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 Super Verme

 Quarta-feira , Fevereiro 25 , 2004

 Tabuleiro perdido num cubculo imundo ( 24/02/2004 )

 ( Ellen Lopez )

 Olho para o toco de madeira ao meu lado

 Sem enxergar qualquer coisa

 Alm de lascas cores

 Dataes paleolticas .
 Portas

 Um cinzeiro

 Talhado por duras mos

 Armrio .
 Armrio

 Covis e brechas

 Um quadro

 Uma mulher morta com sua roupa morta

 Ao lado acima

 No  teto

  forro com teias e ciscos

 Barulhos ensurdecedores

 Roedores

 Santa Virgem Inmacullada de Concepcin de La Soledad

 De joelhos numa capela talhada

 Aberta magra funda morta

 Um rudo a parar o violino

 A porta

 Atrs da porta

 Uma moldura

 Recortes fotografias

 Meu pai no esta l

 Minha me que matei por mim

 Meu padrasto morto

 Grutas montanhas praias trilhas

 Todo um mar morto numa garrafa de vodca

 Mulheres vis

 Um jegue .
 O trfico

 Duas crianas mortas

 A me as deixou .
 O trfego

 Dois negros bbados

 Vicio suburra surdina .
 O trgico

 Eu

 Uma criana chamada Eu

 Uma criana a chamar por mim

 Dois bebs em meus braos

 A virgem

 O vcio mercante

 culos a perder de vista

 Qualquer vestgio fustigante

 Uma prostituta chamada Eu

 Uma caixa com pertences

 Ela me amou

 No dia ideal

 Uma placa de banheiro

 E Eu

 Abaixo

 Em cada ftido canto que cantei

 Um som morto

 Que no me saiu da garganta

 No dia ideal eu chorei

 Mas no parti

 Eu afogada num Porto Seguro

 Uma mata desvirginada

 O espelho

 Eu

 Eu morta

 

 Obras Incompletas ( 24/02/2004 )

 ( Ellen Lopez )

 Num dia de Junho surgi

 Numa capela suja e descascada

 Com anjos vis e degradantes

 Quando meus olhos contemplavam

 Semblantes de gesso ou madeira

 Todo o lago dos cisnes

 Bailavam no imenso verde

 De meus nada pacficos oceanos

 Tinha que haver felicidade

 Ento projetava-me assim

 Forcei-me a no questionar

 O que estava fora de meu alcance

 Histria ou Metafsica

 E num caminho pedregoso

 Encontrei minhas Obras Incompletas

 Que fariam , ento , todas as perguntas

 Perdi o tapete de flores

 Que estava em minha trilha nica

 E varias curvas lineares se abriram

 Para que eu pudesse , finalmente

 Desfrutar da infelicidade

 Que me  de direito

 Iniciei novas teorias

 Incessantes fogos

 E as quentes , desde ento , no tem fim

 Perco os cisnes que haviam no olhar

 Substituo-o por um Atlntico

 Marchas , tempestades , sinfonias

 Rejeito qualquer corrente esperanosa ou positivista

 E sou toda negao

 A nica convico  a falta de absolutismo

 Em quaisquer verdades

 Agora sou todo excistencialismo

 De um modo estico , qualquer sofismar e niilista

 Falo .
 Falo o pensar

 A cada dia um

 Enfim , a Liberdade

 

 Logos Noctvago ( 21/04/2004 )

 ( Mirlle Brecc )

 Quem s tu desconhecido

 Que a meia-noite arrebata-me

 Entre luas , espelhos e lgubres poesias

 Porque ao passar no o vejo

 E entre todos os passantes

 S teus olhos fitam-me

 Estou a criar iluses

 Ou surtei de tal modo

 Que j fantasmas ldicos

 A quebrar toda minha practicidade

 Que encanto  este que me deixa sobre os ps

 E revira-me a deixar minha cabea ao solo

 A deixar-me em viglia

 A espera de uma gargalhada

 Ou um longo silncio

 Em desvario j no sei se penso

 Se permaneo , calo-me

 Ou se saio a bradar um nome que se quer conheo

 Para ento , este desejo saciar

 Ou ainda que cale !

 Que queime este chama

 Pois se estou a criar

 Porque j no posso acordar ?

 Homem que rubra-me a face

 E desvenda minhas borboletas

 Cria em ti a mim

 Ou cale-se ,

 At o prximo bacanal

  Quarta-feira , Fevereiro 25 , 2004

 Quarta-feira , Fevereiro 18 , 2004

 Lngua Portuguesa

 ( Olavo Bilac )

 ltima flor do Lcio , inculta e bela ,

 s , a um tempo , esplendor e sepultura :

 Ouro nativo , que na ganga impura

 A bruta mina entre os cascalhos vela ...

 Amo-te assim , desconhecida e obscura ,

 Tuba de alto clangor , lira singela ,

 Que tens o trom e o silvo da procela

 E o arrolo da saudade e da ternura !

 Amo o teu vio agreste e o teu aroma

 De virgens selvas e de oceano largo !

 Amo-te ,  rude e doloroso idioma ,

 Em que da voz materna ouvi : " meu filho !
 "

 E em que Cames chorou , no exlio amargo ,

 O gnio sem ventura e o amor sem brilho !

 Por uma " padronizao " da Lngua Portuguesa

 Se eu posso classificar a Lngua Portuguesa - alm de riqussima - com

 certeza  CONFUSA .

 E como a nossa gramctica  confusa .

 Mas tem coisas que realmente no d para entender .
 Num livro de

 gramctica de um determinado autor , ele analisa uma frase .
 Ele diz que

 o " x " ,  um sujeito .
 Algumas pginas a seguir e ele vai fazer uma

 anlise , usa a mesma frase e diz ser objecto directo ...
 A no tem

 mesmo " cristo " que entenda , ora !

 Mas o pior  que se tu pegares vrios livros de grmactica , nenhum vai

 estar igual !!!
 Da , ento , as pessoas dizerem que a Lngua Portuguesa

  a mais difcil ( na realidade  o BASCO , que no tem NENHUMA palavra

 de outro idioma e NENHUM outro idioma tem alguma palavra do basco .

 Curioso. ) .

 Mas o Francs  tambm um idioma riqussimo ( ter que colocar de dois a

 mais acentos grfico numa palavra "  do caralho " ) , e tantas outras

 mais .
 S que : Nenhum idioma do mundo  esta baguna !
 Se pegares vrios

 livros de gramctica - de qualquer idioma , exceto o Portugus - de

 vrios autores diferentes , vers que so exactamente iguais , mudam no

 mximo a frase de exemplificao .

 Eis ento , um pouco sobre uma tese de doutorado , que expe isso >>

 SOBRE A NECESSIDADE DE UMA GRAMTICA-PADRO DA LNGUA PORTUGUESA

 AMINI BOAINAIN HAUY , doutora em Filosofia e Lngua Portuguesa pela

 UNIVERSIDADE DE SO PAULO e autora de obras especficas de Lngua

 Portuguesa , publicadas pela EDITORA TICA , demonstrou , em tese de

 doutoramento aprovado na Universidade de So Paulo , o estado catico

 em que se encontra a teoria gramatical do PORTUGUS e ,

 conseqentemente , o ensino do idioma ptrio .

 A partir de um estudo crtico-comparativo das gramticas normativas

 mais conhecidas no Pas , em nmero superior a cinqenta ( 50 ) , adotadas

 nas ESCOLAS , CURSINHOS e FACULDADES e relacionadas nas bibliografias

 de CONCURSOS , a pesquisadora provou que a teoria gramatical do

 PORTUGUS , descrio ordenada , uniforme e coerente dos fatos da

 lngua , que deveria ser , revela-se como um amontoado de lies

 divergentes e contraditrias , alm de muito empobrecidas pelos

 exemplos errados e pelas falsas definies .
 Mostrou , ainda , que , na

 avaliao de conhecimento gramaticais em vestibulares , provas ou

 concursos de qualquer espcie , as divergncias e contradies dos

 autores de gramticas normativas implicam , quase sempre , uma correo

 inevitavelmente arbitrria e injusta .

 Dessa forma , a bem do ensino e da preservao de um patrimnio

 cultural dos mais importantes , que p a lngua ptria , a referida

 pesquisadora props uma reviso crtica dos estudos gramaticais do

 PORTUGUS , visando  elaborao de uma gramtica-padro , para fins

 didticos , alicerada na coerncia e uniformizao dos conceitos e

 numa atitude cientfica de anlise .

 Tal proposta , apresentada inicialmente  Universidade de So Paulo

 como tese de doutoramento , foi publicada em 1983 pela Editora tica (

 DA NECESSIDADE DE UMA GRAMTICA-PADRO DA LNGUA PORTUGUESA Coleo

 Ensaios-99 ) .

 A incluso da referida obra nas bibliografias especficas de doutrina

 gramatical , bem como sua publicao j em 4 edio .
 Atestam a

 aceitao da tese nos meios intelectuais do Pas .

 Amplamente divulgada pela imprensa falada ( TV-MANCHETE : Programa

 " FRENTE A FRENTE " , TV-CULTURA e TV-GLOBO ) e escrita , a proposta de uma

 gramtica-padro teve o apoio irrestrito e veemente da opinio

 pblica , manifesta em jornais de grande circulao , como a FOLHA DE

 SO PAULO e O ESTADO DE SO PAULO .

 Sua repercusso atingiu o mbito do CONGRESSO : o PROJETO-DE-LEI no .

 6524 , de 1982 , que determinava a elaborao e publicao de uma

 gramtica-padro da lngua portuguesa a cargo do MEC , " seguindo a

 esteira do pensamento da pesquisadora " , foi reapresentado em 1984 (

 PROJETO-DE-LEI no. 4350 ) e unanimemente aprovado pela COMISSO DE

 EDUCAO E CULTURA DA CMARA FEDERAL em 14/08/85 .

 Entretanto , em funo das necessidades de trabalho na CONSTITUINTE , a

 CMARA determinou , em 05/04/85 , arquivarem-se todos os projetos em

 tramitao. ( Resoluo no. 6 , de 04/04/89 ) .

 No momento em que o Excelentssimo Ministro da Educao , Paulo Renato

 Sousa , invida esforos para a melhoria da qualidade de ensino e prope

 avaliao dos cursos universitrios , para a qual obviamente necessita

 de um padro de desempenho lingstico culto , torna-se oportuno e

 honroso subsidiar , com esse projeto , a consecuo dessa prioridade do

 atual governo .

 Evidentemente a elaborao de uma gramtica-padro nada tem a ver com

 lngua portuguesa padro , nem com imposio de normas da lngua culta

 s mais variadas camadas lingsticas , como uma camisa de fora ; nada

 tem a ver tambm com a importncia das variaes regionais , da

 Sociolingstica , dos nveis de fala , do " certo " ou do " errado " ou do

 " adequado " , e , muito menos , com a existncia ou no de lngua

 brasileira como muitos inadvertidamente possam interpretar .
 O que se

 discute , na verdade ,  o caos da teoria gramatical do portugus nos

 nossos dias , e o que se prope  que se acabe com a libertinagem de

 ctedra e com suas conseqncias extremamente danosas para o ensino e

 que se adote para o ensino da lngua ptria , no dizer de Celso Cunha ,

 " ma poltica realista , que lute no por uma utpica unificao do

 idioma , mas por manter a sua unidade relativa " , a exemplo dos pases

 desenvolvidos .

 Apelar para a liberdade de pensamento e expresso como justificativa

 do vale-tudo das lies gramaticais do livro didtico e ,

 conseqentemente , do ensino do idioma ptrio ,  , sem dvida ,

 desconhecer a importncia da norma culta na manuteno dessa unidade .

 Assim , por ser de interesse da NAO , enfatizando-se que a GRAMTICA 

 a codificao dos fatos da lngua para fins de interesse social e que

 o sistema lingstico do Portugus , como entidade social que  , deve

 ser objeto de um trabalho persistente de sistematizao objetiva ,

 coerente e uniforme , sem o qual o ensino da lngua ptria continuar

 sendo deficiente e improdutivo , espera-se que o Projeto-de-Lei no .

 4350 de 1984 , j unanimemente aprovado pela Comisso de Educao e

 Cultura da Cmara Federal , seja reconsiderado , para que tramite at a

 sano do Excelentssimo Senhor Presidente da Repblica .

 Contatos com a autora :

 Amini Boainain Hauy

 ( 016 ) 6366317 Ribeiro Preto / SP - Brasil

 " DETALHE " IMPORTANTE :

 Um vereador da cidade , interessado no projecto , o envia  Cmara dos

 Deputados e ...

 HISTRICO DO PROJETO-DE-LEI no. 4350 de

 1984 , unanimemente aprovado em 14/8/1985 pela COMISSO DE EDUCAO E

 CULTURA DA CMARA FEDERAL e , por ato da CMARA , arquivado em 5/4/1989

 , em funo das exigncias de trabalho na CONSTITUINTE .

 E porque ???
 Ora , porque est a envolver muitos interesses polticos .

 Diria que isso  no mnimo NOJENTO !
 S para no dizer pior .

 So CENTENAS de livros de gramtica , editados todo ano .
 Mais dinheiro

 para Editoras ( sim porque autores ...
 ) , e  claro , polticos !

 Ainda sobre a Lngua Portuguesa .
 A reforma da Lngua Portuguesa

 H quem diga que ler-me " d nos nervos " , por causa destes maneirismos ,

 ou barbarismos ...
 Mas no  errado e se no  errado ...

 Bem , a temos mais e mais confuses , isto pelo facto de que em cada

 pas que fala portugus , h seus dialetos .
 E  claro , no estou a

 falar somente de Brasil e Portugal , ainda : Moambique , Cabo Verde ,

 Angola e todos outros pases que falam o idioma .

 Em cada pas se fala o portugus de um jeito , sem dizer que h

 diferenas at em estados diferentes de um mesmo pas .

 Desde 1986 , a Academia Brasileira de Letras e a Academia de Cincias

 de Lisboa desenvolvem o projeto do acordo ortogrfico para os sete

 pases de lngua portuguesa .
 O objetivo da reforma  o de unificar a

 escrita de todo o mundo lusfono que fala portugus , avaliado hoje em

 mais de 210 milhes de pessoas .
 Para redigir o Projeto de Ortografia

 Unificada  formada uma comisso integrada por cada um dos pases de

 lngua portuguesa .
 Os representantes do Brasil so Antonio Houaiss e

 Nlida Pin .

 Eis , ento a Reforma da Lngua Portuguesa , que alis , j aconteceu .

 Sim j aconteceu !
 Em Abril de 1995 .
 Mas que at hoje no entrou em

 vigor .
 Porque ?
 Porque no saiu nos Dirios Oficias dos pases .
 E

 porque ???
 Mais uma vez estamos a nos deparar com os interesses de

 editoras e mais , os polticos .

 Mas porque tal mudana faz-se necessria ?
 Ora , isso  um samba do

 crioulo doido !
 Quem sabe o que  um hiato ?
 Eu nunca sei o que  um

 hiato !
 Por mais que eu saiba que  um encontro de dois sons voclicos

 ( vogal e vogal ) , produzidos destacadamente , constituindo , portanto ,

 duas slabas .
 Ainda que eu tenha alguns exemplos >>

 Sa - a - ra

 Sa -  - da

 E - go - s - ta

 Sa -  - va

 Mas e quando precisar ( querer ) , fazer uma anlise sintctica de uma

 frase / orao ?

 Enfim , um dos pontos da reforma era EXTERMINAR o maldito hiato !

 Outra coisa - aqui bem relevante , devido  minha escrita - :

 Desaparecem da lngua escrita , em Portugal , o " c " e o " p " nas palavras

 onde no  pronunciado .
 Exemplos : aco , acto , actor , actual ,

 electricidade , inspector , exacto , colectivo , direco , abjeco ,

 adopo , baptismo , ptimo , etc .

 E ainda as acentuaes duplas , Grafias Duplas , Acentos Diferencias ,

 Trema , etc .

 No preciso dizer o quanto essa reforma melhoraria nossas vidas

 acadmicas , nossa comunicao com os pases de mesma lngua e at

 nossa leitura .

 Mas como o Dirio Oficial de cada pas ainda no publicou a Reforma ...

 Nos resta escrever errado .
 Sim !
 Porque se amanh ou depois tu vais

 prestar os exames para a Universidade e escrever sem hfen nos hiatos ,

 sem o trema , sem as acentuaes , quer dizer , se escrever como manda a

 reforma , a tu simplesmente " entrou no leo " , como diz o dialeto das

 periferias brasileiras ...

 E enquanto eu espero , vou usando meu portugus arcaico , ultrapassado e

 muito , muito confuso !

 Para saber mais >>

  Seminrio sobre a Lngua Portuguesa : Desafios e Solues

  Reforma ortogrfica

  Histria da Lngua Portuguesa

  Um romance sobre a reforma

  Antnio Houaiss

  Nlida Pion

 Ellen Lopez

  Quarta-feira , Fevereiro 18 , 2004

 Tera-feira , Fevereiro 17 , 2004

 " Este inferno de amar - - como eu amo !

 Quem mo ps aqui n'alma ...
 quem foi ?

 Esta chama que alenta e consome ,

 Que  a vida - - e que a vida destri - -

 Como  que se veio a atear ,

 Quando - - ai quando se h-de ela apagar ?
 "

 ( Almeida Garret In : Folhas Cadas )

 De repente tu te olhas , mas j no te reconheces , porque tudo o que h

 em ti , so fragmentos de um demnio ...

 Ele  tudo que tu acreditas ...
 Tudo o que vives , porque ele  tu !

 Mas j no adianta apenas te tocar ...
 Ainda e sempre ...
 H Ausncia

 demonaca !

 E de ti ...
 apenas fragmentos ...
 destroos ...

 Para a Atriz-Teza

 J passou a primeira

 E no h tempestades por estas regies

 Inda vivo em tormenta

 Alm de toda solido

 E que enfrente a Quimera

 Ouvirei vozes torturantes de fortuna

 At mesmo o entreabrir dos lbios

 Tanto faz chorar , abrirei nos amanhs

 Toda a ausncia

 De tudo que s tranqilidade

 Fui  concertos

 Mas j estava dormente

 J sem medo

 E no consegui a lira

 Vi apenas meus destroos na coxia

 Fui embora como a enchente

 Que correr sem destino

 Contra qualquer vontade

 Em fria , sem luzes

 Por toda eternidade

 Inda h a Olga

 Agrippina , escravos , bacantes e at clowns

 A sentir qualquer coisa

 Todas outras vidas

 E apenas estas so VIDA

 Por no terem a certeza

 De que no ver o espetculo

 ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

 ANNABEL LEE

 ( by Edgar Allan Poe )

 It was many and many a year ago ,

 In a kingdom by the sea ,

 That a maiden there lived whom you may know

 By the name of Annabel Lee ;

 And this maiden she lived with no other thought

 Than to love and be loved by me .

 I was a child and she was a child ,

 In this kingdom by the sea ;

 But we loved with a love that was more than love -

 I and my Annabel Lee ;

 With a love that the winged seraphs of heaven

 Coveted her and me .

 And this was the reason that , long ago ,

 In this kingdom by the sea ,

 A wind blew out of a cloud , chilling

 My beautiful Annabel Lee ;

 So that her highborn kinsman came

 And bore her away from me ,

 To shut her up in a sepulchre

 In this kingdom by the sea .

 The angels , not half so happy in heaven ,

 Went envying her and me -

 Yes !
 - that was the reason ( as all men know , In this kingdom by the

 sea )

 That the wind came out of the cloud by night ,

 Chilling and killing my Annabel Lee .

 But our love it was stronger by far than the love

 Of those who were older than we -

 Of many far wiser than we -

 And neither the angels in heaven above ,

 Nor the demons down under the sea ,

 Can ever dissever my soul from the soul

 Of the beautiful Annabel Lee .

 For the moon never beams without bringing me dreams

 Of the beautiful Annabel Lee ;

 And the stars never rise but I feel the bright eyes

 Of the beautiful Annabel Lee ;

 And so , all the night-tide , I lie down by the side

 Of my darling , my darling , my life and my bride ,

 In the sepulchre there by the sea ,

 In her tomb by the sounding sea .

 ~  ~  ~  ~  ~  ~  ~  ~  ~  ~  ~  ~  ~  ~  ~  ~  ~  ~  ~  ~  ~  ~ 

 ANNABEL LEE

 ( Traduo de Fernando Pessoa )

 Foi h muitos e muitos anos j ,

 Num reino de ao p do mar .

 Como sabeis todos , vivia l

 Aquela que eu soube amar ;

 E vivia sem outro pensamento

 Que amar-me e eu a adorar .

 Eu era criana e ela era criana ,

 Neste reino ao p do mar ;

 Mas o nosso amor era mais que amor - -

 O meu e o dela a amar ;

 Um amor que os anjos do cu vieram

 a ambos ns invejar .

 E foi esta a razo por que , h muitos anos ,

 Neste reino ao p do mar ,

 Um vento saiu duma nuvem , gelando

 A linda que eu soube amar ;

 E o seu parente fidalgo veio

 De longe a me a tirar ,

 Para a fechar num sepulcro

 Neste reino ao p do mar .

 E os anjos , menos felizes no cu ,

 Ainda a nos invejar ...

 Sim , foi essa a razo ( como sabem todos ,

 Neste reino ao p do mar )

 Que o vento saiu da nuvem de noite

 Gelando e matando a que eu soube amar .

 Mas o nosso amor era mais que o amor

 De muitos mais velhos a amar ,

 De muitos de mais meditar ,

 E nem os anjos do cu l em cima ,

 Nem demnios debaixo do mar

 Podero separar a minha alma da alma

 Da linda que eu soube amar .

 Porque os luares tristonhos s me trazem sonhos

 Da linda que eu soube amar ;

 E as estrelas nos ares s me lembram olhares

 Da linda que eu soube amar ;

 E assim ' stou deitado toda a noite ao lado

 Do meu anjo , meu anjo , meu sonho e meu fado ,

 No sepulcro ao p do mar ,

 Ao p do murmrio do mar .
  Tera-feira , Fevereiro 17 , 2004

 Segunda-feira , Fevereiro 16 , 2004

 " A vida oscila , como um pndulo , para a frente e para trs , entre

 dor e tdio "

 ( A. Schopenhauer , O mundo como vontade e representao )

 ~~~~~~~~~~

 Ser pensante .
 E que dizer , ento , de ser agente ?

 Agente contra a mentira , abusos , e a " vossa verdade " .

 Para tal faz-se necessrio a RETRICA * .
 E somente se tem , atravs de

 muita , mas muita leitura .

 Para depois sim e finalmente , desbancar qualquer idia contrria 

 vossa , por no ter argumento .

 * retrica. [ Do gr. rhetorik ( subentende-se tchne ) , ' a arte da

 retrica ' , pelo lat. rhetorica. ] S. f .
 1 .
 Eloqncia ( 4 ) ; oratria .
 2 .

 E. Ling .
 Estudo do uso persuasivo da linguagem , em especial para o

 treinamento de oradores. [ Tradicionalmente cinco so as partes do

 estudo retrico : ( a ) a inventio , ou descoberta de argumentos ; ( b ) a

 dispositio , ou arranjo das idias ; ( c ) a elocutio , ou descoberta da

 expresso apropriada para cada idia , e que inclui o estudo das

 figuras ou tropos ; ( d ) a memoria , ou memorizao do discurso ; e ( e ) a

 pronuntiatio , ou apresentao oral do discurso para uma audincia. ] 3 .

 Tratado que encerra essas regras .
 4 .
 Adornos empolados ou pomposos de

 um discurso .

 Com base nisso , transcrevo abaixo o clssico ( e maravilhoso ) , " Elogio

 de Helena " , texto clssico da retrica grega , um dos poucos

 remanescentes , feito por um dos seus principais representantes , o

 sofista Grgias , que teve fama e glria universal j em seu tempo e

 foi protagonista de um dos dilogos de Plato , seu adversrio .
 Com a

 traduo indita diretamente do original de Humberto Petrelli >>

 GRGIAS : ELOGIO DE HELENA

 ( 1 ) Ordem para uma cidade  o bom homem , para um corpo a beleza , para

 uma alma a sabedoria , para um ato a excelncia , para um discurso a

 verdade ; o contrrio disso  desordem .
 Em relao ao homem ,  mulher ,

 ao discurso ,  ao ,  cidade ,  atividade  necessrio honrar com

 louvor o que for digno de louvor , e ao que for indigno censurar ; pois

 igual erro e ignorncia  censurar o louvvel e louvar o censurvel .

 ( 2 ) Do mesmo homem  dizer corretamente o devido e refutar *** os que

 censuram Helena , mulher sobre quem unssona e unnime se fez a crena

 dos que escutaram os poetas e a fama do nome , que das desgraas se

 tornou memria .
 Eu ento quero , tendo dado uma lgica ao discurso ,

 tanto a que escuta maldades livrar da acusao , e os que a censuram ,

 demonstrando que mentem e mostrando a verdade , livr-los da

 ignorncia .

 ( 3 ) Que portanto , por natureza e por origem ,  a primeira entre os

 primeiros homens e mulheres a mulher em torno da qual tratar este

 discurso , no  obscuro nem a poucos .
 Pois claro  que sua me era

 Leda , e que seu pai , o que foi era um deus e o que se dizia um mortal ,

 Tndaro e Zeus , um dos quais por ser pareceu , enquanto o outro por

 dizer foi refutado ; aquele o melhor dos homens e este o tirano de

 todos .

 ( 4 ) De tais genitores nascida , ela obteve a divina beleza , que tendo

 recebido e no escondido , manteve ; e em muitssimos , muitssimas

 paixes de amor ela suscitou , e com um s corpo conduziu muitos corpos

 de homens que pensavam grande sobre grandes coisas , dos quais uns

 tiveram grandeza de fortuna , outros a satisfao de uma antiga origem ,

 outros a boa forma de uma fora prpria , e outros o poder adicionado

 de uma sabedoria obtida ; e vinham todos , sob a fora do amor que ama a

 vitria e do invencvel amor pelas honras. ( 5 ) Quem , portanto , e por

 que , e como satisfez o amor tendo tomado Helena , no direi ; pois o

 dizer aos que sabem aquilo que sabem tem o seu crdito , mas prazer no

 traz .
 E ao tempo de ento , com a palavra de agora remontando , ao

 princpio do discurso por vir avanarei , e proporei as causas pelas

 quais era natural que se desse a partida de Helena para Tria .

 ( 6 ) Pois , ou por desgnio da Sorte , deciso dos deuses e decreto da

 Necessidade ela fez o que fez , ou foi por fora raptada , ou ento por

 discurso persuadida , < ou por amor conquistada > .
 Se foi pelo primeiro

 motivo ,  digno de ser acusado o que a acusa ; pois um divino propsito

 com humana providncia  impossvel impedir .
 Pois o natural no  o

 mais forte pelo mais fraco ser impedido , mas o mais fraco pelo mais

 forte ser governado e conduzido , o mais forte conduzir e o mais fraco

 seguir .
 Ora , deus  mais forte que homem , em fora , em sabedoria e em

 outras coisas .
 Se portanto  Sorte e  divindade se deve atribuir a

 acusao , deve-se absorver da infmia Helena .

 ( 7 ) Se por fora foi raptada , ilegitimamente violentada e injustamente

 ultrajada ,  claro que o raptor , porque ultrajou , foi injusto , e que a

 raptada , ultrajada , foi infeliz .
 Digno , portanto , o brbaro que tentou

 um atentado brbaro , pelo discurso , pela lei e pela ao receber pelo

 discurso , a acusao ; pela lei a desonra ; pelo ato o castigo ; e a

 vtima da violncia , privada da ptria e feita rf dos amigos , como

 no seria natural que merecesse piedade mais do que maledicncia ?
 Ele

 com efeito praticou um ato terrvel , e ela sofreu ;  justo portanto a

 esta lastimar , e quele odiar .

 ( 8 ) Se foi o discurso que o persuadiu e enganou a alma , nem diante

 disso  difcil fazer a defesa e desfazer a acusao , assim : o

 discurso  um grande soberano , que com o mais diminuto e inaparente

 corpo as mais divinas obras executa ; pois ele pode cessar o medo ,

 arrancar a tristeza , suscitar a alegria e aumentar a compaixo .
 E isto

 como  que se d eu mostrarei : ( 9 )  preciso tambm por opinio

 mostrar aos ouvintes : toda poesia eu considero e denomino um discurso

 que tem metro : nos que a escutam penetra um calafrio de terror , uma

 compaixo lacrimosa , um pesar comprazido ; e diante das aes e dos

 corpos alheios , com boa sorte e os reveses , um sofrimento que 

 prprio , por meio das palavras , a alma sofre .
 Ora vamos !
 Que eu mude

 de um discurso para o outro. ( 10 ) Os encantamentos inspirados

 divinamente , por meio das palavras , movem o prazer , removem a dor ;

 conformando-se com a opinio da alma , o poder do encantamento a seduz ,

 persuade e transforma essa alma pelo enfeitiamento .
 De enfeitiamento

 e magia duas tcnicas se encontraram , que so erros da alma e iluses

 da opinio. ( 11 ) Quanto a quantos persuadiram e persuadem , sobre

 quanta coisa , um falso discurso modelando !
 Se com efeito sobre todas

 as coisas todos tivessem memria das passadas < vises > , das

 presentes e previso das futuras , no seria semelhante o discurso para

 aqueles aos quais agora , o discurso enganaria .
 De fato porm , nem para

 recordar o passado , nem para examinar o presente , nem para adivinhar o

 futuro tem bom caminho ; de maneira que , sobre o maior nmero de casos

 a maioria tem a opinio como conselheira presente da alma .
 Mas a

 opinio , escorregadia e instvel , em escorregadios e instveis

 desencontros arremessa os que dela se servem. ( 12 ) Ento , que causa

 impede que tambm a Helena hinos tenham encantado semelhantemente ,

 embora no sendo jovem , como se por fora dos violentos tivesse sido

 raptada ?
 O efeito da persuaso domina , mas a mente , embora no tenha a

 forma da necessidade , tem o mesmo poder .
 Pois o discurso que persuadiu

 a alma , a que ela persuadiu , fora-a a se confiar no que  dito e a

 aprovar o que  feito .
 Quem portanto persuade , pelo fato de forar ,

 comete injustia , mas a alma persuadida , enquanto forada pelo

 discurso , sem razo tem m reputao. ( 13 ) Que a persuaso ,

 associando-se ao discurso , forja a alma como quer , deve-se primeiro

 aprender os discursos dos meteorologistas , os quais , opinio contra

 opinio , ora tirando uma , ora suscitando outra , fazem que o incrvel e

 obscuro se evidenciem aos olhos da opinio ; em segundo lugar , os

 inevitveis debates , por meio dos discursos , nos quais um s discurso

 muita gente deleita e persuade , com tcnica  escrito , no com verdade

 proferido ; em terceiro lugar , as disputas de discursos filosficos ,

 nas quais se mostra inclusive a rapidez do pensar , que faz mutvel a

 crena da opinio. ( 14 ) A mesma palavra tem o poder do discurso

 perante a disposio da alma e a disposio dos remdios para a

 natureza dos corpos .
 Com efeito , como os diferentes remdios expulsam

 diferentes humores do corpo , e uns cessam a doena , outros a vida ,

 assim os discursos , uns afligem , outros deleitam , outros atemorizam ,

 outros dispem os ouvintes  confiana , e outros por meio de uma

 persuaso maligna envenenam e enfeitiam a alma .

 ( 15 ) Que ela ento , se pelo discurso foi persuadida , no cometeu

 injustia , mas foi infeliz , est dito ; sobre a quarta causa , com o

 quarto discurso vou expor .
 Se foi amor que praticou todas essas

 coisas , no dificilmente ela se livrar  acusao de erro que se diz

 ter ocorrido .
 Com efeito , o que vemos tem uma natureza que no  a que

 ns queremos , mas a que em cada caso ocorre ; e por meio da viso a

 alma at em seus modos  forjada. ( 16 ) Por exemplo , quando corpos

 inimigos , inimiga ordem em inimiga armadura , de bronze e de ferro , em

 um de defesa , em outro de ataque , se os observa a vista ,  perturbada

 e perturba a alma , de modo que muitas vezes , fazendo-se presente o

 perigo iminente , fogem espavoridos .
 Firme , a veracidade da lei pelo

 medo se apropria de ns , pelo medo proveniente da vista , que

 sobrevinda faz com que se descuide do julgado belo de acordo com a

 lei , e do tornado bom por causa da vitria. ( 17 ) E j houve alguns

 que , diante de vises terrificantes , o pensamento que no instante

 tinha naquele instante de tempo perdera : a tal ponto o medo extenua e

 extermina a reflexo .
 E muitos em inteis penas , em terrveis doenas

 e incurveis loucuras se precipitaram : a tal ponto a viso inscreve no

 pensamento imagens dos acontecimentos vistos .
 E quanto ao que assusta ,

 muitos casos so omitidos , mas so semelhantes os omitidos aos que se

 mencionam. ( 18 ) Mas , os pintores , quando a partir de muitas cores e

 corpos um s corpo e figura perfeitamente elaboram , deleitam a vista ;

 e a confeco de esttuas humanas e a modelagem de monumentos um

 espetculo agradvel apresenta aos olhos .
 Assim , o afligir e o desejar

 so naturais  vista .
 E muitas coisas em muitos o amor e o desejo de

 modelar muitos acontecimentos e corpos. ( 19 ) Se portanto , pelo corpo

 de Alexandre , o olhar de Helena , tendo sentido prazer , ps-lhe n'alma

 impulso e porfia de amor , que h de espantoso ?
 Se , por um lado , este

 sendo deus < tem > poder divino dos deuses , como o que  inferior

 seria capaz de expuls-lo e se defender ?
 Se , por outro lado ,  doena

 humana e ignorncia da alma , no se deve censurar como um erro , mas

 considerar como uma desventura .
 Veio com efeito , como veio , por

 ciladas do acaso , no por desgnios do conhecimento , por necessidade

 do amor , e no por preparaes da tcnica .

 ( 20 ) Como portanto se deve considerar justa a censura a Helena que , se

 fez o que fez ou apaixonada , ou pelo discurso persuadida , ou pela

 fora raptada , ou por divina necessidade coagida , e , em todos os

 casos , escapa  acusao ?

 ( 21 ) Retirei com o discurso a infmia de uma mulher , permaneci dentro

 da lei que estabeleci no comeo do discurso ; tentei desfazer a

 injustia de uma censura , a ignorncia de uma opinio , quis escrever

 este discurso como , por um lado , um elogio a Helena e , por outro , meu

 brinquedo .

 Fonte : Conscincia  Segunda-feira , Fevereiro 16 , 2004

 Sexta-feira , Fevereiro 13 , 2004

 Entre rios ( 13/02/2004 )

 ( Branca Ruiz )

 Trs pedras

 Que no lhe atrapalhava o caminho

 Por serem to iguais entre si

 Como ele

 Iguais em frma

 Imutveis em forma

 Trs pedras que no chutou

 Estico demais para reaco

 Preferiu construir um mito

 A fazer tradies

 Que so agora verdades

 Inverossmeis em papis

 E agora to pura pedra

 Que se faz em trs

 Incoerente num covil que precisa de martres

 A provar origens nobres

 Para tal pedraria nobre

 Eis que mata seu pai

 No com espada e menos ainda beijo

  que se precisa fazer Histria

 Deste medo em que vive

 " Foi um mal , um bem ?
 No sei ; mas subscrevo de bom grado o veredicto

 de um eminente psicanalista : no tenho Superego "

 ( Jean-Paul Sartre )  Sexta-feira , Fevereiro 13 , 2004

 Quinta-feira , Fevereiro 05 , 2004

 " Qual o homem que nunca quis matar seu pai ???
 "

 Alguns excertos ' Dostoivskianos ' >>

 " Pelo que diz respeito a adquirir e a ganhar no fazem os homens outra

 coisa , no s na roleta como em toda parte , do que tirarem e

 lucrarem-se algo reciprocamente .
 Outra questo  saber se a aquisio

 e o proveito so algo feio. ( ...
 ) H duas espcies de jogo nitidamente

 diferentes : o dos gentis homens e o da plebe .
 H quem os distingua com

 muita severidade .
 Todavia , a falar a verdade , que tolice tal

 distino !
 Um gentil homem pode , por exemplo , arriscar cinco ou dez

 luzes , raras vezes mais .
 Pode tambm arriscar mil francos , se  muito

 rico , mais s por causa do jogo propriamente dito , para se divertir ,

 para estudar o processo do ganho e da perda .
 Mas no deve , de modo

 nenhum , interessar-se pelo ganho como tal .
 Depois de ganhar , pode ele ,

 por exemplo , dar uma boa gargalhada , ou dizer uma piada a um dos

 circunstantes .
 Pode mesmo tornar a jogar essa quantia toda ,

 duplic-la , mas unicamente por curiosidade , para ver os lances da

 sorte , para fazer combinaes , e nunca movido pelo desejo plebeu de

 tirar proveito disso .
 Numa palavra , ele no deve ver no salo de jogo ,

 nas roletas e ' Trente-et-quarente ' mais do que um simples

 divertimento .
 Nem sequer deve suspeitar das possibilidades de ganho e

 das armadilhas em que se baseia a banca .
 No seria mau se , por

 exemplo , lhe sucedesse que todos os outros jogadores , a plebe , que

 treme por cada florim , fossem igualmente ricos e jogassem unicamente

 para seu divertimento .
 Essa ignorncia completa da realidade e da

 concepo ingnua do homem podem , sem dvida , ter efeito altamente

 aristocrtico .

 Experimentei dentro de mim uma estranha sensao , a vontade de

 desafiar a sorte , de lhe dar um tapa , ou de mostrar-lhe a lngua .

 O homem  uma criatura volvel e pouco atraente e eu queria distncia

 dessa corja .
 A literatura ajudou-me a exorcizar alguns demnios e a

 jogar o jogo sujo dos homens .
 O certo  que eu precisava fugir daquela

 vidinha medocre onde a superficialidade e a afetao so sinnimos de

 sociabilidade .
 A mediocridade sempre me causou repugnncia .
 Nunca tive

 estmago para suportar a trivialidade .
 Alm do mais eu sempre me

 sentia distante daquele matraquear intil .
 De fato , sou um homem

 desagradvel .
 Creio que sofro do fgado .
 Alis no entendo nquel da

 minha cabea .
 Eu s desejava fugir da estupidez .

 Na verdade no consegui chegar a nada , nem mesmo torna-me mau : nem bom

 nem canalha nem honrado nem heri nem inseto .
 Agora , vou vivendo os

 meus dias em meu canto , excitando-me a mim mesmo com o consolo raivoso

 - que para nada serve - de que um homem inteligente no pode , a srio ,

 torna-se algo , e que somente os imbecis o conseguem .
 A desgraa  que

 serei certamente a causa de novas calamidades .

 No  fcil explicar como se cai nesse jogo .
 A verdade  que vicia ,

 embriaga .
 O certo  que a vida toda algo me arrastava a fazer

 trejeitos , a tal ponto que acabei perdendo poder sobre mim mesmo .

 Tinha uma fumaceira na cabea .
 Algo parecia pairar sobre mim ,

 tocar-me , excitar-me , infundir-me intranqilidade .
 A angstia e a

 blis ferviam e buscavam sada .
 Algo persistia em mim , uma espcie de

 ponto que eu no conseguia esquecer e em torno do qual os meus sonhos

 giravam pesadamente .
 Entretanto , eu queria , sobretudo , saber se era um

 verme como os outros ou um homem na acepo da palavra , se tinha ou

 no em mim a fora de saltar sobre o obstculo , se era um fraco ou se

 tinha direito .
 Assim sendo , visto que  preciso esgotar esse clice ,

 que importa o modo de o beber ?
 Quanto mais amargo , melhor .

 Naquele tempo minha vida j era , mesmo ento , desordenada e sombria

 at a selvageria .
 No me dava com ningum , evitava at conversar , e

 cada vez mais me encolhia em meu canto .
 Torturava-me ento mais uma

 circunstncia : o fato de que ningum se parecesse comigo e eu no

 fosse parecido com ningum .
 " Eu sou sozinho e eles so todos " , dizia

 de mim para mim , e ficava pensativo .

 Repito , repito com insistncia : todos os homens diretos e de ao so

 ativos justamente por serem parvos e limitados .
 So todos embotados e

 parecidos entre si , como carneiros de um rebanho .
 Todavia , o embuste

 combina bem facilmente com os sentimentos .
 Alm do mais , a estranheza

 e a originalidade prejudicam , em lugar de conferir um direito 

 ateno , sobretudo quando todo mundo se esfora por coordenar as

 individualidades e destacar um sentido geral do absurdo coletivo .

 Entretanto , um homem decente e cultivado no pode ser vaidoso sem uma

 ilimitada exigncia em relao a si mesmo e sem se desprezar , em

 certos momentos , at o dio .
 De qualquer maneira , meus gracejos ,

 senhores , so naturalmente de mau gosto , desiguais , incoerentes ,

 repassados de autodesconfiaa e , de modo geral , nunca suportei dizer :

 ' desculpe , papai , no vou mais fazer isso ' .

 Este " Belo e Sublime " apertou-me com fora a base do crnio .
 Oh , agora

 seria diferente !
 Haveria de encontrar este belo e sublime at na mais

 ignbil , na mais indiscutvel das porcarias , e transformaria em belo e

 sublime tudo que existisse no mundo .
 Tornar-me-ia lacrimejante como

 uma esponja molhada , pois no  assim que os vermes se resfastelam na

 hipocrisia ?

 Numa palavra , o homem est arranjado no mundo de modo cmico ; em tudo

 isso , provavelmente , h um trocadilho .
 Mas dois e dois so quatro  ,

 apesar de tudo , algo totalmente insuportvel .
 Isto  , estou de acordo

 em que dois e dois so uma coisa admirvel ; mas , se  para elogiar

 tudo , ento dois e dois so cinco tambm constitui , s vezes , uma

 coisinha muito simptica .
 De qualquer forma , destru os meus desejos ,

 apagai os meus ideais , mostrai-me algo melhor , e hei de vos seguir .

 Sim , mas o que  melhor , uma felicidade barata ou um sofrimento

 elevado ?
 Vamos , o que  melhor ?
 O fato  que para ns  pesado , at ,

 ser gente , gente com corpo e sangue autnticos , prprios ; temos

 vergonha disso , consideramos tal fato oprbrio e procuramos ser uns

 homens gerais que nunca existiram .
 Somos natimortos , e isto nos agrada

 cada vez mais .
 Em breve , inventaremos algum modo de nascer de uma

 idia .

 A tirania  um hbito , tem a propriedade de se desenvolver , e se

 dilata a tal ponto que acaba virando doena .
 O homem  dspota por

 natureza e agrada-lhe ser um algoz .
 A minha inteno era auxiliar a

 propaganda civilizadora , como  dever de todos .
 Talvez essa misso se

 cumprisse melhor se houvesse menos pieguice .
 Eu posso semear a idia ,

 o gro , desse gro nascer um fato .
 Trabalhar assim prejudica algum ?

 O que me irrita no  s a falsidade dessa gente ; todos podem

 enganar-se ; o erro  desculpvel e  certo que por ele se chega muitas

 vezes a descobrir a verdade .
 O que me desespera  que , apesar de

 carem em erro , eles continuam a julgar-se infalveis .
 O que me irrita

 profundamente so as praxes arcaicas e estpidas que eles seguem

 religiosamente .
 Parece que j  tempo de adotar processos novos , dando

 uma vassourada na rotina .
 Mas , no fundo , nada h seno horror e

 estupidez .

 Na verdade no consegui de modo algum ficar em paz comigo mesmo ,

 chegar a um resultado qualquer .
 Algo se erguia , incessante e

 dolorosamente , em meu esprito e no queria aquietar-se .
 Era como se

 me pesasse na lama certo crime .
 O maior sofrimento , sem dvida , era eu

 prprio , pois percebia completamente toda a repulsiva baixeza da minha

 rancorosa estupidez e , ao mesmo tempo , no podia de modo algum

 conter-me .
 No sei dizer o que pensaram e sentiram por mim .
 No que me

 diz respeito , tudo que sei  que perdi tudo em muito pouco tempo .

 Tudo foi terrivelmente trgico .
 Na verdade , s vezes uma idia me

 possui : no estivera louco ento , em meio a outros alienados , em um

 manicmio e tudo aquilo no tenha passado de iluso ?

 Na verdade isso mexe com os intestinos .
 Mas eu sempre estive preparado

 para o pior .
 Quanto ao inevitvel fim acredito que depois de

 experimentar tantas sensaes diversas ,  possvel que o esprito

 ainda no se sinta saturado , mas , ao contrrio , exacerbado , e exija

 novas sensaes , e mais violentas , at exaurir-se definitivamente .

 Ademais , para que acabar ?
 Tudo  claro .
 Tudo isso , irmo ,  uma velha

 cano .

 O verdadeiro crime  no viver .
 Abandone-se , sem raciocinar , 

 corrente da vida ; ela o levar a qualquer parte .
 Aonde ?
 No se

 inquiete com isso ; ir ter a um ponto qualquer .
 Qual ?
 Ignoro-o .
 "

 Extrado dos seguintes livros de Dostoivski : Memrias do Subsolo ;

 Crime e Castigo ; Recordaes da Casa dos Mortos ; O Jogador ; Os Irmos

 Karamzovi

  Quinta-feira , Fevereiro 05 , 2004

 Tera-feira , Fevereiro 03 , 2004

 " ( ...
 ) Actualmente , um homem que no contribui com sua cota de

 estrias sinistras , dificilmente ter acesso  republica das letras .

 Ele est fadado a vestir uma mscara de morte como parte de sua

 insgnia .
 Se ele no aterroriza a todos , ele no  ningum .
 Se ele no

 choca as damas , o que se pode esperar dele ?
 "

 ( Leigh Hunt , 1819. )

 *******************************************

 Infanticida

 ( Branca Ruiz )

 A pouca luz do sol

 A passar pelas folhas to verdes

 Enquanto o vadio espreita

 A mulher ao telefone

 - O pai est morto

 E ela sorri debilmente

 Com o olhar perdido

 Divagaes imprprias

 No para uma criana

 Apaixonada por este quadro surreal

 Retratos em spia

 Como a pouca luz do sol

 A passar pelas folhas to verdes

 Que se fundem com o cinza das nuvens

  Tera-feira , Fevereiro 03 , 2004

 Segunda-feira , Fevereiro 02 , 2004

 " Faa o que quiser .
 A partir de hoje nossos caminhos se separam .

 Julgo que no considera isso nem inesperado nem incmodo. ( ...
 ) No

 incio , supus ser-lhe til com a minha interveno , ao passo que agora

 posso ver que eu o prejudiquei em todos os sentidos .
 Por que as coisas

 tomaram esse rumo eu no sei , os motivos para o xito e o fracasso so

 sempre mltiplos ; no procure apenas aquelas interpretaes que falam

 em meu desfavor .
 Pense tambm em si mesmo ; tinha as melhores intenes

 e no entanto , sofreu um revs. ( ...
 ) Mas chega disso .
 A nica expiao

 que posso assumir  pedir perdo e , se o exige , a confisso que lhe

 fiz aqui , eu a repito publicamente. "

 ( " O mestre-escola da aldeia " , Narrativas do esplio [ 1914-24 ] )

 Isto no  ...
 no minmo intrigante ...

 Bem , hoje devo estar feliz ...
 Porque minha cabea lateja feito um

 tomate pisado , esmagado e esquecido na guia depois da feira ...
 Em

 pleno sol escaldante de um pas tropical , numa cidade quente da

 porra !!!

 Talvez tambm porque recomeam as minhas aulas hoje e isto significa

 que obrigatoriamente terei que passar ao lado da tesouraria da

 faculdade e ser cobrada ...
 O melhor  que no tenho dinheiro para

 pagar ...
 Fabulous !...

 Mas o fato da minha felicidade  que ...
 Eu encontro-me ainda mais

 encastruado no quadro negro ...
 O abstrato abissal , de minha solido ...

 Como to bem dito ,  bendito >> " Antes um sofrimento elevado , que uma

 felicidade barata " ...

 Estou a me fartar disso !
 Esta convico peculiar dos solitrios ...

 Como os judeus retratados por Nietzsche : exaltar sua condio de

 oprimido e se elevar ...
 Como tudo uma grande merda .

 Merda no sentido nu , cru e fiel , a prpria merda .
 Imagine-se assim ,

 tal como  ...
 Belo , um tanto herico , ainda que como qualquer outro

 estapafrdio , parvo e de conhecimentos crassos ...
 Nem por isso

 menos ...
 Intrigante ?!?!?!...

 Imagine-se ento , a passar por uma metamorfose ( e aqui no  como no

 caso do supra-citado Kafka ) , de ser o que  , para o que ser um dia :

 Alimento de vermes ...

 Ests a te decompor ...
 Lentamente ...
 Suas carnes vo putrificando

 ( Isso  Tanatologia PURA !
 ) , abrindo-se , cedendo aos vermes que so

 teus irmos ( e nicos !
 ) , at que sejas somente ...
 Uma merda !!!
 E

 depois nada mais que isso ...

 " ' Ah ' , disse o rato , ' o mundo torna-se cada dia mais estreito .
 A

 princpio era to vasto que me dava medo , eu continuava correndo e me

 sentia feliz com o fato de que finalmente via  distncia ,  direita e

  esquerda , as paredes , mas essas longas paredes convergem to

 depressa uma para a outra , que j estou no ltimo quarto e l no canto

 fica a ratoeira para a qual eu corro. ' - ' Voc s precisa mudar de

 direo ' , disse o gato e devorou-o. "

 ( " Pequena fbula " , Narrativas do esplio [ 1914-24 ] )

  ...
 finalmente poder-se- ...
 conceber a prpria morte ...
 Eis o fim ???

 Oh , sim .
 NO !!!
 Ainda no !
 Eu no posso levar-me a ratoeira ...
 No vs

 como sou covarde ?!
 Sou o maior dos covardes ...
 No tenho esta cincia

 ( ou qualquer outra ) , de entender ...
 ou sentir e correr para isso como

 " os suicidas / que se matam / sem explicao " ...

 Sejas tu meu algoz .
 Meu gato , a quem entrego-me abnegado ...
 Em

 jbilo !!!

 Amo-te ...
 meu mais fiel algoz .
 O que liberta-me .

 " Eu estava rgido e frio , era uma ponte , estendido sobre um abismo .
 As

 pontas dos ps cravadas deste lado , do outro as mos , eu me prendia

 firme com os dentes na argila quebradia. ( ...
 ) Assim eu estava

 estendido e esperava ; tinha de esperar .
 Uma vez erguida , nenhuma ponte

 pode deixar de ser ponte sem desabar. "

 E .
  Segunda-feira , Fevereiro 02 , 2004

 No caso da parasitose , deve-se fazer a vermifugao .
 Matar os vermes

 que acometem os pobres animais .
 Dar-se- , ento , a sub-dose .
 Os

 incautos com seus crassos conhecimentos administram doses abaixo do

 necessrio para matar definitivamente os parasitas , o que acaba por

 ocasionar a criao do super verme , resistente a tudo !
 Ecce Homo !
 quer

 dizer , o SUPER VERME .

 Signo de borboleta .
 Quer passar as frias em algum lugar longe ,

 bebendo cachaa ( timo trago ) sozinha , ou na companhia de algum para

 fazer sexo selvagem at cair .
 Tem raiva das pessoas burras e

 superflas , mas no de todos os seres humanos .
 Sua me  uma cretina ,

 seu pai a viso fidedigna da virtude , isso porque no o conhece , 

 claro .
 Pretende morar em Portugal , talvez Espanha ou Frana .
 No gosta

 de frituras , detesta suti ( ou no usa ) , faz teatro mas sente-se

 sozinha na muldido que  o prprio ser .
 Convencida e nada humilde ( 

 preciso entender a humildade nietzchiniana ) , conduz com maestria a

 poesia .
 Acredita que leva os leitores aos cimos das montanhas com a

 pena , seus verdadeiros leitores esto abaixo da turba .
 Suas palavras

 roam os cus , mas no espera glria ou status , a satisfao pessoal 

 mais importante que tais coisas vulgares .
 Pessoa franca e sem

 frescuras , na linguagem do dia-a-dia gosta de ser direta .
 As pessoas a

 seguem , a admiro .
 Como pobres ao chefe .
 F daquele russo maluco

 Dostoiesvisk , segue a linha do realismo Gtico ( se  que tal linha

 existe ) .
 No acredita em deus e quer tornar o mundo melhor libertando

 as pessoas dos grilhes do dogmatismo .
 No tem respostas , mas quer

 mostrar a opo .
 Detesta pessoas " afetadas " termo que ela mesmo

 cunhou .
 Autorotula-se como lsbica ( mas acima do rotulo  a pessoa ) ,

 " no existem normas da casa " .
 Quando a isso algumas especulaes

 lgicas que no responde .
 E como se no bastasse  uma cretina

 convicta , tarada ( qual sentido ?
 ) e convicta , especuladora idiota ...

 Sempre entre as palavras que so algozes , salvao , intuio ou

 necessidade .
 Sem certezas ou crenas , apesar de crer na realizao dos

 seus sonhos , que acredita serem poucos ...
 Vive no limite da razo e da

 sanidade ; da loucura e da demncia ...
  milhares em suas contradies

 e complexidades ...
 tem muito a falar de si mesma , pra si e os seus , os

 que vivem gritando em sua mente .
 Essas percepes  que mancham esta

 tela que podia ser bem mais surreal .

 O que mais gosta de fazer  atuar , escrever , pesquisar , caminhar pela

 noite depois de fumar um baseado .
 Sobrevive de msica e letras .

 Tem lido muito Dostoievski , Fernando Pessoa e Albert Camus ...
 tem os

 lido muito h tempos .
 Pensamento Complexo em Literatura .

 Adora dizer que adora , principalmente Nietszche , Sartre e Karl Marx .

 Sempre alvos de uma boa discusso .
 Nunca dispensa uma boa discusso .

 Foge de brigas e gritaria .

 Suas moradas so as ruas , os Palcos e algumas mentes .

 Tem um humor um tanto sarcsctico a provocar os mais parvos e

 desavisados .

 Odeia citaes , odeia quem cita , no por ser apenas citao , mas

 porque o homem fala como papagaios : a repetir tericos e no criar

 suas prprias idias .
 Alienao ?

 E-mail : paranga_unesp@yahoo.com.br

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