 PARMETROS CURRICULARES NACIONAIS

 HISTRIA HISTRIA GEOGRAFIA

 Secretaria de Educao Fundamental Iara Glria Areias Prado Departamento de Poltica da Educao Fundamental Virgnia Zlia de Azevedo Rebeis Farha Coordenao-Geral de Estudos e Pesquisas da Educao Fundamental Maria Ins Laranjeira

 PARMETROS CURRICULARES NACIONAIS ( 1 A 4 SRIE ) Volume 1 - Introduo aos Parmetros Curriculares Nacionais Volume 2 - Lngua Portuguesa Volume 3 - Matemtica Volume 4 - Cincias Naturais Volume 5 - Histria e Geografia Volume 6 - Arte Volume 7 - Educao Fsica Volume 8 - Apresentao dos Temas Transversais e tica Volume 9 - Meio Ambiente e Sade Volume 10 - Pluralidade Cultural e Orientao Sexual

 B823p Brasil .
 Secretaria de Educao Fundamental .
 Parmetros curriculares nacionais : histria , geografia / Secretaria de Educao Fundamental .
  Braslia : MEC / SEF , 1997 .
 166p .
 1 .
 Parmetros curriculares nacionais .
 2 .
 Histria : Ensino de primeira  quarta srie .
 I .
 3 .
 Geografia : Ensino de primeira  quarta srie .
 I. Ttulo .
 CDU : 371.214

 MINISTRIO DA EDUCAO E DO DESPORTO

 SECRETARIA DE EDUCAO FUNDAMENTAL

 PARMETROS CURRICULARES NACIONAIS

 HISTRIA GEOGRAFIA

 Braslia 1997

 AO PROFESSOR

  com alegria que colocamos em suas mos os Parmetros Curriculares Nacionais referentes s quatro primeiras sries da Educao Fundamental .
 Nosso objetivo  auxili-lo na execuo de seu trabalho , compartilhando seu esforo dirio de fazer com que as crianas dominem os conhecimentos de que necessitam para crescerem como cidados plenamente reconhecidos e conscientes de seu papel em nossa sociedade .
 Sabemos que isto s ser alcanado se oferecermos  criana brasileira pleno acesso aos recursos culturais relevantes para a conquista de sua cidadania .
 Tais recursos incluem tanto os domnios do saber tradicionalmente presentes no trabalho escolar quanto as preocupaes contemporneas com o meio ambiente , com a sade , com a sexualidade e com as questes ticas relativas  igualdade de direitos ,  dignidade do ser humano e  solidariedade .
 Nesse sentido , o propsito do Ministrio da Educao e do Desporto , ao consolidar os Parmetros ,  apontar metas de qualidade que ajudem o aluno a enfrentar o mundo atual como cidado participativo , reflexivo e autnomo , conhecedor de seus direitos e deveres .
 Para fazer chegar os Parmetros  sua casa um longo caminho foi percorrido .
 Muitos participaram dessa jornada , orgulhosos e honrados de poder contribuir para a melhoria da qualidade do Ensino Fundamental .
 Esta soma de esforos permitiu que eles fossem produzidos no contexto das discusses pedaggicas mais atuais .
 Foram elaborados de modo a servir de referencial para o seu trabalho , respeitando a sua concepo pedaggica prpria e a pluralidade cultural brasileira .
 Note que eles so abertos e flexveis , podendo ser adaptados  realidade de cada regio .
 Estamos certos de que os Parmetros sero instrumento til no apoio s discusses pedaggicas em sua escola , na elaborao de projetos educativos , no planejamento das aulas , na reflexo sobre a prtica educativa e na anlise do material didtico .
 E esperamos , por meio deles , estar contribuindo para a sua atualizao profissional - - um direito seu e , afinal , um dever do Estado .

 Paulo Renato Souza

 Ministro da Educao e do Desporto

 OBJETIVOS GERAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

 Os Parmetros Curriculares Nacionais indicam como objetivos do ensino fundamental que os alunos sejam capazes de :  compreender a cidadania como participao social e poltica , assim como exerccio de direitos e deveres polticos , civis e sociais , adotando , no dia-a-dia , atitudes de solidariedade , cooperao e repdio s injustias , respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito ;  posicionar-se de maneira crtica , responsvel e construtiva nas diferentes situaes sociais , utilizando o dilogo como forma de mediar conflitos e de tomar decises coletivas ;  conhecer caractersticas fundamentais do Brasil nas dimenses sociais , materiais e culturais como meio para construir progressivamente a noo de identidade nacional e pessoal e o sentimento de pertinncia ao Pas ;  conhecer e valorizar a pluralidade do patrimnio sociocultural brasileiro , b e m como aspectos socioculturais de outros povos e naes , posicionando-se contra qualquer discriminao baseada em diferenas culturais , de classe social , de crenas , de sexo , de etnia ou outras caractersticas individuais e sociais ;  perceber-se integrante , dependente e agente transformador do ambiente , identificando seus elementos e as interaes entre eles , contribuindo ativamente para a melhoria do meio ambiente ;  desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e o sentimento de confiana em suas capacidades afetiva , fsica , cognitiva , tica , esttica , de inter-relao pessoal e de insero social , para agir com perseverana na busca de conhecimento e no exerccio da cidadania ;  conhecer e cuidar do prprio corpo , valorizando e adotando hbitos saudveis como um dos aspectos bsicos da qualidade de vida e agindo com responsabilidade em relao  sua sade e  sade coletiva ;  utilizar as diferentes linguagens - - verbal , matemtica , grfica , plstica e corporal - - como meio para produzir , expressar e comunicar suas idias , interpretar e usufruir das produes culturais , em contextos pblicos e privados , atendendo a diferentes intenes e situaes de comunicao ;  saber utilizar diferentes fontes de informao e recursos tecnolgicos para adquirir e construir conhecimentos ;  questionar a realidade formulando-se problemas e tratando de resolvlos , utilizando para isso o pensamento lgico , a criatividade , a intuio , a capacidade de anlise crtica , selecionando procedimentos e verificando sua adequao .

 ESTRUTURA DOS PARMETROS CURRICULARES NACIONAIS PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

 Os quadrinhos no-sombreados correspondem aos itens que sero trabalhados nos Parmetros Curriculares Nacionais de quinta a oitava srie .

 SUMRIO

 HISTRIA

 Apresentao ....................................................................................................
 15 1 PARTE Caracterizao da rea de Histria ..........................................................................
 19 A Histria no ensino fundamental ............................................................................
 19 Entre a Histria Sagrada e a Histria Profana .....................................................
 19 Civilizao e nacionalismo ................................................................................
 21 Da Histria aos Estudos Sociais ..........................................................................
 24 O retorno da Histria e da Geografia ...............................................................
 27 O conhecimento histrico : caractersticas e importncia social ............................
 30 Aprender e ensinar Histria no ensino fundamental ...............................................
 35 Objetivos gerais de Histria para o ensino fundamental ........................................
 41 Contedos de Histria : critrios de seleo e organizao ........................
 43 2 PARTE Primeiro ciclo ....................................................................................................
 49 Ensino e aprendizagem de Histria no primeiro ciclo .............................................
 49 Objetivos de Histria para o primeiro ciclo .............................................................
 50 Contedos de Histria para o primeiro ciclo ...........................................................
 51 Eixo temtico : Histria local e do cotidiano ......................................................
 51 A localidade ...............................................................................................
 53 Comunidade indgena ................................................................................
 55 Contedos comuns s temticas histricas .......................................................
 57 Critrios de avaliao de Histria para o primeiro ciclo .........................................
 58 Segundo ciclo ....................................................................................................
 61 Ensino e aprendizagem de Histria no segundo ciclo .............................................
 61 Objetivos de Histria para o segundo ciclo ............................................................
 62 Contedos de Histria para o segundo ciclo ..........................................................
 63 Eixo temtico : Histria das organizaes populacionais ...................................
 63 Deslocamentos populacionais ....................................................................
 67 Organizaes e lutas de grupos sociais e tnicos .......................................
 69 Organizaes polticas e administraes urbanas ......................................
 69 Organizao histrica e temporal ..............................................................
 71 Contedos comuns s temticas histricas .......................................................
 72 Critrios de avaliao de Histria para o segundo ciclo ........................................
 73 Orientaes didticas ................................................................................................
 75 Orientaes didticas gerais ..................................................................................
 75 Problematizaes ...................................................................................................
 77 Trabalho com documentos ....................................................................................
 78 Trabalho com leitura e interpretao de fontes bibliogrficas ................................
 81 O tempo no estudo da Histria ...............................................................................
 83 O tempo cronolgico ......................................................................................
 84 O tempo da durao .......................................................................................
 85 Ritmos de tempo ..............................................................................................
 86 Recursos didticos ..................................................................................................
 87 Atividades com o tempo ..................................................................................
 87 Estudos do meio ...............................................................................................
 89

 GEOGRAFIA

 Apresentao ....................................................................................................
 99 1 PARTE Caracterizao da rea de Geografia ...........................................................
 103 Geografia no ensino fundamental ........................................................................
 103 Conhecimento geogrfico : caractersticas e importncia social .........................
 109 Aprender e ensinar Geografia no ensino fundamental ................................
 115

 Objetivos gerais de Geografia para o ensino fundamental ...................................
 121 Critrios de seleo e organizao dos contedos de Geografia .......................
 123 2 PARTE Primeiro ciclo ....................................................................................................
 127 Ensino e aprendizagem de Geografia no primeiro ciclo ......................................
 127 Objetivos de Geografia para o primeiro ciclo ......................................................
 130 Blocos temticos e contedos : o estudo da paisagem local ...............................
 131 Tudo  natureza ..............................................................................................
 132 Conservando o ambiente ...............................................................................
 133 Transformando a natureza : diferentes paisagens .............................................
 133 O lugar e a paisagem .....................................................................................
 134 Critrios de avaliao de Geografia para o primeiro ciclo ..................................
 136 Segundo ciclo Ensino e aprendizagem de Geografia no segundo ciclo .....................................
 139 Objetivos de Geografia para o segundo ciclo .....................................................
 143 Blocos temticos e contedos : as paisagens urbanas e rurais , suas caractersticas e relaes .............................................................................
 145 O papel das tecnologias na construo de paisagens urbanas e rurais .........
 145 Informao , comunicao e interao .........................................................
 146 Distncias e velocidades no mundo urbano e no mundo rural .......................
 147 Urbano e rural : modos de vida ........................................................................
 147 Critrios de avaliao de Geografia para o segundo ciclo .................................
 150 Orientaes didticas ..............................................................................................
 153 Leitura da paisagem .............................................................................................
 153 Descrio e observao ......................................................................................
 155 Explicao e interao ........................................................................................
 155 Territorialidade e extenso ....................................................................................
 156 Analogia ....................................................................................................
 157 A representao do espao no estudo da Geografia .........................................
 157 Bibliografia Histria ....................................................................................................
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 HISTRIA HISTRIA

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 APRESENTAO

 A proposta de Histria , para o ensino fundamental , foi concebida para proporcionar reflexes e debates sobre a importncia dessa rea curricular na formao dos estudantes , como referncias aos educadores , na busca de prticas que estimulem e incentivem o desejo pelo conhecimento .
 O texto apresenta princpios , conceitos e orientaes para atividades que possibilitem aos alunos a realizao de leituras crticas dos espaos , das culturas e das histrias do seu cotidiano .
 O documento est organizado em duas partes .
 Cada uma delas pode ser consultada de acordo com o interesse mais imediato : aprofundamento terico , definio de objetivos amplos , discernimento das particularidades da rea , sugestes de prticas , possibilidades de recursos didticos , entre outros .
 Mas recomenda-se a leitura na ntegra para uma viso abrangente da rea .
 Na primeira parte , analisam-se algumas concepes curriculares elaboradas para o ensino de Histria no Brasil e apontam-se as caractersticas , a importncia , os princpios e os conceitos pertinentes ao saber histrico escolar .
 Tambm esto explicitados os objetivos gerais da rea para o ensino fundamental .
 So eles que sintetizam as intencionalidades das escolhas conceituais , metodolgicas e de contedos , delineados na proposta .
 Na segunda parte , so apresentados os eixos temticos para as primeiras quatro sries e os critrios que fundamentam as suas escolhas .
 So discutidas , ainda , as articulaes dos contedos de Histria com os Temas Transversais .
 A seguir , encontram-se os princpios de ensino , os objetivos , os eixos temticos e os critrios de avaliao propostos .
 Os contedos so apresentados de modo a tornar possvel recri-los , considerando a realidade local e / ou questes sociais contemporneas .
 As orientaes didticas destacam pontos importantes da prtica de ensino e da relao dos alunos com o conhecimento histrico , que ajudam o professor na criao e avaliao de atividades no dia-a-dia .
 Secretaria de Educao Fundamental

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 HISTRIA HISTRIA

 1 PARTE

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 CARACTERIZAO DA REA DE HISTRIA A Histria no ensino fundamental

 ENTRE A HISTRIA SAGRADA E A HISTRIA PROFANA A partir da constituio do Estado brasileiro a Histria tem sido um contedo constante do currculo da escola elementar .
 O Decreto das Escolas de Primeiras Letras , de 1827 , a primeira lei sobre a instruo nacional do Imprio do Brasil , estabelecia que " os professores ensinariam a ler , a escrever , as quatro operaes de aritmtica ( ...
 ) , a gramtica da lngua nacional , os princpios de moral crist e de doutrina da religio catlica e apostlica romana , proporcionadas  compreenso dos meninos ; preferindo , para o ensino da leitura , a Constituio do Imprio e Histria do Brasil " .
 O texto do decreto revelava que a escola elementar destinava-se a fornecer conhecimentos p o l  t i c o s rudimentares e uma formao moral crist  populao .
 A Histria a ser ensinada compreendia Histria Civil articulada  Histria Sagrada ; enquanto esta utilizava-se do conhecimento histrico como catequese , um instrumento de aprender a moral crist , aquela o utilizava para pretextos cvicos .
 As propostas vigentes no ensino no distinguiam as idias morais e religiosas das histrias polticas dos Estados , nem dos costumes dos povos .
 No perodo do Imprio prevaleceu a presena do ensino religioso no currculo escolar das escolas de primeiras letras e no nvel secundrio , visando dar legitimidade  aliana estabelecida entre o Estado e a Igreja .
 Apesar das intenes legislativas , a Histria aparecia como disciplina optativa do currculo nos programas das escolas elementares .
 Os planos de estudos das escolas elementares das provncias que as criaram , na maioria das vezes , instituam " noes de geografia e de histria , principalmente , a nacional " como disciplinas " permitidas " pelas autoridades e consideradas facultativas ao ensino elementar .
 A constituio da Histria como disciplina escolar autnoma ocorreu apenas em 1837 , com a criao do Colgio Pedro II , o primeiro colgio secundrio do Pas , que apesar de pblico era pago e destinado s elites .
 Como a regulamentao da disciplina seguiu o modelo francs , a Histria Universal acabou predominando no currculo , mas se manteve a Histria Sagrada .
 A Histria do Brasil foi introduzida no ensino secundrio depois de 1855 e , logo aps , foram desenvolvidos programas para as escolas elementares .
 Mas ao lado da Histria Nacional , a Histria Sagrada tambm apareceu como matria constitutiva do programa das escolas elementares , como contedo integrante de educao moral e religiosa .
 Por volta de 1870 , sob influncia das concepes cientificistas que travaram um embate com os setores conservadores ligados a um ensino moralizante dominado pela Igreja Catlica , os programas curriculares das escolas elementares foram sendo ampliados com a incorporao das disciplinas de cincias fsicas , de Histria Natural , com a adoo dos preceitos metodolgicos das chamadas " lies de coisas " e a incluso de tpicos sobre Histria e Geografia Universal , Histria do Brasil e Histria Regional .
 Para os educadores desejosos de ampliar as disciplinas do ensino elementar , o ensino de Histria teria dois objetivos .
 Serviria como lies de leitura , com temas menos ridos , " para incitar a imaginao dos meninos " e para fortificar o " senso moral " , aliando-se  Instruo Cvica , disciplina que deveria substituir a " Instruo Religiosa " .

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 No final da dcada de 1870 foram feitas novas reformulaes dos currculos das escolas primrias visando criar um programa de Histria Profana mais extenso e eliminar a Histria Sagrada .
 Tal fato traduzia a atmosfera das discusses sobre o fim da escravido , a transformao do regime poltico do Imprio para a Repblica e a retomada dos debates sobre o ensino laico , visando dessa vez a separao entre o Estado e a Igreja Catlica e sua ampliao para outros segmentos sociais .
 Se do ponto de vista do programa curricular a Histria no Imprio dividiu-se entre a Histria P r o f a n a e a Histria Sagrada , o mesmo no se poderia afirmar sobre a histria ensinada .
 A precariedade das escolas elementares indicavam que entre as propostas de ensino e sua efetivao na sala de aula existiu sempre um hiato .
 Em geral , as salas de aula eram palco de uma prtica bastante simplificada .
 Por isso , as autoridades escolares exigiam dos professores o cumprimento mnimo da parte obrigatria composta de leitura e escrita , noes de Gramtica , princpios de Aritmtica e o ensino da Doutrina Religiosa .
 As disciplinas consideradas facultativas raramente eram ensinadas , o que fez a Histria Sagrada predominar sobre a Histria Civil nacional .
 Os programas de Histria do Brasil seguiam o modelo consagrado pela Histria Sagrada , substituindo as narrativas morais sobre a vida dos santos por aes histricas realizadas pelos heris considerados construtores da nao , especialmente governantes e clrigos .
 A ordem dos acontecimentos era articulada pela sucesso de reis e pelas lutas contra os invasores estrangeiros , de tal forma que a histria culminava com os " grandes eventos " da " Independncia " e da " Constituio do Estado Nacional " , responsveis pela conduo do Brasil ao destino de ser uma " grande nao " .
 Os mtodos de ensino ento aplicados nas aulas de Histria eram baseados na memorizao e na repetio oral dos textos escritos .
 Os materiais didticos eram escassos , restringindo-se  fala do professor e aos poucos livros didticos compostos segundo o modelo dos catecismos com perguntas e respostas , facilitando as argies .
 Desse modo , ensinar Histria era transmitir os pontos estabelecidos nos livros , dentro do programa oficial , e considerava-se que aprender Histria reduziase a saber repetir as lies recebidas .
 CIVILIZAO E NACIONALISMO No final do sculo XIX , com a abolio da escravatura , a implantao da Repblica , a busca da racionalizao das relaes de trabalho e o processo migratrio , houve novos desafios polticos .
 Nesse contexto ganharam fora as propostas que apontavam a educao , em especial a elementar , c o m o forma de realizar a transformao do Pas .
 O regime republicano , sob a gide de um nacionalismo patritico , buscava inserir a nao num esprito cvico .
 A escola elementar seria o agente da eliminao do analfabetismo ao mesmo tempo em que efetuaria a moralizao do povo e a assimilao dos imigrantes estrangeiros no interior de uma ideologia nacionalista e elitista que apontava a cada segmento o seu lugar no contexto social .
 No plano do currculo , os embates e disputas sobre a reelaborao de determinados contedos foram essenciais para a definio das disciplinas escolares , dividindo aqueles que o desejavam baseado em disciplinas mais cientficas , portanto , mais tcnicas e prticas , adequadas  modernizao , e aqueles que defendiam as disciplinas literrias , entendidas como formadoras do esprito .
 Como resultado das disputas , as disciplinas escolares foram obtendo maior autonomia , afirmando seus objetivos , formando um corpo prprio de conhecimentos , desenvolvendo mtodos pedaggicos .
 A Histria passou a ocupar no currculo um duplo papel : o civilizatrio e o patritico , formando , ao lado da Geografia e da Lngua Ptria , o trip da nacionalidade , cuja misso na escola elementar seria o de modelar um novo tipo de trabalhador : o cidado patritico .

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 A Histria da Civilizao substituiu a Histria Universal .
 Com isso completava-se o afastamento entre o laico e o sagrado na Histria , deslocando-se o motor dos acontecimentos da religio para o processo civilizatrio , identificado com os prprios desgnios divinos .
 O Estado passou a ser visto c o m o o principal agente histrico condutor das sociedades ao estgio civilizatrio .
 Por isso abandonou-se a periodizao da Histria Universal , que identificava os Tempos Antigos com o tempo bblico da criao , com o predomnio do sagrado sobre o tempo histrico , e passou-se ao estudo da Antiguidade do Egito e da Mesopotmia , momento de gnese da Civilizao com o aparecimento de um Estado forte , centralizado e uma cultura escrita .
 A Histria Nacional identificava-se com a Histria Ptria , cuja misso , juntamente com a Histria da Civilizao , era de integrar o povo brasileiro  moderna civilizao ocidental .
 A Histria Ptria era entendida como o alicerce da " pedagogia do cidado " , seus contedos deveriam enfatizar as tradies de um passado homogneo , com feitos gloriosos de clebres personagens histricos nas lutas pela defesa do territrio e da unidade nacional .
 A moral religiosa foi substituda pelo civismo , sendo que os contedos patriticos no deveriam ficar restritos ao mbito especfico da sala de aula .
 Desenvolveram-se , nas escolas , prticas e rituais como festas e desfiles cvicos , eventos comemorativos , celebraes de culto aos smbolos da Ptria , que deveriam envolver o conjunto da escola demarcando o ritmo do cotidiano escolar .
 Nas primeiras dcadas do sculo XX os governos republicanos realizaram sucessivas reformas mas pouco fizeram para alterar a situao da escola pblica .
 Mesmo assim , o perodo constituiu-se num momento de fortalecimento do debate em torno dos problemas educacionais e surgiram propostas alternativas ao modelo oficial de ensino , logo reprimidas pelo governo republicano , como as escolas anarquistas , com currculo e mtodos prprios de ensino , no qual a Histria identificavase com os principais momentos das lutas sociais , como a Revoluo Francesa , a Comuna de Paris , a Abolio .
 A partir de 1930 , com a criao do Ministrio da Educao e Sade Pblica e a Reforma Francisco Campos , acentuou-se o fortalecimento do poder central do Estado e do controle sobre o ensino .
 O ensino de Histria era idntico em todo o Pas , dando nfase ao estudo de Histria Geral , sendo o Brasil e a Amrica apndices da civilizao ocidental .
 Ao mesmo tempo refletia-se na educao a influncia das propostas do movimento escolanovista , inspirado na pedagogia norteamericana , que propunha a introduo dos chamados Estudos Sociais , no currculo escolar , em substituio a Histria e Geografia , especialmente para o ensino elementar .
 Com o processo de industrializao e urbanizao , se repensou sobre a incluso do povo brasileiro na Histria .
 Enquanto alguns identificavam as razes do atraso econmico do Pas no predomnio de uma populao mestia , outros apontavam a necessidade de se buscar conhecer a identidade nacional , suas especificidades culturais em relao aos outros pases , como meio de assegurar condies de igualdade na integrao da sociedade brasileira  civilizao ocidental .
 Nos programas e livros didticos , a Histria ensinada incorporou a tese da democracia racial , da ausncia de preconceitos raciais e tnicos .
 Nessa perspectiva , o povo brasileiro era formado por brancos descendentes de portugueses , ndios e negros , e , a partir dessa trade , por mestios , compondo conjuntos harmnicos de convivncia dentro de uma sociedade multirracial e sem conflitos , cada qual colaborando com seu trabalho para a grandeza e riqueza do Pas .
 Ao longo desse perodo , poucas mudanas aconteceram em nvel metodolgico .
 Apesar das propostas dos escolanovistas de substituio dos mtodos mnemnicos pelos mtodos ativos , com aulas mais dinmicas , centradas nas atividades do aluno , com a realizao de trabalhos concretos

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 como fazer maquetes , visitar museus , assistir a filmes , comparar fatos e pocas , coordenar os conhecimentos histricos aos geogrficos , o que predominava era a memorizao e as festividades cvicas que passaram a ser parte fundamental do cotidiano escolar .
 A prtica recorrente das salas de aula continuou sendo a de recitar as " lies de cor " , com datas e nomes dos personagens considerados mais significativos da Histria .
 O aumento da importncia dos exames finais de admisso ao ginsio ou ao ensino superior acabavam por consagrar , conjuntamente com a produo didtica , uma seleo tradicional dos contedos que eram vistos como a garantia de um bom desempenho dos alunos nesses exames .
 DA HISTRIA AOS ESTUDOS SOCIAIS Da Segunda Guerra Mundial at o final da dcada de 70 foi um perodo de lutas pela especificidade da Histria e pelo avano dos Estudos Sociais no currculo escolar .
 Podem-se identificar dois momentos significativos nesse processo : o primeiro ocorreu no contexto da democratizao do Pas com o fim da ditadura Vargas e o segundo durante o governo militar .
 N o s anos imediatos ao ps-guerra , a Histria passou a ser considerada , pela poltica internacional , como uma disciplina significativa na formao de uma cidadania para a paz , merecendo cuidados especiais tanto na organizao curricular quanto na produo dos materiais didticos .
 A Unesco passou a interferir na elaborao de livros escolares e nas propostas curriculares , indicando possveis perigos na nfase dada s histrias de guerras , no modo de apresentar a histria nacional e nas questes raciais , em especial na disseminao de idias racistas e preconceituosas .
 A Histria deveria revestir-se de um contedo mais humanstico e pacifista , voltando-se ao estudo dos processos de desenvolvimento econmico das sociedades , bem como dos avanos tecnolgicos , cientficos e culturais da humanidade .
 No plano da educao elementar a tendncia era substituir Histria e Geografia por Estudos Sociais .
 Essa proposta renovava o enfoque da disciplina que perdia o carter do projeto nacionalista cvico e moralizante , marcando a penetrao da viso norte-americana nos currculos bra - sileiros .
 No incio dos anos 50 foi estabelecida uma nova seriao de Histria Geral e do Brasil para o ensino secundrio , por influncias de historiadores profissionais formados pelas universidades .
 Ao longo das dcadas de 50 e 60 , sob inspirao do nacional-desenvolvimentismo , e da presena americana na vida econmica brasileira , o ensino de Histria , no nvel secundrio , voltouse especialmente para o espao americano , fortalecendo o lugar da Histria da Amrica no currculo , com a predominncia da Histria dos Estados Unidos .
 A temtica econmica ganhou espao na disciplina com o estudo dos ciclos econmicos .
 A Histria era entendida a partir da sucesso linear d o s centros econmicos hegemnicos da cana-de-acar , minerao , caf e industrializao .
 Paralelamente , introduziam-se , nos cursos das escolas experimentais e vocacionais , os programas de Estudos Sociais .
 As experincias no ensino elementar centravam-se no desenvolvimento da idia dos crculos concntricos , indicando o predomnio de um discurso de homogeneizao , de educao para o trabalho , de um preparo voltado para o advento do mundo urbano e industrial .
 No nvel secundrio foram propostos estudos econmicos baseados nos " modos de produo " , sob a influncia da historiografia marxista , como os do grupo que lanou uma produo didtica chamada Histria Nova , com uma abordagem histrica que enfatizava as transformaes econmicas e os conflitos entre as classes sociais , em detrimento da histria tradicional que valorizava o poltico e a trajetria vitoriosa da classe burguesa na consolidao harmoniosa do mundo moderno .

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 Nas escolas primrias , apesar das propostas de Estudos Sociais , prevaleciam os conhecimentos histricos baseados nas festividades cvicas , e nas sries finais preparavam-se os alunos com resumos da Histria colonial , imperial e republicana para atender ao programa dos exames de admisso .
 A consolidao dos Estudos Sociais em substituio a Histria e Geografia ocorreu a partir da Lei n. 5.692/71 , durante o governo militar .
 Os Estudos Sociais constituram-se ao lado da Educao Moral e Cvica em fundamentos dos estudos histricos , mesclados por temas de Geografia centrados nos crculos concntricos .
 Com a substituio por Estudos Sociais os contedos de Histria e Geografia foram esvaziados ou diludos , ganhando contornos ideolgicos de um ufanismo nacionalista destinado a justificar o projeto nacional organizado pelo governo militar implantado no Pas a partir de 1964 .
 A organizao das propostas curriculares de Estudos Sociais em crculos concntricos tinha como pressuposto que os estudos sobre a sociedade deveriam estar vinculados aos estgios de desenvolvimento psicolgico do aluno , devendo , pois , partir do concreto ao abstrato em etapas sucessivas .
 Assim iniciava-se o estudo do mais prximo , a comunidade ou o bairro , indo sucessivamente ao mais distante , o municpio , o estado , o pas , o mundo .
 Os contedos ordenados hierarquicamente deveriam respeitar a faixa etria do aluno , por isso a histria do mundo no deveria ser ensinada na escola primria , por ser considerada distante e abstrata .
 Essa viso da disciplina gerou os chamados pr-requisitos de aprendizagem , configurando-se a necessidade da aquisio de noes e de conceitos relacionados s Cincias Humanas .
 Para compreender a Histria o aluno deveria dominar , em princpio , a noo de tempo histrico .
 No entanto , o desenvolvimento dessa noo no ensino limitava-se a atividades de organizao do tempo cronolgico e de sucesso como dataes , calendrio , ordenao temporal , seqncia passadopresente-futuro .
 A linha do tempo , amarrada a uma viso linear e progressiva dos acontecimentos , foi sistematicamente utilizada como referncia para distinguir os " perodos histricos " .
 Mas as transformaes ocorridas durante o governo militar no se limitaram s mudanas no currculo e nos mtodos de ensino .
 O fim do exame de admisso e o ensino obrigatrio de oito anos da escola de primeiro grau trouxeram mudanas significativas no pblico escolar .
 Todavia ,  medida que eram ampliadas as oportunidades de acesso  escola para a maioria da populao , ocorria uma paradoxal deteriorao da qualidade do ensino pblico .
 Para atender  demanda de profissionais da rea de Estudos Sociais os governos militares permitiram a criao dos cursos de Licenciatura Curta o que contribuiu para o avano das entidades privadas no ensino superior e uma desqualificao profissional do docente .
 Alm disso , os Estudos Sociais , que praticamente ignoravam as reas de conhecimentos especficos em favor de saberes puramente escolares , contriburam para um afastamento entre as universidades e as escolas de primeiro e segundo graus .
 Isso prejudicou o dilogo entre pesquisa acadmica e o saber escolar , bem como atrasou as necessrias introdues de reformulaes do conhecimento histrico e das cincias pedaggicas no mbito escolar .
 No decorrer dos anos 70 as lutas de profissionais , desde a sala de aula at a universidade , ganharam maior expresso com o crescimento das associaes de historiadores e gegrafos ( ANPUH e AGB ) que se abriram aos docentes , e seu engajamento na batalha pela volta de Histria e Geografia aos currculos escolares e extino dos cursos de Licenciatura de Estudos Sociais .

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 O RETORNO DA HISTRIA E DA GEOGRAFIA No processo de democratizao dos anos 80 os conhecimentos escolares passaram a ser questionados e redefinidos por reformas curriculares .
 As transformaes da clientela escolar composta de vrios grupos sociais que viviam um intenso processo de migrao , do campo para as cidades , e entre os Estados , com acentuado processo de diferenciao econmica e social , foravam mudanas no espao escolar .
 As novas geraes de alunos habituavam-se  presena de novas tecnologias de comunicao , especialmente o rdio e a televiso , que se tornaram canais de informao e de formao cultural .
 Entrava pelas portas das escolas uma nova realidade que no poderia ser mais ignorada .
 O currculo real forava mudanas no currculo formal .
 Essas mudanas passaram a ser consideradas e discutidas pelos diversos agentes educacionais preocupados em absorv-las  organizao e ao currculo escolar .
 Os professores tornaram-se uma importante voz na configurao do saber escolar , diminuindo o poder dos chamados " tcnicos educacionais " .
 Nesse contexto iniciaram-se as discusses sobre o retorno da Histria e da Geografia ao currculo escolar a partir das sries iniciais de escolarizao .
 Reforaram-se os dilogos entre pesquisadores e docentes do ensino mdio , ao mesmo tempo em que se assistia a uma expanso dos cursos de ps-graduao em Histria , com presena significativa de professores de primeiro e segundo graus , cuja produo foi absorvida parcialmente pela expanso editorial na rea do ensino de Histria e da historiografia .
 As propostas curriculares passaram a ser influenciadas pelo debate entre as diversas tendncias historiogrficas .
 Os historiadores voltaram-se para a abordagem de novas problemticas e temticas de estudo , sensibilizados por questes ligadas  histria social , cultural e do cotidiano , sugerindo possibilidades de rever no ensino fundamental o formalismo da abordagem histrica tradicional .
 A histria chamada " tradicional " sofreu diferentes contestaes .
 Suas vertentes historiogrficas de apoio , quer sejam o positivismo , o estruturalismo , o marxismo ortodoxo ou o historicismo , produtoras de grandes snteses , constituidoras de macrobjetos , estruturas ou modos de produo , f o r a m colocadas sob suspeio .
 A apresentao do processo histrico como a seriao dos acontecimentos num eixo espao-temporal europocntrico , seguindo um processo evolutivo e seqncia de etapas que cumpriam um trajetria obrigatria , foi denunciada como redutora da capacidade do aluno , como sujeito comum , de se sentir parte integrante e agente de uma histria que desconsiderava sua vivncia , e era apresentada como um produto pronto e acabado .
 Introduziuse a chamada Histria Crtica , pretendendo desenvolver com os alunos atitudes intelectuais de desmistificao das ideologias , possibilitando a anlise das manipulaes dos meios de comunicao de massas e da sociedade de consumo .
 Paralelamente s anlises historiogrficas , ocorreram novos estudos no mbito das cincias pedaggicas , especialmente no campo da psicologia cognitiva e social .
 Difundiam-se estudos sobre o processo de ensino e aprendizagem nos quais os alunos eram considerados como participantes ativos do processo de construo do conhecimento .
 Uma perspectiva que , para o ensino de Histria , significava valorizar atitudes ativas do sujeito como construtor de sua histria , em consonncia com a viso de alguns educadores sobre propostas pedaggicas construtivistas .
 Os currculos foram ampliados com contedos de Histria a partir das escolas de educao infantil e nos primeiros anos do ensino fundamental .
 Os contedos passaram a ser avaliados quanto s necessidades de atender um pblico ligado a um presentesmo intenso , voltado para idias de mudanas constantes do novo cotidiano tecnolgico .

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 Os professores passaram a perceber a impossibilidade de se transmitir nas aulas o conhecimento de toda a Histria da humanidade em todos os tempos , buscando alternativas s prticas reducionistas e simplificadoras da histria oficial .
 Questionando-se sobre se deveriam iniciar o ensino da Histria por Histria do Brasil ou Geral alguns professores optaram por uma ordenao seqencial e processual que intercalasse os contedos das duas histrias num processo contnuo da Antiguidade at nossos dias .
 Outros optaram por trabalhar com temas e , nessa perspectiva , desenvolveram-se as primeiras propostas de ensino por eixos temticos .
 Para os que optaram pela segunda via , iniciou-se um debate , ainda em curso , sobre as questes relacionadas ao tempo histrico , revendo a sua dimenso cronolgica , as concepes de linearidade e progressividade do processo histrico , as noes de decadncia e de evoluo .
 Os mtodos tradicionais de ensino tm sido questionados com maior nfase .
 Os livros didticos , difundidos amplamente e enraizados nas prticas escolares , passaram a ser questionados em relao aos contedos e exerccios propostos .
 A simplificao dos textos , os contedos carregados de ideologias , os testes ou exerccios sem exigncia de nenhum raciocnio so apontados como comprometedores de qualquer avano que se faa no campo curricular formal .
 Dessa forma , o ensino de Histria atualmente est em processo de mudanas substantivas em seu contedo e mtodo .
 Muitas vezes no ensino fundamental , em particular na escola primria , a Histria tem permanecido distante dos interesses do aluno , presa s frmulas prontas do discurso dos livros didticos ou relegada a prticas espordicas determinadas pelo calendrio cvico .
 Reafirmar sua importncia no currculo no se prende somente a uma preocupao com a identidade nacional , mas sobretudo no que a disciplina pode dar como contribuio especfica ao desenvolvimento dos alunos como sujeitos conscientes , capazes de entender a Histria como conhecimento , como experincia e prtica de cidadania .

 O conhecimento histrico : caractersticas e importncia social

 Nas ltimas dcadas , o conhecimento histrico tem sido ampliado por pesquisas que tm t r a n s f o r m a d o seu campo de atuao .
 Houve questionamentos significativos , por parte dos historiadores , relativos aos agentes condutores da histria - - indivduos e classes sociais - - , sobre os povos nos quais os estudos histricos devem se concentrar , sobre as fontes documentais que devem ou podem ser usadas nas pesquisas e quais as ordenaes temporais que devem ou podem prevalecer .
 Tem sido criticada , simultaneamente , uma produo histrica que legitima determinados setores da sociedade , vistos como nicos condutores da poltica da nao e de seus avanos econmicos .
 Tem sido considerada , por sua vez , a atuao dos diversos grupos e classes sociais e suas diferentes formas de participao na configurao das realidades presentes , passadas e futuras .
 A aproximao da Histria com as demais cincias sociais , em especial com a Antropologia , ampliou os estudos de povos de todos os continentes , redimensionando os estudos de populaes no-europias .
 A multiplicidade de povos e de culturas em tempos e espaos diferentes tem sido estudada , considerando-se a diversidade de vivncias no interior de uma dada sociedade , na medida

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 em que grupos e classes sociais manifestam especificidades de linguagens , de representaes de mundo , de valores , de relaes interpessoais e de criaes cotidianas .
 O questionamento sobre o uso exclusivo de fontes escritas levou a investigao histrica a considerar a importncia da utilizao de outras fontes documentais , aperfeioando mtodos de leitura de forma a abranger as vrias formas de registros produzidos .
 A comunicao entre os homens , alm de escrita ,  oral , gestual , figurada , musical e rtmica .
 O aprofundamento de estudos de diversos grupos sociais e povos trouxe como resultado tambm transformaes nas concepes de tempo , rompendo com a idia de um nico tempo contnuo e evolutivo para toda a humanidade .
 Os estudos consideram que , no confronto entre povos , grupos e classes , a realidade  moldada por descontinuidades polticas , por rupturas nas lutas , por momentos de permanncias de costumes ou valores , por transformaes rpidas e lentas .
 O conhecimento histrico , como rea cientfica , tem influenciado o ensino , afetando os contedos e os mtodos tradicionais de aprendizagem .
 Contudo , no tm sido essas transformaes as nicas a afetarem o ensino de Histria .
 As escolhas do que e como ensinar so provenientes de uma srie de fatores e no exclusivamente das mudanas historiogrficas .
 Relacionam-se com a s  r i e de transformaes da sociedade , especialmente a expanso escolar para um pblico c u l t u r a l m e n t e diversificado , com a intensa relao entre os estudantes com as informaes difundidas pelos meios de comunicao , com as contribuies pedaggicas - - especialmente da Psicologia social e cognitiva - - e com propostas pedaggicas que defendem trabalhos de natureza interdisciplinar .
 O ensino de Histria possui objetivos especficos , sendo um dos mais relevantes o que se relaciona  constituio da noo de identidade .
 Assim ,  primordial que o ensino de Histria estabelea relaes entre identidades individuais , sociais e coletivas , entre as quais as que se constituem como nacionais .
 Para a sociedade brasileira atual , a questo da identidade tem se tornado um tema de dimenses abrangentes , uma vez que se vive um extenso processo migratrio que tem desarticulado formas tradicionais de relaes sociais e culturais .
 Nesse processo migratrio , a perda da identidade tem a p r e s e n t a d o situaes alarmantes , desestruturando relaes historicamente estabelecidas , desagregando valores cujo alcance ainda no se pode avaliar .
 Dentro dessa perspectiva , o ensino de Histria tende a desempenhar um papel mais relevante na formao da cidadania , envolvendo a reflexo sobre a atuao do indivduo em suas relaes pessoais com o grupo de convvio , suas afetividades e sua participao no coletivo .
 Surgem , a partir dessa dimenso , desafios para o trabalho histrico que visa  constituio de uma identidade social do estudante , fundada no passado comum do seu grupo de convvio mas articulada  histria da populao brasileira .
 Assim , os estudos histricos devem abranger trs aspectos fundamentais .
 Inicialmente , a incluso da constituio da identidade social nas propostas educacionais para o ensino de Histria necessita um tratamento capaz de situar a relao entre o particular e o geral , quer se trate do indivduo , sua ao e seu papel na sua localidade e cultura , quer se trate das relaes entre a localidade especfica , a sociedade nacional e o mundo .
 Do trabalho com a identidade decorre , tambm , a questo da construo das noes de diferenas e de semelhanas .
 Nesse aspecto ,  importante a compreenso do " eu " e a percepo

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 do " outro " , do estranho , que se apresenta como algum diferente .
 Para existir a compreenso do " outro " , os estudos devem permitir a identificao das diferenas no prprio grupo de convvio , considerando os jovens e os velhos , os homens e as mulheres , as crianas e os adultos , e o " outro " exterior , o " forasteiro " , aquele que vive em outro local .
 Para existir a compreenso do " ns " ,  importante a identificao de elementos culturais comuns no grupo local e comum a toda a populao nacional e , ainda , a percepo de que outros grupos e povos , prximos ou distantes no tempo e no espao , constroem modos de vida diferenciados .
 O trabalho com identidade envolve um terceiro aspecto : a construo de noes de continuidade e de permanncia .
  fundamental a percepo de que o " eu " e o " ns " so distintos de " outros " de outros tempos , que viviam , compreendiam o mundo , trabalhavam , vestiam-se e se relacionavam de outra maneira .
 Ao mesmo tempo ,  importante a compreenso de que o " outro "  , simultaneamente , o " antepassado " , aquele que legou uma histria e um mundo especfico para ser vivido e transformado .
 O conhecimento do " outro " possibilita , especialmente , aumentar o conhecimento do estudante sobre si mesmo ,  medida que conhece outras formas de viver , as diferentes histrias vividas pelas diversas culturas , de tempos e espaos diferentes .
 Conhecer o " outro " e o " ns " significa comparar situaes e estabelecer relaes e , nesse processo comparativo e relacional , o conhecimento do aluno sobre si mesmo , sobre seu grupo , sobre sua regio e seu pas aumenta consideravelmente .
 E s s a s consideraes so importantes para explicitar os objetivos , os contedos e as metodologias do ensino de Histria que esto sendo propostos , neste documento , para os dois primeiros ciclos do ensino fundamental .
 Considera-se , ento , que o ensino de Histria envolve relaes e compromissos com o conhecimento histrico , de carter cientfico , com reflexes que se processam no nvel pedaggico e com a construo de uma identidade social pelo estudante , relacionada s complexidades inerentes  realidade com que convive .

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 APRENDER E ENSINAR HISTRIA NO ENSINO FUNDAMENTAL

 O ensino e a aprendizagem de Histria envolvem uma distino bsica entre o saber histrico , como um campo de pesquisa e produo de conhecimento do domnio de especialistas , e o saber histrico escolar , como conhecimento produzido no espao escolar .
 Considera-se que o saber histrico escolar reelabora o conhecimento produzido no campo das pesquisas dos historiadores e especialistas do campo das Cincias Humanas , selecionando e se apropriando de partes dos resultados acadmicos , articulando-os de acordo com seus objetivos .
 Nesse processo de reelaborao , agrega-se um conjunto de " representaes sociais " do mundo e da histria , produzidos por professores e alunos .
 As " representaes sociais " so constitudas pela vivncia dos alunos e professores , que adquirem conhecimentos dinmicos provenientes de vrias fontes de informaes veiculadas pela comunidade e pelos meios de comunicao .
 Na sala de aula , os materiais didticos e as diversas formas de comunicao escolar apresentadas no processo pedaggico constituem o que se denomina saber histrico escolar .
 O saber histrico escolar , na sua relao com o saber histrico , compreende , de modo amplo , a delimitao de trs conceitos fundamentais : o de fato histrico , de sujeito histrico e de tempo histrico .
 Os contornos e as definies que so dados a esses trs conceitos orientam a concepo histrica , envolvida no ensino da disciplina .
 Assim ,  importante que o professor distinga algumas dessas possveis conceituaes .
 Os fatos histricos podem ser traduzidos , por exemplo , como sendo aqueles relacionados aos eventos polticos , s festas cvicas e s aes de heris nacionais , fatos esses apresentados de modo isolado do contexto histrico em que viveram os personagens e dos movimentos de que participaram .
 Em uma outra concepo de ensino , os fatos histricos podem ser entendidos como aes humanas significativas , escolhidas por professores e alunos , para anlises de determinados momentos histricos .
 Podem ser eventos que pertencem ao passado mais prximo ou distante , de carter material ou mental , que destaquem mudanas ou permanncias ocorridas na vida coletiva .
 Assim , por exemplo , dependendo das escolhas didticas , podem se constituir em fatos histricos as aes realizadas pelos homens e pelas coletividades que envolvem diferentes nveis da vida em sociedade : criaes artsticas , ritos religiosos , tcnicas de produo , formas de desenho , atos de governantes , comportamentos de crianas ou mulheres , independncias polticas de povos .
 Os sujeitos da Histria podem ser os personagens que desempenham aes individuais ou consideradas como hericas , de poder de deciso poltica de autoridades , como reis , rainhas e rebeldes .
 A Histria pode ser estudada , assim , como sendo dependente do destino de poucos homens , de aes isoladas e de vontades individuais de poderosos , em que pouco se percebe a dimenso das aes coletivas , das lutas por mudanas ou do poder exercido por grupos sociais em favor das permanncias nos costumes ou nas divises do trabalho .
 O sujeito histrico pode ser entendido , por sua vez , como sendo os agentes de ao social , que se tornam significativos para estudos histricos escolhidos com fins didticos , sendo eles indivduos , grupos ou classes sociais .
 Podem ser , assim , todos aqueles que , localizados em context o s histricos , exprimem suas especificidades e caractersticas , sendo lderes de lutas para transformaes ( ou permanncias ) mais amplas ou de situaes mais cotidianas , que atuam em grupo ou isoladamente , e produzem para si ou para uma coletividade .
 Podem ser trabalhadores , patres , escravos , reis , camponeses , polticos , prisioneiros , crianas , mulheres , religiosos , velhos , partidos polticos , etc .

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 O conceito de tempo histrico pode estar limitado ao estudo do tem-po cronolgico ( calendrios e datas ) , repercutindo em uma compreenso dos acontecimentos como sendo pontuais , uma data , organizados em uma longa e infinita linha numrica .
 Os acontecimentos , identificados pelas datas , assumem a idia de uniformidade , de regularidade e , ao mesmo tempo , de sucesso crescente e acumulativa .
 A seqenciao dos acontecimentos sugere ainda que toda a humanidade seguiu ou deveria seguir o mesmo percurso , criando assim a idia de povos " atrasados " e " civilizados " e ainda limitando as aes humanas a uma ordem evolutiva , representando o tempo presente um estgio mais avanado da histria da humanidade .
 O tempo histrico pode ser dimensionado diferentemente , considerado em toda sua complexidade , cuja dimenso o aluno apreende paulatinamente .
 O tempo pode ser apreendido a partir de vivncias pessoais , pela intuio , como no caso do tempo biolgico ( crescimento , envelhecimento ) e do tempo psicolgico interno dos indivduos ( idia de sucesso , de mudana ) .
 E precisa ser compreendido , tambm , como um objeto de cultura , um objeto social construdo pelos povos , como no caso do tempo cronolgico e astronmico ( sucesso de dias e noites , de meses e sculos ) .
 O tempo histrico compreendido nessa complexidade utiliza o tempo institucionalizado ( tempo cronolgico ) , mas tambm o transforma  sua maneira .
 Isto  , utiliza o calendrio , que possibilita especificar o lugar dos momentos histricos na sucesso do tempo , mas procura trabalhar tambm com a idia de diferentes nveis e ritmos de duraes temporais .
 Os nveis das duraes esto relacionados  percepo das mudanas ou das permanncias n a s vivncias humanas .
 As mudanas podem ser identificadas , por exemplo , apenas nos acontecimentos pontuais , como no caso da queda de um governo , da implantao de uma lei , do incio de uma revolta popular .
 Podem ser identificadas , por outro lado , a partir de acontecimentos que possuem duraes mais longas , como nas permanncias e nas transformaes econmicas regidas por governos ou partidos polticos , na permanncia de crises financeiras ou na durao de uma lei ou costume .
 Podem , ainda , ser identificadas em acontecimentos de longussimo tempo , como os comportamentos coletivos mais enraizados , os valores e as crenas que permanecem por geraes , as relaes de trabalho que atravessam sculos .
 A Independncia do Brasil , por exemplo , representou no plano poltico uma mudana no regime de governo , que pode ser relacionada a uma data ( 7 de setembro de 1822 ) .
 No plano econmico , as mudanas no foram todavia imediatas , j que o rompimento com a dominao portuguesa se manifestou , inclusive , nas polticas de D. Joo VI no Brasil , desde 1808 .
 No plano das relaes de trabalho , por sua vez , a Independncia no representou mudanas significativas , j que a escravido permaneceu ainda por muitas dcadas ( sculo XVI ao final do XIX ) .
 Os ritmos da durao , por sua vez , possibilitam identificar a velocidade com que as mudanas ocorrem .
 Assim , podem ser identificados trs tempos : o tempo do acontecimento breve , o da conjuntura e o da estrutura .
 O tempo do acontecimento breve  aquele que representa a durao de um fato de dimenso breve , correspondendo a um momento preciso , marcado por uma data .
 Pode ser , no caso , um nascimento , a assinatura de um acordo , uma greve , a independncia poltica de um pas , a exposio de uma coleo artstica , a fundao de uma cidade , o incio ou o fim de uma guerra .
 O tempo da conjuntura  aquele que se prolonga e pode ser apreendido durante uma vida , como o perodo de uma crise econmica , a durao de uma guerra , a permanncia de um regime poltico , o desenrolar de um movimento cultural , os efeitos de uma epidemia ou a validade de uma lei .

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 O tempo da estrutura  aquele que parece imutvel , pois as mudanas que ocorrem na sua extenso so quase imperceptveis nas vivncias contemporneas das pessoas .
  a durao de um regime de trabalho como a escravido , de hbitos religiosos e de mentalidades que perduram , o uso de moedas nos sistemas de trocas ou as convivncias sociais em organizaes como as cidades .
 Os diferentes conceitos - - de fato histrico , sujeito histrico e tempo histrico - - refletem distintas concepes de Histria e de como ela  estruturada e constituda .
 Orientam , por exemplo , na definio dos fatos que sero investigados , os sujeitos que tero a voz e as noes de tempo histrico que sero trabalhadas .
 O conhecimento histrico escolar , alm de se relacionar com o conhecimento histrico de carter cientfico nas especificaes das noes bsicas da rea , tambm se articula aos fundamentos de seus mtodos de pesquisa , adaptando-os para fins didticos .
 A transposio dos mtodos de pesquisa da Histria para o ensino de Histria propicia situaes pedaggicas privilegiadas para o desenvolvimento de capacidades intelectuais autnomas do estudante na leitura de obras humanas , do presente e do passado .
 A escolha dos contedos , por sua vez , que possam levar o aluno a desenvolver noes de diferena e de semelhana , de continuidade e de permanncia , no tempo e no espao , para a constituio de sua identidade social , envolve cuidados nos mtodos de ensino .
 Assim , os estudos da histria dos grupos de convvio e nas suas relaes com outros grupos e com a sociedade nacional , considerando vivncias nos diferentes nveis da vida coletiva ( sociais , econmicas , polticas , culturais , artsticas , religiosas ) , exigem mtodos especficos , considerando a faixa etria e as condies sociais e culturais dos alunos .
 Existe uma grande diversidade cultural e histrica no Pas , explicada por sua extenso territorial e pela histria de seu povoamento .
 As diferenas sociais e econmicas da populao brasileira acarretaram formas diversas de registros histricos .
 Assim , h um grande nmero de pessoas que no fazem uso da escrita , tanto porque no tiveram acesso a processos formais de alfabetizao como porque pertencem a culturas grafas , como no caso de populaes indgenas .
 Nesse sentido , o trabalho pedaggico requer estudo de n o v o s materiais ( relatos orais , imagens , objetos , danas , msicas , narrativas ) , que devem se transformar em instrumentos de construo do saber histrico escolar .
 Ao se recuperar esses materiais , que so fontes potenciais para construo de uma histria local parcialmente desconhecida , desvalorizada , esquecida ou omitida , o saber histrico escolar desempenha um outro papel na vida local , sem significar que se pretende fazer do aluno um " pequeno historiador " capaz de escrever monografias , mas um observador atento das realidades do seu entorno , capaz de estabelecer relaes , comparaes e relativizando sua atuao no tempo e espao .
 A escolha metodolgica representa a possibilidade de orientar trabalhos com a realidade presente , relacionando-a e comparando-a com momentos significativos do passado .
 Didaticamente , as relaes e as comparaes entre o presente e o passado permitem uma compreenso da realidade numa dimenso histrica , que extrapola as explicaes sustentadas apenas no passado ou s no presente imediato .

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 OBJETIVOS GERAIS DE HISTRIA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

 Espera-se que , ao longo do ensino fundamental , os alunos gradativamente possam ler e compreender sua realidade , posicionar-se , fazer escolhas e agir criteriosamente .
 Nesse sentido , os alunos devero ser capazes de :  identificar o prprio grupo de convvio e as relaes que estabelecem com outros tempos e espaos ;  o r g a n i z a r alguns repertrios histrico-culturais que lhes permitam localizar acontecimentos numa multiplicidade de tempo , de modo a formular explicaes para algumas questes do presente e do passado ;  conhecer e respeitar o modo de vida de diferentes grupos sociais , em diversos tempos e espaos , em suas manifestaes culturais , econmicas , polticas e sociais , reconhecendo semelhanas e diferenas entre eles ;  reconhecer mudanas e permanncias nas vivncias humanas , presentes na sua realidade e em outras comunidades , prximas ou distantes no tempo e no espao ;  questionar sua realidade , identificando alguns de seus problemas e refletindo sobre algumas de suas possveis solues , reconhecendo formas de atuao poltica institucionais e organizaes coletivas da sociedade civil ;  utilizar mtodos de pesquisa e de produo de textos de contedo histrico , aprendendo a ler diferentes registros escritos , iconogrficos , sonoros ;  valorizar o patrimnio sociocultural e respeitar a diversidade , reconhecendo-a como um direito dos povos e indivduos e como um elemento de fortalecimento da democracia .

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 CONTEDOS DE HISTRIA : CRITRIOS DE SELEO E ORGANIZAO

  consensual a impossibilidade de se estudar a Histria de todos os tempos e sociedades , sendo necessrio fazer selees baseadas em determinados critrios para estabelecer os contedos a serem ensinados .
 A seleo de contedos programticos tem sido variada , mas geralmente  feita segundo uma tradio de ensino , que  rearticulada e reintegrada em novas dimenses e de acordo com temas relevantes para o momento histrico da atual gerao .
 A escolha dos contedos relevantes a serem estudados , feita neste documento , parte das problemticas locais em que esto inseridas as crianas e as escolas , no perdendo de vista que as questes que dimensionam essas realidades esto envolvidas em problemticas regionais , nacionais e mundiais .
 As informaes histricas locais relevantes a serem selecionadas expressam , assim , a intencionalidade de fornecer aos alunos a formao de um repertrio intelectual e cultural , para que possam estabelecer identidades e diferenas com outros indivduos e com grupos sociais presentes na realidade vivida - - no mbito familiar , no convvio da escola , nas atividades de lazer , nas relaes econmicas , polticas , artsticas , religiosas , sociais e culturais .
 E , simultaneamente , permitir a introduo dos alunos na compreenso das diversas formas de relaes sociais e a perspectiva de que as histrias individuais se integram e fazem parte do que se denomina Histria nacional e de outros lugares .
 Os contedos propostos esto constitudos , assim , a partir da histria do cotidiano da criana ( o seu tempo e o seu espao ) , integrada a um contexto mais amplo , que inclui os contextos histricos .
 Os contedos foram escolhidos a partir do tempo presente no qual existem materialidades e mentalidades que denunciam a presena de outros tempos , outros modos de vida sobreviventes do passado , outros costumes e outras modalidades de organizao social , que continuam , de alguma forma , presentes na vida das pessoas e da coletividade .
 Os contedos foram escolhidos , ainda , a partir da idia de que conhecer as muitas histrias , de outros tempos , relacionadas ao espao em que vivem , e de outros espaos , possibilita aos alunos compreenderem a si mesmos e a vida coletiva de que fazem parte .
 A proposta privilegia , assim , no primeiro ciclo , a leitura de tempos diferentes no tempo presente , em um determinado espao , e a leitura desse mesmo espao em tempos passados .
 No segundo ciclo , sugere estudos sobre histrias de outros espaos em tempos diferentes .
 A predomin  n c i a est voltada para as histrias sociais e culturais , sem excluir as questes polticas e econmicas .
 O s temas ligados  questo urbana ,  sua dominncia sobre o modo de vida rural ,  predominncia da cidade sobre o campo e  imposio do ritmo de tempo da fbrica sobre o ritmo de tempo da natureza so problemas comuns  maioria da populao brasileira e  grande maioria dos indivduos que vivem no planeta na atualidade .
 Pode-se dizer , tambm , que so problemas que esto presentes na realidade local das crianas e so temticas comuns s mltiplas realidades nacionais .
 No se pode negar que , hoje em dia , a vida rural tem sofrido forte influncia do modo urbano , vivendo modificaes ou persistindo em suas particularidades .
 Nesse sentido , esta proposta opta por trabalhar com temas relacionados s questes urbanas , mas estabelecendo as articulaes constantes com as questes rurais locais ou nacionais .
 O estudo dos problemas urbanos , na contemporaneidade , orienta , assim , a possibilidade de escolhas de grandes eixos temticos sobre as questes locais , inserindo-as em dimenses espaciais de maior grandeza e dimenses temporais amplas , que abarcam a possibilidade de dilogos mltiplos entre o presente e o passado .

 Os contedos escolhidos , que fundamentam esta proposta , esto articulados , ainda , com os temas transversais :  as relaes de trabalho existentes entre os indivduos e as classes , por m e i o do conhecimento sobre como se processam as produes , as comercializaes e a distribuio de bens , as desigualdades sociais , as transformaes das tcnicas e das tecnologias e a apropriao ou a desapropriao dos meios de produo pelos trabalhadores ;  as diferenas culturais , tnicas , de idade , religio , costumes , gneros , sistemas econmicos e polticos ;  as lutas e as conquistas polticas , travadas por indivduos , por classes e movimentos sociais ;  as relaes entre os homens e a natureza , numa dimenso individual e coletiva , contempornea e histrica , envolvendo discernimento quanto s formas de dominao e preservao da fauna , flora e recursos naturais ;  reflexes sobre a constituio da cidadania , em diferentes sociedades e tempos , relacionadas  sade ,  higiene , s concepes sobre a vida e a morte , s doenas endmicas e epidmicas ;  as imagens e os valores em relao ao corpo , relacionados  histria da sexualidade , dos tabus coletivos , da organizao das famlias , da educao sexual e da distribuio de papis entre os gneros nas diferentes sociedades historicamente constitudas .
 Considerou-se que , diante da diversidade de contedos possveis , os professores devem fazer as escolhas daqueles que so mais significativos para serem trabalhados em determinados momentos ou determinados grupos de alunos , no decorrer da escolaridade .
 Os contedos de Histria , como so propostos neste documento , no devem ser considerados fixos .
 As escolas e os professores devem recri-los e adapt-los  sua realidade local e regional .

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 HISTRIA

 2 PARTE

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 PRIMEIRO CICLO Ensino e aprendizagem de Histria no primeiro ciclo

 O ensino e a aprendizagem da Histria esto voltados , inicialmente , para atividades em que os alunos possam compreender as semelhanas e as diferenas , as permanncias e as transformaes no modo de vida social , cultural e econmico de sua localidade , no presente e no passado , mediante a leitura de diferentes obras humanas .
 As crianas , desde pequenas , recebem um grande nmero de informaes sobre as relaes interpessoais e coletivas .
 Entretanto , suas reflexes sustentam-se , geralmente , em concepes de senso comum .
 Cabe  escola interferir em suas concepes de mundo , para que desenvolvam uma observao atenta do seu entorno , identificando as relaes sociais em dimenses mltiplas e diferenciadas .
 No caso do primeiro ciclo , considerando-se que as crianas esto no incio da alfabetizao , deve-se dar preferncia aos trabalhos com fontes orais e iconogrficas e , a partir delas , desenvolver trabalhos com a linguagem escrita .
 De modo geral , no trabalho com fontes documentais - - fotografias , mapas , filmes , depoimentos , edificaes , objetos de uso cotidiano - - ,  necessrio desenvolver trabalhos especficos de levantamento e organizao de informaes , leitura e formas de registros .
 O trabalho do professor consiste em introduzir o aluno na leitura das diversas fontes de informao , para que adquira , pouco a pouco , autonomia intelectual .
 O percurso do trabalho escolar inicia , dentro dessa perspectiva , com a identificao das especificidades das linguagens dos documentos - - textos escritos , desenhos , filmes - - , das suas simbologias e das formas de construes dessas mensagens .
 Intervenes pedaggicas especficas , baseadas no trabalho de pesquisa histrica , provocam significativas mudanas nas compreenses das crianas pequenas sobre quem escreve a Histria .
 Por exemplo : passam a considerar a diversidade de fontes para obteno de informaes sobre o passado , discernindo sobre o fato de que pocas precedentes deixaram , intencionalmente ou no , indcios de sua passagem que foram descobertos e conservados pelas coletividades .
 Podem compreender que os diferentes registros so fontes de informao para se conhecer o passado .
 Na organizao de dados histricos obtidos , cabe ao professor incentivar os alunos a compreenderem os padres de medida de tempo , como calendrios , que permitem entender a ordenao temporal do seu cotidiano e comparar acontecimentos a partir de critrios de anterioridade ou posteridade e simultaneidade .

 Objetivos de Histria para o primeiro ciclo

 Espera-se que ao final do primeiro ciclo os alunos sejam capazes de :  comparar acontecimentos no tempo , tendo como referncia anterioridade , posterioridade e simultaneidade ;  reconhecer algumas semelhanas e diferenas sociais , econmicas e culturais , de dimenso cotidiana , existentes no seu grupo de convvio escolar e na sua localidade ;

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  reconhecer algumas permanncias e transformaes sociais , econmicas e culturais nas vivncias cotidianas das famlias , da escola e da coletividade , no tempo , no mesmo espao de convivncia ;  caracterizar o modo de vida de uma coletividade indgena , que vive ou v i v e u na regio , distinguindo suas dimenses econmicas , sociais , culturais , artsticas e religiosas ;  identificar diferenas culturais entre o modo de vida de sua localidade e o da comunidade indgena estudada ;  estabelecer relaes entre o presente e o passado ;  i d e n t i f i c a r alguns documentos histricos e fontes de informaes discernindo algumas de suas funes .

 Contedos de Histria para o primeiro ciclo

 EIXO TEMTICO : HISTRIA LOCAL E DO COTIDIANO Os contedos de Histria para o primeiro ciclo enfocam , preferencialmente , diferentes histrias pertencentes ao local em que o aluno convive , dimensionadas em diferentes tempos .
 Prevalecem estudos comparativos , distinguindo semelhanas e diferenas , permanncias e transformaes de costumes , modalidades de trabalho , diviso de tarefas , organizaes do grupo familiar e formas de relacionamento com a natureza .
 A preocupao com os estudos de histria local  a de que os alunos ampliem a capacidade de observar o seu entorno para a compreenso de relaes sociais e econmicas existentes no seu prprio tempo e reconheam a presena de outros tempos no seu dia-a-dia .
 Ao ingressarem na escola , as crianas passam a diversificar os seus convvios , ultrapassando as relaes de mbito familiar e interagindo , tambm , com um outro grupo social - - estudantes , educadores e outros profissionais - - , caracterizado pela diversidade , e , ao mesmo tempo , por relaes entre iguais .
 A prpria classe possui um histrico no qual o aluno ter participao ativa .
 Sendo um ambiente que abarca uma dada complexidade , os estudos histricos aprofundam , inicialmente , temas que do conta de distinguir as relaes sociais e econmicas submersa nessas relaes escolares , ampliando-as para dimenses coletivas , que abarcam as relaes estabelecidas na sua localidade .
 Os estudos da histria local conduzem aos estudos dos diferentes modos de viver no presente e em outros tempos , que existem ou que existiram no mesmo espao .
 Nesse sentido , a proposta para os estudos histricos  de favorecer o desenvolvimento das capacidades de diferenciao e identificao , com a inteno de expor as permanncias de costumes e relaes sociais , as mudanas , as diferenas e as semelhanas das vivncias coletivas , sem julgar grupos sociais , classificando-os como mais " evoludos " ou " atrasados " .
 Como se trata de estudos , em parte , sobre a histria local , as informaes propiciam pesquisas com depoimentos e relatos de pessoas da escola , da famlia e de outros grupos de convvio , fotografias e gravuras , observaes e anlises de comportamentos sociais e de obras humanas : habitaes , utenslios caseiros , ferramentas de trabalho , vestimentas , produo de alimentos , brincadeiras , msicas , jogos , entre outros .

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 Considerando o eixo temtico " Histria local e do cotidiano " , a proposta  a de que , no primeiro ciclo , os alunos iniciem seus estudos histricos no presente , mediante a identificao das diferenas e das semelhanas existentes entre eles , suas famlias e as pessoas que trabalham na escola .
 Com os dados do presente , a proposta  que desenvolvam estudos do passado , identificando mudanas e permanncias nas organizaes familiares e educacionais .
 Conhecendo as caractersticas dos grupos sociais de seu convvio dirio , a proposta  de que ampliem estudos sobre o viver de outros grupos da sua localidade no presente , identificando as semelhanas e as diferenas existentes entre os grupos sociais e seus costumes ; e desenvolvam estudos sobre o passado da localidade , identificando as mudanas e as permanncias nos hbitos , nas relaes de trabalho , na organizao urbana ou rural em que convivem , etc .
 Identificando algumas das caractersticas da sociedade em que os alunos vivem , podem-se introduzir estudos sobre uma comunidade indgena que habita ou habitava a mesma regio onde moram atualmente .
 A opo de introduzir estudos de povos indgenas  relevante por terem sido os primeiros habitantes das terras brasileiras e , at hoje , terem conseguido manter formas de relaes sociais diferentes das que so predominantes no Brasil .
 A preocupao em identificar os grupos indgenas que habitam ou habitaram a regio prxima do convvio dos alunos  a de possibilitar a compreenso da existncia de diferenas entre os prprios grupos indgenas , com especificidades de costumes , lnguas diferentes , evitando criar a imagem do ndio como povo nico e sem histria .
 O conhecimento sobre os costumes e as relaes sociais de povos indgenas possibilita aos alunos dimensionarem , em um tempo longo , as mudanas ocorridas naquele espao onde vivem e , ao mesmo tempo , conhecerem costumes , relaes sociais e de trabalho diferentes do seu cotidiano .
 Diante da proposta ampla de possibilidades de aprofundamentos de estudos , cabe ao professor :  fazer recortes e selecionar alguns aspectos considerados mais relevantes , tendo em vista os problemas locais e / ou contemporneos ;  desenvolver um trabalho de integrao dos contedos de histria com outras reas de conhecimento ;  avaliar o seu trabalho ao longo do ano , refletindo sobre as escolhas dos contedos priorizados , as atividades propostas e os materiais didticos selecionados , para replanejar a sua proposta de ensino de um ano para o outro .
 A localidade  L e v a n t a m e n t o de diferenas e semelhanas individuais , sociais , econmicas e culturais entre os alunos da classe e entre eles e as demais pessoas que convivem e trabalham na escola :  idade , sexo , origem , costumes , trabalho , religio , etnia , organizao familiar , lazer , jogos , interao com meios de comunicao ( televiso , rdio , jornal ) , atividade dos pais , participao ou conhecimento artstico , preferncias em relao  msica ,  dana ou  arte em geral , acesso a servios pblicos de gua e esgoto , hbitos de higiene e de alimentao .
  Identificao de transformaes e permanncias dos costumes das famlias das crianas ( pais , avs e bisavs ) e nas instituies escolares :

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  nmero de filhos , diviso de trabalhos entre sexo e idade , costumes alimentares , vestimentas , tipos de moradia , meios de transporte e comunicao , hbitos de higiene , preservao da sade , lazer , msicas , danas , lendas , brincadeiras de infncia , jogos , os antigos espaos escolares , os materiais didticos de outros tempos , antigos professores e alunos .
  Levantamento de diferenas e semelhanas entre as pessoas e os grupos sociais que convivem na coletividade , nos aspectos sociais , econmicos e culturais :  diferentes profisses , diviso de trabalhos e atividades em geral entre idades e sexos , origem , religio , alimentao , vestimenta , habitao , diferentes bairros e suas populaes , locais pblicos ( igrejas , prefeitura , hospitais , praas , mercados , feiras , cinemas , museus ) , locais privados ( residncias , fbricas , lojas ) , higiene , atendimento mdico , acesso a sistemas pblicos de gua e esgoto , usos e aproveitamento dos recursos naturais e fontes de energia ( gua , terra e fogo ) , locais e atividades de lazer , museus , espaos de arte , diferentes msicas e danas .
  Identificao de transformaes e permanncias nas vivncias culturais ( materiais e artsticas ) da coletividade no tempo :  diferentes tipos de habitaes antigas que ainda existem , observaes de mudanas no espao , como reformas de prdios , construes de estradas , pontes , viadutos , diferenciao entre produtos manufaturados e industrializados , mecanizao da agricultura , ampliao dos meios de comunicao de massa , sobrevivncia de profisses artesanais ( ferreiros , costureiras , sapateiros , oleiros , seleiros ) , mudanas e permanncias de instrumentos de trabalho , manifestaes artsticas , mudanas nas vestimentas , sistema de abastecimento de alimentos , tcnicas de construo de casas e suas divises de trabalho , as msicas e danas de antigamente , as formas de lazer de outros tempos .

 Comunidade indgena  Identificao do grupo indgena da regio e estudo do seu modo de vida social , econmico , cultural , poltico , religioso e artstico :  o territrio que habitam e que j habitaram , organizao das famlias e parentesco , a produo e distribuio de alimentos , a diviso de trabalho entre os sexos e as idades , as moradias e a organizao do espao , os rituais culturais e religiosos , as relaes materiais e simblicas com a natureza ( os animais e a flora ) , a lngua falada , as vestimentas , os hbitos cotidianos de higiene , a medicina , as tcnicas de produo de artefatos , as tcnicas de coleta ou de produo de alimentos , a delimitao do territrio geogrfico e de domnio da comunidade , os espaos que so pblicos e os espaos considerados privados , as transformaes sofridas pela cultura no contato com outros povos , as relaes de amizade , trocas ou identidade com outras comunidades indgenas , as brincadeiras e as rotinas das

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 mulheres , dos homens , das crianas e dos velhos , a medio do temp o , o contar histrias , as crenas , lendas e mitos de origem , as manifestaes artsticas , como msicas , desenhos , artesanato , danas .
  Identificao de semelhanas e diferenas entre o modo de vida da localidade dos alunos e da cultura indgena :  existem vrios aspectos da coletividade dos alunos que so diferentes do modo de vida da comunidade indgena estudada1 : na ocupao do territrio , no relacionamento com a natureza ( produo de alimentos , uso da gua , do solo e da vegetao , mitos , medicina , pres e r v a   o ) , nas construes de moradias ( materiais , tcnicas , construtores , distribuio e uso do espao interno ) , na diviso de t a r e f a s entre as pessoas na realizao de trabalhos , nos tipos e confeco de vestimentas , nos tipos de lazer , na religiosidade , nos mitos de origem , nas tcnicas de fabricao e uso de instrumentos nas mais diversas atividades de trabalho , no uso do espao geogrfico , nos hbitos de higiene , nos meios de comunicao , nos meios de transporte , nos diferentes modos de medir o tempo .

 CONTEDOSCOMUNSSTEMTICASHISTRICAS Todas as temticas so permeadas pelos contedos que se seguem , cuja aprendizagem favorece a construo de noes histricas .
  necessrio que o professor oriente e acompanhe passo a passo a realizao desses procedimentos pelos alunos , de forma que a apredizagem seja bem-sucedida .
  Busca de informaes em diferentes tipos de fontes ( entrevistas , pesquisa bibliogrfica , imagens , etc. ) .
  Anlise de documentos de diferentes naturezas .
  Troca de informaes sobre os objetos de estudo .
  Comparao de informaes e perspectivas diferentes sobre um mesmo acontecimento , fato ou tema histrico .
  Formulao de hipteses e questes a respeito dos temas estudados .
  Registro em diferentes formas : textos , livros , fotos , vdeos , exposies , mapas , etc .
  Conhecimento e uso de diferentes medidas de tempo .

 1 .
  fundamental destacar a importncia de o professor no realizar comparaes que depreciem qualquer cultura , orientando seus alunos tambm nesse sentido .
 Para melhor compreenso sobre o assunto , ver o documento de Pluralidade Cultural .

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 Critrios de avaliao de Histria para o primeiro ciclo

 Ao final do primeiro ciclo , depois de terem vivenciados inmeras situaes de aprendizagem , os alunos dominam alguns contedos e procedimentos .
 Para avaliar esses domnios , esta proposta destaca , de modo amplo , os seguintes critrios :  Reconhecer algumas semelhanas e diferenas no modo de viver dos indivduos e dos grupos sociais que pertencem ao seu prprio tempo e ao seu espao Este critrio pretende avaliar se , a partir dos estudos desenvolvidos , o aluno se situa no tempo presente , reconhece diversidades e aproximaes de modo de vida , de culturas , de crenas e de relaes sociais , econmicas e culturais , pertencentes s localidades de seu prprio tempo e localizadas no espao mais prximo com que convive ( na escola , na famlia , na coletividade e em uma comunidade indgena de sua regio ) .
  Reconhecer a presena de alguns elementos do passado no presente , projetando a sua realidade numa dimenso histrica , identificando a participao de diferentes sujeitos , obras e acontecimentos , de outros tempos , na dinmica da vida atual Este critrio pretende avaliar as conquistas do aluno no reconhecimento de que sua realidade estabelece laos de identidade histrica com outros tempos , que envolvem outros modos de vida , outros sujeitos e outros contextos .

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 SEGUNDO CICLO Ensino e aprendizagem de Histria no segundo ciclo

 No segundo ciclo permanecem as preocupaes de ensino e aprendizagem anteriores , com a valorizao dos conhecimentos dos alunos e a preocupao de o professor intervir , com situaes pedaggicas particulares para ampliar os conhecimentos histricos .
 A particularidade do segundo ciclo reside no fato de os alunos dominarem melhor a linguagem escrita , possurem experincias de trocas de informaes e terem vivenciado momentos de questionamentos , comparaes e trabalhos com ordenao temporal .
 Como no primeiro ciclo , os questionamentos so realizados a partir do entorno do aluno , com o objetivo levantar dados , coletar entrevistas , visitar locais pblicos , incluindo os que mantm acervos de informaes , como bibliotecas e museus .
 Valorizando os procedimentos que tiveram incio no primeiro ciclo , a preocupao de ensino e aprendizagem no segundo ciclo envolve um trabalho mais especfico com leitura de obras com contedos histricos , como reportagem de jornais , mitos e lendas , textos de livros didticos , documentrios em vdeo , telejornais .
 O destaque para a leitura das obras de cunho histrico sustenta-se no diagnstico feito por inmeros educadores , que afirmam que as crianas na atualidade tm acesso a um grande nmero de informaes , pelos meios de comunicao de massa , convvio social , sem contudo selecionar ou comparar com informaes provenientes de outras fontes , acreditando que tudo o que ouvem ou lem constitui-se " verdades absolutas " .
 Nesse sentido , cabe ao professor criar situaes instigantes para que os alunos comparem as informaes contidas em diferentes fontes bibliogrficas e documentais , expressem as suas prprias compreenses e opinies sobre os assuntos e investiguem outras possibilidades de explicao para os acontecimentos estudados .
 Torna-se importante desenvolver a preocupao de se diagnosticar a complexidade de entendimento dos temas pelos alunos , respeitando suas idias e intervindo sempre com questionamentos , com novas informaes e com propostas de socializao de suas reflexes no grupo .
 Nas dinmicas das atividades , prope-se que o professor considere as j citadas para o primeiro ciclo , e , ainda , selecione materiais com argumentos , opinies e explicaes diferentes , sobre um mesmo acontecimento atual ou do passado e promova debates , trocas de opinies e snteses coletivas .

 Objetivos de Histria para o segundo ciclo

 Espera-se que ao final do segundo ciclo os alunos sejam capazes de :  reconhecer algumas relaes sociais , econmicas , polticas e culturais que a sua coletividade estabelece ou estabeleceu com outras localidades , no presente e no passado ;  identificar as ascendncias e descendncias das pessoas que pertencem

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  sua localidade , quanto  nacionalidade , etnia , lngua , religio e costumes , contextualizando seus deslocamentos e confrontos culturais e tnicos , em diversos momentos histricos nacionais ;  identificar as relaes de poder estabelecidas entre a sua localidade e os demais centros polticos , econmicos e culturais , em diferentes tempos ;  utilizar diferentes fontes de informao para leituras crticas ;  valorizar as aes coletivas que repercutem na melhoria das condies de vida das localidades .

 Contedos de Histria para o segundo ciclo

 EIXO TEMTICO : HISTRIA DAS ORGANIZAES POPULACIONAIS Os contedos de Histria para o segundo ciclo enfocam as diferentes histrias que compem as relaes estabelecidas entre a coletividade local e outras coletividades de outros tempos e espaos , contemplando dilogos entre presente e passado e os espaos locais , nacionais e mundiais .
 Prevalecem , como no primeiro ciclo , os estudos comparativos para a percepo das semelhanas e das diferenas , das permanncias e das transformaes das vivncias humanas no tempo , em um mesmo espao , acrescentando as caracterizaes e distines entre coletividades diferentes , pertencentes a outros espaos .
 Nessa fase ,  importante que os alunos dimensionem as relaes sociais , econmicas , polticas e culturais que vivenciam , enriquecendo seu repertrio histrico com informaes de outras localidades para que possam compreender que seu espao circundante estabelece diferentes relaes locais , regionais , nacionais e mundiais .
 Na localidade onde as crianas moram , existem problemticas que s podem ser entendidas na medida em que elas conhecem histrias de outros espaos e de outros tempos : populaes que chegam de outros lugares , com outros costumes , outras lnguas , outras religies , em diferentes momentos ; xodos de pessoas de sua coletividade que ocorrem por diferentes razes ; completo ou parcial desaparecimento de populaes nativas , provocado por questes histricas nacionais e internacionais ; modalidades de regime de trabalho e de diviso de riquezas que so comuns , tambm , em outras localidades e a outros tempos ; modos de produo de alimentos intercambiados com outras populaes ; comrcio de mercadorias realizados com grupos ou empresas instalados fora de s u a localidade ; modelos de administrao pblica que so comuns a outras coletividades e estabelecem , com a sua localidade , vnculos de identidade regional ou nacional ( organizaes municipais , estaduais e federais ) ; lutas sociais de grupos ou classes que extrapolam o mbito local ( partidos polticos , organizaes sindicais , organizaes ambientalistas , lutas dos sem-teto e dos sem-terra , lutas por direitos das mulheres , das crianas ou da terceira idade ) ; atividades culturais que extrapolam o mbito local ( festas nacionais , festas religiosas , eventos culturais e esportivos ) ; eventos difundidos pelos meios de comunicao , que ocorrem em outras localidades ; ou polticas nacionais e regionais , decididas em outros locais , que interferem na dinmica da sua localidade .
 A opo por estudos que relacionam as problemticas locais com outras localidades explicase pelo fato de que , nos estudos histricos  fundamental localizar o maior nmero possvel de relaes entre os acontecimentos e os sujeitos histricos , estabelecidas , tambm , alm de seu prprio tempo e espao , em busca de explicaes abrangentes , que dem conta de expor as

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 complexidades das vivncias histricas humanas .
 O fato  que se registra , na histria de inmeras sociedades , intensos intercmbios humanos , culturais , econmicos , polticos , sociais e artsticos .
 Na sociedade contempornea , por exemplo , pode-se dizer que  difcil de serem encontradas coletividades que vivem de modo isolado , permanecendo fiel unicamente a tradies de seus antepassados diretos , j que os meios de comunicao , as relaes capitalistas de produo , a organizao da vida social em cidades tm crescido assustadoramente .
 Assim , s numa dimenso de tempo que se alarga em direo ao passado e numa dimenso de espao que contempla outras localidades ,  que se evidenciam as particularidades locais e o que nela existe em comum ou recriado em relao aos outros lugares .
 Em uma outra perspectiva , pode-se dizer que  somente no alargamento de fronteiras temporais e espaciais que os sujeitos histricos podem dimensionar a sua insero e a sua identidade com os grupos sociais maiores , como no caso das classes sociais , das etnias , dos gneros , das culturas ou das nacionalidades .
 Assim , por exemplo ,  pelo conhecimento do deslocamento de grandes levas de trabalhadores africanos para o Brasil , em contextos especficos que os colocaram na situao de escravido e , posteriormente , na situao de cidado de " segunda classe " ( pela discriminao construda para as especificidades de sua cor , de sua raa , de sua cultura ) , que os afrodescendentes podem dimensionar , na sua individualidade e na sua identidade coletiva , a abrangncia de suas lutas sociais e polticas .
  , por exemplo , por meio do conhecimento sobre o que h de comum entre as diferentes localidades que se espalham pelo territrio brasileiro , o que h de comum ou de particular entre as populaes regionais e locais , o que h de especfico nos conflitos , nos ganhos e nas perdas que marcaram a histria que se pode dizer como sendo de " um povo " ( que fornece um carter de identidade na diversidade ) , que um indivduo , que nasceu e vive no Brasil , pode dimensionar a sua insero dentro desta nao .
 Como no primeiro ciclo , a proposta  a de que os estudos histricos no retrocedam s origens dos eventos e no tracem trajetrias homogneas do passado em direo ao presente .
 Tambm no valorizem a organizao dos acontecimentos no tempo a partir de uma perspectiva de evoluo .
 Ao contrrio , a proposta  de que os estudos histricos possibilitem estudos crticos e reflexivos , expondo as permanncias , as mudanas , as diferenas e as semelhanas das vivncias coletivas .
 Cabe ao professor , ao longo de seu trabalho pedaggico , integrar os diversos estudos sobre as relaes estabelecidas entre o presente e o passado , entre o local , o regional , o nacional e o mundial .
 As vivncias contemporneas concretizam-se a partir destas mltiplas relaes temporais e espaciais , tanto no dia-a-dia individual , familiar , como no coletivo .
 Assim , a proposta  de que os estudos sejam disparados a partir de realidades locais , ganhem dimenses histricas e espaciais mltiplas e retornem ao local , na perspectiva de desvend-lo , de desconstru-lo e de reconstru-lo em dimenses mais complexas .
 Considerando o eixo temtico " Histria das organizaes populacionais " , a proposta  de que , no segundo ciclo , os alunos estudem :  a procedncia geogrfica e cultural de suas famlias e as histrias envolvidas nos deslocamentos e nos processos de fixao ;  o s deslocamentos populacionais para o territrio brasileiro e seus contextos histricos ;  as migraes internas regionais e nacionais , hoje e no passado ;

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  os grupos e as classes sociais que lutam e lutaram por causas ou direitos polticos , econmicos , culturais , ambientais ;  diferentes organizaes urbanas , de outros espaos e tempos ;  as relaes econmicas , sociais , polticas e culturais que a sua localidade estabelece com outras localidades regionais , nacionais e mundiais ;  os centros poltico-administrativos brasileiros ;  as relaes econmicas , sociais , polticas e culturais que a sua localidade estabelece ou estabeleceu com os centros administrativos nacionais , no presente e no passado ; e  medies de tempo , calendrios , quadros cronolgicos , linhas de tempo e periodizaes , para organizarem snteses histricas das relaes entre as histrias locais , regionais , nacionais e mundiais .
 Como no primeiro ciclo , seguem sugestes amplas de possibilidades de estudo .
 Cabe , ento , ao professor :  fazer alguns recortes e escolher alguns temas , priorizando os contedos mais significativos para que os alunos interpretem e reflitam sobre as r e l a   e s que sua localidade estabelece ou estabeleceu com outras localidades situadas na regio , no Pas e no mundo , hoje em dia e no passado ;  desenvolver um trabalho de integrao dos contedos de Histria com outras reas de conhecimento ;  avaliar o seu trabalho ao longo do ano , refletindo sobre as escolhas dos contedos priorizados , as atividades propostas e os materiais didticos selecionados , para replanejar a sua proposta de ensino de um ano para o outro .

 Deslocamentos populacionais  L e v a n t a m e n t o de diferenas e semelhanas das ascendncias e descendncias entre os indivduos que pertencem  localidade , quanto  nacionalidade , etnia , lngua , religio e costumes :  estudo das famlias dos alunos : origem geogrfica das famlias ( pases , continentes ou outras regies nacionais ) , poca de deslocamento da famlia para regio , lembranas da famlia sobre as razes e as trajetrias de deslocamentos , poca de chegada na localidade , proximidade temporal com o tempo da chegada , costumes mantidos como t r a d i   o ( comida , vestimentas , lngua , religio , modalidades de t r a b a l h o , festas , tradies , lendas e mitos , especificidades no vocabulrio ) ;  estudo dos costumes de diferentes regies : identificao de populaes locais q u e possuem descendncia diferenciada , suas descendncias e costumes especficos .

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  Contextualizao dos processos de deslocamento de populaes para o territrio nacional :  momento da chegada e formas de dominao dos portugueses no territrio nacional ;  identificao das populaes nativas locais ( indgenas ) , seu modo de vida e os confrontos com populaes europias ;  formas de deslocamentos de populaes africanas para a Amrica , origens dos povos africanos e seu modo de vida , as condies de vida estabelecidas para os africanos no Brasil , locais de fixao , deslocamentos posteriores , em diferentes pocas , no territrio nacional ;  contextos de deslocamentos de outros grupos de imigrantes ( europeus e asiticos nos sculos XIX e XX ) , seu modo de vida e sua insero nas atividades econmicas nacionais .
  Identificao de deslocamentos populacionais locais , no passado e no presente , as migraes regionais e nacionais :  identificao das origens das populaes nacionais que compem a populao local , estudo dos contextos histricos de fixao no local e suas motivaes ;  identificao das razes de deslocamentos populacionais para outras regies do Pas ou para o exterior ;  identificao das reas para onde as populaes se deslocaram num possvel regresso ao seu lugar de origem , seus contextos histricos , especificidades de costumes que permanecem ou que se transformam nos deslocamentos .

 Organizaes e lutas de grupos sociais e tnicos

  Levantamento de diferenas e semelhanas entre grupos tnicos e sociais , que lutam e lutaram no passado por causas polticas , sociais , culturais , tnicas ou econmicas :  movimentos de mbito local : trajetria do movimento , lutas travadas , conquistas e perdas , relaes mantidas com grupos nacionais ou de outras regies , meios de divulgao de idias , pessoas e grupos envolvidos , ideais de luta ( movimentos ambientalistas , feministas , de idosos , de indgenas , de classes sociais , de liberdade de expresso , de direitos humanos , de organizao religiosa , dos negros , dos sem-terra , de construo de moradias ou de saneamento bsico , em prol da sade ou da educao ) .

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 Organizaes polticas e administraes urbanas  Identificao de diferentes tipos de organizaes urbanas , destacando suas funes e origens :  cidades que nasceram com funo administrativa , religiosa , comercial ou de paragem , de diferentes lugares do mundo e de pocas histricas diferentes , como Cuzco , Tenochtitln , Machu Pichu , Atenas , Pequim , Amsterd , Paris , Nova York , e / ou do Brasil , como Recife , Port o Alegre , Belo Horizonte , So Lus , Ouro Preto , Diamantina , Campinas , etc. ;  estudos de organizaes e distribuies dos espaos urbanos e rurais , sistemas de defesa , de abastecimento de alimento , de fornecimento de gua e escoamento de esgoto , sistemas de comunicao , as rela  e s comerciais , as atividades econmicas e administrativas , as vivncias cotidianas da populao em diferentes pocas , medies de tempo .
  C a r a c t e r i z a   o do espao urbano local e suas relaes com outras localidades urbanas e rurais :  crescimento urbano , atividades urbanas exercidas pela populao e suas relaes ou no com a vida rural , relaes comerciais praticadas com outras localidades , atividades econmicas , processos de industrializao ( internos e externos ) , organizao administrativa , desenvolvimentos do atendimento de servios nos seus diferentes espaos ( esgoto , gua , escolas , hospitais ) , ritmos diferenciados de tempo na organizao das rotinas dirias .
  Estudo das transformaes e das permanncias que ocorreram nas trs capitais brasileiras ( Salvador , Rio de Janeiro e Braslia ) e as diferenas e semelhanas entre elas e suas histrias :  as origens das cidades , suas organizaes e crescimento urbanstico , seu papel administrativo como capital , as relaes entre as capitais brasileiras e Lisboa ( num contexto de relaes entre metrpole e colnia ) , as questes polticas nacionais quando eram capitais , sua p o p u l a   o em diferentes pocas , as suas relaes com outras localidades nacionais e internacionais , as mudanas em suas funes urbanas , seu crescimento ou estagnao , suas funes na atualidade , o que preservam como patrimnio histrico .
 Organizao histrica e temporal  Construo de snteses histricas , tomando-se as relaes entre os momentos significativos da histria local e os da histria regional e nacional :  e s t u d o s de calendrios e medies de tempo que possibilitem localizar acontecimentos de curta , mdia e longa durao ( anos , dcadas , sculos ) ;

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  c o n s t r u   o de snteses cronolgicas , incluindo e relacionando acontecimentos da histria local , regional , nacional e mundial ;  construo de linhas de tempo , relacionando a histria local com a histria regional e a histria nacional ;  construes de diferentes periodizaes histricas , que dem conta de caracterizar predomnios e mudanas nos modelos econmicos , nas organizaes polticas , nos regimes de trabalho , nos costumes , nos movimentos sociais e tnicos , no modelo de vida rural ou de vida urbana , nas relaes entre as polticas locais e as polticas nacionais , comparando-as com aquelas tradicionalmente utilizadas nos estudos didticos da disciplina ( Brasil Colnia , Brasil Imprio , Brasil Repblica ) .

 CONTEDOS COMUNS S TEMTICAS HISTRICAS Tal como no primeiro ciclo , os contedos que se seguem referem-se a todas as temticas propostas .
 Repetem-se aqui , uma vez que seu aprendizado tem continuidade no segundo ciclo .
  Busca de informaes em diferentes tipos de fontes ( entrevistas , pesquisa bibliogrfica , imagens , etc. ) .
  Anlise de documentos de diferentes naturezas .
  Troca de informaes sobre os objetos de estudo .
  Comparao de informaes e perspectivas diferentes sobre um mesmo acontecimento , fato ou tema histrico .
  Formulao de hipteses e questes a respeito dos temas estudados .
  Registro em diferentes formas : textos , livros , fotos , vdeos , exposies , mapas , etc .
  Conhecimento e uso de diferentes medidas de tempo .

 Critrios de avaliao de Histria para o segundo ciclo

 Ao final do segundo ciclo , depois de terem vivenciado inmeras situaes de aprendizagem , os alunos dominam alguns contedos e procedimentos .
 Para avaliar esses domnios , destacam-se os seguintes critrios :  Reconhecer algumas semelhanas e diferenas que a sua localidade estabelece com outras coletividades de outros tempos e outros espaos , nos seus aspectos sociais , econmicos , polticos , administrativos e culturais Este critrio pretende avaliar se , a partir dos estudos desenvolvidos , o aluno reconhece algumas relaes que a sua coletividade estabelece , no plano poltico , econmico , social , cultural e administrativo , com outras localidades , no presente e no passado , criando com elas vnculos de identidade , de descendncia e de diferenas .

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  Reconhecer alguns laos de identidade e / ou diferenas entre os indivduos , os grupos e as classes , numa dimenso de tempo de longa durao Este critrio pretende avali ar se o aluno identifica , em uma dimenso histrica , algumas das lutas e identidades existentes entre grupos e classes sociais , discernindo as suas caractersticas e os seus contextos histricos .
  Reconhecer algumas semelhanas , diferenas , mudanas e permanncias no modo de vida de algumas populaes , de outras pocas e lugares Este critrio pretende avaliar o discernimento do aluno na identificao das especificidades das realidades histricas , relacionando-as com outros contextos temporais e espaciais .

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 ORIENTAES DIDTICAS

 Nas dinmicas das atividades , prope-se que o professor :  valorize , inicialmente , os saberes que os alunos j possuem sobre o tema abordado , criando momentos de trocas de informaes e opinies ;  avalie essas informaes , identificando quais poderiam enriquecer seus repertrios e suas reflexes ;  proponha novos questionamentos , informe sobre dados desconhecidos e organize pesquisas e investigaes ;  selecione materiais de fontes de informao diferentes para que sejam estudados em sala de aula ;  promova visitas e pesquisas em locais ricos em informaes ;  proponha que os estudos realizados se materializem em produtos culturais , como livros , murais , exposies , teatros , maquetes , quadros cronolgicos , mapas , etc .
 O professor deve ter conscincia de que as produes dos alunos no so semelhantes quelas construdas pelos historiadores nem devem dar conta de explicar a totalidade das questes que , possivelmente , poderiam decorrer de estudos mais sofisticados .

 Orientaes didticas gerais

 Esta proposta baseia-se na idia de que os conhecimentos histricos tornam-se significativos para os alunos , como saber escolar e social , quando contribuem para que eles reflitam sobre as vivncias e as produes humanas , materializadas no seu espao de convvio direto e nas organiza  e s das sociedades de tempos e espaos diferentes , reconhecendo-as como decorrentes de contradies e de regularidades histricas .
 Nesse sentido , prope-se , para o ensino de Histria , contedos e situaes de aprendizagem q u e possibilitem aos alunos refletir criticamente sobre as convivncias e as obras humanas , ultrapassando explicaes organizadas a partir unicamente de informaes obtidas no presente e a partir unicamente de dados parciais .
 Prope-se , assim , que os alunos conheam e debatam as contradies , os conflitos , as mudanas , as permanncias , as diferenas e as semelhanas existentes no interior das coletividades e entre elas , considerando que esto organizadas a partir de uma multiplicidade de sujeitos , grupos e classes ( com alguns interesses comuns e outros diferentes ) , de uma multiplicidade de acontecimentos ( econmicos , sociais , polticos , culturais , cientficos , filosficos ) e de uma multiplicidade de legados histricos ( contnuos e descontnuos no tempo ) .
 Para que os alunos dimensionem a sua realidade historicamente  importante que o professor crie situaes de aprendizagem escolares para instig-los a estabelecer relaes entre o presente e o passado , o especfico e o geral , as aes individuais e as coletivas , os interesses especficos de grupos e os acordos coletivos , as particularidades e os contextos , etc .
 Considerando a formao mais ampla dos alunos e a importncia de desenvolverem atitudes de autonomia em relao aos seus estudos e pesquisas ,  necessrio que o professor , por meio de rotinas , atividades e prticas , os ensine como dominar procedimentos que envolvam questionamentos ,

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 reflexes , anlises , pesquisas , interpretaes , comparaes , confrontamentos e organizao de contedos histricos .
 Nesse sentido , o professor deve considerar , cotidianamente , a participao dos alunos nas decises dos encaminhamentos das diferentes atividades , lembrando , contudo , que , inicialmente ,  ele , como educador , quem define o tema de estudo , quem aponta as questes a serem investigadas , quem orienta e sugere onde e o que pesquisar , quem prope questes e aprofundamentos , quem aponta as contradies entre as idias , as prticas e as obras humanas .
 Participando e opinando , aos poucos , os alunos aprendero como proceder de modo autnomo no futuro .
 Os procedimentos de pesquisa devem ser ensinados pelo professor  medida que favoream , de um modo ou de outro , uma ampliao do conhecimento e das capacidades das crianas : trocas de informaes , socializao de idias , autonomia de deciso , percepo de contradies , construes de relaes , atitudes de confrontamento , domnios lingsticos , escritos , orais , iconogrficos , cartogrficos e pictricos .
  importante que o professor retome , algumas vezes , a proposta de trabalho inicial , para que os alunos possam tomar decises sobre novos procedimentos no decorrer das atividades .
 Assim , por exemplo ,  a problemtica inicial que orienta o julgamento das fontes de informao que so mais significativas .
 Entre as entrevistas coletadas , algumas podem ser descartadas e outras confrontadas , por registrarem informaes conflituosas ou complementares .
 Em uma pesquisa nos arquivos , fotografias podem ser selecionadas , entre as muitas recolhidas , para reforarem argumentos defendidos ou por revelarem situaes no imaginadas .
 Textos jornalsticos , sobre episdios do passado , podem ser organizados para demonstrarem pensamentos da poca , por expressarem conflitos entre grupos sociais , ou dispensados por abordarem questes especficas que no sero desenvolvidas .
 A pesquisa e a coleta de informao devem fundamentar a construo de uma ou mais respostas para os questionamentos disparados no incio do trabalho .
 Essas respostas , que podem ser individuais , em dupla ou em grupos maiores , devem ser , de algum modo , registradas : texto , lbum de fotografia , livro , vdeo , exposio , mural , coleo de mapas , etc .

 Problematizaes

 A abordagem dos contedos insere-se numa perspectiva de questionamentos da realidade organizada no presente , desdobrando-se em contedos histricos , que envolvem explicitaes e interpretaes das aes de diferentes sujeitos , da seleo e organizao de fatos e da localizao de informaes no tempo histrico .
 As explicaes para os questionamentos implicam , por sua vez , a exposio dos conflitos , das contradies e da diversidade de possibilidades de compreenso dessa realidade .
 Nesse sentido ,  importante que o professor crie situaes rotineiras , nas suas aulas , de atitudes questionadoras diante dos acontecimentos e das aes dos sujeitos histricos , possibilitando que sejam interpretados e compreendidos a partir das relaes ( de contradies ou de identidade ) que estabelecem com outros sujeitos e outros acontecimentos do seu prprio tempo e de outros tempos e outros lugares , isto  , relaes que estabelecem por suas semelhanas , suas diferenas , suas p r o x i m i d a d e s , suas dependncias , suas continuidades .
 As explicaes dos alunos para os questionamentos devem considerar , assim , uma multiplicidade de entendimentos , de abrangncias , de confrontamentos e de relaes , revelando tramas conflituosas para a histria estudada .
 So favorecidas , assim , as diferentes leituras de jornais e revistas , o debate sobre problemas do bairro ou da cidade e as pesquisas de cunho social e econmico entre a populao ; a identificao

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 de diferentes propostas e compreenses defendidas na sociedade para solucionar seus problemas ; as situaes em que as crianas organizam as suas prprias solues e estratgias de interveno sobre a realidade ( escrever cartas s autoridades , fazer exposies para informar a populao ) ; o aprendizado de como ler documentos variados , tanto aqueles que podem ser encontrados na realidade s o c i a l ( construes , organizao urbana , instrumentos de trabalho , meios de comunicao , vestimentas , relaes sociais e de trabalho ) como tambm produes escritas , imagens e filmes .

 Trabalho com documentos

 O conhecimento histrico no se confunde com a realidade passada , pois  construdo em uma determinada poca , comprometido com questes de seu prprio tempo .
  um conhecimento que envolve escolha de abordagem , reflexo e organizao de informaes , problematizao , interpretao , anlise , localizao espacial e ordenao temporal de uma srie de acontecimentos da vida coletiva , que ficaram registrados , de algum modo , por meio de escritas , desenhos , memrias individuais e coletivas , fotografias , instrumentos de trabalho , fragmentos de utenslios cotidianos e estilos arquitetnicos , entre outras possibilidades .
 O s documentos so fundamentais como fontes de informaes a serem interpretadas , analisadas e comparadas .
 Nesse sentido , eles no contam , simplesmente , como aconteceu a vida no passado .
 A grande maioria no foi produzida com a inteno de registrar para a posteridade como era a vida em uma determinada poca ; e os que foram produzidos com esse objetivo geralmente tendem a contar uma verso da Histria comprometida por vises de mundo de indivduos ou grupos sociais .
 Assim , os documentos so entendidos como obras humanas que registram , de modo fragmentado , pequenas parcelas das complexas relaes coletivas .
 So interpretados , ento , como exemplos de modos de viver , de vises de mundo , de possibilidades construtivas , especficas de contextos e pocas , estudados tanto na sua dimenso material ( elementos recriados da natureza , formas , tamanhos , tcnicas empregadas ) , como na sua dimenso abstrata e simblica ( linguagens , usos , sentidos , mensagens , discursos ) .
 So cartas , livros , relatrios , dirios , pinturas , esculturas , fotografias , filmes , msicas , mitos , lendas , falas , espaos , construes arquitetnicas ou paisagsticas , instrumentos e ferramentas de trabalho , utenslios , vestimentas , restos de alimentos , habitaes , meios de locomoo , meios de comunicao .
 So , ainda , os sentidos culturais , estticos , tcnicos e histricos que os objetos expressam , organizados por meio de linguagens ( escrita , oralidade , nmeros , grficos , cartografia , fotografia , arte ) .
 N o caso do livro , por exemplo , a leitura pode recair tanto sobre o modo como ele  confeccionado ( caligrafia , tipografia , computador ) , as tcnicas empregadas ( artesanal , industrial ) e o material utilizado ( papel , couro , chip ) , como sobre a linguagem escrita , considerada como universo simblico que abarca signos , smbolos , contedos , mensagens , sentidos , construo argumentativa , estrutura lingstica , etc .
 A utilizao da fotografia , como fonte de pesquisa , deve levar em considerao que a imagem impressa no papel no se confunde com a realidade .
 Se o pesquisador considerar que tudo o que pode ser visto na foto era costume da poca , pode chegar a concluses equivocadas sobre como , por exemplo , as pessoas se vestiam antigamente .
 No sculo XIX , as pessoas aparecem nas fotos com roupas apertadas , bem passadas e arrumadas e sempre posando com ar srio .
 Entretanto , as pessoas que viveram naquela poca no se comportavam ou se vestiam sempre assim .
 A foto , por ser um recorte particular da realidade , representa apenas o congelamento de um momento , principalmente aquelas produzidas em estdios , como h cento e cinqenta anos , quando as pessoas

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 tinham que ficar paralisadas por mais de um minuto ( por causa do equipamento ) e se arrumar para a ocasio , porque , geralmente , era a nica foto que tiravam na vida .
 Considerar a tcnica utilizada , as condies em que a foto foi produzida , o estilo artstico do fotgrafo , o ngulo que ele privilegiou , a razo pela qual a foto foi tirada , as tcnicas de revelao , as interferncias feitas no negativo , podem propiciar informaes interessantes sobre o contexto da poca .
 As reflexes sobre a linguagem fotogrfica so importantes de serem consideradas em relao s outras fontes documentais , quando se fala na organizao de situaes didticas com contedos histricos escolares .
 Assim , entre muitos aspectos , o professor pode ensinar a seus alunos a preocupao que se pode ter com as tcnicas , os materiais e os estilos de vestimentas , habitaes e transportes , as diferentes lembranas das pessoas sobre uma mesma poca , o arquivamento de documentos , as diferenas de atendimentos de servios pblicos na cidade , o que envolve a confeco de um jornal ou de uma revista , as funes sociais de uma escritura de terra ou a de uma propaganda divulgada em um jornal .
 A inteno  que os alunos no aceitem facilmente as informaes , considerando apenas significativas aquelas que esto mais evidentemente explicitadas e expostas na realidade ou nos documentos , ou seja , que construam atitudes questionadoras , procurem informaes em detalhes no facilmente observados , identifiquem informaes no apenas por meio daquilo que imaginam inicialmente , mas , tambm , a partir de detalhes que no foram considerados , e aprendam a comparar e a confrontar as informaes obtidas em uma pesquisa .
 A leitura dos documentos , em um trabalho didtico , pode implicar a coleta de informaes que so internas e externas a eles .
 A histria do autor e a histria da tcnica de registro so , por exemplo , informaes que podem ser obtidas em outras fontes , auxiliando os alunos a localizarem o contexto histrico do documento e as relaes entre os seus contedos e a poca em que foi produzido .
 Por sua vez , o material de que  feito , os personagens histricos e os acontecimentos descritos podem ser identificados e localizados , por exemplo , na leitura e anlise do prprio documento .
 O trabalho de leitura de documentos , considerando as particularidades de suas linguagens ,  favorvel de ser desenvolvido nas sries iniciais do ensino fundamental , principalmente levando em considerao que as crianas pequenas esto tomando contato com as diversas linguagens comunicativas , como lngua escrita , matemtica e artes .
 Nesse caso , so favorveis as atividades , inclusive , envolvendo estudos sobre as histrias das cincias e dos meios de comunicao : histria da escrita , dos nmeros , dos calendrios , da cartografia , da pintura , da fotografia , do cinema , do jornal , do rdio , da televiso .

 Trabalho com leitura e interpretao de fontes bibliogrficas

 Cabe ao professor ensinar os seus alunos a realizar uma leitura crtica de produes de c o n t e  d o s histricos , distinguindo contextos , funes , estilos , argumentos , pontos de vista , intencionalidades .
 Assim , alm de as crianas terem a oportunidade de obter e organizar informaes diretamente das fontes de informao primrias ( construes , utenslios , depoimentos orais , fotografias ) , podem aprender a obter informaes , de modo crtico , em fontes secundrias ( textos enciclopdicos , de historiadores , didticos , documentrios histricos ) , consideradas , tambm , como obras que necessitam ser localizadas em contextos histricos e analisadas .

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 Didaticamente ,  importante que os alunos aprendam a identificar as obras de contedo histrico ( textos feitos por especialistas , livros didticos , enciclopdias e meios de comunicao de massa ) como sendo construes que contemplam escolhas feitas por seus autores ( influenciados em parte pelas idias de sua poca ) : seleo de fatos histricos , destaque feito a determinados sujeitos histricos , organizao temporal das anlises e das relaes entre acontecimentos .
 Os trabalhos desenvolvidos com Lngua Portuguesa , principalmente os que privilegiam os diferentes estilos de textos ( narrativo , dissertativo , descritivo ) , a identificao de contextos de autores , o discernimento de construo de argumentos e os modelos textuais usualmente privilegiados , auxiliam os alunos no que se refere  leitura de textos de contedo histrico .
 Podem ser criadas situaes em que os alunos aprendam a questionar e a dialogar com os textos : em que contexto histrico foi produzido ?
 Quais os fatos e os sujeitos histricos que foram privilegiados ?
 Existiria a possibilidade de privilegiar outros sujeitos e outros fatos ?
 Como o tempo est organizado ?
 Quais os argumentos defendidos pelo autor ?
 Como est organizado o seu ponto de vista ?
 Existem outras pessoas que defendem as mesmas idias ?
 Como pensam outras pessoas ?
 Como se pode pensar de modo diferente do autor ?
 Qual  a opinio pessoal sobre o que o autor defende ?
 Os questionamentos sobre as obras disparam , necessariamente , trabalhos de pesquisa pelos alunos e a seleo , por parte do professor , de materiais complementares que auxiliem a identificao de contextos e discernimento dos pontos de vista dos autores .
 Assim , alm de promover questionamentos coletivos e individuais sobre as obras e propor pesquisas , cabe ao professor selecionar algumas produes , como recurso didtico , referentes  mesma temtica estudada , mas que se diferenciam como forma ou contedo ( constroem argumentos de modo diferente e defendem idias opostas ) , que do destaque para diferentes sujeitos histricos ( para indivduos ou para determinados grupos sociais ) , que contam a Histria a partir da seleo de fatos diferentes ( de dimenso poltica , econmica , cultural ) , que fazem recortes de tempos diversos ( numa dimenso de curta , mdia ou longa durao ) .
 Nesse sentido , cabe ao professor ensinar como questionar uma obra , como tambm promover momentos em que seus alunos possam l-la mais criticamente , mediante comparao e confrontao com outras obras que se distinguem por enfocarem abordagens diferenciadas .
 Nessa mesma linha de procedimentos didticos , cabe ao professor , no momento em que os alunos forem organizar os seus conhecimentos histricos , promover debates sobre a construo de suas prprias obras de contedos histricos : que ponto de vista iro defender e como iro comuniclo , quais os sujeitos , fatos e tempo histrico que iro privilegiar e o que est fundamentando suas escolhas .
 Valorizar trabalhos de leitura crtica significa optar por aprendizagens qualitativas e no simplesmente quantitativas , que visam , por exemplo , apenas o acesso a informaes histricas de carter cumulativo .
  importante que o professor considere que tanto as informaes mais explcitas nas obras quanto aquelas obtidas por leituras crticas contribuem para a ampliao do repertrio cultural e histrico de seus alunos .
 O modo como os alunos identificam e reconstroem as questes pertinentes  disciplina da Histria , como de fato , sujeito e tempo histrico , sero tambm fundamentais para que possam compreender , de modo cada vez mais complexo , as relaes entre os homens , as suas aes e as suas produes .

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 O tempo no estudo da Histria

 O tempo  um dos conceitos mais complexos de entendimento .
 Para os estudiosos que se dedicam a entend-lo , existe uma srie de abrangncias que so consideradas , relacionadas s possibilidades de contornos que assume , tanto no campo da realidade natural e fsica como nas criaes culturais humanas .
 Dependendo do ponto de vista de quem o concebe , o tempo pode abarcar concepes mltiplas .
 As diversas concepes de tempo so produtos culturais que s so compreendidas , em todas as suas complexidades , ao longo de uma variedade de estudos e acesso a conhecimentos pelos alunos durante sua escolaridade .
 Nesse sentido , no deve existir uma preocupao especial do professor em ensinar , formalmente , nos dois primeiros ciclos , uma conceituao ou outra , mas trabalhar atividades didticas que envolvam essas diferentes perspectivas de tempo , tratando-o como um elemento que possibilita organizar os acontecimentos histricos no presente e no passado : estudar medies de tempo e calendrios de diferentes culturas ; distinguir periodicidades , mudanas e permanncias nos hbitos e costumes de sociedades estudadas ; relacionar um acontecimento com outros acontecimentos de tempos distintos ; identificar os ritmos de ordenao temporal das atividades das pessoas e dos grupos , a partir de predominncias de ritmos de tempo , que mantm relaes com os padres culturais , sociais , econmicos e polticos vigentes .

 O TEMPO CRONOLGICO No estudo da Histria , considera-se que o que existiu teve um lugar e um momento .
 Utilizamse , ento , calendrios , para possibilitar que diferentes pessoas possam compartilhar de uma mesma referncia de localizao dos acontecimentos no tempo , ou seja , que todas concordem , por exemplo , que o homem chegou  Lua no ano de 1969 .
 Assim ,  importante que as crianas conheam o calendrio utilizado por sua cultura , para que possam compartilhar as mesmas referncias que localizam os acontecimentos no presente , no passado e no futuro .
 No estudo da Histria  preciso considerar , ento , que as marcaes e ordenaes do tempo , por meio de calendrios , so uma construo que pode variar de uma cultura para outra .
 As dataes utilizadas pela cultura ocidental crist ( o calendrio gregoriano ) so apenas uma possibilidade de referncia para localizao dos acontecimentos em relao uns aos outros , permitindo que se diga a ordem em que aconteceram .
 Nos primeiros ciclos , deve ser uma preocupao do professor o domnio do calendrio pelas crianas , assim como as idias a ele associadas , como as de que os acontecimentos so diferentes entre si , por receberem dataes ( dia , ms e ano ) , e so irreversveis no tempo .
 O TEMPO DA DURAO No estudo da Histria considera-se , tambm , a dimenso do tempo como durao , a partir da identificao de mudanas e de permanncias no modo de vida das sociedades .
 So essas mudanas que orientam a criao de periodizaes , como , por exemplo , as clssicas divises da Histria do Brasil , que distinguem os perodos Colonial , Imperial e Repblica , tendo-se como referncia , principalmente , o tipo de regime poltico vigente em diferentes pocas .
 De um modo geral , dependendo das referncias de estudo sobre uma dada sociedade , pode-se dividir o tempo histrico

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 em perodos que englobem um modo particular e especfico de os homens viverem , pensarem , trabalharem e se organizarem politicamente , que comeam e terminam com mudanas nesse modo de viver .
 A diviso da Histria em perodos , com base nas mudanas e nas permanncias , auxilia a identificar a continuidade ou a descontinuidade da vida coletiva , ou seja , pode-se compreender e tentar explicar quando e como um modelo de viver e de pensar sofreu grandes transformaes , quando permaneceu por longos perodos sem qualquer mudana , quando foram ocorrendo aos poucos , ou ainda quando foram interrompidos .
 O estudo dos acontecimentos , do ponto de vista de suas duraes , permite valorizar , tambm , diferentes dimenses de tempo , como j referido em outras partes deste documento , sobre o tempo de curta , mdia ou longa durao .
 Nos trabalhos com os alunos , no deve existir a preocupao em ensinar , formalmente , as conceituaes de tempo histrico , mas deve existir a intencionalidade didtica de escolher temas de estudos que abarquem acontecimentos que possam ser dimensionados em diferentes duraes .
 Por exemplo , podem-se trabalhar fatos polticos que se sucedem com rapidez no tempo , mudanas em costumes que demoram uma gerao ou costumes que demoram para sofrer transformaes .
 P o d e - s e escolher trabalhar , tambm , com acontecimentos singulares , que podem ser explicados em seus limites restritos na sua relao com alguns outros acontecimentos prximos de seu tempo .
 E pode-se trabalhar esse mesmo acontecimento em relao  sua insero em uma estrutura histrica maior , procurando distinguir a sua relao com inmeros outros acontecimentos de muitos outros tempos , extrapolando o tempo presente e revelando aspectos sociais e econmicos que perduram por dcadas ou por sculos .
 Nesse caso , o professor cria situaes pedaggicas que permitam revelar as dimenses histricas dos acontecimentos passados e presentes , expondo suas complexidades e sua presena emaranhada na realidade e na Histria .

 RITMOS DE TEMPO No estudo da Histria , considera-se , ainda , a dimenso do tempo que predomina como ritmo de organizao da vida coletiva , ordenando e seqenciando , cotidianamente , as aes individuais e sociais .
 No caso , por exemplo , das rotinas de trabalho dos camponeses , que dependem da poca do ano para plantar e colher , o ritmo de vida , que orienta suas atividades , est mais relacionado aos ciclos naturais .
 Nesse sentido ,  possvel falar que os camponeses vivenciam , no seu trabalho , um " tempo de natureza " .
 Na produo de uma fbrica , por outro lado , onde os operrios ganham pelas horas de trabalho , o ritmo de tempo  orientado , por exemplo , pela marcao mecnica das horas de um relgio .
 Esse ritmo de tempo , que pode ser chamado de " tempo da fbrica " ,  encontrado tambm em outras atividades sociais , como  o caso , por exemplo , das rotinas escolares .
 No deve existir a preocupao em ensinar formalmente aos alunos os ritmos de tempo que predominam em uma ou em outra sociedade histrica , mas de estabelecer comparaes , nos estudos realizados , sobre a predominncia de um ou outro ritmo nas atividades das pessoas e dos grupos sociais .
 Dessa forma , os alunos podem compreender e encarar de modo crtico os valores que predominam na sociedade atual , na qual o ritmo avassalador do relgio e da produo da fbrica impe , cultural e economicamente , as dinmicas e as vivncias de crianas , jovens , mulheres , homens e velhos .

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 Recursos didticos

 ATIVIDADES COM O TEMPO No trabalho com os alunos , no que se refere aos domnios em relao ao conhecimento cultural e social das medies de tempo , pode-se trabalhar uma srie de atividades envolvendo calendrios :  criao de rotinas dirias e semanais de atividades , organizando-as em quadros de horrio ou agendas , que possibilitem s crianas se organizar de modo autnomo em relao aos acontecimentos e estudos de cada dia e da semana ;  nas rotinas dirias , registro com os alunos do dia da semana e do ms , do ms e do ano , dos aniversrios , festas , feriados , dias de descanso , acontecimentos do passado e do presente que esto estudando ;  observao , registro e levantamento de hipteses sobre as repeties dos fenmenos naturais , como dia e noite , mudanas das fases da Lua , da posio do Sol no cu , na vegetao , mudanas na temperatura , nos ventos ;  criao de calendrios sustentados nessas mudanas observadas em relao aos elementos naturais , estabelecendo periodicidades de um ms para o outro , ou de ano para o outro ;  confeco de relgios de Sol , ampulhetas , relgios de gua ( clepsidra ) ;  c o n h e c i m e n t o do funcionamento e das histrias que envolvem os calendrios utilizados por alguns povos , como o cristo , o egpcio , o asteca ;  c o m p a r a   o entre os diferentes calendrios e sua utilizao para localizao e comparao de acontecimentos no tempo .
 No trabalho com tempo histrico , dimensionando-o como durao , escolher temas de estudos que possibilitem :  comparar acontecimentos do presente com outras pocas e lugares ; e  identificar e estudar acontecimentos de curta , mdia e longa durao .
 O tempo , como elemento cultural que estabelece ritmos para as atividades humanas , pode ser trabalhado por meio de estudos e pesquisas sobre os reguladores do tempo ( relgios , ciclos naturais ) :  como esto regulados os incios e os fins das atividades escolares , familiares e da populao local , quanto ao trabalho ,  alimentao , ao tempo de lazer ; e

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  comparaes sobre os reguladores do tempo da sociedade em que os estudantes vivem e os reguladores de comunidades diferentes - - de localidades rurais ou urbanas e de culturas de outros tempos e espaos .
 ESTUDOS DO MEIO  gratificante e significativo , para o professor e para os seus alunos , trabalhos que envolvam sadas da sala de aula ou mesmo da escola : visitar uma exposio em um museu , visitar um fbrica , fazer uma pesquisa no bairro , conhecer cidades histricas , etc .
 Essas situaes so geralmente ldicas e representam oportunidades especiais para todos se colocarem diante de situaes didticas diferentes , que envolvam trabalhos especiais de acesso a outros tipos de informaes e outros tratamentos metodolgicos de pesquisa .
 Tanto nas visitas , nos passeios , nas excurses , nas viagens , ou mesmo nos estudos da organizao do espao interno  sala de aula ou  escola , quando o professor quer caracterizar estas atividades como estudo do meio ,  necessrio que considere uma metodologia especfica de trabalho , que envolve o contato direto com fontes de informao documental , encontradas em contextos cotidianos da vida social ou natural , que requerem tratamentos muito prximos ao que se denomina pesquisa cientfica .
 O estudo do meio no se relaciona  simples obteno de informaes fora da sala de aula ou  simples constatao de conhecimentos j elaborados , encontrados em livros didticos , enciclopdias ou jornais , que se pode verificar in loco na paisagem humana ou geogrfica .
 No se realiza um estudo do meio para se verificar que as casas construdas no incio do sculo seguem uma srie de caractersticas relacionadas ao estilo neoclssico .
 E no se visita uma fbrica para simplesmente verificar , por exemplo , que existe uma diviso de trabalho entre os operrios .
 O estudo do meio envolve uma metodologia de pesquisa e de organizao de novos saberes , que requer atividades anteriores  visita , levantamento de questes a serem investigadas , seleo de informaes , observaes em campo , comparaes entre os dados levantados e os conhecimentos j organizados por outros pesquisadores , interpretao , enfim , organizao de dados e concluses .
 Em um estudo do meio , o estudante no depara com a composio dos contedos histricos em forma de enunciados ou j classificados a partir de conceituaes .
 Ao contrrio ,  uma atividade didtica que permite que os alunos estabeleam relaes ativas e interpretativas , relacionadas diretamente com a produo de novos conhecimentos , envolvendo pesquisas com documentos localizados em contextos vivos e dinmicos da realidade .
 Nesse sentido , os alunos deparam com o todo cultural , o presente e o passado , a parte e o todo , o particular e o geral , a diversidade e as generalizaes , as contradies e o que se pode estabelecer de comum no diferente .
 Ou seja , dos indcios da arquitetura de uma , duas , trs casas , ele pode construir seus prprios enunciados para caracterizar o estilo de habitao da poca .
 Dos ornamentos observados nas igrejas e nos detalhes das obras de arte , ele pode remodelar e conferir os conhecimentos que j domina sobre o assunto , aceitando variaes em vez de manifestaes genricas .
 E , conversando com os moradores que vivem e preservam os patrimnios histricos , pode incorporar , quilo que j sabe , um conjunto novo de representaes que inclui solues diversas .

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 No caso do estudo do meio , uma paisagem histrica  um cenrio composto por fragmentos , suscitadores de lembranas e problemticas , que sensibiliza os estudantes sobre a participao dos antigos e modernos atores da Histria , acrescentando-lhes vivncias e concretudes para a sua imaginao .
  no local , conhecendo pessoalmente casas , ruas , obras de arte , campos cultivados , aglomeraes urbanas , conversando com os moradores das cidades ou do campo , que os alunos se sensibilizam , tambm , para as fontes de pesquisa histrica , isto  , para os " materiais " sobre os quais os especialistas se debruam para interpretar como seria a vida em outros tempos , como se do as relaes entre os homens na sociedade de hoje ou como so organizados os espaos urbanos ou rurais .
 O estudo do meio  , ento , um recurso pedaggico privilegiado , j que possibilita aos estudantes adquirirem , progressivamente , o olhar indagador sobre o mundo de que fazem parte .
  fundamental para o estudante que est comeando a ler o mundo humano conhecer a diversidade de ambientes , habitaes , modos de vida , estilos de arte ou as formas de organizao de trabalho , para compreender de modo mais crtico a sua prpria poca e o espao em seu entorno .
  por meio da leitura das materialidades e dos discursos , do seu tempo e de outros tempos , que o aluno aprende a ampliar sua viso de mundo , tomando conscincia de que se insere em uma poca especfica que no  a nica possvel .
 Em um estudo do meio , o ensino de Histria alcana a vida , e o aluno transporta o conhecimento adquirido para fora da situao escolar , construindo propostas e solues para problemas de diferentes naturezas com os quais defronta na realidade .
 O estudo do meio , como recurso didtico , favorece uma participao ativa do aluno na elaborao de conhecimentos , como uma atividade construtiva que depende , ao mesmo tempo , da interpretao , da seleo e das formas de estabelecer relaes entre informaes .
 Favorece , por outro lado , a explicitao de que o conhecimento  uma organizao especfica de informaes , sustentado tanto na materialidade da vida concreta como a partir de teorias organizadas sobre ela .
 Favorece , tambm , a compreenso de que os documentos e as realidades no falam por si mesmos ; que para l-los  necessrio formular perguntas , fazer recortes temticos , relacion-los a outros documentos , a outras informaes e a outras realidades .
 Favorece , ainda , a compreenso de que o conhecimento organizado faz parte de uma produo de um pesquisador ou de um grupo de pesquisadores , a partir de informaes e de idias de muitos outros estudiosos , e  criado num tempo especfico , a partir de perguntas escolhidas e formuladas ao longo de um processo .
 A seguir , so apresentadas algumas sugestes de metodologias de trabalho na organizao de estudos do meio , as quais podem ser recriadas pelo professor :  criar atividades , anteriores  sada , que envolvam levantamento de hipteses e de expectativas prvias ;  c r i a r atividades de pesquisa , destacando diferentes abordagens , interpretaes e autores ( reportagens , jornais , enciclopdias , livros especializados , filmes ) sobre o local a ser visitado .
 Existem propostas de estudo do meio que sugerem que as pesquisas sejam desenvolvidas aps o estudo de campo .
 Nesse caso , o professor pode experimentar e avaliar diferentes alternativas metodolgicas ;

  se possvel , integrar vrias disciplinas , permitindo investigaes mais conjunturais dos locais a serem visitados , que incluam , por exemplo , pesquisas geogrficas , histricas , biolgicas , ambientais , urbansticas , literrias , hbitos e costumes , estilos artsticos , culinria , etc. ;  antes de realizar a atividade , solicitar que os alunos organizem em forma de textos ou desenhos , mesmo sendo o professor aquele que registra , as informaes que j dominam , para que subsidiem as hipteses e as indagaes que sero realizadas no local ;  se possvel , conseguir um ou mais especialistas para conversar com os alunos sobre o que iro encontrar na visita , ou sobre o tema estudado .
 Como no caso da pesquisa , a conversa com o especialista pode ser posterior ao estudo de campo ;  o professor deve visitar o local com antecedncia , para que possa ser , tambm , um informante e um guia ao longo dos trabalhos ;  organizar , junto com os alunos , um roteiro de pesquisa , um mapa do local e uma diviso de tarefas ;  conseguir , com antecedncia ou posteriormente , para estudo na classe , mapas de vrias pocas sobre o local , para anlise da transformao da paisagem e da ocupao humana ;  conversar com os alunos , antes da excurso , sobre condutas necessrias no local , como , por exemplo , interferncias prejudiciais aos patrimnios ambientais , histricos , artsticos ou arqueolgicos .
 Essas atividades podem se tornar mais ricas desde que no sejam utilizadas apenas como um modo de aproximar a teoria escolar da observao direta .
 O conhecimento est sempre embasado em teorias que orientam o olhar do observador .
 Para se estar aberto a um nmero maior de informaes  importante ter acesso a diferentes dados e conhecer vrias teorias para interpretar os fenmenos de modo cada vez mais complexo .
 Compreender as relaes entre os homens significa compreend-las no como universais e genricas , mas como especficas de uma determinada poca , envoltas em um contexto .
 No contato com a fonte de interpretao , pelo estudo do meio , podem ser criadas oportunidades para os alunos confrontarem o que imaginavam ou sabiam , com o que a realidade apresenta como materialidade , vida , com suas contradies dinmicas .
 Nesse sentido , o que se observa provoca conflitos fundamentais , que instigam os alunos a compreender a diversidade de interpretaes sobre uma mesma realidade e a organizar as suas prprias concluses como mais algumas possveis .
 Um dos aspectos mais ricos nessas atividades  quando os estudantes tm a oportunidade de conviver e conversar com os habitantes da regio , imprimindo em suas lembranas a linguagem local , o vocabulrio diferenciado , as experincias , as vivncias especficas , os costumes , a hospitalidade .
 Essas sadas podem propiciar o desenvolvimento do olhar histrico sobre a realidade .
 Isso no significa apenas observar os dados visveis .
 Com o auxlio dos habitantes locais e do professor ,

 o aluno pode identificar as caractersticas da cultura , percebendo o que no  explcito .
 Olhar um espao como um objeto investigativo  estar sensvel ao fato de que ele sintetiza propostas e intervenes sociais , polticas , econmicas , culturais , tecnolgicas e naturais , de diferentes pocas , num dilogo entre os tempos , partindo do presente .
  , tambm , desconstruir a viso espontnea do local , impregnada de idias , ideologias , teorias cientficas e mitos no conscientes , da cultura contempornea , tendo a oportunidade de reconstruir a interpretao do mundo , encarando-o de modo novo .
 Nesse sentido , at os espaos escolares e familiares podem ser escolhidos como objetos de estudo do meio .
 A utilizao de outras metodologias de ensino significa , tambm , construir o currculo ao longo do processo , partindo de vivncias do grupo ( professor e alunos ) , sem deixar de considerar o conhecimento historicamente constitudo .
 Depois de realizada a atividade ,  fundamental que o professor encontre propostas para que os alunos organizem as informaes que obtiveram , sistematizando interpretaes , teorias , dados , materiais e propostas para problemas detectados , atribuindo a esse trabalho uma funo social , isto  , conhecimentos que possam ser socializados e compartilhados com outras pessoas ( livro , jornal , exposio , mostra ) .
 Assim , alm de identificarem significaes pessoais para as atividades , os alunos podem enxergar a si mesmos como sujeitos participativos e compromissados com a Histria e com as realidades presente e futura .
 Como em outras atividades significativas que so desenvolvidas na escola , o professor no pode esquecer de escrever suas reflexes sobre os procedimentos pedaggicos escolhidos , o processo de trabalho e as produes dos estudantes .
 Os relatrios sobre as sadas podem ser socializados com outros professores , aprofundando propostas educacionais e consolidando prticas bem-sucedidas .

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 GEOGRAFIA

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 APRESENTAO

 A Geografia , na proposta dos Parmetros Curriculares Nacionais , tem um tratamento especfico como rea , uma vez que oferece instrumentos essenciais para compreenso e interveno na realidade social .
 Por meio dela podemos compreender como diferentes sociedades interagem com a natureza na construo de seu espao , as singularidades do lugar em que vivemos , o que o diferencia e o aproxima de outros lugares e , assim , adquirirmos uma conscincia maior dos vnculos afetivos e de identidade que estabelecemos com ele .
 Tambm podemos conhecer as mltiplas relaes de um lugar com outros lugares , distantes no tempo e no espao , e perceber as marcas do passado no presente .
 O documento de Geografia prope um trabalho pedaggico que visa  ampliao das capacidades dos alunos , do ensino fundamental , de observar , conhecer , explicar , comparar e representar as caractersticas do lugar em que vivem e de diferentes paisagens e espaos geogrficos .
 A primeira parte descreve a trajetria da Geografia , como cincia e como disciplina escolar , mostrando suas tendncias atuais e sua importncia na formao do cidado .
 Apontam-se os conceitos , os procedimentos e as atitudes a serem ensinados , para que os alunos se aproximem e compreendam a dinmica desta rea de conhecimento , em termos de suas teorias e explicaes .
 Na segunda parte , encontra-se uma descrio de como pode ser o trabalho com essa disciplina para as primeiras quatro sries , apresentando objetivos , contedos e critrios de avaliao .
 No final , o documento traz uma srie de indicaes sobre a organizao do trabalho escolar do ponto de vista didtico .
 Nas orientaes didticas , os princpios e os procedimentos de Geografia so apresentados como recursos a serem utilizados pelo professor no planejamento de suas aulas e na definio das atividades a serem propostas para os alunos .
 Secretaria de Educao Fundamental

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 GEOGRAFIA

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