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 Educao accionria

 Manifesto plural e no democrtico pela aco da / na educao .

 30.8.04

 Pocinho Barca d'Alva em comboio

  margem da temtica deste blog , enquanto a espera pela lista de

 colocaes se torna insuportvel , ainda h notcias boas .
 Esta , sada

 na edio do JN de hoje ( s se lamenta e critica que tenha sado na

 seco Centro ...!
 ) , permitiu-me uma rpida viagem sentimental ...

 [ INLINE ]

 ( Ponte rodo-ferroviria do Pocinho .
 Linha de bitola estreita para Duas

 Igrejas encerrada )

 [ INLINE ]

 ( A 1424 estacionada em So Bento , Porto , com as cores originais )

 # posted by RJB : 2:57 PM

 Da inovao pedaggica

 H na edio de hoje do Express francs alguuns textos que vale a pena

 ler .

 A primeira sugesto vai para o texto intitulado " Como se ensina " .

 Pequena viagem por trs das mais importantes teorias educativas e

 relatos de investigadores sobre as metodologias contempornea e futura

 ( uma pequena leitura dos fait-divers da coluna da direita podem ser

 pertinentes ) e a ( sua ) implicao cognitiva na construo de saberes e

 aprendizagens .

 Curioso  tambm o texto sobre a " nouvelle vague " de docentes em

 Frana ; pode ser um exemplo .

 # posted by RJB : 12:44 PM

 27.8.04

 Propina aqui , se faz favor

 Ainda a polmica das propinas ?

 Pequeno exerccio de reflexo :

 1 ) Quando fui dirigente associativo , entendeu a AE , da qual fiz parte ,

 que a melhor forma de reivindicar um sistema de ensino com melhor

 qualidade ( pedaggica ) , concomitantemente com a " afronta " ao ento

 sistema poltico - o " pedido " de melhores cantinas ( e a contruo das

 que no existiam ...
 ) , bibliotecas bem equipadas , interveno

 informtica , etc ...
 - , passaria pelo pagamento de uma taxa , a chamada

 propina .
 Sem hipocrisias , admitia-se que o valor de 1.200 escudos da

 propina deveria ser alterado , em benefcio dos estudantes , claro .

 Assistia-nos ainda cuidados em no interpretar tal pagamento como

 negcio , afastando dessa forma a hedionda ideia de " cliente " .
 Pelo

 contrrio , pensmos sempre , pensmo-lo agora , que tal  ( foi ) uma

 aposta na nossa prpria formao e um claro investimento no " sistema

 educativo " ; diversamente da esquerda acadmica bem mal pensante ,

 reivindicamos o que deve ser naturalmente reivindicado ( qualidade

 pedaggica ) ao mesmo tempo que contribuamos para fortalecer o

 financiamento universitrio .
 Assim , ingnua e socialmente

 comprometidos .

 2 ) Os ideais por que nos regamos foram grosseiramente assassinados .

 Os governos liberais de centro e de esquerda permitiram que os

 conselhos directivos das faculdades , com a anuncia das Universidades ,

 usassem o nosso dinheiro para pagar ordenados de docentes - alguns

 deles , bem sabemos , que nem para o primeiro ciclo do ensino bsico tm

 competncia - , a conta da electricidade e o papel higinico .
 Muitos

 poucos livros , computadores ( a no ser graas ao beneplcito de

 mecenas , sempre fundaes de pomposo nome ) , material didctico e / ou

 pedaggico foram comprados .
 Houve investimento nulo e , assim sendo , a

 Universidade estagnou .

 Aqueles que , num primeiro momento , desconfiaram e depois aceitaram que

 o montante da propina fosse equitativamente atribudo ( um aluno de

 Letras gastar sempre menos do que um aluno de Medicina ) por

 Universidade e no por Faculdade , deveriam saber que o desfecho seria

 este ; a prpria faculdade continuou a manter a mesma orgnica nos

 departamentos : os alunos opinavam sobre o material a ser comprado ,

 perante uma lista preparada pelo docente responsvel , mas

 invariavelmente l era comprado um livro estrangeiro que esgotava o

 oramento , livro esse um colega requisitava ad eternum para a sua tese

 de doutoramento , tambm ad eternum .

 3 ) No entendo a contestao .
 No h , da parte dos protestadores ,

 qualquer sentido cvico .
 Protestam porque a Imprensa do 25 de Abril

 ( que ainda no percebeu que a Universidade j no  a mesma da do

 tempo de Veiga Simo , Hermano Saraiva ou Marcelo Caetano ) lhes concede

 espao e os cita , num discurso sempre igual , num registo lingustico

 pouco prprio e repleto de erros de concordncia , orquestrado por

 miserveis associaes ligadas a partidos polticos .

 Curiosamente ,  essa turba que " enriquece " as casas nocturnas e as

 operadoras de comunicaes mveis .
 Compreende-se ...

 4 ) Vem isto a propsito das recentes declaraes do Magnfico Reitor

 da Universidade de Coimbra - em perodo estival , e tudo !
 - e da sua

 proposta de pagamento faseado de propinas .
 Quem no pagar , sai do

 " sistema " .
 Acho bem mal !

 Quem , at  data , ainda no pagou deveria ser imediatamente afastado ;

 conhecem as regras e prevaricam .
 No pode haver contemplaes !

 O que estranho , porm ,  isto : na semana imediatamente anterior , foi

 noticiado que o financiamento do Ensino Superior estaria condicionado ,

 a comear j para o prximo ano lectivo , pelo desempenho dos seus

 docentes .

 Ser esta uma forma , pergunto ingenuamente , de ,  custa das propinas e

 dos seus pagadores , manter o sistema actual de contrataes e

 pagamento de docentes ?

 Onde cabe a Universidade e que Universidade  esta que " ameaa " os

 seus principais actores no ms de Agosto , em pleno perodo de frias ?

 O que receais e por que receais ?

 # posted by RJB : 12:10 AM

 23.8.04

 Estranhas coincidncias

 Quando o ME se prepara para divulgar as listas de colocao de

 professores , " O grito " de Munch  roubado !

 A mim , ningum me cala !

 [ INLINE ]

 # posted by RJB : 6:53 PM

 19.8.04

 Reprovao socio-educativa em Espinho

 Apesar do esforo de tantos e de quase todos os agentes educativos

 ( que no se cingem s escolas ) h notcias , como esta , que mostram

 claramente a inexistncia de valores morais e sociais .

 Fica a pergunta : quem so , na realidade , os verdadeiros deficientes ?

 # posted by RJB : 2:28 PM

 Alunos da Casa Pia criam blog

 No querendo , para j , comentar a iniciativa - que vem tarde - 

 possvel agora ouvir a voz do " outro lado " , na realidade , a que

 verdadeiramente interessa .

 # posted by RJB : 1:45 PM

 18.8.04

 XIV Congresso Mundial de Pediatria

 So estpidos os nmeros apresentaodos pelo congresso : 11 milhes de

 crianas morrem no mundo de doenas que podiam ser evitadas e

 tratadas .

 A notcia no Expresso .

 # posted by RJB : 12:37 PM

 Livros para Timor

 ( o post transcrito foi roubado ao alex - ; dizer ainda que o governo

 portugus se prepara para reduzir o nmero de docentes naquele

 pas ...
 )

  uma vergonha que as crianas em Timor s tenham livros de leitura em

 ingls , oferecidos pela Austrlia !

 Para que a nossa lngua no desaparea , acho que deveriamos fazer um

 esforo enviando livros para as escolas timorenses .

 Os livros tero de ser enviados para a Embaixada de Portugal , em

 Timor .

 Informo que existe uma tarifa especial dos correios : 2kg = 2,75 euros

 ( informao dada pelos CTT ) .

 Aqui vai o pedido que recebi de uma professora de l .
 Se puderem

 ajudem e divulguem .

 Obrigado .

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 Encontro-me a leccionar em Dili , na Escola Pre-Secundria Cristal .

 Esta escola ,  semelhanca de muitas , nao tm Biblioteca .

 Tem apenas uma estante , na sala dos professores , na qual se encontram

 apenas livros em ingls oferecidos pela Austrlia .

 Os nicos livros em portugus so os manuais escolares e gramticas de

 portugus que foram fornecidos s escolas .

 J perceberam o que eu quero ?
 Gostava montar uma biblioteca naquele

 espao .

 Ser que algum tem por a alguns livros , de preferncia livros

 literatura infantil / juvenil , manuais escolares de vrias disciplinas ,

 entre outros , como revistas e jornais que ja no vos faam falta ?

 Se tiverem enviem-nos , por favor .
 Decerto que vo ser muito teis aos

 nossos alunos e s escolas timorenses .

 Se estiverem dispostos a contribuir aqui vai o nosso endereo :

 Embaixada de Portugal em Dili

 A / c Professora Ana Medeiros - Dili

 Edificio ACAIT

 Avenida Nicolau Lobato

 Dili

 Timor Leste

 Ana Medeiros ( pedido recebido por email )

 # posted by RJB : 12:23 PM

 17.8.04

 Dos lastimosos polticos portugueses

 Aliud est meminisse , aliud scire. Meminisse est rem comissam memoriae

 custodire ; at contra scire , est et sua facere quemque , nec ab

 exemplari pendere , et toties ad magistratum respicere .

 Seneca ep. XXXIII

 Uma coisa  lembrar , outra coisa  fazer .
 Lembrar  guardar uma coisa

 confiada  memria ; saber  ser apto a fazer as coisas , sem

 necessidade de exemplos e sem a cada passo recorrer aos mestres .

 # posted by RJB : 11:25 PM

 Leituras

 Umberto Eco .
 Leio crtica que lhe  dirigida - e muito bem acolhida -

 e sinto-me , de novo , membro de uma imensa maioria , aquela que l por

 prazer .

 Muito bom o texto de Bondanella ( " Umberto Eco e o Texto Aberto " ) sobre

 a evoluo do italiano , da sua teoria semitica at  aco

 narratolgica das teorias social e cultural .

 Penso faltar , talvez , na assumpo da esttica do prazer da leitura , a

 mediao da fenomenologia .

 Dos seis passeios nos Bosques da Fico ,

 " Mas todo o passeio num mundo ficcional tem a mesma funo que uma

 brincadeira infantil .
 As crianas brincam com bonecas , com cavalos de

 madeira , com legos , para se familiarizarem com as leis fsicas do

 universo e com as aces que um dia tero de realizar a srio .
 Do

 mesmo modo , ler fico significa jogar um jogo atavs do qual

 conferimos sentido  imensido das coisas que aconteceram , acontecem

 ou acontecero no mundo real .
 Lendo romances , escapamos  angstia que

 de ns se apodera quando procuramos dizer algo de verdadeiro sobre o

 mundo real .
 Esta  a funo teraputica da narrativa e a razo por que

 as pessoas contam histrias , e sempre as contaram , desde os primrdios

 da humanidade .
 E sempre foi esta a suprema funo do mito : encontrar

 uma configurao , uma forma , no turbilho da experincia humana " .

 Eu , lector in fabula , suspendo por ora e tempo indeterminado

 formalismo , estruturalismo , semitica e correntes derivacionistas e

 aproveito menos da fenomenologia .

 A leitura de " A Ilha " de J.M. Coetzee , prmio Nobel do ano transacto ,

 parecia-me pertinente , uma outra parbola de Robinson Cruso .
 A

 traduo , todavia , consentida pela Dom Quixote enferma construes

 lingusticas erradas , para alm de abusos semnticos ( um dos exemplos ,

  a proverbial expresso " h dez anos atrs " ) .
 Desconfio que no lerei

 at ao fim .

 # posted by RJB : 10:26 PM

 Vejamos o processo de nomeao do futuro presidente da UE .

 1. - A UE tem 25 Estados membros .
 Mas como desses apenas 12 participam

 em todas as politicas da UE , o presidente da Comisso Europeia s pode

 ser escolhido entre 12 e no entre 25 .

 2. - Desses 12 Estados membros , h 3 ( Frana , Itlia , Blgica ) que so

 excludos , pois j tiveram um presidente da comisso .
 Sobram apenas 9 .

 3. - Desses 9 Pases , h 5 ( Alemanha , Espanha , Hlanda , Irlanda , Grcia )

 que ficam excludos  partida , pois j detm cargos de relevncia na

 UE .
 Sobram 4 Pases .

 4. - Dos 4 Pases que ficam , foi convidado oficialmente o

 primeiro-ministro do Luxemburgo , que recusou o cargo alegando ter um

 compromisso com o eleitorado ( do Luxemburgo ) .
 Sobram , portanto , trs

 Pases : ustria , Finlndia e Portugal .

 5. - Uma das imposies para se ser presidente da comisso europeia 

 saber falar Ingls e Francs .
 Ora , mais de 99 % dos Austracos e

 Finlandeses no o sabe fazer .
 Resta , pois , Portugal , como de costume

 no ltimo lugar e por excluso de partes .

 # posted by RJB : 6:34 PM

 12.8.04

 DIRECO GERAL

 DOS RECURSOS

 HUMANOS DA EDUCAO

 AVISO

 A fim de dar andamento a todos os procedimentos

 dos concursos , esta Direco Geral no poder

 corresponder ao atendimento pessoal .
 Pelo facto ,

 que lamentamos , pedimos a melhor compreenso

 aos Senhores Docentes que receberam as

 notificaes de indeferimento da reclamao

 apresentada sobre os elementos da lista provisria

 de ordenao e de excluso .
 Como  normal

 podem apresentar recurso hierrquico durante os

 trinta dias teis , a contar da data de publicitao das

 listas definitivas de colocao e de excluso , que

 dever ocorrer no final de Agosto corrente .

 Lisboa , 9 de Agosto de 2004

 A Directora-Geral

 Joana Orvalho

 # posted by RJB : 12:40 PM

 9.8.04

 Paulo Branco em entrevista ao Le Monde

 H no Le Monde on-line uma entrevista ao presidente de Gemini Films ,

 Paulo Branco .
 Vale a pena l-la por uma interveno da arte pela arte

 ( cinematogrfica ) .

 O artigo

 uma pgina sobre a filmografia de Paulo Branco

 # posted by RJB : 6:53 PM

 Bloggers so jornalistas ?

 Quando subitamente algum quer parecer erudito e srio " saem " textos

 destes .
 Louva-se a boa-vontade e mrito ( !
 ) pelo ponto de vista

 inicial , reprova-se as citaes e a costura narrativa .
 No vale a pena

 referir as concluses .
 Ainda assim , vale a pena ler o texto por uma

 construo tica e fenomenolgoca .

 # posted by RJB : 6:46 PM

 Concurso de docentes para a Europa

 Estranhamente , ou talvez no , por culpa minha , ou talvez no , o

 concurso de docentes para a Europa ( na verdade , " seleco de

 candidatos " , com tudo o que de subjectivo comporta tal declarao ) j

 foi .

 Estranhamente , ou talvez no , penso que o site da DGRHE - Direco

 Geral dos Recursos Humanos da Educao - s aps a abertura do aviso

 do concurso colocou a indicao e respectivo link para a pgina onde

 se poderiam ler as notcias referentes ao dito .

 Estranhamente , ou talvez no , cinco dias apenas foram dados para que

 os opositores enviassem a sua candidatura .

 Estranhamentre , ou talvez no , ainda estou  espera do resultado do

 concurso para os PALOP , entretanto passado a " seleco de candidatos "

 pelo GAERI , do ano transacto .

 # posted by RJB : 6:34 PM

 2.8.04

 As linguagens da linguagem

 As linguagens da linguagem - do conceito de gramtica  emergncia da

 lngua

  Gramtica  vocbulo grego .
 Quer dizer cincia de letras e , segundo a

 difinio que lhe os gramticos deram ,  um modo certo e justo de

 falar e

 escrever , colheito do uso e autoridade dos bares doutos. 

 Ferno de Oliveira

 Origem , unidade e fractura

 A Lngua Portuguesa , como qualquer sistema novi-latino , tem visto

 ser-lhe atribuda estudos de duas espcies : ( quase ) independentemente

 de uma viso diacrnica ou sincrnica , repousa na taxonomia a sua

 historicidade , que as gramticas afixaram em ltimo captulo , e , dito

 de forma ligeira , a provenincia do seu lxico , a que os antigos

 fillogos - arquelogos de timos - apunham  estrutura sintctica

 base ( sujeito , predicado e complementos diversos ) .

 Dito assim , a confuso assalta-nos imediatamente , se considerarmos que

 pretendemos que duas vises apenas ( e a filologia est prxima de

 ns ...
 ) dem conta de fonologia ( ortografia ) , fontica , morfologia ,

 sintaxe , semntica e , dos nossos dias , pragmtica ; contudo , esta

 necessidade imperiosa de ordenar estava to presente na Idade Mdia ,

 como est nos nossos dias .
 A diferena nica , a nosso ver ,  a reserva

 actual que estudiosos de determinado campo tm perante diversas

 disciplinas , mesmo se completam ou complementam o seu prprio objecto

 de estudo ; diferana sentida , ainda , perante um sistema normativo

 visto como necessrio e materializado , claro , em gramtica .

 Diacronia e sincronia  parte , importa perguntar qual a origem da

 Lngua Portuguesa - at porque a existir gramtica a sua

 sistematizao pressupe que haja uma lngua ( langue e parole

 saussurianas ) de partida ; ou vrias .
  mais ou menos pacfico entre

 todos os acadmicos e a comunidade em geral que o Portugus provm da

 Lngua Latina .
 Sendo isto verdade , de qual lngua latina ?
 ; da culta ou

 da brbara ?
 E que lngua ( s ) se falavam na Pennsula Ibrica ?

 Como se v a questo no  simples e at chegarmos ao Portugus actual

 muitos sculos se passaram e muitos sistemas foram aqui

 experienciados .
 A Lngua Portuguesa no pode ser indissocivel , por

 exemplo , da conquista romana da Pennsula Ibrica , da invaso dos

 brbaros germanos , da constituio dos imprios brbaros , como o

 visigtico , do domnio rabe na Pennsula Ibrica , da luta da

 reconquista crist , da formao do reino de Portugal e da expanso

 ultramarina .

 Fiquemo-nos , todavia , no local onde o Homem tomou conscincia da sua

 implicao social e cultural e comeou a instalar-se com propiedade na

 Histria , o Renascimento .

 A histria da Lngua Portuguesa debate-se entre dois plos : o

 portugus medieval e o moderno .
 Entre os sculos XV e XVI o Portugus

 deriva para duas correntes : uma popular , continuadora do estilo

 medieval , e outra erudita , de feio e molde latinizantes , falada pela

 elite culta e literata , que pretendia tornar-se paulatinamente a

 lngua padro .
 Atente-se , contudo , nisto : a parole erudita nunca se

 imps de imediato  parole brbara , tendo a ltima , tal como os seus

 falantes resistiam ao poder institudo , prevalecido como uso e defesa

 perante a elite ...
 A unidade nacional ficaria para mais tarde !

 A par desta tenso lingustica , assiste-se a dois factos que

 contriburam decisoriamente para a formao do Portugus : o Latim

 assume definitivamente a condio universal de cultura e F e as

 lnguas vernculas comeam a merecer as primeiras valorizaes

 nacionais ( o facto poltico no lhe  alheio ...
 ) .
 O caso portugus 

 independente do movimento latinizante e precede-o .
 Ferno de Oliveira ,

 com a sua Grammatica da Lingoagem Portuguesa de 1536 , tornou-se o

 primeiro gramtico portugus e retm a herana vernacular de D. Dinis ,

 ao instituir o Portugus como lngua oficial , em substituio do

 Latim , e , no sculo XV , de D. Duarte que , no seu Leal Conselheiro ,

 aconselha que se evite o uso de latinismos .
 A novidade da gramtica de

 Ferno de Oliveira reside na fixao da lngua natural que at  poca

 se usava e no a que se construa , cuja superficialidade , dizem

 alguns , aponta .
 Quatro anos mais tarde ( 1540 ) A Gramtica da Lngua

 Portuguesa de Joo de Barros aparece e  diversa da de Ferno de

 Oliveira .
 Defendendo tambm a escrita fontica ( " A primeira e

 principal regra da nossa ortografia  escrever tdalas dies com

 tantas lteras com quantas as pronunciamos , sem poer consoantes

 ociosas [ ...
 ] ". ) , abandonona , contudo , a noo abrangente de lngua do

 primeiro gramtico , para a reduzir a uma variedade eleita por razes

 sociais : " Gramtica  vocbulo grego .
 Quer dizer cincia de letras e ,

 segundo a difinio que lhe os gramticos deram ,  um modo certo e

 justo de falar e escrever , colheito do uso e autoridade dos bares

 doutos. "

 Seja como for , bares doutos ou plebe simples inculta , a lngua

 verncula acolhe no seu seio expresses e timos latinos , bem como

 socialectos do grosso da plebe : a dinmica da lngua emerge , dilata-se

 ( pelo / com o contacto com os indigenas dos pases visitados com a

 expanso ultramarina ) e j no mais ser parada .
 Na literatura , " Os

 Lusadas " , poema nobre ( Epopeia ) ,  escrito em portugus ; a diplomacia

 hesita entre o Castelhano e o Francs no contacto com os diversos

 embaixadores , mas abandona a redaco de documentos oficiais em Latim

 e priveligia o Portugus .

 Lxico Portugus

 O lxico portugus , se preciso fosse diz-lo , tem reminiscncias

 latinas , a seu maior nmero , mas tambm reflecte o contacto dos seus

 falantes com as mais diversas realidades sociais e culturais .

 Esse acervo apresenta um ncleo de base latina popular ( sublinhe-se ) -

 resultado da assimilao e das transformaes do Latim pelas

 populaes nativas ibricas - a que se juntam contribuies

 pr-romnicas e ps-romnicas .
 Em Portugal parece ter havido ,

 preferencialmente , bilinguismo , chamado adstrato lingustico , em que ,

 inevitavelmente , a lngua portuguesa toma de emprstimo ( a longo

 prazo ) dados culturais e lingusticos .
 Foram , no entanto , os termos

 populares , que modelaram o lxico portugus ( quer a insero

 fonolgica , quer a morfolgica ) .
 Note-se que mesmo nas influncias de

 outras lnguas , foi o carcter popular que o determinaram .

 O vocabulrio portugus , que compreende nomes de parentesco , animais ,

 partes de corpo e verbos ,  formado sobretudo de palavras latinas .

 Dentro da contribuio pr-romnica destacam-se vocbulos de origem

 Ibrica ( abbora , barro , bezerro , cama , garra , loua , manteiga , sapo ,

 seara ) ; cltica ( bico , cabana , aminho , camisa , cerveja , gato , lgua ,

 pea , touca ) ; grega ( farol , guitarra , microscpio , telefone ,

 telepatia ) ; fencia ( apenas saco , mapa , malha e mata - no havendo

 muita clareza quanto  sua origem ) .
 A contribuio ps-romnica , que

 compreende palavras de origem germnica , relacionadas com o modo de

 vida de seu povo e  arte militar , ocorre no sculo V , poca das

 invases .
 So exemplos nomes como Rodrigo , Godofredo , guerra , elmo ,

 trgua , arauto e verbos como esgrimir , brandir , roubar , escarnecer .

 Apesar de no impor religio e lngua , ao conquistarem a Pennsula

 Ibrica , os rabes deixaram marcas no nosso lxico .
 Como camada do

 adstrato , as palavras de origem rabe correntes em portugus

 referem-se a nomes de plantas , de alimentos , de ofcios , de

 instrumentos musicais e agrcolas : alface , algodo , lcool , xarope ,

 almndega , alfaiate , alade , alicate .

 Quanto aos emprstimos culturais , ou seja , os que decorrem de

 intercmbio cultural , h no lxico portugus influncias diversas de

 acordo com as pocas .
 De acordo com Celso Cunha , " a incidncia de

 palavras de emprstimo no portugus data da poca da constituio da

 lngua , e as diferentes contribuies para o seu lxico reproduzem os

 diversos passos da sua histria literria e cultural " .

 Na poca medieval , a poesia trovadoresca provenal influenciou os

 primeiros textos literrios portugueses .
 Porm , muitos vocbulos

 provenais , correntes nas cantigas dos trovadores medievais , no se

 incorporaram  nossa lngua .
 So exemplos de emprstimos provenais :

 balada , estandarte , refro , jogral , segrel , trovador , vassalo ...

 Do sculo XV ao sculo XVIII , muitos escritores portugueses , entre

 eles os poetas do Cancioneiro Geral , Gil Vicente , Cames , escreviam em

 castelhano e portugus , o que se explica pelas relaes literrias ,

 polticas e comerciais entre as duas naes Ibricas .
 Como

 contribuio de emprstimos espanhis para o lxico portugus , temos ,

 entre muitas outras , palavras como bolero , castanhola , caudilho , gado ,

 moreno , gal , pandeiro ...
 O latim corrente j havia contribudo para a

 base do lxico portugus , mas foi durante o Renascimento , poca em que

 se valorizou a cultura da Antiguidade , que as obras de escritores

 romanos serviram de fonte para muitos emprstimos eruditos .
 Por essa

 via , desenvolveu-se um processo de derivar palavras do latim

 literrio , em vez de se partir do termo popular portugus

 correspondente ( da uma srie de adjectivos com radical distinto do

 respectivo substantivo : ocular / olho , digital / dedo , capilar /

 cabelo , ureo / ouro , pluvial / chuva ) .
 Esse processo  responsvel

 pela coexistncia de razes distintas para termos do mesmo campo

 semntico .
 Houve , tambm a substituio de muitos termos populares por

 termos eruditos ( palcio / paao , louvar / loar , formoso / fremoso ,

 silncio / seeno , joelho / geolho ) .

 A expanso portuguesa na sia e na frica foi mais uma fonte de

 emprstimos .
 So de origem asitica : azul , bambu , beringela , ch ,

 jangada , leque , laranja , tafet , tulipa , turbante ...
 So de origem

 africana : angu , batuque , berimbau , cachimbo , engambelar , marimbondo ,

 moleque , quitanda , quitute , samba , senzala , vatap ...

 Em virtude de relaes polticas , culturais e comerciais com outros

 pases ,  natural que o lxico portugus tenha recebido ( e continue a

 receber ) influncias de outras lnguas modernas .
 Assim ,

 incorporaram-se ao nosso lxico palavras provenientes do francs

 ( chefe , hotel , jardim , paisagem , vitral , vitrina ) ; do ingls ( futebol ,

 bife , crner , pudim , reprter , sanduche , piquenique ) ; do italiano

 ( adgio , alegro , andante , confete , gazeta , macarro , talharim , piano ,

 mortadela , serenata , salame ) ; do alemo ( valsa , manequim , vermute ) .

 O caminho da pragmtica ( e a concluso )

 Esta pequena viagem pela histria da linguagem , de que a gramtica e o

 lxico adquirem primazia , pretende mostrar que a linguagem , em

 especial a Lngua Portuguesa ,  uma entidade viva , multifacetada e ,

 tal como um qualquer organismo , reage ao meio em que est inserido e

 manifesta-se perante influncias externas .

 Nos nossos dias , j no faz muito sentido estudar gramtica - enquanto

 documento normativo e encerrado em si mesmo - , mas antes perceber os

 diferentes estados da linguagem ; de uma lingustica revolucionria

 ( lembremo-nos das suas contribuies nas anlises morfolgicas em

 rvore , em que cada constituinte era to importante como o seu vizinho

 - o verbo , ncleo de qualquer grupo oracional , por exemplo , viu a sua

 importncia esvaziada ) passamos a uma estrutura lingustica

 interiorizada e inerente  prpria espcie humana .
 Este psicologismo

 ingnuo , falamos , claro , da gramtica generativa de Chomsky , assenta

 na ideia de que no falamos por imitao , mas por termos estruturas

 lingusticas mentais que nos so inerentes ( moldes pr-concebidos ) ,

 necessitando apenas de um meio para as materializar .
 Chomsky , contudo ,

 no pode responder a tudo , no que mostra alguma limitao da sua

 teoria .
 Doutra forma vejamos : se a Lngua Portuguesa abandonou os

 modelos latinos por declinaes ( em que morfemas se aplicavam

 flexionados sempre em dependncia dos vizinhos ) e se passou para um

 sistema de flexo simples - singular / plural , masculino / feminino - ( com

 excepo , talvez , do verbo ) , de que forma se passou mentalmente de uma

 estrutura para a outra ?
 ; a sua teoria tambm no explica , que se

 saiba , como se aglutinam , transformam e adaptam morfemas estrangeiros ,

 de que o caso portugus  paradigmtico .

 O caminho actual , porque os lingustas j no se querem mais

 comprometer com o que quer que seja ,  de uma pura lingustica de

 observao dos fenmenos do seu objecto de estudo .
 A norma , todavia ,

 no  , nunca poder ser , afastada , sob pena de se perder um patrimnio

 comum que nos identifica ; fazendo-o , permite que nos realizemos

 enquanto sujeito colectivo de / ao servio de um ideal ( trans ) nacional .

 Do castelhano utilizado na corte e nos primeiros textos literrios

 nacionais , passando pelo francs diplomtico , at ao ingls como

 lngua franca e mediatizada , de todos esses idiomas , e de muitos

 outros , recebemos influncias .
 Em alguns casos , esses vocbulos vieram

 enriquecer o lxico portugus , porque o no tnhamos , noutros , foram

 adaptados fontica e graficamente ; sobre esses , apenas podemos

 regist-los com agrado .
 Outros , contudo , vieram substituir e colocar

 no olvido palavras lusas , como o caso irritante de performance

 ( desempenho ) e mister ( treinador ) , s para enunciar dois casos .

 H porm , ainda , o crescente caso de fadiga de informao que leva as

 pessoas a comunicar com brevidade , no caso dos telemveis com siglas .

 E , parece , assim nos vamos compreendendo e entendendo .

 Ora , esta dinmica incontrolvel s pode ser apreendida , ainda que o

 no seja em tempo real , infelizmente , pela revitalizao da pragmtica

 - ajudada pela semntica ,  possvel perceber os contextos

 comunicacionais , as suas causas e implicaes .

 Sem desdenho pelo passado , h um tempo - este tempo !
 - em que as

 mudanas acontecem a um ritmo vertiginoso .
 Ateno e reflexo so os

 ingredientes necessrios para no nos deixarmos ultrapassar .

 # posted by RJB : 6:10 PM

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