

 [ INLINE ] Ano I , Nmero III - Setembro de 2004

 Como  " Caf Com Bytes " ?

 [ Editorial ] - Conselho Editorial Caf com Bytes

 Belo Horizonte , setembro de 2004

 Essa  a pergunta do momento : " como  Caf com Bytes ?
 " O gosto , o

 cheiro , como sentimos ?
 Como experimentamos ?

  simples ,  s assim - assim - assim como fazemos junto aos que lem :

 aqueles que tambm fazem e podem fazer ao ler a Cafcombytes.com .

 Frente  tela , junto com outras janelas , links , hiperlinks ou ns ou

 textos escolhidos menos ou mais complexos que uma vrgula ou um ponto

 de exclamao !

 Caf com Bytes possui sabor de informao que se determina pelo sapere

 do criador : leitor de mundo de l e de c .
 O que fez um texto em uma

 temporalidade anterior  outro texto pressupondo um outro que criaria

 a sua verso , seus ns de ligaes , ns de interatividade .

 Caf com Bytes , senhoras e senhores , possui gosto de voc : sabor de

 seus olhos e tudo bem !
 Olho para mim , rosto belo , e seja todo seu ...

 eu .
 Somos enfim e nos pensamos .
  por isso que desta vez

 experimentamos mais um pouco neste terceiro nmero em que estamos

 presentes .
 O desafio , agora ,  escutar a nossa voz em sua voz .
 E

 falamos com os textos de : Jairo Rodrigues , que analisa a obra Nove

 Noites , de Bernardo Carvalho ; Rodrigo Pires e sua passagem por A Roda

 do Mundo , de Edimilson de Almeida Pereira e Ricardo Aleixo ; Josu

 Borges e sua anlise de Minha Formao , de Joaquim Nabuco ; Aurisson

 Pedro , e a anlise de A eterna privao do zagueiro absoluto , de Luiz

 Fernando Verssimo ; e ainda continuamos as Hestrias de Humberto

 Mendes e sua Trilogia dos Imaginrios ; temos um artigo de Rodrigo

 Pires sobre Cotas para negros ; um artigo de Pablo Gobira sobre Arnaldo

 Antunes , iniciando a Trilogia da Poesia Contempornea ; e um Soneto

 para um vazio sorriso , de Aurisson Pedro alm da tradicional tira do

 Paulo , o falo , de Aurisson e Beto Corisco .

 V-se que , em parte , esse saber Caf com Bytes foi direcionado ao

 Vestibular UFMG / 2005 .
 Saboreie esse nmero 3 .
 Ser isso o que queremos

 mesmo dizer ?

  sempre um modo de dizer !
 O tempo que se historiografa fez dizer ,

 ver , ler e ser isso : os que olham para si mesmos , no mais sozinhos ,

 mas tambm no mais unidos .
 E agora ?
 Agora  saber o caminho a

 percorrer e no esquecer de esquecer o caminho que j percorremos

 outro dia : o de caminhar sozinhos , olhando privadamente para os nossos

 umbigos .
 Sorte , sorriso e boa leitura ...
 de tudo !

 Conselho Editorial da Revista Caf com Bytes

 Soneto para um vazio sorriso

 [ Poemas ] - Aurisson Pedro

 [ INLINE ]

 SONETO PARA UM VAZIO SORRISO

 Essa crena desprovida de sentido

  o que te guia num sonho desacordado

 E como um peito que sucumbe baleado

 Destitui o entendimento desinibido !

 A couraa de tua larva desalmada

 Procede , numa brisa , um insano inspirar

 E tuas chagas que desejam coagular ,

 Pescam a berne de cabea esfacelada .

 h , drages sorridentes sem dentes ,

 h , sementes de frutos doentes ,

 Vinde a mim , h podrides coletivas ,

 h , dentes podres de mortas gengivas :

 Esmagai estes dedos que te cutucam ,

 Mas poupai estes neurnios que j caducam !

 G G G G G G G G G G G G

 G G G G G

 G G

 Aurisson Pedro

 Cotas para negros nas universidades : ratificao ou retificao ?

 [ Artigos ] - Rodrigo Pires

 Em todo concurso  obrigatria a reserva , para deficientes , de 10 % das

 vagas disponveis .
 Podemos considerar este fato como uma evoluo de

 nossas leis e notoriamente um mrito do poder legislativo em toda

 nossa histria poltica .
 Porm , quando o assunto  a reserva de vagas

 em universidades brasileiras para pessoas de raa negra , so

 envolvidas questes de cunho ideolgico bastante complexo que

 propiciaro , caso forem efetivadas , conseqncias prticas

 inimaginveis .
  importante raciocinarmos sem procurarmos uma resposta

 para perguntas que por si prprias contm uma infinidade de solues .

 Quem  negro no Brasil ?
 Como definir a nossa afro-descendncia ?
 O

 leitor deste texto considera-se negro ?
 O que  ser negro ?
 A questo

 racial no Brasil , no mbito da educao ,  comparvel a resoluo de

 um problema matemtico de nmeros complexos ou aproxima-se das

 discusses em torno da finitude do universo , ou seja ,  algo

 transcendental , no resolvvel pelo pensamento cartesiano , niilista e

 dialtico de nossos governantes .

 Uma certa vez , quando uma " amiga " viu uma reportagem , sobre um homem

 que roubou um caixa eletrnico e foi preso quando tentou pagar uma

 corrida de txi com uma nota de cem reais , disse : " Preto quando no

 caga na entrada , caga na sada. " Proponho aqui mais alguns problemas

 matemticos , ou melhor , alguns enigmas das pirmides do Egito : Por que

 algum no pode pagar uma corrida de txi com uma nota de cem reais ?

 Qual foi a causa da desconfiana do motorista do txi ?
 Sua

 desconfiana foi justa ?
 Ou melhor , existe desconfiana justa ?
 Numa

 outra ocasio , um " amigo " assistindo em um de nossos fabulosos canais

 de tv aberta a uma reportagem , que falava sobre um jovem negro que foi

 gentilmente convidado a se retirar de um Shopping acompanhado por um

 " policial a paisana " , fez o seguinte comentrio : " Que vergonha para

 esse menino !
 " Eu educadamente , de maneira nenhuma querendo ofender a

 sua moral " crist " , retruquei : " Vergonha  roubar e no poder

 carregar. " No nos esqueamos do fulano " engenheiro " , que hoje est

 respondendo inmeros processos em liberdade , e que havia sido preso h

 pouco tempo por utilizar documentos falsos .
 Lembram-se dele ?
 Aquele

 que foi vtima do destino quando derrubou o prdio e destruiu inmeras

 vidas .
 O que me parece , na anlise dos dois casos ,  que a coisa ficou

 " preta " tanto para o engenheiro , quanto para o menino do Shopping e

 para o ladro de banco .
 Aposto com os leitores que uma grande parte

 est concordando com a ltima afirmao .
 No querendo influenciar a

 opinio alheia , a vai uma inocente pergunta de quem procura adquirir

 um desempenho lingstico condizente com a qualidade do leitor deste

 artigo : Por que no se diz que a coisa ficou " branca " ?
 J sei , vamos

 ter que estudar a histria da lngua portuguesa no Brasil para

 sabermos .

 O MEC muito bem intencionado , com o objetivo de reparar dados

 histricos , no sentido de compensar as injustias raciais , no mbito

 da educao , escreveu :

 " PROJETO DE LEI N  , DE 2004

 Institui Sistema Especial de Reserva de Vagas para estudantes egressos

 de escolas pblicas , em especial negros e indgenas , nas instituies

 pblicas federais de educao superior , e d outras providncias .

 O CONGRESSO NACIONAL DECRETA :

 Art .
 1 As instituies pblicas federais de educao superior

 reservaro , em cada concurso de seleo para ingresso nos cursos de

 graduao , no mnimo , cinqenta por cento de suas vagas para

 estudantes que tenham cursado integralmente o Ensino Mdio em escolas

 pblicas .

 Art .
 2 Em cada instituio de educao superior , as vagas de que

 trata o art .
 1 sero preenchidas por uma proporo mnima de

 autodeclarados negros e indgenas igual  proporo de pretos , pardos

 e indgenas na populao da Unidade da Federao onde est instalada a

 instituio , segundo o ltimo Censo do Instituto Brasileiro de

 Geografia e Estatstica - IBGE .

 Primeiramente ,  necessrio refletir sobre o que vem a ser

 autodeclarado negro ou indgena .
 Fora do mbito do ingresso em uma

 universidade pblica , quem se habilita a ser autodeclarado negro ou

 indgena ?
 A resposta seria talvez o ndio Galdino , que morreu queimado

 por jovens brancos de classe mdia em Braslia ?
 Ou o sobrinho do

 msico Djavan que foi convidado " educadamente " , como condiz com a

 moral e bons costumes da sociedade brasileira , a se retirar de um

 Shopping do Rio de Janeiro ?
 Ou ainda um mero annimo perseguido pelos

 capites do mato , quer dizer , a polcia , simplesmente " por no ter boa

 aparncia " ?

 Quando falamos de sistemas de cotas , estamos tratando de problemas

 mais graves que residem na base da formao de um indivduo como

 cidado .
 Ento  impossvel corrigir pelo alto , quer dizer por cima do

 amontoado de planos excludentes que envolvem a formao intelectual de

 um indivduo .
 Isso , provavelmente , causar uma maior excluso , um

 maior ndice de segregao , a partir do momento em que um estudante

 entrar pelo sistema convencional e o " outro " entrar pelo sistema de

 cotas .
 Seria melhor criar polticas sociais de incluso do negro

 pobre , do branco pobre , do mestio pobre , ou seja , de quem quer que

 esteja residindo na parcela excluda da sociedade .
 No se faz

 necessrio repetir as receitas para tais iniciativas , pois o caminho

 para tais respostas  bvio .
 No entanto  importante solicitarmos ao

 ministro da educao e ao governo federal que " criem vergonha na cara "

 e deixem de buscar medidas provisrias , quer dizer , paliativas .

 Ningum  livre de ser encaixado em um esteretipo , mas ningum quer

 ser " o outro " .
 O povo brasileiro  , numa perspectiva funcional , 100 %

 mestio .
 Porm , nem sempre foi assim .
 O africano quando veio para o

 " novo mundo " no era considerado ser humano , e ao ser " decretada a

 abolio da escravatura " , o negro foi morar s margens da cidade , ou

 seja , foi posto a margem da sociedade .

 Conclui-se , ento , que o redator deste artigo  um " marginal " ,

 portanto no leiam este artigo que estuprar sua mente , assim como foi

 estuprada sua tatarav pelo senhorzinho branco europeu .
 Bom , se somos

 frutos de estupros , e se hoje , estupro  crime , se faz necessrio que

 se criem sistemas frteis que gerem bons filhos para sociedade , a

 partir do colo do tero da educao , que  o ensino fundamental .

 Na leitura do texto de opinio , no jornal Boletim da UFMG de julho de

 2004 , do prof. Adair Carvalhais , " Cotas : mrito ou justia social ?
 " , 

 descoberta uma outra face destas discusses , a questo do mrito como

 fator preponderante para o ingresso na universidade .
 Em quais

 critrios se encaixaria o " mrito " ?
 Um estudante da classe alta e

 outro pobre teriam o mesmo mrito no ingresso na universidade ?
 Ou

 seja , os dois estudantes possuem famlias que pagaram impostos e

 outros tributos durante toda a vida e agora possuem chances diferentes

 no exame vestibular de uma universidade pblica ?
 O que ocasiona tais

 fatos ?
 Bom , digamos que a resposta seja o fator social , portanto , as

 mazelas do capitalismo .
 Ento , no se pode almejar uma correo de um

 fato histrico que se encontra no momento da formao social do nosso

 pas , enquanto nao , pelo resultado que ela causou e sim por suas

 razes e motivos que se encontram no alicerce da sociedade .

 Por ltimo , cabe analisar a " piada " abaixo , publicada no

 excelentssimo jornal Folha de So Paulo em 11/04/2004 :

 Inscrio para cotistas

 Os que concorrerem pelo sistema de cotas s podero fazer suas

 inscries pessoalmente .
 O candidato dever ser de cor preta ou parda

 e declarar-se negro , o que far na prpria ficha de inscrio .
 As

 opes de cor que o candidato encontrar na ficha so as mesmas

 adotadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica ( IBGE ) .

 Ser anexada ainda uma foto digital a ser tirada no momento da

 inscrio .
 Haver um estdio nos postos .
 " Para garantirmos que a foto

 no seja distorcida , preocupamo-nos com a qualidade da cmera e o

 fundo , que ser na cor bege , escolhido para que a imagem no seja

 alterada " , afirma Mauro Rabelo , diretor acadmico do Centro de Seleo

 e de Promoo de Eventos ( Cespe ) , rgo da UnB responsvel pela

 aplicao e correo do vestibular .

 As fotos dos candidatos cotistas sero encaminhadas a uma comisso que

 decidir pela sua homologao ou no pelo sistema de cotas .
 Segundo a

 universidade , a opo do estudante em se inscrever pelas cotas e se

 autodeclarar negro so determinantes ; a comisso s existe para evitar

 abusos .

 O grupo rene pessoas de movimentos sociais ligados  questo ,

 especialistas no tema e membros da equipe que operacionalizou a

 implantao do sistema .
 Em 21 de maio , sero divulgados os resultados

 das homologaes .
 Os candidatos que se inscreverem pelo sistema de

 cotas e no tiverem suas inscries homologadas no perdero a

 inscrio .
 Alm de poderem entrar com recurso , estaro automaticamente

 inscritos pelo sistema universal .

 Chegamos  beira do inacreditvel .
 Como algum vai declarar-se da cor

 " PRETA " ?
 A palavra preta  extremamente estigmatizada no nosso

 vocabulrio .
 Alm de tudo ,  inadmissvel o critrio de escolha por

 meio de fotografias .
 Existe evento mais discriminante que este ?

 Volta-se a para o mesmo problema .
 O que faremos com o mestio de

 cabelos lisos e pele predominantemente branca que se declarar da raa

 negra no vestibular da UNB ?
 O grande erro dessa avaliao , no mnimo

 equivocada ,  a confuso entre raa e cor da pele .
 Talvez seja melhor

 encerrar estas questes no espao deste texto , pois estas so para

 muitos anos de discusses .
 Cabe ao leitor refletir , sobretudo , ou

 ento jogar pela janela da indiferena sua conscincia e ateno .

 Bibliografia :

 http : // www1.folha.uol.com.br / folha / educacao / ult305u15346.shtml

 http : // www.mec.gov.br

 Boletim da UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais - n  1.445 , ano

 30 , 01/07/2204 .

 Rodrigo Pires

 Trilogia dos Imaginrios 2 - Dos Perfumes

 [ Hestrias ] - Humberto Mendes

 H algo no ar ...

 Respiramos diariamente 10.000 litros de ar .
  a nossa cota aproximada

 diria para que possamos nos manter vivos e em atividade .
 Mas de que

 so constitudos esses milhares de litros ?
 Bem , se voc , leitor , mora

 em Belo Horizonte , eu diria que uma parte  poluio pura ( gases

 txicos ) , outra  poluio fina ( perfumes vagabundos ) e uma terceira 

 poluio bodum ( catinga ) .
 Na soma dessas trs partes , voc tem uma

 parte grande e " marcante " .
 Mas nem s de fedores  composto o ar nosso

 de cada dia .
 Ocupam a outra parte dos dez mil , aromas e fragrncias

 variados e agradveis .
 " Cidade Jardim " j foi epteto de Belo

 Horizonte e muitos so os jardins e as flores que insistem em manter a

 cidade mais bela .

 Na primeira edio do " Imaginrios " , com alguma polmica e

 desconfiana , descrevi as personagens que povoavam os corredores da

 CALE na poca .
 Hoje , os corredores seguem movimentados , mas as

 migraes trouxeram novos seres e levaram outros j narrados ,

 fazendo-se necessria a descrio dos novos moradores .

 H algo no ar ...

 O leitor mais atento j percebeu , certamente , que os seres imaginrios

 deste texto so aromticos e com uma percepo nasal mais apurada ,

 fragrantemente , sero identificados com facilidade .

 Comeo pelo mais nobre , pelo mais engenhoso de todos eles : El

 Fedegoso .
 Versado em lnguas , El Fedegoso partiu de Salamandra h

 alguns anos e pelos corredores se estabeleceu , sempre guiado pelo

 princpio do jabuti : " Despacio y siempre " , como ele mesmo afirma .
 P a

 s s o a p a s s o e l e s e d e s l o c a , s e g u i n d o s e u c a m

 i n h o c o m t r a n q  i l i d a de .
 Ao longe , de longe , por longe ,

 para longe j se percebe que El Fedegoso est chegando por seu odor

 graveolento e por seus cabelos longos , lisos , braquirios .

 " A Rosa do Povo "  um clssico nos versos de Drummond e tambm pelos

 corredores da CALE .
  verdade que foi feita uma adaptao estilstica ,

 pragmtica , sociolgica e botnica : Bromlia Dupovo .
 Conhecida por

 Bromlia , de maneira carinhosa , ela exala uma fragrncia cida , apesar

 de no ser conhecida por isso .
 Pensei e trespensei para descrev-la ,

 mas acho que o Houaiss fez isso por mim : " Designao comum s plantas

 do gnero [ ...
 ] , das quais algumas tm fruto comestvel e / ou fibra ,

 mas so especialmente cultivadas como ornamentais " .

 H algo no ar ...

 A Clara ,  claro , no poderia ser esquecida .
 Perfume nico , claro .

 Alguns dizem que ela no existe e outros que  um espectro

 fantasmagrico que vaga , vaga , vaga , oceano .
 Navagar  preciso .

 H o meu amigo Poeta , referncia aromtica para a comunidade feminina .

 No so poucas as vezes que vejo , entorpecidas , as mulheres suspirando

 por ele e para ele pela CALE .
 Poeta por vocao e conquistador por

 inspirao , coleciona coraes e arranhes .
 Pelas palavras de

 Gregrio :

 " [ ...
 ] um Pastor namorado

 to nobre , como entendido

 das Pastoras to querido ,

 como na aldeia invejado [ ...
 ] "

 Outros eu poderia citar , mas no so suficientemente mnemnicos para

 uma descrio .
 O que posso dizer  que muitos conseguem se fazer

 sentir pelos aromas e outros pelos fedomas .
 Se voc , leitor , ainda no

 adentrou a este mundo odorfico , vai uma canetada : perfumes ,

 guas-de-cheiro e guas-de-colnia so boas opes , mas principalmente

 guas-de-chuveiro e guas-com-sabo fazem a diferena .
 Sentiu ?

 Humberto Mendes

 Trilogia da Poesia Contempornea 1 - Arnaldo Antunes : leitor de sentidos ,

 leitor das coisas

 [ Artigos ] - Pablo Gobira

 Posto o ttulo neste texto , torna-se necessrio explicar mais

 detalhadamente o objeto das prximas linhas .
 Desde j ressalto que no

 tenho como objetivo , justificar titulaes ou outra qualquer coisa .
 O

 ttulo Leitor de Sentidos , Leitor das Coisas , j est preso na figura

 de Arnaldo Antunes , por isso no intitula-se o texto e sim ,

 ressalta-se uma caracterstica desse poeta / escritor que , conforme se

 v ,  uma das caractersticas dos poetas e da poesia contempornea .

 Arnaldo Antunes ,  um poeta / escritor , artista plstico , cantor ( etc. )

 que  um leitor que no se contenta em consumir sozinho e calado suas

 leituras .
 Arnaldo Antunes transcende o mundo ( criativo e ) solitrio do

 leitor , trazendo a tona as suas produes / verses enquanto tal .
 O que

 temos ,  o sintoma da sociedade da imagem que manifesta e toma o

 indivduo .

 A relao : significante-significado

 Em todo o trabalho de Antunes , enxergamos traos referenciais das

 vanguardas poticas brasileiras das dcadas de 50/60 do sculo XX .
 A

 poesia de Arnaldo Antunes apresenta-se bastante sofisticada com

 relao a essas vanguardas , notamos facilmente a noo de

 desconstruo de certos padres presentes na poesia , como o trabalho

 com o significante , o qual Antunes explora em suas obras .
 Dou destaque

 ao livro / CD 2 ou mais corpos no mesmo espao , de 1997 , onde no poema

 Caixa de texto : Nome Algo  o nome do homem Coisa  o nome do homem

 Homem  o nome do cara Isso  o nome da coisa Cara  o nome do rosto

 Fome  o nome do moo Homem  o nome do troo Osso  o nome do fssil

 Corpo  o nome do morto Homem  o nome do outro " Apenas " ( p .83 ) , h a

 dissoluo dos significantes liquidamente at tornar-se ilegveis .

 Desde os seus primeiros trabalhos , nota-se a desconstruo e , ao mesmo

 tempo , a busca do sentido .
 Nos ltimos poemas do msico , a

 " desconstruo fsica do visual " mostra-se mais presente uma vez que

 antes a predominncia era a da desconstruo semntica .
 Dessa forma ,

 podemos notar os poemas do livro / VHS / CD Nome , de 1993 , que apresentam

 claramente um questionamento quanto a relao

 significante-significado .

 No poema " Nome " , vemos o deslocamento dos nomes das coisas abordadas

 no contedo do poema .
 Nessa linha crtica , da representao , e de

 deslocamento dos nomes , Antunes segue em diversas partes de sua obra .

 Isso acontece mais especificamente no livro / VHS / CD Nome , em que

 encontramos poemas como " Nome no " , que joga com a inverso / troca de

 significantes para a representao dos significados , e em seu

 vdeo-poema " Nome no " , em que Antunes " prega " os significantes nos

 significados , ou seja , o lexema " cavalo "  escrito no animal cavalo e

 assim por diante .

  bastante clara essa " vontade pela independncia " do significante

 para o significado em Arnaldo Antunes .
 Revela-se o questionamento das

 convenes representativas da lngua .
 Em 1986 , no artigo Tons , do

 livro 40 escritores , Antunes diz que " ( ...
 ) a questo  que a tev , o

 rdio , o discurso coloquial , os outdoors , a arte de vanguarda , o

 jornal , o gibi , os enganos telefnicos , a msica pop e a vida moderna

 em geral trouxeram consigo uma crise do sentido .
 Do mundo

 dicionarizado .
 Da correspondncia unvoca entre uma palavra e aquilo

 que ela representa. "  nesse momento que Arnaldo Antunes justifica seu

 trabalho , apresentando-o como uma representao do que a modernidade

 fez com o sentido , deslocando este .
 Ao transformar significantes , como

 diz o prprio Antunes no mesmo artigo : " H at expresses que podem

 ser empregadas em mais de uma funo sinttica , como ` puta ' , que

 cumpre no s o papel original de substantivo , como o de adjetivo

 ( " Ganhei uma puta grana " , " Fizeram um puta som " ) , sendo tambm usada

 como interjeio ( pode-se dizer " Puta !
 " como se diz " Oh !
 " ). " Essa

 noo da " Crise da Representao " em Arnaldo Antunes ,  retirada das

 vanguardas europias do incio do sculo XX atravs da releitura de

 autores brasileiros dos anos 50/60 no Brasil .

 O vdeo-poema no qual o msico apresenta melhor essa relao de

 deslocamento / troca de significantes  o poema " Carnaval " , tambm do

 livro / VHS / CD Nome , em que tambm utiliza a forma do poema para

 representar a " mensagem " .
 Enquanto uma mo escreve as palavras

 " rvore " , " pssaro " , " mquina " , uma voz l a poesia .
 Em um momento , as

 palavras escritas so rabiscadas , e ento a mo comea a escrever a

 palavra " carnaval " sobrepondo as palavras escritas anteriormente ,

 ento a voz repete constantemente a palavra " carnaval " reescrita

 diversas vezes transforma a visualidade do poema , representando assim

 uma multido , imagem tpica do carnaval .

 A cada momento descobre-se mais sentidos e deslocamentos como este nas

 obras de Antunes , de forma que cada exemplo que encontramos mostra-se

 mais rico que o anterior .
 Assim , percebemos uma evoluo dentro do

 trabalho do poeta , inovando e renovando os " sentidos bvios " e comuns .

 O msico aponta para a tendncia visual da poesia contempornea ,

 sinaliza e prepara alguns elementos da nova poesia : a simplicidade

 sinttica , s vezes prosaica , mas extremamente imagtica atravs do

 aspecto verbal / conceitual .

 As Coisas : um olhar infantil

 Caixa de texto : Um campo tem terra .
 E coisas plantadas nela .
 A terra

 pode ser chamada de cho .
  tudo que se v se o campo for um campo de

 viso .
 Parte-se agora , do livro As coisas , de 1992 , onde vislumbramos

 mais facilmente essa simplicidade do olhar de Arnaldo Antunes .

 Percebe-se , nesse livro , a vontade de Antunes de escrever poemas sobre

 o mais bvio no cotidiano , transformando assim as vises que se tem de

 poesia , que sempre parece falar do distante , do complexo .

 Em toda obra de Arnaldo Antunes , ns vemos o trnsito do autor por

 diversos aspectos do cotidiano .
 A leitura do simples tornou-se um

 deles , talvez o mais importante .
 O " simples " na vida moderna  algo

 exaltado na poesia , porm , essa mesma simplicidade da linguagem e a

 imagem do " simples "  esquecido no cotidiano das grandes cidades .

 Caixa de texto : A ponte  aonde cho - ve o rio embaixo dela .

 Antunes resgata o olhar lento da eterna descoberta , da eterna

 novidade .
 O verdadeiro olhar infantil , inocente .
 Enxerga-se esse olhar

 em seus poemas do livro As coisas , e em Caixa de texto : A ponte 

 aonde cho - ve o rio embaixo dela. outras obras do msico .
 Em poemas

 como " Um campo tem " , " A ponte  " , " Dentro " , etc. , vemos as noes e

 posies de olhares que abordam os temas dos poemas .
 Na verdade , o

 livro As coisas se apresenta como uma forte crtica 

 contemporaneidade , e  complexidade , tentando resgatar o puro das

 coisas , o simples e o direto .

 Arnaldo Antunes , atravs de sua obra , tem dominado os " sentidos das

 coisas " .
 A cada dia , apresenta-nos uma nova descoberta de sua leitura

 contnua e inovadora .
 O que torna mais impressionante a sua obra , 

 que tudo o que ele cria / descobre ,  algo que est em nossa frente ,

 fcil de ver , de entender , de criar , mesmo parecendo distante e

 difcil de dominar .
 Dessa forma , a leitura que o Arnaldo Antunes faz

 desencobre o simples e prximo transformando-os em alguma coisa

 criativa , surgindo sempre imagens , sons , silncios , palavras e nomes ,

 nascendo em uma dana cotidiana , enormes quantidades de complexas

 criaes que , esteticamente , aprontam a tendncia da nova poesia para

 um alto vigor visual e cotidiano .

 Pablo Gobira

 Nove Noites , de Bernardo Carvalho - Virtualidade e novas tecnologias :

 documento , fico , virtualizao e atualizao na construo literria

 contempornea

 [ Artigos ] - Jairo Rodrigues

 Em literatura o verdadeiro no  concebvel .

 Paul Valry

 O livro Nove Noites ( 2002 ) , de Bernardo Carvalho traz  tona

 discusses relevantes a respeito da criao literria na

 contemporaneidade .
 Temas como a memria , a contextualizao , seja

 espacial ou temporal , a hibridizao e a identidade surgem para o

 pesquisador literrio como links , portas de entrada para um melhor

 entendimento do universo ficcional que vem se estabelecendo neste

 incio de sculo .

 A trama literria tecida por Bernardo Carvalho compe um jogo no qual

 dados factuais se entrelaam a outros ficcionais formando um todo que ,

 a princpio , poderia sugerir uma investigao jornalstica .

 " 2 .
 Ningum nunca me perguntou .
 E por isso tambm nunca precisei

 responder .
 No posso dizer que nunca tivesse ouvido falar nele , mas a

 verdade  que no fazia a menor idia de quem ele era at ler o nome

 Buell Quain pela primeira vez num artigo de jornal , na manh de 12 de

 maio de 2001 , um sbado , quase sessenta e dois anos depois de sua

 morte s vsperas da Segunda Guerra. ( ...
 ) o artigo tratava de cartas

 de outro antroplogo que tambm havia morrido entre os ndios do

 Brasil em circunstncias ainda hoje debatidas pela academia , e citava

 de passagem , em uma nica frase , por analogia , o caso de ` Buell Quain ,

 que se suicidou entre os ndios Krah , em agosto de 1939 ' " .
 ( CARVALHO .

 Nove Noites .
 2002 , p .14 )

 Percebe-se , no trecho acima , que informaes factuais como a

 existncia real do antroplogo americano Buell Quain , morto por

 suicdio durante uma pesquisa que realizava junto aos ndios Krah em

 agosto de 1939 so dadas juntamente a outras cuja veracidade no se

 sustenta apenas com o relato do narrador .

 A estratgia narrativa de Nove noites requer de seu autor uma extrema

 habilidade em aproximar dados que vo de uma realidade documental a

 mais orquestrada ficcionalizao. Datas so descritas minuciosa e

 detalhadamente - " Buell Quain se matou na noite de 2 de agosto de

 1939 " ( CARVALHO , 2002 .
 p. 14 ) - e relacionadas a fatos histricos de

 conhecimento popular - " ( ...
 ) no mesmo dia em que Albert Einstein

 enviou ao presidente Roosevelt a carta histrica em que alertava sobre

 a possibilidade da bomba atmica. " ( CARVALHO , 2002 .
 p. 14 ) Uma profuso

 de referncias a personalidades sejam elas polticas , acadmicas ou de

 outras reas so invocadas para o interior do texto trazendo uma

 sensao de que os dados apresentados na narrativa poderiam se

 comprovar atravs de uma pesquisa histria .

 A incluso no corpo do livro de fotos de personagens

 histricos ( CARVALHO , 2002 .
 p. 31 ) confere um maior teor de veracidade

  narrativa de Carvalho , que traz na contra capa uma foto do prprio

 autor junto a um ndio no Xingu .
 Esta ltima foto promove a

 aproximao do autor tanto com o narrador , que tambm descreve suas

 experincias junto s comunidades indgenas daquela regio , quanto ao

 etnlogo Buell Quain .
 Sob este prisma poderia ler-se o texto como um

 emaranhado em que fico e realidade fundem-se na prpria base da

 criao literria .

 [ INLINE ]

 Buell Quain , acervo da Casa de Cultura Helosa

 Alberto Torres - IPHAN

 [ INLINE ]

 Lvi-Strauss e Helosa Alberto Torres , entre outros , no jardim do

 Museu

 Nacional , acervo da Seo de Arquivos do Museu Nacional

 [ INLINE ]

 Bernardo Carvalho , aos seis anos , acompanhado por um ndio no Xingu

 Costa Lima ( 1986 ) nos diz que :

 " a expresso literria surge e se desenvolve na Amrica Latina marcada

 por um veto : o veto ao ficcional. ( ...
 ) a ficcionalidade concede ao

 discurso que rege uma liberdade selvagem e ameaadora a todo regime

 que zela de sua verdade " ( COSTA LIMA , 1986 .
 p. 187 ) .

 Na perspectiva de Costa Lima a questo literria na Amrica Latina

 estaria atrelada  necessidade de uma vinculao ao horizonte da

 documentalidade e , em no estando , a ficcionalidade em si efetuaria o

 papel transgressor do fazer artstico cujos desdobramentos " malficos "

  sociedade remontam ao discurso platnico .

 O que Bernardo Carvalho faz em Nove Noites  justamente valer-se de

 elementos factuais , cujas ligaes entre si so feitas na trama

 literria utilizando-se de uma ficcionalidade em que a verossimilhana

  o que confere as bases para o estabelecimento de um pacto de leitura

 no qual o leitor no se sente ludibriado pelo narrador .
 As referncias

 a acontecimentos verdicos podem ser comprovadas pelo leitor mais

 atento atravs dos veculos miditicos , por exemplo , as citaes que o

 narrador faz sobre o ataque terrorista ao World Trade Center em 11 de

 setembro de 2001 sofrido pelos Estados Unidos :

 " Trocamos alguns e-mails ( ...
 ) quando dois avies de passageiros ,

 diante dos olhos atnitos de todo o planeta atingiram e derrubaram as

 duas torres do World Trade Center. " ( CARVALHO , 2002 .
 p. 154-155 )

 E , mais  frente :

 " Fazia dez meses que eu no voltava a Nova York .
 A ltima vez havia

 sido cinco meses antes do atentado de 11 de setembro. "

 Muitos outros dados histricos so relacionados na obra de Bernardo de

 Carvalho , sendo que todos eles concorrem para a construo de um

 contraponto real para a trama ficcional a que se prope o autor .

 Costa Lima discorrendo sobre o trato do material documental em suporte

 literrio salienta :

 " ...
 na anlise do discurso literrio ele ( o documento )  um elemento

 secundrio ; secundrio no significa que ele possa ser dispensado , mas

 apenas que o analista deve ter conscincia da impossibilidade de a

 partir dele , inferir a configurao do teatro mental que forma o seu

 objeto ". ( COSTA LIMA , 1986 .
 p. 200 ) ( grifo nosso )

 Partindo da considerao de Costa Lima descrita acima podemos inferir

 que ao trazer para o seu romance dados factuais , documentais , Bernardo

 Carvalho promove a ficcionalizao do real na medida em que estes

 dados so contaminados pela construo ficcional , ou ainda , ao serem

 inseridos em um contexto literrio os fatos tornam-se literrios ,

 portanto , fictcios .

 Costa Lima dizendo ainda sobre as caractersticas de no

 documentalidade da obra literria tece um comentrio relevante :

 " Quando , pois , afirmamos que a noo discursiva prpria  literatura

 tem um carter no documental , uma radicalidade no documental , no

 tornamos nosso enunciado congruente com a noo beatfica de fico -

 i.e. , de fico como um territrio que no se contamina com a

 realidade .
 Afirmamos , sim , que o discurso literrio no se apresenta

 como prova , documento , testemunho do que houve , porquanto o que nele

 est se mescla com o que poderia ter havido ; o que nele h se combina

 com o desejo do que estivesse ; e que por isso passa a haver e a

 estar ". ( COSTA LIMA , 1986 .
 p. 195 )

 Ainda sobre a dicotomia fato x fico cabe-nos lembrar Gilles

 Deleuze ( DELEUZE , 1974 .
 p. 261 ) quando na sistematizao da reverso do

 platonismo argumenta que o simulacro , justamente por corromper o

 original , traz em si a potncia de um novo original .
 Criando um

 paralelo no qual o livro corresponderia ao simulacro , uma vez que o

 dados factuais so lidos como integrantes de uma obra de fico

 poderamos inferir que o percurso sofrido pelo " real " em direo ao

 universo ficcional torna o livro de Bernardo Carvalho um novo

 original .

 Suponho que ao entrar em contato com a histria de Buell Quain ,

 Bernardo Carvalho percebe que o que h de documental , ou seja , a morte

 por suicdio de um antroplogo americano traz a potncia de uma

 possvel obra literria .
 Pierre Lvi em O que  Virtual aponta para as

 diferenas existentes entre o possvel , o real e o virtual :

 " O possvel j est todo constitudo , mas permanece no limbo .
 O

 possvel se realizar sem que nada mude em sua determinao nem em sua

 natureza .
  um real fantasmtico , latente .
 O possvel  exatamente

 como o real : s lhe falta a existncia .
 A realizao de um possvel

 no  uma criao , no sentido pleno do termo , pois a criao implica

 tambm a produo inovadora de uma idia ou de uma forma .
 A diferena

 entre possvel e real  , portanto , puramente lgica .

 J o virtual no se ope ao real , mas sim ao atual .
 Contrariamente ao

 possvel , esttico e j constitudo , o virtual  como o complexo

 problemtico , o n de tendncias ou de foras que acompanham uma

 situao , um acontecimento , um objeto ou uma entidade qualquer , e que

 chama um processo de resoluo : a atualizao. " ( LVI , 1996 .
 p. 15-16 )

 Consideremos , portanto , o material documental disponvel a Bernardo

 Carvalho quando de sua aproximao com o universo de Buell Quain .

 Carvalho tinha , suponho , a seu dispor dados desconexos sobre a

 histria do antroplogo .
 Este material inicial trazia em si a

 virtualidade de uma obra literria .
 Carvalho promove assim o que

 Pierre Lvi chama de atualizao :

 " A atualizao  criao , inveno de uma forma a partir de uma

 configurao dinmica de foras e de finalidades .
 Acontece algo mais

 que a dotao de realidade a um possvel ou que uma escolha entre um

 conjunto predeterminado : uma produo de qualidades novas , uma

 transformao das idias , um verdadeiro dever que alimenta de volta o

 virtual " ( LVI , 1996 .
 p. 16-17 )

 Semelhante  potncia do simulacro , apontada por Deleuze , o virtual

 sendo , neste caso especfico , as informaes documentais recolhidas

 por Bernardo Carvalho traz a potncia de uma obra literria que

 poderia vir a ser realizada .
 Porm , como apontado na citao acima ,

 somente atravs da transformao sofrida durante o processo de

 atualizao  que esta potncia vem a se estabelecer como real e ao

 mesmo tempo um novo espao de virtualizao .
 O romance Nove Noites ,

 tomado como objeto real , virtualizaria-se  medida que uma possvel

 futura atualizao pudesse infundir-lhe novas alteraes .

 Bibliografia :

 CARVALHO , Bernardo .
 Nove Noites .
 So Paulo .
 Companhia das letras ,

 2002 .
 171p .

 DELEUZE , Gilles .
 Plato e o Simulacro .
 In : Lgica do sentido .
 So

 Paulo : Editora Perspectiva , 1998 .
 Coleo Estudos. p. 259-271 .

 LVY , Pierre .
 O que  virtual .
 So Paulo .
 Ed. 34 , 1996 .
 p. 156

 LVY , Pierre .
 As tecnologias da inteligncia : o futuro do pensamento

 na era da informtica .
 So Paulo .
 Ed. 34 , 1993 .
 p. 203

 LIMA , Luiz Costa .
 Sociedade e discurso ficcional .
 Rio de Janeiro .

 Guanabara , 1986 .
 435 p .

 SANTIAGO , Silviano .
 Nas malhas da letra .
 So Paulo : Companhia das

 Letras , 1989 , 235p .

 Jairo Rodrigues

 Anlise da obra Minha Formao , de Joaquim Nabuco

 [ Artigos ] - Josu Borges

 Josu Borges

 Anlise da obra A eterna privao do zagueiro absoluto , de Luis Fernando

 Verssimo Minha Formao , de Joaquim Nabuco

 [ Artigos ] - Aurisson Pedro

 Aurisson Pedro

 Porque Literatura Afro-Brasileira ?

 [ Artigos ] - Rodrigo Pires

 A literatura afro-brasileira surgiu na universidade numa poca em que

 passamos a valorizar o hbrido , inclusive em outras artes .
 Surgiu na

 fico literria , pelas circunstncias , no mbito dos estudos

 culturais , enfim a presena da africanidade e sua mistura com outras

 culturas que aqui se mesclaram .

 E ainda , o elemento afro aparece como forma de valorizao de um

 contedo que sempre esteve presente na nossa literatura , porm , como

 pano de fundo : o negro , como personagem e tema , que antes era

 desvalorizado pelo olhar do " branco " agora surge pelo vis do olhar

 descortinado , como personagem principal e que se pe ou se ope 

 sociedade branca , europia e patriarcal .
 Emerge , sobretudo , um ponto

 de vista de um sujeito que se quer negro , se valoriza , se aceita e se

 assume como indivduo afro-brasileiro .
 Um exemplo disso  o escritor

 Ricardo Aleixo .

 Estudar a literatura , em sua relao com o sujeito que a produz , nunca

 foi muito aceito dentro das academias de letras , porm ,  uma

 tendncia natural , e explicvel pela teoria da literatura , como

 interpretao da sociedade .
 Ou seja , literatura e sociedade

 estabelecem uma relao direta de signo-significante para que seja

 produzido o significado .
 Finalmente ,  evidenciado a teoria do

 reflexo .
 A fico  fruto do sujeito que a produz em uma determinada

 sociedade .
 A presena de Ricardo Aleixo e de Edimilson de Almeida

 Pereira no vestibular da UFMG  uma grande vitria .
 A literatura

 brasileira agradece .

 Rodrigo Pires

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