por consider-la " muito superficial " : " Beautiful no

 serve , porque um modo de ser Kalos depende essencialmente da qualidade

 ser no-bela .
 Talvez contudo , a frase ` the beauty of the unbeatiful '

 ( o belo do no belo ) no fosse chocante .
 Mas ` beauty ' ( beleza )  ainda

 muito superficial .
 Usando-se Kalos , a questo da esttica  - Qual 

 aquela qualidade que na sua presena imediata ,  Kals ?
 Dessa questo

 a tica deve depender , do mesmo modo que a lgica depende da tica "

 ( CP 2 .
 199 e CP 5.132 , in Lauro Marques ) .
 dado que lhe parece que em

 arquitectura , ao contrrio da escultura ou da pintura , as qualidades

 que caracterizariam a expresso artista , o pungente , o gracioso , o

 talentoso , desempenhariam um papel secundrio .
 " Uma grande edificao

 destina-se a todo um povo , e  erigida com o esforo de uma parcela

 significativa de todo um povo .
  a mensagem que  a marca de uma

 poca , e o que ela delega  posteridade " ( CP === , in Lauro Marques ) .

 Para Nathan Houser , o trabalho de remodelao de Arisbe , que

 preocuparia Peirce durante todo o perodo em que l viveu ,

 tornar-se-ia uma " metfora viva para sua vida intelectual " ( Houser ,

 1998 ; ????
 ) .

 8 A Semitica Comparada

 Cf .
 Deledalle , 2000 e Max Fisch , 1986

 8.1.1 Peirce e os Latinos

 ============

 8.1.2 Peirce e os Modernos

 ============

 8.1.3 Peirce e Frege

 ==============

 8.1.4 Peirce e Saussurre / Hjelmslev

 ================

 8.1.5 Peirce e Morris

 =============

 9 Pragmatismo e Projecto

 9.1.1 Realidade e Conhecimento

 ..............
 e , por fim , para as noes de Realidade e Verdade .
 Com

 efeito , o problema da Realidade subsume , em Peirce , o problema da

 Verdade .
 No se poderia , alis , esperar menos que uma reflexo aturada

 sobre estas duas noes , numa filosofia que coloca a Representao

 numa posio de mediao entre a Realidade e o Conhecimento [ 47 ] .

 Se o problema da Representao se encontra enfatizado , por Peirce , na

 sua teoria formal dos signos , os problemas da Realidade e da Verdade

 so abordados , respectivamente , no mbito da sua fenomenologia , isto

  , na teoria das categorias , e no mbito do pragmatismo , ou seja , da

 teoria pragmtica dos signos .
 Note-se que a possibilidade de

 considerar a teoria geral dos signos tanto como uma teoria formal ,

 quanto como uma teoria pragmtica , consoante se acentue o signo como

 objecto ou o signo como aco  sugerida por Peirce : " I confine the

 word representation to the operation of a sign or its relation to the

 object for the interpreter of the representation. The concrete subject

 that represents I call a sign or representamem " ( Peirce , CP 1.540 ) .

 Para Peirce , o problema da Verdade remete para o problema do

 Conhecimento verdadeiro : a Verdade peirceana no  tomada como um

 objecto como , por exemplo , em Frege , mas sim como um predicado Com

 efeito , a Verdade  o atributo da cognio cujo objecto  uma entidade

 real : " The cognitions which thus reach us by this infinite series of

 inductions and hypotheses [ ...
 ] are of two kinds , the true and the

 untrue , or cognitions whose objects are real and those whose objects

 are unreal. And what do we mean by the real ?
 [ ...
 ] " , ( On Some

 Consequences [ ...
 ] " , 1868 , CP 5.311 ) [ 48 ] .
 A Realidade , por sua vez , 

 o que independe da conscincia individual : " The real is what doesn't

 depend on what we think of it " ( Peirce , verificar referncia ) .

 Prece retomar-se , assim , a concepo escolstica segundo a qual a

 primeira diviso dos objectos do Conhecimento assenta na distino

 entre o ens reale , ou o ser da Realidade , e o ens rationis , ou o ser

 da Razo que , em Peirce , parecem corresponder , respectivamente , ao

 Objecto Dinmico e ao Objecto Imediato .
 No seu " Some Consequences of

 Four Incapacities Claimed For Man " , de 1868 , Peirce pergunta-se : " And

 what do we mean by the real ?
 " , respondendo em seguida : " .
 It is a

 conception which we must first have had when we discovered that there

 was an unreal , an illusion ; that is , when we first corrected

 ourselves. Now the distinction for which alone this fact logically

 called , was between an ens relative to private inward determinations ,

 to the negations belonging to idiosyncrasy , and an ens such as would

 stand in the long run. The real , then , is that which , sooner or later ,

 information and reasoning would finally result in , and which is

 therefore independent of the vagaries of me and you " ( CP 5.311 ) .

 Afirmar que a Realidade independe da conscincia individual

 corresponde , em Peirce , a afirmar que o Real  o que vem a ser

 conhecido aps a obteno de uma informao completa .
 A definio da

 noo de ` informao completa '  equivalente  definio de

 pragmatismo : " [ The writer of this article framed the theory that ] if

 one can define accurately all the conceivable experimental phenomena

 which the affirmation or denial of a concept could imply , one will

 have therein a complete definition of the concept , and there is

 absolutely nothing more in it .
 For this doctrine he invented the name

 pragmatism. " ( Peirce , What Pragmatism Is , in The Monist vol. 15 no. 2

 ( April 1905 ) , pp. 161-181 .

 9.1.2 O Pragmatismo como Filosofia de Projecto

 A distino entre o ens reale e o ens rationis parece corresponder , em

 Peirce ,  distino entre Objecto Dinmico , exterior  Semiose , e

 Objecto Imediato , que integra a relao de Representao .
 Esta

 distino , sendo fulcral para a compreenso da Semitica como

 epistemologia , como se viu ,  tambm crucial para a compreenso das

 noes de Realidade e Verdade .
 A este respeito , sublinhe-se o

 seguinte : a distino entre o ser da Realidade e o ser da Razo no 

 uma separao entre significantes mas sim uma discriminao dos

 significados , uma vez que no parece existir , em Peirce , uma oposio

 dual entre pensamento e mundo , isto  , uma separao de facto entre

 Razo e Realidade .
 Com efeito , existe apenas um ` objecto ' que toma o

 nome de Real ou da Razo , de Dinmico ou Imediato , consoante a

 perspectiva com que  abordado , e cuja natureza genuna  tanto mais

 clara quanto mais aturado e compreensivo for o processo de indagao e

 pesquisa .
 No se orienta este processo em direco a uma Verdade

 pensada como adequao da Razo a Realidade pr-estabelecida .

 Orienta-se , sim , para a construo de uma Verdade que corresponde a

 uma Realidade construda em simultneo .

 A Verdade  pensada como uma construo provisria e falvel

 A subjectividade do sujeito , despojada de uma ordem externa estvel ,

 de um fundamento transcendente , reencontra , na possibilidade de

 pr-constituir o futuro , a possibilidade de recuperar um outro

 fundamento que regulamente a relao sujeito-objecto .
 Com efeito , a

 capacidade de efetuar juzos sintticos a priori assegura o real como

 antecipvel e permite , numa palavra , deduzir o futuro .
 Estando o

 homem , doravante em hiptese , tende a assegurar-se , com essa hiptese ,

 de um futuro de que que depende a sua prpria verdade - tende a

 projectar-se , anunciando , portanto , essa solidariedade irrenuncivel

 entre sujeito histria e projecto .

 ...
 e terminar com Liszka e Deledalle

 9.1.3 Concluso

 Uma resposta provisria : parece legtimo invocar a semitica sempre

 que se procure explicar como  que se comunica , ou seja , explicar o

 uso social de significados previamente codificados .
 Porm , parece no

 s legtimo mas tambm pertinente invocar a semitica sempre que se

 procure explicar como  que se significa , ou seja , como  que se

 constituem os significados , ( ...........
 )

 =============

 Retomando a questo inicial , cerca das razes que me levam a eleger a

 teoria semitica de Peirce como o quadro dentro do qual desenvolvo a

 problematizao do desenho , responderia que em primeiro lugar , a sua

 teoria formal dos signos permite proporciona um modelo eficaz para o

 estudo formal desse desenho , executado sobre um corpus de dados

 empricos , os desenhos de arquitectura , e efectuado atravs de uma

 operao de decomposio desses desenhos nas suas categorias

 elementares .
 Em segundo lugar , a teoria semitica de Peirce promete

 vir a fundamentar , no terreno da Lgica , a concepo do desenho e , em

 particular , do desenho de arquitectura , como efectivo mtodo de

 conhecimento , sem que para tal seja necessrio recorrer a explicaes

 psicologistas ou intuitivistas .
 Com efeito , para Peirce , " [ ...
 ]

 Conversely , every thought proper involves the idea of a triadic

 relation .
 For every thought proper involves the idea of a sign. [ ...
 ]

 There is a threefold distinction between signs , which is not in the

 least psichological in its nature , but is purely logical , and is of

 the atmost importance in logic " ( MS 462 .
 Lowell Lectures , 2nd Draught

 of 3rd lecture in Marty , # 26 ) .

 ========

 A filosofia de Peirce como uma filosofia do PROJECTO :

 Ora , esta informao ou concepo completa que corresponde , como se

 viu , ao conhecimento de todos os efeitos aparentes produzidos pelo

 objecto concebido , depende de um esforo colectivo desenvolvido por

 uma dada sociedade de linguagem .
 A Realidade depende portanto , em

 ltima instncia , da comunidade ou da sociedade que persegue , de forma

 aturada e sistemtica , o conhecimento dessa realidade [ 49 ] .
 Desta

 forma , " [ ...
 ] the very origin of the conception of reality shows that

 this conception essentially involves the notion of a COMMUNITY ,

 without definite limits , and capable of an indefinite increase of

 knowledge. And so those two series of cognition - - the real and the

 unreal - - consist of those which , at a time sufficiently future , the

 community will always continue to re-affirm ; and of those which , under

 the same conditions , will ever after be denied " ( ibid. , CP 5.311 )

 [ 50 ] .

 ==========

 ( Ver .
 08 de Dezembro de 2001 )

 Fernando Lisboa

 Faculdade de Arquitectura , Universidade do Porto

 mailto : fernando@mail.kpnqwest.pt

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 _______________________

 [ 1 ] Charles Sanders Peirce , 1839 , Cambridge , Mass - , 1914 , Milford ,

 Penns .
 Segundo Max Fisch ( 1986 ; 324 ) o artigo " On a New List of

 Categories " , escrito em 1867 e publicado em 1868 nos Proceedings of

 the American Academy of Arts and Sciences ,  " [ the ] first published

 sketch of his semeiotic " , embora oseus primeiros textos datem de 1857 .

 [ 2 ] O facto de no existir uma relao absoluta e constante entre

 figura e objecto no significa excluir a existncia de padres

 objectivos de representao , nem impede de estabelecer certas

 gradaes de semelhana entre figurao e realidade .
 Tendo em conta um

 hipottico senso comum , uma srie de crenas e assunes que os

 componentes de uma determinada colectividade consideram partilhadas ,

 no h dvida de que uvas da Cesta de Fruta do Caravaggio ` se

 assemelham ' s uvas realmente existentes e que a sua cesta parece mais

 correspondente ao verdadeiro do que a fruteira da Natureza-Morta com

 Fruteira , Clarinete e Guitarra de Georges Braque .
 E , contudo , tambm o

 leo de Vilar de Honnecourt era entendido como uma cpia de um leo

 real e considerado parecido ; e , de certa forma , o prprio hobby horse ,

 o cavalinho de pau no qual Gombrich ( 1951 ) ps a sua ateno , e que

 no passa do cabo de uma vassoura ,  considerado de qualquer modo

 semelhante a um cavalo real e capaz de ` o imitar ' , se bem que com ele

 apenas tenha em comum a possibilidade de ser cavalgado ( ...
 ) .

 [ 3 ] " Science may be divided into three sorts. All that can fall within

 the compass of human understanding , being either , First , the nature of

 things , as they are in themselves , their relations , and their manner

 of operation : or , Secondly , that which man himself ought to do , as a

 rational and voluntary agent , for the attainment of any end ,

 especially happiness : or , Thirdly , the ways and

 means whereby the knowledge of both the one and the other of these is

 attained and communicated [ ...
 ] the third branch may be called

 Semeiotike , or the doctrine of signs " ( Locke , An Essay Concerning

 Human Understanding , 1690 : cap. XXI ,  1 e  4 ) .

 [ 4 ] A referncia de 1867  a do artigo " On a New List of Categories " ,

 mas tambm a do artigo " Upon Logical Comprehension and Extension " ,

 apresentado em 1867  mesma Academia .

 [ 5 ] Saussurre reconhece , na sua Lingustica , os contributos gramtica

 comparativa e salienta a importncia dos trabalhos de Franz Bopp e o

 seu Sistema de Conjugao do Snscrito ( 1816 ) , de Jacob Grimm e a sua

 Gramtica Alem ( 1822-1836 ) , de Max Muller e as Lies Sobre a Cincia

 da Linguagem ( 1861 ) , de Georg Curtius e os Princpios de Etimologia

 Grega ( 1879 ) e August Schleicher e o Resumo da Gramtica Comparada das

 Lnguas Indo-Germnicas ( 1861 ) .
 Refere ainda os contributos da

 Lingustica propriamente dita , com Diez e a Gramtica das Lnguas

 Romanas ( 1836-1838 ) , Whitney e a Vida da Linguagem ( 1875 ) e , de uma

 forma geral , a junggrammatiker de Brugman , Braune , Sievers , etc. ( cf .

 Saussurre , CLG , 1916 , 1999 ; 22-28 )

 [ 6 ] Cf. , a este respeito , a classificao das Cincias , verso de

 1903 , elaborada por Peirce , em Max Fisch , " Hegel and Peirce " ( Ketner

 ed. , 1986 ; 270 )

 [ 7 ] Peirce frequently speaks of the ' dialogic ' character of thought ( a

 prime example of semiosis , the action of signs ) , and even defines the

 sign as a ' medium of communication ' in his mature semeiotic. Such

 expressions suggest that communicative considerations are an intrinsic

 part of semeiotic analysis. On the other hand , Peirce's explicit

 references to ' communication ' are rare occurrences { 226 } ( Habermas

 1995 : 243 ) .
 It is uncertain whether his scattered remarks on the topic

 entail a consistent theory of communicative phenomena ; [ 3 ] one may even

 question whether semeiotic can be plausibly developed in this

 direction at all. Peirce's most formal accounts of the sign relation ,

 given in strictly unpsychologistic terms without references to human

 utterers and interpreters , indicate that pure semeiotic is after all

 only concerned with the abstract conditions of representation and

 truth , and that communication is a non-philosophical problem-area that

 is best left to the special sciences ( Mats Bergman , Reflections on the

 Role of the Communicative Sign in Semeiotic , Transactions of the

 Charles S. Peirce Society , 2000 : Cap. I )

 [ 8 ] Para quem " a lngua um sistema de sinais para exprimir ideias

 [  ] , portanto , comparvel  escrita , ao alfabeto dos surdos-mudos , s

 frmulas de cortesia , s saudaes militares , etc. [ Podemos ] conceber

 uma cincia que estude a vida dos sinais no seio da vida social ; ela

 formaria uma parte da psicologia social e , por conseguinte , da

 psicologia geral .
 Chamar-lhe-emos semiologia [ ...
 ] A lingustica no 

 mais que uma parte dessa cincia geral , as leis que a semiologia

 descobrir sero aplicveis  lingustica , e esta achar-se- assim

 ligada a um campo bem definido no conjunto dos factos humanos "

 ( Saussurre , 1916 , 99 ; 44 ) .

 [ 9 ] Cf. a este respeito , Max Fisch em " Just How General is Peirces

 General Theory of Signs " , in Ketner , ed. , 1986 ; 360 , e tb. J. Ransdell

 em " On Peirce's Conception of the Iconic Sign " , 1997 ;  8 .

 [ 10 ] Cf. a este respeito , Ransdell : " It should be borne in mind in

 reading Peirce that he - - like Frege and Husserl , for example - - was

 battling the rising tide of psychologism which has , since his time , so

 thoroughly engulfed us that it is difficult for us to realize the

 extent to which we have come to take its assumptions for granted

 [ ...
 ] The attempt to psychologize logic - - indeed , philosophy in

 general - - was already well under way during the latter part of the 19th

 Century " ( idem ,  11 ) .

 [ 11 ] A virtual X ( where X is a common noum ) is something , not an X ,

 which has the efficiency ( virtus ) of an X " ( Peirce , Baldwin Dict. ,

 1902 )

 [ 12 ] Com efeito , " A Sign is a representamen [ o Signo enquanto tal ,

 enquanto ojecto sgnico ou , ainda , enquanto veculo sgnico ) of which

 some interpetant is a cognition of a mind  ( Marty ,  22 , v .1903 - CP

 2-242 ,  Nomenclature and Divisions of Triadic Relations , as far as

 they are determined  )

 [ 13 ] " I use the term " object " in the sense in which objectum was first

 made a substantive early in the XIIIth century ; and when I use the

 word without adding " of " what I am speaking of the object , 1 mean

 anything that comes before thought or the mind in any usual sense .

 ( Hardwick , 1977 ; 69 in Deledalle , 2000 ; 42 )

 [ 14 ] Veja-se , a este respeito , o caso do Projecto , segundo Boudin :

 " la question thorique centrale du dessin d'architecture [ c'est ]

 d'avoir  se rapporter  un rferent  la fois irrel encore , et non

 pour autant imaginaire en ce qui il doit d'tre ralisable " .
 Segundo

 Boudin , tambm Quatremre de Quincy considerou este problema " ( ...
 )

 como uma questo maior , isto  , a da imitao do que no  possvel

 mostrar o modelo " ( " Lchelle du schma " , Images et Imaginaires

 d'Architecture , ( ...
 ) , 1975 ; 51 )

 [ 15 ] Refere-se , aqui , o esquema clssico das quatro causas , proposto

 por Aristteles .
 Em Peirce , quer a causalidade formal quer a

 causalidade material clssicas no encontram equivalentes .

 [ 16 ] Cf. a este respeito Ransdell , J. , " The Immediate / Dynamical Object

 Distinction " , in THE MEANINGs IN THINGS , v. 1992 ;  1 , " distributed to

 the PEIRCE-L discussion list on October 19 , 2000 for purposes of

 critical feedback ) .

 [ 17 ] Cf. a este respeito , Joseph Ransdell : " Considered apart from its

 application to this or that special subject-matter or problem , then ,

 the theoretical conception of a sign - - or , more exactly , the conception

 of the triadic ( that is , three-term ) sign relation - - is a highly

 abstract explication of the formal structure of intelligence , which

 Peirce himself regarded as co-extensive with life " ( Ransdell , " Peirce "

 in Enc .
 Dict .
 Of Semiotics , 1986 , 1998 : 674 ) .

 [ 18 ] VERIFICAR FONTE

 [ 19 ] Toma-se aqui a " forma lingustica " no no sentido semiolgico ,

 como uma expresso em linguagem natural , mas sim no sentido semitico ,

 como objecto , aco ou fenmeno significativo .

 [ 20 ] " No thought in itself , then , no feeling in itself , contains any

 others , but is absolutely simple and unanalyzable ; and to say that it

 is composed of other thoughts and feelings , is like saying that a

 movement upon a straight line is composed of the two movements of

 which it is the resultant ; that is to say , it is a metaphor , or

 fiction , parallel to the truth. Every thought , however artificial and

 complex , is , so far as it is immediately present , a mere sensation

 without parts , and therefore , in itself , without similarity to any

 other , but incomparable with any other and absolutely sui generis "

 ( Peirce , " Some Consequences of Four Incapacities Claimed For Man " , in

 Journal of Speculative Philosophy , 1868 , CP 5.289 )

 [ 21 ] A propsito da noo de sntese , Peirce esclarece o seguinte :

 " But that element of cognition [ ...
 ] , is the consciousness of a

 process , and this in the form of the sense of learning , of acquiring ,

 of mental growth is eminently characteristic of cognition. [ ...
 ] It is

 the consciousness of synthesis " ( Peirce , CP 1.381 ) .

 [ 22 ] Respectivamente : Type , Token e Tone .

 [ 23 ] Veja-se o contexto da citao : " Without fatiguing the reader by

 stretching this parallelism too far , it is sufficient to say that

 there is no element whatever of man's consciousness which has not

 something corresponding to it in the word ; and the reason is obvious .

 It is that the word or sign which man uses is the man himself .
 For , as

 the fact that every thought is a sign , taken in conjunction with the

 fact that life is a train of thought , proves that man is a sign ; so ,

 that every thought is an external sign , proves that man is an external

 sign. That is to say , the man and the external sign are identical , in

 the same sense in which the words homo and man are identical. Thus my

 language is the sum total of myself ; for the man is the thought " .

 [ 24 ] Cf. , a este respeito e dos pontos seguintes , Peirce , " Questions

 Concerning Certain Faculties Claimed for Man " , in Journal of

 Speculative Philosophy , 1868 , CP 5.213-263 , que antecede imediatamente

 o artigo " Some Consequences [ ...
 ] " e que , juntamente com o " Grounds of

 Validity of the Laws of Logic : Further Consequences of Four

 Incapacities " , compe uma unidade temtica : a da fundao da teoria

 geral dos signos .

 [ 25 ] " [ ...
 ] the term intuition will be taken as signifying a cognition

 not determined by a previous cognition of the same object , and

 therefore so determined by something out of the consciousness. Let me

 request the reader to note this. Intuition here will be nearly the

 same as " premiss not itself a conclusion " ; the only difference being

 that premisses and conclusions are judgments , whereas an intuition

 may , as far as its definition states , be any kind of cognition

 whatever. But just as a conclusion ( good or bad ) is determined in the

 mind of the reasoner by its premiss , so cognitions not judgments may

 be determined by previous cognitions ; and a ( W2 .194 ) cognition not so

 determined , and therefore determined directly by the transcendental

 object , is to be termed an intuition " ( Peirce , " Questions Concerning

 [ ...
 ] " , CP 5.213 , W 2.193 )

 [ 26 ] A partir da publicao de On a New List of Categories " , in

 Proceedings of the American Academy of Arts ans Sciences , 1868 , CP

 1.545-1.559 .
 Note-se que na New List , Peirce considerava cinco

 categorias : o Ser , a Qualidade , a Relao a Representao e a

 Substncia .. The conception of being arises upon the formation of a

 proposition .
 A proposition always has , besides a term to express the

 substance , another to express the quality of that substance ; and the

 function of the conception of being is to unite the quality to the

 substance. Quality , therefore , in its very widest sense , is the first

 conception in order in passing from being to substance " ( CP1 .551 ;  7 ) .

 " The five conceptions thus obtained , for reasons which will be

 sufficiently obvious , may be termed categories. That is , BEING ,

 Quality ( Reference to a Ground ) , Relation ( Reference to a Correlate ) ,

 Representation ( Reference to an Interpretant ) , SUBSTANCE. ( CP1 .555 ;

  11 ) .
 " The three intermediate conceptions may be termed accidents "

 ( W2 .55 ) .

 [ 27 ] Entendendo-se predicados em sentido lgico , e no em sentido

 gramatical .

 [ 28 ] As doze categorias fundamentais da experincia , em Kant , so , no

 que respeita  Quantidade : unidade , multiplicidade e inteireza ; no que

 respeita  Qualidade : realidade , negao e limitao ; no que respeita

  Relao : substncia / acidente , causalidade / dependncia e

 reciprocidade ; no que respeita  Modalidade : possibiliddae , existncia

 e necessidade .

 [ 29 ] Cf. a este respeito Joseph Ransdell : " But if " x is red " is

 scientifically defined in terms of the wavelength of the light emitted

 by it when irradiated from a certain sort of light source under

 certain conditions , then being red is a dyadic property , for we would

 then be implicitly regarding the red thing in a possible interactional

 relationship with the apparatus used in ascertaining the wave length "

 ( Ransdell .
 " On Peirce's Conception [ ...
 ] , 1997 ,  22 )

 [ 30 ] Compare-se a definio formal de relao semitica com a

 definio de relao tridica : " This passage from the many to the one

 is numerical. The conception of a third is that of an object which is

 so related to two others , that one of these must be related to the

 other in the same way in which the third is related to that other "

 ( Peirce , " On a New List [ ...
 ] " ,  12 , CP 1.556 ) .

 [ 31 ] Or chacun d'eux est justiciable d'une phanroscopie , c'est  dire

 d'une analyse en termes d'appartenance  l'une des trois catgories .

 Il s'ensuit que toutes les possibilits thoriques de description des

 phnomnes smiotiques rsulteront des possibilits combinatoires des

 dcompositions de chacun des trois phanrons entre elles compte-tenu

 des dterminations constitutives de la triade. En somme les taxinomies

 des lments des phnomnes vont engendrer des taxinomies de ces

 "" tri-phnomnes " que sont

 les phnomnes smiotiques .

 1

 Signo

 2

 Objecto

 3

 Interpretante

 1

 Signo

 1.1

 Qualidade

 Qualisigno

 Tom

 1.2

 Objecto

 Sinsigno

 Rplica

 1.3

 Generalidade

 Legisigno

 Tipo

 2

 Objecto

 2.1

 Individualidade

 con

 Semelhana

 2.2

 Relao

 ndice

 Continuidade

 2.3

 Existncia

 Smbolo

 Conveno

 3

 Interpretante

 3.1

 Ideia

 Rema

 Signo de Possibilidade

 Abduo

 3.2

 Proposio

 Signo de Actualidade

 Induo

 3.3

 Representao

 Argumento

 Signo de Necessidade

 Deduo

 [ 32 ] De acordo com Peirce : " A sign is anything , of whatsoever mode of

 being , which mediates between an object and an interpretant ; since it

 is both determined by the object relatively to the interpretant , and

 determining the interpretant in reference to the object , in such wise

 as to cause the interpretant to be determined by the object through

 the mediation of this ` sign ' " .
 ( definition " f " of MS318 in Robert

 Marty's 76defs.htm )

 [ 33 ] " [ T ] he Dynamical Object ...
 is the Object that Dynamical Science

 ( or what at this day would be called " Objective Science " ) can

 investigate. Take , for example , the sentence " the Sun is blue " .
 Its

 Objects are " the Sun " and " blueness " .
 If by " blueness " be meant the

 Immediate Object , which is the quality of the sensation , it can only

 be known by Feeling [ firstness ] .
 But if it means that

 " Real " , existential condition , which causes the emitted light to have

 short mean wave-length ...
 the proposition is true. So the " Sun " may

 mean the occasion [ second-ness ] of sundry sensations [ firstness ] and

 so is the Immediate Object , or it may mean our usual interpretation of

 such sensations in terms of place , of mass , etc. [ thirdness ] when it

 is the Dynamical Object .
 It is true of both Immediate Object and

 Dynamical Object that acquaintance cannot be given by a Picture or a

 Description , nor by any other sign which has the Sun for its Object .

 If a person points to it and says , See there !
 That is what we cal the

 " Sun " , the Sun is not the Object of that sign. It is the Sign of the

 sun , the word " sun " that his decla ration is about ; and that word we

 must become acquainted with by collateral experience " ( CP 8.183 )

 [ 34 ] " The irritation of doubt causes a struggle to attain a state of

 belief. I shall term this struggle inquiry , though it must be admitted

 that this is sometimes not a very apt designation. " ( Peirce , CP 5.374 ,

 The Fixation of Belief , 1877 , IV )

 [ 35 ] Deledalle designa-a a concepo pr-cientfica da cincia ( cf .

 Deledalle , 2000 ; 28 )

 [ 36 ] " It is certainly best for us that our beliefs should be such as

 may truly guide our actions so as to satisfy ourdesires ; and this

 reflection will make us reject any belief which does not seem to have

 been so formed as to insure this result. But it will only do so by

 creating a doubt in the place of that belief. With the doubt ,

 therefore , the struggle begins , and with the cessation of doubt it

 ends. Hence , the sole object of inquiry is the settlement of opinion. "

 ( Peirce , CP 5.375 , The Fixation of Belief , 1877 , IV )

 [ 37 ] ver 6.1.2

 [ 38 ] Cf .
 Deledalle , 2000 ; 20

 [ 39 ] F. a este respeito Deledalle , 2000 ; 4e

 [ 40 ] Cf .
 Deduction , " Induction and Hypothesis " , Illustrations of the

 Logic of Science , 1878 .

 [ 41 ] Eco , A Theory of Semiosis , IUP , 1976 ; 131-133

 [ 42 ] Veja-se a citao no seu contexto : "  a essa obra [ ...
 ] que se

 deve a prevalncia da opiniao segundo a qual o raciocnio indutivo , ou

 a sua teoria - - a Lgica Indutiva - -  uma descoberta dos modemos ; uma

 opinio que certamente contm menos verdade do que falsidade .
 Pode

 dizer-se que com Mill o termo induo representou mais do que uma

 forma particular de inferncia ; era o grito de guerra de uma escola

 filosfica , a escola da experincia , como ficou conhecida .
 Mas em

 resultado disso e da sua histria anterior , a induo tomou-se um dos

 termos mais confusos em Lgica " .

 [ 43 ] Veja-se o contexto : " Somos inclinados a pensar a Deduo e a

 Induo como processos que se movem entre os mesmos pontos , mas em

 direces opostas : a Deduo , pensamos , argumenta a partir de

 princpios gerais para factos particulares , a Induo , de factos

 particulares para princpios gerais .
 Mesmo que isto fosse verdadeiro ,

 tal afirmao nada nos diz da diferena na natureza do raciocnio

 entre os dois casos .
 E na verdade , apesar de haver argumentos daqueles

 dois tipos , a distino no  de forma alguma a formulao mais

 importante a ser feita uma vez que no coincide com a distino entre

 os argumentos tradicionalmente atribuidos  Lgica Dedutiva e  Lgica

 Indutiva , respectivamente , e deixa de fora algumas operaes do

 raciocnio que merecem mais ser denomina. das cientficas "

 [ 44 ] Cf .
 MS L75 , " Logic , Considered as Semeiotic , Charles Peirce's

 1902 application to the Carnegie Institution for support for his work

 in logic " , 1902 ; 350-357 .

 [ 45 ] " O carter arquitectnico da filosofia " ( CP 1.176 , 1 , 1896 )

 [ 46 ] Cf. a este respeito , Ransdell , 1998 , ed. , Final Version , MS

 L75 .350-357 ( 1902 ) Memoir 1 e Max Fisch , " Hegel and Peirce " , 1986 ;

 270 .

 [ 47 ] Existe no quadro do pensamento de Peirce uma Metafsica que

 integra uma Gnoseologia , uma Cosmologia , uma Teologia e , obviamente ,

 uma Ontologia .
 Esta ltima no deixa de ser problemtica , uma vez que

 admite transcendentais sem , contudo , admitir nem o Ser nem a

 Substncia .

 [ 48 ] Veja-se o contexto da citao : " At any moment we are in

 possession of certain information , that is , of cognitions which have

 been logically derived by induction and hypothesis from previous

 cognitions which are less general , less distinct , and of which we have

 a less lively consciousness. These in their turn have been derived

 from others still less general , less distinct , and less vivid ; and so

 on back to the ideal first , which is quite singular , and quite out of

 consciousness. This ideal first is the particular thing-in-itself. It

 does not exist as such [ ...
 ] " , ( On Some Consequences [ ...
 ] " , 1868 , CP

 5.311 )

 [ 49 ] Finally , as what anything really is , is what it may finally come

 to be known to be in the ideal state of complete information , so that

 reality depends on the ultimate decision of the community ; so thought

 is what it is , only by virtue of its addressing a future thought which

 is in its value as thought identical with it , though more developed .

 In this way , the existence of thought now depends on what is to be

 hereafter ; so that it has only a potential existence , dependent on the

 future thought of the community .

 [ 50 ] Ou ainda : " The Maxim of Pragmatism , as I originally stated it ,

 Revue Philosophique VII [ " Comment rendre nos ides claires " traduzido

 posteriormente com o ttulo " How to Make Our Ideas Clear " ] , is as

 follows : Considrer quels sont les effets pratiques que nous pensons

 pouvoir tre produits par l'object de notre conception. La conception

 de tous ces effets est la conception complte de l'object " .
 ( Peirce ,

 CP 5.18 ) .

 _______________________

 [ FL1 ] " Peirce insists on the fact that there is only one way of

 communicating , and

 that way is by an icon. By " communicating " , we mean conveying an idea .

 Let

 us be more precise : we cannot convey an idea by an idea : a replica is

 required to do so and a replica is nothing for us without an icon .
 In

 other

 words , to express an idea ( a graph ) , the idea ( or graph ) must first

 be

 " realized " or " embodied in an a case or occurrence , in a

 Graph-Instance

 which can be apprehended only by an icon. [ ...
 ] ` As to the hypo-icon ,

 the matter is simply the distinction between a quality ( an icon ) , and

 the material existing thing which bears that quality ( the hypo-icon ) .

 A sign is an icon if its relation to its object is simply by

 resemblance. But resemblance is a relation between qualities , between

 predicates. The redness of this landscape painting is qualitatively

 similar

 to the redness of the sunset. The redness then is the icon. But the

 physical painting is a thing , a bearer or subject of qualities. It is

 the hypo-icon .
 No such problem arises concerning the index. But with

 the symbol , the problem returns , and so Peirce would say that strictly

 speaking the symbol is real , as a law is real , but only the replicas

 of the symbol exist , as instances , as reactive Seconds .
 The replicas

 of a symbol might be called " hypo-symbols " .
 The problem about the

 hypo-icon could be dealt with by

 speaking , not of an icon , but of an iconic relation. We could then say

 that the hypo-icon is a physical sign which has an iconic relation

 ( i.e. a resemblance ) to its object ' ( A private letter to Jean Fisette ,

 April 8 ,

 1991 .
 Reprinted " Letter from David Savan to Jean Fisette " in The

 Peirce

 Seminar Papers .
 An annual of Semiotics Analysis , volume II ( Michael

 Shapiro , Editor ) , Providence , Berghahn Books , 71-77. ) "

 Is the question of the division into three classes of hypoicons a

 matter of

 distinction between a quality ( an icon ) and the existing material

 thing

 which has this quality ( the hypoicon ) ?
 I do not think so , because

 this

 interpretation breaks the rule of the hierarchy of the three

 categories .

 Savan's interpretation implicitly rests on the dualistic distinction

 between

 " type " ( legisign ) and " token " ( replica ) , on one side , and the concept

 of

 " degenerescence " , on the other side .
 In both cases , there is

 implication of

 a Second ( an existent singular case ) by a Third ( an abstract general

 rule

 in the sense of " void " , as one says " empty set " ) .
 In fact , an icon can

 by

 definition refer only to itself. But there are three ways to refer to

 oneself and these are the ways designated by the three hypoicons :

 image ,

 diagram and metaphor : the image because the relation is monadic , the

 diagram

 ( a given diagram ) because the relation is dyadic , the metaphor because

 it

 represents in relation to itself " the representative character of a

 representamen by representing a parallelism in something else " .
 That

 is why

 a diagram cannot be confused with an index and a metaphor with a

 symbol .

 [ FL2 ] Mas h tambm interpretao quando h uma prtica [ FL2 ] um

 comportamento , ou , se se quiser , uma aco material .
 Com efeito , a

 aco distingue e selecciona , enfatiza este aspecto do mundo e exclui

 aquele outro , em funo de um propsito ou de uma finalidade - cf Eco ,

 Espelhos ...
 , p. 372 .

 _________________________________________________________________

 Fernando Lisboa

 Faculdade de Arquitectura , Universidade do Porto

 mailto : fernando@mail.kpnqwest.pt

 2nd Preliminary Ver .
 16 - Feb-2002 Best view with IE 5.x

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