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 WITTGENSTEIN

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 A revoluo na lgica matemtica , no incio do sculo 20 , oferecia uma

 perspectiva tentadora : a criao de uma cincia dos significados .
 A lgica

 prometia aliar a razo ao significado de frases e textos - - da filosofia s

 demonstraes de geometria , da histria ao direito .
 A idia era reduzir essas

 disciplinas aos seus tomos lgicos para , em seguida , mostrar como as partes se

 conectavam umas s outras - - em uma linguagem ideal - - a fim de compor todos os

 possveis significados .

 Em sua poca de estudante de engenharia na Inglaterra , o austraco Ludwig

 Wittgenstein foi aluno do filsofo Bertrand Russell , cuja obra monumental ,

 Principia Matematica ( 1913 ) , em co-autoria com Alfred North Whitehead , era uma

 tentativa de reduzir a matemtica  lgica .
 O primeiro livro de Wittgenstein ,

 publicado em 1922 , com o grandioso ttulo de Tractatus Logico-philosophicus ,

 era uma obra ainda mais ambiciosa .
 Segundo seu autor e seus admiradores ,

 deveria marcar o fim da filosofia .

 Wittgenstein retornou  ustria para ser professor numa escola .
 Em 1929 , porm ,

 voltou  Inglaterra para declarar que havia se equivocado anteriormente .
 Esse

  novo Wittgenstein " passou os 18 anos seguintes agonizando como lder de um

 pequeno grupo de estudos em Cambridge .
 Perfeccionista obsessivo , Wittgenstein

 escrevia e reescrevia seus textos , e sua segunda obra-prima , Investigaes

 Filosficas , s seria publicada postumamente , em 1953 .
 Ambos os livros sero

 leitura obrigatria ainda por muito tempo .

 O Tractatus comea indo diretamente ao assunto :

 o mundo consiste de fatos

 O que significa , explica ele , que o mundo "  a totalidade de fatos , no de

 coisas " .

 Se voc no consegue ver a diferena ,  o seguinte : " Fatos " so afirmaes

 verdadeiras sobre coisas .
 Uma cadeira  uma coisa ; a afirmao " a cadeira 

 vermelha "  ( ou pode ser ) um fato .
 O " mundo " como o conhecemos  simplesmente a

 reunio de fatos conhecidos - - o que " acontece " - - e no de coisas distintas

 daquilo que podemos dizer sobre elas .
  a linguagem que constri nosso senso de

 mundo , nosso meio e nossas experincias .
 O que no podemos dizer no podemos

 conhecer ; " sobre o que no conseguimos falar , devemos silenciar " .

 As proposies de Wittgenstein influenciaram profundamente um grupo de jovens

 filsofos conhecidos como " positivistas lgicos " - - os que acreditavam , como

 Hume , que tudo o que no seja auto-evidente ou empiricamente demonstrvel 

 mero contra-senso. ( No entendimento deles , literatura , arte e a metafsica

 visionria no passam de " contra-senso ". ) Porm , embora eles tivessem adotado

 Wittgenstein , Wittgenstein no os adotou .
 Pois , mesmo achando que a filosofia

 devia se restringir aos " fatos " , ele permaneceu obcecado por silncios e

 realidades no demonstrveis .
 O que no  real pode ser nonsense , mas at onde

 Wittgenstein estava interessado , nonsense  muito interessante .
 O pensamento de

 Wittgenstein evoluiu entre o Tractatus e a obra pstuma Investigaes

 Filosficas ( 1953 ) , que recolhe as conferncias dadas por ele em Cambridge .
 De

 fato , ele quase abandonou muitos de seus pontos de vista anteriores , tais como

 quando ele afirma que " os limites da minha linguagem so os limites do meu

 mundo " .
 Como muitos filsofos da linguagem , Wittgenstein , quando jovem , tratou

 as palavras como indicadores ou smbolos das coisas no mundo .
 Mas , na

 maturidade Wittgenstein considerou que toda essa nfase na referncia era

 simplista demais .

 Em Investigaes Filosficas ( 1953 ) Wittgenstein oferece um novo ponto de

 vista : o significado das palavras no depende daquilo a que elas se referem ,

 mas de como elas so usadas .
 A linguagem , dizia ele ,  um tipo de jogo , um

 conjunto de peas " ou " equipamentos " ( palavras ) que so usadas de acordo com um

 conjunto de regras ( convenes lingsticas ) .
 Como no Tractatus , o mundo 

 construdo a partir de proposies , ou proposies potenciais , mas agora a

 nfase recai menos no que as afirmaes " significam " ( denotam ) do que em como

 elas se desenvolvem dentro de um contexto e um conjunto de regras .

 Segue-se disso que o conhecimento no consiste em descobrir ( ou inventar )

 alguma " realidade " que corresponda ao que falamos , mas sim em estudar o modo

 como a fala funciona .
 Assim sendo , a linguagem comum  o sujeito apropriado da

 filosofia .
 Problemas filosficos tradicionais , relativos a conceitos tais corno

 " ser " e " verdade " , so meramente confuses que surgem a partir do jargo

 filosfico e a tentativa equivocada de descobrir a " realidade " que ele

 supostamente " representa " .

 _________________________________________________________________

 Quando Wittgenstein retornou  filosofia , em 1929 , ele trazia a mensagem de que

 os mtodos da lgica pura no podiam dar conta dos problemas filosficos .
 Onde

 antes tinha se mostrado a favor de regras lgicas explcitas , agora

 Wittgenstein falava em jogos de linguagem , regidos por uma tcita compreenso

 mtua .
 Propunha substituir os estreitos limites da teoria dos conjuntos pelo

 que chamou de retratos familiares .
 " A filosofia  a batalha contra o

 encantamento de nossa inteligncia por meio da linguagem  , declarou .

 Em 1939 , seu seminrio sobre os fundamentos da matemtica contou com a

 participao de Alan Turing , um jovem e brilhante matemtico , que tambm havia

 se entusiasmado com as promessas da lgica e , mais tarde , percebido suas

 limitaes .
 Mas , em sua demonstrao formal de que o sonho de transformar toda

 a matemtica em lgica era algo impossvel , Turing terminou criando um

 dispositivo puramente conceitual ( conhecido hoje como Mquina Universal de

 Turing ) que proporcionou as bases lgicas para o computador digital .
 Embora o

 sonho de Wittgenstein de uma linguagem universal ideal tenha desmoronado , o

 dispositivo de Turing atingiu um tipo diferente de universalidade : ele podia

 processar todas as funes matemticas computveis .
 O que Turing percebeu - - e

 Wittgenstein no viu - foi a importncia do fato de que um computador no

 precisa entender as regras para segui-las .
 Turing nos deixou o computador ,

 enquanto Wittgenstein deixou ...
 Wittgenstein .
 O primeiro contato que se tem com

 o seu trabalho - - seja com o Tractatus , seja com as Investigaes Filosficas

 - - continua sendo uma experincia liberadora e divertida .
 Ludwig Wittgenstein

 oferece um modelo de pensamento to intenso , puro e autocrtico , que at mesmo

 seus erros podem ser considerados ddivas .

 Fontes : Michael Macrone ( Eureka !
 ) - Daniel Dennett ( Time Magazine )

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