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 Alex Castro

 Editor do seu Guia de Blog na Internet

 Em Defesa da Lngua Portuguesa

 Fala-se muito em defesa da lngua .
 A leitora Denise escreveu :

 " Como  que voc pode dizer que a obrigatoriedade de filmes dublados na

 Alemanha  coisa de nazista ?
 Ela  necessria para a manuteno da lngua ,

 Alexandre !
 Se todo filme , seriado , documentrio e sei l o que mais que entrar

 no Brasil s tiver a sua verso original veiculada no pas , aonde vai parar a

 Lngua Portuguesa ?
 Vamos versar ingls , espanhol , italiano ...
 e o pobre do

 " portugus " , j adoentado , vai virar lngua morta .
 Te , um de seus leitores ( no

 sei se ele ou ela ) postou que " os europeus so rigorosos , chatos at , tentando

 impedir o domnio de outras culturas , principalmente a americana " , mas

 reconhece que nosso estrangeirismo tupiniquim j passou dos limites. "

 Preconceito Lingstico : o que  , Como se Faz MARCOS BAGNO

 Parece que o portugus  uma lngua coitadinha , bombardeada pelo forte e

 malvado ingls , e que precisa do nosso amor e proteo para no sucumbir .

 Ser ?
 A lngua portuguesa precisa ser defendida ?

 E , mais importante , a lngua portuguesa deve ser defendida ?

 A resposta  no para a primeira e no enftico para a segunda .

 A Lngua Portuguesa Precisa Ser Defendida ?

 A idia de que a lngua portuguesa precisa ser defendida  uma falcia , fruto

 da xenofobia e da ignorncia .
 A xenofobia torna a pessoa , no mnimo ,

 desconfiada de tudo o que vem de fora .
 A ignorncia faz com que ela no

 reconhea que o processo pelo qual o portugus passa  a evoluo natural de

 toda lngua .

 Influncias Estrangeiras

 Dizem que o pobrezinho portugus est sendo bombardeado pelo ingls .
 Mas no h

 nada mais natural do que uma potncia influenciar , atravs de sua cultura e

 vocabulrio , os pases perifricos .
 Isso sempre aconteceu .

 No final do sculo passado , era o francs .

 Quem dirigia carros e tlburis era o motorista ou condutor .
 A , os elementos

 mais francfonos , cosmopolitas , influenciveis , entreguistas ( escolha o termo

 de sua preferncia , de acordo com a sua ideologia ) comearam a usar tambm o

 termo chauffeur. Heresia , bradaram os puristas em defesa da lngua portuguesa .

 Falar chauffeur era pedandismo , galicismo , ridculo .
 Pra que falar chauffeur

 quando o portugus j tinha duas palavras que descreviam perfeitamente esse

 conceito ?
 O portugus estava sendo bombardeado pelo francs e precisvamos

 defender nossa lngua .
 s trincheiras , rpido !
 Ptria amada , salve salve .

 Como diria minha santa avozinha , muda a merda , as moscas continuam as mesmas .

 Qual  o fim da histria ?
 Cem anos de francofilia intensa ( e muitas vezes

 ridcula ) no destruram o portugus .
 Chauffer foi aportuguesado , virou chofer ,

 hoje convive em p de igualdade com motorista e ningum mais pensa em dizer ,

 ningum mais lembra , alis , que motorista  mais " brasileiro " que chofer .
 So

 ambas duas palavras igualmente vlidas da lngua portuguesa e pronto .

 No h motivo para pnico .
 No existe lngua sem influncias estrangeiras a no

 ser que seja uma lngua morta .

 Usar sale ao invs de liquidao  to absurdo quando falar friquique ( free

 kick ) ao invs de chute livre ou pnalti ao invs de penalidade .
 Tudo  uma

 questo de tempo .

 Aprendamos com nossos antepassados : eles tambm chiavam contra chofer , bradavam

 o fim da lngua e , olha s , nada aconteceu .

 Daqui a 100 anos , talvez sale seja uma palavra to brasileira quanto pnalti ,

 chofer ou xampu .

 Para os Portugueses : Quem  Aldo Rabello

 J se falou muito de um tal de Aldo Rabello , e vou falar mais ainda .
 Como esse

 blog est com um nmero muito grande de leitores portugueses , acho por bem

 explicar quem  esse distinto cidado .

 Aldo Rebello  um deputado federal comunista cujo nico projeto de nota ( ou

 seja , nico que chegou aos jornais , sei l o que mais ele fez na prtica ) era a

 criao de uma lei xenfoba e imbecil , como a que passaram na Frana , de defesa

 da lngua e proibio do uso de palavras estrangeiras .

 A proposta nunca foi seriamente considerada no Congresso e serviu apenas para

 ganhar algumas linhas no jornal para Rabello , cujo nome ficou conhecido por

 todo o Brasil como uma figura folclrica e inofensiva .

 Infelizmente , com a vitria de Lula e com a necessidade de o governo jogar

 algum osso ao PCB , o folclrico defensor da lngua portuguesa tornou-se lder

 do governo na cmara .

 Teme-se o que ele possa fazer com seu novo poder .

 Como Nascem As Lnguas

 Era uma vez um imprio .
 Ele se estendia por quase todo o mundo conhecido .
 Em

 todas as regies conquistadas por ele , sua lngua tornava-se a lngua oficial

 dos negcios e da lei .
 Mas o sbio imprio no extinguia as lnguas ou costumes

 locais , apenas exigia que os nativos falassem tambm a sua lngua .
 Como

 resultado , quem nascia nas regies conquistadas crescia falando tanto a sua

 lngua nativa , com os pais , com os amigos , nas ruas , e falava tambm a lngua

 do conquistador , para assuntos oficiais , leis , peties aos tribunais , etc .

 As camadas mais humildes e incultas da populao tendiam a falar s a lngua

 nativa .
 Os administradores da metrpole e suas famlias tendiam s a falar a

 lngua do Imprio .
 Mas a grande maioria da populao crescia fluente em ambas .

 Naturalmente , gradativamente , como no poderia deixar de ser , essa legio de

 bilngues criou uma nova lngua , fuso das duas primeiras .

 Eu sei como  isso , pois j vi acontecer .

 Estudo de Caso : Escola Americana

 Estudei em uma escola americana no Rio de Janeiro .
 Todos os alunos tinham que

 ser fluentes em ingls , pois as aulas eram ministradas nessa lngua .
 E todos

 tambm tinham que ser fluentes em portugus , pois estavam morando no Brasil .

 Quando voc fala duas lnguas igualmente bem , elas se fundem na sua cabea .

 Hoje de manh , eu estava conversando sobre religio com um amigo hondurenho ,

 fluente em ingls , portugus e espanhol e eu disse pra ele que toda religio ,

 no fundo , era wishful thinking. ( Alis , esse ser o assunto da Priso Religio ,

 a sair em breve. )

 No h expresso portuguesa para wishful thinking .
  uma idia precisa que eu

 no tenho como comunicar efetivamente na minha lngua-me .
 Se eu estiver com

 algum que sei que fala ingls to bem quanto eu , como foi o caso hoje , vou

 simplesmente falar wishful thinking e pronto .
 Se estiver com algum que no

 fale ingls , vou ter que parar e explicar o conceito , vai demorar um tempo , 

 um saco .

 Multipliquem esse processo duzentas mil vezes ao longo de um nico dia e vo

 entender porque , entre si , bilngues falam um dialeto que mistura as duas

 lnguas .

 A mente  como um rio , que corre sempre pelo caminho de menor resistncia .
 Toda

 lngua tem certas palavras e conceitos intraduzveis , que no existem em outros

 idiomas .

 O ingls , por exemplo , no tem sinnimos precisos para dois verbos bsicos do

 portugus , namorar e conseguir .
 Dating e managing so aproximaes toscas , que

 at do pra usar , mas que no transmitem o mesmo conceito .
 Se eu estiver

 conversando com um americano que eu sei que fala portugus , eu vou falar

 namorar e conseguir em portugus mesmo , assim como diria wishful thinking e

 hindsight para um brasileiro que falasse ingls .

 No me conformo que portugus no tenha palavra pra hindsight .
 Como discutir

 Histria sem falar de hindsight ?

 At hoje , a minha verdadeira lngua-me  o portugls .
 Falar s portugus ou s

 ingls exige um certo esforo , tanto de concentrao mental , pra no escapar

 inadvertidamente uma palavra na outra lngua , como de traduo mental , pra

 verter os conseguir em manage e os wishful thinking em acreditar no que se quer

 que acontea .

 Totalmente  vontade mesmo , eu s me sinto mesmo quando converso com algum que

 fala a mesma lngua que eu , algum com quem posso pular  vontade do portugus

 pro ingls e vice-versa .

 Antes que venham dizer que isso  colonizao do ingls malvado , no  no .

 O fenmeno se repete entre quaisquer bilngues de quaisquer lnguas .
 Eles vo

 sempre falar em um dialeto misturado das duas lnguas que dominam .

 Quando essa situao se repete com um nmero suficientemente grande de pessoas ,

 ao longo de um perodo de tempo suficientemente longo , o que acontece  o

 nascimento de uma nova lngua .

 Ns deveramos saber disso , pois a nossa lngua nasceu assim .

 A Histria da Lngua Portuguesa , Verso Reader's Digest

 Primeiro , foram os romanos , que tomaram a pennsula ibrica .
 L no cantinho

 oeste , na Lusitnia , ao redor de Olissipo ( ou seja , cidade de Ulisses ) , os

 nativos falavam um dialeto que at hoje  meio misterioso .
 Com a conquista , os

 lusitanos tiveram que aprender latim .
 Como hoje , alguns aprenderam a lngua do

 conquistador para melhor servi-lo e outros para melhor combat-lo .

 ( Os lusitanos no se renderam fcil .
 O primeiro grande heri portugus foi

 Viriato , que lutou contra os romanos sem dar trguas , at ser morto em uma

 emboscada .
 Mas ningum no Brasil sabe disso , ento bola pra frente , e um abrao

 carinhoso para os meus muitos leitores portugueses. )

 Os jovens lusitanos cresciam bilngues : falavam sua lngua nativa ancestral e

 falavam tambm o latim .
 Quando conversavam entre si , com certeza , misturavam as

 duas lnguas tanto quanto eu e os meus colegas misturamos o ingls com o

 portugus .
 E , claro , havia centenas de termos que s existiam em latim : no

 imagino que a lngua da tribo mais afastada da Europa tivesse palavras pra

 aqueduto , legio ou tribunal .
 Com o tempo , essa lngua misturada virou o av do

 portugus .

 Antes disso , ainda sofreu as influncias do conquistador seguinte , os rabes , e

 tambm dos eternos amigos , irmos e inimigos , os hispnicos .
 S ento , com a

 independncia de Portugal , no sculo XII , esse dialeto ganhou status de lngua

 ( afinal , uma lngua nada mais  do que um dialeto com exrcito ) e , s com as

 grandes navegaes e a inveno da imprensa , o portugus se solidificou em algo

 prximo do atual .

 E a lngua do imprio , quem diria , acabou morrendo .
 Como qualquer pai , vive

 somente atravs dos seus filhos .

 Assim sempre aconteceu e continuar a acontecer .

 As Novas Lnguas

 Hoje , o imprio  outro .
 Tirando isso , tudo continua igual .

 Por sua enorme influncia econmica e cultural , a lngua dos Estados Unidos vem

 se impondo ao mundo .
 Mais e mais , cidados de todas as partes aprendem ingls .

 No h como fugir disso .
 Tanto pra lamber suas botas mais eficientemente como

 para tentar destru-los , voc precisa falar a lngua de quem manda .

  enorme o nmero de pessoas que , como eu , so fluentes em suas lnguas nativas

 e em ingls .
 Isso no quer dizer que somos entreguistas ou lambe-botas .
 Afinal ,

 eu poderia estar escrevendo em ingls e , quem sabe , isso aumentaria minhas

 chances de sucesso , de ganhar dinheiro e de atingir mais leitores .
 Ainda no

 descartei totalmente essa hiptese , mas por enquanto ainda estou aqui ,

 batalhando todo dia na ltima flor do lcio .

 Mantida a atual tendncia , ao longo dos prximos 200-300 anos , muitas lnguas

 nacionais devem se fundir ao ingls .
 No seria impossvel que a lngua do

 Brasil passe a ser o portugls , no Mxico , o spanglish , e assim por diante .

 O processo j est acontecendo .

 A Holanda tem uma populao cultssima e um idioma nacional muito pouco falado

 no exterior .
 Como me disse uma fiel leitora que mora l , a lngua holandesa 

 que nem pijama : s se usa em casa .
 Por isso , l todos falam ingls

 fluentemente .
 Fluentemente mesmo .
 Filmes americanos passam sem legenda .
 Os

 holandeses , nada bobos , sabem que quem s fala holands tem horizontes

 profissionais e pessoais muito limitados .

 Pases como a Holanda vo liderar o processo : sero os beros dos primeiros

 dialetos da Era Americana .
 Englush ?
 Dutchglish ?
 Whatever ...

 E quanto ao Brasil ?

 Brasileiro No Sabe Falar Ingls

 Quanto ao Brasil , o Aldo Rabelo ( e seus bisnetos ) podem dormir tranquilos :

 ningum aqui fala chongas de ingls .

 Alis , isso  quase inacreditvel .

 Eu dou aulas em um curso de ingls .
 Meus alunos adolescentes fazem aulas de

 ingls duas vezes por semana na escola e ainda estudam ingls pro vestibular .

 Alm disso , foram to condicionadas a achar que ingls  vital para o sucesso

 na vida que pagam por fora cursos de ingls carssimos .
 Ou seja , estudam ingls

 quase todos os dias .
 Mais ainda , so , em sua grande maioria , totais colonizados

 culturais : praticamente s consomem cultura americana , seja na forma de

 videogames , filmes , gibis , sites .

 No acho que os brasileiros devam ou no devam aprender ingls .
 Essa questo 

 para cada um responder de acordo com seus objetivos pessoais e profissionais .

 O que me espanta  outra coisa .
 Como pode uma populao ser to exposta a uma

 lngua e ainda assim no conseguir falar nem os seus rudimentos mais bsicos ?

 Ento , relaxem : para o portugus virar portugls , a populao teria que ser

 majoritariamente bilngue , e estamos muito , muito longe disso .

 Caso o cenrio poltico mude no futuro prximo e os EUA caiam de sua posio

 hegemnica , pode nunca acontecer .
 Se as coisas continuarem como esto , 

 provavelmente inevitvel , mas s no futuro longnquo .

 Ningum aprende ingls de sacanagem , para foder o portugus .
 Voc aprende uma

 lngua por achar que isso vai te acrescentar alguma coisa .

 Mas , se voc quiser ajudar a reverter o processo , simples : tire seu filho do

 IBEU .

 As Lnguas , Antes e Depois da Imprensa

 Outro motivo para o Aldo Rabelo ficar tranquilo : as lnguas hoje mudam muito

 menos e muito mais devagar do que mudavam antigamente .

 Para todos os fins e efeitos , o portugus e o ingls de hoje so os de cerca de

 1500 .
 No   toa que os falantes atuais de ambas as lnguas ainda conseguem

 ler Cames e Shakespeare .
 Autores apenas um pouco mais antigos j so bem mais

 difceis de entender .
 O que mudou no crucial sculo XVI ?
 A imprensa .

 Pensem no mundo de hoje .

 As foras dinmicas da lngua so os jovens e os incultos .
 So essas pessoas

 que criam as novas palavras ou que , atravs de erros e abreviaes , modificam a

 lngua .
 Foi assim que Vossa Merc virou vosmic , depois voc e , daqui a pouco ,

 vai virar c ou vc .
 Tambm foi assim que o significado de sinistro passou de

 ttrico para muito legal .

 As foras conservadoras da lngua so os gramticos e as pessoas cultas de modo

 geral .
 Essas pessoas no querem saber se todo mundo escreve " num " ou usa ter no

 sentido de haver : elas vo continuar escrevendo " em um estacionamento , h

 carros " e pronto .
 No admitem erros ou neologismos : essa  a turma que torceria

 o nariz para chofer e que at hoje ainda usa correio eletrnico .

 Se o primeiro grupo for dominante , a lngua entra em colapso : ela mudaria

 muito , e rpido demais , e ficaria totalmente despadronizada , as diferenas

 regionais se multiplicariam , acelerando o processo de fragmentao em dialetos .

 Se o segundo grupo for dominante , a lngua tambm entra em colapso : de to

 engessada e sufocada , ela se asfixia .
 No anda , no muda , no se abre para

 influncias .
 No fim , a lngua morre de solido .

 Pensem agora no passado no to distante .

 Os falantes de qualquer lngua eram , em sua enorme maioria , pessoas incultas e

 analfabetas , que mudavam o idioma  sua bel-ignorncia .
 Os elementos mais

 letrados e cultos ( a fora conservadora de qualquer lngua ) eram uma nfima

 minoria , incapazes de influenciar os rumos da lngua falada pelo grosso da

 populao .

 Enquanto a lngua culta , sob tutela de meia dzia de alfabetizados , permanecia

 razoavelmente inalterada , a lngua falada mudava com uma velocidade de fazer

 inveja  Era da Internet , totalmente descontrolada e ao sabor da ignorncia do

 povo .

 O surgimento da imprensa tambm serviu para popularizar a palavra escrita , que

 deixou de ser apenas coisa de profissional .
 Agora , havia um padro para a

 lngua , impresso , concreto , mais acessvel .

 As lnguas atuais so quase que como um instantneo tirado das lnguas como

 estavam em 1500 .
 Elas continuaram mudando , claro , mas , comparado ao ritmo

 pr-1500 , as mudanas praticamente se arrastam .
 Muitas novas palavras , claro ,

 pois  necessrio descrever novos conceitos , mas a lngua , em si , continua

 praticamente inalterada .

 A imprensa dificultou enormemente o processo de surgimento de novas lnguas .

 Hoje , se as foras dinmicas tentarem puxar a nossa lngua para perto do

 ingls , as foras conservadoras vo ter como puxar de volta , vo ter gramticas

 e dicionrios com a norma culta do portugus para servir de comparao .

 Os gramticos das tribos lusitanas , se houvesse algum , estariam mortos de

 inveja .

 A Lngua Portuguesa Deve Ser Defendida ?

 Vrios dos meus leitores dizem que a lngua portuguesa precisa ser defendida .

 Pra comear , voc s defende alguma coisa de algum perigo .
 Mas o que  um

 perigo para uma lngua ?
 Em outras palavras , antes de saber se a lngua tem ou

 deve ser defendida , a pergunta  : defendida do qu ?

 Segundo meus leitores mais xenfobos / puristas ( como sempre , escolha o termo de

 sua preferncia ) , o perigo mais grave que ameaa a frgil existncia da ltima

 flor do lcio  influncia excessiva do ingls .
 Falam hoje a mesma coisa que

 falava-se h um sculo do francs e , talvez , que os lusitanos primitivos

 falavam do latim .

 Resta saber : isso  um perigo mesmo ?
 Por qu ?

 O pior que pode acontecer  , em alguns sculos , e somente caso a influncia do

 ingls continue preponderante , que o portugus una-se ao ingls para formar uma

 nova lngua , assim como os dialetos lusitanos se uniram ao latim para formar o

 portugus .

 Isso  algum fim do mundo ?

 Pelo contrrio ,  a evoluo natural de qualquer lngua , que continua vivendo

 atravs de suas contribuies  lngua-filha , como um pai continua vivendo

 atravs da contribuio gentica que passa ao seu filho .
 O latim pode estar

 morto , mas vive cada vez que falamos a priori ou ad hoc .
 Alis , de certo modo ,

 em termos de influncia cultural e lingustica , o latim est mais vivo do que o

 holands , por exemplo .

 Estudo de Caso : Manual de Redao

 Trabalhei no departamento editorial de uma empresa multinacional

 latino-americana .
 Tudo na empresa era sempre em espanhol , ingls e portugus .

 Um dos meus trabalhos foi redigir um glossrio e um manual de redao , para

 padronizar a ortografia dos documentos em portugus .
 A empresa no tinha

 preferncia entre email , e-mail ou correio eletrnico , por exemplo , mas era

 necessrio convencionalizar somente uma delas .

 Coube  minha equipe decidir , por exemplo :

 Digitalizador ou scanner ?
 Scanner .

 Printar ou imprimir ?
 Imprimir .

 Deletar , apagar ou excluir ?
 Excluir .

 A primeira regra era : respeitar os falantes .

 Se todo mundo usa e-mail / email , no seramos ns a impor a expresso correio

 eletrnico aos usurios .
 Se as pessoas usam scanner ao invs de digitalizador ,

 devem ter alguma razo que no cabia a ns questionar , s acatar .
 Tentvamos

 sempre escolher a opo mais disseminada .

 A segunda regra era : caso no exista nenhuma palavra j consagrada , preferir a

 palavra com raiz portuguesa .

 Eu , pessoalmente , acho printar e deletar ridculos .
 Se fossem consagrados , eu ,

 infelizmente , no teria tido como vet-los .
 Mas como muitas bravas almas ainda

 falam imprimir , apagar e excluir , escolhemos imprimir para a primeira e excluir

 para a segunda , porque excluir tambm  a palavra usada nas verses em

 portugus dos programas da Microsoft .

 Apesar de nossos esforos para sempre puxar a sardinha para o lado do

 portugus , ficou claro que ningum fala scanner de sacanagem , pra foder o

 portugus .

 Uma lngua no  um smbolo nacional que tiramos da gaveta somente em datas

 comemorativas , um Braso da Repblica ou um Hino  Bandeira .
 Uma lngua no 

 algo que deva nos causar amor ou mesmo orgulho .

 Temos orgulho de nossos martelos ?
 No , nossos martelos tm apenas que enfiar os

 pregos na parede e , se fizerem isso , j est bom demais .

 Pois uma lngua nada mais  do que um instrumento , um instrumento vivo e

 orgnico , que tem que ser fcil de usar todos os dias e cuja existncia s faz

 sentido se estiver afinado s necessidades concretas dos seus usurios

 O Falante Sempre Tem Razo

 O leitor portugus Joo Paulo escreveu :

 " Hoje em dia , com a Internet e as SMS os midos comeam a escrever desde muito

 cedo e no se preocupam em escrever correctamente , desde que se perceba o que

 querem dizer ( ainda que isso seja muito relativo , vejam s o dialecto do " blog

 da menina morta " ) .
 Muitas vezes a desculpa deles  que escrevem depressa e por

 isso no se preocupam com os erros .
 Talvez deva lembrar George Orwell no seu

 livro 1984 ( esse que deu origem ao termo " Big Brother ) : Nessa sociedade

 futurista ( ironia do destino , ns em 2003 a ler histrias futuristas de 1984 ) ,

 estava em desenvolvimento uma nova lngua com o objectivo de ter o menor nmero

 de palavras possvel .
 A ideia nessa sociedade oprimida era que quanto menos

 palavras tivessem para exprimir os seus sentimentos , menos se preocupavam com

 eles .
 Da que transformassem duas e trs palavras numa s e eliminassem todo o

 tipo de sinnimos .
 O curioso  que as recentes linguagens SMS ( que , essas sim ,

 cresceram vertiginosamente , at j h dicionrios dedicados e tudo ) adoptam a

 mesma filosofia minimalista .
 Ser que essas possam evoluir para uma lngua com

 um nmero mnimo de termos , restringindo a sua prpria expressividade , mesmo

 sem um Big Brother a controlar ?
 "

 No acho que seja caso de se preocupar .
 Os falantes modificam a lngua de

 acordo com as suas necessidades .
 Os internautas de hoje tm pressa e , talvez ,

 tenham menos a dizer .
 O contedo no vem ao caso .
  uma questo , realmente ,

 filosfica : a lngua pertence ao falante e ele , assim como o fregus , est

 sempre certo .

 Em outras palavras , no  questo de pensar se novos dialetos , como o da menina

 morta , so certos ou errados , nocivos ou inovadores .
 Por definio , se esto em

 uso e , principalmente , se esto em uso por uma grande parcela da populao , 

 porque esto respondendo a algum tipo de necessidade por parte dos falantes .

 Cabe a ns tentar descobrir : por qu ?

 Legislar a Lngua

 No incio de Jurassic Park , o matemtico adverte que a vida no pode ser

 contida .
 Life finds a way , ele diz .

 A lngua tambm  viva .
 A lngua tambm no pode ser contida .
 A lngua tambm

 vai encontrar um jeito .

 Por isso , qualquer lei sobre a lngua ser sempre objeto de piada .
 A lngua no

 pode ser legislada .
 Como vigiar ?
 Como multar ?
 Como punir ?
  ridculo demais .

 A lngua  de todos , inclusive nossa , minha e sua .
 Se discordamos desses novos

 rumos da lngua , tambm temos o direito de puxar a lngua para o nosso lado .

 Mas no vai ser impondo leis impossveis de se cumprir que faremos isso , mas

 sim tentando compreender o que motiva essas mudanas e neologismos que

 repudiamos .

 Compreenso  sempre a melhor arma .

 Por que os adolescentes esto escrevendo coisas como : " comentem pq eu to de kra

 com vcs q ngm mais lembra di mim ...
 " Por que as pessoas usam delivery ao invs

 de entrega ?

 No sei .
 Mas o falante sempre tem razo .
 Alguma vantagem eles devem ter ou , no

 mnimo , perceber nessa mudana .
 A nossa questo  : qual ?

 Adolescentes constroem sua identidade em oposio ao mundo .
 Provavelmente ,

 criar uma nova lngua cada vez mais ininteligvel aos adultos faz parte desse

 processo .

 Pode ser que o lojista ache delivery mais sonoro que entrega em domiclio .
 Pode

 ser , simplesmente , que ele ache que usando uma palavra inglesa sua loja vai

 parecer mais sofistica e moderna .
  um motivo babaca ?
 Com certeza .
  um motivo

 vlido ?
 Com mais certeza ainda .
 Usar palavras em ingls , hoje em dia , no

 destaca mais ningum na multido , mas enfim .
 A lngua tambm  dele .

 No cabe ao Congresso proibir o lojista de fazer delivery ao invs de entregas

 em domiclio .
 Cabe a ns , se quisermos , tentar entender porque ele usa essa

 palavra .

 A Lngua Como Cultura

 Lngua  cultura .
 Lngua que tem uma cultura forte por trs no precisa ser

 defendida de nada .

 Os defensores da dublagem disseram que ela  necessria para a manuteno da

 lngua :

 " Ela  necessria para a manuteno da lngua , Alexandre !
 Se todo filme ,

 seriado , documentrio e sei l o que mais que entrar no Brasil s tiver a sua

 verso original veiculada no pas , aonde vai parar a Lngua Portuguesa ?
 Vamos

 versar ingls , espanhol , italiano ...
 e o pobre do " portugus " , j adoentado ,

 vai virar lngua morta. "

 Isso  ridculo .
 No vai ser a difuso da cultura estrangeira em verso

 original que vai afundar o portugus .
 Se o portugus afundar , vai ser por falta

 de criao em lngua portuguesa .

 Se todos os filmes do mundo passarem dublados aqui , mas no houver novos

 filmes , novos livros , novas msicas , no vai adiantar nada .
 No vai haver o que

 salvar .

 E , se houver uma produo prpria e inovadora em portugus , ento os filmes ,

 livros , msicas em portugus iro conviver harmoniosamente com os filmes ,

 livros e msicas em alemo , japons , ingls , espanhol , etc etc .

 Quando defendi as legendas sobre a dublagem , me acusaram de ter baixa

 auto-estima , que eu no amava o portugus .
 Pois eu respondo : quem acha que a

 lngua portuguesa est doentinha , ou em perigo ,  que tem baixa auto-estima ou ,

 no mnimo , no conhece outras lnguas e outras culturas .

 Televiso

 O Brasil foi , durante muitos anos , o maior exportador mundial de programas de

 televiso .

 Durante toda a dcada de oitenta , por exemplo , quando eu j ouvia esse papo

 babaca de defender o portugus , a Rede Globo , sozinha , exportava mais novelas

 do que todas as redes de TV americanas juntas .
 Essa liderana s foi perdida no

 comeo da dcada seguinte e , mesmo assim , como todo mundo sabe , ainda estamos

 muito perto do topo .
 Na verdade , no foi nem a Globo que caiu , foram os

 americanos que comearam a vender programas para pases ex-comunistas .

 Voc chega em qualquer pas do mundo hoje e as pessoas vm te perguntar quem

 matou Odete Roitman ou se o Roque Santeiro vai mesmo ficar com a Viva Porcina .

 Nossa histria , nossos costumes , nosso cotidiano so parte do dia-a-dia de

 pessoas em centenas de pases .

 Msica

 Tirando os Estados Unidos , que obviamente no contam , o Brasil e o Japo so

 hoje praticamente os nicos pases que consomem mais msica domstica do que

 estrangeira .

 Aqui , a gente escuta tante msica brasileira que se gente esquece que , em quase

 qualquer outro pas , a porcentagem de msica domstica vendida  mnima .

 Falando de memria , acho que na Alemanha , de todos os CDs vendidos , s cerca de

 5 % so de msica alem .
 No resto da Europa , os nmeros so parecidos .

 Alm disso , nossa msica tambm vendo muito no exterior .
 Desde o Sepultura ,

 lder no seu nicho , at a bossa nova clssica , incluindo tambm a mais recente

 produo da mpb , nossa msica  uma das preferidas por ouvintes refinados de

 todo o mundo .

 Cinema

 Os moleques no vo lembrar mas j houve muito preconceito contra o cinema

 nacional .
 Eu tinha amigos que eu chegava , descrevia o filme , gostavam da

 sinopse , descobriam que o filme era brasileiro e no queriam mais ir .
 S porque

 era brasileiro .

 Hoje em dia , por tudo o que escuto ,  o inverso que anda acontecendo .
 Quem sai

 de casa para ver Lisbela e o Prisioneiro , Carandiru ou O Homem que Copiava ( pra

 ficar s da safra 2003 ) j sabe que se trata de filmes com excelente padro de

 qualidade .

 Literatura

 Nas listas dos mais vendidos , h sempre muitos livros brasileiros , quando no a

 maioria .
 Os novos romances dos autores mais consagrados so garantia de vendas :

 Rubem Fonseca , Joo Ubaldo , Patrcia Melo , Verssimo .

 A Histria do Brasil tambm nunca sai da lista dos best-sellers .
 A srie de

 Eduardo Bueno sobre nossa descoberta foi lder de vendagem por vrios meses e

 mesmo outros livros de histria muito mais hermticos vendem incrivelmente bem .

 Paulo Coelho ( * ai ai * )  lido e ( * suspiro profundo * ) respeitado em todo o

 mundo .
 Seus livros podem no ser especificamente sobre o Brasil mas , fazer o

 qu ?
 , o homem  patrcio e , agora , imortal .

 Cincia e Tecnologia

 Nesse campo , h exemplos at demais e , como no  a minha rea , no vou poder

 cit-los , mas qualquer tcnico do Embrapa , por exemplo , vai poder desfiar

 vrios feitos cientficos do Brasil na agronomia .

 Mas sei que estudei em universidade federal ao lado de angolanos , moambicanos ,

 cabo-verdianos , uruguaios , bolivianos , e muitos outros , que vieram estudar no

 Brasil buscando uma qualidade de ensino que no encontram em seus pases .

 Tambm sei que trabalhei na Marinha por um tempo e sei que termos construdo ,

 aqui no Brasil , boa parte dos nossos submarinos e mais modernos navios de

 guerra , no  pouca coisa .
 O projeto do submarino nuclear avana devagar , mas

 avana , e j  mais do que qualquer outro pas em desenvolvimento pode dizer .

 Ufanismo

 Ento , me desculpem , mas com essa cultura toda por trs , s sendo muito

 xenfobo , s tendo auto-estima muito baixa , s desconhecendo muito o mundo para

 achar que a lngua portuguesa est combalida apenas porque alguns lojistas da

 Barra da Tijuca insistem em colocar sale e delivery em suas vitrines .

 E , antes que me acusem de patriotismo e ufanismo , esclareo que sou

 anti-patriota e que no amo o Brasil .
 O patriotismo , como j foi exaustivamente

 falado em outro lugar ,  uma priso e das mais imbecilizantes .
 Todos esses

 elogios foram apenas para mostrar que , enquanto cultura , a lngua portuguesa

 no pode ser considerada dbil , combalida ou mesmo em decadncia .

 A Lngua Como Fator de Excluso Social

 A leitora Caia , do grupo Linguistas Brasileiros para a Democracia , discordou de

 praticamente tudo o que escrevi e teve a delicadeza de me dizer isso de forma

 articulada e bem educada .
 Mas ela tocou em um ponto que ainda no havia sido

 levantado aqui : a lngua como fator de excluso social .

 " O problema  que legislar ou no legislar NADA tem a ver com isso e tem tudo a

 ver com um aspecto que TODOS os letrados SEMPRE esquecem : os pobres brasileiros

 no so tradutores experientes nem , sequer , tradutores amadores ...
 e os pobres

 brasileiros no tm meios para SABER o que significam palavras como " hedge " ,

 " accountability " , " benchmarking " , " balanced scoreboard " e coisas e tais .

 Legislar " sobre lngua " e proibir que se publiquem essas ( e outras ) palavras ,

 no Brasil , sem a correspondente traduo ,  o nico meio que ainda se pode

 TENTAR , para evitar que se estabeleam DUAS lnguas , no Brasil : ( a ) uma " lngua

 de rico ou metido-a-rico-que-loves-Miami " , cheia de termos em ingls , e

 totalmente incompreensvel para os pobres ; e ( b ) uma OUTRA lngua , espcie de

 lngua de segunda-classe , na qual jamais se vem os tais palavres , do ( dito )

 ingls das finanas , das tecnologias ou das modas do dia. "

 Caia , visto assim , tudo  fator de excluso social : roupas , escolaridade ,

 vocabulrio , etc .
 Talvez o Rebelo devesse passar outra lei , forando as pessoas

 a usar uniforme , para que as roupas parem de ser um fator de excluso social .

 Os defensores dessa lei poderiam formar um novo grupo : Estilistas Brasileiros

 para a Democracia .

 No  preciso ir muito longe , nem apelar para palavras estrangeiras , para que a

 lngua seja sim um fator de excluso social .

 O Academs , Enquanto Estrutura Ontologicamente Dialtica

 Existem muitos meios de se promover excluso social atravs da lngua sem

 precisar apelar para estrangerismo .
 Por exemplo , usando o Academs .

 Eu sou formado em Histria pela UFRJ , onde aprendi a falar academs

 fluentemente .
 Abomino essa excrescncia lingustica e acho que quem se expressa

 assim  porque est querendo esconder que no tem o que falar .
 Os grandes

 crebros jamais precisaram usar jargo .

 Mas , enfim , se eu quiser , posso usar o academs para humilhar praticamente

 qualquer pessoa .
 Falo frase em cima de frase com hermenuticas e ldicos e

 ontolgicos e dialticos e fao qualquer um se sentir um merda , absolutamente

 ignorante e bronco , sem precisar usar uma palavra sequer em lngua estrangeira .

 Alis , a funo de qualquer jargo  justamente esse , fazer quem est de fora

 se sentir burro , e por isso mesmo so odiosos .

 Alm desse bvio porm , no vejo as pessoas menos instrudas ou mais humildes

 sendo particularmente resistentes s palavras estrangeiras .
 Aqui no Rio , os

 nomes que mais se escutam nas favelas so americanos : Uston , Uelinton , etc .

 Introduo de Palavras Importadas

 Para quem no conhece previamente uma palavra , tanto faz se ela  estrangeira

 ou no .
 Quando eu apresento um scanner pela primeira vez a uma pessoa , tanto

 faz se eu digo : olha , isso  um scanner ou , olha , isso  um digitalizador .
 Ela

 vai associar aquele objeto quela palavra , vai sair usando e pronto .
 Ele no

 vai perguntar a procedncia da palavra .
 O esforo de associar aquele objeto 

 palavra scanner  o mesmo que associ-lo  palavra digitalizador .

 Trabalho com internet e sempre chamei a parte superior da pgina , onde fica o

 logotipo e o banner , de header .
 Um belo dia , fui trabalhar pra um site do

 governo e j aprendi de cara : pro cliente , o nome disso  testeira .
 E pronto .

 Naquele ambiente , passei a usar testeira .
 Alis , adorei testeira .
 S no uso

 sempre por um motivo muito prtico : comunicao .
 No adianta nada eu falar em

 testeira e ningum entender .

 Os Direitos dos Menos Favorecidos

 A leitora Ana Cinderela disse :

 " sim , viva a liberdade lingstica ; mas viva tambm a liberdade do meu

 avozinho , da minha faxineira e da maioria da populao brasileira q no entende

 os letreiros das lojas ; meu pai se sente agredido quando v na Globo um

 " Brasilia Music Festival " ; minha me acha um absurdo ter tanto canal falando

 ingls e ela ser obrigada a ler letrinhas dentro da casa dela , numa tv a cabo

 que ela paga ( s no cancelou ainda por minha causa ) ; acho q no  nem defesa da

 lngua ;  defesa dos direitos dos menos favorecidos. "

 Ana , eu tambm acho um absurdo os letreiros de loja em ingls e acho

 francamente pattico algo chamado Braslia Music Festival ao invs de Festival

 de Msica de Braslia .
 E as crticas da sua me  TV paga so bem vlidas e ela

 devia fazer valer seu direito de consumidora e ou cancelar a assinatura ou

 reclamar .
 Eu sei que cancelei minha NET em junho de 2000 e nunca olhei pra

 trs .

 A questo  que assim como reconheo o direito do seu pai de ficar irritado com

 Braslia Music Festival eu tambm reconheo o direito dos organizadores do

 festival de chamarem seu festival como bem quiserem .
 Podia ser Braslia Music

 Festival e podia ser Bjsyu7eg hguu YYunh .
 O festival  deles , eles botam o nome

 que quiserem .
 O seu pai , voc e eu tambm temos todo o direito de no gostar ,

 no ir e ainda por cima fazer campanha contra .

 Liberdade de expresso  isso .
 Exatamente isso .
 Sem tirar nem por .
 Nunca haver

 uma lei obrigando os organizadores a chamar seu evento de Festival de Msica de

 Braslia .

 Ou voc acha , realmente acha , que a liberdade do seu avozinho s pode existir

 se o organizador do show no tiver liberdade de colocar o nome que quiser em

 seu festival ?
 Se sim , temos concepes bem diferentes de liberdade .

 A Mo Invisvel

 Lngua de Eullia : Novela Sociolingistica , A MARCOS BAGNO Uma vez estava com

 uma namorada e ela quis comprar lingerie em uma loja chamada " Tonight Is The

 Night " , na Barra .
 Eu tanto atazanei que ela desistiu .
 Srio .
 Quer nome mais

 ridculo ?
 No podia ser " Hoje  A Noite " ?
 Aposto que as vendedoras nem devem

 conseguir falar o nome da loja .
 Fomos comprar lingerie em outro lugar .

 O mercado  das foras mais poderosas que existem .
 Ningum rasga dinheiro , nem

 organizador de festival , nem dono de loja de libgerie .

 A grande verdade  que , se a maioria das pessoas realmente no gostasse de

 nomes em ingls e consumisse mais os produtos com nomes em portugus , essa

 mania besta de colocar nomes americanos em tudo j teria acabado faz tempo .

 Infelizmente , as pesquisas de marketing ( mercadagem ?
 ) acabam comprovando que ,

 para a maioria dos usurios , nomes em ingls transmitem fora , sofisticao e

 sei l mais o qu .

 Quem  contra nomes em ingls que evite consumir produtos com nomes em ingls .

 Put your money , literally , where your mouth is .
 Fale com os amigos .
 Escreva

 artigos para os jornais .
 Se voc conseguir convencer gente o sufuciente , talvez

 o prximo festival seja em portugus .

 S no vale querer cercear a liberdade de expresso de uma outra pessoa que tem

 o MESMO direito que voc de colocar o nome que bem quiser em suas coisas .

 A Fora da Lngua Como Sintoma

 A lngua portuguesa no est em perigo , nem estar no futuro prximo .

 Mas e se estivesse ?

 Uma lngua fraca  sintoma de uma cultura morta .

 Se a lngua portuguesa estiver mesmo combalida  porque a cultura brasileira j

 morreu , ou est nas ltimas .
  porque no esto mais fazendo novos filmes , 

 porque as novelas minguaram ,  porque os novos escritores esto preferindo

 escrever em outras lnguas .

 Nesse caso , ser que vale a pena prolongar a vida do moribundo ?

 Eu sou fluente em ingls e portugus .
 Cogitei seriamente escrever meus livros

 em ingls e oferec-los a editoras americanas .
 Por que no ?
 No sculo XIX ,

 muitos escritores brasileiros escreviam direto em francs .

 Mas decidi escrever em portugus .
 Por qu ?

 Porque nossa cultura  forte .
 Porque temos um mercado editorial maduro .
 Porque

 temos bons leitores .
 E tambm porque  melhor reinar no inferno do que ser

 servo no cu e porque  mais fcil se destacar no mercado editorial brasileiro

 do que americano .

 Se fossem outros tempos , eu e muitos outros colegas escreveramos em ingls e

 pronto .
 E essa fuga de crebros ( literalmente , uma fuga de cultura )

 contribuiria ainda mais para a morte do portugus .

 A lngua portuguesa no precisa ser defendida nem mantida .
 Isso ela faz

 sozinha .
 E muito bem .

 A verdadeira polmica deveria ser outra .

 Caso ela algum dia precise ser defendida , ser que deve ?

 Amo a lngua portuguesa , mais at do que talvez devesse , mas no sei se vale a

 pena defender um idioma que j no produz mais cultura digna desse nome .

 Entretanto , fiquem tranqilos : essa  pros nossos tataranetos .

 No deixe de ler Os Dilemas da Traduo , Orgulho de Ser Brasileiro e Sejam

 Grandes !
 , que desenvolvem os temas desse artigo .

 Postada no blog entre Setembro 22 e Outubro 03 , 2003

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 escrevendo na Internet : Lista de Presentes Liberal Libertrio Libertino

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 Prises :

 Patriotismo

 Artigos :

 Diogo Mainardi e o Boi-Bumb

 Os Dilemas da Traduo

 Orgulho de Ser Brasileiro

 Sejam Grandes !
 : Um Manifesto Libertrio

 Mulher de Um Homem S - Download

  possvel homem e mulher serem apenas amigos ?
 Carla , recm-casada com Murilo ,

 precisa lidar com a incmoda proximidade de Jlia , melhor amiga de seu marido

 desde a infncia .

 [ LINK ] 152kb , 50 pgs ( para ler no computador )

 [ LINK ] 152kb , 21 pgs ( para imprimir )

 Antes de se comprometer , leia um trecho ou a apresentao do romance .

 LIBERAL LIBERTRIO LIBERTINO

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 Rebeldia , contemplao e muita sacanagem .
 Um blog pra falar de liberdade e

 literatura .

 O QUE  UM AGENTE LITERRIO ?

 A Pgina da Cultura , a nica agncia literria paulista para autores

 brasileiros , est conduzindo uma pesquisa de opinio .
 Escreva para ns e diga :

 o que acha que  um agente literrio ?

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