 Instituto de Filosofia do Conhecimento , Lgico e Linguagem

 RESPONSVEL : Paulo Melo ( Professor Auxiliar )

 I - OBJECTIVOS

 1 .
 Promover a investigao na rea da problemtica do conhecimento ,

 desenvolvendo um programa j iniciado pelo Professor Doutor Fernando Gil em

 torno de noes fulcrais como as de evidncia , crena , subjectividade .

 Aprofundar os seguintes temas : a noo do sujeito ( self ) , conscincia e

 intencionalidade , representao , experincia .

 2 .
 Articular a filosofia da lgica com a filosofia da linguagem , questionando

 alguns problemas do par intensional / extensional e suas repercusses

 lgico-lingusticas .

 3 .
 Promover Seminrios , entre professores e estudantes interessados nestes

 temas .

 4 .
 Trazer  Universidade alguns especialistas estrangeiros para conferncias e

 nalguns casos , trabalho em conjunto com os membros do Instituto e outras

 pessoas interessadas .

 5 .
 Organizar cada ano , ou de 18 em 18 meses , um Colquio com a colaborao de

 conferencistas portugueses e estrangeiros .

 6 .
 Dar apoio cientfico , bibliogrfico , e de orientao a estudantes de

 Mestrado ou a Doutorandos que trabalhem sobre estes temas ou outros afins .

 II - PROGRAMA DE INVESTIGAO

 1.As significaes do eu so motivo de controvrsia , desde Descartes e

 Malebranche , e de Hume e Kant at hoje - e assinale-se que o cognitivismo deu

 um novo vigor ao problema do eu ( ...
 ) Em que consiste ento o problema , e quais

 as significaes do eu ?

 O problema .

 Sumariamente dito , parece haver uma desconformidade entre o sentimento da

 unidade da conscincia e a dificuldade , se no a incapacidade , de determinar um

 plo  estvel  de tal unidade .
  um tal plo que temos sobretudo em vista

 quando pensamos o self .

 As significaes .

  Conscincia de mim  ,  sujeito da experincia que tenho da minha prpria vida  ,

 conscincia  pontual  de si , conscincia de uma interioridade , experincia de

 si .

 A nossa reconstruo no inventa entidades , antes as desfaz .
 A adeso ser o

 modo excessivo da estima por si .
 Mas podemos talvez conceber uma auto-estima

 sem a alucinao da  egoidade  .
 O sentimento de existir exprime uma aceitao

 da vida que  talvez a tonalidade humana da auto-organizao biolgica .
 Ele vai

 a par do eu prtico de Kant e de Fichte .

 Haver , neste sentido , uma auto-evidncia , uma evidncia de si ?
 A evidncia

 ser abordade de parceria com o modo epistmico que lhe  prprio : a

 compreenso , ou seja , a apropriao subjectiva dos contedos de conhecimento .

 H que apurar as categorias da compreenso : crena , subjectividade , expectativa

 e preenchimento , intuio , expresso. ( Fernando Gil )

 2 .
 O que  pensar ?
 Tal interrogao  indiscutivelmente uma das questes

 originrias da filosofia .
 Dos Pr-Socrticos a Plato e Aristteles , de

 Aristteles a Frege , e de Frege aos nossos dias , a interrogao sobre a

 natureza do pensamento acompanhou toda a inquirio filosfica .

 A partir de uma interrogao sobre o conceito kantiano de " maneira de pensar

 < Denkungsart > , distinguimos trs maneiras de pensar : maneira de pensar do

 abismo , maneira de pensar da passagem e maneira de pensar do limite .

 Sendo uma das primeiras questes a da intencionalidade , dedicaremos uma ateno

 especial aos pensadores dos fins do sculo XIX / princpios XX como Brentano ,

 Meinong , Bhler , alm de B. Russell , Th .
 Reid , Bradley , Bosanquet , McTaggart ,

 estes ltimos como indiciadores da filosofia na passagem do sculo. ( Paulo

 Tunhas )

 3.Critrios de identificao extensional vs. critrios de identificao

 intensional : suas condies de possibilidades .
 A considerao essencial da

 linguagem a nvel das intenses implica , admitida a sua subdeterminao , a

 indeterminao do critrio identificativo das intenses .
 Isto no sucede com a

 extenso , que se funda ( como um ideal ) no extralingustico. Pressuposta a tese

 da indeterminao , a rejeio das intenses enquanto entidades no

 identificveis unicamente , baseia-se numa impossibilidade originria , e no na

 inexistncia contingente de um mtodo emprico adequado .
 Por outro lado , a

 segurana do critrio extensional advm de uma deciso de princpio , cujo

 sentido limite  o da irrupo do extralingustico em estado puro , i .
  no

 marcado pelo sistema lingustico .
 A varivel objectual como pressuposio de um

 referente relativamente no determinado , isola uma pura dimenso de

 transcendncia que veicula o real alcance ontolgico de uma linguagem .
 Onde a

 varivel  reduzida a um regime substitutivo , essa dimenso deixa-se absorver

 na imanncia da teoria .
 H que distinguir , portanto , tal pressuposio do

 compromisso ontolgico ...
 A ontologia , no seu servio organizador da teoria ,

 parece exaurir-se , de um ponto de vista funcional , na imanncia , i .
  , na

 ideologia , mas o que faz dela propiamente ontologia  a irredutvel dimenso de

 transcendncia que a qualidade objectual da varivel exprime. ( Paulo Melo ) .

 4 .
 Duas obras , dois ttulos podem servir de marcos a uma investigao sobre a

 intencionalidade como marca do psquico na sua globalidade , ou apenas numa zona

 nuclear da experincia psquica : A Descoberta do Esprito de Bruno Snell e A

 Redescoberta da Mente de John Searle .
 O segundo ttulo  , expressamente , uma

 homenagem ao primeiro e prope-se , com a redescoberta da conscincia

 intencional , apresentar uma nova forma de salvar o peculiar da

 intencionalidade .

 " A descoberta do esprito tem um sentido diferente do que expressamos ao dizer

 que Colombo  descobriu  a Amrica .
 A Amrica existia tambm antes da

 descoberta , mas o esprito europeu s comeou a existir em virtude de ter sido

 descoberto ; existe na conscincia que o homem tem de si mesmo .
 Apesar de tudo ,

 servimo-nos aqui com razo da paralavra  descobrir  .
 O esprito no se inventa

 apenas ( ...
 ) , no  algo que se possa conceber arbitrariamente ou configurar 

 vontade , tal como os inventos se ajustam melhor  sua finalidade ; no se dirige

 para um fim concreto como uma inveno mas , num certo sentido , j  existia 

 antes de ser descoberto : s que noutra forma , no como  esprito  " ( Snell ,

 ob.cit. , p. 12 ) .

 Descobrir ou redescobrir o  esprito   tambm , inevitavelmente , redescobrir a

 sua histria .
 Nesta redescoberta encontramo-nos sempre perante grandes

 dificuldades , pois os termos que empregamos , os que foram empregues no passado ,

 dificultam a sua prpria interpretao .
 Encontramo-nos " enredados na nossa

 prpria linguagem e , deste modo , no nosso prprio pensamento " , perante o

 significado de palavras que empregamos correntemente .

 No que diz respeito a palavras estranhas como mente , esprito , alma ,

 conscincia ,  eu  , e familiares suas como representao , inteno , expresso ,

 experincia , encontramo-nos de um modo semelhante enredados em muitos

 pensamentos , teorias , teses e contra-teses .
 Na sequncia do Seminrio de

 Filosofia Contempornea I , prosseguiremos a elucidao conceptual , ou a

 redescoberta de algumas dessas noes , nomeadamente , conscincia e inteno .

 Sendo impossvel traar toda a histria e destino destes dois termos , que

 significam hoje em dia tudo menos isto e aquilo , tentar-se- revisitar a

 redescoberta da noo de intencionalidade nos autores que precederam e

 preconizaram a fenomenologia , at s suas diversas modalizaes na filosofia da

 mente , com o intuito de pensar " a conscincia intencional " , ou elucidar o

 sentido daquilo que Hammlet designa por the pale cast of thought .

 Ao longo das exploraes conceptuais e semnticas destas noes , procuraremos

 ter sempre presente que "  uma grande tentao pretender explicitar o

 esprito " ( Wittgenstein ) .
 As teorias da mente contemporneas e os contributos

 das cincias cognitivas tm tentado tornar " explcita " a mente , o esprito , a

 conscincia ; nesses intentos permanece porm algo de irredutvel , que

 possivelmente constituir a peculiaridade do humano. ( Maria Luisa Couto-Soares )

 Estes 4 tpicos , na sua aparente variedade , in tegram um todo constitudo por

 um conjunto de perguntas fulcrais e originrias na actividade filosfica : O que

  o  eu  ?
 O que  conhecer ?
 O que  pensar ?
 O que significa ser consciente ?
 O

 que   significar  ?

 III - PUBLICAES

 F. Gil - Modos da Evidncia , Imprensa Nacional-Casa da Moeda , 1998

 Paulo Tunhas - " Kant entre Fichte e Mamon : coisa em si e inteligibilidade " ,

 Anlise , n. 20 , 1998 .
 " Tomar a Evidncia a srio " in Modos da Evidncia

 MLusa Couto-Soares - " Exerccios do Olhar " Anlise , n. 20 , 1998 .
 " A Cera e o

 Selo , A fora e a fraqueza de um paradigma " , Revista da Faculdade de Cincias

 Sociais e Humanas , n .10 , 1997 .

 IV - OUTRAS ACTIVIDADES

 Organizao de um Colquio Internacional sobre Fichte no ano 1999 ( data a

 confirmar ) .

 Seminrios livres sobre filosofia e lgica da linguagem : so abordados temas

 como a lgica da identidade , a teoria da analogia , a indeterminao da

 traduo , critrios de identificao extensional , critrios de identidade , etc .

