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 CMARA DOS DEPUTADOS

 Idioma e Soberania - Nossa Lngua , Nossa

 Ptria

 Os 500 Anos da Lngua Portuguesa no Brasil

 Evanildo Bechara ( terceira parte ) - Da latinidade  lusofonia

 Um dos caminhos menos formais de se entrar na histria da lngua portuguesa

 como veculo da lusofonia , sem empenhar o rigor do mtodo histrico e

 lingstico-filolgico da disciplina cientfica ,  penetrar na mensagem

 extraordinariamente feliz contida no soneto de Olavo Bilac em honra e ufania do

 nosso idioma :

 Lngua portuguesa

 ( Olavo Bilac )

 ltima flor do lcio , inculta e bela ,

 s , a um tempo , esplendor e sepultura :

 Ouro nativo , que na ganga impura

 A bruta mina entre os cascavalhos vela ...

 Amo-te , assim , desconhecida e obscura ,

 Tuba de alto clangor , lira singela ,

 Que tens o trom e o silvo da procela ,

 E o arrolo da saudade e da ternura !

 Amo o teu vio agreste e o teu aroma

 De virgens selvas e de oceano largo !

 Amo-te ,  rude e doloroso idioma ,

 Em que da voz materna ouvi : " meu filho !
 "

 E em que Cames chorou , no exlio amargo ,

 O gnio sem ventura e o amor sem brilho !

 ( Poesias , 286 )

 Flor do Lcio

 Cabe primeira referncia  " Flor do Lcio " , mediante a qual nosso poeta alude 

 origem latina do portugus .
 O Lcio era uma pequena e desvalida regio s

 margens do rio Tibre , povoada por humildes pastores que lutavam para vencer as

 dificuldades oferecidas por uma terra pantanosa e insalubre .
 Esta condio de

 comunidade rural vai deixar marcas profundas no lxico do latim , como veremos

 mais adiante .

 Nessa poca a Pennsula Itlica agasalhava povos das mais variadas origens ,

 indo-europias , como o osco e o umbro , e no indo-europias , como os etruscos .

 O latim era um modesto dialeto de pastores que fundaram Roma e que viviam numa

 pequena regio do Lcio , s margens do rio Tibre , cercado pelos dialetos

 itlicos e pelo etrusco .
 Estes pastores tiveram de lutar para vencer

 dificuldades advindas de uma terra insalubre e pantanosa e , a pouco e pouco ,

 foram dominando as comunidades vizinhas e se preparando para o grande destino

 que desempenharia no futuro do mundo ocidental .
 Mas antes de chegar a este

 apangio , veculo dos encantadores discursos de Ccero , da heroicidade descrita

 por Virglio , dos tons plangentes de um Horcio ou das juras amorosas de um

 Catulo , o latim era um modesto veculo do contedo de pensamento de humildes

 pastores , condio refletida no seu vocabulrio ligado  terra e a fertilidade

 do solo .
 Marouzeau , latinista francs dos melhores , nos apresenta vrios

 exemplos : arbor felix ( ` rvore feliz ' )  aquela que produz frutos ; a

 honestidade do homem se chama homo frugi ( ` de boa produo ' ) passando ao

 significado moral de probidade ; ou ento  comparado ao animal de bom preo que

 se destaca do rebanho : homo egregius ; a decadncia do homem  comparada ao

 fruto que cai : homo caducus ( de cadere ` cair ' ) : ao ato de enganar-se dizia-se

 delirare , que significava originalmente sair do rego , do sulco que em latim se

 chamava lira ( delirare , que caiu fora da lira ) ; ao que se debate pelo direito

 ao mesmo canal de irrigao  o rivalis ( = port. rival , derivado do latim

 rivus , ' rio ' ) .
 At palavras que servem  prtica da vida literria tm origem

 rural ;  o caso , por exemplo , de escrever , latim scribere , que significa

 ' gravar ' , ' fazer uma inciso ' ; o ato de falar , o discurso , se dizia sermo , de

 serere ' entranar ' ; ler se dizia em latim legere , que significava ' colher ' .

 Mas s vezes a explicao exige anlise mais profunda .
  o caso de se dar como

 exemplo de palavra da lngua comum de origem da atividade rural o termo pecus

 ' gado ' que d o derivado pecunia com o significado de ' dinheiro ' .
  um dos

 exemplos de Marouzeau , que se v repetido noutras ocasies .
 Ora , Emilio

 Benveniste , um dos maiores lingistas deste sculo , mostrou  sociedade que

 pecus significou originariamente ' o conjunto da posse mvel privada , tanto

 homens quanto animais ' , ' riqueza mvel ' , e que , s por especializao de

 significado , pecus passou a designar o ' gado ' .
 Todos os autores da latinidade

 antiga e clssica no autorizam o estabelecimento de um elo entre pecunia e

 pecu ' rebanho , gado ' ; pecunia significa sempre ' fortuna , dinheiro ' , numa prova

 evidente de que o primitivo pecu significa ' posse mvel ' .
 O mesmo se h de

 dizer de peculium ' posse ou economia do escravo ' , evidenciando que o

 significado do primitivo pecu no se refere especialmente a ' gado ' .
  ,

 portanto , uma lio que deve ser alterada nos manuais de semntica histrica .

 ltima flor do Lcio

 Se j estamos em condies de entender por que Bilac chamou o portugus " flor

 do Lcio " , ainda no conseguimos entender a motivao que levou o poeta a

 classific-lo " ltima " flor do Lcio .
 Sem sombra de dvida , no havia no

 adjetivo a aluso  condio qualitativa a que no grupo das lnguas romnicas 

 das menos estudadas .
 Esta soluo no  de todo impossvel , se nos reportamos a

 que o poeta , em versos abaixo , no deixa de salientar ser a nossa lngua

 " desconhecida e obscura " ou , mais adiante , "  rude e doloroso ( = que acompanha

 a dor ) idioma " .
 Bilac era um apaixonado da lngua portuguesa , considerada por

 ele talvez o trao mais fundo da identidade nacional , e , numa conferncia

 proferida no Centro de Letras , em Curitiba , em 1916 , repetia uma afirmao do

 nosso primeiro gramtico , Ferno de Oliveira , em 1516 , que dizia que " os homens

 fazem a lngua , e no a lngua os homens " : " O povo , depositrio , conservador e

 reformador da lngua nacional ,  o verdadeiro exrcito da sua defesa : mas a

 organizao das foras protetoras depende de ns : artfices da palavra , devemos

 ser os primeiros defensores , a guarnio das fronteiras da nossa literatura ,

 que  toda a nossa civilizao " ( ltimas Conferncias e Discursos , Rio de

 Janeiro , Livraria Francisco Alves , 1927 , pg. 208 ) .

 Outra soluo , a nosso ver plausvel ,  a que se pode atribuir ao adjetivo

 " ltima " o significado locativo : situada a antiga provncia Lusitnia na parte

 mais ocidental no s da Pennsula Ibrica , mas tambm do orbe romano

 ocidental , era natural que l tivessem chegado por ltimo os generais , os

 soldados , os colonos , os comerciantes e toda a sorte de integrantes da

 sociedade romana , para lanar as razes de sua civilizao .

 Se esta foi a verdadeira motivao pretendida pelo poeta , no lhe d razo a

 histria da expanso romana , e Bilac , a confirmar a hiptese , imaginou a

 expanso atravessando o rio P ou dige e caminhando em direo do Norte ,

 penetrando na atual Sua pelos Alpes , chegando ao Sul da Frana , atravessando

 os Pireneus e , internando-se pela atual Espanha , rumou em direo  regio mais

 ocidental da pennsula para acabar no atual Portugal .

 Este trajeto jamais estaria na estratgia de um general romano , j que por a

 encontraria dois inimigos ento quase invencveis : o terreno extremamente

 montanhoso dos Alpes que prejudicaria a caminhada dos soldados e dos artefatos

 de guerra provenientes de Roma .
 O exrcito romano s iria beneficiar-se desses

 recursos depois do contato com os gauleses , hbeis na engenharia de estradas e

 de carros .
 No  sem razo que o lxico do latim acusa numerosos emprstimos

 aos gauleses nessa rea de atividade : carrus , benna carpentum , petorritum ,

 plexenum , todos denominaes de diversos tipos de viaturas , alm de cant ( h ) us

 " roda " .

 O outro inimigo , que nos tempos modernos , em outros stios derrotou o exrcito

 de Napoleo e parte do de Hitler , seria o frio .
 No Norte da Pennsula Apenina

 esto os Alpes italianos e suos que descorooariam qualquer investida

 militar .
 Destarte , temos de voltar  verdadeira orientao da expanso romana

 at chegar  Pennsula Ibrica .

 Apesar das circunstancias inspitas do terreno s margens do Tibre , o Lcio

 gozava de feliz situao geogrfica , pois , instalada numa regio de intensas

 rotas de trfego comercial , permitia a comunicao entre a Itlia do Norte e a

 do Sul .
 Depois , houve um perodo de submisso aos etruscos - - submisso que , do

 ponto de vista de progresso material lhes foi proveitosa , uma vez que a

 dinastia dos Tarquneos deu novo alento  regio e fundou a cidade de Roma ,

 nome que , ao que parece ,  de origem etrusca , e , alm de exercer sobre os

 latinos influncia na religio e no campo das artes divinatrias , foi por

 intermdio dos etruscos que o alfabeto latino , de origem mais prxima grega ,

 chegou aos romanos .

 Pela razo antes exposta , a expanso territorial dos romanos caminhou rumo ao

 Sul , depois de lutar e subjugar as comunidades mais prximas a Roma .
 Estas

 vitrias sobre as populaes s margens do Mediterrneo levaram os romanos a

 defrontar-se com os cartagineses , habitantes de Cartago , regio ao Norte da

 frica , e senhores quase absolutos do comrcio martimo mediterrneo .
 Foram

 duras lutas , ora vencidas , ora perdidas , que acabaram por dar a vitria final

 aos generais de Roma , durante a terceira guerra pnica , no sculo II a.C. ;

 estava assim aberto o caminho para a conquista do Sul da Pennsula lbrica ,

 pela atual Espanha .
 O Mediterrneo bem mereceu dos romanos o ttulo de mare

 nostrum .

 Assim , o latim penetrou como lngua do conquistador na Hispania , no ano 197

 a.C. , e da em diante outras regies passaram a engrossar o imprio romano , a

 tal ponto que a Histria no conheceu outro povo de to larga e profunda

 dominao : Illyricum , em 167 ; frica e Achaia ( nome da Grcia ) , em 146 ; sia

 ( isto  , sia Menor ) , em 129 ; Gallia Narbonensis ( isto  , a antiga Provena ,

 nome originado de provncia , por ser a provncia por excelncia ) , em 118 ;

 Gallia Cisalpina , em 81 ; Gallia Transalpina , em 51 , depois da campanha de Jlio

 Csar , a respeito da qual escreveu o De bello Gallico ; Aegyptus , em 30 ; Rhaetia

 e Noricum , em 15 ; Pannonia , em 10 d.C. ; Cappadocia , em 17 ; Britannia , em 43 e

 finalmente a Dacia ( regio onde hoje se situa a Romnia ) , em 107 .

 Por este quadro , v-se que a atual lngua portuguesa , de procedncia

 originariamente galega , no poderia ser , com toda certeza , a " ltima " flor do

 Lcio , embora a romanizao da Pennsula lbrica tivesse levado dois sculos

 para completar-se definitivamente .

 Cabe lembrar , para concluir este comentrio , que algumas provncias

 conquistadas , especialmente as mais longnquas e as de menor interesse

 comercial ou estratgico , nunca foram totalmente romanizadas , enquanto outras ,

 como a Britannia ( = Inglaterra ) , conheceram um domnio muito curto , mas de

 penetrante influncia cultural .
 Assim , chegamos a poder afirmar que a lngua

 portuguesa foi das primeiras a se formar no quadro das lnguas romnicas ; como

 afirmou o notvel romanista Gustavo Grber , o incio de cada lngua romnica

 teve lugar no momento em que o latim foi transplantado para as regies

 conquistadas e a entrou em contacto com o substrato cultural de diferentes

 povos e , ora mais rgidos , ora mais lassos os cordes ligados ao poder central

 de Roma , os conquistadores se foram diferenando do primitivo latim .

 Esta presena muito cedo do latim na Pennsula Ibrica  responsvel por certas

 caractersticas lingsticas arcaicas do chamado latim hispnico , de que

 resultaram o galego-portugus e o espanhol , quer na fonologia , quer na

 gramtica ( morfologia e sintaxe ) , quer no lxico .
 Assim nesse latim hispnico

 acolhem os seguintes fatos , desconhecidos de outras lnguas romnicas :

 a ) a sobrevivncia do pronome relativo cujus , genitivo de qui , quae , quod :

 portugus cujo , espanhol cuyo ;

 b ) a sobrevivncia da srie trplice dos pronomes demonstrativos iste , ipse ,

 ille ( na forma reforada ( accu + ille ) : port. este , esse , aquele ; espanhol este ,

 esse , aquel ) ;

 c ) a conservao do mais-que-perfeito em - ra ( amara ) e do imperfeito do

 subjuntivo em - sse ( amasse ) ;

 d ) a evoluo fonolgica de mb passando a m ; espanhol : palumba dando paloma .

 No lxico , a exemplificao ainda  mais representativa , porque o portugus e o

 espanhol em geral conservam a palavra mais antiga , enquanto o italiano e o

 francs adotam as palavras mais recentes no latim .

 Esta diferenciao toca num ponto de lingstica geral de que teremos ocasio

 de falar , quando comentarmos distines entre o portugus de Portugal e o

 portugus do Brasil : as regies geograficamente perifricas ou marginais e as

 regies centrais em relao ao centro cultural .
 Portugal e Espanha - - bem como

 a Romnia - - pertencem  reas perifricas , enquanto Itlia e Frana so reas

 centrais relativamente a Roma ; as primeiras so reas conservadoras e as

 segundas inovadoras , e , em parte , isto se explica porque muitas inovaes no

 tiveram a fora de expanso para chegar ou implantar-se nas reas mais

 afastadas ou perifricas .
 Vejam-se os seguintes exemplos , sabendo-se que as

 reas conservadoras usam as palavras mais antigas no latim :

 Portugus Espanhol Italiano Francs Romeno

 Latim FORMOSUS

 BELLUS Formoso hermoso

 Bello beau Frumos

 Latim PLECARE

 * ARRIPARE Chegar llegar

 Arrivare arriver a pleca

 Latim MAGIS

 PLUS Mais ms

 Pi plus Mai

 Latim RIVUS

 FLUMEN Rio ro

 Fiume fleuve Ru

 Inculta e bela

 O adjetivo inculta referente  " flor do Lcio " prende-se  fase inicial da

 Filologia ou Lingistica Romnica que chamava ao latim fonte das lnguas

 romnicas , isto  , suas continuadoras ininterruptas no tempo e no espao

 ( portugus , galego , espanhol , occitnico , catalo , francs , franco-provenal ,

 italiano , sardo , reto-romnico , dalmtico e romeno ) , latim vulgar , e o

 caracterizava como a modalidade popular falada pelas camadas sociais que no

 tinham acesso  escolaridade e , por isso mesmo , falavam muito diferentemente do

 latim escrito e literrio , chamado latim clssico .

 Da o nosso poeta no s estigmatiz-lo como " rude " , mas ainda " desconhecida e

 obscura " , j nas suas relaes genealgicas com a lngua portuguesa .

 Hoje esta concepo de latim vulgar muito se modificou , principalmente pela

 viso de que um lngua histrica se constitui de um conglomerado de lnguas

 dentro de si , aquilo a que os lingistas costumam chamar um " diassistema " , isto

  , um conjunto complexo e variado de tradies lingsticas , repartidas entre

 variedade diatpicas ( regionais ou locais , os dialetos ) , diastrticas ( sociais

 ou socioletos ) e diafsicas ( estilsticas ) .

 Destarte , o latim , como lngua de sociedade e do imprio romano , apresentava-se

 tambm polifacetado , de modo que o percurso de latim a lnguas romnicas no se

 pode atribuir , exclusiva ou preponderantemente , a determinada modalidade

 " popular " ou a qualquer outra , pois j apareceu tese de que elas " provinham " do

 latim clssico .
 Neste processo histrico , com maior ou menor participao , esse

 latim fonte das lnguas romnicas  um depositrio de isoglossas comuns

 oriundas de elementos populares , literrios , da classe mdia e do latim dos

 cristos , de elementos rsticos e itlicos , quer da atividade falada , quer da

 lngua escrita .

 Por isso , podemos dizer que Bilac , at certo ponto , na sua intuio de poeta

 ( que , pelo visto , no  s um fingidor , mas um futurlogo ...
 ) , se antecipou 

 concepo diassistmica de lingistas hodiernos , pois no deixou de pressentir ,

 na pertena uniformidade do latim vulgar , a presena da multiformidade do latim

 tout court , do latim sem adjetivos , conjunto de isoglossas que se depreende

 vivo em qualquer momento histrico por que se queira estudar e descrever o

 latim .

 Parece ser dentro desta nova viso de teoria lingstica que Bilac aproxima sem

 contradio !
 - ...
 inculta e bela .

 s , a um tempo , esplendor e sepultura

 Ouro nativo , que na ganga impura

 A bruta mina entre os cascalhos vela ( = cobre com uns vu para ocultar o ouro

 nativo ) .

 Antes de prosseguir na exegese do soneto , paremos para apreciar a adequao e a

 justeza do lxico de Bilac ; ao comparar o portugus com o ouro in natura ( " ouro

 nativo " ) , reporta-se ao vocabulrio especial ou tcnico da mineralogia :

 " ganga " , dizem os dicionaristas ,  o " resduo , em geral no aproveitvel , de um

 jazida filoniana , o qual pode , no entanto , em certos casos , conter substncias

 economicamente teis " .
 Da , nada mais normal do que se Ihe aplicar a

 adjetivao " impura " e a referncia a " cascalhos " .
 A noo tcnica de jazida

 filoliana do verbete dicionarstico est representada em " a bruta mina " , em que

 " bruta " , com o significado de ' tal como  encontrada na natureza ' , retoma a

 noo de " nativo " em " ouro nativo " , j que " nativo " significa ' o que 

 natural ' .

 Cabe aqui uma curiosidade para os que conhecem pouco a atividade literria e

 cultural de Olavo Bilac : o exmio poeta e excelente prosador preparou um

 dicionrio analgico que , parece , chegou a ser entregue ao livreiro Francisco

 Alves , da qual obra e do seu paradeiro , infelizmente , no se tem hoje notcia .

 Ainda a relao das obras do autor que aparece na edio das ltimas

 Conferncias e Discursos ( 1927 ) arrola o Dicionrio Analgico , com a

 informao : " no prelo " .

 O poeta , no segundo quarteto do soneto , j vai falar ' da lngua portuguesa

 literariamente constituda , deixando um vazio , entre o primeiro quarteto ( a

 latinidade do portugus ) e o segundo , vazio que procuraremos preencher nas

 linhas que se seguem .

 Estabelecida a origem latina do idioma , cumpre lembrar que , chegados os romanos

  Pennsula Ibrica no sculo III a.C. , s no I a.C. estava a regio

 romanizada .
 Ao l chegarem , encontraram os conquistadores povos que j

 habitavam a pennsula , povos de que no temos seguras notcias nem vestgios

 que no ofeream muitas dvidas .

 ( Continua na quarta parte )

