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 Comisso Brasileira de Filosofia Medieval

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 O surgimento do grupo .
 O mandato de Jos Antonio de C. R. de Souza

 Jos Antonio de C. R. de Souza

 Corria o ms de agosto de 1981 .
 Manh de sexta-feira .
 O Ncleo de

 Filosofia do Departamento de Histria da Universidade de Braslia , ento , sob a

 coordenao do Prof. Dr. Nelson Gonalves Gomes , como fazia habitualmente , seja

 para ler e discutir um pensador , seja para tratar de questes relacionadas com

 o ensino e a pesquisa em Filosofia no mbito da Universidade de Braslia ,

 ( UnB ) , estava reunido .

 Era a altura de comear a pensar e a planejar a X Semana de Filosofia a

 ocorrer dentro de um ano .
 Depois de algumas idias terem sido apresentadas , o

 Prof. Nelson Gomes props ao grupo dedicar a prxima Semana ao Pensamento

 Medieval , a qual foi bem acolhida por todos os presentes .
 No ramos mais de 8

 pessoas .
 Em seguida , ele e os colegas incumbiram-me de organiz-la e

 prepar-la .

 Nos meses seguintes escrevi cartas para vrios colegas brasileiros que ,

 ou se dedicavam  Filosofia Medieval ou que , antes , tinham feito isso , e eram

 bem poucos .
 Alguns deles sequer responderam , outros , porm , logo aderiram ao

 chamamento .

 Os colegas do Ncleo tambm apresentaram sugestes de nomes .
 Foi assim ,

 por exemplo que , atravs do Prof. Dr. Estvo Martins , convidamos a participar

 do evento D. Luciano Mendes de Almeida SJ , que havia feito sua tese de

 doutoramento em Filosofia , na Gregoriana , sobre a Teoria do Conhecimento em

 Santo Toms de Aquino , bem como o Prof. Dr. Lus Alberto De Boni , que lecionava

 Histria da Filosofia Medieval na Universidade Federal do Rio Grande do Sul .
 O

 Prof. Dr. Celestino Pires sugeriu-nos que escrevssemos para alguns colegas

 portugueses e que fossemos procurar o Prof. Dr. Joo Ferreira , renomado

 medievalista lusitano dos anos cinqenta / sessenta que , j h dez anos

 trabalhava no Departamento de Letras de UnB .

 Ao convidarmos os colegas para tomar parte neste Evento , de um lado ,

 considerando o nmero irrisrio de textos de autores medievais traduzidos para

 o vernculo , e de outro , a extirpao do ensino do latim nos antigo ginsio e

 colegial , atravs da LDB de 1961 , o que impedia o conhecimento direto das

 fontes da parte dos estudantes e provveis interessados , fatores esses que

 tolhiam o avano cientfico desta sub-rea do conhecimento filosfico no pas ,

 pedimos-lhes que , ao tratar do tema elegido por eles , quando fosse o caso , lhe

 juntassem a traduo da respectiva fonte .

 Finalmente , em junho de 1982 , j tnhamos as datas para a realizao do

 Evento e a programao fechadas .
 Faltava pleitear um apoio financeiro para

 cobrir as despesas com passagens , estada completa e pro laboribus para os

 participantes .
 Recorremos , ento ,  Coordenao da rea de Cincias Humanas do

 Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico ( CNPq ) , dirigida

 pelo Pe. Getlio Alencar , e  sub-rea de Filosofia , sob responsabilidade da

 Sra. Maria Sucupira Montandon .
 A resposta , embora , favorvel custou a chegar ,

 mas pudemos realizar a X Semana de Filosofia Medieval .

 A seu respeito , preferimos transcrever o testemunho ocular do Prof. Dr .

 Ruy Afonso da Costa Nunes ( Publicado em sua coluna semanal de O Estado de So

 Paulo , pg. 2 , em 15 de outubro de 1982 ) :

 Do dia 13 ao dia 17 do ms de setembro passado , a Universidade de Braslia ,

 atravs do seu Ncleo de Filosofia do Departamento de Geografia e Histria ,

 promoveu a X Semana de Filosofia consagrada desta feita ao Pensamento Medieval .

 O organizador da Semana foi o jovem e dinmico medievalista da Universidade de

 Braslia , prof. Dr. Jos Antnio de Camargo Rodrigues de Souza .

 A abertura dos trabalhos foi feita no dia 13 [ segunda-feira , s 9 : 30

 horas ] pelo magnfico reitor prof. dr. Jos Carlos de Almeida Azevedo , e a

 semana decorreu frutuosa com a apresentao de comunicaes e a realizao de

 debates a cargo de ilustres estudiosos do pensamento medieval ( Segue-se a

 nominata dos conferencistas , com a respectiva conferncia , o que omitimos por

 razo de brevidade , remetendo o leitor para o texto Publicaes 1983/2000 ,

 infra .
 No caso , so as publicaes sob o nmero 1 ) "

 " Os trabalhos foram encerrados pelo vice-reitor da Universidade de

 Braslia [ s 21:30 do dia 17 , sexta-feira ] prof. Lus Otvio Morais de Sousa

 Carmo .

 Devemos acrescentar que o prprio Dr. Ruy Afonso , igualmente prof. da

 Feusp , brindou-nos com a 4a conferncia intitulada Reflexes sobre a Crnica ou

 A Histria das Duas Cidades .

 Tambm julgamos oportuno acrescentar , resumidamente , as impresses do

 mencionado professor sobre a relevncia deste Evento , bem como suas palavras de

 alerta :

 ...
 Em primeiro lugar , ela surge como um osis de serenidade e reflexo no

 ambiente agitado por graves preocupaes de ordem econmica e poltica , e num

 mundo convulsionado por inmeras crises .
 A Universidade de Braslia mostra 

 Nao inteira que o papel essencial da universidade  preservar os valores do

 esprito e aprimorar a cultura , formar a mente atravs do exame e da discusso

 das grandes questes , objetivos que pairam acima das preocupaes rotineiras da

 vida nacional e internacional .
 Se com a desculpa dessas preocupaes se viesse

 a postergar o trabalho essencial das escolas , a Nao seria atingida

 frontalmente na sua reserva mais viva e rica de energia e os prejuzos para a

 vida comum seriam incalculveis. "

 " Quem descura das atividades acadmicas com a desculpa esfiapada da enormidade

 dos problemas quotidianos , nada mais faz que lhes adicionar o peso e o imenso

 gravame de um problema ainda mais srio e relevante .
 O mundo precisa sempre do

 pugilo de bravos estudiosos que se debruam tranqilos sobre os livros ,

 pesquisam e estudam , enquanto a loucura dos ditadores , dos usurrios e dos

 violentos , se espalha atravs do mundo atormentado e sofredor ....

 Enfim. um terceiro e pondervel motivo de regozijo pela realizao desta X

 Semana de Filosofia  o fato de ter sido consagrada ao Pensamento Medieval .
 As

 pessoas cultas , sem se falar dos especialistas , sabem como se tm multiplicado

 e intensificado no mundo inteiro os estudos e as investigaes sobre a Idade

 Mdia .
 Livros , revistas , congressos , simpsios e semanas , so constantemente

 dedicados aos estudos medievais em vrios pases como [ ...
 ]  confortador ,

 portanto , verificar que o Brasil j se inscreve nessa corte de naes cultas

 que do nfase s pesquisas sobre o pensamento medieval ....

 ...
 Hoje em dia , nos meios cultos , esses preconceitos sebosos , sobre a Idade

 Mdia j foram varridos pela deslumbrante luz da cincia histrica , esse

 perodo de mil anos em que nasceu a Europa , em que se plasmaram as naes

 modernas de que provieram as Amricas ,  estudado e investigado por legies de

 acadmicos e sbios que tornam , a cada dia que passa , mais completo e extenso o

 nosso conhecimento sobre a idade Mdia dos trovadores , das catedrais , das

 universidades e das cavalarias .

 Realizado o Evento , como havia ocorrido com as outras Semanas de

 Filosofia da UnB , desejvamos que as conferncias fossem publicadas pela

 editora da Instituio .
 Isso , porm , infelizmente no aconteceu .

 Entretanto , logo , o Prof. Nelson Gomes se ps em contato com o diretor

 da Faculdade de Filosofia das Faculdades Catlicas de Santos , Estado de So

 Paulo , Pe. Dr. Waldemar Valle Martins , e com o Prof. Jos de S Porto , membro

 do Conselho Editorial do peridico Leopoldianum da mesma Instituio ,

 propondo-lhes a publicao dos textos sob a forma de livro , idia essa acolhida

 prontamente pelos dois mencionados professores que a apresentaram s Edies

 Loyola , na pessoa de seu , ento , diretor Pe. Gabriel Galache SJ , o qual tambm

 a encampou .
 Assim , no ano seguinte , 1983 , veio a lume o 1o volume da srie ,

 atualmente esgotado , intitulado Pensamento Medieval X Semana de Filosofia da

 Universidade de Braslia .

 O xito do Evento , a rpida difuso e aceitao do mencionado livro e o

 apoio de muitos colegas , no transcurso de 1984 , nos estimularam a planejar e a

 organizar um outro volume com os mesmos propsitos .
 Nessa poca , embora , j

 estivssemos a trabalhar na Universidade Federal de Mato Grosso , em Cuiab ,

 tornamos a escrever para vrios colegas , lhes solicitando sua valiosa

 colaborao .
 Alguns colegas brasileiros mantiveram sua atitude de reserva

 perante a nova iniciativa , uma vez mais , no respondendo ao convite .
 Outros ,

 imediatamente aderiram e , indiscutivelmente , expressiva foi a colaborao dos

 colegas portugueses .

 Sem sombra de dvida , para que o novo pudesse vir a lume , foi decisivo

 o apoio do Pe. Dr. Waldemar Valle Martins , do Prof. Jos de S Porto ,

 representando a Sociedade Visconde de So Leopoldo , o peridico Leopoldianum e

 das Edies Loyola .

 Destarte , em dezembro de 1984 , sob o nmero 32 de Leopoldianum , que

 comemorava o seu 10o aniversrio de publicao , ( o qual tambm est esgotado ) ,

 foram estampados mais 10 textos ( Cf. relao dos textos em Publicaes

 1983/2001 , n. 2 ) .

 Desde meados de 1985 , pensamos em realizar um segundo Congresso de

 Filosofia Medieval , quando houvesse transcorrido quatro anos do primeiro .

 Entretanto , havia dois enormes obstculos : onde efetiv-lo , pois , sequer ,

 naquela poca , a Universidade Federal de Mato Grosso tinha o curso de graduao

 em Filosofia , e quem iria publicar os textos apresentados durante o Evento , se

 viesse a acontecer ?

 Aps retomar , por carta , os contatos com os colegas que estavam

 engajados no projeto de estimular e desenvolver a pesquisa em filosofia

 medieval no Brasil , e com outros mais , e ouvir suas sugestes , decidimos

 apresentar a proposta ao , ento , reitor da Universidade Catlica de Santos , Pe .

 Dr. Waldemar Valle Martins que a acolheu favoravelmente , respondendo-a em 17 de

 janeiro de 1986 , dizendo que Instituio nos daria todo apoio e que as

 conferncias , uma vez mais , seriam publicados em nmero especial de

 Leopoldianum em co-edio com Edies Loyola .

 Resolvidas essas questes , escrevemos aos colegas e a outros

 interessados , convidando-os a tomar parte no Evento , a ocorrer entre 16 e 19 de

 setembro de 1986 , nas dependncias da Faculdade de Filosofia da UniSantos .

 Desta vez , a adeso dos colegas brasileiros foi bem mais expressiva , de modo

 que , de posse das respostas de todos que aceitaram o convite , em 16 de abril de

 1986 , encaminhamos ao CNPq um pedido de auxlio para realiz-lo , como de praxe ,

 discriminando todas as despesas com hospedagem e estada completa , passagens e

 pro laboribus destinados a remunerar os conferencistas .

 Infelizmente , dado que a resposta , ainda que favorvel , tardou a chegar

 ( 30 de julho daquele ano ) , alguns colegas estrangeiros , na incerteza quanto se

 obteramos os recursos solicitados ou no , igualmente , levados por outros

 compromissos , a ocorrer um pouco antes ou depois do Congresso de Filosofia

 Medieval , acabaram por desistir de tomar parte do mesmo , fatos esses que nos

 levaram a alterar a programao original .

 Nessa altura , o saudoso Prof. Dr. Jos de S Porto , para alm de j ter

 assumido a funo de Secretrio do Congresso , juntamente conosco , envivamos

 cartas circulares para todos os eventuais participantes do Congresso ,

 informando-os , por exemplo , que a hospedagem deles seria no Hotel Praiano , que

 o Evento ia transcorrer nas dependncias da Faculdade de Filosofia ( FAFI ) ,

 Campus Pompia situado  rua Euclides da Cunha , 267 .
 Por outro lado , deles

 amos recebendo os textos de suas conferncias , porque nossa inteno era

 lanar o volume especial do Peridico , durante a realizao do mesmo .

 Finalmente , chegou o dia 16 de setembro , em que o Congresso foi aberto .

 De novo e de maneira resumida , recorremos ao relato acerca do mesmo ( Publicado

 em sua coluna em O Estado de So Paulo , em 29 de setembro de 1986 , sob o

 ttulo , Bons Estudos em Santos , e re-estampado em Leopoldianum 39 [ 1987 ] :

 155-157 ) , feito pelo Prof. Dr. Ruy Afonso da Costa Nunes :

 ...
 Esse evento cultural merece ser assinalado por dois motivos , dignos de

 relevo e apreciao : o tema da Semana e o ambiente fsico e espiritual em que

 ela decorreu de modo sereno e brilhante [ ...
 ] folgo em poder hoje atestar que ,

 embora as deficincias do ensino na universidade brasileira atribuveis ,

 principalmente ,  baixa remunerao dos mestres universitrios , especialmente

 das Instituies particulares , e  falta de bibliotecas especializadas , pois as

 melhores ainda deixam muito a desejar j existe no Brasil um pugilo de

 brasileiros professores e pesquisadores , consagrados ao cultivo do pensamento

 medieval ,  semelhana do que ocorre em todas as grandes universidades do

 mundo .
 Alis , um dos objetivos destas Semanas , realizadas em Braslia e em

 Santos ,  reunir os estudiosos dos assuntos medievais para acertarem e

 orientarem os cursos em nvel nacional , estimular a pesquisa na rea , e

 produzir textos e tradues para a utilizao dos alunos ....

 ...
 Os trabalhos da ltima Semana em Santos j se acham  disposio dos

 leitores e interessados no volume Filosofia Medieval Estudos e Textos

 ( Leopoldianum , 38 - set .
 1986 ) [ igualmente j esgotado ] .
 O Dr. Jos Antnio de

 Camargo Rodrigues de Souza , do Departamento de Histria da Universidade Federal

 de Mato Grosso , fez a apresentao da Semana e discorreu sobre Miguel de

 Cesena .
 Ao e Pensamento Poltico ( Cf. relao dos textos em Publicaes

 1983/2001 , n .3 ) .

 [ ...
 ] Cada uma das conferncias era coordenada por um moderador que , aps a sua

 interveno abria os debates sobre o tema com a participao dos presentes .
 As

 trocas de idias foram estimulantes , sugestivas e esclarecedoras e decorreram

 em clima de grande interesse , ordem e afabilidade , ultrapassando , de regra , os

 prazos estipulados , devido  intensa colaborao dos congressistas. "

 " No dia 18 de setembro , quinta-feira , aps as exposies e os debates , houve o

 lanamento do livro Filosofia Medieval .
 Estudos e Textos , presidido por dom

 Jos Carlos Castanho de Almeida , vice-presidente da Sociedade Visconde de So

 Leopoldo .
 De seguida , na capela do Cefas , o Coral Gregoriano de Santos , sob

 orientao do regente dr. Jos de S Porto , apresentou uma original sesso

 musicolgica .
 Os componentes do coral [ ...
 ] entoaram , em amostras de breves

 peas , cantos tpicos de salmodia [ ...
 ] hindia [ ...
 ] missa [ ...
 ] tropus origem

 do trova e antfonas .
 Essa apresentao foi muito apreciada , e seguida de um

 coquetel de confraternizao .
 A Semana de Filosofia Medieval ...
 foi encerrada

 pelo Reitor da Universidade , dr. Waldemar Valle Martins , aps os debates da

 ltima sesso , na noite de 19-9-86 ....

 Um ponto alto relacionado com a Semana , que ocorreu no dia 19 de

 setembro , pouco antes do encerramento dos trabalhos , na sede da Reitoria , foi

 uma reunio para programar o que iria ser feito , proximamente , da por diante ,

 ocasio essa em que estiveram presentes o Reitor da UniSantos e vrios

 participantes da Semana .
 Transcrevemos abaixo , as decises tomadas pelos

 presentes ( O referido texto , extrato da Ata lavrada naquela altura , foi

 publicado em Leopoldianum 39 [ 1987 ] : 154-155 ) :

 [ ...
 ] 1 .
 Organizar a partir dos Departamentos ou cursos de Filosofia do Pas um

 cadastro de pessoas que ministram a disciplina Histria da Filosofia Medieval ,

 e em que circunstncias pessoais e profissionais o fazem .

 2 .
 Obter junto aos mesmos Departamentos e Professores informaes acerca da

 bibliografia e das fontes primrias em vernculo [ ...
 ] disponveis [ ...
 ]

 referentes  Filosofia Medieval .

 3 .
 Organizar um cadastro de estudantes de Filosofia que se interessam pela

 Histria da Filosofia Medieval .

 4 .
 Ampliar os contactos com docentes ou alunos , brasileiros e de outros pases

 de lngua portuguesa , que ministram / estudam a matria em questo , ou por ela se

 interessam .

 5 .
 Promover novo congresso / semana semelhante aos eventos anteriores , dentro de

 algum tempo , em local e data a definir .

 6 .
 Continuar , p. ex. a cada dois anos , a publicao , atravs de novos convnios

 de coedio , de outros volumes similares aos j publicados .

 7 .
 Realizar um Curso de Especializao em Histria da Filosofia Medieval ,

 talvez , a partir de 1989 , numa Instituio a ser escolhida , para reciclagem de

 Professores e graduados , com interesse na mesma .

 8 .
 Como principal instrumento para atacar os sete itens precedentes e para

 estudar a possibilidade de se organizar , a mdio prazo , uma Associao de

 pessoas interessadas em Filosofia Medieval foi criada uma Comisso de Filosofia

 Medieval , constante dos professores doutores Jos Antnio de C. Rodrigues de

 Souza ( UFMT ) , presidente , Ruy Nunes ( SP ) , Lus Alberto De Boni ( RS ) e Jos de

 S Porto ( Santos , SP ) .

 Por conseguinte , foi naquela mencionada reunio de 19 de setembro que o

 grupo de pessoas que vinha se interessando pela Filosofia Medieval em nosso

 Pas , tomou o nome de Comisso de Filosofia Medieval .
 Passariam a

 pertencer-lhe , sem nus financeiro algum , todos aqueles que estivessem imbudos

 e dispostos a lutar pelo mesmo propsito .

 Imediatamente , ao final de novembro de 1986 , o secretrio da Comisso ,

 Prof. Dr. Jos de S Porto , depois de haver feito um minucioso levantamento dos

 Cursos de Filosofia no Brasil , e das Instituies que poderiam vir a se

 interessar em nossa proposta , acima citada , expediu as circulares CFM 01 e 02

 dirigidas , respectivamente , aos Diretores de Faculdades e ou Institutos aos

 professores da disciplina em questo .

 Logo , muita gente respondeu queles ofcios circulares , pondo-nos a par

 de boa parte das informaes que desejvamos obter , inclusive o saudoso Amigo ,

 Prof. Francisco da Gama Caeiro , relatando o que se fazia em plagas lusitanas , e

 indicando outros colegas com quem poderamos vir a ampliar nosso

 relacionamento .

 Na metade de fevereiro de 1987 , o Prof. Dr. Francisco Bertelloni , da

 Universidade de Buenos Aires , pela 1a vez , escrevia-nos , tentando obter a cpia

 de um artigo de seu interesse , da autoria de Joo Morais Barbosa , publicado no

 volume de Leopoldianum de 1984 .
 A Comisso ampliava seus contatos pela Amrica

 Latina e ganhava um novo e bravo companheiro .

 Em 3 de outubro de 1987 , ainda meio chocado com os falecimentos dos

 Profs. Raimundo Vier OFM e Nicolas Ber , que tinham se disposto a colaborar com

 a Comisso , atravs do Of .
 Circular CFM 03 , escrevemos a vrios colegas ,

 convidando-os a tomar parte em mais um volume de Leopoldianum a ser publicado

 em dezembro de 1988 , consagrado ao Pensamento Poltico na Alta Idade Mdia .

 Nesse nterim , na Revista Latinoamerica de Filosofia , RLF XIII , 3

 ( 1987 ) : 380-382 , de Buenos Aires , o Prof. Francisco Bertelloni tecia seus

 comentrios sobre o volume intitulado Filosofia Medieval Estudos e Textos , em

 que num passo muito significativo , soube muito bem compreender o esprito que

 animava a Comisso :

 ...
 Entre ls ms destacadas de sus virtudes adems de la ausencia de propsitos

 desmesurados en un mbito sudamericano en el que la medievstica padece la

 ausencia de fuentes originales merecera ser destacado el carcter atpico de

 los estdios que all se ofrecen .
 Por ello , atenindonos a ste y a anteriores

 volmenes de Leopoldianum , ponderamos el echo de que los medievalistas

 brasileros y portugueses hayan sabido obviar el error de centrar los estudios

 medievales en torno de un solo autor y que hayan comprendido que el pensamiento

 medieval es antes la gnesis de una historia cultural en permanente movimiento

 y no un nico dixit. En efecto , para los responsables de este volumen , los

 autores an no consagrados tambin debem ser escuchados. Emprender el estudio

 de nuestro pasado medieval sobre la base de dicho presupuesto es la nica

 manera de hacerlo cientficamente , y ello es ya , por s mismo , um mrito

 considerable .

 Como era de se esperar , dado o fato de o referido volume ser temtico e

 especializado , as adeses no foram muitas , mas conseguimos prepar-lo e ele

 foi publicado conforme o programado , sob o nmero 44 daquele Peridico ( Cf .

 relao dos textos em Publicaes 1983/2001 , n. 4 ) .

 Esgotado este volume , ganhou nova verso ampliada sob o ttulo O Reino

 e o Sacerdcio O Pensamento Poltico na Alta Idade Mdia , o qual foi estampado

 na Coleo Filosofia , nmero 33 , da EDIPUCRS , em 1995 .
 Foram-lhe acrescentados

 os seguintes artigos :

 1 ) A Igreja nascente em face do Estado Romano

 3 ) Leo I : a Ctedra de Pedro e o primado de Roma

 5 ) A sacralizao do poder temporal : Gregrio Magno e Isidoro de Sevilha , de

 autoria do Prof. Dr. Daniel Valle Ribeiro , da Universidade Federal de Minas

 Gerais

 4 ) O pensamento gelasiano a respeito das relaes entre a Igreja e o Imprio

 Romano-Cristo

 10 ) A teocracia imperial no fim da Alta Idade Mdia de lavra do Prof. Dr. Jos

 Antnio de C. R .
 De Souza da UFG , igualmente , organizador do livro .

 Desde o incio de 1989 , comeamos a planejar o 3o Encontro de Filosofia

 Medieval a ocorrer em 1990 , enviando cartas circulares para os eventuais

 interessados .
 Dadas as respostas que recebemos at ao princpio de agosto ,

 nessa altura , podamos informar os colegas de que o Congresso e o livro dele

 decorrente estavam provisoriamente organizados em 4 partes :

 1 ) Teoria do conhecimento e filosofia da linguagem

 2 ) Metafsica

 3 ) tica

 4 ) Poltica

 Outrossim , durante o Congresso , tnhamos em mente tratar dos seguintes

 assuntos :

 a ) Diagnstico e perspectivas quanto ao ensino e  investigao em Filosofia

 Medieval no Brasil , em Portugal e na Argentina

 b ) Possibilidade de criao de um curso de Ps-graduao em Filosofia Medieval

 no Brasil

 c ) Balano das atividades da Comisso de Filosofia Medieval durante o

 quadrinio , eleio da nova diretoria ( Presidente , Vice , Secretrio ) da

 Comisso e planejamento para o prximo quadrinio ( 1990-94 ) .

 Em outubro de 1989 , uma vez mais , a UniSantos confirmava ser a anfitri

 do Congresso que , teria o nome oficial de III Simpsio de Filosofia Medieval ,

 desde que pudssemos contar com o apoio financeiro da FAPESP e do CNPq .
 Sua

 realizao foi programada para ocorrer entre 17 e 21 de setembro de 1990 .
 A

 Editora Leopoldianum e Edies Loyola comprometiam-se a publicar o volume .
 De

 seguida , com a sua eficincia habitual , o Prof. Dr. Jos de S Porto divulgou

 para todos os Departamentos de Filosofia do pas a notcia da realizao do

 Evento bem como sua programao provisria .

 Pela metade de dezembro , juntamente com o Reitor , Pe. Dr. Waldemar

 Martins , encaminhamos pedido de auxlio financeiro  Coordenao de Cincias

 Humanas do CNPq para a realizao do Evento , ento , dirigida pela Sra. Maria

 Cremilda Sucupira Montandon que j conhecia o trabalho da Comisso .

 No princpio de maro de 1990 , a direo superior da UniSantos foi

 substituda , mas nem por isso , os compromissos firmados com a Comisso de

 Filosofia Medieval pelo reitorado precedente foram rompidos .
 Nossos contatos

 ocorriam atravs do Prof. S Porto e da Profa. Mestre Maria Apparecida

 Pereira .

 Enfim , no dia 22 de agosto de 1990 , o CNPq informava-nos que havia

 concedido uma parcela razovel do auxlio solicitado para a realizao do III

 Simpsio de Filosofia Medieval , em passagens nacionais e internacionais e em

 dirias .
  mesma altura , tnhamos em mos todos os textos das conferncias a

 serem proferidas , o que , infelizmente , ia retardar o lanamento do volume e a

 Reitoria da UniSantos tambm nos informava que havia conseguido junto ao

 Comando Militar da P. Militar paulista hospedar todos os participantes do

 Evento nas dependncias do Clube de Oficiais da mesma , localizado  rua Jos

 Bonifcio , 224 , no muito distante do campus Pompia .

 O III Simpsio foi aberto na data programada pelo Magnfico Reitor da

 UniSantos , Prof. Dr. Francisco Prado de Oliveira Ribeiro que , diga-se de

 passagem , juntamente com sua equipe , como j havia ocorrido anteriormente , nos

 proporcionaram uma excelente estada na Instituio .

 As conferncias e o livro contendo-as , intitulado Temas de Filosofia

 Medieval ( estampado em Leopoldianum 48 ( 1990 ) , contendo 290 pginas .
 Cf .

 relao dos textos em Publicaes 1983/2001 , n. 5 ) , conforme havia sido

 planejado e anunciado , foram agrupadas em conjuntos distintos , porm ,

 articulados entre si , observando-se , ainda , o critrio cronolgico relativo ao

 medievo ,  semelhana do que ocorrera nos outros Simpsios e volumes .

 Presenas marcantes neste III Simpsio , para alm dos conferencistas ,

 foram alguns professores que , ento , ensinavam Histria da Filosofia Medieval ,

 tais como , Dr. Joo Lupi , da Universidade Federal de Santa Maria , RS , Dr .

 Sebastio Trogo , da Universidade Federal de Minas Gerais , Dr. Mrio Cella , da

 Universidade Federal do Maranho , bem como simpatizantes da sub-rea de

 conhecimento , tais como o Prof. Dr. Estvo Martins da UnB e a Profa. Silvana

 Romancini Silva do CEUB , e pela 1a vez , alunos de outras instituies e no

 apenas da FAFI , interessados na mesma , designadamente , Ricardo Jos Ramos de

 Arruda e Cludia Lemes / UFG .

 Igualmente , conforme estava programado , no dia 18 de setembro ,  tarde ,

 os presentes ao Simpsio se reuniram na sala 109 da FAFI da UniSantos , para

 deliberar acerca da convenincia ou no de se transformar a Comisso numa

 Sociedade e , posteriormente , fili-la  SIEPM .
 A Ata da reunio registra que ,

 aps os debates , no se chegou a uma concluso definitiva sobre o assunto ,

 devendo ser retomando na reunio do dia seguinte .
 A sugesto de todos ,

 individualmente , a se filiarem  SIEPM e a comparecerem ao prximo Congresso da

 Sociedade a ocorrer em agosto de 1992 em Ottawa ; de serem estreitados e

 ampliados os contatos com os colegas lusitanos , argentinos e de outros pases ,

 foram aprovadas por todos os presentes .

 Na reunio do dia seguinte , 19 de setembro , no mesmo local , a Ata da

 mesma registra que o Secretrio da Comisso , Dr. Jos de S Porto , apresentou a

 todos um relatrio das atividades desenvolvidas pela mesma , o qual foi

 aprovado .
 Em seguida , se tratou da escolha dos novos dirigentes da Comisso .

 Dado que na vspera a Reitoria da UniSantos havia informado que continuaria a

 dar apoio e a abrigar a Comisso , achou-se por bem escolher como secretria da

 mesma , a Profa. Maria Apparecida Franco Pereira , por causa de seu vnculo

 profissional com a Instituio , a qual recebeu anuncia de todos .

 Voltando-se a deliberar sobre quem seria o presidente , a escolha recaiu

 na pessoa do Prof. Dr. Lus Alberto De Boni .
 Igualmente , a Ata registra que

 foram indicados , um vice-presidente na pessoa do Prof. Nachman Falbel ,

 responsvel pela Comisso em So Paulo , e coordenadores regionais , a saber ,

 para o Norte-Nordeste , Prof. Mrio Cella ; Rio de Janeiro , Prof. Danilo

 Marcondes ; Minas e Distrito Federal , Prof. Sebastio Trogo ; Argentina , Prof .

 Francisco Bertelloni e Portugal ( apenas elo de ligao ) , Frei Dr. Joaquim

 Cerqueira Gonalves OFM .

 Empossado na presidncia , o Prof .
 De Boni se props a organizar o IV

 Simpsio em dois anos , em lugar a ser definido posteriormente .

 O III Simpsio foi concludo com a ltima conferncia ,  noite ,

 conforme acima indicado , seguida das palavras de encerramento proferidas pelo

 Magnfico Reitor da UniSantos .
 Logo depois , todos os congressistas e outros

 participantes , como no podia ser de outra forma , se dirigiram a uma peixaria

 ( restaurante ) para saborear os excelentes peixes  moda de Santos .

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