 CAPTION :

 Wittgesntein : A impossibilidade de uma ' Linguagem Privada '

 Ernst Tugendhat

 Universidade Livre de Berlin

 Wittgenstein ocupou-se com a problemtica dos estados " f desde que recomeou a

 filosofar no ano de 1929 .
 Nessa poca , ele defendeu primeiramente uma posio

 solipsista , como tambm j o fizera no Tractatus .
 No abordarei essas etapas

 prvias de sua posio posterior e indico como orientao P. Hacker , Jnsight

 and Illusion , caps .
 4 e 7 .
 A ruptura para a posio posterior aconteceu no Blue

 BooL que data dos anos 1933-4 .
 A posio definitiva  alcanada em " Notes for

 Lectures " ( NL ) , publicado apenas em 1968 e escrito nos anos 1934-6 , e  mais

 desenvolvida nas Investigaes Filosficas ( IF ) , sobretudo nos pargrafos

 243-315 , que so dedicados  refutao de uma assim chamada linguagem privada .

 Nas NL , tambm se encontram dispersas notas em alemo no texto escrito em

 ingls , notas escritas portanto por Wittgenstein para si mesmo e no para seus

 ouvintes .
 Pode-se usar uma dessas notas em alemo quase como epgrafe dessa e

 da prxima conferncia : " A atmosfera que cerca esse problema  terrvel .
 Nvoas

 densas da linguagem esto situadas em torno do ponto problemtico .
  quase

 impossvel avanar em sua direo " ( 306 ) .
 Mas Wittgenstein tambm pensava :

 " Queremos entender algo que j est diante de nossos olhos " ( IF , 89 ) .
 " Os

 aspectos das coisas mais importantes para ns esto ocultos por sua

 simplicidade e sua familiaridade " ( IF , 129 ) .
 Assim , Wittgenstein parte da

 convico de que aquilo a respeito do que ns questionamos em filosofia 

 realmente muito simples , mas no conseguimos v-lo , porque nossa maneira de ver

 est enfeitiada por analogias e metforas lingusticas enganadoras .
 " A

 filosofia  uma luta contra o enfeitiamento de nosso entendimento pelos meios

 de nossa linguagem " ( IF , 109 ) .
 Da a nota em NL de que  quase impossvel

 avanar para o ponto problemtico atravs da nvoa da linguagem .
 Ele sente a

 atmosfera que cerca o problema como terrvel ; e como Wittgenstein no tentou

 poupar os outros do caminho por ele mesmo percorrido , nem tentou

 apresentar-lhes resultados , como ele preferia mostrar o caminho apenas como

 caminho , de modo que o leitor deveria progredir por si mesmo atravs da nvoa ,

 ento , todo aquele que tenta compreender Wittgenstein e avanar com ele em

 direo  clareza tambm deve sentir a atmosfera como terrvel .
 Tambm de minha

 parte , portanto , no esperem resultados .
 O que se pode fazer nesse tipo de

 conferncia  sempre apenas desbastar um pouco mais o caminho , tornar os

 problemas pelo menos visveis .
 Eu ficarei por aqui e cabe a vocs tentar ir

 adiante progredir por si mesmo atravs da nvoa , ento todo aquele que tenta

 compreender Wittgenstein e avanar com ele em direo  clareza tambm deve

 sentir a atmosfera como terrvel .
 Tambm de minha parte , portanto , no esperem

 resultados .
 O que se pode fazer nesse tipo de conferncia  sempre apenas

 desbastar um pouco mais o caminho , tornar os problemas pelo menos visveis .
 Eu

 ficarei por aqui e cabe a vocs tentar ir adiante .

 Qual  o problema de que Wittgenstein fala aqui ?
 Em IF , 309 , ele pergunta :

 " Qual  o teu objetivo na filosofia ?
 " E responde : " Mostrar  mosca a sada da

 redoma [ Fliegengla.si ] .
 S se tomou claro como se deve entender essa frase

 muito citada aps a publicao das N1^3 , pois l lemos novamente  uma nota em

 alemo : " O solipsista revoluteia e revoluteia na campnula [ Fliegenglockei ] ^ ,

 bate contra as paredes , revoluteia adiante .
 Como conseguir tranquiliz-lo ?
 " ( p .

 300 ) .
 O problema  , portanto , o da superao do solipsismo .
 Embora se possa

 entender isso tambm geneticamente , pois o prprio Wittgenstein defendeu antes

 uma posio solipsista , deve-se entend-lo sistematicamente .
 Em outro lugar ,

 nas NIL , ele diz : " Aqui , porm , o solipsismo nos d uma lio .
 Ele apresenta

 aquele pensamento que est no caminho de destruir esse erro " ( 297 ) .
 Que erro ?

 O erro envolve uma concepo das proposies " eu-f e " ele-f , que Wittgenstein

 chama no Blue Book da concepo do filsofo do senso comum ( p. 48 ) , ele

 acentua , ao mesmo tempo , que esse filsofo do senso comum no  o homem do

 senso comum .
 Chama tambm essa concepo de realismo .
 Ela pode ser

 caracterizada mais ou menos da seguinte maneira : cada um conhece os estados

 internos , que so designados com os predicados " f , somente a partir de si

 mesmo , com base na percepo interna .
 Ento como posso julgar que tambm outros

 homens tm tais estados ?
 Pois , na verdade , no posso observar externamente

 neles esses estados , mas posso deduzi-los na concepo do realismo por meio de

 uma inferncia analgica .
 Porque observo que determinados estados meus , por

 exemplo sensaes de dor , so regularmente acompanhados por um determinado

 comportamento do meu corpo , deduzo por analogia que tambm os outros , quando

 exibem um comportamento semelhante , tm estados que so como os que percebo em

 mim ao ter esse comportamento .

 H , contra essa concepo , as conhecidas objees cticas , que Wittgenstein

 sublinha no Blue Book .
 Como  que eu , sei que o outro , quando percebe objetos

 que percebo como vermelhos , tem a mesma sensao de cor que eu ?
 Uma vez que

 aqui se comea a duvidar , onde ento se terminar ?
 Sei realmente que o outro

 tem em geral um estado interno ou apenas creio nisso ?
 E se eu apenas creio

 nisso , no devo ento deixar em aberto que sou o nico que tem estados

 internos ?
 No Blue Book , Wittgenstein argumenta ainda mais rigorosamente : se no

 se pode realmente saber algo , ento tambm no faz sentido dizer que apenas se

 cr , pois crer em algo significa dizer que algo  o caso , mas ainda sem

 fundamento suficiente ; o que significa ento crer em algo , quando nem mesmo uma

 confirmao parcial  alcanvel ( p. 54 ) ?
 Em outro lugar , ele aponta para o

 fato de que no se poderia falar aqui de uma hiptese segundo a qual outros

 homens tm estados internos , pois no se pode conceber absolutamente nenhuma

 experincia que pudesse sustentar ou abalar a hiptese .

 A consequncia dessas objees cticas  o solipsismo , segundo o qual s eu

 tenho estados internos .
 O caracterstico dessa posio  que abandona um lado

 da concepo realista - - o de que tambm se poderia conhecer estados internos

 dos outros por meio da inferncia analgica - - mas insiste no ponto de partida

 da concepo realista - - o de que se conhecem os estados internos prprios por

 meio da percepo interna .
 Portanto quando Wittgenstein declara que o

 solipsismo esta " no de que jaz na origem da concepo realista , afirma apenas

 que o solipsismo apresenta as verdadeiras consequncias tericas da concepo

 realista .
 O solipsismo  apenas uma variante mais consequente do realismo :

 enquanto simplesmente nega o que o realismo afirma , o primeiro se coloca sobre

 a mesma base que esse ltimo .
 A concepo do senso-comum permite ainda o

 emprego das proposies P na terceira pessoa ; em verdade , ela se esfora por

 conceder a simetria verdica das proposies f presentes no nosso emprego

 efetivo dos predicados f ( acima , p. 89 ) 6 , mas o seu princpio terico no

 permite isso de fato [ 1 ] o princpio trico_~zem~um. princpio ctico latente .

 A medida que esse ceticismo latente  extrado do solipsismo , este nos conduz

 ao ponto no qual o conflito com a linguagem , latente na concepo do senso

 comum , torna-se evidente .
 Nesse ponto , por isso , uma sada s se torna possvel

 quando se pem em dvida as pressuposies no questionadas pelo realismo e

 aceitas pelo solipsismo .

 No entanto , o solipsismo clssico ainda no  o ltimo passo na dissoluo

 interna do realismo , pois ainda mantm a terminologia do " eu " .
 Nisso repousa ,

 segundo Wittgenstein , uma inconsequncia .
 Pois aquilo que  designado com " eu "

 tem de acordo com a regra de emprego da palavra " eu " " vizinho " ( cf .
 NL , 283 ) :

 aquele que usa " eu " para si mesmo  uma pessoa entre muitas , e essa pessoa pode

 ser tambm designada com o termo " ele " .
 Por isso , tambm o prprio Wittgenstein

 tinha abandonado , em sua fase solipsista , a terminologia do " eu " .

 Se , portanto , para Wittgenstein o objetivo  sair da campnula do solipsista ,

 isso no significa sair do que  designado com " eu " , mas significa sair para o

 que pode ser designado com " eu " , se o que pode ser designado com " eu "  sempre

 um ser que outros , que se designam com " eu " , podem designar com " ele " .
 Nas NL ,

 Wittgenstein observa , de novo em uma nota em alemo : " Eu tento reduzido todo o

 problema ao no-entendimento da funo da palavra eu " ( 307 ) .
 O problema aqui

 apontado por Wittgenstein ,  certamente a problemtica especial do solipsismo .

 No a abordarei aqui .
 Nas IF , fala-se pouco do emprego da palavra " eu " , porque

 a ainda se trata apenas de uma discusso com a pressuposio fundamental comum

 ao solipsismo e ao realismo .
 Essa consiste na aceitao de que os estados f so

 processos internos dados em uma percepo interna .
 Contra isso , Wittgenstein

 quer mostrar que os predicados T tm um significado que  uniforme , desde o

 princpio , a partir da perspectiva do " eu " e do " ele " .
 Seu projeto  , portanto ,

 de um lado , destrutivo crtica daquela pressuposio e , de outro , construtivo ,

 pois ele deve conduzir para um novo entendimento das proposies f .

 Na conferncia de hoje tratarei apenas da parte destrutiva .
 Essa consiste na

 crtica  representao de uma linguagem privada .
 Devemos , antes de mais nada ,

 perguntar : em primeiro lugar , o que Wittgenstein quer dizer com uma linguagem

 privada , e em segundo , em que medida se pode dizer que a pressuposio

 essencial do realismo e do solipsismo consiste na aceitao de uma linguagem

 privada ?

 Wittgenstein diz em IF , 243 , como quer que se entenda o seu termo " linguagem

 privada " .
 Por uma linguagem privada no se deve entender algum que fala

 consigo mesmo e nem toda uma linguagem que fosse falada por apenas um homem .

 " Poder-se-ia imaginar tambm homens que falassem apenas monologicamente. " Isso

 no  , ento , uma linguagem privada no sentido de Wittgenstein , pressupondo que

 se poderia " traduzir para a nossa linguagem " a linguagem de um tal homem .
 Do

 mesmo modo , no  ainda uma linguagem privada se algum , nessa linguagem ,

 " anotasse ou exprimisse suas experincias internas seus sentimentos , suas

 disposies etc. para uso prprio " ; isso tambm se pode fazer " em nossa

 linguagem ordinria " .
 Ao contrrio , naquela linguagem que Wittgenstein chama de

 linguagem privada , " as palavras li devem se referir a algo de que apenas o

 falante pode saber ; li .
 Um outro , portanto , no pode entender essa linguagem " .

 A nfase aqui repousa na palavra " pode " .
 Assim , o caracterstico de uma

 linguagem privada no  ser essa empregada de fato apenas por um indivduo , nem

 se referirem as palavras dessa linguagem s experincias do indivduo ; mas

 trata-se de uma linguagem privada no sentido a ser criticado apenas quando um

 outro no pode entender essas palavras ou , mais precisamente , quando as

 palavras dessa linguagem se referem a algo " de que apenas o falante pode

 saber " .

 Pode-se ver facilmente como a pressuposio comum do realismo e do solipsismo

 est relacionada com a representao de uma linguagem privada assim

 compreendida .
 Na medida em que essas duas teorias se perguntam como deveria ser

 uma linguagem , que corresponda  sua concepo ,  claro que , se no todas as

 expresses dessa linguagem , em todo o caso pelo menos os predicados f teriam um

 significado para cada indivduo , o qual seria acessvel somente a esse

 indivduo .

 Poder-se-ia julgar problemtico o fato de Wittgenstein imediatamente conceber a

 teoria criticada como uma teoria sobre uma linguagem correspondente a seu

 pressuposto .
 As teorias tradicionais no se compreendiam a si mesmas desse modo

 e poder-se-iam objetar a Wittgenstein : " Talvez uma linguagem privada no seja

 concebvel , mas o que  propriamente privado dos estados f que no so

 acessveis de modo nenhum por meio de palavras " .
 Wittgenstein considera uma tal

 objeo no comeo das NL , formulando-a primeiramente em alemo : " Pode-se dizer

 algo sobre a experincia determinada de algum mas parece haver alguma coisa ,

 alm disso na verdade o essencial , que no se pode descrever " ( 275 ) .
 Depois de

 uma primeira crtica conduzida ainda em alemo , escreve em ingls : "  como se ,

 apesar de voc no poder dizer-me exatamente o que ocorre em voc , voc

 pudesse , no obstante , dizer-me algo de genrico sobre isso .
 Por exemplo ,

 quando voc diz que tem uma impresso que no pode ser descrita .
  como se

 houvesse ainda algo mais , mas voc no o pode dizer , voc pode fazer apenas a

 declarao geral .
  essa idia que caoa de ns " ( 276 ) .

 Wittgenstein no  muito explcito nesse ponto e poder-se-ia responder a ele :

 "  , de fato  assim mesmo ; na verdade temos estados que podemos chamar

 genericamente de sensaes , mas que no podemos descrever , para os quais ,

 portanto , no temos expresses lingusticas " .
 Pensem , como exemplo , em uma

 situao na qual se tem dor de cabea ; no se tem simplesmente dores na cabea ,

 mas se tem uma sensao bem determinada e dizemos ento algo como : eu tenho na

 cabea uma sensao de dor bem determinada , a qual contudo no posso descrever .

 Ou pensem , por exemplo , em sensaes gustativas ou olfativas .
 Estamos a

 inclinados a dizer : quando saboreio uma pra ou provo um determinado vinho ,

 tenho uma sensao gustativa determinada , mas indescritvel .

 Wittgenstein responderia a isso mais ou menos da seguinte maneira :

 " Vocs realmente querem dizer que se trata , no caso dessa sensao

 indescritvel , de uma sensao determinada ?
 Se  uma sensao determinada ,

 ento , isso significa que vocs podem diferenci-la de outras sensaes

 comparveis , que vocs podem portanto identific-la e reconhec-la como

 qualitativamente a mesma , por exemplo , um gosto de vinho bem determinado em

 relao a um outro .
 Mas , se esse  o caso , vocs certamente podem nomear a

 respectiva sensao determinada ; de fato , vocs tero conscincia de que  uma

 sensao determinada e identificvel apenas se a nomearem .
 No  necessrio

 para se nomear empregar-se um nome determinado ou um predicado determinado ; j

  suficiente se vocs disserem : eis agora de novo a mesma dor de cabea , que

 tive anteontem e no a que tive ontem .
 Se se for to longe , produz-se

 naturalmente embora no seja algo essencial a nomeao da dor de cabea de

 anteontem como , por exemplo , tipo A em distino ao tipo B , que seria a dor de

 cabea de ontem .
 Se vocs , ao contrrio " , poderia continuar Wittgenstein ,

 " quiserem dizer com a impossibilidade de se descrever a sensao que essa no 

 determinada , nem diferencivel de outras , ento vocs a descreveram

 linguisticamente de modo muito adequado , quando dizem que essa sensao 

 indescritvel e indeterminada e , de novo , no h nada a que escape 

 linguagem " .

 Wittgenstein faz amide o seu opositor por assim dizer , aquela voz nele mesmo

 que ele prprio quer silenciar responder a uma reflexo do seguinte tipo : 

 precisamente o essencial , o vivo que escapa  linguagem .
 Ao que Wittgenstein

 responderia de novo : Mas , o que  essencial ?
 O que quer voc dizer se voc no

 quer designar essa sensao nem como determinada , nem como indeterminada ?

 " Assim , ao se filosofar , chega-se at ao ponto no qual se desejaria somente

 proferir um som inarticulado " ( IF , 261 ) , e Wittgenstein acrescenta : " Mas um tal

 som somente  uma expresso se ocorre em um jogo de linguagem determinado , que

 deve ento ser descrito " .

 Poder-se-ia querer censur-lo por cometer uma petitio principia , ao retomar a

 indicao do inefvel apenas como algo lingustico .
 Mas , reflitamos : quando

 falamos do inefvel , realmente falamos , e por isso se queremos tornar claro o

 que com isso queremos dizer , precisamos nos perguntar , por exemplo , como

 empregamos essa expresso lingustica " o inefvel " .
 Vocs poderiam responder :

 mas e se no falssemos do inefvel , se simplesmente apenas o sentssemos ?
 A

 dificuldade  precisamente que , ao colocar tal pergunta , ns naturalmente no

 podemos deixar de coloc-la linguisticamente .
 Na medida em que filosofamos

 sobre a sensao do inefvel , j estamos sempre no terreno da linguagem ; e

 quanto ao mais , s podemos precisamente calar .
 Wittgenstein parece querer

 dizer : quem quer calar-se , deve calar-se , mas ento deve realmente se calar ;

 no se pode , de um lado , utilizar-se da fala e , de outro , resistir ao fato de

 ser tomado a srio como falante .
 " No  isso o que voc me censura , como se

 voc quisesse dizer : em sua linguagem , s se fala ( NL 297 ) .

 Wittgenstein , assim , parece estar justificado em interpretar o problema

 epistemolgico , se somente eu posso conhecer meus estados " f , como um problema

 semntico .
 E portanto o problema assume agora a forma da seguinte pergunta : uma

 linguagem privada  possvel ou toda linguagem  tal que

 Pode-se dividir o procedimento de Wittgenstein em dois passos .
 Em um primeiro

 passo , ele pergunta como a nossa linguagem real se refere a sensaes e mostra

 que isso no acontece da maneira que corresponderia  tese de uma linguagem

 privada .
 Isso , contudo , no  surpreendente , pois nossa linguagem real  uma

 linguagem intersubjetiva , que aprendemos tambm intersubjetivamente .
 O opositor

 de Wittgenstein pode aceitar isso e ainda defender a concepo de que os

 predicados " f " tm uma dupla semntica : de um lado , um significado

 intersubjetivo , mas de outro tambm significado privado para cada pessoa .
 Por

 isso , Wittgenstein deve mostrar , em um segundo e decisivo passo , que um tal

 componente privado do significado no pode existir de modo nenhum , e o faz

 quando demonstra que uma linguagem privada contradiz princpios gerais do

 emprego significativo de expresses .

 Como se referem as palavras de nossa linguagem real a estados " f " ?
 Wittgenstein

 comea por essa questo , depois de ter esclarecido o que deve ser entendido por

 uma linguagem privada em IF , 243 , no pargrafo seguinte ( 244 ) : " Como as

 palavras se referem a sensaes ?
 Nisso no parece haver nenhum problema ; pois

 no falamos diariamente de sensaes e as nomeamos ?
 Como  estabelecida , porm ,

 a ligao do nome com o nomeado ?
 " ( Prestem ateno agora ao passo seguinte !
 ) " A

 questo  a mesma que : como um homem aprende o significado dos nomes de

 sensaes ?
 Por exemplo , da palavra dor. " ( A questo " como um nome se refere

 quilo que nomeia ?
 " tem , assim , em nossa linguagem ordinria o seguinte

 sentido : como podemos explicar a algum o emprego da expresso ou , visto do

 outro lado , como esse algum pode aprender seu emprego ?
 Isso  agora aplicado

 por Wittgenstein s sensaes. ) " Esta  uma possibilidade : palavras so

 relacionadas  expresso original e natural da sensao e postas em seu lugar .

 Uma criana se machucou e chora ; e ento os adultos lhe falam e ensinam

 exclamaes e , depois , proposies .
 Eles ensinam  criana um novo

 comportamento de dor. " Wittgenstein designa um choro como " expresso natural da

 sensao " .
 Ao contrrio , " exclamaes " como " ai !
 " j so expresses de dor

 convencionais e lingusticas ; no so naturais porque variam de lngua para

 lngua .
 E por " proposies " quer-se dizer naturalmente as proposies " f , como

 " eu tenho dores " .
 Elas so estreitamente assimiladas por Wittgenstein s

 exclamaes .
 " Assim , pois , voc diz que a palavra dor significa , na verdade , o

 chorar ?
 " .
 Ao contrrio , a expresso verbal da dor , substitui o chorar e no o

 descreve. "

 Esse pargrafo j contm os elementos da concepo positiva prpria de

 Wittgenstein sobre as proposies " f " e pode ser til desde j conhec-los .
 Se

 deve poder existir um entendimento intersubjetivo sobre estados de conscincia ,

 ento estes devem poder se manifestar no comportamento .
 Deve existir , assim ,

 uma relao entre um comportamento externo observvel e o estado de

 conscincia .
 Isso tambm  aceito pela teoria analgica , mas agora se toma

 decisivo determinar de que lado se apreende a referncia da palavra .
 A teoria

 analgica acreditava ter que associar a partir de dentro , por assim dizer , o

 nome  sensao e isso tinha como consequncia que a relao entre a expresso

 da sensao e a sensao era apenas contingente e indutiva , com todas as

 consequncias desastrosas que se produziam para as proposies " f na terceira

 pessoa .
 Se se realiza , ao contrrio , a associao do nome da sensao a partir

 de fora , por assim dizer e  assim precisamente que essa se realiza de fato na

 maneira pela qual aprendemos a nossa linguagem ordinria , ento produz-se ,

 entre a expresso da sensao e a sensao , uma conexo de essncia [

 Wesenszusammenhan ] .
 Pois a palavra que aprendemos  realmente uma palavra para

 sensao , ela est no lugar da sensao e no do comportamento ; por outro lado ,

 aprendemos o emprego , isto  o significado da palavra para sensao apenas em

 conexo com o comportamento .
 Por conseguinte , deve existir entre a sensao e o

 Comportamento correspondente a " expresso da sensao " natural ou convencional

 ( e a sensao serve sempre apenas como exemplo de um estado " f qualquer ) uma

 conexo fundada no significado da palavra , o que quer dizer analtica , uma

 conexo essencial .
 Segundo Wittgenstein , o su~mento da expresso de sensao  ,

 a partir da perspectiva da teoria do indivduo analtico eira pesspa , um

 critrio , Isto  , um de que a sensao existe .
  um indcio e isso no quer

 dizer que seja uma garantia .
 A proposio " eu-f " , ao contrrio , no se baseia

 em uma observao , mas substitui como Wittgenstein diz no pargrafo citado logo

 acima uma expresso natural do estado " f e a externao da proposio na

 primeira pessoa deve servir portanto , de sua parte , como expresso do e ~~ do .

 Teremos que investigar na prxima conferncia como tudo isso deve ser entendido

 mais precisamente .

 No pargrafo 244 , Wittgenstein ainda no emprega o seu conceito de critrio e

 no fala de uma conexo de essncia .
 Enquanto ele diz apenas genericamente que

 as palavras para sensao da linguagem ordinria so aprendidas em conexo com

 as expresses de sensao , o filsofo do senso comum ainda pode concordar com

 ele .
 Wittgenstein diz nas NL como esse filsofo reagiria  referncia a um

 emprego intersubjetivo das palavras para sensao .
 Ele faz o opositor dizer :

 " Dor de dente  uma palavra que eu emprego em um jogo que jogo com outras

 pessoas , mas que tem um significado privado para mim " ( 289 ) .
 O filsofo do

 senso comum conduz agora , portanto , por rua de mo dupla : as palavras para

 sensao tm , de um lado um significado intersubjetivo , de outro , um privado .

 Este diz respeito ao inefvel , sobre o qual ele no pode saber se outros

 realmente o tm ou se esses o tm de modo semelhante ou diferente de seu

 prprio modo .

 Vejamos essa posio ainda em um outro exemplo .
 Na considerao principal das

 IF , " dor "  o exemplo primrio no qual Wittgenstein se orienta .
 Ao lado disso ,

 a partir do pargrafo 272 , as sensaes de cores tambm so consideradas e nas

 NL esse exemplo ocupa um amplo espao ao lado do da dor de dente .

 Evidentemente , devemos aqui distinguir entre , por exemplo , " vermelho " e

 " ver-vermelho " .
 Somente " ver-vermelho "  anlogo a " ter dor " que  um predicado

 " f .
 Pode-se dizer " eu vejo vermelho " , mas no " eu vermelho " , a menos que algum

 queira dizer que ele  vermelho e , ento , " vermelho " no  , obviamente , um

 predicado " f " .
 Por isso , as consideraes das NL , em contraste com as das IF ,

 atm-se  expresso do ver-vermelho .
 A expresso do ver-vermelho , contudo , 

 ambgua .
 Pode-se entender aqui " ver " no sentido de " perceber " , mas tambm se

 pode entender no sentido de representar , de modo que tambm a mera

 representao fantasiosa de uma mancha vermelha pode ser designada como

 ver-vermelho ; e assim  entendida a expresso de ver-vermelho nas NL .
 Esse ver

 interno de algo vermelho que no  dado na forma de uma percepo , oferece

 problemas em sua relao com a percepo de algo vermelho , com os quais

 Wittgenstein se ocupa nas NL e tambm em outras passagens das IF .
 Abord-los

 agora seria muito complicado .
 Eu tomo a problemtica em sua forma facilitada ,

 na qual aparece em nosso trecho das IF , onde se trata simplesmente das palavras

 " vermelho " , " verde " etc .
 O filsofo do senso comum fala aqui de uma sensao de

 vermelho e em geral das sensaes de cor ; essas sensaes so compreendidas de

 modo semelhante s sensaes de dor como algo internamente perceptvel , apesar

 de essa concepo no ser necessria para a posio tradicional .
 Mas tambm 

 caracterstico da posio tradicional pensar aqui como nos predicados " f : o que

 cada um quer dizer com as palavras " vermelho " , " verde " etc. , somente ele

 prprio pode saber .
 Uma outra perspectiva se produz de imediato , se atentamos

 para o modo pelo qual essas palavras so de fato aprendidas e empregadas .

 Nas NL , Wittgenstein permite ao representante da posio tradicional expor

 primeiramente a sua concepo : " Se ensinamos a algum a palavra vermelho , ento

 essa palavra se liga ( ou deve se ligar ) para ele a uma determinada sensao sua

 ( uma sensao privada , uma sensao nele ) .
 Ele pode , ento , comunicar essa

 sensao de modo indireto , naturalmente atravs do meio da linguagem " ( 279 ) .

 Mas como ensinamos de fato a palavra " vermelho " ?
 Quando mostramos como essa 

 aplicada a objetos .
 " Compreendemos o critrio para isso no fato de que ele , com

 vermelho , se refere ao mesmo que ns , no fato de que ele em geral d os mesmos

 nomes que ns s cores dos objetos. " Aqui , por se tratar de predicados que

 aplicamos a objetos

 materiais , o comportamento no  mais o critrio , mas sim como os objetos so

 classificados .

 O opositor pode admitir tambm aqui que ns temos que explicar desse modo o

 significado intersubjetivo das palavras para cor e , ento , de novo , insistir em

 que , nesse caso , essas palavras tm um duplo significado : " O que devo dizer

 sobre a palavra vermelho ?
 que essa designa algo que est diante de todos ns , e

 que cada um deveria ter , alm dessa palavra , uma outra para designar sua

 prpria sensao de vermelho ?
 Ou devo dizer assim : a palavra vermelho designa

 algo conhecido por todos ns ; e designa para cada um , ademais , algo conhecido

 apenas por ele ?
 " ( IF , 273 ) .
 " Seria , portanto , possvel a suposio apesar de

 no verificvel de que uma parte da humanidade tem uma sensao de vermelho e

 uma outra parte , uma outra. " ( IF , 272 )

 Essa concepo das palavras para cor , assim como anteriormente as palavras para

 sensao , parece-nos talvez muito atraente .
 Poderia estar certa ?
 Mas , se nessa

 pergunta , de acordo com o seu prprio sentido , nada pode ser alegado de modo a

 podermos decidir a favor ou contra , ento no  essa concepo simplesmente sem

 sentido ?

 No contexto de nossa linguagem ordinria , portanto , a concepo de que as

 palavras para sensao ainda tm um significado privado adicional parece vazia .

 A questo sobre dois predicados " f terem ou no o mesmo significado estaria

 ento sempre resolvida a partir do seu emprego na linguagem ordinria e

 simplesmente acrescentaria : para cada significado que  determinado pelo

 critrio de emprego , refiro-me ainda a algo inefvel , sobre o qual no sei se 

 semelhante nos outros .

 Mas a idia de uma linguagem privada no poderia ter um sentido independente da

 linguagem ordinria ?
 E no haveria na verdade tambm um emprego significativo

 de palavras para sensao que algum poderia inventar apenas para si prprio e

 que no poderia comunicar aos outros ?
 No seria dessa espcie o exemplo acima

 mencionado de uma dor de cabea , A em oposio a uma dor de cabea B ?
 No

 haveria sensaes que podemos reconhecer como determinadas e distinguir de

 outras , mas sem podermos indicar critrios externos para elas ?
 So tais

 questes que tornam necessrio a Wittgenstein , em um segundo passo , contestar a

 possibilidade de uma linguagem privada .
 Essa argumentao tem lugar nas IF ,

 256-70 .
 Uma primeira verso tambm j se encontra in nuce nas NL ( 290s ) .

 Se se quiser conceber claramente a possibilidade de uma linguagem privada pura ,

 ento se recomenda que se abstraia totalmente do domnio do comportamento .
 Por

 isso , Wittgenstein comea , no pargrafo 256 , assim : " Mas o que ocorreria , se eu

 no tivesse nenhuma expresso natural da sensao , mas tivesse somente a

 sensao ?
 " .
 No pargrafo 257 , Wittgenstein faz , de incio , o representante da

 teoria da linguagem privada dizer : " Como seria se os homens no expressassem

 suas dores ( no gemessem , no fizessem caretas etc. ) ?
 Nesse caso , no se

 poderia ensinar a uma criana o uso da palavra dor de dente " .
 O opositor faz

 aqui a concesso de que realmente no h um aprender intersubjetivo de palavras

 para sensao .
 Para faz-lo ver o

 que realmente est em jogo , Wittgenstein prope : " Agora , suponhamos que a

 criana seja um gnio e invente por si mesma um nome para a sensao !
 " .
 Com

 isso Wittgenstein quer dizer : o problema verdadeiro no  o do aprendizado da

 palavra , mas o do emprego da palavra .
 Parece ainda que a dificuldade seria

 apenas a de que no se poderia comunicar intersubjetivamente .
 Wittgenstein faz

 o outro dizer : " Mas agora ele no poderia se fazer entender com essa palavra " .

 O dilogo , presentemente , j est to avanado que Wittgenstein pode elevar o

 problema a seu nvel decisivo : " Assim , ele entende o nome , mas no pode

 explicar seu significado a ningum ?
 " Com essa pergunta , Wittgenstein aponta

 para a sua tese : em um tal caso , trata-se no apenas de urna iessoano - poder

 explicar o significado a urna outra , mas tambm de no poder entender o nome

 ela prpria .

 E por que no ?
 Recebemos como primeira resposta : " Quando se diz ele deu um nome

  sensao , esquece-se que muita coisa j deve estar preparada na linguagem

 para que um mero nomear tenha sentido .
 E se falamos de algum que d um nome 

 dor , ento a gramtica da palavra dor  no caso o que j foi preparado ; a

 gramtica indica o lugar em que a nova palavra ser colocada " .
 Obviamente , essa

 primeira resposta no  ainda , por si mesma , um argumento contra um significado

 privado .
 Mesmo que Wittgenstein tenha razo em afirmar que para o emprego de um

 tal nome " muita coisa j deve estar preparada na linguagem " , ainda no se

 mostrou que isso no pode ocorrer tambm em uma linguagem privada .

 S o pargrafo seguinte , 258 , traz a verdadeira argumentao .
 Ele  o decisivo

 de toda a srie .
 Wittgenstein comea assim : " Imaginemos esse caso .
 Quero

 escrever um dirio sobre a recorrncia de uma determinada sensao .
 Para isso ,

 eu a associo com o signo 5 e escrevo esse signo em um calendrio cada dia em

 que tenho a sensao " .
 Isso corresponde aproximadamente ao meu exemplo da dor

 de cabea .
 Pode-se pensar que anoto minhas duas espcies de dor de cabea , A e

 B , dessa maneira em um calendrio .
 Observem tambm que , da maneira como

 Wittgenstein concebe a problemtica , no s  questionada uma teoria radical da

 linguagem privada mas tambm uma outra concepo , que admite que , para se dar

 um nome , " muita coisa j deve estar preparada na linguagem " .
 Essa ltima

 poderia ser a linguagem intersubjetiva , em cuja estrutura ainda se pudesse

 proceder a diferenciaes privadas de sensaes .
 A questo ento  se j que

 nesse nomear lingustico privado , a possibilidade de se dar ao signo um

 significado .
 Se no existe , est refutada a linguagem privada .
 Dar significado

 a um signo  se se entende essa palavra em um sentido amplo - definir um signo ,

 portanto , vem a ser se  possvel definirem-se os nomes de uma linguagem

 privada .
 Se no for possvel , ento ela no existe de~Qd~j & 1m .

 O primeiro passo de Wittgenstein  : " Quero observar primeiramente que uma

 definio do signo no pode ser formulada " .
 Eu no creio que Wittgenstein

 queira aqui dizer que uma definio no pode ser formulada em voz alta , pois ,

 nesse caso , no se teria mais uma linguagem privada .
 Antes , deve querer dizer

 que uma definio verbal uma definio dos grupos pro meio das palavras de um

 predicado elementar .
 A esse respeito , no pode haver diferena entre

 Wittgenstein e seu opositor .
 Distingue-se comumente entre definies verbais e

 definies ostensivas e demonstrativas .
 Se , portanto , no  possvel uma

 definio verbal do signo " 5 " , parece ento estar particularmente em questo

 uma definio ostensiva .
 E por isso Wittgenstein faz o seu opositor dizer na

 prxima frase : " Mas eu posso certamente dar a mim mesmo uma espcie de

 definio ostensiva !
 " .

 Wittgenstein submeteu a concepo de definies ostensivas a uma crtica no

 comeo das IF ( 27-35 ) e A. Kenny sustenta , em sua interpretao do argumento da

 linguagem privada , que Wittgenstein j tinha com aquela crtica retirado os

 prprios fundamentos da teoria da linguagem privada .
 Veremos que isso  no

 fundo correto , porm devemos ser aqui muito cuidadosos .
 Em primeiro lugar ,

 porque tal crtica  facilmente mal-entendida , e isso vale muito

 particularmente para a passagem paralela no comeo do Blue Book .
 " A definio

 ostensiva explica o uso o significado ~ da palavra , quando j est claro o

 papel que a palavra deve jogar em geral na linguagem .
 Se eu sei , portanto , que

 algum quer me explicar uma palavra para cor , ento essa explicao ostensiva

 isso chama-se spia me ajudar a entender a palavra. " ( 30 ) Wittgenstein parece

 querer dizer aqui : se eu ainda no sei que " sepia se refere a uma cor , ento

 no posso saber que aquele que mostra algo e diz " isso chama-se spia " no se

 refere a um outro aspecto qualquer do objeto , por exemplo  sua forma .
 

 aparentemente sustentvel que isso poderia ser o que Wittgenstein afirma tambm

 no pargrafo 258 , em conexo com a indicao do pargrafo 257 , a saber , a de

 que para se entender um nomear " muita coisa j deve estar preparada na

 linguagem " .
 Mas , em primeiro lugar , j se fez corretamente uma objeo contra

 tal argumento^0 : algum percebe que " spia " se refere precisamente a uma cor ,

 quando se mostram mais objetos , todos com essa mesma cor , mas que variam em

 seus outros aspectos .
 No  preciso ouvir , portanto , que se trata de uma

 palavra para cor .
 Se fosse esse , pois , o sentido da crtica de Wittgenstein s

 definies ostensivas , ento ela seria completamente implausvel .
 Mas , torna-se

 claro , a partir do resto do pargrafo 258 , que Wittgenstein no se apia de

 maneira nenhuma em uma recusa geral das definies ostensivas .
 Pois , 

 recm-dada explicao do opositor de que poderia fixar o significado do signo

 " 5 " por meio de uma definio ostensiva , Wittgenstein responde : " Como ?
 Posso

 apontar para uma sensao ?
 No no sentido habitual " .
 Essa resposta pressupe

 que , nos casos em que pudermos apontar para algo no sentido habitual , uma

 definio ostensiva  possvel .

 Se podemos apontar para algo no sentido habitual , podemos design-lo com

 " isso " .
 E parece , ento , que podemos , por exemplo , definir palavras como

 " vermelho " ou " escaravelho " : " isso  vermelho , " isso e um escaravelho " .
 Aqui ,

 portanto , algo  identificado com " isso " , que ento  caracterizado e

 classificado pelo predicado que se segue ; repetindo isso vrias vezes com um

 predicado , passamos a conhecer como objetos so caracterizados e classificados

 por meio desse predicado e , assim , entendemos o significado do predicado .
 J

 vimos , porm , que no h no emprego de predicados " f na primeira pessoa nenhum

 emprego correspondente da palavra " isso " e que aqui nada pode ser de forma

 alguma identificado .
 Quando eu emprego meus predicados de dor de cabea " A " e

 " B " e digo " isso  A " e " isso  B " " isso " no identifica algo a respeito do

 qual se possa verificar , durante sua observao , que  A ou B ou , ento , que

 no  A ou B ; mas " isso " se refere diretamente a ser-A e ser-B , no a algo que

  A ou B .

 Wittgenstein tem , assim , toda razo em afirmar que no se pode tratar de uma

 definio ostensiva " no sentido habitual " .
 Seu opositor aceita tambm isso e

 esclarece ento sua concepo : " Mas eu falo ou escrevo o signo e , ao mesmo

 tempo , concentro minha ateno na sensao aponto , portanto , como que

 interiormente para ela " .
 Wittgenstein responde : " Mas para que essa cerimnia ?

 Pois ela parece ser somente isso !
 " .
 Se , como seu adversrio agora esclarece , no

 discurso de um apontar com ou sem " isso " apenas se expressa a concentrao da

 ateno , ento se trata de fato de uma cerimnia vazia : pois o apontar com ou

 sem " isso " no tem no caso funo semntica alguma .

 Wittgenstein prossegue : " Uma definio serve certamente para estabelecer o

 significado de um signo " .
 Para esclarecimento , pode-se fazer aqui dois

 paralelos com as NL : " Em nosso jogo privado de linguagem , assim parecia ,

 tnhamos dado um nome  sensao naturalmente para empregarmos o nome para essa

 sensao no futuro .
 Isto  , a definio deveria estabelecer para futuras

 ocasies para quais sensaes o nome deveria ser empregado e para quais , no "

 ( 291 ) .
 " No emprego da palavra significado  essencial que o mesmo significado

 seja mantido durante todo o jogo " ( 289 ) .
 Contudo , ainda no est claro por que ,

 se algo no pode ser apontado no sentido genuno isto  , identificado , a

 palavra no pode ter essa funo de ser mantida com o mesmo significado .
 Mas

 Wittgenstein considera no ser evidente o modo pelo qual a palavra deve

 adquirir essa funo por meio da concentrao em algo presente , do estar de

 certa maneira absorto nesse algo .
 " Mas como  o dar um nome  sensao ?

 Supostamente consiste no pronunciar um nome enquanto se tem a sensao e talvez

 no se concentrar na sensao .
 Mas e da ?
 O nome contm por isso poderes

 mgicos ?
 " ( NL , 290 ) .

 Nas IF , 258 , o representante da teoria da linguagem privada responde :

 " [ ...
 ] Por meio da concentrao da ateno " gravo em mim a ligao do signo com

 a sensao " .
 A seguir , Wittgenstein diz : " Gravo-a em mim mesmo s pode

 significar o seguinte : esse processo faz com que eu me lembre corretamente da

 ligao no futuro .
 Mas em nosso caso no tenho nenhum critrio para a correo .

 Gostar-se-ia aqui de dizer :  correto tudo aquilo que me parecer correto .
 E

 isso significa apenas que aqui no se pode falar de correto " .

 Com isso estamos no final do pargrafo 258 e o entendimento correto da ltima

 citao  naturalmente decisivo para se entender o ponto do argumento de

 Wittgenstein contra a teoria da linguagem privada .
 O entendimento dessa

 passagem , em oposio s interpretaes anteriores , avanou sobretudo com

 Kenny " , pois ele demonstrou que a tese no  a de que no podemos averiguar a

 correo ( verdade ) dos enunciados de memria , mas sim a de que no podemos

 averiguar a correo da associao entre signo e significado , na medida em que

 essa deve repousar na memria .

 Est com isso convincenternente refutada a linguagern privada ?
 Certamente s no

 caso de , sem a possibilidade de uma averiguao , no poder haver um significado

 ou emprego significativo de um signo .
 Como parece , ento , a justificao do

 emprego de um signo em nossa linguagem normal ?
 Em outras palavras : o que

 Wittgenstein tem em vista de positivo ?
 Apenas quando esclarecermos isso

 poderemos entender o que falta propriamente , segundo o seu pensamento , ao

 emprego lingustico privado de um signo .
 Ouvimos : " Mas em nosso caso no tenho

 nenhum critrio para a correo " .
 O que , porm , Wittgenstein quer dizer com um

 critrio para a correo ?

 Tal como Kenny apresenta o caso , parece que tudo estaria em ordem se

 tivssemos , em lugar de uma mera amostra da memria das sensaes , uma amostra

 da sensao .
 Se a dificuldade consistisse apenas no fato de no e poder mais

 averiguar se a amostra da memria ainda  a correta^12 , a dificuldade estaria

 remediada se se dispusesse de uma amostra perceptvel ; ~ i. dificuldade estaria

 remediada , por exemplo , para as palavras para cor .
 Pois aqui , para averiguar a

 correo de nosso emprego de uma palavra corno " vermelho " , poderamos

 eventualmente remeter-nos para uma amostra real de cor algo como um catlogo de

 cor que se pode comparar diretamente com o vermelho dado ; pode-se perceber

 ambos os vermelhos ao mesmo tempo .

 Mas contra essa interpretao  significativo o fato de que Wittgenstein , no

 trecho paralelo nas NL ( 291 ) , emprega precisamente a palavra " vermelho " como

 exemplo e de que l no se trata da questo da memria .
 Essa interpretao 

 imediatamente refutada pelo fato de que Wittgenstein equipara em princpio , em

 lugar anterior nas IF , o recurso a uma amostra perceptvel de cor em uma tabela

 real , com o recurso a uma amostra da memria .
 " Poder-s-la dizer que essa

 tabela assume aqui o papel que a memria e a associao jogam em outros casos "

 ( IF , 53 ) .
 " Mas o que ocorreria se essa amostra no pertencesse  linguagem , se

 ns percebssemos por exemplo , a cor que uma palavra designa ?
 " ( IF , 56 ) .
 Nesse

 caso , Wittgenstein aponta para a dificuldade que conhecemos a partir do

 pargrafo 258 : " Mas o que consideramos , pois , como critrio para que nos

 lembremos corretamente delas ( das cores ) ?
 " .
 Agora , porm , ele vira a mesa .
 E

 prossegue : " Se trabalhamos com uma amostra em vez de com nossa memria , ento

 diremos , em certas circunstncias , que a amostra mudou sua cor e julgamos isso

 a partir da memria .
 Mas no podemos falar tambm , em certas circunstncias , de

 um escurecimento ( por exemplo ) da imagem de nossa memria ?
 No estamos

 igualmente entregues  memria como a uma amostra ?
 " .
 A ltima pergunta implica

 naturalmente a sua inverso : no estamos igualmente entregues tanto a uma

 amostra quanto  memria ?

 Contudo , se no em uma amostra , no que consiste ento , em geral , um cnteno para

 a correo ?
 Wittgenstein responde : na aplicao ( IF , 146 ) .
 E " aplicao " no

 significa a aplicao a um contedo recorrente e renovado de sensao , mas

 aplicao a objetos .
 O critrio para a correo no emprego , por exemplo , do

 predicado " vermelho "  que podemos distinguir objetos que so vermelhos de

 objetos que no o so .
 Para isso , uma amostra pode eventualmente nos ser til

 ( IF , 53 ) .
 Mas e esse  um passo decisivo na argumentao nenhuma amostra contm

 em si e para si uma instruo determinada de como deve ser empregada ; essa pode

 ser sempre aplicada dessa ou de outra maneira ( IF , 73 , 85s , 139s ) .
 O critrio

 para que algum tenha entendido , por exemplo , as palavras para cores  que esse

 algum , ao precisar separar ramos de flores segundo as cores , saiba dividir as

 flores vermelhas das azuis etc , e  irrelevante se ele emprega nessa ocasio um

 catlogo de cores ou ainda uma amostra da memria ( cf .
 IF , 53 ) .
 O decisivo 

 que no caso de uma expresso de classificao

 e os nomes de sensao e naturalmente tambm todos os predicados " f so

 expresses de classificao s podemos aplicar a palavra " correto " ao seu

 emprego na classificao de objetos .
 Assim quando , no pargrafo 258 ,

 Wittgenstein diz que se o emprego do nome se apoiasse em uma sensao lembrada

 ns no teramos um critrio para a correo , ele no quer dizer que teramos

 um tal critrio se o emprego se apoiasse em uma sensao percebida , mas quer

 dizer que o critrio  o emprego correto no ato de classificar .

 A partir disso , certamente , pode-se compreender tambm at que ponto  possvel

 falar de " correto " , em um certo sentido , no caso de uma amostra perceptvel .

 Uma amostra real de cor  certamente um objeto que tem tal e tal cor .
 Podemos

 mostrar esse objeto no o contedo de sensao percebido nele e dizer " isso 

 spia " .
 Com isso , apresentamos em um caso paradigmtico a funo

 classificatria e discriminatria que o predicado " spia " deve ter .
 Podemos

 dizer : " se voc o emprega do mesmo modo como foi empregado nesse caso , voc o

 emprega corretamente " , e ento essa pessoa deve mostrar apenas no emprego se

 entendeu corretamente o " do mesmo modo como

 Somente agora podemos tambm entender o que Wittgenstein propriamente criticava

 na definio ostensiva no comeo das IF .
 L , Wittgenstein supunha um conceito

 extremamente estreito de definio ostensiva , segundo o qual o significado de

 uma palavra  definido ostensivamente ao se apontar para uma coisa dada .
 Se s

 vezes se pode realmente explicar o significado de uma palavra na prtica

 atravs do exemplo de um caso nico , isso se d apenas porque se est supondo

 que j se sabe , por exemplo , que se trata de uma palavra para cor .
 Mas o ponto

 almejado por Wittgenstein  o de que o significado s  propriamente entendido ,

 e tambm nesses casos particulares , quando se sabe que uso fazer " da palavra

 explicada " ( IF , 29 ) .
 Se se entende , pois , por definio ostensiva a

 demonstrao do uso , Wittgenstein no tem nada a objetar a tal definio ; ao

 contrrio , as palavras so explicadas dessa forma e no  necessrio

 acrescentar , por exemplo , que a palavra " spia "  uma palavra para cor .

 Contudo , se se entende por definio ostensiva a suposta associao da palavra

 com um contedo , ento tal definio  um absurdo , e  essa concepo primitiva

 da semntica que est , em ltima instncia , na origem da idia da possibilidade

 de uma linguagem privada .

 Agora podemos entender uma frase que anteriormente eu havia deixado de lado ao

 interpretar o pargrafo 257 : " Como conseguira ele nomear a dor ?!
 E o que quer

 que tenha feito , o que tinha por objetivo ?
 " .
 Poder-se-ia perguntar : o que tem a

 ver aqui a pergunta sobre o objetivo^13 , uma vez que se trata somente do

 significado ?
 Wittgenstein se refere no a um objetivo extrasemntico qualquer ,

 mas simplesmente a sua funo semntica .
 J ouvimos : ns damos um nome 

 sensao , " para empregar no futuro o nome para essa sensao " ( acima , p. 26 ) .

 Nesse nterim , porm , tornou-se claro : o significado de um predicado repousa em

 sua funo discriminatria .
 E  esse objetivo semntico que tem o emprego de um

 predicado ; e  precisamente isso que no se pode esclarecer a partir da teoria

 da linguagem privada .

 Isso j foi uma longa considerao terica e vocs poderiam objetar :

 " Ser que no se parte aqui de suposies muito determinadas sobre como o

 significado de uma palavra se constitui , suposies que o terico da linguagem

 privada talvez no precise aceitar ?
 E , ao contrrio , no devemos ns partir do

 fato de que distinguimos e podemos designar distintamente sensaes por exemplo

 sensaes gustativas ou as duas espcies A e B de dor de cabea sem a

 considerao de critrios externos e , a partir disso , ver qual semntica est

 na origem de tais fatos ?
 " .
 Vocs tm razo .
 Naturalmente devemos testar as

 teses de Wittgenstein em exemplos nos quais a possibilidade de um emprego

 lingustico privado  particularmente sugestiva .

 Tomemos como exemplo as nuances de gosto , um gosto de pra ou um gosto de

 vinho !
 Um conhecedor de vinhos  algum que sem levar em conta a apreciao

 pessoal tem a capacidade de distinguir com relativa segurana muitas nuances de

 gosto de vinho .
 Ele sempre emprega uma e a mesma palavra , digamos " V [ 1 ] , V [ 2 ] "

 etc. , para um e o mesmo gosto ( ou para um de seus aspectos ) .
 Evidentemente , um

 bom conhecedor de vinhos  somente aquele que emprega essas palavras com alguma

 segurana quando prova o vinho de olhos vendados , quando no tem portanto um

 critrio independente para discriminao do vinho .
 Coloquemo-nos agora na

 situao da linguagem privada !
 Eu emprego em determinados casos a expresso

 " V " , em outros " V [ 2 ] " etc .
 Como eu sei que " V [ 1 ] , est no lugar de uma

 determinada e sempre a mesma sensao ?
 A isso o defensor da linguagem privada

 responder : " bem , eu me lembro etc. " , e ento Wittgenstein pode perguntar de

 volta , como no pargrafo 258 : " como voc pode averiguar isso etc .?
 " .
 No

 gostaramos agora de teorizar , mas apenas desenvolver o argumento da linguagem

 privada tanto quanto esse se sugere a partir de um contexto real como o do

 conhecedor de vinhos .
 E naturalmente o conhecedor de vinhos , se perguntado

 sobre como sabe que " V [ 1 ] " est no lugar de algo determinado , no se reportar

  sua confivel memria de gosto , pois ento se moveria em crculos .
 Mas ele se

 reportar ao fato de ter provado o vinho , de que pode distinguir por meio de

 seu gosto ( e isso quer dizer por meio de seu emprego dos predicados " V [ 1 ] " ,

 " V [ 2 ] " etc. ) diferentes espcies de vinho que so estabelecidas por critrios

 independentes do gosto como diferentes espcies de vinho , e s assim sua

 memria de gosto se mostrar confivel .
 Portanto , como critrio para que uma

 palavra para gosto esteja no lugar de um determinado gosto , constatamos sempre

 de facto a capacidade de poder discriminar gostos por meio de seus objetos ( no

 nosso caso , vinhos ) , cuja diversidade  estabelecida independentemente .
 Uma vez

 provada essa capacidade , podemos empregar a palavra sem considerar os critrios

 externos e nessa possibilidade repousa naturalmente a relevncia dessa

 capacidade .
 Mas o significado da palavra  estabelecido apenas por meio da

 correlao com esses critrios externos , e no o pode ser por meio de nenhum

 outro critrio .
 Naturalmente no se segue , a partir da correlao de " V " com um

 critrio externo " C " , algo como : " V " e sinnimo de " Cm " ; nesse caso , " v " j

 no seria mais um nome de sensao .
 Mas " V "  urna palavra que empregamos

 quando discriminamos vinhos , ao prov-los ; e se nos perguntamos qual  o gosto

 determinado com o qual o emprego de " V " est associado , devemos dizer que 

 aquele por meio do qual , ao se provar , so reconhecidos precisamente aqueles

 vinhos que foram produzidos a partir de tal e tal uva e de tal e tal maneira

 ( C ) .

 Assim chegamos ao resultado de que tambm ali onde se poderia pretender que h

 um emprego rigorosamente privado no comunicvel a outros de palavras para

 sensaes , esse emprego , na medida em que tem a pretenso a uma determinao ( e

 de outro modo no se pode falar de um significado ) , liga-se na realidade a

 critrios observveis .
 Isso quer dizer que , se examinarmos mais de perto como

 algum estabelece o significado de tal palavra para si mesmo , constatamos que

 isso acontece exatamente da maneira em que se poderia explicar o significado a

 uma outra pessoa : tal e tal gosto  o gosto de tal e tal uva .
 E no 

 concebvel nenhum outro modo de se estabelecer o significado .

 Todos os predicados " F " aqui em questo por serem precisamente predicados , isto

  , expresses de classificao podem ser explicados apenas com base em

 proposies da forma " x  F " , por meio de correlaes com propriedades

 observveis C de x .
 No caso desses predicados , trata-se ou de predicados de

 sensao como os de gosto acima discutidos ( ou tambm os de cores ) , ou de um

 predicado " f " , que no est no lugar de propriedades perceptveis de objetos

 materiais , mas de sensaes ou de outros estados ( le conscincia de pessoas .

 Nas IF , 270 , Wittgenstein desenvolve uma reflexo a respeito de sensaes

 corporais , como o so minhas ( luas espcies de dor de cabea A e B , reflexo

 totalmente anloga quela que acabei de desenvolver para as sensaes de gosto .

 Tambm aqui mostra ter sentido o emprego de uma palavra para sensao sem a

 considerao de um critrio observvel ; porm , o sentido desse emprego no 

 uma associao com o contedo da sensao , mas , dessa vez ,  uma caracterizao

 da prpria pessoa .
 Tambm aqui o critrio de que se trata de uma sensao

 determinada repousa na existncia de uma correlao com critrios observveis ,

 desta vez observveis no estado fsico ou no comportamento da pessoa^4 .

 Todos os nomes de sensaes e , alm ( lesses , todos os outros predicados " f so

 expresses de classificao , com os quais caracteriza-se discrimina-se ,

 reconhece-se , O erro do terico da linguagem privada se manifestava de duas

 formas : ou ele concebia essa expresso como um simples nome e , por isso ,

 supunha ainda uma concepo insustentvel da nomeao ; por meio do que se torna

 impossvel compreender seu emprego subsequente ;

 ou ele reconhecia sua funo discriminatria , mas deveria ento supor que o que

  classificado , caracterizado e reconhecido so as sensaes em vez de ver que

 ns caracterizamos os objetos sejam eles os objetos que percebemos pelos

 sentidos ; sejam eles a prpria pessoa percipicnte sentindo-os , e ento

 associando a eles palavras para sensao .
 O erro fundamental da teoria da

 linguagem privada era , portanto , o de que essa hipostasiava os estados T em

 objetos observveis particulares e internos .
 Esse erro no  apenas semntico ,

 mas  a falsa e bsica suposio ontolgico-epistemolgica , a qual , certamente ,

 to logo se articulasse semanticamente , s admitiria uma teoria da linguagem

 privada .
  objeco " E , pois , voc sempre acaba chegando ao resultado de que a

 prpria sensao  um nada " , Wittgenstein responde : " De maneira nenhuma .
 Ela

 no  um algo , mas tambm no  um nada !
 " ( lF , 304 ) .

 Traduo e notas : Plnio Junqueira Smith

 Extrado da Revista do CEBRAP n. 32 de 1992 ( as notas se encontram na revista )

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