 O Signo no Mundo do Dicionrio e da Enciclopdia

 [ INLINE ] O trabalho abaixo foi apresentado no dia 19 de abril 1996 ,

 em Florianpolis , SC , na sede do " Trao Freudiano " ( um grupo de

 psiclogos , terapeutas e psicanalistas ) , e ser publicado na prxima

 edio da revista anual do grupo .

 [ INLINE ] Die folgende Arbeit wurde am Sitz des " Trao Freudiano "

 ( einer Gruppe von Psychologen , Psychoanalytikern und Therapeuten ) am

 19 .
 April in Florianpolis , SC als Vortrag gehalten und wird im

 jhrlich erscheinenden Sammelband der Organisation verffentlicht .

 Resum

 Die vorliegende Arbeit beschftigt sich intensiv mit Semiotiktheorie .

 Zunchst wird in einem kleinen Abri die fast 3000 - jhrige Geschichte

 des Zeichenbegriffs berflogen , um festzustellen , da es trotz aller

 Bemhungen nicht gelingen kann , den Proze der Semiose

 intra-linguistisch zu begrnden. Lediglich sehr komplexe Modelle wie

 etwa von Charles Peirce , Louis Hjelmslev oder das Perzeptions - und

 Kognitionstheoretische System von Isidoro Blikstein knnen die

 gestellten Probleme annhernd erfassen .

 Der zweite Teil geht auf Umberto Ecos Diskussion des Sprachzeichens

 unter dem Aspekt der von ihm aufgestellten Dichotomie " Enzyklopdie "

 vs " Wrterbuch " nher ein , um festzustellen , da auch Eco , trotz aller

 Polemik gegen die auf quivalenzrelationen abhebenden

 Definitionsversuche des Wrterbuchs , letztlich eine Symbiose beider

 Elemente anstrebt .

 Der letzte Teil zeigt schlielich verschiedene Mglichkeiten der

 Anwendung dieser linguistischen Erkenntnisse im modernen

 Fremdsprachenunterricht .

 [ LINK ]

 O Signo no Mundo do Dicionrio e da Enciclopdia

 Introduo

 Obs. : As notas de rodap da verso HTML deste texto exigem um pouco de

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 Para

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 nota .

 [ INLINE ] [ INLINE ] [ INLINE ]

 Este trabalho discute uma tese bsica , formulada por Umberto Eco na

 sua Semitica e Filosofia da Linguagem .
 Eco , em continuidade de sua

 obra semitica , quer descobrir se o valor do signo lingstico , o seu

 significado ou contedo ,  constitudo no campo lexical do dicionrio ,

 atravs de equivalncias e definies , ou no campo textual de uma

 grande enciclopdia de todos os textos jamais formulados , atravs de

 instrues para a interpretao , tiradas da comparao com todas as

 ocorrncias do signo nessa enciclopdia .
 A questo  , portanto , se o

 significado nasce da langue ou da parole , do sistema lingstico ideal

 ou do seu uso prtico na linguagem concreta .
 Eco procura , assim , a

 resposta  pergunta de Nietzsche : " Quem fala ?
 " , se so as prprias

 palavras que falam , ou quem faz uso delas .

 A resposta de Eco  bem clara em favor da enciclopdia .
 Em alguns

 trechos a anlise dele parece mais uma cruzada , um verdadeiro

 exorcismo contra " o dicionrio " .
 A postura deste trabalho  um pouco

 mais diferenciada : Por assim dizer , concorda com Eco em gnero e

 nmero , mas no no grau de suas afirmaes .
 A anlise mais detalhada

 de suas exposies mostra que o maniquesmo entre os dois plos

 elaborados por Eco serve-lhe mais com fins ilustrativos , e que , tambm

 no modelo de Eco , dicionrio e enciclopdia so solidrios .

 Para seguir os caminhos do signo entre dicionrio e enciclopdia , 

 preciso rever primeiro algumas teorias fundamentais sobre o prprio

 signo .
 Porque , necessariamente , a fundamentao do significado j est

 - in nucleo - na concepo terica do signo .

 Por ltimo , segue uma breve anlise das conseqncias dos resultados

 deste trabalho para o ensino de idiomas , ilustrada com alguns exemplos

 da experincia prtica do ensino de alemo como lngua estrangeira .

 1 .
 O Tringulo Semitico

 O baseamento terico da semntica , a teoria dos signos , a semitica ,

 de uma forma ou outra , recorrem tradicionalmente a um modelo conhecido

 como o tringulo semitico ( 1 ) para explicar os processos perceptivos ,

 cognitivos e pragmticos ligados ao uso de signos ( lingsticos ou

 no ) .
 Os trs plos do tringulo semitico so o signo , o significado

 e o objeto real ao qual ambos se referem .
 Existem muitas variaes de

 terminologia que diversificam mais um ou outro aspecto do processo .

 [ INLINE ]

 Isidoro Blikstein mostra que a relao tridica domina a discusso do

 tema desde a antigidade grega : ( 2 )

 esticos semainon ( significante ) semaimenon ( significado ) pragma ( objetos )

 Santo Agostinho verbum dicibile res

 escolsticos vox conceptus res

 lgicos de Port Royal nom ide chose

 G .
 Frege Zeichen Sinn Bedeutung

 F. de Saussure ( 3 ) signifiant signifi objet

 K. Heger ( 4 ) monema semema coisa

 Ch .
 Morris ( 5 ) veculo do signo interpretante designatum

 R. Jakobson ( 6 ) signo Remetido coisa

 L. Hjelmslev ( 7 ) expresso contedo continuum do mundo

 C. Ogden / I. Richards signo / smbolo referncia / pensamento

 referente / coisa

 Ch .
 Peirce signo / representmen interpretante objeto dinmico / imediato

 S. Ullmann ( 8 ) nome sentido coisa

 U. Eco experincia verbal unidade cultural / interpretante objeto real

 I. Blikstein ( 9 ) smbolo / significante referncia / significado

 referente / coisa

 Em termos gerais , h uma congruncia dos conceitos dentro de cada

 coluna .
 A primeira coluna representa o lado social , a segunda o lado

 individual do processo semitico e a terceira o mundo dos objetos

 no-lingsticos .
 Apesar disso , encontram-se certas diferenas e

 paralelismos interessantes .
 Por exemplo , a mudana que ocorreu entre o

 modelo da antigidade grega ( incluindo os aqui no citados Plato e

 Aristteles ) e a sua adaptao na idade mdia pelos escolsticos :

 enquanto em Plato a idia ficaria na terceira coluna , sendo que os

 objetos reais s representam ou manifestam a idia , no comeo da idade

 moderna a idia se encontra na segunda coluna , como pensamento etc .
 Em

 outra palavras , o sujeito que era submisso ao mundo exterior das

 idias universais , passa a domin-lo atravs da usurpao do iderio ,

 antes disso reservado a entidades transcendentais. ( 10 )

 Uma outra observao  que Frege coloca " Bedeutung " ( =

 significao / referncia ) na terceira coluna , no mundo no-lingstico ,

 assim reaproximando-se de Plato , s que do extremo oposto : o mundo

 externo  repleto de sentido porque ele  criao do sujeito autnomo .

 Um autor que foge um pouco da linha geral  Hjelmslev , com seu

 continuum do mundo que inclui no somente os objetos , mas tambm

 signos e referncias no mesmo nvel .

 [ INLINE ]

 A forma ( sonora etc. ) da expresso cria um sistema de tipos .
 Sua

 substncia so as ocorrncias .
 A forma do contedo ( expresses )

 estrutura sua substncia ( o continuum ) .
 Ambos , expresses e contedo ,

 fazem parte do grande continuum do qual eles tratam .
 O grfico , de

 Eco ( 11 ) , ilustra como os problemas do significado perceptivo e

 fenomenolgico , do contedo semntico e cognoscitivo ( Husserl ) , do

 objeto imediato e do objeto dinmico ( Peirce ) , esto estreitamente

 ligados , embora no deixe bem claro o que Eco pretende explicar com

 sua ajuda. ( 12 )

 Roman Jakobson renomea a referncia para Remetido j que , para ele , o

 signo representa " une relation de renvoi " , alis , apenas uma sutil

 variao de Sto. Agostinho : aliquid stat pro aliquo , com nfase para a

 viso teleolgica do mundo , partindo do sujeito como ponto de partida

 e tomando o mundo real como alvo .
 No caso de Umberto Eco , vale

 salientar que ele , apesar de sua abordagem enciclopdica , no faz

 meno de Morris que emprega o mesmo termo " interpretante " para

 " significado " 50 anos antes do italiano. ( 13 ) Blikstein constata que o

 modelo em forma de trapzio de Heger consegue elaborar melhor e com

 mais detalhes o lado esquerdo do tringulo semitico - a ligao entre

 signo e significado , mas ainda deixa de explicar a relao entre

 " conceito " e " coisa " como entre " coisa " e " substncia fnica / signo " .

 [ INLINE ]

 Blikstein visa compensar essa deficincia do tringulo com o seu

 modelo , que inclui , na verdade , uma verdadeira teoria da percepo e

 cognio .

 [ INLINE ]

 O grfico do modelo de Blikstein prova a sua preocupao com o lado

 direito , perceptivo-cognitivo , do tringulo semitico .
 Como ele no se

 interessa mais pelo lado esquerdo - j diferenciado por Heger ,

 Blikstein simplesmente junta a primeira vista " signo " e " significado "

 num bloco maior " lngua " .
 A lngua influencia a prxis social que , por

 sua vez , determina o aparelho de percepo e cognio , que estrutura a

 realidade amorfa e  alimentado e alterado por ela ao mesmo tempo .
 Por

 ltimo , o aparelho cognitivo reformula , atravs do referente , o

 sistema lingstico. ( 18 )

 Esta abordagem traz vrias vantagens : 1 ) supera o impasse do

 tringulo semitico fechado ( 19 ) , que no consegue definir " signo " ,

 ( 20 ) ou no explica seu acesso ao mundo real ; 2 ) resolve o problema

 do significado , transferindo-o do tringulo e do sistema lingstico

 para o aparelho pr-cognitivo , formado por traos ( 14 ) , traos

 ideolgicos ( 15 ) , corredores isotpicos ( 16 ) e esteretipos , erguidos

 pela prxis e baseados na experincia existencial da condio humana .

 Interessante  que , destarte os esteretipos , ao invs de serem

 considerados distores abominveis , ganham um valor bsico para a

 percepo humana .
 Blikstein ( 17 ) no o diz explicitamente mas ,

 necessariamente , os esteretipos no servem apenas de " culos "

 socialmente adquiridos para ver o mundo mais nitidamente , mas tambm

 so como viseiras que dificultam que se enxergue algo fora da

 percepo convencionalizada .

 Coerente com sua abordagem de transpor parte central do processo

 semitico para fora do tringulo , Blikstein assume a existncia de

 cognies e significados pr - ou no-lingsticos , ainda sem ligao

 com um conceito verbal .
 Evidentemente existem impresses cognitivas

 ( ainda ) no codificadas , como por exemplo um cheiro ou som , um trecho

 de msica , podem evocar espontaneamente lembranas e emoes vivas e

 manifestas e que custam a serem verbalizados .
 Outro exemplo so casos

 quando se tem uma ntida idia de algo , mas a palavra no vem , est

 " na ponta da lngua " .
 Este tipo de " significado " no-verbal seria

 parecido com a cognio animal , ou com o " olhar puro " , ainda no

 convencionalizado pela prxis , no exemplo de Blikstein representado

 por Kaspar Hauser .

 Na tradio de Wilhelm v. Humboldt , Sapir / Whorf , A .. Martinet , Roland

 Barthes e muitos outros , Blikstein acredita que o homem e a lngua se

 modelam mutuamente , num processo interdependente , dentro de um sistema

 ciberntico , onde no existem explicaes monocausais ou rgidas , e

 sim uma rede de influncias mltiplas que s em conjunto formam uma

 plataforma mais ou menos estvel , porm na base de elementos

 flutuantes .
 Mas s esta flexibilidade e capacidade de adaptao

 contnua garantem a possibilidade e funcionalidade do processo

 ( 21 ) semitico .
 Em Bliksteins concepo s falta um ponto de vista : a

 possibilidade do homem transformar a realidade - por ele concebida

 como dada e invarivel ( apesar de amorfa ) - atravs do uso da

 lngua. ( 22 )

 Apesar da diferena enorme entre os dois modelos na disposio

 grfica , Hjelmslev expe basicamente a mesma idia de Blikstein .
 Este

 ltimo enfoca mais a funo da prxis no aparelho

 perceptivo-cognitivo .
 O continuum global hjelmsleviano exprime melhor

 os aspectos da reciprocidade e abrangncia das vrias relaes entre o

 mundo real , o homem e a lngua .
 Incompreensivelmente , nem Eco , o

 enciclopedista , nem Blikstein , o ecleticista , se referem a um ltimo

 modelo semitico que abrange com facilidade e simplicidade estes trs

 plos : o tringulo invertido de Karl Bhler. ( 23 )

 [ INLINE ]

 O tringulo  invertido na maneira que ele pe a pea chave do

 processo semitico , o signo , literalmente de fora para dentro , para o

 seu lugar adequado , no centro da anlise semitica .
 Esta forma abrange

 todas as relaes imaginveis no processo comunicativo : entre o signo

 e os trs plos em volta , como tambm entre emissor , destinatrio e

 mundo real - sempre atravs de signos .
 Claro que o esquema de Bhler

 ainda no diz tudo sobre a natureza das relaes entre os vrios

 elementos do seu modelo , pois seu ponto de partida no  s a anlise

 lingstica , mas tambm o enfoque sociolgico da comunicao humana .

 Assim completam - se os aspectos at agora expostos pela posio

 funcional do signo no processo semitico .

 Outro elo em comum entre os modelos de Hjelmslev , Blikstein e Bhler 

 que eles acabam decididamente com a discusso infrutfera sobre a

 questo se h , e qual seria a influncia do contexto sobre o

 significado. ( 24 ) Hjelmslev , pela construo recproca de signo

 ( expresso ) , significado ( contedo ) e continuum do mundo , Blikstein

 pela nfase  prxis na criao no somente do signo , mas sim de toda

 a realidade perceptiva , e Bhler porque o signo no acontece sem uma

 das partes constitutivas em volta dele .

 2 .
 Dicionrio e enciclopdia

 Enquanto a primeira parte deste trabalho focaliza a questo da relao

 entre significado e o mundo real , o lado direito do tringulo

 semitico , agora trata-se dos vnculos entre o significado e o signo ,

 o lado esquerdo do tringulo .
 O lado inferior ( sic !
 ) do tringulo , ou

 seja , a relao entre signo e mundo real no tem despertado muito

 interesse entre tericos da semitica e filsofos .
 H um consenso que

 o signo  " arbitrrio " , ( 25 ) com poucas excees como signos

 onomatopicos e icnicos , signos semi-motivados , por exemplo ,

 derivaes e composies. ( 26 ) No por acaso , o vrtice do tringulo 

 formado pelo significado , que hoje em dia  situado no domnio do

 sujeito do processo lingstico. ( 27 )

 J no primeiro captulo de seu livro , Eco afirma que o signo no 

 semelhana / identidade mas sim " instruo para a interpretao ". ( 28 )

 Ele define como " interpretncia " : ( 29 )

 " Condio de um signo no  portanto s a da substituio ( aliquid

 stat pro aliquo ) , mas a de que haja uma possvel interpretao. ( ...
 )

 O contedo interpretado permite-me ir alm do signo originrio ,

 permite-me entrever a necessidade da futura ocorrncia contextual de

 um outro signo. ( ...
 ) O signo ( ...
 )  sempre o que me abre para algo

 mais .
 No h interpretante que , ao conformar o signo que interpreta ,

 no modifique , mesmo que s um pouco , seus limites .
 Interpretar um

 signo significa definir a poro de contedo veiculada em suas

 relaes com as outras pores derivadas da segmentao global do

 contedo ; e definir uma poro atravs do emprego de outras pores ,

 veiculadas por outras expresses. " ( grifos do autor )

 A partir deste ponto fica claro que Eco descarta o dicionrio , ou

 seja , a definio intralingstica do significado , como base nica da

 semntica .
 A interpretncia significa o recurso enciclopdico de

 atribuir significado ao signo atravs da comparao com todos os

 contextos possveis ou disponveis , em outras palavras : com os

 registros da enciclopdia .
 Porm , antes disso ele prefere dar toda a

 volta pelo reino do abominvel , ele quer vencer a batalha no terreno e

 com as armas do inimigo .
 A primeira inteno dele  rebater a idia do

 signo lingstico como equivalncia bicondicional - fundo do

 pensamento de dicionrio - que , para ele ,  coerente com uma noo

 esclerosada e ideolgica de " sujeito " .

 " ...
 o signo , como momento ( sempre em crise ) do processo de semiose , 

 o instrumento atravs do qual o prprio sujeito se constri e se

 desconstri constantemente .
 O sujeito entra numa crise benfica porque

 participa da crise histrica ( e constitutiva ) do signo .
 O sujeito 

 aquilo que os constantes processos de resegmentao do contedo

 permitem que ele seja .
 Neste sentido ( embora o processo de

 resegmentao tenha de ser realizado por algum , e surja a suspeita de

 que seja uma coletividade de sujeitos ) , o sujeito  falado pelas

 linguagens ( verbais ou no ) , no pela cadeia significante , mas pela

 dinmica das funes sgnicas .
 Somos , como sujeitos , o que a forma do

 mundo pelos signos nos permite ser .
 Somos , talvez , em alguma parte , a

 pulso profunda que produz a semiose .
 No entanto , reconhecemo-nos

 apenas como semiose em ato , sistemas de significao e processos de

 comunicao .
 Somente o mapa da semiose , como se define num determinado

 estgio do percurso histrico ( com as rebarbas e os detritos da

 semiose anterior que arrasta consigo ) , nos diz quem somos e o que ( ou

 como ) pensamos .
 A cincia dos signos  a cincia de como se constitui

 historicamente o sujeito. " ( 30 )

 Na mesma pgina ele cita Peirce com um trecho que reala mais ainda

 essa relao entre o homem e os signos .
 Alis , o mesmo citado poderia

 muito bem estar na concluso de Blikstein .

 " Ento , de fato , os homens e as palavras educam-se reciprocamente :

 cada acrscimo de informao num homem comporta - e  comportado por -

 um correspondente acrscimo de informao de uma palavra ...
 A palavra

 ou signo que o homem usa  o prprio homem , pois , como o fato de que

 cada pensamento  um signo - considerado junto com o fato de que a

 vida  um fluxo de pensamentos - prova que o homem  um signo. "

 O que falta em relao a Blikstein ,  indicar por meio de que

 instrumentos a " educao mtua " entre homens e signos ocorre .
 Por

 isso , este ltimo pe a prxis em posio chave no seu modelo .
 Ela  o

 veculo para implementar qualquer modificao duradoura de signos e ao

 mesmo tempo ela impe ao homem o contedo e os caminhos que os signos

 oferecem .

 Na teoria tradicional , a maneira como o homem forma e altera signos 

 a instituio e modificao por uma definio : tal signo significa tal

 coisa , em outras palavras : via um tipo de dicionrio .
 Este dicionrio

 pode ser tanto descritivo quanto prescritivo ( 31 ) , ele vai sempre

 trazer relaes entre signos para definir , descrever ou estabelecer o

 valor de outros .
 Porm , nessa obviedade comeam os problemas srios

 para a teoria semntica : Definir o significado por sinonmia 

 circular , porque deveria definir primeiro o significado do sinnimo e

 assim por diante .
 Outra deficincia de uma semntica na base de

 sinonmia fica clara na traduo para outros idiomas , importante ainda

 para a terceira parte deste trabalho .
 Mesmo coisas universais como

 / sol / , facilmente traduzido para / Sonne / em alemo , em princpio numa

 " sinonmia " perfeita bicondicional : se  / sol / em portugus , ento

 / Sonne / em alemo e vice versa , sem a mnima margem de erro .
 Acontece

 que a equivalncia nesse caso se limita ao referente idntico .
 O

 significado  longe de ser equivalente .
 / Sonne / significa  calorosa

 fonte de vida que abriga e fortalece os seres vivos  enquanto em

 portugus ( 32 ) / sol / significa  ameaa mortal e constante a fauna e

 flora  .
 Parte dessa diferena ainda poderia ser atribuda  conotao ,

 tomando como denotao apenas  corpo celeste que providencia luz na

 Terra  .
 O fato de / sol / ser masculino e / Sonne / feminino depe

 nitidamente contra esta hiptese .

 Caso mais claro ainda  o de / casa / e / Haus / .
 Apesar de ser ,

 novamente , uma " sinonmia " perfeita  primeira vista , em portugus

 significa outra coisa que em alemo , onde se restringe a  edificao

 independente designada  moradia  .
 Em portugus abrange alm disso

 tambm  foco de moradia familiar = lar  .
 Assim diz-se " Passa l na

 minha casa !
 " para fazer um convite indefinido , mesmo quando se mora

 num apartamento , ou at num quarto apertado de estudante , dividido com

 outras pessoas .
 Traduzir com / Haus / nesse caso  absolutamente

 impossvel .
 Eco suspeita , nesse ponto , de que processos semiticos e

 processos de categorizao e portanto processos perceptivos sejam

 solidrios ou paralelos ( 33 ) .
 As definies do dicionrio seriam ento

 " o resultado de uma organizao categorial do mundo " ( 34 ) .
 Evidente no

 caso de / sol / - / Sonne / , onde se v claramente a influncia da

 experincia existencial diferente .
 / Casa / em portugus parece mais um

 caso de polisemia .

 Para resolver o problema de estabelecer o valor de cada signo o mais

 inequvoco possvel , o dicionrio deve fornecer explicaes " duras " e

 estveis .
 Para reduzir o problema da circularidade sem fim , ele deve

 limitar os elementos atravs dos quais ele semantisa os demais signos .

 A soluo milenar para estas exigncias  o sistema de rvores lgicas

 constitudas de hipernimos e hipnimos , ordenando e categorizando no

 s os signos como tambm o mundo real perceptvel ( 35 ) .
 A rvore forma

 um conjunto de postulados de significado , estruturado

 hierarquicamente , portanto limitado. ( 36 )

 Uma outra tentativa de melhorar a rvore semntica  a de Hjelmslev ,

 que tentou , segundo o seu modelo acima presentado , formar grupos

 limitados de elementos formais de contedo. ( 37 )

 Ovino Suno Bovino Eqino Abelha Humano

 Macho Carneiro Porco Touro Garanho Zango Homem

 Fmea Ovelha Porca Vaca gua Abelha Mulher

 Essa grade explica os fenmenos de hiperonmia e sinonmia ,

 redundncia , verdade analtica , consistncia e implicitao pela

 simples posio dos elementos nas linhas e colunas , mas ela no

 explica o valor semntico dos elementos por si .
 Pior , ao contrrio dos

 elementos , que podem ser considerado " primitivos " , as classes

 semnticas no tm o mesmo valor e so , sim , simples abstraes ou

 derivaes dos primitivos , enquanto deveriam ser o contrrio , para

 fundamentar um sistema semntico rgido .
 Alm disso parece difcil

 encontrar outros grupos parecidos e de maior abrangncia .
 Mais

 diversificados , e consistentes por serem fechados , so dicionrios

 parciais como , por exemplo , o sistema de classificao zoolgica , que ,

 como sistema taxonmico , elimina ambigidade .
 Eco diz que ,

 " ...
 para delinear um dicionrio forte devemos sempre conceber um

 universo bastante pobre e reduzido , digamos um universo de cmara .
 O

 inconveniente  que geralmente os construtores de dicionrios ideais

 no conseguem mais sair de seu universo de cmara ...
 ". ( 38 )

 Primitivos so palavras-objeto , de ostenso imediata , seria um sistema

 semntico inato , um conjunto de " tomos lgicos " .
 Porm , " a idia de

 uma lista de primitivos nasce para explicar uma competncia

 lingstica independente do conhecimento do mundo , mas nesse segundo

 modo , a competncia lingstica est radicalmente fundada num

 precedente conhecimento do mundo. " ( 39 ) Primitivos seriam idias inatas

 universais de carter platnico .
 Problemtico fica o seguinte fato : ou

 h muito poucas idias universais ( como o uno e o mltiplo , o bem e o

 mal etc. ) ou muitas e , neste caso , o grupo no  mais fechado e assim

 no serve mais para fundamentar a semntica .
 Uma dificuldade a mais da

 rvore na base de primitivos  que o falante de uma lngua natural no

 consegue distinguir primitivos de construtos tericos , usa , segundo

 Eco ( 40 ) , / carne / no mesmo nvel semntico que / laranja / , e , " ...
 os

 nicos seres anormais , em toda essa questo , so os defensores de uma

 semntica  maneira de dicionrio. " ( 41 )

 O dicionrio no s  problemtico pela inconsistncia lgica de ser

 circular .
 Lyons e Leech estudaram a lgica opositiva e explicam outro

 motivo do fracasso das rvores : A estrutura lgica de oposies  bem

 mais diversificada do que se supe na definio de uma hierarquia

 lgica , baseada em oposies binrias .
 Eco cita vrios exemplos : ( 42 )

 1 .
 bem x mal : antonmia seca , um exclui o outro e ponto .

 2 .
 marido x mulher : complementaridade , " fulano "  marido da pessoa

 que , por sua vez ,  sua mulher porque ele  seu marido , etc .

 3 .
 vender x comprar : reciprocidade , se x vende y a z , ento z compra

 y de x

 4 .
 maior x menor : oposio relativa com escala proporcional , no

 oposio binria

 5 .
 2 - , 3 - , 4 - feira : continuum graduado , no oposio binria

 6 .
 mm , cm , m , km : continuum graduado com estrutura hierrquica

 7 .
 Sul x Norte : antipodamente , Norte x Leste ortogonalmente opostos

 num sistema de diagramaes espaciais

 8 .
 chegar x partir : reciprocidade , mas com componente de direo

 local

 9 .
 poder x dever : graduao relativa que inclui amplas referncias

 modais e pode at chegar a relaes de proporcionalidade indireta .

 S o contexto determina em muitos casos o valor dos elementos opostos .

 / Homem /  mais oposto a / mulher / ou a / menino / ?
 Aqui entra o

 " fuzzy-concept " ( conceito vago ) : a guia  mais ave que a galinha , a

 cobra mais reptil que a lagartixa .
 "  exatamente a capacidade que

 temos de reorganizar contnua e contextualmente as unidades de

 contedo , que fundamenta a possibilidade do retculo

 enciclopdico. " ( 43 ) Eco quer tirar as conseqncias destas observaes

 e erguer como alternativa um sistema de classificao cruzada ,

 abandonando a hierarquia das rvores .
 " Por isso , ou as marcas no

 devem ser interpretadas e , assim no se define o significado ; ou devem

 ser interpretadas e perde-se a maneira mais segura de limitar o seu

 nmero. " ( 44 ) O resultado disso  anunciado drasticamente por Eco :

 " Mas podemos dizer sem simulao que a rvore dos gneros e das

 espcies , de qualquer modo que seja construda , explode numa poeira de

 diferenas , num turbilho infinito de acidentes , numa rede

 no-hierarquizvel de qualia .
 O dicionrio ( ...
 ) dissolve-se

 necessariamente , por fora interna , numa galxia potencialmente

 desordenada e ilimitada de elementos de conhecimento do mundo .
 Em

 conseqncia torna-se uma enciclopdia e o faz porque de fato era uma

 enciclopdia que se ignorava ou um artifcio idealizado para mascarar

 a inevitabilidade da enciclopdia. " ( 45 )

 Concluso de Eco , novamente : " Se as semnticas como dicionrio so

 inconsistentes , resta apenas tentar as semnticas como

 enciclopdia. " ( 46 )

 Eco tambm critica o dicionrio pela sua " perfeita inutilidade do

 ponto de vista explicativo dos processos comunicativos. " ( 47 )

 " Comunica-se por enunciados e , geralmente , por textos .
 Entende se por

 ' texto ' seja uma cadeia de enunciados ligados por vnculos de

 coerncia , seja grupos de enunciados emitidos ao mesmo tempo com base

 em mais de um sistema semitico. ( ...
 ) Caracterstica dos textos  o

 exprimir no s significados diretos ( funo do significado das

 expresses simples ) mas tambm significados indiretos. " ( 48 )

 Para resolver o problema , Eco recorre a Grice que constata que j o

 significado lexical no  equivalncia , mas sim " a associao de uma

 expresso com uma srie de instrues para o uso em contextos

 diferentes. " ( 49 ) Desta forma at o significado " normal " , sem ser

 " significado indireto " , sempre depende de contextos e de assunes

 fundamentais que no so nem codificveis nem semanticamente

 representveis , mas sim " instrues pragmaticamente orientadas. " ( 50 )

 Nesta altura j aconteceu a integrao de semntica e da pragmtica ,

 pois " ...
 isso pressupe que se entenda L no como um sucinto

 dicionrio , mas como um complexo sistema de competncias

 enciclopdicas. " ( 51 ) , porque a lngua L , como enciclopdia ,

 providencia um dicionrio paralingstico , incluindo " frames " e

 " scripts " ( 52 ) convencionalizados .
 Contudo " o significado contextual

 vai muito alm dos significados lexicais , mas isso s  possvel se a

 enciclopdia fornece a ) significados lexicais em forma de instruo

 para a insero contextual e b ) roteiros. " ( 53 ) Alm dessas condies

 pragmticas convencionalizadas ( 54 ) existem pressuposies

 pragma-semnticas como no caso de / conseguir / , que implica que haja

 inteno consciente e algo difcil de adquirir. ( 55 )

 A enciclopdia se impe de todos os lados como a salvao da teoria e

 prtica da semiose .
 J Peirce tinha imaginado o interpretante como um

 tipo de " co-signo " , do lado do destinatrio , equivalente ao prprio

 signo , " ou talvez mais desenvolvido " ( 56 ) .
 A conseqncia disso  uma

 semise ilimitada , porque a cadeia de interpretantes  ilimitada ou

 pelo menos indefinida .
 Eu no posso saber o que o destinatrio

 associa / evoca ou infere na hora de ouvir o signo .
 Signo e

 interpretante circunscrevem os significados / contedos " de maneira

 assinttica , sem nunca chegar a toc-los diretamente , mas tornando-os

 de fato acessveis mediante outras unidades culturais .
 Essa contnua

 circularidade  a condio normal dos sistemas de significao e 

 realizada nos processos de comunicao. " ( 57 )

 O interpretante nesse caso  dado objetivo : ele no depende de

 representao mental do sujeito ( inatingvel ) e  coletivamente

 verificvel , sua interpretao  registrada intertextualmente

 ( enciclopdia !
 ) .
 Todas as associaes , evocaes j ocorridas de

 / casa / esto registradas intertextualmente na imensa biblioteca ideal ,

 cujo modelo terico  a enciclopdia que deve fornecer instrues para

 essas interpretaes .

 " Naturalmente , numa semntica de interpretantes , toda interpretao 

 por sua vez sujeita a interpretao. ( ...
 ) Numa semntica de

 interpretantes no h entidades metalingsticas e universais

 semnticas .
 Cada expresso pode ser sujeito de uma interpretao e

 instrumento para interpretar uma outra expresso. ( ...
 ) A enciclopdia

  um postulado semitico. ( ...
 ) ela  o conjunto registrado de todas

 as interpretaes , concebveis objetivamente como a biblioteca das

 bibliotecas ...
 " ( 58 )

 ...
 incluindo informaes no-verbais , quadros , sons etc .
 Assim sendo ,

 ela deve ficar um postulado , porque de fato no  descritvel na sua

 totalidade .
 Ela no pode ter fim , est em eterna renovao ,

 globalmente .

 Com essa abrangncia universal , o tamanho tende ao infinito , com a

 conseqncia necessria de que " a enciclopdia como sistema objetivo

 das suas interpretaes  ' possuda ' de maneira diferente por seus

 diferentes usurios. " ( 59 ) O intrprete no  obrigado a conhecer toda

 a enciclopdia , " mas apenas a poro da enciclopdia necessria para a

 compreenso desse texto. " ( 60 ) Segundo Eco , o conceito de cdigo

 restrito e elaborado do livro famoso de Basil Bernstein ( 61 ) refere-se

 " s modalidades de posse cultural dos dados enciclopdicos. ( ...
 )

 enquanto , do ponto de vista de uma semitica geral , se pode postular a

 enciclopdia como competncia global , do ponto de vista sociosemitico

  interessante reconhecer os diversos nveis de posse da enciclopdia ,

 ou as enciclopdias parciais ( de grupo , de seita , de classe , tnicas e

 assim por diante ). " Este passo  inevitvel .
 Se a enciclopdia  a

 base da lngua e se existem vrias sub-lnguas dentro de um

 idioma ( 62 ) , ento devem existir vrias enciclopdias , como j

 registramos antes vrios dicionrios .

 " Por conseqncia , a enciclopdia  uma hiptese reguladora com base

 na qual , na ocasio das interpretaes de um texto ( seja ele uma

 conversa na esquina ou a Bblia ) , o destinatrio decide construir uma

 poro da enciclopdia concreta que lhe permita reconhecer como

 caracterstica do texto ou do emissor uma srie de competncias

 semnticas. " ( 63 )

 Peirce postula que o significado de uma unidade semntica implica

 todos os enunciados em que pode ser inserida , e estes , todas as

 inferncias com base nas regras registradas na enciclopdia .
 A

 semitica textual estuda na base de que sinais do texto ( ou

 conhecimentos anteriores ) o intrprete decide que parte da

 enciclopdia se aplica nele .
 Sem esses sinais ou conhecimentos

 anteriores , a interpretao est mais para uso do texto do que para

 interpretao .

 A enciclopdia no  em forma de rvore , " embora para caracterizar

 pores parciais dela se possa recorrer a estruturas arbreas ,

 contanto que entendidas precisamente como modos de descrio

 provisria " .
 O modelo mais adequado para a enciclopdia  o rizoma ,

 onde no h hierarquia , pontos e posies , mas somente conexes .
 Pode

 ser composto de vrias rvores , porm no estruturadas .
 " A idia de

 uma enciclopdia como rizoma  conseqncia direta da inconsistncia

 de uma rvore de Porfrio. " ( 64 ) Assim construmos permanentemente

 diversas rvores seletivas de uma maneira improvisada , ad-hoc

 modificando-as ao progredir do processo semitico .
 Certos aspectos so

 focalizados enquanto outros ficam , temporariamente , desativados ( 65 ) .

 No modelo da semntica como enciclopdia , as propriedades semnticas

 no so definidos por primitivos , mas sim por interpretantes , ou seja

 outras expresses interpretveis .

 De novo , Eco apoia-se em Peirce e sua lgica dos relativos , que

 postula que " o significado de um termo deveria ser representado

 mediante referncias a outros termos com que estar necessariamente

 contextualizado. " Assim o modelo leva em conta as diferenas entre

 denotao e conotao .
 / Co / no contexto zoolgico   animal ,

 mamfero , carnvoro , etc.  , em outro vira  bicho desprezvel  .

 Hjelmslev acrescenta que uma semitica conotativa tem como plano de

 expresso uma semitica denotativa , ou seja , pores at ento

 desconexas da enciclopdia fornecem propriedades atribuveis 

 expresso em questo .
 Desta maneira , pode at haver conexes

 contraditrias em determinados contextos , sem pr em questo o

 funcionamento do aparelho como todo , muito pelo contrrio .
 O exemplo

 de Eco  / tomo / , que , dependendo do contexto , pode significar

  partcula no separvel  ou justamente o oposto .
 " Neste sentido ,

 portanto , organizamos um dicionrio toda vez que queremos

 circunscrever a rea de consenso dentro do qual um discurso se

 move. " ( 66 )

 Na opinio de Eco , instrues enciclopdicas podem levar um computador

 a traduzir , um dicionrio nunca ( 67 ) .
 Tambm o problema da

 representao dos termos sincategoremticos ( preposies , conjunes ,

 advrbios etc. ) no dicionrio  resolvido pela enciclopdia .

 Resta o problema de saber escolher da enciclopdia global , ou da parte

 ( ainda considervel )  qual se tem acesso , a poro adequada para

 interpretar um determinado texto .

 " Os contextos e as circunstncias registrados , no sejam infinitos mas

 sejam os que estatisticamente , segundo uma hiptese de competncia

 mdia ( ou em referncia  competncia requerida por um certo

 co-texto ) , sejam considerados parte da competncia enciclopdica do

 emissor ou do destinatrio. " ( 68 )

 Alm disso , Eco acredita que " a competncia enciclopdica prov o

 destinatrio de elementos suficientes para atualizar o significado

 lexical do termo com base em outras inferncias co-textuais que a

 teoria semntica prev sem poder registr-las antecipadamente. " ( 69 )

 Assim , a enciclopdia passa a incluir fenmenos at ento atribudos 

 pragmtica .

 Como a enciclopdia ganha em complexidade , nasce mais uma dificuldade :

 ela perde em maneabilidade e representabilidade global .
 Por isso Eco

 reconsidera seu juzo final sobre o dicionrio e concede que a

 impossibilidade de um dicionrio finito no quer dizer que no se

 possa ou deva incluir pores da enciclopdia em forma de dicionrio e

 que a enciclopdia no possa servir de dicionrio s vezes .
 " Parece ,

 assim , que a organizao  maneira de dicionrio  a maneira como

 podemos representar localmente a enciclopdia. " ( 70 ) Para ilustrar como

 na realidade os dois conceitos , por ele descritos como antagnicos , se

 mesclam e apoiam , o autor cita um exemplo prtico que reflete o eixo

 que os separa e liga .
 So as propriedades analticas e sintticas ,

 conceptuais ( ) e factuais ( ) , atributivas e descritivas , necessrias e

 acidentais .

 [ INLINE ]

 Subentende-se que o usurio do dicionrio saiba que lquidos tendem a

 evaporar , tm que ser contidos , podem molhar outros objetos etc .

 Porm :

 " Cada uma dessas propriedades compreendidas pelas marcas ' conceptuais '

  de ponto de vista prprio uma propriedade factual , porque os

 lquidos no evaporam sempre do mesmo modo , molham de maneira

 diferente os diversos corpos ( ...
 ) e assim por diante. " ( 71 )

 As marcas conceptuais so ento simples artifcios estenogrficos para

 a economia do dicionrio .

 " Esta , e no outra ,  a funo de um hipernimo num sistema lexical .

 ( ...
 ) as marcas conceptuais so abreviaturas lexicais para conjuntos

 de propriedades factuais que no se julga oportuno pr em

 discusso. " ( 72 )

 Apesar disso , Eco considera que a prpria distino entre gneros

 naturais e acidentes possa ser radicada na prpria estrutura das

 lnguas indo-europias ( sujeitos e predicados , substantivos e verbos ,

 substantivos e adjetivos , etc. ) ( 73 ) .
 Tambm a relao entre denotao

 e conotao reproduz a diferena entre dicionrio e enciclopdia .
 A

 denotao de / co / como  animal , mamfero , carnvoro , quadrpede  etc .

 no se discute , mas sim a conotao de ser  melhor amigo do homem  ou

  bicho desprezvel  que  culturalmente estabelecida e no to

 duradoura .
 A funo da poesia neste contexto  pr em questo as

 marcas conceptuais e os ' gneros naturais ' ( 74 ) .
 " Em concluso , uma vez

 que se demostre que o dicionrio no  uma condio estvel dos

 universos semnticos , nada impede de ( ...
 ) admiti-lo como artifcio

 til ...
 " ( 75 ) , dentro de uma enciclopdia , bem entendido .

 O contrrio tambm faz muito sentido , como prova a abordagem de Ernst

 Leisi ( 76 ) , que analisa a dificuldade encontrada na traduo de uma

 lngua para outra ( 77 ) , onde se trata da rdua tarefa de encontrar

 equivalncias verdadeiras para os signos .
 Leisi estuda minuciosamente

 as condies para o uso de signos nas duas lnguas em comparao .
 Um

 exemplo ilustrativo so condies encontradas no sujeito e no objeto

 para o uso de um determinado verbo .
 O alemo / schreiten / ( caminhar

 majestosamente ) implica um sujeito que imponha respeito , nunca se

 usaria para um inseto ( 78 ) .
 O ingls / put / ( pr ) tem uma srie de

 equivalncias em alemo , porque , ao contrrio do alemo , em ingls no

 h restries para o objeto .
 Assim / put / pode ser / stellen / para

 objetos slidos de extenso predominantemente vertical , / legen / para

 objetos slidos de extenso predominantemente horizontal , / setzen /

 para objetos slidos compactos , estabelecendo um contato estvel ,

 / gieen / para lquidos , / geben / para no-slidos ( sal por exemplo ) ,

 incluindo um componente direcional  para dentro de alguma coisa  ( 79 )

 etc .
 Apesar de Leisi elaborar um aparelho impressionante de categorias

 para analisar de maneira abstrata as condies de uso de substantivos ,

 adjetivos e verbos , esse exemplo j  o suficiente para entender o seu

 mtodo : Ele consulta a enciclopdia e abstrai das ocorrncias l

 registradas condies gerais para o uso de cada signo .
 De fato o

 falante nativo usa o mesmo mecanismo para decidir se o signo se aplica

 ou no , porm sem ter conscincia nem conhecimento dessas condies

 abstratas .
 O resultado do trabalho de Leisi no  apenas um esboo

 para um dicionrio contrastivo melhorado das duas lnguas por ele

 estudadas .
 Ele mostra como a enciclopdia ( parole ) se transforma em

 dicionrio ( langue ) , sem cair na armadilha das rvores globais .

 Resumindo as exposies de Eco , verifica-se que o dicionrio , de fato ,

  mesmo uma enciclopdia estenogrfica , na prtica muitas vezes

 mutilada e por isso insuficiente .
 Um dicionrio bom no passa de uma

 enciclopdia disfarada , na medida que traz os contextos , ou seja

 registros enciclopdicos , para desambiguar os vrios significados de

 cada signo .
 Em contrapartida , a enciclopdia  composta por vrias

 rvores de dicionrios parciais , flutuantemente entreligadas num

 sistema mais parecido com rizoma que com rvore .
 Ou seja , dicionrio e

 enciclopdia so como ovo e galinha , um depende do outro e ao mesmo

 tempo o determina .
 No final , a dicotomia entre dicionrio e

 enciclopdia dissolve-se de uma maneira hegeliana : na sntese de ambos

 para formar um modelo semitico mais complexo. ( 80 )

 Porm , o maior valor do trabalho de Eco est onde mora sua verdadeira

 paixo : no pensamento enciclopdico , ou seja no instrutivo-didtico

 nesse caso , que obriga seus leitores a acompanh-lo na travessia de

 pginas tumultuadas da enciclopdia parcial da teoria semntica. ( 81 )

 3 .
 Implicaes para o ensino de lnguas estrangeiras

 O objetivo da didtica do lxico no ensino de uma lngua estrangeira

 deve ser construir o sistema interdependente de dicionrio -

 enciclopdia da lngua alvo , como acima descrito , na mente do aluno .

 Pode parecer ambicioso demais , um segundo processo de aquisio e no

 apenas de ensino de lngua .
 Mas toda aprendizagem de lnguas , seja

 qualitativa e quantitativamente limitada , s consegue alcanar uma

 certa competncia comunicativa quando d acesso a essas " instrues de

 uso " , fornecidas por dicionrio e enciclopdia em conjunto .
 Blikstein

 cita E. Hall : " .. pessoas de culturas diferentes no apenas falam

 lnguas diversas mas , o que  talvez mais importante , habitam em

 diferentes mundos sensoriais. " ( 82 )

 Por causa da construo mtua do sistema cognito-perceptivo e do

 aparelho lingstico , muito bem analisada por Blikstein , no 

 possvel adquirir apenas um dos dois elementos .
 Por isso , um aluno com

 exmio domnio da lngua alvo dominar tambm a prxis social desta

 cultura alvo .
 Por outro lado , o caminho mais seguro de apreender uma

 lngua estrangeira  a integrao  prxis , porque assim adquire-se

 desde o incio , atravs dos " culos sociais " da lngua alvo , o sistema

 lingstico correspondente - neste caso o lxico , sem ficar preso no

 problema da traduo .

 Por isso , o caminho indicado para o ensino  de dar ao aluno acesso 

 maneira como um falante nativo usa a lngua ( 83 ) - sem ter conhecimento

 consciente disso .
 A tarefa da didtica  proporcionar essas pores de

 dicionrio - enciclopdia de uma forma estruturada .
 Como na maioria

 dos casos no h tempo nem contextos autnticos suficientes para

 adquirir , naturalmente e aos poucos , os conhecimentos enciclopdicos

 necessrios de forma indutiva , a didtica tradicionalmente tenta tomar

 o atalho de inverter o processo : A deduo a partir de regras

 cognitivamente proporcionadas substitui a aquisio natural mais

 demorada e menos dirigida ( 84 ) .
 Nos termos de Eco : entra-se no castelo

 da lngua pela janela do dicionrio em vez de ser pela escadaria , o

 portal , os corredores e as vrias ante-salas da enciclopdia .

 J foram citados alguns exemplos de como explicar cognitivamente o

 contedo de signos dentro do contexto da lngua alvo ( Sonne - sol ,

 Haus - casa , stellen / setzen / legen / gieen / geben - pr ) , abstraindo dos

 inumerveis registros da enciclopdia de uma tal forma , que o aluno

 possa fazer previses certeiras sobre como aplicar o signo em

 contextos ainda no ocorridos .
 Eco descartou a tentativa de Pottier ,

 de elaborar descries de vocabulrio , como no vlida para

 fundamentar o valor do significado .
 Mas a sua classificao de

 mveis ( 85 ) serve perfeitamente para ajudar o aluno a entender , j

 dentro do sistema lexical alvo , as " condies de uso " estudadas por

 Leisi .

 fofo 1 lugar braos encosto 4 pernas

 cadeira - + - + +

 poltrona + + + + +

 sof + - + + +

 escabelo - + - - -

 pufe + + - - -

 Assim a desvantagem do esquema para Eco , de definir um valor com a

 ajuda de outro , igualmente indefinido , torna-se virtude , na medida que

 nessa " semiose ilimitada " da corrente de interpretaes o aluno ergue

 o sistema lexical da lngua alvo na sua mente .
 Em outras palavras ,

 como os elementos do eixo horizontal e vertical da grade so

 solidrios ( 86 ) , o aluno que no sabe o significado de / fofo / apreende

 os elementos dos dois eixos em conjunto , com a ajuda de representaes

 visuais , normalmente fornecidos junto em mtodos de idiomas .
 Alm

 disso seu conhecimento do mundo j estabelecido ( neste caso sobre os

 diversos mveis ) colabora no processo de decodificao ( 87 ) .

 Essas instrues de uso abstratas muitas vezes podem ser dadas com

 visualizaes , no s reprodues ( desenhos , fotos ) de objetos , mas ,

 no caso de verbos , por exemplo , que so difceis de se desenhar , com

 esquemas simblicos .
 O verbo / whlen / em alemo e constitudo pela

 constelao de ter um sujeito e vrias opes , sendo que o sujeito

 descarta uma parte das opes e fica com outra .
 A visualizao seria :

 [ INLINE ]

 Assim o verbo / whlen / corresponde a / eleger / , / escolher / , / votar / ,

 / optar / , / selecionar / e ainda / marcar / , / discar / no telefone .
 Os

 alunos que no tiveram a explicao da lgica semntica por baixo da

 superfcie dos signos , providenciada pelo pequeno desenho , primeiro

 no entendem a palavra , porque eles se esbarram nas tradues

 contraditrias ( eles ainda no tm acesso a pores suficientemente

 grandes da enciclopdia !
 ) .
 Depois questionam a autoridade do

 dicionrio e do professor ( " Como ?!
 No pode ser !
 Se  x no pode ser

 z !
 " etc. ) e so desmotivados a procurar por conta prpria e de maneira

 enciclopdica ( = indutiva ) outras relaes lgicas no sistema lexical

 da lngua alvo .
 Por ltimo , no conseguem estabelecer o signo na

 memria ativa , porque o elemento ficou fora do " rizoma "

 lingstico ( 88 ) , fora dos caminhos disponveis para o pensamento

 dentro da lngua alvo .

 Outro exemplo so os verbos / wechseln / e / tauschen / em alemo ,

 representados no dicionrio como / trocar / , / cambiar / , / substituir / ,

 / alternar / , / mudar / e / permutar / .
 Essas sinonmias servem

 grosseiramente para decodificar o significado dos verbos numa

 ocorrncia concreta , fazendo a prova de substituio at conseguir

 encaixar um deles mais ou menos no dado contexto ( 89 ) .
 O problema maior

  que o dicionrio no d nenhuma instruo para o uso ativo , que o

 aluno no vai acertar antes de conhecer uma poro bastante grande da

 enciclopdia - ou de ter uma abstrao didtica dela , que , outra vez ,

 pode ser dada com a ajuda de um desenho .

 [ INLINE ]

 / Tauschen / (  esquerda ) e definido pela reciprocidade da ao e pela

 equivalncia dos objetos .
 Com / wechseln / (  direita ) muda o enfoque :

 em vez dos dois remetentes / destinatrios da ao mtua , agora s um

 dos agentes , ou pontos de referncia da permuta ,  enquadrado .
 O

 critrio agora  que uma coisa sai e outra entra .

 [ INLINE ]

 A equivalncia funcional  mantida , a reciprocidade no  mais

 condio necessria e o segundo agente pode estar ausente .
 Assim

 resolvem-se todas as dvidas de uso .
 / Tauschen / para / Hemd / ( camisa )

 exige um parceiro disposto a me entregar sua camisa em troca da minha ,

 enquanto / wechseln / significa que eu troco de camisa para substituir a

 suja por uma limpa .
 Para / Lampe / ( lmpada ) , quando quebrada ,

 / tauschen / significaria que eu troco a quebrada de lugar com uma

 outra , no quebrada .
 Aqui normalmente s se aplica / wechseln / para

 tirar a quebrada e pr uma nova .
 O pequeno esquema lgico explica

 tambm porque no caso de / Geld / ( dinheiro ) podem-se usar os dois .
 Com

 / tauschen / reala os aspectos da reciprocidade e equivalncia : Eu dou

 ao cambista em reais o equivalente do que ele me d em dlares .
 Com

 / wechseln / muda o enfoque : Eu preciso de dlares para viajar , ento

 tiro do meu bolso os reais ( que no serviro no exterior ) , para

 substitu-los pela equivalncia em dlares .
 O parceiro da permuta

 nesse caso no interessa .

 A experincia prtica mostra que , o aluno provido desta instruo ,

 acerta todas as possveis futuras ocorrncias dos dois verbos , tanto

 na decodificao quanto na codificao , sem ter que passar por uma

 demorada fase de aquisio de enciclopdia .
 Isso prova que , no campo

 da semntica , a chave para o ensino no  a equivalncia do

 dicionrio , mas sim a instruo de uso da enciclopdia , ainda que em

 forma abstrata , dada na maneira de um dicionrio .

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 [ LINK ]

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 Bibliografia :

 Bernstein , B. : Class , Code and Control , London , Routledge and Kegan

 Paul , 1971

 Blikstein , I. : Kaspar Hauser ou a fabricao da realidade , So Paulo ,

 Cultrix , 1990

 Bhler , K. : Sprachtheorie .
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 1934 , Stuttgart 1982

 Eco , U. : Semitica e filosofia da linguagem , Editora tica , 1991

 Leisi , E. : Der Wortinhalt , Seine Struktur im Deutschen und Englischen ,

 Heidelberg , Quelle & Meyer , 1975

 Morris , C. : Fundamentos da Teoria dos Signos , So Paulo , Editora da

 Universidade de So Paulo , 1976

 Ogden , C.K. / Richards , I.A. : The Meaning of Meaning , New York ,

 Hartcourt , Brace & Co. , 1956

 Saussure , F. de : Cours de Linguistique Gerale , Paris , Payot , 1975

 Wandruszka , M. : Die Mehrsprachigkeit des Menschen , Mnchen , dtv , 1981

 Witzenmann , H. : Die Egomorphose der Sprache , em : Witzenmann , H. :

 Intuition und Beobachtung , Band II. , Stuttgart 1978 , pp. 212 - 282

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 [ LINK ]

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 Notas de rodap :

 Obs. : As notas de rodap da verso HTML deste texto exigem um pouco de

 navegao : Clicando nos nmeros coloridos e sublinhados entre

 parnteses no texto , o leitor  levado diretamente  nota certa .
 Para

 voltar ao texto , ser necessrio clicar a cetinha que est junto com a

 nota .

 [ INLINE ] [ INLINE ] [ INLINE ]

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 ( 1 ) O modelo do tringulo abaixo reproduz o clssico " Tringulo

 Semitico " segundo Ogden , C.K. / Richards , I.A. : The Meaning of Meaning ,

 New York , Hartcourt , Brace & Co. , 1956 , p. 11 [ LINK ]

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 ( 2 ) Onde no h outra indicao , veja : Blikstein , Isidoro : Kaspar

 Hauser ou a fabricao da realidade , So Paulo , Cultrix , 1990 ,

 p .23-24 , completado por Eco , Umberto : Semitica e filosofia da

 linguagem , Editora tica , 1991 , p. 66 [ LINK ]

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 ( 3 ) Saussure , F. de : Cours de Linguistique Gerale , Paris , Payot , 1975 ,

 p. 31 [ LINK ]

 _________________________________________________________________

 ( 4 ) Veja : Blikstein , p. 31 [ LINK ]

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 ( 5 ) Morris , Charles : Fundamentos da Teoria dos Signos , So Paulo ,

 Editora da Universidade de SP , 1976 , p. 13 [ LINK ]

 _________________________________________________________________

 ( 6 ) Veja : Eco , p 64 [ LINK ]

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 ( 7 ) Veja : Eco , p. 81 [ LINK ]

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 ( 8 ) Veja : Blikstein , p. 28 [ LINK ]

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 ( 9 ) p. 46 [ LINK ]

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 ( 10 ) Esta mudana na metafsica ocidental foi enquadrada e descrita de

 vrias maneiras .
 A constatao nietzscheana de que Deus estaria morto

 se encaixa aqui da mesma forma que o processo da emancipao dos

 indivduos , na mudana da legitimao divina do poder poltico no

 sistema feudal para a legitimao intersubjetiva do sistema

 democrtico .
 Interessante , porm coerente e necessrio ,  encontrar a

 mesma linha de desenvolvimento na teoria dos signos .
 Isso confirma

 mais uma vez a abordagem da filosofia analtica .
 At um funcionalista

 semitico convicto como Charles Morris afirma na introduo  sua

 teoria dos signos : " A civilizao humana depende dos sinais e sistemas

 de signos e a mente humana  inseparvel do funcionamento dos sinais ,

 se  que no deva identificar-se com este funcionamento. " Morris , op .

 cit. , p. 9 [ LINK ]

 _________________________________________________________________

 ( 11 ) op. cit. , p. 81 [ LINK ]

 _________________________________________________________________

 ( 12 ) A questo da interdependncia e determinao mtua do sistema

 lingstico e do mundo real , da diferena entre dicionrio e da

 enciclopdia que se apoiam mutuamente nesse sentido. [ LINK ]

 _________________________________________________________________

 ( 13 ) Eco prefere se basear amplamente em Peirce , talvez por no

 concordar com a abordagem anti-filosfica de Morris. [ LINK ]

 _________________________________________________________________

 ( 14 ) Blikstein se baseia em Plato que descreve a lngua como organon

 diakritikon , veja Blikstein , op. cit. , p. 47 [ LINK ]

 _________________________________________________________________

 ( 15 ) Blikstein , op. cit. , pp. 60 - 61 , mostra que todas as palavras

 tm valor pejorativo ou meliorativo e neste sentido so " ideolgicas " .

 [ LINK ]

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 ( 16 ) O Autor tambm os chama de " formas semnticas " ; exemplos de

 corredores isotpicos seriam verticalidade / horizontalidade ,

 dureza / moleza , etc. [ LINK ]

 _________________________________________________________________

 ( 17 ) op. cit. , p. 81 [ LINK ]

 _________________________________________________________________

 ( 18 ) No totalmente por acaso , a forma bsica do modelo de Blikstein 

 tambm de trapzio .
 Apesar de incluir elementos extralingsticos e

 assim transcender qualitativamente o tringulo tradicional , o esquema

 lembra bastante o de Heger , s que Blikstein completa o lado direito

 do Tringulo Semitico , da relao entre significado e mundo real ( em

 Heger " conceito " e " coisa " ) , ainda deficiente no modelo anterior .

 [ LINK ]

 _________________________________________________________________

 ( 19 ) do qual tambm Eco no escapa .
 Blikstein diz : " o prprio Eco

 est , ironicamente , no  huis-clos  de Ogden e Richards " , op. cit. , p .

 36 [ LINK ]

 _________________________________________________________________

 ( 20 ) Como Eco observa no sem razo , a conseqncia disso foi a

 " abolio do signo " como tal por muitos tericos ; veja op. cit. , p .

 16 .
 [ LINK ]

 _________________________________________________________________

 ( 21 ) Umberto Eco tira essa concluso s no final de seu segundo

 captulo , onde discute a influncia do dicionrio e da enciclopdia na

 teoria da semiose .
 J no seu 1 captulo sobre signo e referncia ele

 chega muito perto , afirmando que semiose como abduo seria uma

 mistura entre deduo e induo , no sentido que , por um lado , trabalha

 de modo dedutivo , como se tivesse uma regra que define os casos para

 se chegar num resultado desejado da semiose .
 Por outro lado ,

 funcionaria indutivamente , na medida em que permanentemente

 interpretamos resultados de processos semiticos para modificar a

 " regra " do jogo lingstico .
 Errado  achar que esse mecanismo seja

 meta-semitico , enquanto ele  a base da semise !
 Veja op. cit. , p .

 51 .
 [ LINK ]

 _________________________________________________________________

 ( 22 ) Em pgina 76 a 83 Blikstein discute a influncia da lngua sobre

 a prxis , 84 a 87 da subverso da prxis pelo uso potico da lngua .

 Mas a modificao da realidade fica desnecessriamente descartada .

 [ LINK ]

 _________________________________________________________________

 ( 23 ) Sobre o modelo , veja : Bhler , Karl : Sprachtheorie .
 Die

 Darstellungsfunktion der Sprache , Jena 1934 , Stuttgart 1982 [ LINK ]

 _________________________________________________________________

 ( 24 ) Esta discusso domina , por exemplo , boa parte do primeiro

 captulo " Signo e Inferncia " de Eco , e ele leva at  pgina 61 para

 admitir a importncia do contexto para determinar o valor concreto do

 signo. [ LINK ]

 _________________________________________________________________

 ( 25 ) Termo de F. de Saussure que ainda no incio desse sculo causou

 furor , apesar de j a definio de " signo " de Sto. Agostinho como " res

 praeter speciem quam ingerit sensibus , aliud aliquid ex se faciens in

 cogitationem venire " ( grifos meus ) tenha feito a separao ntida

 entre signo e referente , cortando para sempre a palavra da realidade .

 Veja Eco , op. cit. , p. 21 e 42/43 .
 [ LINK ]

 _________________________________________________________________

 ( 26 ) Existem convices fora da rea da lingstica que afirmam um

 contedo concreto e existencial de sons e slabas produzidas pela voz

 humana a partir do sopro vital da respirao , como mantras por

 exemplo .
 Outro exemplo , j bem mais perto da semitica ,  Herbert

 Witzenmann : Die Egomorphose der Sprache , em : Witzenmann , H. : Intuition

 und Beobachtung , Band II. , Stuttgart 1978 , pp. 212 - 282 .
 O autor

 situa-se na teoria antroposfica baseada em Rudolf Steiner e formula

 uma tese sobre a correspondncia entre vogal / consoante

 ( aspirao / modulao ) e os eixos bsicos da existncia humana

 ego / mundo , conteno / apreenso , posio / formao etc. que lembra na

 sua determinao mtua e reciproca bastante o modelo de Hjelmslev .

 [ LINK ]

 _________________________________________________________________

 ( 27 ) Cf. p. 4/5 e nota 10 deste trabalho. [ LINK ]

 _________________________________________________________________

 ( 28 ) op. cit. , p. 32 [ LINK ]

 _________________________________________________________________

 ( 29 ) op. cit. , p. 60 [ LINK ]

 _________________________________________________________________

 ( 30 ) op. cit. , p. 62 [ LINK ]

 _________________________________________________________________

 ( 31 ) Na verdade , dicionrios sempre exercem inevitvel e

 inseparavelmente as duas funes , independente da postura do ( s ) seu ( s )

 autor ( es ) .
 Dois exemplos extremos : O dicionrio da Acadmie Franaise ,

 conservador e prescritivo , no deixa de descrever ( pelo menos grande

 parte ) da lngua usada ; o dicionrio Aurlio , ao contrrio , que

 registra toda e qualquer ocorrncia verbal , na maneira de um arrasto

 e sem pretenso de avaliar seus verbetes , sempre vai ser utilizado

 como instncia apelativa para verificar se tal palavra existe , e ento

 pode ser usada como " bom portugus " .
 [ LINK ]

 _________________________________________________________________

 ( 32 ) tanto europeu , quanto africano e brasileiro , tratando-se em todos

 os casos de pases quentes [ LINK ]

 _________________________________________________________________

 ( 33 ) op. cit. , p. 80 [ LINK ]

 _________________________________________________________________

 ( 34 ) ibd. [ LINK ]

 _________________________________________________________________

 ( 35 ) Como Eco j havia " suspeitado " !
 [ LINK ]

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 ( 36 ) Quando se chega no hipernimo patriarca ( seja ele qual for ) no

 incio da rvore , ela acaba , embora tenha uma quantidade quase

 inumervel de elementos em baixo. [ LINK ]

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 ( 37 ) veja Eco , op. cit. , pp. 83 - 86 [ LINK ]

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 ( 38 ) op. cit. , p. 92 [ LINK ]

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 ( 39 ) op. cit. , p. 87 [ LINK ]

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 ( 40 ) op. cit. , p. 94 [ LINK ]

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 ( 41 ) op. cit. , p. 94 [ LINK ]

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 ( 42 ) op. cit. , p. 116 [ LINK ]

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 ( 43 ) op. cit. , p. 117 ; Repara-se nitidamente a proximidade do modelo

 semitico de Blikstein. [ LINK ]

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 ( 44 ) op. cit. , p. 95 [ LINK ]

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 ( 45 ) op. cit. , p. 109 [ LINK ]

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 ( 46 ) op. cit. , p. 110 [ LINK ]

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 ( 47 ) op. cit. , p. 116 [ LINK ]

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 ( 48 ) op. cit. , p .72 [ LINK ]

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 ( 49 ) ibd. [ LINK ]

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 ( 50 ) op. cit. , p. 76 [ LINK ]

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 ( 51 ) op. cit. , p. 76 [ LINK ]

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 ( 52 ) termos usados por Grice para designar instrues situacionais

 mais ou menos fixas [ LINK ]

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 ( 53 ) op. cit. , p. 77 [ LINK ]

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 ( 54 ) pela prxis de Blikstein [ LINK ]

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 ( 55 ) cf .
 Eco , op. cit. , p. 129 [ LINK ]

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 ( 56 ) Veja Eco , op. cit. , p. 111 [ LINK ]

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 ( 57 ) op. cit. , p. 112 [ LINK ]

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 ( 58 ) op. cit. , pp. 112 - 113 [ LINK ]

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 ( 59 ) ibd. [ LINK ]

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 ( 60 ) op. cit. , p. 114 [ LINK ]

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 ( 61 ) Bernstein , B. : Class , Code and Control , London , Routledge and

 Kegan Paul , 1971 [ LINK ]

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 ( 62 ) Sobre o multilingualismo natural dentro de cada indivduo veja

 Mario Wandruszka : Die Mehrsprachigkeit des Menschen , Mnchen , dtv ,

 1981 [ LINK ]

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 ( 63 ) Eco , op. cit. , p. 112 [ LINK ]

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 ( 64 ) Eco , op. cit. , p. 115 [ LINK ]

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 ( 65 ) Aqui , novamente , Eco se encontra com o modelo de Blikstein .

 [ LINK ]

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 ( 66 ) op. cit. , p. 133 [ LINK ]

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 ( 67 ) op. cit. , p. 127 [ LINK ]

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 ( 68 ) op. cit. , p. 121 [ LINK ]

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 ( 69 ) op. cit. , p. 128 [ LINK ]

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 ( 70 ) op. cit. , p. 131 [ LINK ]

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 ( 71 ) op. cit. , p. 132 [ LINK ]

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 ( 72 ) op. cit. , pp. 132 - 133 [ LINK ]

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 ( 73 ) op. cit. , p. 134 [ LINK ]

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 ( 74 ) ibd .
 A terceira vez que Eco e Blikstein esto se parafraseando !

 [ LINK ]

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 ( 75 ) op. cit. , p. 135 [ LINK ]

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 ( 76 ) Leisi , E. : Der Wortinhalt , Seine Struktur im Deutschen und

 Englischen , Heidelberg , Quelle & Meyer , 1975 [ LINK ]

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 ( 77 ) Cf. p. 9 deste trabalho [ LINK ]

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 ( 78 ) No obstante a isso o dicionrio alemo - portugus da Porto

 Editora o traduz como " andar , caminhar " sem dar contexto ou condies

 de uso. [ LINK ]

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 ( 79 ) veja Leisi , op. cit. , p. 67 [ LINK ]

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 ( 80 ) Porm j concebido antes por outros tericos como Hjelmslev ,

 Peirce , Blikstein , Witzenmann , ou pelos resultados das reas da

 pragmtica e da anlise de discurso. [ LINK ]

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 ( 81 ) Um comentrio metodolgico por ltimo , que no somente se aplica

 a Eco , mas infelizmente  maioria dos autores da nossa disciplina : Eco

 comete o erro de construir todos os seus exemplos e inventar

 determinados significados e contextos imaginveis para eles .
 O leitor

 em geral aceita as propostas de contextualizao .
 Mas nesse momento o

 exemplo morreu como tal .
 Ele no  mais descrio de um processo

 semitico , mas sim uma outra semiose independente .
 No serve mais para

 qualquer coisa que se queira demonstrar / ilustrar com ele .
 Eco se

 refere  pragmtica e  anlise de discurso para resolver certos

 problemas ; ele tambm deveria adotar seus respectivos mtodos e ter o

 cuidado de s analisar exemplos autnticos , para os quais ele pode

 fornecer no s a indicao de uma enciclopdia virtual , mas sim todos

 os dados necessrios sobre o co - e contexto concretos. [ LINK ]

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 ( 82 ) Veja Blikstein , op. cit. , p. 75 [ LINK ]

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 ( 83 ) Esta mxima vale no s para a semntica , mas tambm para a

 sintaxe e pragmtica do novo idioma. [ LINK ]

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 ( 84 ) O grande problema desse mtodo  que estes conhecimentos

 conscientes no ativam a automatizao da produo de signos e textos

 na lngua alvo .
 O aluno s " sabe " o que seria o certo , mas ele no

 sabe us-lo espontaneamente na hora certa .
 Uma postura diferente 

 adotada pelos mtodos " alternativos " como a sugestopedia , o Silent

 Way , Total Physical Response etc .
 Aqui falta espao para discutir o

 dilema em maior extenso .
 Vale indicar que , como no caso dicionrio

 vs. enciclopdia , a sntese entre os dois modelos traz os melhores

 resultados. [ LINK ]

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 ( 85 ) Veja Eco , op. cit. , p. 120 [ LINK ]

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 ( 86 ) ou ocorrem juntos em nmero estatisticamente significante dos

 registros da enciclopdia na terminologia de Eco [ LINK ]

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 ( 87 ) Exatamente isso aconteceu no meu prprio caso com a palavra

 " escabelo " , para mim - como falante no nativo de portugus -

 desconhecida .
 Atravs das instrues da grade semntica eu posso

 imaginar que seja um tipo de banquinho transportvel com uma perna .

 [ LINK ]

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 ( 88 ) metfora especialmente ilustrativa nesse caso , porque significa

  armazenador de energias , subterrneo , centro de reproduo  [ LINK ]

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 ( 89 ) Ainda assim no desambigua perfeitamente , porque em vrios casos

 aplicam-se os dois com relevante diferena de significado. ( Veja

 exemplos na continuao. ) [ LINK ]

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 [ LINK ]

