 O MITO DE BABEL :

 CONTRA A DESAGREGAO DA LNGUA PORTUGUESA

 Jos Lus Fontenla , Dr .

 Presidente da Comisso Galega do Acordo Ortogrfico e

 das Irmandades da Fala da Galiza e Portugal ,

 Delegado da Sociedade da Lngua Portuguesa

 Em homenagem aos saudosos amigos profs. Lapa , Cunha , Cintra , G .
 Da

 Cal , Azevedo Ferreira , Herculano de Carvalho , Houaiss , Chaves de Melo

 e Coseriu , defensores da Lusofonia da Galiza , in memoriam .

 Introduo

 Vestgios do mito de Babel se mantm ainda na maneira de

 pensar a Lngua Portuguesa j no terceiro milnio , no sc. XXI , por

 falta de uma poltica comum de planeamento lingustico ( language

 planning ) em defesa da unidade estrutural da Lngua Portuguesa , seja

 ela considerada sincrnica ou diacronicamente ( FONTENLA ) [ i ] .

 Destarte a segunda lngua romnica do mundo , terceira

 Europeia de cultura de dimenso internacional e intercontinental ,

 falada nos cinco continentes por mais de 240 milhes de utentes

 ( UNESCO ) [ ii ] , nascida na velha Gallaecia romana , que chegava at ao

 Mondego , e levada a dois teros do mundo pelos Portugueses com os

 Descobrimentos , no tem uma poltica coerente que a divulgue e promova

 em toda a parte .

 Alm do mais , o diferendo Luso-Brasileiro , que permite a

 existncia do Portugus Europeu ( PE ) e do Portugus do Brasil ( PB ) ,

 com leves diferenas de pronncia , lxico , etc. est a criar derivas

 da lngua e a pr em questo a unidade estrutural profunda da lngua

 Portuguesa , embora exista um Acordo Ortogrfico de 1986 e 1990 , que

 unifica tanto quanto possvel , a escrita da nossa Lngua .

 O curioso  que a Lngua Portuguesa tem uma unidade

 estrutural superior  do Espanhol , do Francs , etc. , e que o nosso

 diassistema possui uma Gramtica do Portugus Contemporneo desde 1984

 ( CINTRA , CUNHA ) [ iii ] , que abrange os dialectos Galegos , Portugueses e

 Brasileiros .
 Tambm possui um Acordo da Ortografia Unificada desde

 1990 ( FONTENLA ) [ iv ] e um Dicionrio da Academia das Cincias de Lisboa

 desde 2001 [ v ] , com transcrio fontica correspondente ao Portugus

 Europeu , que seguem a Galiza , Portugal , os PALOP , Timor , etc. , alm de

 organismos internacionais ( UE , OMS , OIT , AIJ , etc. ) como reconhecem

 alguns autores ( SEABRA ) [ vi ] .

 Apesar da unidade estrutural da Lngua Portuguesa , alguns

 autores tencionam , a partir de perspectivas dialetolgicas , manter

 como que resduos do mito de Babel , invocando a fragmentao da

 lngua , as derivas ( drifts ) ou at a sua desagregao na Galiza ,

 Portugal , Brasil , PALOP , etc .

 Assim , na Galiza , diversas pessoas ignaras impem a

 ortografia e a morfologia castelhanas ao Portugus da Galiza

 ( MARTINHO ) [ vii ] , lngua da lusofonia ( FONTENLA ) [ viii ] de costas

 voltadas ao Parlamento , por Decreto ; a 20 de Abril de 1983 , pelo

 Conselheiro ( Ministro ) adjunto ao Presidente para a Cultura ( sic )

 Filgueira Valverde ,  publicado o Decreto 173/1982 de 17 de Novembro

 sobre a normativizao da Lngua Galega ( sic ) e por lei 3/1983 de 15

 de Junho se estabelece para j , no Dirio Oficial da Galiza , a 14 de

 Julho , a Lei de Normalizao Lingustica .
 Destarte se enceta a

 desagregao da lngua Portuguesa na Galiza , com o protesto de

 professores , escritores , intelectuais , deputados , entidades de ensino ,

 investigao e pesquisa e sindicatos galegos , etc. ( FONTENLA ) [ ix ] .

 Mas no s se impe a ortografia e morfologia do

 Castelhano ao Portugus da Galiza , como tambm se altera a sintaxe , o

 lxico , a fontica , a fonologia , tudo o que constitui um diassistema ;

 a lngua histrica ( COSERIU , HUBER , DIEZ , CINTRA , CUNHA , AZEVEDO

 FERREIRA , MIRA MATEUS , AZEVEDO MAIA , HERCULANO DE CARVALHO , etc. ) [ x ]

 que se tinha formado na velha Gallaecia , hoje conhecida como

 Portugus ,  submetida  presso do Espanhol e passa a ser uma lngua

 subordinada , iniciando-se um claro processo de substituio

 lingustica de carcter diglssico ( FERGUSON , GIL HERNANDEZ , RABUNHAL

 CORGO , BREA ) [ xi ] , que tambm se d em Olivena como tem sido estudado

 ( MATIAS RESENDE ) [ xii ] .

 Um verdadeiro golpe de estado se produz na Academia Galega

 a 3 de Julho de 1982 , para aprovar as normas daquilo a que se chamou

 portunhol 1 do ILG-RAG ( Instituto de la Lengua Gallega - - Real

 Academia Gallega ) [ xiii ] , que vigoraram atravs dos preceitos legais

 citados supra , da mo do conselheiro ( ministro ) Filgueira Valverde e

 do Presidente do Governo da Galiza Fernandes Alvor , que ordenam

 publicar Decreto e Lei no Dirio Oficial da Galiza , em texto bilingue ,

 portunhol-espanhol [ xiv ] .

 Surge ainda um portunhol 2 , que no atinge o nvel de

 oficialidade e que se justifica como uma norma transitria para

 integrao no Portugus de Portugal , das mos da Associao Galega da

 Lngua ; esta entidade privada elabora , atravs da chamada " Comisso

 Lingustica da AGAL " o " Estudo Crtico das Normas Ortogrficas e

 Morfolgicas do Galego " ( 1983 , 169 pp. ) [ xv ] ( 1989 , edio

 acrescentada , 302 pp. ) [ xvi ] ; esta " Comisso " ainda elabora , a partir

 do Portugus , mas afastando-se dele na ortografia , prosdia ou

 ortofonia , verbos , etc. , o " Pronturio Ortogrfico Galego " ( 1985 , 318

 pp. ) [ xvii ] e mesmo a CLA ( Comisso Lingustica da AGAL ) elabora um

 " Guia prtico dos verbos Galegos conjugados " ( 1988 , 128 pp. ) [ xviii ] em

 que , plagiando os verbos Portugueses , se introduzem desvios ou

 variedades que se afastam da lngua comum do PE - - Portugus Europeu .

 A filosofia desta entidade , a AGAL - - Associao Galega da Lngua - -

 passou sempre por criar uma terceira via contra o Portugus Europeu e

 Brasileiro , acordando at em no negociar os Acordos Ortogrficos de

 1986 ( Encontro de Uniformizao da Lngua Portuguesa do Rio de

 Janeiro , do qual sairiam as bases da Ortografia Simplificada da Lngua

 Portuguesa , a que tive a honra de assistir presidindo  Delegao da

 Galiza ) e de 1990 ( Encontro de Unificao Ortogrfica da Lngua

 Portuguesa de Lisboa , do qual sairiam as bases da Ortografia Unificada

 da Lngua Portuguesa , e onde todos cedemos s pretenses dos

 Portugueses , tanto os Galegos que me honraram com a presidncia da

 Delegao da Galiza novamente , como os Brasileiros e Africanos

 Lusfonos ) ( FONTENLA ) [ xix ] .
 A AGAL chegou a proibir , em congressos ,

 comunicaes escritas em Portugus por Galegos ( ASS. AMIZADE

 GALIZA-PORTUGAL ) [ xx ] e textos na sua revista ( GIL HERNANDEZ , ALDREI ,

 BREA ) [ xxi ] que deviam ir na norma portunhol 2 que defendem ainda hoje ,

 no sculo XXI , no ano 2002 !
 A lngua Portuguesa era banida pela AGAL e

 no podia ser usada por autores Galegos !
 Apenas por Portugueses e

 Brasileiros .
 Racismo ?
 , Fascismo ?
 Chi lo s .

 Ainda , na Dicionarstica , se mantm tambm uma linha de

 portunhol 1 com base nas " Normas Ortogrficas e Morfolgicas do Idioma

 Galego " ( sic ) do Instituto de Lngua Galega e da Real Academia Galega

 ( 1982 ) , declaradas oficiais em 1983 , como j dissemos , a " Gramtica

 Galega " ( sic ) de R. Alvarez , H. Monteagudo e X.L. Regueira ( 1986 ) e o

 " Vocabulrio Ortogrfico da Lngua Galega " ( 1990 ) do ILG-RAG , redigido

 por A. Santamarina e M. Gonzalez , que serviu para a elaborao

 posterior do " Dicionrio da Real Academia Galega " ( 1997 ) , com 25.000

 entradas lexicais .
 Esta linha de portunhol 1 mantm que o Portugus da

 Galiza no tem a ver com o Portugus Europeu de Portugal Continental e

 ilhas , e do Brasil , PALOP , Timor , etc. ; tenciona criar por via de

 elaborao ( ausbau , MULJACIC ) [ xxii ] a partir do poder poltico Galego ,

 subordinado ao Espanhol , no s na ortografia ( VILAR TRILHO ) [ xxiii ] ,

 uma lngua diferente , que fica como um satlite do castelhano na

 ortografia , na morfologia , sintaxe , lxico , fontica , fonologia , etc .

 Uma outra linha de portunhol 2 , a que representa a AGAL - -

 Associao Galega da Lngua - -  defendida na Dicionarstica por

 ESTRAVIZ [ xxiv ] que publicou dois Dicionrios da Lngua Galega ( sic ) em

 1986 [ xxv ] e posteriormente em 1995 [ xxvi ] , com entradas lexicais em que

 se misturam dicionrios portugueses , espanhis , etc. , mas sem conhecer

 bem os moldes da lngua Portuguesa , o que cria contradies nas 80.000

 entradas lexicais , com falsos amigos , predomnio da acepo espanhola ,

 etc .

 Ainda bem que o DACL - - Dicionrio da Academia das

 Cincias de Lisboa - - de 2001 [ xxvii ] , com transcrio fontica , vem

 pr as coisas direitinho , com focos ortopicos que aceitam todas as

 variedades dialectais da Galiza , Portugal , PALOP , Timor , etc. , id est ,

 do PE - - Portugus Europeu da Galiza-Portugal , que os PALOP e Timor

 seguem .
 O recentemente sado Dicionrio de Antnio Houaiss [ xxviii ] no

 traz transcrio fontica .
 Existe ainda o Dicionrio do Portugus

 Bsico de Mrio Vilela [ xxix ] , com 3060 entradas lexicais , com

 transcrio fontica de uso escolar e discusso na transcrio de

 algumas palavras , que se percebem como nortenhas por alguns autores .

 Existe tambm algum intento de considerar a desagregao

 da lngua Portuguesa nos PALOP , o que consideramos errado , enquanto

 no se ensine adequadamente no sistema educativo , a par de outras

 lnguas nacionais africanas , o que evitaria os problemas que citam

 alguns dialectlogos e gramticos ( GONALVES ) [ xxx ] ; o mesmo

 acontecendo com os crioulos ( PEREIRA ) [ xxxi ] que ho-de ensinar-se com

 o Portugus Europeu .

 No caso do Brasil j Celso Cunha havia alertado para o

 problema ( CUNHA ) [ xxxii ] assim como outros autores ( LUCCHESI ,

 LOBO ) [ xxxiii ] mais recentemente ; enfim , a mudana lingustica existe

 no PE e no PB e existem variaes lingusticas nascidas das derivas

 naturais da Lngua Portuguesa , com maior unidade estrutural do que

 outras lnguas novilatinas e no s , mas a gramtica , a fonologia e o

 lxico mantm-se substancialmente nos espaos to vastos onde se fala

 a nossa lngua .

 Tenho para mim que h alicerces bsicos como a Gramtica

 do Portugus Contemporneo de Cintra e Cunha de 1984 [ xxxiv ] , que

 recolhem os dialectos Galegos , Portugueses e Brasileiros do nosso

 diassistema ; o Acordo Ortogrfico de 1990 que unificou a escrita ,

 tanto quanto possvel , da nossa lngua comum , e que deve ser

 implementado o mais cedo possvel com o VOCT - - Vocabulrio

 Ortogrfico Comum e de Terminologia - - e o DACL , Dicionrio da

 Academia das Cincias de Lisboa , 2001 [ xxxv ] , ao que se deve seguir um

 Grande Dicionrio da Lngua da Lusofonia , a partir do Dicionrio

 Aurlio Buarque de Holanda , Antnio Houaiss , etc. , com suporte

 informtico , de papel , e outros , de maneira a servir todos os utentes

 da lngua Portuguesa no mundo , nos cinco continentes .

 Defender a unidade na diversidade , a unificao

 terminolgica ( HERCULANO DE CARVALHO ) [ xxxvi ] , uma poltica de lngua

 comum ( language planning ) parece o mais correcto nesta altura

 histrica , em que a lusofonia serve 4 % da populao mundial , com mais

 de 240 milhes de falantes ( UNESCO ) [ xxxvii ] .

 Em defesa da unidade da Lngua Portuguesa , Lngua Histrica , Lngua da

 Lusofonia

  lamentvel , havendo um continuum galego-portugus , como

 diz COSERIU [ xxxviii ] , que haja pessoas que envidam esforos no sentido

 de provocar a desagregao da lngua Portuguesa , tentando separar o

 que o mesmo povo e etnia sempre manteve unido e que foras polticas

 tencionaram dividir , procurando espanholizar a Galiza e priv-la da

 sua Lngua Portuguesa , a mesma de Portugal , Brasil , PALOP , Timor , etc .

 ( HUBER ) [ xxxix ] , quando  que o Portugus e a lngua castelhana podem

 conviver na Galiza , o Portugus como lngua prpria e o castelhano

 como segunda lngua instrumental , alm de outras lnguas europeias de

 cultura que devem ser introduzidas no ensino , em benefcio dos

 cidados da Galiza que cada vez mais ho-de ser multilingues na Europa

 das lnguas e das culturas dspares e diversas ( FONTENLA ) [ xl ] .

  bvio que o portunhol 1 do ILG-RAG e o portunhol 2 da

 AGAL esto num beco sem sada e pressupem um notrio intento de

 desagregao da lngua nos aspectos ortogrfico , morfolgico ,

 sintctico , fontico , fonolgico , semntico , lexical , etc. , por razes

 extra-lingusticas no primeiro caso , de subordinao ao poder e ao

 castelhano ; de tentativa de construir uma terceira via ,

 anti-portuguesa tambm , no segundo caso , voltando as costas 

 Histria , para formular por lngua igualmente de elaborao ( ausbau )

 uma alternativa ao PE - - Portugus Europeu - - e PB - - Portugus do

 Brasil , plagiando at o Portugus para o deturpar e alterar ,

 desnaturalizando-o .
 Quem assim age est a agredir a lngua do povo e o

 povo-povo , que a fala a norte e sul do Minho e raia seca , no

 continente europeu e nas ilhas , no Brasil , nos PALOP e em Timor , que

 aceitaram a nossa lngua como oficial .
 Em ambos os casos trata-se de

 imperialistas fracassados como diria Castelo , porque a Lngua

 Portuguesa continua , malgrado todas as normas impostas contra ela , sob

 a forma do portunhol 1 do ILG-RAG e portunhol 2 da AGAL , na boca do

 povo-povo , Z-Ningum da Histria , mas que soube conservar a lngua

 nacional e pessoal atravs dos tempos .

 O que  grave  que no ensino , na administrao , na tv ,

 etc. , cada vez mais , em consequncia da filosofia ( ?
 ) lingustica

 ( preconceitos ) dos defensores do portunhol 1 e 2 , que querem elaborar

 uma norma e uma lngua ausbau , por elaborao a partir de moldes do

 espanhol , se esteja a eliminar os aspectos ortogrfico , morfolgico ,

 sintctico , fontico , fonolgico , lexical , etc. , para confirmar como

 lngua predominante e de cultura a espanhola , e como lngua

 subordinada e de patois ou mistura de Portugus e Espanhol

 ( portunhol ) , em maior ou menor grau , o Portugus .
 Tal extremo chega

 tambm ao que chamam o " Galego cientfico " ( GARRIDO , RIERA ) [ xli ] em

 que plagiam o PE e o PB mas impondo a ortografia da AGAL , que tem

 presumivelmente traos medievais , mas que no fizeram em muitos casos

 parte da histria da lngua , antes correspondendo a processos de

 lngua de laboratrio ( por elaborao , ausbau ) , dificilmente

 justificveis em quem devia saber lingustica , sociolingustica ,

 romanstica , etc .

 E toda esta elaborao de portunhol 1 e 2 , como que

 respeitando o Portugus como lngua histrica e lngua da lusofonia

 ( ESTUDO CRTICO , MONTEAGUDO , SALGADO ) [ xlii ] , dizendo que se recorre ao

 Portugus para a terminologia , como a lngua mais adequada , etc. ,

 enquanto se atenta contra a sua unidade estrutural e se defende a sua

 desagregao , a todos os nveis , at com perseguio de professores ,

 alunos , escritores , intelectuais , cidados que no aceitam a burla de

 se inventar uma lngua diferente do Portugus do povo e da

 Nacionalidade Galega , que  a mesma do PE - - Portugus Europeu , do PB

 - - Portugus do Brasil , PALOP , Timor , etc .

 No h dvidas de que a um Estado Espanhol democrtico , de

 carcter confederal-federal ( VILAR TRILHO ) [ xliii ] e  Repblica

 Portuguesa democrtica lhes convm que o Estado Espanhol tenha duas

 lnguas oficiais na Galiza , o Portugus como lngua prpria a o

 Castelhano ou Espanhol como 2 lngua instrumental ; o caso do Estado

 espanhol  similar , pois com o Portugus pode entrar no vasto mundo da

 lusofonia dos trs AA ( Amrica , frica , sia ) , alm da UE e da

 Galiza-Portugal , e com o espanhol pode entrar no imenso mundo da

 Hispanofonia .
 Pense-se no Mercosul e em outras perspectivas da frica

 lusfona e no s .
 Parece , pois , do maior interesse para

 Galiza-Portugal e para o Estado Espanhol que o Portugus se mantenha

 na Galiza , com o espanhol como 2 lngua instrumental , e outras

 europeias de cultura como 3 e 4 lnguas : Ingls , Francs , Alemo ,

 etc .

 Os traos isfonos e isoglssicos fazem pensar que o

 Portugus abrange Galiza-Portugal e zonas das Astrias , Castela-Leo e

 da Extremadura espanhola , alm do caso claro de Olivena ( LUNA ,

 MATIAS ) [ xliv ] .

 Enfim , mantm-se o que afirmava HUBER [ xlv ] na sua

 Gramtica do Portugus Antigo em 1933 : " O Portugus - - que fora da

 Repblica Portuguesa ainda hoje se fala na provncia Espanhola da

 Galiza , situada ao norte de Portugal ( ...
 ) proveio , como as restantes

 lnguas romnicas , da lngua romana corrente " ; tambm as IRMANDADES DA

 FALA em 1933 [ xlvi ] afirmavam : " chegamos ao pleno conhecimento ,

 verificvel por quem quiser , de que no h termo nitidamente Portugus

 que no seja Galego , e vice-versa , coisa que convm sublinhar para que

 no seja desconhecida por ningum " ( Pena Mosteiro , Salvador foi o

 editor e prefaciador do Vocabulrio das Irmandades da Fala de 1933 ) .

 O levantamento lingustico do Portugus Europeu desde a

 Galiza-Portugal s ilhas regista os dialectos Galegos , Portugueses ,

 das ilhas , como recolheram Cintra e Cunha na sua Gramtica do

 Portugus Contemporneo , de 1984 , juntando a os dialectos

 Brasileiros , como  natural .
 A unidade estrutural da lngua tanto num

 sentido diacrnico como sincrnico , desde a apario dos primeiros

 textos em Portugus at hoje  superior  do Espanhol , Francs ,

 Italiano , Catalo , etc. , s para citar algumas lnguas novilatinas , e

 tambm  do Alemo , do Neerlands , etc. , no cabendo aqui falar de

 lnguas diferentes mas de diferentes variedades dialectais prprias de

 toda a lngua .

 Assim , pense-se na diferena de pronnica , sotaque ,

 linguajar , etc. , a norte do Minho e Trs-Os-Montes , Minho Portugus ,

 de j , g , ch ; confuso de v-b ; persistncia do ditongo ei face ao sul ,

 onde  subsumido ( ribero em lugar de ribeiro , etc. ) ou no ditongo ou

 na mudana para oi ( ouro / oiro ) , o / s / Beiro , os dialectos de Castelo

 Branco e Portalegre ou do Barlavento algarvio , para alm das

 variedades dos Aores , Madeira e fronteirias , etc. , diversidade e

 interferncia em Olivena , Galiza , zonas lusfonas das Astrias ,

 Castela-Leo , Extremadura ...
 as variveis em vocalismo e consoantes ,

 etc. , que Ferno de Oliveira informa na sua Gramtica de lingoagem

 Portuguesa , em que verifica o fenmeno de engolir as vogais cada vez

 mais para o sul em Portugal mantendo-se ainda no Portugus da Galiza e

 do Brasil ( MARQUILHAS ) [ xlvii ] .

 H divergncias em Portugal entre os falares de norte a

 sul e do interior e litoral , como tambm na Galiza , nas ilhas de

 Madeira e Aores , etc. , em que se realizam plurais  Galega , etc. , e

 isso s demonstra a unidade estrutural da lngua no domnio

 lingustico da faixa atlntica da Galiza-Portugal e ilhas ; no que

 chamamos PE - - Portugus Europeu , mas que tambm est relacionado com

 o Portugus do Brasil como Portugus estagnado , o que alis acontece

 com o espanhol da Amrica Latina ou formas no-castelhanas das falas

 espanholas das Canrias , Extremadura , Andaluzia , etc .

 No Portugus do Brasil a pronncia do E tono

 principalmente em posio final em I ( tardi por tarde , ponti por

 ponte ) e tambm pirigo , ricibo , etc. , ou minino , milhor - - que tambm

 se dem estes ltimos no Portugus da Galiza no implica grande

 diferena do PE ; assim tambm optaram os Brasileiros [ xlviii ] pela

 terminao diminutiva em - inho em vez de - ito como os Galegos .

 Em todo o caso , a variedade dialectal no faz a norma

 padro que neste momento representa o DACL para o Portugus Europeu ,

 que acolhe todas as variedades do diassistema atravs de focos

 ortopicos standard ou padro , sem alterar a estrutura natural da

 lngua e seu gnio ou identidade entre outras lnguas ou realizaes

 dspares da mesma lngua .
 Todos os autores entendem que a questo da

 lngua Portuguesa da Galiza ( MARTINHO ) [ xlix ]  questo de lingustica

 e no de poltica pelo que se deve cingir  lingustica ( AZEVEDO MAIA ,

 MIRA MATEUS , AZEVEDO FERREIRA , FERREIRA , CARRILHO , LOBO , SARAMAGO , DA

 CRUZ ) [ l ] e que faz parte do PE , Portugus Europeu , e do PB , Portugus

 do Brasil , nalguns traos arcaicos e outras caractersticas , que

 citamos supra , motivo pelo qual ns , os Galegos , participamos na

 elaborao dos dois Acordos Ortogrficos da Lngua Portuguesa de 1986

 e 1990 , ajudando a elaborar uma Ortografia comum para a nossa lngua

 ( FONTENLA ) [ li ] , tendo presente , como pe em relevo DURO [ lii ] , que " a

 ortografia do Portugus baseia-se na que evoluiu do seu bero

 original , conservando a configurao histrico-etimolgica do romano

 ocidental e representa a superao das diferentes variedades da fala

 num s padro ortogrfico supra-dialectal , reconciliando a economia

 grfica com a fidelidade  etimologia e ao gnio histrico da Lngua "

 ( in " Pronturio Ortogrfico das Irmandades da Fala " , 1984 ; o porqu da

 edio deste Pronturio e a Didctica , com sistema de acentos , normas

 grficas , etc. , so de minha autoria , e o Pronturio de Duro ; h

 edio revista de 2000 , em disquete ) .

 E Duro ainda esclarece , relativamente  ortografia , " a

 oficializao da lngua nos estados Portugus , Brasileiro , etc. ,

 determinou a fixao de mais de uma norma ortogrfica dentro do mesmo

 padro lingustico ...
 mas estas divergncias normativas menores no

 impedem a conscincia e o reconhecimento expresso de pertena a uma

 lngua comum. "

 Mas ns , os Galegos , no pedimos s uma ortografia

 unificada como tambm uma ortofonia comum mnima ou ortologia ,

 ortopia [ liii ] ; e uma dicionarstica comum , terminologia uniforme ,

 etc. , pelo que nasceu o VOCT , Vocabulrio Ortogrfico Comum e de

 Terminologia , para toda a Lusofonia , na negociao do primeiro Acordo

 Ortogrfico de 1986 , o que se continuou no Acordo de 1990 , mas que

 infelizmente no se implementou ainda por causas polticas , ao

 travarem o processo Presidentes de Estado , Primeiros Ministros e

 Ministros , na Cidade da Praia , a 17 de Julho de 1998 ( !
 ) atravs de um

 Protocolo Modificativo do Acordo Ortogrfico da Lngua Portuguesa ,

 paralisando assim toda a reforma ortogrfica necessria  lusofonia .

 Em definitivo , mantemos um discurso de unidade da Lngua

 Portuguesa , como  natural , face  desagregao , com base no Acordo

 Ortogrfico Comum , Ortofonia ou Ortologia comuns , Gramtica Comum e

 Dicionarstica e Terminologia Comum , assim como presena activa nas

 NTI - - Novas Tecnologias da Informao , IU - - Indstrias da Lngua , SE

 - - Sistemas Educativos , etc. , alm do incio do andamento do IILP - -

 Instituto Internacional da Lngua Portuguesa , com outra sede mais na

 Europa para receber subsdios e ajudas da UE , assim como no Brasil ,

 alm de em Cabo Verde .
 Queremos um IILP operacional , dando impulso 

 lngua na Europa nascida , e hoje lngua dos cinco continentes .

 O Portugus da Galiza faz parte do Portugus possvel

 ( FONTENLA ) [ liv ] do sculo XXI e do III milnio , no do galego

 ( im ) possvel ( FAGIM ) [ lv ] , que est num beco sem sada em todos os

 aspectos : ortogrficos , morfolgicos , sintcticos , fonticos ,

 fonolgicos , lexicais , etc. , constituindo um portunhol ( mistura de

 Portugus substrato com espanhol imposto por ausbau ou elaborao ) que

 morrer neste sculo , atravs de um processo de substituio

 lingustica e assimilao aculturadora ( BREA , BRANCO ) [ lvi ] .

 Nem o portunhol 1 do ILG-RAG , apesar das propostas de

 reforma do ano de 2001 [ lvii ] , nem o portunhol 2 da AGAL , malgrado as

 intenes de o impor em Portugal em revistas , ou na Galiza

 ( AGALIA ) [ lviii ] , podero resistir sem se integrar no Portugus de que

 fazem parte , como queria RODRIGUES LAPA [ lix ] , ou propunha COSERIU [ lx ] ,

 ou GREGORIO SALVADOR [ lxi ] , nada suspeito neste tema , eliminando toda a

 ortografia , morfologia , sintaxe , fontica , fonologia , lxico , etc. ,

 espanhis voltando  fons et origo da lngua comum Galego-Portuguesa

 em origem e depois Portuguesa , por aco dos Portugueses na descoberta

 de dois teros da humanidade .

 Nas Gramticas decimnicas Portuguesas , e no s , a Lngua

 da Galiza aparece como co-dialecto do Portugus , naturalmente ; e assim

 o recolhem diferentes autores da romanstica , to degradante situao

 sofreu a nossa lngua comum , a norte do rio Minho , na Galiza ; Krger ,

 Schneider , Diez , Huber , etc. , recolhem este Portugus arcaico ,

 estagnado , rebaixado a lngua de lavradores e marinheiros , e quase

 nunca usado pela burguesia , e menos pelo poder , que se efectivava em

 castelhano , lngua companheira do imprio , no dizer de Nebrixa , j em

 1492 , aquando da sua primeira Gramatica de la Lengua Castellana .

 Assim , os iluminados Feijo e Sarmiento esclarecem que a

 Lngua Portuguesa nasce da Galega , ou Oliveira Martins ou Leite de

 Vasconcelos , ou Mattoso Cmara Jr. , sendo que j Nunes de Leo ou o

 Marqus de Santillana falavam da Lngua Portuguesa ou Galega ; e ainda

 Tefilo Braga reconhece que Portugal nasce de um retalho da Galiza .

 H toda uma tradio romanstica que mantm que a lngua 

 a mesma , se bem que da parte de Portugal , ao no ficar sob as patas do

 leo de Castela , " se aventajou por em Portugal haver reis e corte que

  a oficina onde os vocbulos se forjam " [ lxii ] .
 Azevedo Maia [ lxiii ]

 tem analisado o fenmeno lingustico de maneira sria e acaba por

 reconhecer que o mesmo diassistema sofreu interferncias polticas ,

 como Helena Mira Mateus [ lxiv ] , etc .

 Eis o que faz que o portunhol enfrente actualmente o

 Portugus e provoque a sua desagregao , o que devemos impedir atravs

 de todos os recursos de que dispomos e de quantas polticas da lngua

 sejam precisas .

 A nossa Lngua Portuguesa tem uma unidade estrutural

 atravs do tempo , que se realiza em elementos lgico-semnticos do

 contedo e em elementos comunicativo-pragmticos ; uns da imagem

 cognitiva ; os outros da situao comunicativa .
 Os sememas

 ( significados ) , fonemas ( significantes ) , lexemas ( portadores de

 significado lexical ) e morfemas ( portadores de sentido gramatical )

 constituem essa estrutura e o relacionamento entre estruturas de

 contedo e estruturas de expresso permitem avaliar a unidade

 estrutural da lngua histrica , nos termos de Coseriu ; Grtner [ lxv ]

 explicita como os verbos em Portugus so capazes de constituir quatro

 tipos sintcticos de predicado : verbal , nominal , verbo-nominal e de

 verbo funcional ( p. ex. , dar permisso , fazer uma pergunta , pr em

 dvida , ter em conta , etc. ) , tipo no considerado geralmente nas

 gramticas de Portugus , acrescenta .

 Para este autor a relao entre as estruturas de contudo e

 as estruturas de expresso no so idnticas , so assimtricas ,

 cabendo a sinonmia sintctica e a homonmia sintctica .
 A estrutura

 semntica do Portugus mantm-na este autor atravs de enunciados

 simples , complexos , e transformaes de enunciados simples e

 complexos , descrevendo as palavras segundo a sua morfologia , incluindo

 as realizaes fonticas europeia e brasileira .
 Grtner trata da ordem

 dos elementos oracionais da perspectiva funcional , das construes

 clivadas conforme o predicado , das oraes de voz passiva , das

 interrogativas , das exortativas , das oraes de resposta to tpicas

 dos lusfonos , em que se responde com o verbo ; as oraes optativas e

 exclamativas ( globais , parciais , etc. ) , dentro de uma concepo

 funcional , que nos diz respeito  unidade da lngua e sua defesa .

 Em todo o caso , a lngua  algo histrico , evolui ; 

 companheira do ser humano ; e a variao  o modo de ser lngua ;

 fala-se , segundo Coseriu [ lxvi ] , em variao diacrnica ou histrica ; e

 em variao sincrnica , em perodo de transio entre formas

 concorrentes ; e ainda de variao diatpica ou geolingustica ou

 dialectal ; de variao diastrtica ou social ; de variao diafsica de

 " registo " ou idiolecto ; mas h ainda entre linguistas algumas vezes

 diferenas entre dialectos e variedades , reservando-se as falas como

 locolectos , quando ocupam apenas uma localidade ; mas em todo o caso ,

 conforme h um continuum na lngua histrica , h um continuum

 dialectal , de tal forma que  dificlimo no encontrar fenmenos

 similares nas falas no mesmo domnio lingustico , p. ex. , do Portugus

 possvel ( FONTENLA ) [ lxvii ] ou do Portugus in toto , da Galiza ,

 Portugal , Brasil , PALOP , Timor , etc. , do que constitui um diassistema

 ou uma lngua histrica no sentido de Coseriu .

 Assim alguns autores consideraram que as falas da Galiza

 ou dialectos Galegos , como os setentrionais , centro-meridionais ,

 insulares , etc. , Portugueses e Brasileiros , fazem parte da mesma

 lngua histrica e , portanto , devem assumir o Portugus padro para a

 realizao culta , por acolher o padro todas as formas de realizao

 oral enquanto tal padro , com o que concordamos .

 Os dialectos transmontanos e alto-minhotos , os

 baixo-minhotos , durienses e beires , do centro-litoral e do

 centro-interior , e insulares dos Aores e Madeira tm realizaes

 orais similares , tal como acontece no Brasil , ou na Galiza , de maneira

 que traos isfonos e issoglssicos permitem confirmar que a lngua 

 una e a mesma , em todo o domnio lingustico do Portugus , da Galiza ,

 Portugal , Brasil , PALOP , Timor , etc. ( em etc. inclumos zonas

 transfronteirias do Portugus actual , das Astrias , a parte de

 Castela-Leo que foi tirada  Galiza em 1833 pelo ministro espanhol

 Javier de Burgos , da Extremadura , Olivena , etc. , que at autores como

 Gregorio Salvador e outros consideram naturalmente fazer parte do

 Portugus continental ) .

 Os defensores do portunhol 1 e 2 procuram a desagregao

 da lngua comum , e como no Crtilo de Plato " vo modificando as

 palavras originais at que nenhum ser humano consiga entender o que a

 palavra significa " , colonizando espanholamente o povo-povo lusfono da

 Galiza e esmagando a Ptria Galega , Mater da lusofonia , onde a lngua

 Portuguesa nasceu em territrio da Galiza Magna ( PIEL ) [ lxviii ] , que

 chegava at ao Mondego ( LAPA ) [ lxix ] .

 Contra a desagregao da Lngua Portuguesa : A / Integracionismo de

 Rodrigues Lapa e Lngua Histrica de Coseriu

  o integracionismo de LAPA [ lxx ] em " Estudos

 Galego-Portugueses : Por uma Galiza Renovada " de 1979 que vai

 proclamando a necessidade de assumir-se pelos Galegos o Portugus

 padro como lngua de cultura e para evitar a dialectalizao e

 castelhanizao do Portugus da Galiza ( MARTINHO ) [ lxxi ] ; tambm em

 dois trabalhos que me enviou e que no puderam ser publicados

 imediatamente na altura , " A reintegrao lingustica galego-portuguesa

 - - um drama que afecta a ns todos " [ lxxii ] , j publicado naquele livro

 e na Nova Renascena , e o que considero indito , " O problema

 lingustico da Galiza : sobre cultura e idioma na Galiza " [ lxxiii ] , at

 ser publicado por ns em 1985 ( discurso proferido na Exposio do

 Livro Galego na Universidade de Aveiro a 16 de Julho de 1982 ) .

 O saudoso amigo Lapa remetia textos que j estavam nos

 " Estudos " e que optam pela integrao da lngua da Galiza no sistema

 Luso-Brasileiro ; afirma LAPA [ lxxiv ] que " em meados do sculo XIII , j

 de h muito , estavam politicamente definidos os limites da Galiza e de

 Portugal ; ...
 para uma justa compreenso do fenmeno trovadoresco

 teremos de admitir uma perfeita unidade cultural entre as duas

 regies ...
 " acrescentando que " o povo Galego tem sabido conservar ,

 atravs de tudo , com uma teimosia passiva , que  a nota dominante do

 seu carcter actual , o indigenato da sua cultura , que , sendo Galega , 

 tambm portuguesssima. " [ lxxv ]

 Para afirmar ainda " o nico remdio eficaz para a salvao

 do idioma ( da Galiza ) , gravemente ameaado , dever ser uma decisiva

 aproximao com o Portugus , que poder considerar-se a expresso

 literria do Galego " [ lxxvi ] , citando Lopez-Aydillo , Portela

 Valladares , Correa Calderon ou Herculano , " Virando-nos para o mar , em

 qualquer ponto que estejamos , o Galego rebenta-nos direita " , o que

 equivale a dizer que , para o insigne historiador , todo o Portugal 

 Galego , " muitas vezes sem saber que o . " [ lxxvii ]

 Lapa ainda diz : " Esse idioma Galego , que nos parece hoje

 um pouco diferente do nosso , tem uma histria melanclica como a do

 indivduo que o fala .
 Degradou-se por falta de cultivo literrio , e

 conservou-se no seio do povo. " [ lxxviii ]

 E que a " construo da lngua literria comum  hoje ,

 merc de circunstncias diversas , a tarefa urgentssima do Galego .

 Esta koine tem de surgir acima dos particularismos locais e ter de se

 apoiar , obviamente , no no castelhano , mas sim no Portugus. "

 " H pois que restaurar o Galego e obrig-lo a ser o que j

 foi : um instrumento artstico , que as devastaes do tempo , a maldade

 e a incria dos homens foram deteriorando e desfigurando , at ficar no

 estado em que o vemos .
 Totalmente identificado , nos sculos XII e

 XIII , com o Portugus , separou-se deste por razes conhecidas , mas nem

 por isso deixou de ser radicalmente a mesma lngua " ...
 " Nada mais

 resta seno admitir que , sendo o Portugus literrio actual a forma

 que teria o Galego se o no tivessem desviado do caminho prprio , este

 aceite uma lngua que lhe  brindada numa salva de prata " ...
 " Daqui a

 vinte e cinco anos , essa lngua renascida para a civilizao ,

 incorporada j de plenos direito no idioma de Portugueses e

 Brasileiros , seria lida por mais de 200 milhes de indivduos. "

 " De qualquer forma , e para conforto dos que o amam , o

 Galego no morrer , por uma simples razo :  que ele est bem vivo e

 razoavelmente puro no Portugus de hoje " [ lxxix ] .

 Lapa cita ainda Biqueira , Castelo , Tettamancy , e afirma

 " A lngua no  apenas um meio simples , imediato , de comunicao ; 

 tambm , e talvez acima de tudo , em sua forma literria , uma admirvel

 criao artstica , de que nem o homem nem a sociedade , qualquer que

 seja , podero jamais prescindir .
  este ltimo ponto que hoje est na

 em causa do problema do Galego : no se trata do idioma vulgar , que

 continuar a existir , mas da criao ou apropriao de uma forma

 literria de alto nvel que , por sua vez , ir melhorando e salvando a

 fala corrente .
 E dizemos apropriao porque o caso do Galego  uma

 excepo felicssima : essa lngua literria de que ele carece est

 feita desde h oito sculos e chama-se hoje Portugus " [ lxxx ] .

 Lapa ainda dir " ...
 parece-me que a reforma do Galego

 deveria comear pela reforma ortogrfica e do seu lxico , banindo dele

 as formas esprias que o abastardam ...
 so ainda pouco numerosos os

 estudos de geografia lingustica a alto nvel e recobrindo todo o

 territrio Galego ; mas o que h feito demonstra at que ponto

 calamitoso os falares locais esto sendo invadidos e desfigurados pelo

 castelhano .
  mixrdia que da resulta d-se o nome de castrapo " ...

 " pois desde uma perspectiva Portuguesa que cumpre encarar a

 recuperao literria do idioma de alm Minho e sua promoo a lngua

 de cultura " [ lxxxi ] .

 Ainda disse Lapa [ lxxxii ] : " Um caso muito curioso convm

 aqui assinalar : quando se faz o cmputo de lusofalantes , nuca se

 considera para o efeito o nome da Galiza , nossa vizinha .
 Alm de

 revelar a mais supina ignorncia do facto em si , dado que o Galego no

  mais do que uma forma arcaizante do Portugus , ou do

 Galego-Portugus , como quisermos , faz ainda com que as contas nos

 saiam erradas .
 Com efeito , rouba ao resultado final cerca de 5 milhes

 indivduos : os Galegos sediados na Galiza e outros tantos em pases de

 emigrao " ...

 " Aos Galegos temo-los aqui desde h sculos , incorporados

 na nossa populao , nos nossos costumes e lngua , que  a mesma " e " o

 Portugus literrio , sem garantia de propriedade ,  privilgio de trs

 pases , Galiza , Portugal , Brasil , a que se juntaram agora mais cinco

 naes africanas emancipadas. "

 Lapa cita Saussure e Bally para diferenciar lngua oral de

 lngua escrita , lngua falada e lngua literria e advoga sempre um

 padro portugus que acolha todos os lusfonos .
 O contributo de Lapa

 nos anos 70 teve repercusses positivas e assim foi que uma delegao

 da Galiza , que me honrei em presidir , esteve presente na negociao

 dos dois acordos ortogrficos de 1986 ( ortografia simplificada ) e 1990

 ( ortografia unificada ) da Lngua Portuguesa , sabendo que o saudoso

 prof. R. Lapa concordaria com a nossa posio de defender uma

 ortografia to uniforme quanto possvel e uma ortofonia comum mnima ,

 alm de um VOCT - - Vocabulrio Ortogrfico Comum e de Terminologia - -

 e uma dicionarstica comum , de suporte informtico , de papel , etc .
 R .

 Lapa foi apoiado por Coromines , Martinho , Chaves de Melo , Slvio Elia ,

 Azevedo Filho , etc. , a fim de conseguir a unificao do Portugus o

 mais possvel , j no sculo XX .

 Infelizmente , ao no existir uma clara poltica de lngua

 ( language planning ) de toda a lusofonia ainda a Galiza , Portugal ,

 Brasil , PALOP , Timor , etc. , tm que sofrer o alto preo de terem duas

 ortografias para a mesma lngua , o PE , Portugus Europeu e o PB ,

 Portugus do Brasil , pelo qual ainda h que reagir a fim de termos uma

 poltica comum a toda a lusofonia : Galiza , Portugal , Brasil , PALOP ,

 Timor , etc. , em termos de ortografia , ortofonia , terminologia ,

 termintica , indstrias da lngua , novas tecnologias , etc .

 ( FONTENLA ) [ lxxxiii ] .

 Trazemos ainda  ribalta o pensamento de outro grande

 amigo da Galiza , o saudoso prof. COSERIU , que defendeu o Portugus

 como lngua histrica e esclareceu a situao actual do Galego , face 

 desagregao que se quer impor a este Portugus da Galiza

 ( MARTINHO ) [ lxxxiv ] , por razes polticas e de assimilao cultural e

 substituio lingustica ( BREA , BRANCO , GIL HERNANDEZ , RABUNHAL CORGO ,

 CRISTVO ) [ lxxxv ] , atravs do portunhol 1 do ILG-RAG e do portunhol 2

 da AGAL , afectando a estrutura da lngua Portuguesa no aspecto

 ortogrfico , ortolgico ou ortofnico , gramatical , sintctico ,

 fontico , fonolgico , lexical , etc. , id est , destruindo a unidade

 estrutural do Portugus como lngua europeia de cultura de dimenso

 internacional-intercontinental , lngua da Galiza , Portugal , Brasil ,

 PALOP , Timor , etc. , e dos organismos internacionais como a EU , OEA ,

 OUA , ICO da ONU , UNESCO , OMS , OIT , AIJ , etc. , que a tm como oficial

 ou de trabalho ( SEABRA ) [ lxxxvi ] .

 Vamos acrescentar , contra a desagregao da lngua

 Portuguesa , a opinio de COSERIU que j em 1987 afirmava [ lxxxvii ] : " O

 Galego e o Portugus continuam pertencendo ao mesmo conjunto , ao mesmo

 continuum lingustico ...
 historicamente , o Portugus  o Galego da

 Reconquista e  at hoje , em todas as suas formas , a continuao desse

 galego .
 Isto vale tambm para o Portugus literrio e comum em sua

 relao com o Galego literrio medieval , pois a tradio desse Galego

 foi adoptada e continuada pela lngua literria Portuguesa .
 Trata-se ,

 portanto , do caso , bastante raro na histria das lnguas , de uma

 lngua que precisamente na forma em que se difunde e se constitui em

 lngua comum e grande lngua de cultura , se chama com outro nome : j

 no Galego , mas Portugus .
  um caso anlogo ao do Holands literrio

 e comum , que , em suas origens ,  uma forma de baixo-alemo ; s que a

 base comum do Galego e do Portugus era um idioma muito mais unitrio

 do que o conjunto de dialectos baixo-alemes e que , devido tambm a

 diferenas quantitativas , ningum considera o baixo-alemo como forma

 do Holands. "

 Quando nomeado Doutor Honoris Causa pela Universidade de

 Vigo em 25 de Maro de 1995 Coseriu afirmou [ lxxxviii ] " que uma lngua

 no se impe por decreto " referindo-se  imposio por decreto das

 normas ortogrficas e morfolgicas do espanhol ao Portugus da Galiza

 por Decreto de 17 de Novembro de 1982 posto em vigor a 20 de Abril de

 1983 ; o ilustre linguista afirmava nessa data do ano de 1995 : " O

 Galego , depois da Idade Mdia , deixou de subsistir na Galiza como

 norma idiomtica supraregional , enquanto que o centro da lngua

 literria , a lngua comum , se deslocava para o sul , para o condado de

 Portugal .
 O problema do Galego na actualidade  o do estabelecimento

 de uma nova norma por cima da variedade .
 E , na minha opinio ,

 felizmente do-se boas condies tanto objectivas como histricas para

 estabelecer essa norma .
 Porque se a variedade do Galego  enorme ,

 trata-se de uma variedade superficial .
 Um galego campons monolingue

 de uma zona entende-se perfeitamente com outro de outra zona , apesar

 da variedade ...
 alm do mais , aqui na Galiza tambm se d outro factor

 que facilita a constituio da norma , como  o facto de que desde o

 ponto de vista histrico existe j uma forma comum que se estabeleceu

 a sul , naquilo a que eu chamo a Nova Galiza .
 Porm , so os Galegos os

 que devem decidir se lhes  mais til ou mais prtico recorrer a essa

 forma de Galego a que se chama Portugus ou Galego da Reconquista , ou

 criar uma norma sobre a base do Galego actual ...
 a ningum se pode

 impor por Decreto uma Lngua .
 A lngua  sempre um saber e o verbo

 saber no se conjuga no imperativo. " [ lxxxix ]

 Coseriu sustentava que o Portugus  Galego , como os

 iluminados galegos Feijo e Sarmiento , etc. , o Galego da Reconquista ,

 aperfeioado e evoludo , por haver reis e corte , como dizia Nunes de

 Leo , que  a oficina onde os vocbulos se forjam ; aspecto

 sociolingustico , de poder , que o gramtico Portugus pe em destaque

 j no seu tempo .

 Nas escolas de Romanstica sempre se consideraram o

 Portugus da Galiza e de Portugal uma mesma lngua , com traos

 isfonos e isoglssicos comuns , atendendo s diferentes variedades

 dialectais do PE - - Portugus Europeu .

 Ainda se consideram os traos do PB - - Portugus do Brasil

 - - que no so to diferenciadores e que conformam substancialmente a

 mesma lngua ( ELIA , CUNHA ) [ xc ] .

 Se o integracionismo de Lapa e a lngua histrica de

 Coseriu permitem confirmar a unidade estrutural da lngua Portuguesa ,

 ainda outro autor , espanhol , GREGORIO SALVADOR [ xci ] , permite trazer 

 ribalta uma posio de reafirmao da unidade estrutural da nossa

 lngua .
 Diz : " Pelo que respeita ao Galego h que lembrar que no 

 outra coisa que um dialecto arcaico e mais ou menos castelhanizado do

 Portugus e que precisamente a sua normalizao actual , como lngua

 oficial decretada pelo Estatuto ( de autonomia ) , enfrenta os chamados

 isolacionistas , partidrios de respeitar nela o seu estado actual , de

 base-la nas suas actuais variedades dialectais , de regaleguizar , ao

 mais , a partir delas , a castelhanizao geral , com os chamados

 integracionistas , que reivindicam a vinculao Portuguesa e que pensam

 que o Galego normalizado no pode ser outra coisa do que o Portugus

 escrito e que , alm do mais , deve identificar-se com essa lngua , da

 que o Galego  simples variedade , o que equivale a converterem-se em

 utentes da stima lngua do mundo por nmero de falantes , o que na sua

 natural situao de bilinguismo com o espanhol outorga aos galegos o

 privilgio de um universalismo lingustico dificilmente comparvel. "

 " Em todo o caso , esta identidade lingustica entre

 Portugus e Galego , indiscutvel para qualquer romanista , eximiu-me de

 conceder-lhes identidade prpria nesta anlise aos ncleos

 fronteirios de fala Portuguesa , que se localizam na provncia de

 Salamanca ( La Almedilla ) , na de Cceres ( Valverde del Fresno , Eljas e

 S. Martin de Trevejo ; e mais ao sul , nas margens do Tejo , Cedillo y

 Herrera de Alcantara ) e na de Badaxoz ( a zona de Olivena ) " .

 Vamos ficar por aqui , embora existam mais linguistas e

 estudiosos que defendem a unidade da lngua Portuguesa da Galiza ,

 Portugal , Brasil , PALOP , Timor , etc. , e aceitem a doutrina clssica da

 Romanstica de que a Lngua Portuguesa mantm uma unidade estrutural

 profunda , malgrado ser falada em alargados espaos nos cinco

 continentes do planeta , com uma envolvente slida que a faz a lngua

 mais homognea das romnicas , 2 a nvel mundial e 3 europeia de

 cultura .

 Contra a desagregao da lngua Portuguesa : B / ortografia comum ,

 ortofonia , dicionarstica , terminologia

 Vimos como os falares ou variedades da lngua Portuguesa

 no mundo se integram na lngua histrica que nasceu na velha Gallaecia

 romana que chegava at ao Mondego ; e que a ortografia , morfologia ,

 sintaxe , fontica , fonologia , lxico mantinham uma grande unidade , uma

 enorme homegeneidade , mas que existiam intentos de desagregao da

 nossa lngua atravs do portunhol 1 do ILG-RAG e do portunhol 2 da

 AGAL , j num beco sem sada , na era das NTI , IL , termintica , etc. ,

 quando decorre uma luta glotopoltica entre as lnguas europeias de

 cultura e no s , no s na Europa mas tambm no espao mundial , por

 efeito da globalizao ( FONTENLA ) [ xcii ] .

 Para travar as derivas da lngua ( drifts ) e manter uma

 poltica comum de toda a lusofonia em prol da lngua Portuguesa devem

 ter-se em considerao alguns aspectos importantes de planeamento

 lingustico , que abranja todo o domnio da lusofonia europeia

 ( Galiza-Portugal ) , americana ( Brasil ) , africana ( PALOP ) , asitica

 ( Timor ) ; temos  partida a ortografia comum fixada nos Acordos

 Ortogrficos de 1986 e 1990 , devendo pr-se em vigor quanto antes este

 ltimo a bem da lngua Portuguesa , pois uniformiza tanto quanto

 possvel a ortografia da nossa lngua ( FONTENLA ) [ xciii ] .

 Ainda  precisa uma ortofonia , ortologia ou ortopia comum

 mnima , ministradas nos SE e nos MCS , etc. , de maneira a conseguir a

 maior unidade fontica e fonolgica possvel .
 Ainda bem que o DACL - -

 Dicionrio da Academia de Cincias de Lisboa - - de 2001 veio cobrir

 esse vazio para o Portugus Europeu que seguem a Galiza , Portugal ,

 PALOP , Timor , etc. , alm de organismos internacionais .
 Tudo deve

 fazer-se para ultrapassar o diferendo luso-brasileiro que supe alto

 preo para a nossa lngua ao manter duas escritas e duas maneiras

 diferentes de falar o Portugus , e que devem ser recolhidas

 adequadamente em dicionrios de carcter informtico e em suporte de

 papel .

 Por isso a dicionarstica  hoje fundamental e com as NTI

 permitem at considerar a Lngua Portuguesa como um recurso econmico ,

 e preparar programas de termintica , terminologia , etc. , alm de

 introduzir a lngua nas IL com fora ( FONTENLA ) [ xciv ] .

 Um Grande Dicionrio da Lusofonia  de faclima realizao

 na actualidade com base nos j existentes , o DACL , Aurlio , Houaiss ,

 etc. , de maneira a juntar os esforos de todos os pases lusfonos

 nessa matria .

 Ainda a terminologia  importantssima ( FONTENLA ,

 HERCULANO DE CARVALHO ) [ xcv ] para fixarem os terminlogos as devidas

 correspondncias , evitando diferenas terminolgicas , que atentariam

 contra a unidade estrutural da lngua Portuguesa .

 Somos optimistas e achamos que j no sc. XXI e no III

 milnio , todos os pases lusfonos ( Galiza , Portugal , Brasil , PALOP ,

 Timor , etc. ) e os organismos internacionais que tm a nossa lngua

 como oficial ou de trabalho esto disponveis para uma poltica de

 lngua nesse sentido , da mesma maneira que acontece com outras lnguas

 de dimenso internacional-intercontinental como a nossa .

 No  coisa de somenos importncia , quando a nossa lngua

 serve 4 % da populao mundial nos 5 continentes e tem  sua frente um

 futuro esplendoroso .

 Desde a Ptria da Lngua fazemos votos para que todas as

 Ptrias da Lngua Portuguesa possam neste sculo e neste milnio

 avanar por caminhos de progresso e de humanismo , a partir do uso da

 2 lngua romnica do mundo , na velha Gallaecia romana nascida .
 Que

 assim seja .

 Cabedelo , Viana do Castelo , Portugal

 REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

 _______________________

 [ i ] FONTENLA , J.L .
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 futuro do Portugus " , pp. 202-223 , Actas do Congresso " Lusofonia a

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 2000 , Lisboa ; o mesmo texto com o ttulo " Lusofonia / Lusografia face ao

 III milnio " saiu na revista da Universidade Lusfona de Lisboa , 2000 ,

 Lisboa ; ainda : " Problemas da Lngua Portuguesa " pp. 39-54 , in Cadernos

 Vianenses , tomo 30 , Cmara Municipal de Viana do Castelo , 2001 e

 " Sobre o Acordo Ortogrfico da Lngua Portuguesa " , pp. 147-152 , Actas

 do II Congresso Internacional O Espao Lusfono de 1998 , Universidade

 Estatal de S. Petersburgo , Faculdade de Letras , Centro de Estudos

 Luso-Brasileiros , Universidade de S. Petersburgo , 2001 ; " O Portugus

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 Alto Minho , Viana do Castelo , 2002

 [ ii ] ESTRELA , E .
 " A Lngua Portuguesa na Dispora " , Mealibra , Viana do

 Castelo , 1999 , pp. 9-13

 [ iii ] Nova Gramtica do Portugus Contemporneo , S da Costa , Lisboa ,

 1984

 [ iv ] FONTENLA , J.L .
 " Sobre o acordo ortogrfico ...
 " citado supra

 [ v ] Dicionrio da Lngua Portuguesa Contempornea da Academia das

 Cincias de Lisboa , ed. Verbo , Lisboa , 2001

 [ vi ] SEABRA , J.A .
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 sistema das Naes Unidas " revista ICALP , n. 11 , p .73 , Lisboa , 1988

 [ vii ] MONTERO SANTALHA , J. MARTINHO " A Lusofonia e a Lngua Portuguesa

 da Galiza : Dificuldades do Presente e Tarefas para o futuro " , Actas do

 Congresso Internacional de Lngua , Cultura e Literaturas Lusfonas de

 1994 , Temas do Ensino de Lingustica , Sociolingustica e Literatura ,

 Ponte Vedra-Braga , 1990 .

 [ viii ] FONTENLA , J.L .
 " Lngua da Lusofonia , o Portugus da Galiza " O

 Mundo da Lngua Portuguesa ( Galiza , Portugal , Brasil , PALOP ) , Actas do

 III congresso Internacional de Literatura Lusfona : revista NS , Ponte

 Vedra - - Braga , 1995 , pp. 25-32 e " Ressurgimento Galego , Essa

 Lusofonia " , Temas do Ensino de Lingustica , Sociolingustica e

 Literatura , VV.AA. , Ponte Vedra - - Braga , 1990 .

 [ ix ] FONTENLA , J.L .
 " Presente e futuro do Galego : anlise

 scio-jurdica do decreto de normativizao e das leis de normalizao

 autonmicas " in Temas do Ensino , Ponte Vedra - - Braga , pp. 157-174 ,

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 [ x ] COSERIU , E .
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 do II Congresso da Lengua Galego-Portuguesa na Galiza 1987 , pp .

 793-800

 HUBER , J .
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 Gulbenkian , Lisboa , 1986 ; DIEZ , ibid. ; CINTRA , CUNHA " Nova Gramtica

 do Portugus Contemporneo " S da Costa , Lisboa , 1984 ; AZEVEDO

 FERREIRA , J .
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 do Minho , Centro de Estudos Humansticos , 2001 ; MIRA MATEUS , H .

 " Lngua , variedade , dialectos : memria colectiva e memria

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 " Histria do Galego-Portugus " , INIC , Coimbra , 1986 ; HERCULANO DE

 CARVALHO , J.G .
 " Apresentao " in " Ressurgimento Galego " , op. cit .

 [ xi ] FERGUSON , Diglossia , Word , 15:325-340 , 1959 ; GIL HERNANDEZ e

 RABUNHAL CORGO " O conceito de diglssia segundo Ch , A. Ferguson e a

 sua pertinncia para a comunidade Lusfona da Galiza .
 Um caso de

 diglssia por deslocao " Ns , Ponte Vedra - - Braga , 1989

 BREA , A .
 " A normalizao lingustica - - o caso Galiza da lusofonia

 Europeia " in " Ressurgimento Galego " , op. cit .

 [ xii ] RESENDE , MATIAS F .
 " Portugus e Espanhol em contacto em

 Olivena " , Ns , Ponte Vedra - - Braga , 1986

 [ xiii ] FONTENLA , J.L. op. cit. nota 9

 [ xiv ] ibid. , vide supra nota 13

 [ xv ] AGAL , 1983 , Corunha

 [ xvi ] AGAL , 1989 , Corunha

 [ xvii ] AGAL , 1985 , Corunha

 [ xviii ] AGAL , 1988 , Corunha

 [ xix ] FONTENLA , J.L. , " O acordo ortogrfico de 1990 - - crnica de uma

 semana de cinco dias " , Ponte Vedra - - Braga , 1994 , Actas do II

 Congresso Internacional de Literaturas Lusfonas

 [ xx ] Associao de Amizade Galiza-Portugal " Comunicaes suprimidas

 pela Associao Galega da Lngua ( AGAL ) das Actas do III Congresso

 Internacional da Lngua Galego-Portuguesa :  Consideraes sobre o uso

 do til no Portugus da Galiza  " de Cupeiro , M.F. ; " Medio de

 variveis : competncia e uso Lingustico " de Cristvo ; " A

 substituio lingustica " de Brea ; " Do Galaico-Portugus  Lusofonia "

 de Fontenla ; " As literaturas lusfonas " de Aldrei

 [ xxi ] BREA HERNANDEZ , GIL HERNANDEZ , RODRIGUEZ ALDREI " A Catstrofe ,

 relato breve de Ea de Queirs " Aglia , Corunha , 1990 ; o texto no foi

 autorizado inicialmente por ir em Portugus do Acordo , pelo que me

 retirei da AGAL , por no admitir censura nem inquisio da Presidente

 do Conselho da AGAL , Maria do Carmo Henriques , e colaboradores , contra

 textos de galegos lusfonos / lusgrafos , e , ao pedir a readmisso , aps

 a publicao do texto citado , essa Presidente negou o lcito direito

 de retorno , aplicando mais uma vez censura e discriminao , o que

 favoreceu o andamento para a frente das Irmandades da Fala da Galiza e

 Portugal , e a sua legalizao nos dois estados ibricos .

 [ xxii ] MULJACIC , Z .
  L'enseignement de Heinz Kloss ( modifications ,

 implications , perspectives )  in Langages , 21 , 1986 .
 O conceito ausbau

 foi usado para tentar fazer um portunhol anti-portugus , quer pela

 AGAL como pelo ILG , levando a um beco sem sada as suas formulaes

 por ausbau , que atentam contra a unidade estrutural da Lngua

 Portuguesa , alm da morfologia , da ortografia , da sintaxe , etc .

 [ xxiii ] VILAR TRILHO , X .
 " A remodelao federal-confederal do Reino da

 Espanha " , Laiovento , Santiago , 2001 .

 [ xxiv ] ESTRAVIZ , I .
 " Dicionrio da Lngua Galega " , Alhena , 1986 ; Ed .

 Sotelo Blanco , 1995

 [ xxv ] op .
 Cit. na nota 24

 [ xxvi ] op .
 Cit. na nota 24

 [ xxvii ] op .
 Cit. na nota 5

 [ xxviii ] Dicionrio Houaiss , Editora Objetiva , Rio de Janeiro , 2001

 [ xxix ] VILELA , M. et alii " Dicionrio Portugus Bsico " , Ed. Asa , 1991

 [ xxx ] GONALVES , P .
 " Aspectos da sintaxe do Portugus de Moambique "

 in " Introduo  Lingustica Geral e Portuguesa " , Caminho , 1996

 [ xxxi ] PEREIRA , D .
 " O Crioulo de Cabo Verde " ibid .
 Cf .
 Nota 30

 [ xxxii ] CUNHA , C .
 " Lngua Portuguesa e realidade Brasileira " Rio de

 Janeiro , 1968 ; Pblico , 1999

 [ xxxiii ] LUCCHESI , D. e LOBO , T .
 " Aspectos da sintaxe do Portugus

 Brasileiro " cf .
 Nota 30 ibid .
 " Introduo  Lingustica ...
 "

 [ xxxiv ] op .
 Cit. vide nota 10

 [ xxxv ] op.cit .

 [ xxxvi ] HERCULANO DE CARVALHO , J.G .
 " A unificao na lusofonia das

 terminologias cientficas e tcnicas " , Ns , Ponte Vedra - - Braga , 1994

 [ xxxvii ] op .
 Cit. vide nota 2

 [ xxxviii ] COSERIU , E. op .
 Cit .

 [ xxxix ] HUBER , J. op .
 Cit .

 [ xl ] FONTENLA , J.L. , " Lusofonia a ser : Galiza , Portugal , Brasil ,

 PALOP. Planificao lingustica e acordo ortogrfico " , Nova

 Renascena , pp. 205-221 , vol. XIX , Porto , 1999

 [ xli ] GARRIDO e RIERA " Manual do Galego cientfico " , AGAL , Corunha ,

 2000

 [ xlii ] ESTUDO CRITICO DAS NORMAS ORTOGRAFICAS E MORFOLOXICAS DA LINGUA

 GALEGA , op .
 Cit. da AGAL ; SALGADO E MONTEAGUDO " Do Galego literrio ao

 Galego comum .
 O processo de estandardizao na poca contempornea " in

 Estudos de Sociolingustica Galega Vigo , Galxia , 1995

 [ xliii ] VILAR TRILHO , op .
 Cit .

 [ xliv ] LUNA , C .
 " Nos caminhos de Olivena " , Estremoz , 1996 ; MATIAS ,

 F.R. , op .
 Cit. em nota 12

 [ xlv ] op .
 Cit .

 [ xlvi ] Vocabulrio Castellano-Gallego , impta. Moret , Corunha , 1933

 [ xlvii ] MARQUILHAS , R .
 " Mudana Lingustica " in op .
 Cit .
 " Introduo 

 Lingustica ...
 " ; " Constituio e elaborao da lnguas Portuguesa " in

 " Atlas da Lngua Portuguesa ...
 "

 [ xlviii ] FERREIRA , M.B. , " Dialectologia da rea galego-portuguesa " in

 " Atlas da Lngua Portuguesa Na Histria e no Mundo " , INCM , 1992

 [ xlix ] MARTINHO , J. , op .
 Cit .

 [ l ] op .
 Cit. e CARRILHO , LOBO , SARAMAGO , DA CRUZ " Variao

 lingustica : perspectiva dialectolgica " in " Introduo 

 Lingustica ...
 " , op .
 Cit .

 [ li ] FONTENLA , J.L. , op .
 Cit. nota 19

 [ lii ] PRONTURIO ORTOGRFICO DAS IRMANDADES DA FALA , Temas do Ensino ,

 Braga , 1984 , " Introduo "

 [ liii ] op .
 Cit .
 Actas do Congresso A Lusofonia a Haver , da SLP - -

 Sociedade da Lngua Portuguesa ; com diferente ttulo ,

 " Lusofonia / Lusografia face ao III milnio " , publicado pela

 Universidade Lusfona , op .
 Cit. supra

 [ liv ] Cf .
 " O Portugus Possvel " , revista IBIS , Viana do Castelo , 2001

 [ lv ] FAGIM , V.R. , " O Galego ( im ) possvel " Laiovento , Santiago , 2001 ,

 que mantm que " a ortografia Portuguesa adapta-se melhor  nossa

 realidade ( da Galiza ) do que  do prprio Portugus Lisboeta " , pp .

 110-111 , pelo que no se entende por que escreve o citado autor em

 portunhol da AGAL , se assim pensa .
 Sobre variedades do Portugus cf. :

 D'Silvas Filho ( pseudnimo do membro da SLP Sr. Eng .
 Mata da Nazar )

 " Pronturio Universal de erros corrigidos de Portugus " com

 ortografia , sintaxe e fontica , recolhendo as variedades do PE , PB e

 do novo Acordo Ortogrfico ; ADRAGAO , ESTRELA GRAA MOURA " Novo Acordo

 Ortogrfico , afinal o que vai mudar ?
 " Texto Editora , 1999 e 1995

 respectivamente .

 [ lvi ] BREA , A .
 " Sobre a situao de assimilao cultural e lingustica

 na Galiza : achegas para um debate necessrio " Temas do Ensino , Ponte

 Vedra - - Braga , 1989 ; BRANCO , P.P .
 " O ensino do Portugus padro na

 Galiza numa situao de conflito e substituio lingustica " , Actas do

 III Congresso de Literaturas Lusfonas , Ns , Ponte Vedra - - Braga

 [ lvii ] As tentativas de reforma ortogrfica do portunhol oficial ou

 portunhol 1 fracassaram com os votos contra da Real Academia Galega , o

 que levantou importante celeuma entre os defensores do portunhol 1 ;

 mais tarde , a UNESCO , a 21 de Fevereiro de 2002 , apresenta em Paris a

 segunda edio do Atlas Mundial das Lnguas em Perigo no mundo em que

 afirma que o " galego " , ou portunhol 1 , morrer ; o portunhol 2 da AGAL

 tambm morrer , mas o Portugus no , e o Portugus da Galiza

 incorporado atravs do Acordo Ortogrfico de 1986 e 1990 no Portugus

 padro subsistir como segunda lngua romnica e terceira europeia de

 cultura , como o apoio de Portugal , Brasil , PALOP , Timor , etc .
 O

 Dicionrio da Lngua Portuguesa Contempornea da Academia das Cincias

 de Lisboa refora ainda mais o padro comum , atravs da transcrio

 fontica , que abrange todos os dialectos do PE , PALOP , Timor , etc. ,

 includa a Galiza .

 [ lviii ] Os Cadernos Vianenses tm publicado alguns textos em portunhol

 2 da AGAL , e tambm o jornal O Transmontano da autoria de S. Capom ; a

 revista AGALIA continua a manter o portunhol 2 em beco sem sada ,

 enquanto no aceitar o Portugus padro , e mantm atitudes

 anti-portuguesas .

 [ lix ] LAPA , M.R .
 " Estudos galego-portugueses " , " Por uma Galiza

 renovada " , S da Costa , Lisboa , 1979 , mantm que o Portugus padro 

 a sada natural do Portugus da Galiza , submetido a assimilao

 cultural h mais de 5 sculos.No mesmo sentido CHAVES DE MELO , G .
 " A

 reintegraao galego-portuguesa " Carta Mensal , Rio de Janeiro , 1980 .

 [ lx ] COSERIU , E. , op .
 Cit. , prope que seja a norma da lngua

 histrica o Portugus padro , de maneira a manter a unidade estrutural

 da lngua , que foi inicialmente galega e depois portuguesa .

 [ lxi ] SALVADOR , G .
 " Lengua espaola y lenguas de Espaa " Barcelona ,

 1987 , afirma que " pelo que respeita ao Galego h que lembrar que no 

 outra coisa que um dialecto arcaico e mais ou menos castelhanizado do

 Portugus "

 [ lxii ] NUNES DE LEO " Gramtica da Lingoagem Portuguesa " , 2 edio

 [ lxiii ] op .
 Cit .

 [ lxiv ] op .
 Cit .

 [ lxv ] Grtner , E .
 " Grammatik der portugeisehen Sprache " , Tbingen ,

 Niemeyer , 1998 .
 Cf .
 Uma nova Gramtica do Portugus para Alemes .

 [ lxvi ] op .
 Cit .

 [ lxvii ] op .
 Cit. revista IBIS. Viana do Castelo , 2002

 [ lxviii ] PIEL , J .
 " Estudos de lingustica histrica galego-portuguesa "

 INCM , 1989

 [ lxix ] op .
 Cit .

 [ lxx ] LAPA , op .
 Cit .

 [ lxxi ] MARTINHO , op .
 Cit .

 [ lxxii ] LAPA , op .
 Cit .

 [ lxxiii ] LAPA , op .
 Cit .

 [ lxxiv ] LAPA , op .
 Cit .

 [ lxxv ] LAPA , op .
 Cit .

 [ lxxvi ] LAPA , op .
 Cit .

 [ lxxvii ] LAPA , op .
 Cit .

 [ lxxviii ] LAPA , op .
 Cit .

 [ lxxix ] LAPA , op .
 Cit .

 [ lxxx ] LAPA , op .
 Cit .

 [ lxxxi ] LAPA , op .
 Cit .

 [ lxxxii ] LAPA , op .
 Cit .

 [ lxxxiii ] FONTENLA , J.L .
 " Alguns apontamentos sobre termintica e

 indstrias da lngua " , Ns , Ponte Vedra - - Braga , 1998

 [ lxxxiv ] MARTINHO , op .
 Cit .

 [ lxxxv ] BREA , BRANCO , GIL HERNANDEZ , RABUNHAL CORGO op .
 Cit. ;

 CRISTVO " Medio de variveis : competncia e uso lingustico " Ass .

 De Amizade Galiza-Portugal , 1994 , Corunha , Srie Comunicaes

 Suprimidas das Actas do III Congresso Internacional da Lngua

 Portuguesa na Galiza , da AGAL , por estarem escritas em Portugus .

 [ lxxxvi ] SEABRA , op .
 Cit .

 [ lxxxvii ] COSERIU , E .
 " El Gallego en la historia y en la actualidad " ,

 Actas do II Congresso da Lngua Galego-Portuguesa na Galiza , AGAL ,

 1987 pp. 793-800

 [ lxxxviii ] Suplemento de La Voz de Galicia , 28 Maro 1995 , Aula Magna

 num .
 13 " Una Lengua No Se Impone Por Decreto "

 [ lxxxix ] ibid .

 [ xc ] ELIA , S .
 " O Brasil e a lngua Portuguesa " , Actas do Congresso

 sobre a situao actual da lngua Portuguesa no mundo , ICALP , Lisboa ,

 1983 , pp. 253-263 ; CUNHA , C. , op .
 Cit .

 [ xci ] SALVADOR , G. , " Lengua Espaola y lenguas de Espaa " , Barcelona ,

 1987

 [ xcii ] FONTENLA , J.L .
 " Globalizao e lngua Portuguesa " , Actas do IV

 Congresso Lngua , Cultura , Literaturas Lusfonas ( no prelo )

 [ xciii ] FONTENLA , J.L. , op .
 Cit .

 [ xciv ] FONTENLA , J.L. , op .
 Cit .

 [ xcv ] FONTENLA , J.L. , op .
 Cit. , HERCULANO DE CARVALHO , op. cit .

