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 Falavrar l Lingstica

 FABICO

 falavra , lavra a palavra , larva

 Terra a vista

 Estudos tentam traar a origem das diferenas da lngua que herdamos de Cabral

 Especialistas afirmam : o litoral brasileiro , quando da chegada dos portugueses ,

 no ouviu a clebre frase " terra  vishta " pronunciada com o " a " abafado e o

 " s " chiado , como fazem atualmente nossos patrcios .
 Cabral pronunciava as

 slabas da mesma forma que os brasileiros de hoje .
 Dizia " chegamos " , e no

 " chgamos " , como fazem os lusitanos modernos .
 Ocorreu que mantivemos sons

 trazidos do sculo XV , enquanto do lado de l do Atlntico estes mesmos eram

 considerados arcasmos .
 Somadas as contribuies dos ndios , negros e

 imigrantes , formou-se , ento , o nosso ` portugus brasileiro ' , um arcasmo

 moderno , to diferente da lngua me .
 O fato de que falamos um portugus

 definitivamente diferente daquele falado em Portugal  ntido e aceito entre os

 lingistas .
 A questo  como ocorreu esta variao .
 A resposta a esta pergunta

 pode vir atravs de trs projetos de pesquisa , que , dentre outros pontos ,

 destacam a histria da nossa lngua , nosso jeito de falar e as diferenas

 regionais dentro do pas .
 Os projetos mobilizaram 32 lingistas de doze

 universidades brasileiras , em um perodo de dez anos e devem comear a ser

 publicados em 2001 .
 O primeiro deles  a Gramtica do Portugus Falado , que

 procura apresentar elementos da lngua falada inexistentes na escrita .
 " Ao

 contrrio do que se acredita , as pessoas falam com muito mais riqueza do que

 escrevem " , relata o professor Ataliba de Castilho , do departamento de Letras da

 USP , coordenador do projeto .
 Este estudo visa organizar a sintaxe , a disposio

 das palavras na frase e as relaes entre elas .
 " Todas estas dependncias da

 forma falada compe um quadro de maior complexidade em relao  forma

 escrita " , afirma o pesquisador .
 " Isto justificaria a importncia do projeto ,

 pois s estudando o jeito como se fala teremos uma idia de como  nosso

 idioma. " A primeira pesquisa completa sobre a histria do portugus no Brasil 

 o resultado do segundo projeto .
 O estudo das particularidades da lngua falada

 resultou na reu-nio de diversas informaes sobre a origem de cada estrutura

 gramatical .
 Reunidos , estes dados visam identificar todas as influncias que a

 lngua trazida pelas naus de Cabral sofreram .
 Devido ao verdadeiro " mosaico

 lingstico " existente no Brasil ( resultado destas diferentes influncias )

 surgiu o terceiro projeto , intitulado Atlas Lingstico. falavra , lavra a

 palavra , larva Este estudo , que ir abranger 250 localidades do Sul ao Norte do

 pas , tem previso para 2005 .
 " Nosso intuito  mapear todos os dialetos da

 nao brasileira " , explica a coordenadora de pesquisa e lingista da

 Universidade Federal da Bahia , Suzana Cardoso .
 " Esta  uma das partes mais

 sensveis do trabalho .
 Temos um territrio muito vasto e as variaes

 lingsticas acompanham esta extenso .
 Que Portugal , nada !!!
 O portugus  ,

 atualmente , o sexto idioma mais falado no mundo .
 Com , aproximandamente , 200

 milhes de falantes espalhados em vrios pases da frica , como Angola e

 Moambique ; Macau , na China ; Goa , na ndia ; e no Timor Leste .
 Mas  o Brasil o

 pas que mais concentra falantes da lngua : 160 milhes. falavra , lavra a

 palavra , larva As influncias Algumas origens das diferenas lingsticas no

 Brasil j foram identificadas e comprovadas .
 Veja abaixo algumas delas : 

 " Crishto Redentorrr " - o tradicional chiado carioca teve origem na vinda da

 famlia real portuguesa para o Rio de Janeiro , em 1808 .
 A Realeza trouxe

 consigo 16 mil lusitanos fugidos das tropas napolenicas .
 A capital fluminense ,

 ento com cinqenta mil habitantes , alterou seu modo de falar .
 Em parte pela

 presena fsica dos falantes recm-chegados , que j representavam mais de um

 quarto da populao ; mas tambm para imitar as conversas dos nobres.  " Muitcho

 quenti " - a miscigenao de brancos europeus , ndios e negros causou a maior

 parte das diferenas na regio Nordeste .
 Sobretudo entre o litoral , onde 

 maior a presena de negros oriundos da escravido , e o interior , para onde

 fugiam os ndios expulsos pelos portugueses .
 No Recncavo Baiano , o " t " s

 vezes  pronunciado como " tch " , como em " tia " , que soa " tchia " .
 Ou " muito " ,

 pronunciado " muitcho " .
 J no interior , predomina o " t " seco , dito com a lngua

 entre os dentes.  " Mim falar Tupi " - apesar da proximidade , o Norte apresenta

 drsticas diferenas dialticas em relao ao Nordeste .
 Isto se deve  quase

 inexistncia de escravos africanos na regio .
 Ocorreu , ento , a influncia do

 tupi e do portugus , ambos levados pelos jesutas no processo de evangelizao .

  " Tu falas voc " - a influncia aoriana no sul  predominante .
 Ocupado pelo

 governo portugus no sculo XVIII , o litoral sulista foi alvo da transferncia

 de imigrantes das Ilhas dos Aores .
 Isto determinou o uso de " tu " , presente at

 hoje na fala de Portugal .
 Enquanto que , no interior de Santa Catarina , adota-se

 freqentemente o " voc " , provavelmente difundido pelos tropeiros paulistas que

 atravessavam a regio no mesmo sculo .
 Os brasileiros Segundo Ataliba de

 Carvalho , " est em gestao uma nova lngua : o brasileiro. " Segundo o

 pesquisador , o isolamento geogrfico foi o responsvel pelo incio deste

 processo .
 J o especialista em Poltica Lingstica da Unicamp , Kanavillil

 Rajagopalan afirma : " no tenho dvida de que hoje falamos brasileiro , e no

 mais portugus " .
 " As diferenas entre o portugus e o brasileiro so maiores do

 que as existentes entre o hindi e o urdu " , respectivamente um idioma indiano e

 outro paquistans , aceitos como distintos .
 Mas h quem o diga o contrrio .
 O

 gramtico Evanildo Bechara afirma que " no h nada no portugus brasileiro que

 no exista em Portugal " .
 " Falamos a mesma lngua " , conclui .
 Polmicas a parte ,

 nossa lngua necessita de uma anlise para sua maior compreenso , pois 

 evidente sua transformao desde que as caravelas lusitanas aportaram por aqui .

 juliano

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