   

 Questione della lingua [ v2 ]

 principal | sobre QdL [ v2 ] | ajuda-te | ajuda-nos | contacta-nos

 minha conta | membros | blogs | artigos | ligaes | pesquisar

 O Brasil fala a lngua galega [ Barreto Rocha , J. C. ; 1997 ]

 juanjo | 19 Jan 2004 - 22:47 |

 Ttulo : O Brasil fala a lngua galega

 Autor / a : Jlio Csar Barreto Rocha

 Data e Publicao : opyright 44 ; 28 Julho 1997

 " Omite-se o nome da Galiza , como se esta no

 existisse , como se esta no tivesse histria ,

 vida e cultura nacional. "

 ( M. A. Fernn-Vello , poeta e galeguista )

 No se pode dizer que traz muitas facilidades dizer que o Brasil fala a lngua

 galega , quando j pouco se discute que fale " portugus " , dentre os fillogos .

 Tambm no se poderia afirmar que este  um tema novo .
 Ao contrrio : so ao

 menos setecentos anos em que muitos estudiosos do Mundo , muita vez por

 ignorncia quanto  " questo da lngua galega " , no pem em dvida a existncia

 de um idioma eminentemente " portugus " , diferenciado em sua essncia de suas

 razes primeiras , " sendo oriundo diretamente do latim " .
 So pelo menos

 setecentos anos desta injustia histrica ; uma injustia cultural com um povo ,

 mas tambm scio-poltica , ademais de lingstico-terminolgica .
 Muitos por

 certo so contrrios de antemo a nomear de " galego "  lngua comum atual

 empregada por brasileiros , portugueses e galegos , valendo-se de artifcios

 pseudo-sociolingsticos para isolar as vrias faces do idioma .
 Contudo , um

 olhar mais detido e menos desdenhoso com a Histria e com a ideologia que

 inexorvel conduz o resultado dos estudos - - a cuja meno tambm no  nada

 nova - - poder contribuir com alguma luz s investigaes filolgicas , no que

 concerne ao estudo do " portugus " como um continuum , de antes de abandonar a

 Pennsula Ibrica a nossos dias , conciliando os nimos dos lusitanistas munidos

 de " pr-conceitos " com o melhor dos argumentos : a inafastvel Histria e uma

 penetrao nas diretrizes das " razes de Estado " , do caminhar da Histria em

 si , ou mais concretamente na Histria da Lngua , e a partir do prisma das

 Polticas Lingsticas dirigidas pelos Estados .

  certo que h neste texto imprecises variadas , desde o ttulo ( uma vez que

 no  a terra que fala uma lngua , mas seus habitantes ) .
 No entanto , outros

 elementos , dantes afastados , parecem mais importantes de realar neste momento .

 Em primeiro lugar , deixo patente que estarei me referindo  " fala " , no 

 escrita , quando imagino a " lngua " , seja de antes do sculo XIV ( quando no h

 controvrsia quanto  nomenclatura ) , que hoje  admitida por todos como

 " galego-portugus " [ 1 ] , seja a atual , seja aquela de antes da escrita no idioma

 que se diferenciava do latim .
 A lngua na modalidade escrita , a partir da

 concepo de signo em Saussure ,  ainda mais arbitrria que a lngua na

 modalidade falada , portanto menos representativa .
 Assim , o que ganha primazia ,

 aqui , para a considerao de lngua , como veculo de comunicao ( mxime na

 Idade Mdia ) ,  a realizao oral .
 A essncia da linguagem  o dilogo , como se

 sabe .
 A fala  lngua viva , a lngua " verdadeira " , e bem mais importante que a

 escrita , que veio a ser mera decorrncia daquela .
 Assim , o fato de existir o

 desejo de procurar distanciar uma variedade lingstica da outra por intermdio

 de artifcios ortogrficos no ser relevado aqui .
 A Filologia , para aqueles

 que insistem em op-la  Lingstica , pode prescindir dos estudos sobre a fala ,

 mas vale-se constantemente de uma projeo do que deve ter sido a fala de

 antanho , a partir de textos escritos - - mas no pode ignorar o fato de que a

 fala existiu antes de os textos ganharem um suporte fsico mais estvel , seja

 ou no mais " literrio " , como os poemas dos cancioneiros galego-portugueses .

 E , a despeito de sabermos que fala difere de escrita , e sabermos que uma lngua

 dispensa a representao grfica , havendo ainda distines internas maiores ,

 consideradas como ritmo , prosdia , entonao , " sotaque " , etc. , muitos fillogos

 ainda cedem  tentao de tomar uma coisa pela outra .
 No texto de Fernndez Rei

 " Posicin do Galego entre as linguas romnicas " [ 2 ] , o timo professor constri

 um texto de excelente qualidade histrica e , ao final , resolve alcanar uma

 determinada concluso , querendo isolar a lngua galega da portuguesa , ao

 confundir lngua com variedade de fala , por intermdio de uma citao de Otero

 Pedrayo , que diz :

 " O galego  moito mais fermoso que o portugus. Ten menos dificultades de

 pronunciacin :  unha lingua romnica , latina , amplia , simptica , aberta .
 Hai

 que conservala as. "

 O trecho desafortunadamente eleito obviamente no  um argumento filolgico ;

 reflete no apenas preconceito , mas d ainda mais espao a uma confuso secular

 que isolou o povo portugus de seus lingsticos " pais " galegos : ressalta

 pequenas distines de pronncia , com um toque de patriotada , e dele resulta

 uma justificativa do tipo " rebelde sem causa " : como o voluntarismo de um

 adolescente que deseja deixar a casa paterna .
 Claro que , no caso em tela ,  o

 " pai lingstico " que se rebela , pela voz do Otero Pedrayo em boca de Fernndez

 Rei , contra o " filho lingstico " , que herdou a lngua galega , quando se

 constituiu em Estado soberano no sculo XII , e deixou os pais esquecidos nas

 tramas do passado comum [ 3 ] .
 O reinado da Casa de Avis ( 1385-1580 ) em Portugal

 consolidou a idia de que a lngua , antes sabidamente geral , de ambos , galegos

 e lusitanos , era originariamente " portuguesa " , existindo um perodo de

 " formao " apenas superado aps ultrapassado o tempo de glria dos cancioneiros

 medievais .

 Claro que j no  mais admitido pensar Otero Pedrayo pela tica daquele vis

 momentneo da citao supramencionada , ademais extrada de uma simples

 entrevista .
 Segundo o escritor Mndez Ferrn , em recente colquio em Compostela

 [ 4 ] , Pedrayo foi o primeiro que levantou a bandeira em favor dos portugueses

 [ 5 ] .
 Todavia , ainda no  este o nosso tema central .
 O que desejo relevar  o

 fato de que a lngua portuguesa , como j se sabe de longussima data , no 

 propriamente portuguesa ; ou seja , a lngua falada em Portugal , queira-se ou

 no , veio de fora de suas fronteiras de hoje , e  anterior aos Cancioneiros

 galego-portugueses , anterior ao Estado portugus : nasceu numa terra que

 constitui o que ontem era a Gallaecia e ainda hoje  a Galiza , uma Comunidade

 Autnoma .
 Logo , o idioma aqui gerado e desenvolvido deve ser chamado de

 " galego " .

 O que atrai a ateno , neste caso ,  a omisso histrica : como pode um fato to

 simples ser mantido obscurecido , como um segredo de alcova , por tanto tempo ,

 afastado dos livros e das discusses ?
 No podemos continuar fingindo que poucos

 estudiosos lembram de citar a Galiza quando se referem aos " falantes de

 portugus " que h no Planeta [ 6 ] .
 Esta omisso no  , como poderia parecer 

 primeira vista , fruto de mero esquecimento .
 Como tudo neste mundo , houve , e de

 uma maneira diversa continua havendo , bons motivos para " esquecer " este fato ,

 que , analisado , no chega a ser to estranho assim .

 A Galiza forma uma nao concreta , que , juntamente com outras vrias naes

 ( Castela , Catalunha e o Pas Vasco ) , constitui o Estado espanhol .
 A Galiza  ,

 em tudo , uma espcie de " pas dentro de um pas " , com seus desejos , histria ,

 fronteiras , tradies , mrtires e lendas diferenciados .
 A lngua tambm era

 diferenciada desde o primeiro milnio de nossa era .
 Logo , trata-se aqui neste

 texto de fazer constar uma simples anotao : a lngua dita " portuguesa " no 

 verdadeiramente portuguesa .
 Isto  : no  precisamente autctone do territrio

 portugus , como se vangloriam por sculos " os pais " dos brasileiros .
 Durante

 quase um milnio foi muito interessante para Portugal ignorar a existncia da

 Galiza , pois isto mantinha o mito de que a lngua dita portuguesa fora gerada e

 era originria exclusivamente de seu territrio , de seus habitantes , que

 englobavam os primeiros lusitanos .
 Podiam , assim , com mais v-glria , jactar-se

 os governantes , perante o povo , de serem portadores e guardies do idioma de

 Cames [ 7 ] , obtendo a unio das gentes e o propsito comum que conforma um

 Estado-nao .
 Posteriormente viria a idia de que levava " seu " idioma a terras

 as mais distantes do Globo .

 No podemos negar a bravura dos aventureiros martimos , dos tenazes navegadores

 portugueses .
 No entanto , por uma questo de respeito  histria , deve ser

 desvelado , com todas as letras , que , na realidade , os portugueses levaram

 consigo no um idioma prprio , mas a lngua galega , o idioma que primitivamente

 era dos habitantes do Norte da Pennsula , que ficavam para trs , esmagados pela

 histrica presso castelhana , que " domou e castrou " os verdadeiros " pais da

 lngua " , os quais falam o galego at nossos dias .

 Criado por derivao do latim , o galego recebeu contribuies germnicas ,

 elementos rabes e componentes indo-europeus e pr-indo-europeus de todo tipo ,

 ainda na Galiza , no antigo territrio da Gallaecia romana .
 Depois descendeu

 mais ao Sul , levado pelos galegos , e ocupou o Norte do espao que somente muito

 depois pertenceria ao territrio global do que seria chamado Portugal , entre os

 Rios Minho e Douro , e em seguida se estendeu at o Mondego ( limite da Gallaecia

 at avanada poca ) , para finalmente se espraiar at o extremo Sul da

 Pennsula , e agregar outras contribuies ( morabes , inclusive ) .
 Podemos aqui

 traar este paralelo : Assim como o Brasil , aps receber o patrimnio

 lingstico dos portugueses - - assimilando componentes tupis ou africanos - -

 manteve a estrutura da lngua dita " portuguesa " , da mesma forma os portugueses

 admitiram outros elementos , mantendo a estrutura originalmente galega .

 Com o tempo , a Galiza foi esmagada politicamente , enquanto Portugal desenvolveu

 uma literatura pujante , e sobretudo conquistou outras terras , distribuindo

 " sua " lngua e sua cultura .
 Chegado o sculo XX , e com a queda do regime

 franquista , e com a Constituio espanhola de 1978 , as comunidades nacionais da

 Espanha recobraram o direito  proteo de seu patrimnio lingstico .
 Em 1981

 surgiu o Estatuto da Comunidade Autnoma da Galiza [ 8 ] , que expressamente

 devolvia  legalidade a lngua galega , que , oculta por sculos , ficara restrita

 quase que somente ao meio rural , mas que , em tudo , lingisticamente falando , 

 a mesma lngua portuguesa , como atestam fillogos de todas as partes e de

 variada tendncia .

 No podemos esquecer que Portugal  tido como o pas que possui a fronteira

 " mais antiga e mais estvel do mundo " [ 9 ] .
 Mas isso se considerarmos o

 Portugal-Estado como entidade poltica , soberana no conjunto das relaes

 internacionais .
 Como nao , que  o conceito principal implicado na concepo

 de lngua , a Galiza  naturalmente mais antiga que Portugal [ 10 ] .
 O fato de que

 a Galiza tenha sido reinado peninsular entre os anos de 926 e 929 no diz

 realmente tudo .
 Mais do que isto , os galegos se constituem como povo com

 identidade prpria , diferenciada , criadora da lngua , de hbitos e de tradies

 ainda antes disso .
 Confirmando essa idia , diz o texto promocional de uma srie

 de " encontros " que ter lugar neste ano de 1996 , de 16 a 19 de dezembro , no

 Museu do Povo Galego :

 " Na cidade galaico-romana de Bracara Augusta , hoje Braga , apareceu j h bem

 tempo uma inscrio dedicada a un neto do imperador Augusto .
 Nela surge  luz ,

 pela primeira vez , o nome de Gallaecia .
  a sua primeira apario histrica

 documentada .
 No  possvel conhecer a data exata dessa inscrio , que pode ir

 desde o ano 5 antes de Cristo at o 4 depois de Cristo .
 Alguns dados fazem mais

 provvel o ano 3 antes de C. " ( " O Feito Diferencial Galego na Historia " )

 Ora , a Galiza  um pas de dois mil anos pelo menos ; possui um idioma

 consolidado h mil anos aproximadamente .
 A despeito de existirem habitantes do

 Sul como povo diferenciado politicamente antes disso , o " Portugal " , como um

 todo , existe como Estado h apenas 800 anos [ 11 ] , e recebeu a lngua evoluda

 do latim desde o Norte - - como se deu tambm com o prprio castelhano e o

 catalo .
 Logo , o idioma portugus  verdadeiramente a lngua galega que foi

 ligeiramente modificada , e no o contrrio .

 O ocultamento deste fato histrico se deve fundamentalmente a dois grupos de

 fatores .
 Por um lado , os " sculos obscuros " e o esmagamento poltico da Galiza ,

 aliados  modstia galega , e  natural soberbia da Ptria de Cames - - que com

 os chamados " grandes descobrimentos " conduziu os estudiosos ao erro de encobrir

 outros fatos importantes do passado , submetendo a Histria  Sociolingstica .

 E , por outro lado , deveu-se esta situao  difcil convivncia entre os

 imprios espanhol e portugus , que tinham no territrio da Galiza o ponto

 nevrlgico de seu relacionamento .
 Dois imprios globais em confronto

 necessitaram desta mentira secular .

 Ilustrando o submetimento da Histria  Sociolingstica , recordo das palavras

 de Carvalho Calero [ 12 ] , acerca dos " co-dialetos originais , portugus e

 galego " .
 Segundo o eminente fillogo , " um adquiriu categoria de lngua e o

 outro permaneceu em estado dialetal " .
 Claro que este erro j foi corrigido pelo

 prprio Carvalho Calero , mas deixa entrever profundas marcas deixadas no

 esprito do povo galego , que possui a conscincia , hoje , de que fala uma lngua

 prpria , de pertena original de seu territrio , e no um dialeto " derivado " do

 portugus ou mesmo do castelhano ( como j aventaram , atravs dos sculos ,

 estudiosos dedicados a defender um ou outro imprio ) .
 Afinal de contas , embora

 existindo apenas na modalidade falada , uma lngua no pode ser rebaixada a

 estado de dialeto - - e isto era uma necessidade do par de imprios ,

 Portugal / Espanha : para manter seu equilbrio , sempre inestvel , por um lado

 omitiram a realidade da paternidade galega da lngua que era e  comum s duas

 margens do Minho , e por outro lado castravam a modalidade escrita do galego .

 Cabe destacar tambm que quando se fala no perodo de " formao da lngua

 portuguesa " , fala-se na verdade da lngua galega formada , mas que , como

 qualquer lngua , est em constante deriva , evoluindo em alguns traos ,

 incorporando as necessidades lingsticas dos falantes .
 Ressaltar o portugus

 em oposio ao galego-portugus antigo  , em grande parte , cumprir uma

 determinao poltica imposta pela antiga disputa territorial .
 A lngua , em sua

 essncia , permaneceu indomada , embora esmagada a modalidade escrita do tronco

 principal galego ; fato jamais negado pelos estudiosos de todas as ptrias :

 " Galiza e Portugal apresentavam perfeita unidade de lngua e literatura " , disse

 o brasileiro Leodegrio de Azevedo Filho [ 13 ] .
 No mesmo sentido , Jos Luis

 Rodriguez , Catedrtico da Universidade de Santiago de Compostela , em sua tese

 de doutoramento , lembra que " en cuanto a la uniformidad , ( ) constituye ( el

 gallego-portugus ) un bloque ms unitario an que el provenzal literario " [ 14 ] .

 Em um livro intitulado " Galicia y Santiago " , publicado no Mxico em 1749 ,

 fala-se a respeito de autores espanhis , de expresso castelhana , descendentes

 de galegos , como " escritores de Galicia " [ 15 ] , o que retrata a tentativa de ,

 para reprimir a fala , e garantir a unidade de territrio , fixar a escrita em

 castelhano como a nica possvel , fato corrente at mesmo h poucos anos : o

 idioma cervantino era o apropriado  escrita empregada nas Universidades

 galegas , inclusive .
 Esta  uma verdade que , nestes ltimos quatro lustros ,

 apenas deu os primeiros passos em um agora inevitvel processo de superao dos

 " sculos obscuros prolongados " [ 16 ] .

 Os brasileiros , quando buscavam auto-afirmao poltico-lingstica perante a

 antiga Metrpole portuguesa , admitiram , aps polmicas acerbas , cujo epicentro

 est em meados do sculo passado , que seu idioma era mesmo o " portugus " , e no

 uma " lngua brasileira " - - por razes lingsticas , mas destacando

 fundamentalmente o cunho histrico .
 Pelo mesmo motivo , podemos ento admitir

 que o Brasil fala ,  sua maneira , a lngua galega , uma vez que o idioma que

 falamos , derivado do latim ,  autctone da Galiza , que transformou a lngua dos

 romanos antigos , bem antes de terem-na os estudiosos como " lngua portuguesa " .

  claro que , tratando sincronicamente , poderemos divisar inmeras

 possibilidades de interpretar a fala brasileira ( j por demais polifacetada em

 seu prprio territrio ) em dissonncia com a galega : de sculos de

 distanciamento cultural quase que completo no poderia resultar uma

 equivalncia absoluta [ 17 ] .
 Entretanto , no mbito da diacronia , resgatando as

 origens de nossa lngua compartilhada ,  inegvel a concluso de que o Brasil ,

 com traos caractersticos , fala o galego .
 Ademais , este trabalho se insere na

 conjuntura ideada de uma Histria da Lngua que no pode , hodiernamente , eludir

 a poltica lingstica ditada pelos interesses de Estado .
 O erro de estudiosos

 dos sculos passados , a despeito da famosa admoestao de Nebrija [ 18 ] , a

 dissimular o vis da interpretao que segue o caminho dos interesses

 econmico-imperialistas , permitiu o esmagamento de povos e a subtrao de

 outras verdades lmpidas como esta , que os fillogos devemos trazer  luz .

 Claro que poderamos manejar outros argumentos , que no apenas o elemento

 histrico .
 Lindley Cintra [ 19 ] , apoiado em Leite de Vasconcelos , alude , por

 exemplo ,  " influncia de hbitos articulatrios de um substrato tnico " de

 celtas , que , sabe-se , deslocaram-se desde o Norte , " cuja presena Estrabo e

 Plnio assinalam nas margens do Tejo " .
 Desta forma , o prprio fillogo

 portugus explicita que o sistema voclico luso teria sofrido influxos desde o

 Norte galego .
 A presena das vogais mais escandidas no galego atual , que possui

 menos fora ao Sul , em Portugal ( cujos falantes obscurecem as ocorrncias

 destes sons , como em " m'nino " ou em " p'ssoa " ) , permanece mais integral no

 territrio brasileiro , cuja populao , em sua quase absoluta totalidade ,

 encontra parmetro distintivo do falante portugus justamente nesta vocalizao

 mais " perfeita " nossa , por assim dizer , igualando-se ao falante galego - - que

 inegavelmente mantm tambm mais acesa esta " caracterstica celta " .
 A lngua

 falada na Galiza , que  a real Ptria da Lngua , que instituiu o sistema

 voclico e a musicalidade do galego , faz-se presente no Brasil .
 Portugal ,

 deixando-se influenciar pela fala morabe ( como querem alguns ) , de certa

 maneira " capou " a musicalidade galega aludida por Otero Pedrayo .

 Agitam-se alguns estudiosos com a idia , justamente , de que a influncia

 morabe em territrio portugus , mais ao Sul de Braga , diferenciou a lngua

 determinantemente do galego constituindo-a em " outra lngua " .
 No entanto , sob o

 prisma histrico-cronolgico mais singelo , este argumento no resiste por muito

 tempo : Os morabes j se encontravam tambm mais ao Norte , no territrio que

 apenas sculos depois seria considerado " portugus " , ainda no sculo VII , antes

 quinhentos anos de existir Portugal politicamente .
 Portanto , ainda no

 territrio da Galiza integral se formaram variantes futuramente tidas como

 distines " portuguesas " .
 Podemos dizer , ento , que , quando falamos de

 " portugus " , trata-se da " variante portuguesa " ( ou meridional ) da " lngua

 galega " , porquanto esta j existia antes de a grande e brava nao lusa se

 constituir em Reino independente ; logo , o idioma que se fez mais ao Norte , e

 deslocou-se posteriormente para o Sul  ineludivelmente o galego .

 A lngua portuguesa de hoje no  mais que uma variante sulista da lngua

 galega de antanho ; um co-dialeto ,  certo , mas que tambm poderamos chamar de

 galego-portugus infra-Douro , o qual , mesmo no territrio de Portugal , possui

 distino com a variante de entre Minho e Douro , e ainda com o Mirands , ao

 Nordeste [ 20 ] .

 No entanto , este no  o caminho ajeitado para tirarmos as concluses .
 No nos

 podemos deter em tecnicismos fonticos , morfolgicos , sintticos , lexicais ou

 mesmo de entendimento mtuo [ 21 ] .
 Desde sempre pde-se brandir exemplificaes

 em defesa da proximidade ou da distncia entre dois falares , no propsito de

 provar , para os interesses de quem organiza os argumentos , a partir do corpus

 elegido , que tratamos ou no de uma mesma lngua .
 O livro de Edith Pimentel

 Pinto " O Portugus do Brasil " [ 22 ] arrola uma boa dezena de argumentos que

 poderiam municiar os " isolacionistas " de existir uma hipottica " lngua

 brasileira " ( ou at vrias ) conforme os interesses de quem financia os estudos .

 J h desse tipo de artifcio pela Galiza .
 Nas atas das " Primera y Segunda

 Asembleas Lusitano-Gallega " , da Real Academia Gallega " , ocorridas h trinta

 anos , h constncia de que existem as palavras " pulpo " e " paquete " na Galiza ,

 diferentemente do que em Portugal - - ergo fala-se aqui uma lngua distinta do

 portugus [ 23 ] .

 Nem vou perder tempo em comentar este " argumento " .
 Tambm a lngua castelhana

 j se bateu com dificuldades semelhantes , com a possibilidade de existir o

 " andaluz " , o " chileno " , de Andrs Bello , ou o " idioma nacional dos argentinos " ,

 de Luciano Abeille .
 O que  notvel  a persistncia dessa gente pouco detida

 em estudos paralelos , nesta inglria tentativa de afastar dois povos e uma

 lngua na Europa Moderna .
 Necessrio mesmo , nos dias de hoje ,  a aproximao

 lingstica , cultural e econmica .
 Para isso , precisamos especificar a

 concepo de " dialeto " e de " lngua " , que esto tradicionalmente vinculados a

 ideais geogrficos , quantitativos e polticos .
 Leite de Vasconcelos trata de

 dialecto ( meridional ) , subdialecto ( estremenho ) e variedade ( de Lisboa ) sem

 medo de nomear a lngua " principal " , que , para ele , naturalmente ,  o portugus

 [ 24 ] .
 O Brasil de 1897 percebeu possuir " variados elementos para se constituir ,

 seno novo idioma , pelo menos importantssimo dialeto " [ 25 ] .
 Ora , sabedores de

 que o tronco principal  a lngua galega , no a portuguesa , podemos dizer que

 Portugal falava um dialeto do galego , e o Brasil Colnia um subdialeto do

 galego-portugus .
 No entanto , devido a razes de natureza scio-poltica , 

 importncia cultural da nao brasileira , no mbito das naes modernas , e at

 mesmo  expressividade do nmero de falantes brasileiros ; devido tambm 

 distncia geogrfica que separa os trs pases , Brasil de Portugal e Galiza , e

 s razes histricas j aludidas , no vejo dificuldade em afirmar que o Brasil

 fala galego .
 Um dialeto mediado por Portugal ; naturalmente com diversas

 preferncias lexicais ou fonticas , que distingue , amplamente , mesmo no Brasil ,

 um falante do Estado do Rio Grande do Norte de um falante do Estado do Rio

 Grande do Sul , mas no deixando de ser um " importantssimo dialeto " - - como

 diria Taunay - - ligado diretamente  lngua troncal galega - - no um subdialeto

 ou uma variedade , qualificaes inconcebveis , porquanto o Brasil comporta

 cerca de 80 % dos perto de 200 milhes de falantes da lngua galega distribudos

 pelo mundo .

 Alm do argumento de destacar a verdade histrica , penso que podemos arrolar

 outros argumentos que creio serem interessantes , a partir de vrios pontos de

 vista , que poderiam , de certa maneira , redimir , sociolingsticamente , a

 histrica injustia perpetrada contra o povo galego , devolvendo o rtulo de

 " galego "  nossa lngua comum .
 Jamais poderamos  admitir uma teoria que

 servisse to-somente a interesses de imprios frustrados , interesses at

 justificveis quando se busca , por exemplo , afastar dois povos em guerra

 perptua atravs dos tempos , como os falantes de lugares como Srvia e Crocia ,

 que , igualmente por razes de Estado , por motivaes de lutas efetivamente

 srias ( seja entre etnias , religies ou comerciais ) , aps a imploso da

 contigidade de interesses , exacerbam diferenas de fala e de escrita .

 E determinar o nome do idioma no era trabalho to complexo ou controverso .

 Gabriel Alomar [ 26 ] ope trs distintos modos para denominar um idioma : por sua

 origem ; ou por sua implantao em um estado soberano ; ou por sua expanso

 territorial .
 Nessa perspectiva tripartida , a lngua oficial da Espanha-Estado

 poder-se-ia denominar ou " castelhano " , ou " espanhol " , ou " hispano-americano " ,

 sem deixar de ser o mesmo idioma difundido pelo mundo .
 Contudo , salta aos olhos

 que a denominao originria , " lngua castelhana " , obedece a um carter mais

 cientfico , porquanto , com admitir a segunda opo , inevitavelmente

 abrangeramos , ampliando um equvoco , outras lnguas tambm pertencentes 

 territorialidade espanhola ( afinal o galego , o vasco e o catalo tambm so

 " lnguas espanholas " ) ; e , enfim , com a terceira hiptese , no conjunto da

 " expanso " , perdemos outras vertentes das antigas conquistas do povo espanhol ,

 como Filipinas ou Guin-Equatorial , para ficar no paradigma castelhano .
 Alm

 disso correramos o risco de , mais uma vez , confundir os inevitveis vrios

 dialetos , nascidos do confronto de outras realidades culturais , com a lngua

 matriz , considerando dialeto como sendo lngua .

 O critrio da origem  , desde j , o mais acertado , portanto .
 Mas , por outro

 lado ,  lgico que , ao dizer que o Brasil fala galego , no podemos esquecer a

 considerao histrica prestada ao idioma " portugus " .
 Afinal , o que conhecemos

 hoje como " lngua portuguesa "  assim considerado no apenas porque o povo

 galego foi esmagado politicamente pelo centralismo espanhol , mas

 complementariamente e sobretudo porque o povo portugus conquistou espao na

 comunidade planetria , tanto literria como politicamente - - espao , alis ,

 dividido hoje com a presena do Brasil no concerto das naes de economia

 slida , e com a literatura brasileira ganhando terreno ; e brevemente espao

 repartido com a pujante literatura galega , de Mndez Ferrn , de Suso de Toro ,

 Manuel Rivas , Fernn-Vello e tantos outros .

 Estas condies eram inexistentes at h bem pouco .
 Novamente cito Carvalho

 Calero [ 27 ] , que assim comenta a considerao de algumas dcadas atrs , de

 Leite de Vasconcelos , ao denominar o galego " codialeto do portugus " :

 " To evidente como que , para o grande fillogo portugus , o galego no se

 deriva do portugus , e portanto no pode chamar-se de dialeto seu ,  o fato de

 que aquele autor reputa como insensata a doutrina dos galegos que olham ao

 portugus como um dialeto do galego , quando aquela lngua possui uma

 importncia cultural e poltica muito superior ( ) .
 Um e outro seriam irmos ;

 mas de hierarquia social distinta. " ( Grifo nosso. )

 H que anotar que esta postura decerto foi abandonada pelo autor ,

 posteriormente .
 Contudo , tal preconceito social caracterizando a lngua e

 confundindo o idioma com considerao poltica da soberania de um povo ,

 dificultou os estudos , e hoje provoca reao negativa por parte de alguns

 galeguistas , que se rebelam contra o ditado de nomearmos inadequadamente a

 lngua como se fosse dialeto , recusando mesmo , alguns , o fato de possuirmos o

 mesmo instrumental de comunicao , em repdio a esse malfico , mas

 absolutamente normal ( conquanto constructo histrico ) , vcio de origem quanto

 aos estudos .
 As lnguas , afinal , no so culpadas das vicissitudes por que

 passam os povos que as empregam .
 Fosse hoje Lisboa cidade da periferia de uma

 hipottica Grande Galiza , e no a ex-capital de um portentoso Imprio

 Transcontinental , embora j sendo este um fato pertencente ao passado , ningum

 hesitaria em chamar " variedade lisboeta da lngua galega " ao se referir  fala

 dos portugueses que foi o paradigma mundial por um bom tempo [ 28 ] .

 Lngua , como se sabe , dispensa o governo e at o territrio nacional , podendo

 sobreviver apenas na tradio oral dos povos ( as lnguas indgenas do Brasil ,

 v.g. ) , podendo ser recuperada integralmente na modalidade escrita , como o grego

 e o idiche , por exemplo .
 Divulgada com mais eficincia , agora que a Galiza

 ser tida como uma Comunidade Autnoma na Unio Europia , com territrio , povo ,

 costumes , governo autonmico , idioma normativizando-se , pouco a pouco , no h

 por que no recuperar esta injustia histrica , que o Rio do Esquecimento ,

 situado geograficamente nas cercanias de onde nasceu nosso idioma comum ,

 obnubilou por sculos a fio .

 Dizer " o portugus no mundo " no  de forma alguma uma impostura , mas  sem

 dvida uma impreciso terminolgica .
 Alguns galegos provavelmente desconsideram

 este rtulo de " galego " conferido  nossa lngua comum , no exatamente devido

 ao " auto-dio " , mas sim com algum trao de eurocentrismo , uma vez que haveria

 preponderncia dos dez milhes de habitantes de Portugal sobre os dois milhes

 e setecentos mil galegos - - alm obviamente da considerao universal da pujante

 literatura portuguesa camoniana e moderna , tambm contraposta  galega , que

 apenas desponta , enquanto o Brasil permanece obscurecido , numa imagem nebulosa

 e distorcida de samba , futebol e pobreza .

 A idia  de , rompendo este vcio eurocentrista , natural mas nocivo a uma real

 integrao cultural-lingstica ( e tambm scio-econmica ) , podermos iluminar

 as maiores razes de afirmar a lngua galega presente no mundo .
 Concluindo este

 texto , aps os parcos argumentos que alinhavei com impercia , quero comentar

 ligeiramente acerca da possvel reao dos implicados diretamente nesta

 necessidade poltica de deciso terminolgica .
 Para os brasileiros , sei que

 seria muito natural admitir este fato histrico , trazido  tona recentemente

 com maior nfase , de que falamos uma lngua que no  realmente " portuguesa " ,

 mas um dialeto brasileiro da lngua galega .
 Os argumentos seriam os mesmos que

 concluram antigamente que falvamos a mesma lngua dos portugueses .
 Se

 levarmos em conta o ideal da resistncia natural aos antigos colonizadores ,

 isto  , a inescusvel necessidade de a ex-colnia repudiar politicamente a

 antiga Metrpole - - no apenas um direito , mas um dever nacional , o que era mais

 expressivo at poucas dcadas atrs com o Portugal-Imprio - - , verificaremos ser

 bastante aceitvel admitir que o Brasil , a seu modo , e com sua diversificada

 caracterizao , fala o idioma galego [ 29 ] .

 Para os galegos , penso que admitir que " o Brasil fala galego " , concedendo sem

 mais problemas o " rtulo " , seria sobretudo retomar a bandeira de certo

 nacionalismo nobilitante , arrebatada das esquerdas pelas " novas direitas " .
 

 natural estarem os galegos confrontados com os interesses portugueses , aps

 sculos vivendo " de costas viradas " , em que Portugal apoiou , ao menos pela

 omisso , os interesses do imprio vizinho , seu semelhante , seu igual .
 

 significativo o indcio deste fato , retratado na Galiza , onde a imposio do

 espanholismo que ainda resta de ndole franquista propicia que , espritos menos

 iluminados , ao chamar algum ou algo de " lusista " , suponha agregar algum matiz

 pejorativo .
 Este obstculo ao reintegracionismo lingstico-cultural ( e de

 considerao poltico-econmico ) seria retirado .

 Para o conjunto dos espanhis devemos verificar os aspectos macro-econmicos , e

 considerar os novos momentos da integrao pela via da Unio Europia , e no

 marco da cpula ibero-americana clausurada em Santiago do Chile em 11 de

 novembro ltimo .
 Os pases do Mercosul tero acesso  Europa pela mo da

 Espanha e de Portugal .
 Inexiste entre os pases ibricos a animosidade de

 antanho .
 Em 1998 a Galiza e Lisboa estaro interligadas por autoestrada [ 30 ] .

 Os antigos imprios portugus e espanhol possuem agora inextricveis

 interesses , esto indissociados , em marcha clere de rompimento de fronteiras ,

 agora com interesses comuns de enfrentar o gigante americano [ 31 ] .
 Despovoa-se

 a Galiza rural , dando lugar a uma Comunidade urbana e internacionalista [ 32 ] .

 Decerto aceitaro com certa facilidade - - inconcebvel  Espanha do franquismo - -

 este vis galeguista. Jorge Urrutia apresenta de seu modo esta viso :

 " La expansin de las lenguas minoritarias se acompaar del mejor conocimiento

 de la comn si pedimos , a la vez , el estrechamiento de las relaciones

 culturales entre las distintas comunidades .
 El cultivo de la lengua comn es el

 que puede difundir por el trmino con referencia slo al nmero de hablantes de

 la lengua en la que se expresan. Tenemos que recomendar la enseanza de las

 lenguas no slo en las regiones que las hablan ; es preciso un conocimiento

 mnimo de todas las lenguas de Espaa por todos los espaoles .
 Una medida

 polticamente difcil , pero posible. " [ 33 ]

 Claro que em Portugal temos a maior dificuldade : esto os portugueses na

 situao de dipo , que , tendo conhecimento de haver matado seu " pai "

 lingstico , nestes sculos de omisso , no podero facilmente admitir este

 " pecado capital " e abrir mo do poder que detm , no mbito das naes

 planetrias .
 Como afirma o sociolinguista galego Celso lvarez Cccamo ,

 " nesta questo de Estado , no se luta efetivamente contra um estado sem

 implicar o outro no confronto .
 Por isso , aqui e agora , a resistncia efectiva

 passa por articularmos uma submisso rebelde ao mbito portugus , ao seu estado

 e  sua cultura : por ver-nos como uma florescente excrescncia sua , no do

 Reino da Espanha nem da cultura espanhola .
 A resistncia passa por criarmos

 novos vnculos transfronteirios que vulnerem a lgica histrica da dominao

 espanhola ; por impormos sobre Portugal ( no sobre Espanha ) a nossa diferena "

 [ 34 ]

 No  difcil prever que para atingir a meta da reintegrao da Galiza com o

 espectro luso-afro-brasileiro , poder-se-ia voltar as costas momentaneamente a

 Portugal , abraar mais o Brasil e ex-colnias portuguesas [ 35 ] , abrindo mo do

 eurocentrismo , e rejeitando o reducionismo de siglas como PALOP , que possui

 ndole nitidamente discriminatria .

 Seja como for , a simples discusso , a crua polmica acerca do nome da lngua

 comum , no  um exerccio vo :  benfica por si s : leva  conscincia de

 existir um fio de unificao lingstico-cultural , que vem de longe ; que

 procede dos celtas e se rene com os ndios tupis na Amrica , por exemplo , ou

 com os bantos , na frica .
 No podemos desdenhar as razes histricas da

 ideologia segregacionista , que impede alguns de dizer abertamente que o cidado

 galego fala a lngua portuguesa , ou que muitas vezes fora um brasileiro mais

 " revoltado " de admitir que fala " portugus " .
 Porm podemos afirmar com

 plenitude que o cidado brasileiro fala o galego - -  sua maneira , obviamente .

 No um galego da coin perfeita galego-portuguesa dos cancioneiros , que este

 galego no existe mais , nem em Portugal , nem no Brasil ou mesmo na Galiza .
 Mas

 o galego das variedades potiguar , gacha , minhota , ferrolana .
 No devemos

 aceitar  a manuteno deste consolidado erro terminolgico secular

 pacificamente .
 Dizer galego , dizer portugus , dizer " portugalego " ou brasileiro

  questo de somenos , mas de necessria discusso entre ns .

 Para rematar , gostaria de mencionar Carlos Drummond de Andrade , o poeta maior

 brasileiro , que , em seu poema " Cano Amiga " , musicado por Milton Nascimento ,

 diz :

 " Caminho por uma rua

 que passa em muitos pases .

 Se no me vem , eu vejo .

 E sado velhos amigos. "

 Os portugueses no deixam de ser velhos amigos do povo brasileiro .
 No entanto ,

 cabe resgatar os amigos galegos , que so amigos ainda mais originrios ( e no

 trazem consigo o travo da opresso imperialista ) , pelo fato de serem os

 geradores da lngua nossa , hoje pertencente a muitos povos do mundo por igual

 - - no importando que rtulo tenha , pelas razes maiores de Estado que advenham

 da dinmica dos interesses dos Pases e de seus cidados .

 Notas e Referncias

 1 .
 Conhecida como " a doutrina do galego-portugus " , propagada por Carolina

 Michalis .

 2 .
 Francisco Fernndez Rei ( 1988 ) .
 " Posicin do Galego entre as linguas

 romnicas " .
 In : Verba - Anuario Galego de Filoloxa .
 N. 15 .
 Universidade de

 Santiago de Compostela .
 Vigo. pp. 79-107 .

 3 .
 De fato , o Professor reelaborou este texto bsico do isolacionismo galego , e

 deixou de lado esse " argumento " , embora no o tenha substitudo por outro

 melhor .

 4 .
 Colquios sobre Otero Pedrayo .
 Faculdade de Filologia .
 Universidade de

 Santiago de Compostela .
 Outubro de 1996 .

 5 .
 Vide tambm Isaac Alonso Estravs ( 1988 ) .
 " Otero Pedrayo e Portugal " .
 In :

 Ns - Revista Internacional Galaicoportuguesa de Cultura - n. 7 .
 Pontevedra .

 pp .39-45 .

 6 .
 J Ferno de Oliveira , em sua Gramtica da Lngua Portuguesa , de 1536 ,

 refere-se ao " Cancioneiro Portugus " , evitando mencionar o galego .
 Mesmo

 hodiernamente , diversos encontros cujo epicentro era a lngua portuguesa , ainda

 que realizado com estudiosos conscientes da " questo galega " , omitiam

 discusses que envolvessem temas to prementes como a normativizao da

 variedade nortista do " portugus europeu " .
 ( Vide , v.g. , as Actas do I Simpsio

 Luso-Brasileiro de Lngua Portuguesa Contempornea .
 Coimbra .
 1968. )

 7 .
 Cames , cuja origem familiar  galega , como se sabe .

 8 .
 Firmado por Sua Majestade o Rei , D. Juan Carlos I , e o Presidente do Governo

 de ento , Leopoldo Calvo-Sotelo .

 9 .
 Orlando Ribeiro .
 A Formao de Portugal ; ICLP ; Lisboa .
 1987 .
 p .21 .

 10 .
 Ver mais em Julio Cabrera Varela .
 La nacin como discurso .
 El caso gallego

 ( La estructura del sistema ideolgico nacionalista : el caso gallego ) .
 Centro de

 Investigaciones Sociolgicas .
 Siglo Veintiuno de Espaa , s.a .
 1992 .

 11 .
 A Lusitnia foi " pacificada " pelas tropas de Csar em 61 a .
 C .

 12 .
 Ricardo Carballo Calero ( 1966 ) .
 Gramtica Elemental del Gallego Comn .

 Galaxia .
 Vigo .
 1979 .

 13 .
 Revista Internacional Galaicoportuguesa de Cultura Ns .
 Abr 87/Dez 88 .

 Pontevedra .
 1988 .

 14 .
 Cancionero de Joan de Airas de Santiago - Edicin y Estudio .
 Verba , Anuario

 Galego de Filoloxa .
 Anexo 12 .
 Universidade de Santiago de Compostela .
 Vigo .

 1980 .
 p .47 .

 15 .
 Este livro , que encontrei em uma biblioteca particular em Chantada ,  de

 autoria de " Pascuasio de Seguin ( de la Compaia de Jesus ) " , e datado

 precisamente de 1 .
 de dezembro de 1749 .
 Rene sete discursos " em favor " dos

 galegos , defendendo a lealdade destes perante a Coroa de Castela , inclusive ao

 lutar contra os portugueses que invadiam o territrio " espanhol " .
 Isto

 demonstra a antigidade das atitudes de intelectuais que buscaram afastar os

 povos galego e portugus , mesmo no sculo XVIII , que sero os precursores dos

 " isolacionistas " de hoje , num momento em que no h mais essa necessidade

 geopoltica de afastamento .

 16 .
 O idioma oficial , hoje , da Universidade de Santiago de Compostela ,  o

 galego , uma diretriz presente no artigo 8.1 de seus Estatutos , aprovados no 22

 de dezembro de 1993 .

 17 .
 Contam os expertos que Shakespeare , que est " ausente " h menos tempo , se

 redivivo , pouco reconheceria do ingls falado atual .

 18 .
 A recorrente frase " A lngua  companheira do Imprio " , de Nebrija .

 19 .
 Lindley Cintra .
 Estudos de Dialectologia Portuguesa ; S da Costa Editora .

 Lisboa ; 1983 .
 p. 53 .

 20 .
 Lindley Cintra ( op.cit. ) pontifica : " A influncia de Morabes no

 territrio portugus est documentada do sculo VII ao XII e do Algarve a Entre

 Douro e Minho. [ A mais moderna e completa exposio do assunto ( Morabes e

 Mouros ) deve-se a M.Viegas Guerreiro , que utilizou e ampliou as notas de Jos

 Leite de Vasconcelos , em Etnografia Portuguesa , volume IV , etc. ]. "

 21 .
 H dialetos , por exemplo , no interior do idioma alemo que no permitem o

 mtuo entendimento .
 E h mtuo entendimento entre os falantes de noruegus ,

 dans e sueco , que utilizam lnguas diversas .
 Cf .
 Ricardo Muoz Martn ;

 Lngstica para traducir. Teide .
 Barcelona .
 1995 .

 22 .
 Textos Crticos e Tericos - 1 - 1820/1920 - Fontes para a teoria e a

 histria ( EDUSP ; 1978 ) .

 23 .
 Amrico Lopes de Oliveira .
 " Da Galiza e de Portugal - O galego e o

 portugus : Principaes diferenas Morfolgicas entre ambas as lnguas " .
 Actas y

 Comunicaciones .
 Madrid ; Editora Nacional .
 1967 .

 24 .
 Mapa Dialectolgico do Continente Portugus ; Lisboa ; 1897 .
 p .16 .

 25 .
 Visconde de Taunay .
 " O portugus de Portugal e o do Brasil " .
 In : PINTO ,

 Edith Pimentel .
 Op. cit .

 26 .
 Escritor e poltico espanhol ( 1873-1941 ) .
 Cit. in : Castilla Libre .
 Boletn

 del Movimiento Popular Castellano .
 N. 06 .
 Salamanca. p .17 .

 27 .
 Ricardo Carballo Calero .
 Ibidem .

 28 .
  interessante anotar que a norma empregada hoje na ONU e na UNESCO para o

 idioma portugus  a brasileira , encaminhada pelo Palcio do Itamarati .

 29 .
 O portugus Agostinho dos Santos , em um livro intitulado Vida Conversvel

 ( p .52 ) , acredita que " Portugal tratou o Brasil muito bem quando foi colnia e ,

 se no tivessem sido os portugueses , o Brasil no se teria constitudo " .
 Este

 ponto de vista , que  o oficial na ptria de Cames , obscurece o extermnio de

 milhes de indgenas , a arrecadao de toneladas de ouro e outros minerais

 preciosos das " minas gerais " , e , inclusive , a devastao de florestas inteiras ,

 praticamente eliminando das terras brasileiras o prprio pau-brasil , a rvore

 que teria emprestado o nome ao Pas - - dado seu consumo intenso na Europa , nos

 primeiros sculos da colonizao .

 30 .
 Cf. o jornal O Correo Galego , de 7 de maro de 1996 ; p. 9 .

 31 .
 Tambm esta idia no  recente .
 A Unio Ibrica de 1580-1640 , com

 recuperao da soberania portuguesa reconhecida pela Espanha em 1688 , vem sendo

 continuamente lapidada .

 32 .
 Manuel Mara .
 " A morte da parroquia rural na Galicia tradicional " .
 In : El

 Correo Gallego , de 25 de setembro de 1996 .

 33 .
 " Cuatro lenguas para la Literatura Espaola " .
 ( Captulo 6. ) Cuadernos de

 Comunicacin - 2 .
 Universidad de Sevilla .
 1989. )

 34 .
 " Ptria e Lngua , por ltima vez " .
 In : A Nosa Terra , 25 de julho de 1996 .

 N. 736 .
 p. 27 .

 35 .
 Diz Xos Manuel Sarille : " Tanto no Projeto do Arco Atlntico como no do

 Eixo ( e o projeto Galiza-Norte de Portugal ) , desenvolvem-se idias e linhas de

 atuao no campo econmico e social e sempre se deixa a jeito de coletilha um

 ponto ' cultural ' que no se sabe em que consiste e que no caso do Eixo fala s

 de patrimnio monumental. " ( " Os intelectuais galegos , Portugal e Brasil. " In :

 Luzes de Galiza .
 N. 25 .
 Vero , 1994 .
 Edicins do Castro .
 Santiago de

 Compostela. )

 adicionar novo comentrio

 Opes de visualizao de comentrios

 [ Lista organizada - expandida ]

 [ Data - mais velho primeiro ] [ 50 comentrios por pgina ]

 [ pssimos ( -3 ) ...................
 ] Salvar configuraes

 Select your preferred way to display the comments and click ' Save settings ' to

 activate your changes .

 _________________________________________________________________

 Alea jacta est

 tolinh @ sem nome | 5 Fev 2005 - 22:20 |

 Excelente artigo , opinies como essas deveriam ser motivo de maiores debates ,

 em todo oEspao Cultural do nosso Idioma comum principalmente nas universidades

 e demais instituies culturais .

 responder a este comentrio ;

 _________________________________________________________________

 PORTUGUES DE GALICIA AO TEN NADA A VER COM O PORTUGUES DE BRAS

 tolinh @ sem nome | 19 Fev 2005 - 12:47 |

 SEN COMENTARIOS

 responder a este comentrio ;

 Colocar novo comentrio

 Seu nome :

 tolinh @ sem nome

 Assunto :

 __________________________________________________

 Comentrio :

 ______________________________________________________________________

 ______________________________________________________________________

 ______________________________________________________________________

 ______________________________________________________________________

 ______________________________________________________________________

 ______________________________________________________________________

 ______________________________________________________________________

 ______________________________________________________________________

 ______________________________________________________________________

 ______________________________________________________________________

 Prever comentrio

 Uma lngua para domin-los a todos ...
 Rodando com softaware livre

 Autenticar-se

 Nome de conta :

 _______________

 Senha :

 _______________

 Log in

 * Criar nova conta

 * Requisitar nova senha

 Navegao

 * envios recentes

 ltimos artigos

 * Encruzilhada da lngua [ Alvarez Cccamo , C. ; 2005 ]

 * Os soos da repblica [ Alcal , X. ; 2005 ]

 * Lngua nacional , lngua universal [ Nogueira , C. ; 2005 ]

 * Todas as opes : qual  o problema ?
 [ Alvarez Cccamo , C. ; 2005 ]

 * Tonhito de Poi deja Heredeiros da Crus para crear su grupo [ 2005 ]

 * http : // www.questione.org / node / view / 390

 * O dia quer amanhecer [ ADIGAL ; 1999 ]

 * Cincu protagonistes d'un conflictu espansionista y antiasturianu

 [ Andecha Astur ; 2004 ]

 * Castelao y Arzallus [ Moa , P ; 2002 ]

 * Do idioma galego [ Vergodense , F. ; 1896 ]

 mais

 Portal Galego da Lngua

 * Construir da periferia , construir da Galiza

 * Nlida Pion prmio Prncipe de Astrias das Letras 2005

 * NS-UP assume as petions de defesa da lngua e cultura da Galiza

 irredenta

 * Galegos e portugueses fazem valer saberes comuns para que sejam

 declarados  Obra Mestra da Humanidade  pela Unesco

 * Rdio Kalimera volta s ondas

 mais

 Blogs

 *  dalguno llevaba montera picona ?

 * Tristeza , profunda tristeza ......

 * s , quiero

 * Manuel Maria , in memoriam

 * Manuel Mara

 * El da de la amnesia

 * alta poltica

 * Libertade Jimmy Jump

 * Con Orgullu

 * Ctrl + Alt + Supr

 mais

 Top ligaes

 * Associao Cultural Alto Minho

 * Irmandades da Fala da Galiza e Portugal

 * O reintegracionismo lingustico galego-portugus

 * Acordos Ortogrficos da Lngua Portuguesa

 * O Galego no ensino

 * Movimento Defesa da Lngua

 * Pgina de Jom Soutulho

 * Direccin Xeral de Poltica Lingstica

 * Histria da Lngua Portuguesa

 * Dicionrio aberto de calo e expresses idiomticas

 Sindicar

 XML

