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 UNIVERSIDADE INDEPENDENTE

 CURSO DE RELAES INTERNACIONAIS

 CULTURA PORTUGUESA

 23 de Junho , 2000

 2 FREQUNCIA OU EXAME FINAL

 PERODO DE DURAO : 2.30H

 DOCENTE : ALBERTO OLIVEIRA PINTO

 Tenha em conta a alternativa na questo 2 :

 1

 " ( ...
 / ...
 ) atraiu a massemba ( 1 ) , no apenas vares de baixo nvel , mas ainda do

 mdio .
 No apenas gente negra , mas tambm mestia .
 At europeus , na falta dos

 clubes actuais , nela se comprazeram .

 Deste nmero , graves senhoras , como conselheiros , magistrados , no deixavam ,

 sobretudo nas ocasies de aprimoramento , de assistir , e mesmo , danar .
 A uma

 dessas individualidades - o Dr. Alfredo Trony - inclusivamente se consagrou ,

 numa das cantigas em voga , este irnico dito em quimbundo :

 Tolony kina kia mbote

 Ilumba iala ku muxinda ( 2 ) "

 scar Ribas , IZOMBA ( 3 ) , Associativismo e Recreio , Luanda 1965 , pp. 27 e 28 .

 ( 1 ) Massemba - Dana angolana caracterizada por sembas ou , portuguesmente ,

 umbigadas .
 O mesmo que rebita ( kimbundu , Angola ) .

 ( 2 ) Trony dana bem

 As moas esto na fila

 ( 3 ) Izomba - Plural de kizomba , que significa baile , batucadas ou diverses

 ( kimbundu , Angola ) .

 Como classificaria , enquanto contracultura , a atitude do Dr. Alfredo Trony ?

 Justifique .

 2

 O fado perdeu a raa

 Aquela graa afadistada

 Deixou de ser desordeiro

 E companheiro da ramboiada

 Estes fadistas d'agora

 Trazem o fado virado

 Nos retiros e sales

 Fernando Farinha / Jos Mrio Lopes , Eh !
 P do Fado , ( excerto )

 Comente este texto tendo em conta , quer o que aprendeu sobre a origem e

 transformaes do fado , quer a dualidade cultura popular versus cultura

 erudita .

 2a

 Dou-te amor e carinho

 Dinheiro no tenho

 No sou portugus

 Excerto de um samba de Joo de Barro , Rio de Janeiro , anos 30

 Comente este samba dizendo , segundo a sua prpria experincia , se est de

 acordo ou no com esta maneira de ver os portugueses .
 Acha que eles apresentam

 esta imagem em qualquer parte do mundo ?

 3

 Diga , fundamentando sumariamente , se considera verdadeiras ou falsas as

 seguintes afirmaes :

 a ) " O Prncipe das Orelhas de Burro "  um exemplo tpico de narrativa

 tradicional portuguesa de tipo descendente onde a situao de degradao

 resulta da transgresso de uma interdio comunitria .

 b ) " A Galinha dos Ovos de Ouro "  uma narrativa em espelho .

 c ) " A Histria da Carochinha "  uma narrativa de tipo ascendente .

 d ) As narrativas tradicionais tm sempre origem na passagem do caos ao cosmos ,

 sofrendo todas elas o fenmeno da transformao .

 e ) As narrativas onde aparecem gigantes comedores de gente so resqucios dos

 rituais antropofgicos .

 4

 " Assim aconteceu uma vez a Clio , musa da Histria que , enfadada da imensa

 tapearia milenria a seu cargo repleta de cores cinzentas e coberta de

 desenhos redundantes e montonos , deixou cair a cabea loura e adormeceu por

 instantes , enquanto os dedos , por inrcia , continuavam a trama .
 Logo se

 enlearam dois fios e no desenho se empolou um n , destoante da lisura do

 tecido .
 Amalgamaram-se ento as datas de 4 de Junho de 1148 e de 29 de Setembro

 de 1984 .

 Os automobilistas que nessa manh de Setembro entravam em Lisboa pela Avenida

 Gago Coutinho , direitos ao Areeiro , comearam por apanhar um grande susto , e ,

 por instantes , foi , em toda aquela rea , um estridente rumor de motores

 desmultiplicados , traves aplicados a fundo , e uma sarabanda de businas

 ensurdecedora .
 Tudo isto de mistura com retinir de metais , relinchos de cavalos

 e imprecaes guturais em alta grita .

  que , nessa ocasio mesma , a tropa do almada Ibn-el-Muftar , composta de

 berberes , azenegues e rabes em nmero para cima de dez mil , vinha sorrateira

 pelo valado , quase  beira do esteiro que ali ento desembocava , com o

 propsito de pr cerco s muralhas de Lixbuna , um ano atrs assediada e tomada

 por hordas de nazarenos odiosos. "

 Mrio de Carvalho , A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho , Lisboa , 1983

 Desenvolva um comentrio a este texto de Mrio de Carvalho procurando

 demonstrar que se trata de uma fico histrica ps-modernista .

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 UNIVERSIDADE INDEPENDENTE

 CURSO DE RELAES INTERNACIONAIS

 CULTURA PORTUGUESA

 22 de Fevereiro , 2000

 1 FREQUNCIA

 PERODO DE DURAO : 2.30H

 DOCENTE : ALBERTO OLIVEIRA PINTO

 1

 " ndios so ces em se comerem e matarem , e so porcos nos vcios e na maneira

 de se tratarem. "

 Padre Manuel da Nbrega

 Partindo do pressuposto que a frase acima citada  da autoria de um

 eclesistico portugus , faa um comentrio crtico que no exceda quatro

 pginas .

 Tenha em conta , no seu comentrio , que a palavra ndios  aqui empregue em

 sentido amplo .

 2

 " Com esta famlia era mais complicado , pois por vezes reagiam como brancos e de

 outras at pareciam a nossa gente dos kimbos. "

 A Gloriosa Famlia , Pepetela ( autor angolano ) , Lisboa 1997

 Kimbo - aldeia africana ( kimbundu , Angola )

 Elabore um texto onde ,  luz do que aprendeu nas aulas sobre o modo de o

 portugus estar no mundo , procure caracterizar a famlia aqui mencionada .

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 Cadeira de Cultura Portuguesa - 3 ano , turma C

 Prova de Exame - 22 de Junho de 1999

 Tempo limite para resoluo da prova : 2 horas

 Cotaes : 5 pontos por pergunta

 RESPONDA APENAS A QUATRO DAS CINCO PERGUNTAS SEGUINTES :

 1 .
 Recorde um dos trabalhos apresentados ( necessariamente no o seu , nem de

 tema semelhante ) ; integre-o no programa da cadeira de Cultura Portuguesa e faa

 uma apreciao crtica dos seus contedos .

 2 .
 A Rapsdia Portuguesa : viu o filme , por isso refira em breves linhas o seu

 esprito e a sua inteno .

 3 .
 No captulo " pocas da Cultura Portuguesa " da obra A Cultura em Portugal , A .

 J .
 Saraiva analisa alguns mitos .
 Descreva-os criticamente .

 4 .
 Tambm na mesma obra , no cap .
 " Algumas Feies Persistentes " , A. J .
 Saraiva

 resenha os grandes temas da mentalidade portuguesa .
 Exponha os componentes da

 portugalidade , tendo em conta esse estudo e as aulas a eles dedicadas .

 5 .
  Os mouros livres so protegidos pelos reis conquistadores e colocados

 debaixo da sua proteco contra perseguies de cristos e de judeus .
 O rei , em

 documentos , chama-lhes " os meus mouros " .
 Viviam em bairros prprios , as

 mourarias , segundo a sua lei e costume , governadas pelos seus alcaides eleitos .

 Nelas tinham as suas mesquitas , de que hoje no restam vestgios  ( op. cit. ,

 Livro 2 , p. 25 ) .
 Da segregao ao genocdio cultural , como se diluiu o Islo em

 Portugal ?
 E como retorna hoje ?

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 Cadeira de Cultura Portuguesa - 3 ano , turmas A e C

 Prova de Exame - 12 de Setembro de 1998

 Tempo limite para resoluo da prova : 2 horas

 Cotaes : 5 pontos por pergunta

 RESPONDA APENAS A QUATRO DAS PWERGUNTAS SEGUINTES

 TENDO EM CONTA A OPO NA 2 E 3 :

 1 .
 Defina o conceito " cultura " .

 2 .
 " Culturas alternativas " ou " culturas de main stream " .
 Recorde alguns dos

 trabalhos apresentados que melhor se enquadraram nesta alnea do programa da

 cadeira de Cultura Portuguesa e como trabalharam este tema .

 2 .
 ( a ) Como se formou a cultura portuguesa ?
 Exponha diacronicamente os seus

 elementos de originalidade , bem como as principais influncias exteriores. ]

 3 .
 Uma lngua pode ser estudada quer na sua evoluo histrica quer na sua

 realidade actual .
 De modo sucinto , refira as vrias fases da histria da lngua

 portuguesa salientando igualmente as suas diferenas dialectais mais evidentes .

 3 .
 ( a ) A lngua portuguesa : gnese e evoluo .
 Principais traos fonticos que

 a distinguem do castelhano .

 4 .
 Como se manifesta a componente satrica da " arte de ser portugus " ?
 Resenhe

 os principais autores e obras , aludindo a outras manifestaes no literrias .

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 Cadeira de Cultura Portuguesa - 3 ano , turmas A e C

 Prova de Exame - 26 de Junho de 1998

 Tempo limite para resoluo da prova : 2 horas

 Cotaes :

 Grupo 1 - 2,5 pontos por pergunta

 Grupo 2 - 5 pontos por pergunta

 Grupo 1

 1 .
 Recorde um dos trabalhos apresentados ( necessariamente no o seu , nem de

 tema semelhante ) ; integre-o no programa da cadeira de Cultura Portuguesa e faa

 uma apreciao crtica dos seus contedos .

 2 .
 A " Rapsdia Portuguesa " : viu o filme , por isso refira em breves linhas o seu

 esprito e a sua inteno .

 3 .
 Fazendo uso dos conceitos " popular " , " tradicional " , " oral " , " arcaico " e

 outros , disserte sobre os rimances reportando-se a textos estudados na aula .

 4 .
 Componha um rimance , glosando o seguinte mote :

 ...
 o exame eu escrevendo ,

 de minhas coitas lembrando ...

 Grupo 2

 5 .
 As minorias religiosas em Portugal : exponha o que aprendeu sobre este tema e

 sobre a aculturao de crenas exgenas .
 No haver um contraste entre o

 " encontro de civilizaes " pretensamente proporcionado pelas viagens dos

 portugueses e a sua intolerncia histrica para com religies alheias ,

 comeando pela cruzada anti-islmica de onde saiu o prprio Portugal ?

 6 .
 Desenvolva algumas consideraes pertinentes sobre esta entrevista a

 Agostinho da Silva , publicada no Jornal de Letras de 13.02.90 :

 Agostinho da Silva - Digo : todos os homens no mundo vo acabar por ter a

 cultura portuguesa .
 Ento , eu digo : todos os homens no mundo so os mesmos .
 S

 que eles se meteram em tarefas que os tm afastado da cultura portuguesa .
 Dessa

 tal coisa que eu chamo cultura portuguesa .
 Ao passo que os portugueses tm

 caractersticas fsicas , ou nasceram num certo espao , ou tm caractersticas

 psicolgicas que os livram de se bastardar , de se ter abastardado .

 Tem um exemplo em Portugal : o Fernando Pessoa era to poeta como qualquer de

 ns .
 Ns podemos ser to poetas como ele .
 No somos poetas de fazer versos mas

 somos talvez melhores que ele na poesia de ser vadio : porque ele trabalhava

 muito e ns s vezes se nos livramos disso , tanto melhor , no  assim ?

 Bom , O que  que aconteceu aquele cavalheiro ?
 Aquele cavalheiro , era ele e

 vrios outros .
 Esteve para ser um poeta ingls .
 No foi porque veio desembarcar

 a Portugal e viu que aqui a coisa era mais interessante ; ficou a ser um poeta

 portugus .
 O que  que ele fez ?
 Nunca quis ter profisso nenhuma .

 O grande poema que o Fernando Pessoa escreveu  que nunca teve um bilhete de

 visita com uma profisso debaixo do nome .
 Nunca se quis meter nisso .
 O

 portugus tende a no se meter em nada que destrua a sua capacidade de ser

 tudo .
 Ao passo que um alemo , de repente , afasta a capacidade de ser tudo para

 ser um bom fsico , um bom poeta ...

 Jornal de Letras - Mas essa tendncia para o paradoxo  portuguesa , 

 naturalmente portuguesa ?

 A. S. - Eu a sinto portuguesa ...

 J. L. - Ento no ser mais legtimo chegar  concluso que  uma tendncia que

 h pessoas que tm e pessoas que no tm ?

 A. S. - Pode ser .
 Mas ns no sabemos o bastante das pessoas para as podermos

 separar como quem separa batata podre da outra .
 E nunca sabemos o inesperado

 das pessoas : de repente , um sujeito que parecia que no valia nada , d-lhe uma

 coisa qualquer e o cavalheiro aparece .

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 Cadeira de Cultura Portuguesa - 3 ano , turmas A e C

 Primeira Prova de Frequncia - 18 de Fevereiro de 1998

 Tempo limite para resoluo da prova : 2 horas

 Cotao : 5 pontos por pergunta

 1 .
 Analise um dos seguintes dois trechos do mesmo poema tendo em conta os

 mitemas nacionais :

 J. C. Ary dos Santos , OS SAPATOS

 Enfio os mocassinos do meu tempo nos ps

 e piso a senda lenda dos meus antepassados .

 Hoje , sou eu que passo o cabo das tormentas nos cafs

 quando vomito a ndia nos lavabos .

 Se Egas Moniz foi heri

 duma bravata bonita

 eu sou quem paga o resgate

 da histria que me limita .

 A linda Ins dos meus olhos

 foi reposta em seu sossego

 no h hidroenergia

 que ressuscite o Mondego

 no h barragem que estanque

 o nosso caudal de medo

 no h sonho que levante

 o sonho que  hoje infante

 na ponta dum pesadelo .

 Ai flores Ai flores de lapela

 flores de plstico e de feltro

 filigrana caravela

 que ests cada vez mais perto

 filha de Vasco da Gama

 dado como pai incerto .

 Partem to tristes os ps

 de quem te arrasta consigo

 to andados to modernos

 to vazios de sentido

 to queimados deste inferno

 que tm as solas gastas

 e o caminho pudo .

 Partem to tristes os ps

 de quem te arrasta consigo

 passeiam

 andam

 desandam

 param

 perseguem

 persistem

 caminham

 calculam

 correm

 doem detm desistem .

 Partem to tristes os tristes

 to fora de chegar bem .

 J. C. Ary dos Santos , OS SAPATOS 2

 L vem o teddy-poeta

 que no tem nada a dizer

 filho-famlia do mar

 que lhe morreu ao nascer .

 Parasita das palavras

 que tem no banco a render

 e se gastam , como a voz

 dum povo que vai morrer .

 L vem o teddy-poeta

 que no tem nada a perder .

 Vem numa hora de bruma

 depois do caf com leite

 depois do banho de espuma

 que lava o sal e o cheiro

 a fingir que se levanta

 dum leito de nevoeiro .

 Chega de Alccer Quibir

 com escorbuto na alma

 e morre , mas devagar ,

 neste mar-asma de calma .

 2 .
 Exponha sucintamente a histria da lngua portuguesa , das origens

 ao Renascimento ou , em alternativa , disserte sobre as diferenas

 dialectais portuguesas .

 3 .
 Enumere os momentos histricos e os principais autores que operaram

 a transferncia entre a literatura oral portuguesa e a escrita .

 4 .
 Qual a relao entre genderizao e lngua ?

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 Actualizado a 13 Jun 2005

