 Publicado em

 Out / 2002

 " a linguagem  inseparvel do homem , segue-o em todos os seus atos " , sendo " o

 instrumento graas ao qual o homem modela seu pensamento , seus sentimentos ,

 suas emoes , seus esforos , sua vontade e seus atos , o instrumento graas ao

 qual ele influencia e  influenciado , a base mais profunda da sociedade

 humana. "

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 Coluna Pausa para a Filosofia

 Unidade 4 : O conhecimento

 Captulo 5 : A linguagem

 Por Marilena Chaui

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 Convite  Filosofia

 Convite  Filosofia tem como premissa levar a filosofia ao dia-a-dia das

 pessoas incentivando-as a pensar e questionar .
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 Carlos Rost

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 Msica Popular Brasileira

 Veja na nossa coluna o que se passa com a Msica Popular Brasileira .
 Por

 Marcelo Spalding Perez .

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 Nossa Histria

 Uma histria interativa escrita por nossos leitores .
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 A importncia da linguagem

 Na abertura da sua obra Poltica , Aristteles afirma que somente o homem  um

 " animal poltico " , isto  , social e cvico , porque somente ele  dotado de

 linguagem .
 Os outros animais , escreve Aristteles , possuem voz ( phone ) e com

 ela exprimem dor e prazer , mas o homem possui a palavra ( logos ) e , com ela ,

 exprime o bom e o mau , o justo e o injusto .
 Exprimir e possuir em comum esses

 valores  o que torna possvel a vida social e poltica e , dela , somente os

 homens so capazes .

 Segue a mesma linha o raciocnio de Rousseau no primeiro captulo do Ensaio

 sobre a origem das lnguas :

 A palavra distingue os homens dos animais ; a linguagem distingue as naes

 entre si .
 No se sabe de onde  um homem antes que ele tenha falado .

 Escrevendo sobre a teoria da linguagem , o lingista Hjelmslev afirma que " a

 linguagem  inseparvel do homem , segue-o em todos os seus atos " , sendo " o

 instrumento graas ao qual o homem modela seu pensamento , seus sentimentos ,

 suas emoes , seus esforos , sua vontade e seus atos , o instrumento graas ao

 qual ele influencia e  influenciado , a base mais profunda da sociedade

 humana. "

 Prosseguindo em sua apreciao sobre a importncia da linguagem , Rousseau

 considera que a linguagem nasce de uma profunda necessidade de comunicao :

 Desde que um homem foi reconhecido por outro como um ser sensvel , pensante e

 semelhante a si prprio , o desejo e a necessidade de comunicar-lhe seus

 sentimentos e pensamentos fizeram-no buscar meios para isso .

 Gestos e vozes , na busca da expresso e da comunicao , fizeram surgir a

 linguagem .

 Por seu turno , Hjelmslev afirma que a linguagem  " o recurso ltimo e

 indispensvel do homem , seu refgio nas horas solitrias em que o esprito luta

 contra a existncia , e quando o conflito se resolve no monlogo do poeta e na

 meditao do pensador. "

 A linguagem , diz ele , est sempre  nossa volta , sempre pronta a envolver

 nossos pensamentos e sentimentos , acompanhando-nos em toda a nossa vida .
 Ela

 no  um simples acompanhamento do pensamento , " mas sim um fio profundamente

 tecido na trama do pensamento " ,  " o tesouro da memria e a conscincia

 vigilante transmitida de gerao a gerao " .

 A linguagem  , assim , a forma propriamente humana da comunicao , da relao

 com o mundo e com os outros , da vida social e poltica , do pensamento e das

 artes .

 No entanto , no dilogo Fedro , Plato dizia que a linguagem  um pharmakon .
 Esta

 palavra grega , que em portugus se traduz por poo , possui trs sentidos

 principais : remdio , veneno e cosmtico .

 Ou seja , Plato considerava que a linguagem pode ser um medicamento ou um

 remdio para o conhecimento , pois , pelo dilogo e pela comunicao , conseguimos

 descobrir nossa ignorncia e aprender com os outros .
 Pode , porm , ser um veneno

 quando , pela seduo das palavras , nos faz aceitar , fascinados , o que vimos ou

 lemos , sem que indaguemos se tais palavras so verdadeiras ou falsas .
 Enfim , a

 linguagem pode ser cosmtico , maquiagem ou mscara para dissimular ou ocultar a

 verdade sob as palavras .
 A linguagem pode ser conhecimento-comunicao , mas

 tambm pode ser encantamento-seduo .

 Essa mesma idia da linguagem como possibilidade de comunicao-conhecimento e

 de dissimulao-desconhecimento aparece na Bblia judaico-crist , no mito da

 Torre de Babel [ Gn 11.1-9 ] , quando Deus lanou a confuso entre os homens ,

 fazendo com que perdessem a lngua comum e passassem a falar lnguas

 diferentes , que impediam uma obra em comum , abrindo as portas para todos os

 desentendimentos e guerras .
 A pluralidade das lnguas  explicada , na Escritura

 Sagrada , como punio porque os homens ousaram imaginar que poderiam construir

 uma torre que alcanasse o cu , isto  , ousaram imaginar que teriam um poder e

 um lugar semelhante ao da divindade .
 " Que sejam confundidos " , disse Deus .

 A fora da linguagem

 Podemos avaliar a fora da linguagem tomando como exemplo os mitos e as

 religies .

 A palavra grega mythos , como j vimos , significa narrativa e , portanto ,

 linguagem .
 Trata-se da palavra que narra a origem dos deuses , do mundo , dos

 homens , das tcnicas ( o fogo , a agricultura , a caa , a pesca , o artesanato , a

 guerra ) e da vida do grupo social ou da comunidade .
 Pronunciados em momentos

 especiais - os momentos sagrados ou de relao com o sagrado - , os mitos so

 mais do que uma simples narrativa ; so a maneira pela qual , atravs das

 palavras , os seres humanos organizam a realidade e a interpretam .

 O mito tem o poder de fazer com que as coisas sejam tais como so ditas ou

 pronunciadas .
 O melhor exemplo dessa fora criadora da palavra mtica

 encontra-se na abertura da Gnese , na Bblia judaico-crist , em que Deus cria o

 mundo do nada , apenas usando a linguagem : " E Deus disse : faa-se !
 " , e foi

 feito .
 Porque Ele disse , foi feito .
 A palavra divina  criadora .

 Tambm vemos a fora realizadora ou concretizadora da linguagem nas liturgias

 religiosas .
 Por exemplo , na missa crist , o celebrante , pronunciando as

 palavras " Este  o meu corpo " e " Este  o meu sangue " , realiza o mistrio da

 Eucaristia , isto  , a encarnao de Deus no po e no vinho .
 Tambm nos rituais

 indgenas e africanos , os deuses e heris comparecem e se renem aos mortais

 quando invocados pelas palavras corretas , pronunciadas pelo celebrante .

 A linguagem tem , assim , um poder encantatrio , isto  , uma capacidade para

 reunir o sagrado e o profano , trazer os deuses e as foras csmicas para o meio

 do mundo , ou , como acontece com os msticos em orao , tem o poder de levar os

 humanos at o interior do sagrado .
 Eis por que , em quase todas as religies ,

 existem profetas e orculos , isto  , pessoas escolhidas pela divindade para

 transmitir mensagens divinas aos humanos .

 Esse poder encantatrio da linguagem aparece , por exemplo , quando vemos ( ou

 lemos sobre ) rituais de feitiaria : a feiticeira ou o feiticeiro tem a fora

 para fazer coisas acontecerem pelo simples fato de , em circunstncias certas ,

 pronunciarem determinadas palavras .
  assim que , nas lendas sobre o rei Artur e

 os cavaleiros da Tvola Redonda , os feiticeiros Merlin e Morgana decidem o

 destino das guerras , pronunciando palavras especiais dotadas de poder .
 Tambm

 nos contos infantis h palavras poderosas ( " Abre-te , Ssamo !
 " , " Shazam !
 " ) e

 encantatrias ( " Abracadabra " ) .
 Essa dimenso maravilhosa da linguagem da

 infncia  explorada de maneira belssima pelo cineasta Federico Fellini no

 filme Oito e Meio , quando a personagem adulta pronuncia as palavras " Asa Nisa

 Nasa " , trazendo de volta o passado .

 As palavras assumem o poder contrrio tambm , isto  , criam tabus .
 Ou seja , h

 coisas que no podem ser ditas porque , se forem , no s trazem desgraas , como

 ainda desgraam quem as pronunciar .
 As palavras-tabus existem nos contextos

 religiosos de vrias sociedades ( por exemplo , em muitas sociedades no se deve

 pronunciar a palavra " demnio " ou " diabo " , porque este aparece ; em vez disso se

 diz " o co " , " o demo " , " o tinhoso " ) .
 As palavras-tabus no existem apenas na

 esfera religiosa , mas tambm nos brinquedos infantis , quando certas palavras

 so proibidas a todos os membros do grupo , sob pena de punio para quem as

 pronunciar .

 Existem , ainda , palavras-tabus na vida social , sob os efeitos da represso dos

 costumes , sobretudo os que se referem a prticas sexuais .
 Assim , para certos

 grupos sociais de nossa sociedade e mesmo para nossa sociedade inteira , at os

 anos 60 do sculo passado , eram proibidas palavras como puta , homossexual ,

 aborto , amante , masturbao , sexo oral , sexo anal , etc .
 Tais palavras eram

 pronunciadas em meios masculinos e em locais privados ou ntimos .
 Tambm

 palavras de cunho poltico tendem a tornar-se quase tabus : revolucionrio ,

 terrorista , guerrilheiro , socialista , comunista , etc .

 O poder mgico-religioso da palavra aparece ainda num outro contexto : o do

 direito .
 Na origem , o direito no era um cdigo de leis referentes 

 propriedade ( de coisas ou bens , do corpo e da conscincia ) , nem referentes 

 vida poltica ( impostos , constituies , direitos sociais , civis , polticos ) ,

 mas era um ato solene no qual o juiz pronunciava uma frmula pela qual duas

 partes em conflito fariam a paz .

 O direito era uma linguagem solene de frmulas conhecidas pelo rbitro e

 reconhecidas pelas partes em litgio .
 Era o juramento pronunciado pelo juiz e

 acatado pelas partes .
 Donde as expresses " Dou minha palavra " ou " Ele deu sua

 palavra " , para indicar o juramento feito e a " palavra empenhada " ou " palavra de

 honra " .
  por isso tambm que , at hoje , nos tribunais , se faz o ( a ) acusado ( a )

 e as testemunhas responderem  pergunta : " Jura dizer a verdade , somente a

 verdade , nada alm da verdade ?
 " , dizendo : " Juro " .
 Razo pela qual o perjrio -

 dizer o falso , sob juramento de dizer o verdadeiro -  considerado crime

 gravssimo .

 Nas sociedades menos complexas do que a nossa , isto  , nas sociedades que so

 comunidades , onde todos se conhecem pelo primeiro nome e se encontram todos os

 dias ou com freqncia , a palavra dada e empenhada  suficiente , pois , quando

 algum d sua palavra , d sua vida , sua conscincia , sua honra e assume um

 compromisso que s poder ser desfeito com a morte ou com o acordo da outra

 parte .
  por isso que , nos casamentos religiosos , em que os noivos fazem parte

 da comunidade , basta que digam solenemente ao celebrante " Aceito " , para que o

 casamento esteja concretizado .

 Independentemente de acreditarmos ou no em palavras msticas , mgicas ,

 encantatrias ou tabus , o importante  que existam , pois sua existncia revela

 o poder que atribumos  linguagem .
 Esse poder decorre do fato de que as

 palavras so ncleos , snteses ou feixes de significaes , smbolos e valores

 que determinam o modo como interpretamos as foras divinas , naturais , sociais e

 polticas e suas relaes conosco .

 A outra dimenso da linguagem

 Para referir-se  palavra e  linguagem , os gregos possuam duas palavras :

 mythos e logos .
 Diferentemente do mythos , logos  uma sntese de trs palavras

 ou idias : fala / palavra , pensamento / idia e realidade / ser .
 Logos  a palavra

 racional do conhecimento do real .
  discurso ( ou seja , argumento e prova ) ,

 pensamento ( ou seja , raciocnio e demonstrao ) e realidade ( ou seja , os nexos

 e ligaes universais e necessrios entre os seres ) .

  a palavra-pensamento compartilhada : dilogo ;  a palavra-pensamento

 verdadeira : lgica ;  a palavra-pensamento de alguma coisa : o " logia " que

 colocamos no final de palavras como cosmologia , mitologia , teologia , ontologia ,

 biologia , psicologia , sociologia , antropologia , tecnologia , filologia ,

 farmacologia , etc .

 Do lado do logos desenvolve-se a linguagem como poder de conhecimento racional

 e as palavras , agora , so conceitos ou idias , estando referidas ao pensamento ,

  razo e  verdade .

 Essa dupla dimenso da linguagem ( como mythos e logos ) explica por que , na

 sociedade ocidental , podemos comunicar-nos e interpretar o mundo sempre em dois

 registros contrrios e opostos : o da palavra solene , mgica , religiosa ,

 artstica , e o da palavra leiga , cientfica , tcnica , puramente racional e

 conceitual .
 No por acaso , muitos filsofos das cincias afirmam que uma

 cincia nasce ou um objeto se torna cientfico quando uma explicao que era

 religiosa , mgica , artstica , mtica cede lugar a uma explicao conceitual ,

 causal , metdica , demonstrativa , racional .

 A origem da linguagem

 Durante muito tempo a Filosofia preocupou-se em definir a origem e as causas da

 linguagem .

 Uma primeira divergncia sobre o assunto surgiu na Grcia : a linguagem 

 natural aos homens ( existe por natureza ) ou  uma conveno social ?
 Se a

 linguagem for natural , as palavras possuem um sentido prprio e necessrio ; se

 for convencional , so decises consensuais da sociedade e , nesse caso , so

 arbitrrias , isto  , a sociedade poderia ter escolhido outras palavras para

 designar as coisas .
 Essa discusso levou , sculos mais tarde ,  seguinte

 concluso : a linguagem como capacidade de expresso dos seres humanos 

 natural , isto  , os humanos nascem com uma aparelhagem fsica , anatmica ,

 nervosa e cerebral que lhes permite expressarem-se pela palavra ; mas as lnguas

 so convencionais , isto  , surgem de condies histricas , geogrficas ,

 econmicas e polticas determinadas , ou , em outros termos , so fatos culturais .

 Uma vez constituda uma lngua , ela se torna uma estrutura ou um sistema dotado

 de necessidade interna , passando a funcionar como se fosse algo natural , isto

  , como algo que possui suas leis e princpios prprios , independentes dos

 sujeitos falantes que a empregam .

 Perguntar pela origem da linguagem levou a quatro tipos de respostas :

 1 .
 a linguagem nasce por imitao , isto  , os humanos imitam , pela voz , os

 sons da Natureza ( dos animais , dos rios , das cascatas e dos mares , do trovo e

 do vulco , dos ventos , etc. ) .
 A origem da linguagem seria , portanto , a

 onomatopia ou imitao dos sons animais e naturais ;

 2 .
 a linguagem nasce por imitao dos gestos , isto  , nasce como uma espcie

 de pantomima ou encenao , na qual o gesto indica um sentido .
 Pouco a pouco , o

 gesto passou a ser acompanhado de sons e estes se tornaram gradualmente

 palavras , substituindo os gestos ;

 3 .
 a linguagem nasce da necessidade : a fome , a sede , a necessidade de

 abrigar-se e proteger-se , a necessidade de reunir-se em grupo para defender-se

 das intempries , dos animais e de outros homens mais fortes levaram  criao

 de palavras , formando um vocabulrio elementar e rudimentar , que ,

 gradativamente , tornou-se mais complexo e transformou-se numa lngua ;

 4 .
 a linguagem nasce das emoes , particularmente do grito ( medo , surpresa ou

 alegria ) , do choro ( dor , medo , compaixo ) e do riso ( prazer , bem-estar ,

 felicidade ) .
 Citando novamente Rousseau em seu Ensaio sobre a origem das

 lnguas :

 No  a fome ou a sede , mas o amor ou o dio , a piedade , a clera , que aos

 primeiros homens lhes arrancaram as primeiras vozes Eis por que as primeiras

 lnguas foram cantantes e apaixonadas antes de serem simples e metdicas .

 Assim , a linguagem , nascendo das paixes , foi primeiro linguagem figurada e por

 isso surgiu como poesia e canto , tornando-se prosa muito depois ; e as vogais

 nasceram antes das consoantes .
 Assim como a pintura nasceu antes da escrita ,

 assim tambm os homens primeiro cantaram seus sentimentos e s muito depois

 exprimiram seus pensamentos .

 Essas teorias no so excludentes .
  muito possvel que a linguagem tenha

 nascido de todas essas fontes ou modos de expresso , e os estudos de Psicologia

 Gentica ( isto  , da gnese da percepo , imaginao , memria , linguagem e

 inteligncia nas crianas ) mostra que uma criana se vale de todos esses meios

 para comear a exprimir-se .
 Uma linguagem se constitui quando passa dos meios

 de expresso aos de significao , ou quando passa do expressivo ao

 significativo .
 Um gesto ou um grito exprimem , por exemplo , medo ; palavras ,

 frases e enunciados significam o que  sentir medo , do contedo ao medo .

 O que  a linguagem ?

 A linguagem  um sistema de signos ou sinais usados para indicar coisas , para a

 comunicao entre pessoas e para a expresso de idias , valores e sentimentos .

 Embora to simples , essa definio da linguagem esconde problemas complicados

 com os quais os filsofos tm-se ocupado desde h muito tempo .
 Essa definio

 afirma que :

 1 .
 a linguagem  um sistema , isto  , uma totalidade estruturada , com

 princpios e leis prprios , sistema esse que pode ser conhecido ;

 2 .
 a linguagem  um sistema de sinais ou de signos , isto  , os elementos que

 formam a totalidade lingstica so um tipo especial de objetos , os signos , ou

 objetos que indicam outros , designam outros ou representam outros .
 Por exemplo ,

 a fumaa  um signo ou sinal de fogo , a cicatriz  signo ou sinal de uma

 ferida , manchas na pele de um determinado formato , tamanho e cor so signos de

 sarampo ou de catapora , etc .
 No caso da linguagem , os signos so palavras e os

 componentes das palavras ( sons ou letras ) ;

 3 .
 a linguagem indica coisas , isto  , os signos lingsticos ( as palavras )

 possuem uma funo indicativa ou denotativa , pois como que apontam para as

 coisas que significam ;

 4 .
 a linguagem tem uma funo comunicativa , isto  , por meio das palavras

 entramos em relao com os outros , dialogamos , argumentamos , persuadimos ,

 relatamos , discutimos , amamos e odiamos , ensinamos e aprendemos , etc. ;

 5 .
 a linguagem exprime pensamentos , sentimentos e valores , isto  , possui uma

 funo de conhecimento e de expresso , sendo neste caso conotativa , ou seja ,

 uma mesma palavra pode exprimir sentidos ou significados diferentes , dependendo

 do sujeito que a emprega , do sujeito que a ouve e l , das condies ou

 circunstncias em que foi empregada ou do contexto em que  usada .
 Assim , por

 exemplo , a palavra gua , se for usada por um professor numa aula de qumica ,

 conotar o elemento qumico que corresponde  frmula H2O ; se for empregada por

 um poeta , pode conotar rios , chuvas , lgrimas , mar , lquido , pureza , etc. ; se

 for empregada por uma criana que chora pode estar indicando uma carncia ou

 necessidade como a sede .

 A definio nos diz , portanto , que a linguagem  um sistema de sinais com

 funo indicativa , comunicativa , expressiva e conotativa .

 No entanto , essa definio no nos diz vrias coisas .
 Por exemplo , como a fala

 se forma em ns ?
 Por que a linguagem pode indicar coisas externas e tambm

 exprimir idias ( internas ao pensamento ) ?
 Por que a linguagem pode ser

 diferente quando falada pelo cientista , pelo filsofo , pelo poeta ou pelo

 poltico ?
 Como a linguagem pode ser fonte de engano , de mal-entendido , de

 controvrsia ou de mentira ?
 O que se passa exatamente quando dialogamos com

 algum ?
 O que  escrever ?
 E ler ?
 Como podemos aprender uma outra lngua ?

 Na resposta a vrias dessas perguntas , vamos encontrar uma divergncia que j

 encontramos quando estudamos a razo , a verdade , a percepo ou a imaginao ,

 qual seja , a diferena entre empiristas e intelectualistas .

 Empiristas e intelectualistas diante da linguagem

 Para os empiristas , a linguagem  um conjunto de imagens corporais e mentais

 formadas por associao e repetio e que constituem imagens verbais ( as

 palavras ) .

 As imagens corporais so de dois tipos : motoras e sensoriais .
 As imagens

 motoras so as que adquirimos quando aprendemos a articular sons ( falar ) e

 letras ( escrever ) , graas a mecanismos anatmicos e fisiolgicos .
 As imagens

 sensoriais so as que adquirimos quando , graas aos nossos sentidos , 

 fisiologia de nosso sistema nervoso , sobretudo a de nosso crebro , aprendemos a

 ouvir ( compreender sons e vozes ) e a reconhecer a grafia dos sons ( ler ) .
 As

 imagens verbais so aprendidas por associao , em funo da freqncia e

 repetio dos sinais externos que estimulam nossa capacidade motriz e

 sensorial .
 A palavra ou imagem verbal  uma sntese de imagens motoras e

 sensoriais armazenadas em nosso crebro .

 O que levou a essa concepo empirista da linguagem foi o estudo mdico de

 " perturbaes da linguagem " : a afasia ( incapacidade para usar e compreender

 todas as palavras disponveis na lngua ) ; a agrafia ( incapacidade para escrever

 ou para escrever determinadas palavras ) ; a surdez verbal ( ouvir as palavras sem

 conseguir compreend-las ) e a cegueira verbal ( ler sem conseguir entender ) .

 Os mdicos que estudaram essas perturbaes concluram que estavam relacionadas

 com leses no crebro e que , portanto , a linguagem era um fenmeno fsico

 ( anatmico e fisiolgico ) do qual no temos conscincia ( desconhecemos suas

 causas ) , mas de cujos efeitos temos conscincia , isto  , falamos , ouvimos ,

 escrevemos , lemos e compreendemos o sentido das palavras .
 A linguagem seria uma

 soma de causas fsicas e de efeitos psquicos cujos tomos ou elementos seriam

 as imagens verbais associadas .

 Os intelectualistas , porm , apresentam uma concepo muito diferente desta .

 Embora aceitem que a possibilidade para falar , ouvir , escrever e ler esteja em

 nosso corpo ( anatomia e fisiologia ) afirmam que a capacidade para a linguagem 

 um fato do pensamento ou de nossa conscincia .
 A linguagem , dizem eles , 

 apenas a traduo auditiva , oral , grfica ou visvel de nosso pensamento e de

 nossos sentimentos .
 A linguagem  um instrumento do pensamento para exprimir

 conceitos e smbolos , para transmitir e comunicar idias abstratas e valores .
 A

 palavra , dizem eles ,  uma representao de um pensamento , de uma idia ou de

 valores , sendo produzida pelo sujeito pensante que usa os sons e as letras com

 essa finalidade .

 O pensamento puro seria silencioso ou mudo e formaria , para manifestar-se , as

 palavras .
 Duas provas poderiam confirmar essa concepo da linguagem : o fato de

 que o pensamento procura e inventa palavras ; e o fato de que podemos aprender

 outras lnguas , porque o sentido de duas palavras diferentes em duas lnguas

 diferentes  o mesmo e tal sentido  a idia formada pelo pensamento para

 representar ou indicar as coisas .

 A grande prova dos intelectualistas contra os empiristas foi a histria de

 Helen Keller .
 Nascida cega , surda e muda , Helen Keller aprendeu a usar a

 linguagem sem nunca ter visto as coisas e as palavras , sem nunca ter escutado

 ou emitido um som .
 Se a linguagem dependesse exclusivamente de mecanismos e

 disposies corporais , Helen Keller jamais teria chegado  linguagem .

 Mas chegou .
 E chegou quando compreendeu a relao simblica entre duas

 expresses diferentes : numa das mos , sentia correr a gua de uma torneira ,

 enquanto a outra mo , na qual segurava uma agulha , guiada por sua professora ,

 ia traando a palavra gua ; quando se tornou capaz de compreender que uma mo

 traduzia o que a outra sentia , tornou-se capaz de usar a linguagem .
 Assim , a

 linguagem , longe de ser um mecanismo instintivo e biolgico , seria um fato puro

 da inteligncia , uma atividade intelectual simblica e de compreenso , uma pura

 traduo de pensamentos .

 As concepes empirista e intelectualista , apesar de suas divergncias , possuem

 dois pontos em comum :

 1 .
 ambas consideram a linguagem como sendo fundamentalmente indicativa ou

 denotativa , isto  , os signos lingsticos ou as palavras servem apenas para

 indicar coisas ;

 2 .
 ambas consideram a linguagem como um instrumento de representao das

 coisas e das idias , ou seja , as palavras tm apenas uma funo ou um uso

 instrumental representativo .

 Esses dois pontos de concordncia fazem com que , para as duas correntes

 filosficas , os aspectos conotativos ou a funo conotativa da linguagem seja

 considerada algo perturbador e negativo .
 Em outros termos , o fato de que a

 comunicao verbal se realize com as palavras assumindo sentidos diferentes ,

 dependendo de quem fala e ouve , escreve e l , do contexto e das circunstncias

 em que as enunciamos ,  considerado perturbador porque , afinal , as coisas so

 sempre o que elas so e as idias so sempre o que elas so , de modo que as

 palavras deveriam ter sempre um s e mesmo sentido para indicar claramente as

 coisas e representar claramente as idias .

 Por esse motivo , periodicamente , aparecem na Filosofia correntes filosficas

 que se preocupam em " purificar " a linguagem para que ela sirva docilmente s

 representaes conceituais .
 Tais correntes julgam que a linguagem perfeita para

 o pensamento  a das cincias e , particularmente , a da matemtica e a da

 fsica .

 Purificar a linguagem

 Uma dessas correntes filosficas desenvolveu-se no sculo passado com o nome de

 positivismo lgico .
 Os positivistas lgicos distinguiram duas linguagens :

 1 .
 a linguagem natural , isto  , aquela que usamos todos os dias e que 

 imprecisa , confusa , mescla de elementos afetivos , volitivos , perceptivos e

 imaginativos ;

 2 .
 a linguagem lgica , isto  , uma linguagem purificada , formalizada ( ou seja ,

 com enunciados sem contedo e avaliadores do contedo das linguagens

 cientficas e filosficas ) , inspirada na matemtica e sobretudo na fsica .

 Essa linguagem obedecia a princpios e regras lgicas precisas e funcionava por

 meio de operaes chamadas clculos simblicos ( semelhantes s operaes da

 matemtica ) , que permitiam avaliar com exatido se um enunciado era verdadeiro

 ou falso .
 Dava-se nfase  sintaxe lgica dos enunciados , que asseguraria a

 verdade representativa e indicativa da linguagem .
 A conotao foi afastada .

 A linguagem lgica era uma metalinguagem , isto  , uma segunda linguagem que

 falava sobre lngua natural e sobre linguagem cientfica para saber se os

 enunciados delas eram verdadeiros ou falsos .
 Assim , por exemplo , na linguagem

 comum e diria dizemos : " O livro  de autoria de Jos Antnio Silva " e , na

 metalinguagem lgica , diremos : " A proposio ' O livro  de autoria de Jos

 Antnio Silva '  uma proposio verdadeira se e somente se forem preenchidas as

 condies x , y , z " .

 No entanto , descobriu-se , pouco a pouco , que havia expresses lingsticas que

 no possuam carter denotativo nem representativo , e , apesar disto , eram

 verdadeiras .
 Descobriu-se tambm que havia inmeras formas de linguagem que no

 podiam ser reduzidas aos enunciados lgicos e tipo matemtico e fsico .

 Descobriu-se , ainda , que a linguagem usa certas expresses para as quais no

 existe denotao .
 Por exemplo , as preposies e as conjunes s tm existncia

 na linguagem e no na realidade .

 Alm disso , descobriu-se que a reduo da linguagem ao clculo simblico ou

 lgico despojava de qualquer verdade e de qualquer pretenso ao conhecimento a

 ontologia , a literatura , a histria , bem como vrias cincias humanas , isto  ,

 todas as linguagens que so profundamente conotativas , para as quais a

 multiplicidade de sentido das palavras e das coisas  sua prpria razo de ser .

 Crtica ao empirismo e ao intelectualismo

 As concepes empiristas e intelectualistas tambm sofreram srias crticas dos

 estudiosos da linguagem no campo da psicologia .

 Os psiclogos Goldstein e Gelb fizeram estudos aprofundados da afasia e

 descobriram situaes curiosas .
 Por exemplo , ordena-se a um afsico : " Coloque

 nesta pilha todas as fitas azuis que voc encontrar nesta caixa " .
 O afsico

 inicia a separao .
 Ao encontrar uma fita azul-claro ele a coloca na pilha das

 fitas azuis , conforme lhe foi dito , mas tambm passa a colocar ali fitas

 verde-claro , rosa-claro e lils-claro .

 Os dois psiclogos observaram , assim , que a palavra azul no formava uma

 categoria ou uma idia geral para o afsico e que , portanto , seu problema de

 linguagem era tambm um problema de pensamento .
 No entanto , do ponto de vista

 cerebral ou anatmico , a parte do crebro destinada  inteligncia estava

 perfeita , sem nenhuma leso .
 Com isso , compreendeu-se que os empiristas estavam

 enganados e que a linguagem no  um mero conjunto de imagens verbais , mas 

 inseparvel de uma viso mais global da realidade e inseparvel do pensamento .

 Esses estudos , porm , no reforaram a concepo intelectualista , como

 poderamos supor .
 De fato , basta tentarmos imaginar o que seria um pensamento

 puro , mudo , silencioso para compreendermos que no seria nada , no pensaria

 nada .
 No pensamos sem palavras , no h pensamento antes e fora da linguagem ,

 as palavras no traduzem pensamentos , mas os envolvem e os englobam .
 

 justamente por isso que a criana aprende a falar e a pensar ao mesmo tempo ,

 pois , para ela , uma coisa se torna conhecida e pensvel ao receber um nome .

 Como escreveu Merleau-Ponty , a linguagem  o corpo do pensamento .

 A lingstica e a linguagem

 Durante o sculo XIX , o estudo da linguagem ou lingstica tinha como

 preocupao encontrar a origem da linguagem e das lnguas , considerando o

 estado presente ou atual de uma lngua como resultado ou efeito de causas

 situadas no passado .

 A linguagem era estudada sob duas perspectivas : a da filologia , que buscava a

 histria das palavras pelo estudo das razes , com o propsito de chegar a uma

 nica lngua original , me ou matriz de todas as outras ; e a da gramtica

 comparada , que estudava comparativamente as lnguas existentes com o propsito

 de encontrar famlias lingsticas e chegar  lngua-me original .

 Nesses estudos , retomava-se a discusso sobre o carter natural ou convencional

 da linguagem .
 Tambm era comum aos fillogos e gramticos a idia de que as

 lnguas se transformam no tempo e que as transformaes eram causadas por

 fatores extralingsticos ( migraes , guerras , invases , mudanas sociais e

 econmicas , etc. ) .

 Tais estudos , porm , viram-se diante de problemas que no conseguiam resolver .

 Um desses problemas foi o aparecimento do estudo das flexes ( tempos verbais ,

 maneira de indicar o plural e o singular , aumentativos e diminutivos ,

 declinaes ) , revelando que as lnguas mudavam por razes internas e no por

 fatores externos .

 Essa descoberta teve resultados curiosos .
 Um deles , aparecido na Alemanha ,

 tomava as flexes como prova de que cada povo tem uma lngua diferente porque

 esta exprimiria o carter ou o esprito do povo .
 Haveria lnguas doces e

 propcias aos sentimentos profundos ( como a alem ) ; lnguas rudes e mais

 voltadas para a prosa e a guerra ( como o latim ) , etc .
 Em suma , cada estudioso

 inventava o " carter da lngua " segundo as fantasias e ideologias de sua nao

 e dos nacionalismos da poca .

 A partir do sculo XX , uma nova concepo da linguagem foi elaborada pela

 lingstica e seus pontos principais so :

 * a linguagem  constituda pela distino entre lngua e fala ou palavra : a

 lngua  uma instituio social e um sistema , ou uma estrutura objetiva que

 existe com suas regras e princpios prprios , enquanto a fala ou palavra  o

 ato individual de uso da lngua , tendo existncia subjetiva por ser o modo como

 os sujeitos falantes se apropriam da lngua e a empregam .
 Assim , por exemplo ,

 temos a lngua portuguesa e a palavra ou fala de Cames , Machado de Assis ,

 Fernando Pessoa , Guimares Rosa , a sua e a minha ;

 * a lngua  uma totalidade dotada de sentido no qual o todo confere sentido

 s partes , isto  , as partes no existem isoladas nem somadas , mas apenas pela

 posio e funo que o todo da lngua lhes d e seu sentido vem dessa posio e

 dessa funo .
 Assim , por exemplo , os signos r e l s existem nas lnguas onde a

 diferena desses sons tem uma funo importante para diferenciar sentidos ,

 motivo pelo qual no operam significativamente em chins e em japons ( ou seja ,

 os chineses usam l indiferentemente para todas as palavras , sejam elas em l ou

 r ; os japoneses usam r indiferentemente para todas as palavras , sejam elas em l

 ou r ) .
 Os signos so os elementos da lngua ; so valores e no coisas ou

 entidades , isto  , so o que valem por sua posio e por sua diferena com

 relao aos demais signos ;

 * numa lngua , distinguem-se signo e significado , ou significante e

 significado : o signo  o elemento verbal material da lngua ( r , l , p , b , q , g ,

 por exemplo ) , enquanto o significado so os contedos ou sentidos imateriais

 ( afetivos , volitivos , perceptivos , imaginativos , evocativos , literrios ,

 cientficos , retricos , filosficos , polticos , religiosos , etc. ) veiculados

 pelos signos ; o significante  uma cadeia ou um grupo organizado de signos

 ( palavras , frases , oraes , proposies , enunciados ) que permitem a expresso

 dos significados e garantem a comunicao ;

 * a relao dos signos ou significantes com as coisas  convencional e

 arbitrria , mas , uma vez constituda a lngua como sistema de relaes entre

 signos / significantes e significados , a relao com as coisas indicadas ,

 nomeadas , expressadas ou comunicadas torna-se uma relao necessria para todos

 os falantes da lngua .
 Assim , por exemplo , a distino entre pa e ba , pata e

 bata  convencional , mas uma vez fixada pela lngua , torna-se necessria e

 inquestionvel ;

 * como as partes ( signos ou significantes ) de uma lngua recebem seu sentido

 e sua funo pelo lugar que o todo da lngua lhes confere , essas partes

 distinguem-se umas das outras apenas por suas diferenas , e a lngua  uma

 estrutura constituda por diferenas internas ou por oposies pertinentes

 entre os signos .
 Por exemplo , em portugus , existem os signos p e b , d e t

 porque suas diferenas so pertinentes para o sentido das palavras ( dizer pata

 e bata , dente e tente  dizer sentidos diferentes ) ; tambm existe a oposio

 pertinente entre o r e o l , mas tal oposio ou diferena no existe em japons

 e em chins e por isso , como vimos , tais signos no existem nessas lnguas .

 Por relao com sua prpria lngua , quando um japons fala o portugus , 

 levado a usar sempre o r ( que corresponde a um som ou signo diferencial

 existente em japons , isto  , faz sentido em japons ) e a substituir o l por r .

 Quando um chins fala o portugus ocorre exatamente o contrrio , prevalece o l

 porque este som e signo tem relao com o todo da lngua chinesa , e o r no .
 Em

 ingls , no existe o signo-som o e , assim , quando um ingls fala o portugus ,

 tende a usar an e am porque so signos-sons que fazem sentido em ingls .
 A

 lngua , portanto ,  feita dessas diferenas internas e por isso se diz que os

 signos so diacrticos e que a lngua  uma estrutura diacrtica ;

 * a lngua  um cdigo ( conjunto de regras que permitem produzir informao e

 comunicao ) e se realiza atravs de mensagens , isto  , pela fala / palavra dos

 sujeitos que veiculam informaes e se comunicam de modo especfico e

 particular ( a mensagem possui um emissor , aquele que emite ou envia a mensagem ,

 e um receptor , aquele que recebe e decodifica a mensagem , isto  , entende o que

 foi emitido ) ;

 * o sujeito falante possui duas capacidades : a competncia ( isto  , sabe usar

 a lngua ) e a performance ( isto  , tem seu jeito pessoal e individual de usar a

 lngua ) ; a competncia  a participao do sujeito em uma comunidade

 lingstica e a performance so os atos de linguagem que realiza ;

 * a lngua se realiza em duas dimenses : a sincronia , ou seja , o todo da

 lngua tomado na simultaneidade ou no seu estado atual ou presente ; e a

 diacronia , ou seja , a lngua vista sucessivamente , atravs de suas mudanas no

 tempo ou de sua histria ;

 * a lngua  inconsciente , isto  , ns a falamos sem ter conscincia de sua

 estrutura , de suas regras e seus princpios , de suas funes e diferenas

 internas ; vivemos nela e com ela e a empregamos sem necessidade de conhec-la

 cientificamente .

 Alguns exemplos podero ajudar-nos a compreender todos esses pontos .
 Uma lngua

  como um jogo de xadrez :  um todo no qual cada pea tem seu sentido , seu

 lugar e sua funo por diferena ou por oposio s demais peas .
 O jogo  uma

 conveno ou um cdigo com suas regras prprias , princpios e leis , e cada

 partida  a maneira como jogadores individuais usam e interpretam as regras ,

 leis e princpios gerais do jogo ( a diferena entre os jogadores e os sujeitos

 falantes  que estes falam a lngua respeitando o cdigo , mas sem conhec-lo

 conscientemente , enquanto os jogadores precisam conhecer o cdigo para poder

 jogar ) .

 O jogo existe antes e depois de cada partida .
 Cada partida rearranja o

 tabuleiro e chega a resultados diferentes , mas as regras do jogo so sempre as

 mesmas .
 Em cada partida , os jogadores podem jogar porque conhecem o cdigo e

 porque sabem interpretar os lances um do outro , respondendo a cada um deles .

 A lingstica veio mostrar algo muito interessante e que explica por que falar

 uma lngua estrangeira ou traduzir um texto estrangeiro no so coisas simples

 como julgavam os intelectualistas .

 Por exemplo , em ingls ,  possvel dizer " The man I love " .
 Quando traduzimos

 para o portugus temos : " O homem que amo " .
 Observamos que , em ingls , parece

 " faltar " uma palavra : o " que " .
 Notamos tambm que em ingls parece " sobrar " uma

 palavra : o " I " , o " eu " , que no usamos na frase em portugus .
 Para um ingls ,

 evidentemente , no falta e nem sobra nada .

 Este sentimento de falta ou sobra mostra que a diferena entre o ingls e o

 portugus no  de vocabulrio , mas de estrutura lingstica .
 No caso da

 traduo da palavra inglesa cheese e da palavra francesa fromage para o

 portugus , queijo , temos a impresso de que passamos sem problema de uma lngua

 para outra .
 Mas no  o caso .

 Quando um ingls usa cheese , ele est se referindo ou a algo leitoso e cremoso ,

 quase sem gosto , ou a algo mais duro e forte , que se pode comer sem outra

 coisa .
 O francs , por seu turno , ao dizer fromage estar pensando em queijos

 muito diferentes , dependendo da regio onde mora , da hora e do dia em que vai

 comer o queijo , sempre acompanhado de po e vinho .

 Para um ingls e para um francs , queijo jamais poderia ser imaginado junto com

 um doce , enquanto para ns , brasileiros , queijo ( de Minas , prato , requeijo

 baiano ) vai bem com goiabada ou com doce de leite , com o po com manteiga e o

 caf com leite .
 Assim dizer cheese no  dizer fromage nem queijo ; dizer

 fromage no  dizer cheese nem queijo ; dizer queijo no  dizer cheese nem

 fromage .

 Esse segundo exemplo explica o que os lingistas querem dizer quando afirmam

 que o momento da criao de um signo ( cheese , fromage , queijo )  arbitrrio ou

 convencional , mas , uma vez criado , passa a ter um sentido necessrio naquela

 lngua ( cheese  cheese e no  fromage nem queijo ) .

 Esse exemplo nos mostra tambm que uma lngua  algo social , histrico ,

 determinado por condies especficas de uma sociedade e de uma cultura .

 A experincia da linguagem

 Dizer que somos seres falantes significa dizer que temos e somos linguagem , que

 ela  uma criao humana ( uma instituio sociocultural ) , ao mesmo tempo em que

 nos cria como humanos ( seres sociais e culturais ) .
 A linguagem  nossa via de

 acesso ao mundo e ao pensamento , ela nos envolve e nos habita , assim como a

 envolvemos e a habitamos .
 Ter experincia da linguagem  ter uma experincia

 espantosa : emitimos e ouvimos sons , escrevemos e lemos letras , mas , sem que

 saibamos como , experimentamos sentidos , significados , significaes , emoes ,

 desejos , idias .

 Aps o caminho feito at aqui , podemos voltar  definio inicial que demos da

 linguagem e nela fazer alguns acrscimos .

 Em primeiro lugar , teremos que especificar melhor que tipo de signo  o signo

 lingstico .
 Por que uma palavra  diferente , por exemplo , da fumaa que indica

 fogo ?
 Ou , se se preferir , qual  a diferena entre a fumaa-signo-de-fogo , que

 vejo , e a palavra fumaa , que pronuncio ou escuto ?
 A fumaa  uma coisa que

 indica outra coisa ( fogo ) .
 A palavra fumaa , porm ,  um smbolo , isto  , algo

 que indica , representa , exprime alguma coisa que  de natureza diferente dela .

 O smbolo  um anlogo ( a bandeira simboliza a nao , por exemplo ) e no um

 efeito da coisa indicada , representada ou exprimida .
 O smbolo verbal ou

 palavra me reenvia a coisas que no so palavras : coisas materiais , idias ,

 pessoas , valores , seres inexistentes , etc .
 A linguagem  simblica e , pelas

 palavras , nos coloca em relao com o ausente .
 A linguagem  , pois , inseparvel

 da imaginao .

 Em segundo lugar , temos que especificar melhor as vrias funes que atribumos

  linguagem ( indicativa ou denotativa , comunicativa , expressiva , conotativa ) e

 para isso precisamos indagar com o que a linguagem se relaciona e nos

 relaciona .
 Evidentemente , diremos que a linguagem nos relaciona com o mundo e

 com os outros seres humanos .
 Mas como se d essa relao ?

 Essa pergunta , como vimos , era central para o Positivismo Lgico .
 Por seus

 erros e acertos , ele foi responsvel pelo surgimento de uma nova disciplina

 filosfica , a Filosofia da Linguagem , intimamente ligada s investigaes

 lgicas , transformando-se com elas e graas a elas .
 A grande preocupao da

 Filosofia da Linguagem resume-se numa pergunta : As palavras realmente dizem as

 coisas tais como so ?
 Descrevem e explicam verdadeiramente a realidade ?

 Tradicionalmente , dizia-se que a linguagem possua a forma de uma relao

 binria , isto  , entre dois termos :

 signo verbal < - > coisa indicada ( realidade )

 signo verbal < - > idia , conceito , valor ( pensamento )

 No entanto ,  possvel perceber que essa relao binria no nos explica por

 que uma palavra ou um signo verbal indica alguma coisa ou alguma idia , pois ,

 se ele fosse simplesmente denotativo ou indicativo e dual , no poderia haver o

 fenmeno da conotao , isto  , uma mesma palavra indicando coisas e idias

 diferentes .

 Tomemos um exemplo a que j nos referimos vrias vezes em outros captulos e

 que foi muito trabalhado pelo filsofo alemo Frege .
 " Estrela da manh " e

 " estrela da tarde " indicam Vnus .
 Mas falar na estrela d'alva , na estrela da

 tarde , na estrela matutina e na estrela vespertina no  a mesma coisa , ainda

 que todas essas expresses se refiram a Vnus .
 Em cada uma dessas expresses , o

 sentido de Vnus muda e esse sentido  expresso pelas palavras que se referem

 ao mesmo planeta .
 Assim , as palavras indicam-denotam alguma coisa , mas tambm a

 conotam , isto  , referem-se aos sentidos dessa coisa .

 Imaginemos ou recordemos a leitura de um romance .
 Comeamos a ler entendendo

 tudo o que o escritor escreveu porque referimos suas palavras a coisas que j

 conhecemos , a idias que j possumos e ao vocabulrio comum entre ele e ns .

 Pouco a pouco , porm , o livro vai ganhando espessura prpria , percebemos as

 coisas de outra maneira , mudamos idias que j tnhamos , vemos surgir pessoas

 ( personagens ) com vida prpria e histria prpria , sentimos que as palavras

 significam de um modo diferente daquele com o qual estamos habituados a us-las

 todo dia .

 Uma realidade foi criada e penetramos em seu interior exclusivamente pelas mos

 do escritor .
 Como isso  possvel ?
 Como as palavras poderiam criar um mundo , se

 elas apenas fossem sinais para indicar coisas e idias j existentes ?
 Com o

 romance descobrimos que as palavras se referem a significaes , inventam

 significaes , criam significaes .

 Imaginemos ou recordemos um dilogo .
 Quantas vezes conversando com algum ,

 dizemos : " Puxa !
 Eu nunca tinha pensado nisso !
 " , ou ento : " Voc sabe que ,

 agora , eu entendo melhor uma idia que tinha , mas que no entendia muito bem ?
 " ,

 ou ainda : " Voc me fez compreender uma coisa que eu sabia e no sabia que

 sabia " .

 Como essas frases so possveis ?
  que a linguagem tem a capacidade especial de

 nos fazer pensar enquanto falamos e ouvimos , nos faz compreender nossos

 prprios pensamentos tanto quanto os dos outros que falam conosco .
 Ela nos faz

 pensar e nos d o que pensar porque se refere a significados , tanto os j

 conhecidos por outros quanto os j conhecidos por ns , bem como os que no

 conhecamos por estarmos conversando .

 Esses exemplos nos levam a considerar a linguagem sob uma forma ternria :

 palavra ou signo significante < - > sentido ou significao ; significado < - >

 realidade ou mundo ( coisas , pessoas ) e instituies sociais , polticas ,

 culturais

 O mundo suscita sentidos e palavras , as significaes levam  criao de novas

 expresses lingsticas , a linguagem cria novos sentidos e interpreta o mundo

 de maneiras novas .
 H um vai-e-vem contnuo entre as palavras e as coisas ,

 entre elas e as significaes , de tal modo que a realidade , o pensamento e a

 linguagem so inseparveis , suscitam uns aos outros e interpretam-se uns aos

 outros .

 A linguagem :

 * refere-se ao mundo atravs das significaes e , por isso , podemos nos

 relacionar com a realidade atravs da palavra ;

 * relaciona-se com sentidos j existentes e cria sentidos novos e , por isso ,

 podemos nos relacionar com o pensamento atravs das palavras ;

 * exprime e descobre significados e , por isso , podemos nos comunicar e nos

 relacionar com os outros ;

 * tem o poder de suscitar significaes , de evocar recordaes , de imaginar o

 novo ou o inexistente e , por isso , a literatura  possvel .

 A linguagem revela nosso corpo como expressivo e significativo , os corpos dos

 outros como expressivos e significativos , as coisas como expressivas e

 significativas , o mundo como dotado de sentido e o pensamento como trabalho de

 descoberta do sentido .
 As palavras tm sentido e criam sentido .

 Como escreve Merleau-Ponty :

 A palavra , longe de ser um simples signo dos objetos e das significaes ,

 habita as coisas e veicula significaes .
 Naquele que fala , a palavra no

 traduz um pensamento j feito , mas o realiza .
 E aquele que escuta recebe , pela

 palavra , o prprio pensamento .

 A linguagem no traduz imagens verbais de origem motora e sensorial , nem

 representa idias feitas por um pensamento silencioso , mas encarna as

 significaes .

 Linguagem simblica e linguagem conceitual

 A diferena entre linguagem simblica e linguagem conceitual  o que deve

 interessar-nos agora .
 Fundamentalmente , a linguagem simblica opera por

 analogias ( semelhanas entre palavras e sons , entre palavras e coisas ) e por

 metforas ( emprego de uma palavra ou de um conjunto de palavras para substituir

 outras e criar um sentido potico para a expresso ) .

 A linguagem simblica realiza-se principalmente como imaginao .
 A linguagem

 conceitual procura evitar a analogia e a metfora , esforando-se para dar s

 palavras um sentido direto e no figurado ou figurativo .
 Isso no quer dizer

 que a linguagem conceitual seja puramente denotativa .
 Pelo contrrio , nela a

 conotao  essencial , mas no possui uma natureza imaginativa ou imagtica .

 A linguagem simblica ( dos mitos , da religio , da poesia , do romance , do

 teatro ) e a linguagem conceitual ( das cincias , da filosofia ) diferem sob os

 seguintes aspectos :

 * a linguagem simblica  fortemente emotiva e afetiva , enquanto a linguagem

 conceitual procura falar das emoes e dos afetos sem se confundir com eles e

 sem se realizar por meio deles ;

 * a linguagem simblica oferece snteses imediatas ( imagens ) , enquanto a

 linguagem conceitual procede por desconstruo analtica e reconstruo

 sinttica dos objetos , fazendo com que acompanhemos cada passo da anlise e da

 sntese ;

 * a linguagem simblica nos oferece palavras polissmicas , isto  , carregadas

 de mltiplos sentidos simultneos e diferentes , tanto sentidos semelhantes e em

 harmonia , quanto sentidos opostos e contrrios ; a linguagem conceitual procura

 diminuir ao mximo a polissemia e a conotao , buscando fazer com que cada

 palavra tenha um sentido prprio e que seus diferentes sentidos dependam do

 contexto no qual  empregada ;

 * a linguagem simblica leva-nos para dentro dela , arrasta-nos para seu

 interior pela fora de seu sentido , de suas evocaes , de sua beleza , de seu

 apelo emotivo e afetivo ; a linguagem conceitual busca convencer-nos e

 persuadir-nos por meio de argumentos , raciocnios e provas .
 A linguagem

 simblica fascina e seduz ; a linguagem conceitual exige o trabalho lento do

 pensamento ;

 * a linguagem simblica nos d a conhecer o mundo criando um outro , anlogo

 ao nosso , porm mais belo ou mais terrvel do que o nosso , mais justo ou mais

 violento do que o nosso , mais antigo ou mais novo do que o nosso , mais visvel

 ou mais oculto do que o nosso ; a linguagem conceitual busca dizer o nosso

 mundo , decifrando seu sentido , ultrapassando suas aparncias e seus acidentes ;

 * a linguagem simblica , privilegiando a memria e a imaginao , nos diz como

 as coisas ou os homens poderiam ter sido ou podero ser , voltando-se para um

 possvel passado ou para um possvel futuro ; a linguagem conceitual busca dizer

 o nosso presente , fala do necessrio , determinando suas causas ou motivos e

 razes ; procura tambm as linhas de fora de suas transformaes e o campo dos

 possveis , como possibilidade objetiva e no apenas desejada ou sonhada .

 RESUMINDO

 A linguagem em sentido amplo ( isto  , englobando lngua , fala e palavra ) 

 constituda por quatro fatores fundamentais :

 1 .
 fatores fsicos ( anatmicos , neurolgicos , sensoriais ) , que determinam para

 ns a possibilidade de falar , escutar , escrever e ler ;

 2 .
 fatores socioculturais , que determinam a diferena entre as lnguas e entre

 as lnguas dos indivduos .
 Assim , o portugus e o ingls correspondem a

 sociedades e culturas diferentes , bem como a linguagem de Machado de Assis e de

 Guimares Rosa correspondem a momentos diferentes da cultura no Brasil ;

 3 .
 fatores psicolgicos ( emocionais , afetivos , perceptivos , imaginativos ,

 lembranas , inteligncia ) que criam em ns a necessidade e o desejo da

 informao e da comunicao , bem como criam nossa capacidade para a performance

 lingstica , seja ela cotidiana , artstica , cientfica ou filosfica ;

 4 .
 fatores lingsticos propriamente ditos , isto  , a estrutura e o

 funcionamento da linguagem que determinam nossa competncia e nossa performance

 enquanto seres capazes de criar e compreender significaes .

 Esses fatores nos dizem por que existe linguagem e como ela funciona , mas no

 nos dizem o que  a linguagem .
  a perspectiva fenomenolgica que nos orienta

 para sabermos no s o que  a linguagem , mas tambm qual  seu papel

 fundamental no conhecimento :

 * a linguagem no  mecanismo psicomotor ( os fatores 1 e 3 apresentam as

 condies biolgicas e psicolgicas para haver linguagem , mas no qual  a

 natureza da experincia da palavra ) ;

 * a linguagem no  simples relao binria entre signo e coisa , signo e

 idia , mas  uma relao ternria , na qual os signos so smbolos que veiculam

 significaes ;

 * a linguagem no traduz pensamentos , mas participa ativamente da formao e

 formulao das idias e dos valores ;

 * a linguagem  uma forma de nossa experincia total de seres que vivem no

 mundo e com outros ;  uma dimenso de nossa existncia ;

 * a linguagem , como a percepo e a imaginao , pode comprazer-se no j dado ,

 j dito e j pensado , no institudo e estabelecido , ficando escrava dos

 preconceitos e das ideologias , pois , como disse Plato , ela pode ser remdio ,

 veneno e mscara .
 Pode bloquear nosso conhecimento e pode produzir

 desconhecimento ( mentira , desinformao ) .
  , assim , nosso meio de acesso ao

 mundo , aos outros e  verdade , mas tambm o instrumento do engano , do falso e

 da mentira ;

 * a linguagem cria , interpreta e decifra significaes , podendo faz-lo

 miticamente ou logicamente , magicamente ou racionalmente , simbolicamente ou

 conceitualmente .

 Martinho Carlos Rost

 Outras Matrias Relacionadas :

 Introduo : Para que Filosofia ?

 A origem da Filosofia

 O nascimento da Filosofia

 Campos de investigao da Filosofia

 Principais perodos da histria da Filosofia

 Aspectos da Filosofia contempornea

 A Razo

 A atividade racional

 A Razo : inata ou adquirida ?

 Os problemas do inatismo e do empirismo : solues filosficas

 A razo na Filosofia contempornea

 Ignorncia e verdade

 Buscando a verdade

 As concepes da verdade

 A preocupao com o conhecimento

 A percepo

 A memria

 A imaginao

 A linguagem

 O pensamento [ INLINE ]

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 Comentrios dos Leitores

 _________________________________________________________________

 Estefnia Pereira de Assuno

 [ INLINE ]

 _________________________________________________________________

 gostaria de receber algum comentario sobre lgica e tica.e receber

 algum resumo. obrigada

 _________________________________________________________________

 sueli

 [ INLINE ]

 _________________________________________________________________

 Parabens pela sua contribuicao dos textos apresentados .
 Gostaria que

 me sugerisse um conteudo programatico para o ensino medio do 2 .
 grau .

 _________________________________________________________________

 Jaqueline

 [ INLINE ]

 _________________________________________________________________

 Muito bom continue v  10

 _________________________________________________________________

 glaucia

 [ INLINE ]

 _________________________________________________________________

 gostaria se um resumo sobre " distino conceitual entre lingua e fala "

 _________________________________________________________________

 glaucia

 [ INLINE ]

 _________________________________________________________________

 gostaria de ter um resumo sobre"distino conceitual entre lingua e

 fala "

 _________________________________________________________________

 Artemisia Soares

 [ INLINE ]

 _________________________________________________________________

 Me surpreendi com a riqueza de informaoes deste site ( revista ) , sou

 academica do curso de Turismo , estou estudando filosofia por Marilena

 Chaui .
 Continuem se esforando para facilitar a vida de muitos

 academicos que se utilizam da net para expandir o conhecimento .

 Parabns !

 _________________________________________________________________

 Monteles

 [ INLINE ]

 _________________________________________________________________

 Muito bom , continuem com esta importante contribuio de

 esclarecimento do ser humano .

 _________________________________________________________________

 Ivone Avila

 [ INLINE ]

 _________________________________________________________________

 Esse texto  excelente .
 Acho que o brilhantismo da produo s se

 compara  importncia do tema discutido .
 Parabns !!!!
 Ivone Avila

 _________________________________________________________________

 Iris Robert

 [ INLINE ]

 _________________________________________________________________

 gosto de me forar a pensar ...

 _________________________________________________________________

 leitor

 [ INLINE ]

 _________________________________________________________________

 comentrio

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