

 [ INLINE ] Ludwig Wittgenstein

 ( 1889-1951 )

 .

 Wittgenstein  um pensador incontornvel no sculo XX .
 Em vida apenas editou

 uma obra - Tratado Lgico-Filosfico - , com umas escassas dezenas de pginas , mas

 as bastantes para produzir uma revoluo na filosofia .
 Numa primeira leitura

 desta obra dir-se- que pretende acabar com a tica , a filosofia e a religio ,

 tudo aquilo que est desprovido de sentido .
 Uma leitura mais atenta ,

 descobrimos um pensador que procura preservar o mistrio da vida e o que as

 palavras se revelam incapazes de descrever .

 Ludwig Wittgenstein nasceu , em 1889 , na ento pujante cidade Viena de Austria .

 Era filho de um dos homens mais ricos da Europa .
 Em 1906 entra para a

 Techinsche Hochschule de Berlim .
 Dois anos depois ingressa na Universidade de

 Manchester , com o objectivo de especializar-se em aeronutica , tendo a

 desenhado um motor a reaco .
 No tarda a abandonar os problemas da tcnica ,

 para se dedicar  questo dos fundamentos da matemtica.Visita Frege em Iene , e

 por sugesto deste inscreve-se no curso de Bertrand Russell , no Trinity College

 em Cambridge ( 1912-1913 ) , onde rapidamente se destaca pelas suas

 extraordinrias capacidades intelectuais .
 Entre 1913 e 1914 vive na Noruega

 dedicado-se ao estudo de lgica .

 Quando eclode a I . Guerra Mundial , em 1914 , alista-se no exrcito austraco ,

 tendo sido enviado para a linha da frente na Rssia e na Itlia .
 Em Novembro de

 1918  feito prisioneiro pelos italianos , sendo libertado em Agosto do ano

 seguinte .
  durante este dramtico perodo da guerra que redige o seu clebre

 Tratado Lgico-Filosfico ( Tractatus Logico-Philosophicus ) , publicado apenas em

 1921 , em alemo , e traduzido em ingls no ano seguinte .

 Aps ter sido libertado , Wittgenstein resolve desfazer-se da fortuna que

 herdara em 1913 , em virtude da morte de seu pai .
 Entre 1919 e 1926 tornou-se

 professor de uma modesta escola primria de provncia .
 Finda esta experincia

 de professor primrio , inicia outra , a de jardineiro ( 1926 ) , envolvendo-se

 depois na construo de uma casa para uma das suas irms ( 1929 ) .

 No final dos anos vinte volta dedicar-se  filosofia , ingressando em 1929 na

 Universidade de Cambridge , recebendo neste ano o grau de doutor com base na

 sua obra publicada em 1921 .
 A partir de 1930 Wittgenstein inicia ento uma nova

 fase na sua filosofia , e que ser consagrada na sua obra intitulada

 Investigaes Lgicas , publicada postumamente ( 1953 ) .

 Devido  sua origem judaica , Wittgenstein e a sua famlia so vtimas da

 perseguio dos nazis , sendo esta espoliada de grande parte dos seus bens .
 Em

 1939 naturaliza-se cidado britnico , ocupando neste ano em Cambrigde a ctedra

 de Moore .
 Durante II Guerra Mundial ( 1939-1945 ) ofereceu-se como voluntrio

 para os servios de sade de Londres , trabalhando no Guy`s Hospital .

 Dois anos depois da Guerra , demite-se da Universidade , passando a viver entre a

 Irlanda , Oxford e Cambridge.Faleceu em 1951 , vitima de um cancro , em casa do

 seu mdico e amigo Dr.Bevan .

 .

 Filosofia

 A filosofia de Wittgenstein pode ser dividida em dois grandes perodos :

 Wittgenstein I - Perodo anterior a 1929 , a que corresponde ao Tratado

 Lgico-Filosfico , assim como  enorme influncia que exerce sobre o Crculo de

 Viena ( a que nunca pertenceu ) e o neopositivismo ; Wittgenstein II - Perodo

 posterior a 1930 e a que corresponde as Investigaes Filosficas ,

 destacando-se tambm a sua grande influncia sobre a filosofia analtica em

 geral , e as escolas de Cambridge e de Oxford em particular .

 Wittgenstein I .
 A linguagem e os seus limites  o tema central do Tratado .

 Wittgenstein , Russell e outros filsofos seus contemporneos estavam

 convencidos que que grande parte dos problemas da filosofia resultavam de um

 uso imperfeito da linguagem corrente , o que levava a frequentes confuses.Havia

 pois no seu entender que estabelecer certos limites para o uso da linguagem ,

 isto  , aquilo que faz sentido dizer e aquilo que  destitudo de sentido

 afirmar .
 Tpicos para a compreenso deste perodo filosfico :

 1 .
 A funo da linguagem  descrever a realidade , porque em rigor nada pode ser

 dado fora da linguagem .

 - " Os limites da minha linguagem significa os limites do mundo " ( 5.6 )

 - " Que o mundo  meu mundo revela-se no facto de os limites da linguagem ( da

 linguagem que apenas eu compreendo ) significarem os limites do meu mundo "

 ( 5.62 )

 2.A estrutura lgica da linguagem.A Lgica determina a estrutura da linguagem e

  um espelho cuja imagem  o mundo .

 - " A lgica no  uma doutrina ,  um espelho cuja imagem  o mundo .
 A Lgica 

 transcendental " .
 ( 6.13 )

 O conjunto de todos os estados de coisas possveis forma o espao lgico da

 linguagem .
 Nada pode ser descrito fora deste espao lgico .
 A lgica  o limite

 do mundo .
 No podemos pensar nada ilgico .
 No espao lgico esto contidas

 todas as possibilidades de existncia e de no existncia , em suma , tudo aquilo

 que pode ser dito com sentido .

 3.Existe uma isomorfismo entre a linguagem e realidade .
 Estudando os elementos

 que compem a linguagem lgica perfeita sabemos quais so aqueles que compem a

 realidade e vice-versa .
 A linguagem  o espelho do mundo , o que se reflecte na

 sua natureza .
  por esta razo que a realidade s pode ser compreendida atravs

 da linguagem e o conhecimento consiste na anlise da linguagem .

 4 .
 A linguagem com sentido no  mais do que um conjunto de proposies que

 descrevem ou figuram algum estado de coisas possvel .
 O sentido resulta do

 facto de descreverem algo que acontece na realidade e em ltima instncia 

 susceptvel de ser verificado ( ideia que ir ser explorada pelo Crculo de

 Viena ) .

 5.A linguagem  a totalidade das proposies .
 Uma proposio  a linguagem

 expressa em sons , constitui uma figura da realidade , um modelo de de uma

 situao possvel ( 4.01 ) .
 A proposio , expresso de um pensamento , tem algo em

 comum com o que  descrito : a forma lgica .
 A cada elemento da proposio

 corresponde um objecto da realidade .
 Se algo ocorre na proposio , algo deve

 ocorrer no mundo , no caso do enunciado ser uma figura correcta da realidade .

 6 .
 Pensamento e linguagem so uma e a mesma coisa .

 7.O pensamento  constitudo de proposies complexas , que ligam entre si

 nomes , signos simples dos objectos .

 8.Limites da Linguagem : dizer e mostrar .
 No  possvel " retratar " as

 semelhanas existentes entre um retrato e o objecto retratado , tambm no 

 possvel " dizer " , expressar mediante enunciados a forma lgica comum 

 linguagem e  realidade .
 Esta apenas se mostra , no se diz .

 9.As expresses que no descrevem nenhum estado de coisas possvel no tem

 sentido , pois no figuram nada .
 Entre este tipo de expresses sem sentido , isto

  , que nada descrevem que acontea na realidade , encontram-se as expresses

 filosficas sobre a natureza das coisas , os valores , o sentido da vida , etc .

 Tratam-se de expresses que transcendem o mundo e portanto carecem de sentido .

 10 .
 A filosofia nada pode dizer acerca do mundo , pois no  uma cincia , nem

 uma forma de conhecimento ;

 11 .
 A filosofia  uma actividade de anlise da linguagem , que nos pode ajudar a

 distinguir o que se pode ou no dizer .
 A grande tarefa da filosofia consiste em

 clarificar o pensamento e nada mais .

 .

 O Tratado assume um concepo universal do Homem , desprezando no apenas a

 histria , mas tambm as diferentes culturas .
 A linguagem e o pensamento a que

 se refere  uma Linguagem e um Pensamento comum a todos os homens

 independentemente da sua origem ou cultura .
 A realidade ou o mundo so

 universalmente partilhadas por todos os homens e tm apenas um nico

 significado .
 A partir de 1929 , Wittgenstein abandona esta matriz universal da

 linguagem , fazendo-a depender cada vez mais da cultura a que est ligada .
 Este

 ser o tema de fundo de Wittgenstein II .

 Em Construo !

 Breve Glossrio

 Obra em Anlise

 Da Certeza

 .

 Edies e Comentrios

 [ INLINE ] Wittgenstein , Ludwig - Tratado Lgico-Filosfico .
 Investigaes

 Filosficas .
 Lisboa .
 Fundao Calouste Gulbenkian .
 2.ed .1995 .

 [ INLINE ] Wittgenstein , Ludwig - Cultura e Valor .
 Lisboa .
 Edies 70 .
 1980

 [ INLINE ] Wittgenstein , Ludwig - Fichas ( Zettel ) .
 Lisboa .
 Edies 70 .

 [ INLINE ] Wittgenstein , Ludwig - Da Certeza .
 Lisboa .
 Edies 70 .
 1990

 [ INLINE ] Wittgenstein , Ludwig - Anotaes sobre as cores.Lisboa .
 Edies 70 .

 1987

 [ INLINE ] Wittgenstein , Ludwig - Aulas e Conversas.Lisboa.Cotovia

 [ INLINE ] Wittgenstein , Ludwig - Anos de Aprendizagem.V-VIII.Lisboa.Relgio

 d`Agua

 [ INLINE ] Wittgenstein , Ludwig - O Livro Azul .
 Lisboa.Edies 70

 [ INLINE ] Wittgenstein , Ludwig - O Livro Castanho .
 Lisboa.Edies 70

 [ INLINE ] Wittgenstein , Ludwig - Caderno 1914-1916 .
 Lisboa.Edies 70

 .

 [ INLINE ] Eidinow , John ; Edmonds , David - O Atiador de Wittgenstein - A

 Histria de uma Discusso de dez minutos entre dois grandes filosfos. Lisboa .

 Temas e Debates .
 2004

 [ INLINE ] Griffin , James - O Atomismo Lgico de Wittgenstein .
 Porto .
 Porto

 Editora .
 2000

 [ INLINE ] Moura , Vitor - Autonomia dos Mundos.Traos Gestaltistas na obra de

 Ludwig Wittgenstein .
 Braga.Coimbra.Ed.Angelus Novus .1997

 [ INLINE ] Neto , Bento Prado - Fenomenologia em Wittgenstein .
 Rio de Janeiro .
 Ed .

 UFRJ .2004

 [ INLINE ] Pears , David - As Ideias de Wittgenstein .
 So Paulo.Cultrix .1994

 [ INLINE ] Wallner , Friedrich - A Obra Filosfica de Wittgenstein como

 unidade.Rio de Janeiro.Tempo Brasileiro .
 1997

 [ INLINE ] Zilho , Antnio - Linguagem da Filosofia e Filosofia da Linguagem .

 Estudos sobre Wittgenstein .
 Lisboa .
 Colibri .1993

 .

 Carlos Fontes

 Referncias Histricas

 Navegando na Filosofia

