   

 [ LINK ]

 [ INLINE ] Jornada , Barcelona , 24/11/2004

 Sommaire

 [ INLINE ]

 Reunions | Reuniones | Runions | Reunins | Riunioni | Reunies | Reuniuni

 Catal | Espaol | Franais | Galego | Italiano | Portugus | Romna

 [ INLINE ]

 Duas questes em discusso :

 O que so brasileirismos nos dicionrios

 de Lngua Portuguesa ?

 Existem brasileirismos terminolgicos ?

 Enilde Faulstich

 1 .
 Ponto de vista geral

 Estudar brasileirismos na Lngua do Brasil  penetrar em um universo de

 ambigidades conceituais em que se misturam pontos de vista bastante

 diferenciados , no que diz respeito  formao de tais expresses .
 Para fins de

 compreenso do ponto de vista crtico , que apresentaremos mais adiante , sero

 expostos , de maneira sucinta , pontos de vista que procuraram definir

 brasileirismos na lngua portuguesa .

 Para Joo Ribeiro ( 1889 ) , citado por Pinto [ 1 ] , " brasileirismo  a expresso

 que damos a toda casta de divergncias notadas entre a linguagem portuguesa

 verncula e a falada geralmente no Brasil. " ( p. 333 ) .
 No excerto de Ribeiro ,

 brasileirismo  enfocado primordialmente sob o ponto de vista da lngua oral .

 Anos mais tarde , j em 1905 , o mesmo autor amplia a perspectiva de definio de

 brasileirismo quando diz que " os colonos trouxeram no sculo XVI as mesmas

 qualidades e a mesma linguagem idiomtica dos precursores da poca clssica ;

 muitos dos chamados brasileirismos de expresso , e at de prosdia , acham-se em

 perfeita concordncia com certas peculiaridades dos sculos XIV e XV ...
 " ( p .

 352 ) .
 Nesta nova classificao , Ribeiro inclui os brasileirismos lexicais ,

 quando se refere ao plano da expresso .

 Carneiro Ribeiro , em 1890 , declarara que " brasileirismos so vocbulos ou

 locues da lngua portuguesa falada pelos brasileiros , ou modos de dizer

 especiais do idioma luso-brasileiro. " Para esse autor , os brasileirismos ou so

 lxicos ou so sintticos , assim " os primeiros respeitam s palavras , j

 consideradas em seus elementos fnicos , j em sua prpria forma ; os segundos

 dizem respeito  frase , ao tecido mesmo do discurso. " Carneiro Ribeiro

 reconhece nos brasileirismos no s os elementos claramente por ele

 referenciados , mas , ainda , a diversidade fontica nacional , em relao ao falar

 ibrico .

 Em artigo de 1958 , Rodrigues informa que " nesta contribuio apresentamos

 justamente uma srie de brasileirismos de origem amerndia com timos

 documentados " [ 2 ] .
 E complementa : " consideramos documentado um timo , quando

 ocorre um dos seguintes fatos :

 a ) so atestados na lngua indgena a mesma forma e o mesmo sentido do

 brasileirismo em questo ou forma e sentido ligeiramente diferenciados ; b ) o

 brasileirismo provm evidentemente de um composto , cujos componentes so

 atestados na lngua indgena ( o composto s  considerado evidente , quando ele

 se explica pelos padres de composio da lngua indgena e apresenta sentido

 condizente com o de brasileirismo ). " Na continuidade de seu texto , Rodrigues

 informa que sero consideradas apenas palavras provenientes do tupinamb , pois

  do " tupinamb que procede maior quantidade de brasileirismos " .
 Das palavras

 do autor podemos concluir que os brasileirismos por ele estudados so

 provenientes de " timos tupinambs. " ( p. 6 )

 Melo ( 1972 ) concebe que h somente um tipo de brasileirismo , o de natureza

 semntica , ao afirmar que " entende por brasileirismos de significao as

 muitssimas palavras portuguesas que , sem perderem o antigo , adquiriram nesta

 banda do Atlntico novo ou novos significados. " [ 3 ] E completa : " Trata-se de um

 crescimento semntico da palavra , um enriquecimento por dentro , com economia de

 vocbulos. "

 Para Silva Neto ( 1979 ) , o " qualificativo de brasileirismo s se deve aplicar a

 palavras de uso exclusivamente regional .
 Para nomes de rvores , animais e

 palavras de uso geral [ ...
 ]  preciso usar o qualificativo de portugus do

 Brasil. " [ 4 ] Silva Neto percebe brasileirismo somente no plano lexical da

 lngua , tanto na variao horizontal , a geogrfica , quanto na variedade

 vertical , que organiza os quadros taxonmicos do conhecimento humano .

 No seu artigo Brasileirismo , Afrnio Peixoto [ 5 ] diz que  decidiu a Academia

 Brasileira considerar como tais [ brasileirismos ] as palavras de uso nacional ,

 estranhas ao hbito lusitano , umas de origem regional , outras de gria das

 capitais , quando todavia autorizadas ou abonadas por um escritor .
 O seu

 dicionrio [ da Academia ] dever recolher todos estes vocbulos e expresses -

 nossa colaborao  lngua comum - com essas respectivas abonaes.  Peixoto

 aponta a questo internamente , porm informa que somente  brasileirismo a

 expresso escrita que tiver testemunho de autoridade .

 Ao tratar das questes do Modernismo e da lngua portuguesa no Brasil , Lessa

 ( 1976 ) equivale brasileirismos a termos populares .
 No caso , termos populares

 so " termos e expresses que habitualmente s empregamos no linguajar

 descuidado , os quais sentimos pertencerem , caracteristicamente ,  linguagem

 corrente. " E mais : " termos e expresses que , no consenso unnime dos que

 falamos o portugus do Brasil , so prprios da lngua falada , coloquial ou

 plebia. " [ 6 ] Lessa interpreta os brasileirismos sob o sentimento de que tais

 termos e expresses s so usados no plano da lngua oral .
 Deixa ainda a forte

 impresso de que o brasileirismo pertence a um nvel de lngua abaixo do que

 seja o " padro " , o que cria uma certa contradio com outra declarao do mesmo

 autor , quando diz que os brasileirismos pertencem caracteristicamente 

 linguagem corrente .

 Para Maria Tereza C. Biderman ( 1998 ) , apud Pires de Oliveira [ 7 ] , 1999:95 ,

 brasileirismo  " qualquer fato lingstico ( palavra , expresso ou seu sentido )

 prprio de uma ou de outra variedade regional do portugus do Brasil , com

 exceo da variedade usada no eixo Rio - So Paulo , que se considera como o

 portugus brasileiro padro , isto  , a variedade de referncia , e com excluso

 tambm das variedades usadas em outros territrios lusfonos " .
 Biderman se

 serve de dois critrios para remarcar brasileirismos , quais sejam , um critrio

 social , com nfase a um " portugus brasileiro padro " e outro scio-geogrfico ,

 ao excluir os Estados do Rio de Janeiro e So Paulo do mapa em que  possvel

 criar brasileirismos .

 Como demonstrado , as definies correntes de brasileirismo relacionam essas

 unidades lexicais a fontes etimolgicas difusas - indgenas , linguagem

 portuguesa verncula e a falada geralmente no Brasil , vocbulos ou locues da

 lngua portuguesa falada pelos brasileiros , palavras portuguesas que adquiriram

 novo ou novos significados no Brasil , palavras de uso exclusivamente regional ,

 brasileirismos de origem amerndia , termos e expresses que habitualmente s

 empregamos no linguajar descuidado - , entre outros pontos de vista que deixamos

 de apresentar aqui porque , de uma forma ou de outra , a conceituao se situa na

 mesma esfera .

 A contradio que encontramos no fundo da questo  que grande nmero de

 brasileirismos  etiquetado , na lexicografia tradicional , com marcas de uso que

 os tipificam como pertencentes a linguagens de especialidade .
 Porm , nenhum

 autor separa os brasileirismos por tipo , de acordo com o discurso a que serve ,

 se ao uso comum , se ao uso especializado .
 Mediante o exposto , nosso ponto de

 vista  o de que , para classificar brasileirismo como entidade pertencente 

 lexicologia da lngua ou como entidade pertencente s terminologias cientficas

 ou tcnicas , ser preciso , em primeiro lugar , compreender o processo

 lingstico em que se formaram e o universo extralingstico em que foram

 criados ; em seguida , investigar se as questes relativas ao conceito so

 idnticas s de significado etimolgico .
 Depois disso , ser possvel responder

 se existem ou no brasileirismos terminolgicos .

 Para esse fim , apresentaremos aqui , em breves palavras , uma discusso em torno

 de brasileirismo , que considere : i ) uma definio boa de brasileirismo diante

 de outras para as quais temos crticas ; ii ) as marcas de uso que do ao

 brasileirismo o estatus de brasileirismo terminolgico ; iii ) a abrangncia dos

 brasileirismos no universo lexicolgico e terminolgico , com base na formao

 ( lingstica ) dessas unidades ; iv ) a criao ( extralingstica ) ; v ) conceito de

 brasileirismo X significado etimolgico .
 E finalmente dizer o que 

 brasileirismo terminolgico .

 Para anlise de dados , servimo-nos do Novo Dicionrio Aurlio - Sculo XXI

 ( NDA ) [ 8 ] , cuja obra fornece 25 273 brasileirismos e apresenta como vantagem a

 pesquisa reversa , o que nos possibilita extrair do corpo geral da obra

 exclusivamente os brasileirismos com marca Bras .
 Esse mtodo nos d

 confiabilidade como recurso para a anlise .

 Vale observar que o conceito de brasileirismo no NDA diverge dos conceitos dos

 autores supramencionados , no sentido de que este dicionrio no estabelece uma

 correlao a priori entre brasileirismo e variao vertical .
 Ao contrrio , para

 o NDA , brasileirismo  um conceito genrico e meramente geogrfico , a tal ponto

 que as distines entre brasileirismo de significao de Melo , brasileirismo e

 portugus do Brasil de Silva Neto ficam neutralizadas .
 Por outro lado , o NDA

 registra uma grande quantidade de brasileirismos com marcas de especialidade ,

 transformando um conceito genrico em especfico , sem fazer meno disso em

 qualquer parte da obra .
 Observemos a presena ou a ausncia desses princpios

 nas 5 definies para brasileirismo que o NDA apresenta : 1 .
 E. Ling. ( na rea

 de estudos da linguagem ) Palavra ou locuo prpria de brasileiro ( 2 ) .
 2 .
 E .

 Ling. ( idem ) Modismo prprio da linguagem dos brasileiros .
 3 .
 E. Ling. ( idem )

 Idiotismo do portugus do Brasil .
 4 .
 Bras. ( brasileirismo ) Carter distintivo

 do brasileiro e / ou do Brasil .
 5 .
 Bras. ( brasileirismo ) Sentimento de amor ao

 Brasil ; brasilidade .
 Em resumo , no NDA so rotulados brasileirismos , fatos de

 ordem etimolgica e fatos de ordem pragmtica , combinados com outros usos , de

 tal forma que , por vezes , as marcas se acumulam numa mesma entrada , como nos

 exemplos seguintes :

 [ INLINE ] Caderneta de poupana .
 Bras .
 Econ .

 1 .
 Conta bancria na qual so creditados periodicamente juros e correo

 monetria ; conta de poupana .

 2 .
 O certificado correspondente a tal conta ( antigamente , uma caderneta ) .

 [ Tb. se diz apenas poupana. ]

 Comentrio : caderneta de poupana  uma unidade complexa com duas marcas ; uma

 indica a origem brasileirismo e a outra indica a rea de especialidade

 economia .
 Estas duas marcas servem s duas definies subseqentes  entrada .

 fbula

 8 .
 Bras .
 Quantia ou importncia muito elevada ; grande soma de dinheiro. [ Tb. se

 diz , nesta acep. , fbulas , mas sem artigo. ]

 [ Dim. irreg. : fabela. Cf. fabula , do v. fabular .
 ]

 Comentrio : somente a acepo 8 , do verbete fbula ,  um brasileirismo , de

 natureza semntica , conceitual , porque marca s uma definio , entre as vrias

 que compem o verbete ; no  um brasileirismo terminolgico , pois no apresenta

 qualquer marca de rea de especialidade , e , de fato ,  uma forma de uso

 corrente , popular , na lngua .

 farinha

 3 .
 Bras .
 PA MG SP MT Bot .
 Pequena rvore da famlia das leguminosas

 ( Dimorphandra mollis ) , de casca grossa , flores pequenas , amarelas , dispostas em

 espigas protegidas por brcteas , e cujo fruto  vagem carnosa e achatada , com

 sementes cilndricas , sendo a polpa rica em rutina ; barbatimo-de-folha-mida ,

 barbatimo-falso , faveiro-do-cerrado .

 Comentrio : farinha , na acepo 3 ,  um brasileirismo , com seguidas marcas

 geogrficas que indicam o uso em estados brasileiros , a saber , no Par , em

 Minas Gerais , em So Paulo , em Mato Grosso e , ao final , a marca de

 especialidade indica ser da rea de botnica .

 Em continuidade , gostaramos de remarcar que a falta de preciso no

 entendimento de brasileirismo nos levou a reconsiderar o emprego dessa

 expresso , em relao aos fatos lingsticos que refere .
 Entendemos que , no

 mbito do lxico e , particularmente , da lexicografia , deve ser feita a

 distino entre a etimologia e o emprego de uma palavra ou acepo .
 O uso de

 uma palavra , especificamente no Brasil , no  o critrio unicamente vlido para

 fixar o conceito de brasileirismo , porque , por exemplo , uma dada palavra pode

 ser de uso corrente no Brasil e j ser considerada um arcasmo em Portugal , ou

 uma palavra pode ser usada no Brasil mas a origem  estrangeira .
 Da mesma

 forma , a etimologia por si s no  o critrio mais preciso , mas , sim , a

 etimologia combinada com a criao , a formao e a significao da palavra em

 causa .

 Assim , na tentativa de criar um novo conceito que circunscrevesse brasileirismo

 no mbito geogrfico de formao e de criao , Faulstich e Strehler , em 1998 ,

 [ 9 ] elaboraram a seguinte definio : Brasileirismos so palavras , locues e

 outras estruturas sintagmticas criadas e formadas no Brasil , com base em

 formantes j existentes no vernculo , abandonando-se o ponto de vista de que

 adstratos e substratos so brasileirismos porque fazem parte do uso brasileiro

 do portugus .

 2 .
 Existem brasileirismos terminolgicos ?

 As reflexes apresentadas at agora servem para tipificar brasileirismos na

 lngua comum .
 Feito isso , a posio que assumimos , a partir de ento ,  a de

 perquirir se existem brasileirismos terminolgicos , pois os dados analisados

 nos permitem constatar que h uma certa quantidade de brasileirismos cujo

 quadro conceitual  mais de natureza terminolgica do que de lngua comum .
 Por

 outro lado , o quadro conceitual em que se inserem os ` brasileirismos

 terminolgicos ' demonstra que essa categoria no se enquadra em qualquer

 definio existente acerca de brasileirismo da lngua comum .
 Para isso ,

 elaboramos alguns critrios que subsidiam uma resposta  questo .

 Os critrios surgiram da anlise dos dados , constantes do NDA , em decorrncia

 dos seguintes procedimentos metodolgicos :

 1 ) lemos todas as entradas que , no NDA , apresentam a rubrica Bras .

 ( brasileirismo ) , num total de 25 273 ;

 2 ) selecionamos brasileirismos

 [ INLINE ] que contm marcas de reas de especialidade ;

 [ INLINE ] que aparecem com a indicao de origem latina , ou que no apresentem

 nenhuma informao sobre a origem , mas que so palavras vernaculares , pois

 buscamos saber a origem ;

 [ INLINE ] que aparecem com a marca Bras. acompanhada de marca regional e de

 marca de especialidade ;

 [ INLINE ] que aparecem com a marca Bras. seguida de outras marcas , como Pop

 ( popular ) , Fig. ( figurado ) , Fam. ( familiar ) , Chulo , Gr ( gria ) e Irn .

 ( irnico ) , desde que apresentem tambm marca de rea de especialidade .

 3 ) rejeitamos as palavras

 [ INLINE ] marcadas com Bras. e com a indicao de que so de origem estrangeira ;

 [ INLINE ] marcadas com Bras. , mas de origem tupi ou africana ;

 [ INLINE ] marcadas com Bras. , formadas no Brasil , porm com a indicao de ser o

 termo primitivo de origem estrangeira ;

 [ INLINE ] que , apesar de sabermos que deveriam ser marcadas com Bras. , no

 apresentam nenhuma marca indicativa ;

 [ INLINE ] que aparecem com a marca Bras. seguida de outras marcas , como Pop

 ( popular ) , Fig. ( figurado ) , Fam. ( familiar ) , Chulo , Gr ( gria ) e Irn .

 ( irnico ) , mas que no apresentem marca de rea de especialidade .

 3 .
 Delimitao de critrios

 Para a delimitao de critrios de brasileirismos terminolgicos , analisamos a

 lista de palavras do NDA , com especial ateno s que contivessem marca de

 brasileirismo seguida , obrigatoriamente , de marca de rea de especialidade .
 A

 ttulo de ilustrao , apresentamos alguns casos :

 feijoada

 [ De feijo + - ada1 , com desnasalao. ]

 S. f .

 3 .
 Bras .
 Cul .
 Prato tpico nacional , preparado com feijo [ 10 ] , em geral preto ,

 toucinho , carne-seca , carnes de porco salgadas , lingias , etc. [ No N.E. do

 Brasil , leva , alm de tudo isso , vrios legumes , como quiabo , maxixe , couve ,

 abbora , etc. ]

 Comentrio : feijoada  brasileirismo da rea de culinria .

 macaca^1

 [ Fem. de macaco. ]

 S. f .

 8 .
 Bras .
 RJ Tip .
 Entre grficos e revisores , asterisco ( s ) que se coloca ( m )

 entre pargrafos .
 Comentrios : macaca^1  substantivo feminino , brasileirismo ,

 usado no Rio de Janeiro , da rea de tipografia .
 O NDA informa que  " feminino

 de macaca ' , no entanto ns consideramos esta informao indevida , uma vez que

 ` macaco / macaca ' so animais primatas , enquanto ` macaca ' com marca de

 brasileirismo no guarda qualquer significado com o genrico animal .

 quarta-de-final

 S. f .
 Bras .
 Esport .

 1 .
 Num torneio disputado por eliminao , etapa em que se realizam quatro jogos ,

 com oito times buscando a classificao s semifinais .

 Comentrio : quarta-de-final  substantivo feminino , brasileirismo da rea de

 esportes .

 unha

 [ Do lat. ungula. ]

 S. f .

 15 .
 Bras .
 Constr .
 Nav .
 Pea abaulada que se coloca numa vigia , de dentro para

 fora , a fim de ventilar o interior do navio .

 Comentrios : unha  substantivo feminino , brasileirismo , da rea de construo

 naval .

 Com base na anlise de dados , elaboramos os critrios abaixo para delimitar

 brasileirismo terminolgico .
 Assim sendo , para que uma palavra seja considerada

 um brasileirismo terminolgico , deve , no nvel de unidade simples e no nvel de

 unidade composta ou complexa , admitir num crescendo :

 1 .
 a marca Bras. ;

 2 .
 a marca Bras. , seguida ou no de quaisquer outras marcas sociais ,

 geogrficas ou estilsticas ;

 3 .
 a marca Bras. , seguida ou no de quaisquer outras marcas sociais ,

 geogrficas ou estilstica , seguida de marca de rea de especialidade .

 OU

 palavra = + marca Bras .
  marca social , geogrfica ou estilstica + marca

 de rea de especialidade

 - v

 termo

 - v

 brasileirismo terminolgico

 Estes critrios serviram de fundamento para desenvolvermos uma nova categoria

 de brasileirismo , que tem na base um quadro conceitual de especialidade com um

 foco distante do uso da lngua comum .

 Passamos , desse modo , a considerar que existem brasileirismos terminolgicos ,

 e , para esse fim , elaboramos a seguinte definio :

 Brasileirismo terminolgico  palavra , locuo e outra estrutura sintagmtica

 criada e formada no Brasil , que tenha significado autonmico e esteja encerrado

 num conceito de especialidade , que possibilite reconhecer a rea a que

 pertence. ( Faulstich , 2004 , REALITER )

 No NDA , h muitos brasileirismos que no apresentam marca da rea de

 especialidade , mas que sabemos serem brasileirismos terminolgicos , porque as

 definies que aparecem no dicionrio so transparentes no que diz respeito ao

 significado e possibilitam a incluso em reas de especialidade , ainda que no

 estejam marcadas no dicionrio , como :

 superquadra

 [ De super - + quadra. ]

 S. f .
 Bras .
 DF

 1 .
 rea residencial aberta ao pblico , em contraposio a condomnio fechado ,

 com uma nica entrada para veculos , emoldurada por larga faixa verde

 densamente arborizada , com edificaes de gabarito uniforme de seis ou trs

 pavimentos sobre pilotis livres , e equipamentos de uso comum , como playgrounds

 e escolas

 [ Em Braslia , ficam situadas em quatro seqncias contnuas , ao longo do eixo

 rodovirio. ]

 Comentrio : superquadra  substantivo feminino , brasileirismo , usado no

 Distrito Federal , das reas de arquitetura [ Arquit. ] e urbanismo [ Urb. ]

 udenismo

 S. m .
 Bras .

 1 .
 O iderio da UDN ( Unio Democrtica Nacional ) , agremiao poltica fundada

 em 1945 , aps a redemocratizao do Brasil , e extinta em 1965 ; o programa , o

 esprito desse partido .

 2 .
 Filiao a esse partido , ou simpatia por ele .

 Comentrio : udenismo  substantivo masculino , brasileirismo , da rea de

 poltica [ Polt. ]

 Diante do exposto , defendemos que h brasileirismos de distintas naturezas ,

 pois uma entrada lexicogrfica que seja contemplada com a marca de Bras. , com

 marca ( s ) de uso em rea ( s ) de especialidade e com definio prpria que indique

 a especificidade do significado vincula termo  densidade conceptual e  funo

 no discurso .

 4 .
 Concluso

 Procuramos , nesta exposio , responder s questes do incio , com vistas a

 mostrar que existem , pelo menos , dois tipos de brasileirismos .
 Ao tipo j

 considerado na tradio da lngua portuguesa , denominamos brasileirismo

 lexicolgico ou brasileirismo propriamente dito .
 Ao outro tipo , para o qual

 elaboramos critrios e definio , denominamos brasileirismo terminolgico .

 O brasileirismo terminolgico passa a constituir uma nova categoria ,

 circunscrita em mbito de especialidade , resultante de forma vernacular e de um

 significado autonmico .
 Um brasileirismo , de qualquer natureza , poder migrar

 para uma outra lngua , sob a condio de emprstimo , porm carregar consigo a

 marca de origem e , se for o caso , a de especialidade .

 Anexo

 Alguns brasileirismos terminolgicos [ 11 ]

 abano

 [ De a - ^ 4 + lat. vannu , ' joeira ' , ' crivo '. ]

 5 .
 Bras .
 Bot .
 V. abaneiro .

 Comentrio : brasileirismo , da rea de botnica .

 abaneiro

 [ De abano + - eiro. ]

 S. m .
 Bras .
 Bot .

 1 .
 Planta da famlia das gutferas ( Clusia fluminensis ) , muito ornamental

 graas s folhas arredondadas e s esplndidas flores , e cuja casca se utiliza

 nos curtumes por conter cerca de 15 % de tanino ; abano , manga-da-praia ,

 mangue-bravo , mangue-da-praia .

 Comentrio : brasileirismo , da rea de botnica

 abraz

 [ Var. de ambroz. ]

 S. m .
 Bras .
 Cul .

 1 .
 Bolinho feito de farinha de milho ou de mandioca misturada com

 azeite-de-dend , pimenta e outros temperos , e frito nesse azeite ; ambraz ,

 ambroz .

 Comentrio : brasileirismo , da rea de culinria .

 agrovila

 [ De agro - ^ 2 + vila. ]

 S. f .
 Bras .
 Neol .

 1 .
 Ncleo de povoamento , com servios integrados de comunidade , planejado e

 construdo para abrigo e prestao de assistncia aos construtores de estradas

 de penetrao e a suas famlias .

 Comentrio : brasileirsmo , neologismo ; deveria conter a marca Arquit. e Urb .

 amiga

 [ Do lat. amica. ]

 S. f .

 3 .
 Bras .
 PE Cul .
 Caldo preparado com o do feijo , engrossado com farinha

 peneirada , e temperado com pimenta .

 Comentrio : brasileirismo , usado em Pernambuco , da rea de culinria .

 araponga

 [ Var. de uiraponga. ]

 S. f .
 Bras .

 1 .
 Zool .
 Ave passeriforme procniatdea ( Procnias nudicollis ) , do Brasil

 mdio-oriental e este-meridional .
 O macho  branco , sendo verde a zona nua da

 cabea ; a fmea  verde-azeitona na parte superior , amarelada com manchas

 escuras do lado ventral , o vrtice e a garganta pretos .
 Alimenta-se

 exclusivamente de frutos , e o seu canto lembra os sons metlicos produzidos

 pelo bater de ferro em bigorna. [ Sin. : ferreiro , ferrador , guiraponga ,

 iraponga , uiraponga. ]

 Comentrio : brasileirismo , da rea de zoologia .

 buzina

 [ Do lat. bucina , por buccina. ]

 S. f .

 9 .
 Bras .
 Constr .
 Nav .
 Conduto de ferro , fixo no convs , por onde passa a amarra

 dos navios .

 Comentrio : brasileirismo , da rea de construo naval .

 cabea-de-chave

 S. 2 g .

 2 .
 Bras .
 Turfe Cavalo ou gua cujo nmero no preo  o primeiro da chave ( q .

 v. ) que lhe corresponde , e que tem , ger. , mais chance do que os colocados

 abaixo na mesma chave .

 Comentrio : brasileirismo , da rea de turfe .

 capela

 [ Do lat. tard. cappella. ]

 S. f .

 Bras .
 Ms .
 Grupo de folies dos festejos populares juninos ; rancho .

 Comentrio : brasileirismo , da rea de msica .

 gato

 [ Do lat. cattu. ]

 S. m .

 8 .
 Bras .
 Mar G. Objeto , servio ou obra , feitos durante o horrio de expediente

 e / ou com material do navio , sem autorizao competente .

 Comentrio : brasileirismo , da rea de marinha de guerra .

 pau

 [ Do lat. palu. ]

 S. m .

 Bras .
 Jorn .
 O ponto de exclamao , entre os revisores .

 Comentrio : brasileirsmo , da rea de jornalismo .

 redonda

 [ F. subst. do adj. redondo. ]

 S. f .
 Bras .
 Fut .

 A bola de futebol

 Comentrio : brasileirismo , da rea de futebol .

 reduzir

 [ Do lat. reducere , ' reconduzir ' ; ' restringir '. ]

 V. int .

 Bras .
 Autom .
 Engrenar marcha de maior poder de trao para diminuir a

 velocidade do veculo automvel sem usar os freios .

 Comentrio : brasileirismo , da rea de automobilismo .

 roda

 [ Do lat. rota. ]

 S. f .

 Bras .
 Cap. Conjunto de cantadores , msicos e jogadores que formam um crculo

 para a prtica da capoeira .

 Comentrio : brasileirismo , da rea de capoeira .

 servio

 [ Do lat. servitiu , ' a escravido ' , ' os escravos '. ]

 S. m .

 24 .
 Bras .
 Esport .
 Em certos jogos , como tnis , tnis de mesa e vlei , o saque

 ou uma srie destes .

 Comentrio : brasileirismo , da rea de esportes .

 telo^2

 [ De tela + - o^1. ]

 S. m .
 Telev .
 Bras .

 1 .
 Tela grande , semelhante  de cinema , utilizada em shows , estdios

 esportivos , praas pblicas , etc. , para projeo de imagens de TV por meio de

 projetor multimdia ( q. v. ) .

 [ Cf. videowall. ]

 Comentrio : na rea de televiso ,  brasileirismo .

 vatap

 S. m .
 Bras .

 1 .
 Cul .
 Prato tpico da cozinha baiana , muito apimentado , feito com peixe ou

 galinha , a que se adiciona leite de coco , camares secos e frescos , po da

 vspera , amendoim e castanha de caju torrados e modos , e que se tempera com

 azeite-de-dend , alm dos temperos habituais ( sal , cebola , pimento , coentro ,

 cheiro-verde , etc. ) .

 Comentrio : brasileirismo , da rea de culinria .

 [ INLINE ]

 [ 1 ] PINTO , Edith Pimentel .
 O portugus do Brasil .
 Textos crticos e tericos , 1

 - 1820/1920 - Fontes para a teoria e a histria [ Seleo e apresentao da

 autora ] .
 Rio de Janeiro : Livros Tcnicos e Cientficos ; So Paulo : EDUSP , 1978 .

 [ LINK ]

 [ 2 ] RODRIGUES , Aryon Dall'Igna .
 Contribuio para a etimologia dos

 brasileirismos .
 Revista Portuguesa de Filologia , Coimbra , Vol. IX , tomos I e

 II , 1958-1959 , pp. 1-54 .
 Extramos do artigo de A. Rodrigues somente a parte em

 que apresenta os critrios para definir brasileirismo .

 [ LINK ]

 [ 3 ] MELO , Gladstone Chaves de .
 Alencar e a lngua brasileira .
 3 ed. , Rio de

 Janeiro , Conselho Federal de Cultura , 1972

 [ LINK ]

 [ 4 ] SILVA NETO , Serafim .
 Histria da lngua portuguesa .
 3 ed. , Rio de Janeiro /

 MEC , 1979 , p. 606

 [ LINK ]

 [ 5 ] Em separata da Revista de Filologia portuguesa , nmeros 6 , 7 , 8 e 9 , So

 Paulo , Nova Era , s / d , p. 1-52 .

 [ LINK ]

 [ 6 ] LESSA , Luiz Carlos .
 O modernismo brasileiro e a lngua portuguesa .
 2 ed .

 rev. ampl. , Rio de Janeiro , Grifo , 1976 , p. 46

 [ LINK ]

 [ 7 ] PIRES DE OLIVEIRA , Ana Maria P .
 ` O portugus do Brasil : brasileirismos e

 regionalismos ' .
 Tese , UNESP , Araraquara , SP , 1999

 [ LINK ]

 [ 8 ] FERREIRA , Aurlio Buarque de Holanda .
 Novo Dicionrio Aurlio da Lngua

 Portuguesa - Sculo XXI. 3 ed. rev. e ampl , Rio de Janeiro , Nova Fronteira ,

 1999

 [ LINK ]

 [ 9 ] FAULSTICH , Enilde & STREHLER , Ren .
 Brasileirismos .
 Artigo no publicado ,

 1998

 [ LINK ]

 [ 10 ] feijo

 [ Do lat .
 * phaseolonu < lat. phaseolu. ]

 S. m .

 Semente de feijoeiro .

 [ LINK ]

 [ 11 ] Os dados foram extrados do NDA , que no reconhece brasileirismo

 terminolgico , esta designao  de nossa responsabilidade .

 [ LINK ]

 [ INLINE ]

 Secretaria / Secretara / Secrtariat / Segreteria / Secretariado / Secretariatu

 l Realiter

 Union latine - DTIL

 131 , rue du Bac - 75007 PARIS - FRANCE

 [ INLINE ] ( 33.1 ) 45.49.60.60

 [ INLINE ] ( 33.1 ) 45.44.45.97

 realiter@unilat.org

